| Rimbaud. (imagem: Étienne Carjat). |
Arthur
Rimbaud. (Jean-Nicolas
Arthur Rimbaud).
Nasceu em Charleville, a 20 de Outubro de 1854, e, faleceu em
Marselha, a 10 de Novembro de 1891. Rimbaud foi um poeta francês.
Produziu suas obras mais famosas quando ainda era adolescente sendo
descrito por Paul James, à época, como "um
jovem Shakespeare". Aos 20 anos já havia escrito 20 livros
de poesia. Como parte do movimento decadente, Rimbaud influenciou a
literatura, a música e a arte modernas. Era conhecido por sua fama
de libertino e por uma alma inquieta, viajando de forma intensiva por
três continentes antes de morrer de câncer aos 37 anos de idade.
Alenor
Rimbaud nasceu no seio da classe média provincial de
Charleville (hoje parte de Charleville-Mézières) em Ardennes,
departamento no nordeste da França. Ele foi o segundo filho de
Vitalie Rimbaud (Cuif, antes de se casar)
e o Capitão Frédéric, que lutou na Conquista da
Argélia e foi premiado com a Légion d'honneur.
Logo depois que o casal teve a quinta criança (Frédéric,
Arthur, Victorine [que morreu um mês
depois do nascimento], Vitalie e Isabelle),
o pai deixou a família. Crescendo separadamente de seu pai, pelos
escritos de Rimbaud é evidente que nunca se sentiu amado por sua
mãe. Quando garoto era impaciente, inquieto, porém um estudante
brilhante. Pela idade de quinze anos ganhou muitos prêmios e compôs
versos originais e diálogos em Latim. Em 1870 seu professor Georges
Izambard se tornou o mentor literário de Rimbaud e seus
versos em francês começaram a melhorar rapidamente. Ele fugia
freqüentemente de casa e pode ter se unido por pouco tempo à Comuna
de Paris de 1871, que foi retratada em seu poema L'orgie
Parisienne (“A Orgia Parisiense” ou “Paris
Repovoada”); pode ter sofrido violências sexuais por
soldados bêbados da comuna (e seu poema Le Cœur Supplicié
(“O Coração Torturado”) parece sugerir), tal fato
é pouco provável já que Rimbaud continuou a apoiar os Comunistas
escrevendo poemas que simpatizavam com suas reivindicações. Nesta
época ele se tornou um anarquista, começou a beber e se
divertia chocando a burguesia local com suas vestes rotas e o cabelo
longo. Neste mesmo tempo escreveu para Izambard e Paul
Demeny sobre seu método para atingir a transcendência
poética ou o poder visionário através do “longo,
imenso e sensato desregramento de todos os sentidos”.
(Les Lettres du Voyant [As Cartas do Vidente]).
| À volta da mesa, por Henri Fantin-Latour, 1872, Rimbaud é o segundo à esquerda, tendo ao seu lado direito Paul Verlaine. |
| Rimbaud (auto-retrato) em Harar em 1883. |
Rimbaud desenvolveu
sinovite em seu joelho direito e, subseqüentemente, um carcinoma no
mesmo joelho. Seu estado de saúde o forçou a partir para a França
em 9 de Maio de 1891, onde foi admitido num hospital em Marselha, e
ali teve sua perna amputada no dia 27 de Maio. No pós-operatório
foi descoberto que Rimbaud sofria de câncer. Após uma curta estada
na casa de sua família, voltou a viajar para a África, mas a sua
saúde piorou durante a viagem, sendo readmitido no mesmo hospital em
Marselha. Lá, após algum tempo de sofrimento e eventuais visitas de
sua irmã Isabelle, Rimbaud morreu a 10 de Novembro de
1891, com apenas 37 anos, e seu corpo foi enterrado no jazigo da
família em Charleville.
A poesia de
Rimbaud, bem como sua vida, impressionou escritores, músicos e
artistas do século XX. Pablo Picasso, Dylan
Thomas, Allen Ginsberg, Vladimir Nabokov,
Bob Dylan, Patti Smith, Giannina
Braschi, Léo Ferré, Henry Miller,
Van Morrison e Jim Morrison foram
influenciados por sua poesia e por sua vida. A vida de Rimbaud foi
retratada em vários filmes. No filme Una Stagione all'inferno
(Uma Temporada no Inferno), de 1970, do cineasta italiano Nelo
Risi, o escritor francês é interpretado por Terence
Stamp e Verlaine por Jean-Claude Brialy. Em
1995, a cineasta polonesa Agnieszka Holland dirigiu
Eclipse Total de uma Paixão, no qual Leonardo
DiCaprio interpreta Rimbaud e David Thewlis,
Paul Verlaine.
Rimbaud
que partiu para traficar armas de fogo no norte da África de um lado
e deu cor às vogais (revista em Alquimia do Verbo) por outro,
tornou-se um tipo de referência para a poesia no século seguinte:
servindo como argumento à tese que nascia sobre a impossibilidade de
ser considerada a dissociação entre o poeta e sua poesia. O
norte-americano Henry Miller, um dos grandes
admiradores da poesia simbolista de Rimbaud, diz, diante disso, que o
tipo Rimbaud chegará a superar tipos clássicos de comportamento;
como o introspectivo e inquieto jovem estampado pelo personagem
Hamlet, de Shakespeare. "Acho que
existem muitos Rimbauds neste mundo afora e que esse número
aumentará com o passar dos anos. Também acho que o tipo Rimbaud vai
eliminar, do mundo futuro, o tipo Hamlet e o tipo Fausto. Até que o
velho mundo desapareça por completo, o indivíduo 'anormal' tende a
ser cada vez mais a regra. O novo homem só se descobrirá quando
terminar o conflito entre a coletividade e o indivíduo. Aí então
veremos o tipo de homem em sua plenitude e esplendor". (MILLER,
Henry. A Hