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| Vidas Sêcas, de Graciliano Ramos. |
Graciliano
Ramos. (Graciliano
Ramos de Oliveira).
Nasceu em Quebrangulo, Estado de Alagoas, a 27 de Outubro de 1892, e,
faleceu no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a 20 de Março
de 1953. Graciliano Ramos foi um romancista, cronista, contista,
jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais
conhecido por seu livro Vidas
Secas
(1938). *
“A
sua obra, pensada em particular ou em conjunto, nos dá a sensação
de coisa pesada, opressiva ainda que lúcida; em perfeita coerência
com a natureza introspectiva, analista, cética e desconfiada do
autor, moldado como foi pelo meio e uma educação cheios de
violência, ignorância, incompreensão e injustiças”.
(Nelly
Novais Coelho).
Biografia
Graciliano
Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de Outubro de 1892. Primeiro de
dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão
nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do
Nordeste brasileiro, como Buíque (PE), Viçosa e Maceió (AL).
Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro,
onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Em Setembro de
1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília,
Leonor
e Clodoaldo
e do sobrinho Heleno,
vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste,
fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios,
Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria
Augusta de Barros,
que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos. Foi eleito prefeito
de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou
no cargo por dois anos, renunciando a 10 de Abril de 1930. Segundo
uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade
do interior, soltava os presos para construírem estradas". Os
relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a
atenção de Augusto
Frederico Schmidt,
editor carioca que o animou a publicar Caetés
(1933). Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor
da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do
estado. Em 1934 havia publicado São
Bernardo,
e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em
decorrência do pânico insuflado por Getúlio
Vargas
após a Intentona
Comunista de 1935.
Com ajuda de amigos, entre os quais José
Lins do Rego,
consegue publicar Angústia
(1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra. Em
1938 publicou Vidas
Secas.
Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de
ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido
Comunista do Brasil
- PCB
(que nos anos sessenta dividiu-se em Partido
Comunista Brasileiro
- PCB
- e Partido
Comunista do Brasil
- PCdoB),
de orientação soviética e sob o comando de Luís
Carlos Prestes;
nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com
a segunda esposa, Heloísa
Medeiros Ramos,
retratadas no livro Viagem
(1954). Ainda em 1945, publicou Infância,
relato autobiográfico. Adoeceu gravemente em 1952. No começo de
1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de Março de 1953, aos
60 anos, vítima de câncer do pulmão.
Vidas
Secas (livro)
Vidas
Secas
é o quarto romance de Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938,
publicado originalmente em 1938 pela Editora
José Olympio.
As ilustrações na primeira edição foram feitas pelo artista
plástico Aldemir
Martins.
A
obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na
infância sobre a vida de retirantes,
na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra
Baleia, estes são considerados os personagens mais famosos da
literatura brasileira. Escrito em terceira pessoa, Graciliano não
focaliza os efeitos do flagelo da seca através da crítica mas em
narrar a fuga da família, a desonestidade do patrão e
arbitrariedade da classe dominante, impossibilitada de adquirir o
mínimo de sobrevivência.
O
professor Leopoldo
M. Bernucci
considerou a obra naturalista mas não fatalista:
Embora a idéia
de determinismo em Graciliano, socialmente falando,
leve em si as marcas de uma visão trágica nos moldes do romance
naturalista, ela não se traduz aqui, pura e simplesmente, em
fatalista.
|
Alfredo
Bosi
considerou que "o roteiro do autor de Vidas
Secas
norteou-se por um coerente sentimento de rejeição que adviria do
contato do homem com a natureza ou com o próximo".
Angústia
(livro)
Angústia
é um romance publicado por Graciliano Ramos em 1936. À época
Graciliano estava preso pelo governo de Getúlio
Vargas
e contou com ajuda de amigos, entre os quais José
Lins do Rego,
para a publicação. A obra apresenta um narrador em primeira pessoa,
Luís
da Silva,
funcionário público de 35 anos, solitário, desgostoso da vida e
que acaba se envolvendo com sua vizinha, Marina.
Com traços existencialistas, Luís mistura fatos do passado e do
presente, narra num ritmo frenético como um grande monólogo
interior. O leitor de Angústia
certamente lembrará de Crime
e Castigo,
de Fiódor
Dostoiévski,
pois em ambos há as angústias de um crime, o medo de ser pego, a
febre; em Angústia
o crime é o clímax, enquanto em Crime e Castigo é o ponto de
partida para a história, e a personagem consegue a redenção. Outra
influência marcante é a dos naturalistas brasileiros, especialmente
à Aluízio
Azevedo,
o determinismo e a animalização do homem. O narrador não quer ser
um rato, luta contra isso; compara-se o tempo todo os homens aos
bichos, porcos, formigas, ratos, e usa-se verbos de animais para as
reações humanas.
Alfredo
Bosi
afirma que Angústia
foi a experiência mais moderna e até certo ponto marginal de
Graciliano Ramos e que "tudo nesse romance sufocante lembra o
adjetivo 'degradado' que se apõe ao universo do herói problemático;
estamos no limite entre o romance de tensão crítica e o romance
intimista. Foi a experiência mais moderna, e até certo ponto
marginal, de Graciliano. Mas a sua descendência na prosa brasileira
está viva até hoje". Apesar de ter lido Crime
e Castigo
de Fiódor
Dostoiévski,
Ramos inicialmente recusou qualquer semelhança da obra com Angústia,
em 12 de Novembro de 1945, ele escreveu a Antonio
Candido
avaliando as considerações do crítico a respeito de Angústia:
Onde as nossas
opiniões coincidem é no julgamento de Angústia. Sempre
achei absurdos os elogios a este livro, e alguns, verdadeiros
disparates, me exasperam, pois nunca tive semelhança com
Dostoiévski nem com outros gigantes. O que sou é uma espécie
de Fabiano, e seria Fabiano completo se a seca houvesse destruído
a minha gente, como v. bem conhece.
—Graciliano
Ramos
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Inicialmente
Graciliano declara ter lido Dostoiévski,
mas negou qualquer influência até as vésperas da morte, segundo
seu filho Ricardo
Ramos.
Por fim, o autor reconhece ter sofrido influência de Dostoiévski,
Tolstoi,
Balzac
e Zola
e também seu permanente interesse pela literatura russa. O próprio
autor diz sobre a obra para Antonio
Candido:
Acho em
Angústia numerosos defeitos, repetições excessivas,
minúcias talvez desnecessárias. E tudo mal escrito. Mas se,
apesar disso, der ao leitor uma impressão razoável, devo
concordar com v. É possível até que as falhas tenham
concorrido para levar na história aparência de realidade. E
alguns capítulos não me parecem ruins.
—Graciliano
Ramos
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Caetés
(livro)
Caetés
é o primeiro romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos
publicado em 1933 pela Livraria Schmidt Editora. A história
desenvolve-se em Palmeira dos índios, cidade em que viveu Graciliano
Ramos.
João
Valério, o
personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por
Luisa,
mulher de Adrião,
dono da firma comercial em que trabalha. O caso amoroso é denunciado
por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio.
Arrependido, João Valério, afasta-se de Luisa, continuando, porém,
como sócio da firma. Neste romance em primeira pessoa, aparecem duas
instâncias de narração, diferentes entre si: o livro que o
narrador-personagem João
Valério escreve
(cujo título é também Caetés)
não se assemelha ao romance Caetés
que Graciliano está escrevendo, entretanto, o narrador personagem
acaba por se inscrever entre essas duas linhas, colocando-se ele
próprio e toda a sociedade de Palmeira dos índios analogicamente
como índios caetés. No romance homônimo escrito pelo personagem, o
tema principal é a deglutição do bispo Sardinha pelos índios,
episódio presente no Manifesto
Antropófago de
Oswald de Andrade
enquanto no romance de Gracialiano, o índio deixa de ser um ícone
do processo constitutivo da nação, para se transformar em um
personagem. Benjamin
Abdala Júnior
diz que "na
interação dos caracteres, como ocorrem em relação ao João
Valério, de Caetés, afirmam-se as marcas do autor implícito".
Os críticos
não acolheram bem Caetés
e os detratores chegam a dizer que, em Caetés,
temos mais de Eça
de Queirós do
que Graciliano Ramos. Antonio
Candido foi um
desses críticos ao afirmar que o romance é um "exercício de
técnica literária mediante o qual [o autor] pode aparelhar-se para
os grandes livros posteriores". Já Osman
Lins exprimiu seu
apreço por Caetés
indicando o excesso de rigor com que a crítica o teria apreciado:
"críticos
exigentes fazem certas restrições à obra, entretanto límpida,
arguta e equilibrada”.
São
Bernardo (livro)
São
Bernardo
é um romance escrito por Graciliano Ramos publicado em 1934 e
situado na segunda etapa do modernismo
brasileiro.
São
Bernardo foi adaptado para o cinema por Leon
Hirszman
em 1972 e ganhou 9 prêmios em festivais nacionais e internacionais,
com Othon
Bastos
e Isabel
Ribeiro
nos papéis centrais.
A
Terra dos Meninos Pelados (livro)
A
Terra dos Meninos Pelados
é um livro de contos infanto-juvenis de Graciliano Ramos publicado
em 1937.
Conta
a história um menino chamado Raimundo,
que
era careca e tinha um olho azul e outro preto.
Por ser considerado estranho, seus vizinhos não falam com ele e o
apelidam de Raimundo
Pelado.
Por não ter amigos, começa a falar sozinho, cria um país
imaginário chamado Tatipirun,
onde as pessoas têm um olho preto e outro azul, onde não existem
cabelos em suas cabeças, e onde as plantas e animais falam. Quando
Raimundo "chega" na cidade de Tatipirun
se depara com um carro vindo em sua direção,e acha que vai ser
atropelado,só que ai o carro "explica" (os carros,
animais, plantas e outros falam) que em Tatipirun
ninguém é machucado nem ofendido. Andando um pouquinho mais,
Raimundose se depara com a Laranjeira,
ele pensa que a laranjeira tem espinhos e ela se sente ofendida, mas,
com um pedido de desculpa, tudo se resolve.
Escrito
por Graciliano logo após ser solto da prisão da Ilha Grande, num
quarto de pensão no Rio de Janeiro, onde morava com a esposa e as
filhas, a obra lhe rendeu um prêmio do então chamado Ministério de
Educação e Cultura, ainda em 1937. No ano seguinte iria elaborar o
romance Vidas
Secas
e apenas em 1946 é que cuidaria de iniciar Memórias
do Cárcere,
publicado apenas em 1953.
Brandão
Entre o Mar e o Amor (livro)
Brandão
Entre o Mar e o Amor é um romance único
escrito pelos cinco mais renomeados autores brasileiros Jorge
Amado, Graciliano
Ramos, José
Lins do Rego, Aníbal
Machado e Rachel
de Queiroz. A obra literária foi
publicada em 1981.
Sinopse
Atendendo a uma
"vocação irremediável", Brandão abandona a casa
paterna e, após breve itinerância circense, lança-se a uma vida de
aventuras no mar, um sonho de infância, onde vem a conhecer aquela
que viria ser a grande paixão de sua vida. Lúcia é um
mistério oriental, que Brandão recebe como um presente e com ela
retorna à sua terra para assumir uma fazenda, que lhe coubera como
herança de família. A beleza exótica de Lúcia atrairia também
Mário, amigo de Brandão dos tempos de faculdade, que se
deixa consumir na luta por um amor impossível, quase uma
autoflagelação imposta por uma vida de fracassos. A teia amorosa se
completa - ou se complica - quando Glória, mulher
autoritária, frívola e irrealizada aparece na história usando de
todos os meios ao seu alcance para conquistar o homem por quem se
apaixonara... O livro conta a história de Brandão, que se lança a
uma vida de aventuras no mar, onde vem conhecer Lúcia, sua grande
paixão.
Histórias
de Alexandre (livro)
Histórias
de Alexandre é
um livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1944.
Compendiando histórias coletadas do folclore alagoano, Graciliano
reúne neste livro contos e fanfarronices de um típico mentiroso do
sertão. A obra foi reeditada em 1962 com o título de Alexandre
e Outros Heróis,
reunindo, além dos contos de Alexandre, a história de A
Terra dos Meninos Pelados
e Pequena História
da República.
Infância
(livro)
Infância
é um livro de Graciliano Ramos. Foi publicado em 1945. O livro
percorre um período que vai dos dois anos do narrador até a
puberdade. Sua construção acompanha os passos do autor,
redescobridor de seu mundo de menino nordestino, repleto de
lembranças dolorosas: "Medo.
Foi o medo que me orientou nos meus primeiros anos, pavor". Num
misto de imaginação e memória, o retrato de sua meninice revela o
desprezo pela criança como sujeito social, na passagem do século
XIX para o XX, onde o autor deixa perceber claramente a severidade
como instrumento mais eficaz para o modelo de educação aí vigente:
"Aquele que ama o
seu filho, castiga-o com freqüência (...)".
Graciliano esboça um quadro de nossa história dos costumes, em que
uma ética pedagógica grosseira surge identificada com práticas
punitivas contra crianças: cascudos, bolos de palmatória, puxões
de orelhas e castigos de toda sorte.
Histórias
Incompletas (livro)
Histórias
Incompletas é um
livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1946. É composto
pelos contos:
Um
ladrão
Luciana
Minsk
Cadeia
Festa
Baleia
Um
incêndio
Chico
Brabo
Um
intervalo
Venta-romba
Insônia
(livro)
Insônia
é um livro de contos de Graciliano Ramos que foi publicado em 1947,
pela Editora
José Olympio,
reunindo 13 contos:
Com exceção
de Uma visita,
Luciana
e A testemunha,
todos os textos já haviam sido publicados na coletânea Dois
dedos, de 1945.
Memórias
do Cárcere (livro)
Memórias
do Cárcere
é um livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado postumamente
(1953) em dois volumes. O autor não chegou a concluir a obra,
faltando o capítulo final. Graciliano havia sido preso em 1936 por
conta de seu envolvimento político, exagerado por parte das
autoridades após o pânico insuflado com a chamada Intentona
Comunista,
de 1935. A acusação formal nunca chegou a ser feita.
No
livro, Graciliano descreve a companhia dos mais variados tipos
encontrados entre os presos políticos: descreve, entre outros
acontecimentos, a entrega de Olga
Benário
para a Gestapo, insinua as sessões de tortura aplicadas a Rodolfo
Ghioldi
e relata um encontro com Epifrânio Guilhermino, único sujeito a
assassinar um legalista no levante comunista do Rio Grande do Norte.
Durante a prisão, diversas vezes Graciliano destrói ou afirma
destruir as anotações que poderiam lhe ajudar a compor uma obra
mais ampla. Também dá importância ao sentimento de náusea causado
pela imundície das cadeias, chegando a ficar sem alimentação por
vários dias, em virtude do asco. Da cadeia, Graciliano faz
comentários sobre a feitura e a publicação de Angústia,
uma de suas melhores obras.
Diz
o crítico Wilson
Martins,
a respeito da censura que o livro sofreu, adulterando o original do
autor para sempre:
Houve também
na história dessas relações, a grande crise provocada por
Memórias do Cárcere. Sabia-se que o PCB exerceu forte pressão
sobre a família de Graciliano Ramos para impedir-lhe a
publicação, acabando por aceitá-la à custa de cortes textuais
e correções cuja verdadeira extensão jamais saberemos. Nas
idas e vindas entre a família e os censores do Partido,
resultaram, pelo menos, três “originais”, datilografados e
redatilografados ao sabor das exigências impostas. Supõe-se que
o último deles recebeu o imprimatur
canônico, acontecendo, apenas, que, na confusão inevitável de
tantos “originais”, as páginas escolhidas para ilustrar os
volumes diferiam sensivelmente das impressas, suscitando dúvidas
quanto à respectiva autenticidade.
—Wilson
Martins, in: Gazeta do Povo
|
Ainda
segundo o crítico, fez publicar a denúncia no jornal O
Estado de S. Paulo,
recebendo então acerbas críticas do PCB, o que para ele era a
comprovação da veracidade das alterações feitas na obra que, após
reveladas, haviam incomodado o editor, José
Olympio.
Os filhos de Graciliano, Ricardo
e Clara,
teriam mais tarde confirmado a intervenção política no texto.
Memórias
do Cárcere
também foi filmado por Nelson
Pereira dos Santos
em 1984. Graciliano é interpretado por Carlos
Vereza,
e sua mulher Heloísa (que lhe faz algumas visitas na prisão) é
interpretada por Glória
Pires.
Viagem
(livro)
Viagem
é o um livro de crônicas de Graciliano Ramos. Publicado
postumamente em 1954 narra a viagem que Graciliano fez em 1952 à
Tchecoslováquia e à URSS. Apesar
de ser filiado ao Partido Comunista, a convite de Luís
Carlos Prestes,
sua narrativa se pretende neutra. Apesar do tom neutro, o livro não
é isento de críticas ao pensamento político brasileiro; ao falar
do culto soviético à imagem de Josef
Stalin,
Graciliano provoca: "Realmente
não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao
dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um
presidente da república na América do Sul"
(RAMOS:2007,54).
Alexandre e
Outros Heróis (livro)
Alexandre
e Outros Heróis
é o nome de um livro que foi dado à reunião de três obras do
escritor brasileiro Graciliano Ramos: Histórias
de Alexandre
(contos do folclore infanto-juvenil), Pequena
História da República
(sátira à história do Brasil, inédita até então) e A
Terra dos Meninos Pelados
(infantil). O livro Alexandre e Outros Heróis foi reeditada
postumamente, em 1962.
Citações
Obras
Caetés
1933
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 890/3580
-O
senhor é doido?Que ousadia é essa?Eu...
Não
pôde continuar. Dos olhos, que deitavam faíscas, saltaram lágrimas.
Desesperadamente perturbado, gaguejei tremendo:
-Perdoe,
minha senhora. Foi uma doidice.
- -
Cap. 1,página 13
- -
Últimas três linhas de Caétes
São
Bernardo
1934
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 836/3277
- -
Cap. 3,página 14
”Começo
declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e
completei cinquenta anos pelo S.Pedro. A idade, o peso, as
sobrancelhas cerradas e grisalhas, este rosto vermelho e cabeludo,
têm-me rendido muita consideração. Quando me faltavam estas
qualidades, a consideração era menor.”
- -
Cap. 4,página 16
”Resolvi
estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas,
e logo planeei adquirir a propriedade São Bernardo, onde trabalhei,
no eito, com salário de cinco tostões.”
- -
Cap. 6,página 23
”Naquele
segundo ano houve dificuldades medonhas. Plantei mamona e algodão,
mas a safra foi ruim, os preços baixos,vivi meses aperreado,
vendendo macacos e fazendo das fraquezas forças para não ir ao
fundo”.
Angústia
1936
"Certos
lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma
livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que
se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos,
vendendo-se. É uma espécie de prostituição."
- -
Cap. 1
"Os
defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das
nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma
criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina
sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo."
- -
Cap. 14
- -
Cap. 17
"É
uma tristeza. A senhora lavando, engomando, cozinhando, e seu
Ramalho na quentura da usina elétrica, matando-se para sustentar os
luxos daquela tonta. Sua filha não tem coração."
- -
Cap. 18
"Nunca
presto atenção as coisas, não sei para que diabo quero olhos.
Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como
sou vaidoso, como sou besta! Idiota. Podia estar ali a distrair-me
com a fita. Depois, finda a projeção, instruir-me vedos as caras.
Sou uma besta. Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu
pequeno mundo desaba."
Vidas
Secas
1938
“Na
planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os
infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e
famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado
bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas.
Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros
apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais
novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano
sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia
presa ao cinturão, a espingarda da pederneira no ombro. O menino
mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.” Cap. 1
“Se
não fosse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou –
e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos...
Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as
coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na
cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem
dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia
lidar com bichos.” Cap. 3
Infância
1945
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 914/3768
“A
primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça
vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta”.
Pág.13
”Disseram-me
depois que a escola nos servira de pouso numa viagem. Tinhamos
deixado a cidadezinha onde vivíamos, em Alagoas, entrávamos no
sertão de Pernambuco, eu, meu pai, minha mãe,duas irmãs”.
Pág.14
Memórias do
Cárcere
1953
"Quem
dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se
em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez
asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las,
controná-las, envovê-las em gaze".
Em
Liberdade
Obras
As
obras de Graciliano Ramos:
Caetés
- romance - Editora Schmidt, 1933; (ganhador do Prêmio Brasil de
Literatura);
São
Bernardo
- romance - Editora Arial, 1934;
Angústia
- romance - Editora José Olympio, 1936;
Vidas
Secas
- romance, - Editora José Olympio, 1938;
A
Terra dos Meninos Pelados
- contos infanto-juvenis - Editora Globo, 1939;
Brandão
Entre o Mar e o Amor
- romance - Editora Martins, 1942 - Escrito com Jorge Amado, José
Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz;
Histórias
de Alexandre
- contos infanto-juvenis - Editora Leitura, 1944;
Dois
Dedos - coletânea de contos - R.A. Editora, 1945;
Infância
- memórias - Editora José Olympio, 1945;
Histórias
Incompletas
- coletânea de contos - Editora Globo, 1946;
Insônia
- contos - Editora José Olympio, 1947;
Memórias
do Cárcere
- memórias - Editora José Olympio, 1953; (obra
póstuma)
Viagem
- crônicas - Editora José Olympio, 1954; (obra
póstuma)
Linhas
Tortas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra
póstuma)
Viventes
das Alagoas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra
póstuma)
Alexandre
e Outros Heróis
- contos infanto-juvenis - Editora Martins, 1962); (obra
póstuma)
Cartas
- correspondência - Editora Record, 1980; (obra
póstuma)
O
Estribo de Prata - literatura infantil - Editora Record,
1984; (obra póstuma)
Cartas
de Amor à Heloísa - correspondência - Editora Record,
1992; (obra póstuma)
Vidas
Secas - edição especial 70 anos - romance - Editora
Record, 2008; (obra póstuma)
Angústia
- edição especial 75 anos - romance - Editora Record, 2011;
(obra póstuma)
Garranchos
- textos inéditos - Editora Record, 2012. (obra póstuma)
Traduções
Graciliano
Ramos também dominava o inglês e o francês. Realizou algumas
traduções:
Memórias
de um Negro,
de Booker
T. Washington,
Companhia Editora Nacional, 1940;
A
Peste,
de Albert
Camus,
Editora José Olympio, 1950.
Publicações sobre
Graciliano Ramos
Graciliano
Ramos: Cidadão e Artista - Carlos Alberto dos Santos Abel,
UNB, 1999.
Graciliano
Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as Memórias do Cárcere,
Ângelo Caio Mendes Corrêa Junior, 2000. (Dissertação de Mestrado
em Letras, Universidade de São Paulo | orientador: Alcides Celso de
Oliveira Vilaça.
Graciliano
Ramos: Infância pelas Mãos do Escritor - Taisa Viliese de
Lemos, Musa Editora, 2002.
Graciliano
Ramos - Wander Melo Miranda, Coleção Folha Explica,
Publifolha, 2004.
A
Infância de Graciliano Ramos - Audálio Dantas, Callis,
2005. (Menção Altamente Recomendável, em 2006, da Fundação
Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Informativo.)
Graciliano
Ramos - Myriam Fraga, Moderna, 2007.
Cartas
Inéditas de Graciliano Ramos a seus Tradutores Argentinos Benjamin
de Garay e Raúl Navarro - Pedro Moacyr Maia, EDUFBA, 2008.
Graciliano
Ramos: um Escritor Personagem - Maria Izabel Brunacci,
Autêntica, 2008.
Graciliano
Ramos e o Mundo Interior: o Desvão Imenso do Espírito -
Leonardo Almeida Filho, UNB, 2008.
Graciliano
Ramos e o Desgosto de ser Criatura - Jorge de Souza Araujo,
EDUFAL, 2008.
A
Imagem da Linguagem na Obra de Graciliano Ramos - Maria
Celina Novaes Marinho, Humanitas FFLCH, 2.ed., 2010.
Graciliano
Ramos e a Novidade: o Astrônomo do Inferno e os Meninos Impossíveis
- Ieda Lebensztayn, Hedra, 2010.
Graciliano:
Retrato Fragmentado - Ricardo Ramos, Globo, 2011.
O
Velho Graça - Denis de Moraes, Boitempo, 2012.
Prêmios
Os
prêmios concedidos a Graciliano Ramos:
1936
- Prêmio
Lima Barreto
(Revista Acadêmica) - Angústia
1939
- Prêmio
Literatura infantojuvenil
(Ministério da Educação) - A
Terra dos Meninos Pelados
1942
- Prêmio
Felipe de Oliveira
- Conjunto
da Obra
1962
- Prêmio
da Fundação William Faulkner
(Estados Unidos) - Vidas
Secas,
como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea.
1964
- Prêmios Catholique
International du Cinema
e Ciudad
de Valladolid
(Espanha), concedidos a Nelson
Pereira dos Santos,
pela adaptação para o cinema do livro Vidas
Secas.
2000
- Personalidade
Alagoana do Século XX
2003
- Prêmio
Nossa Gente, Nossas Letras / Prêmio Recordista
2003
- Medalha
Chico Mendes de Resistência
2013
- Escolhido pelo Governo Federal para o PNBE
- Programa Nacional Biblioteca da Escola
- Memórias
do Cárcere.
Referências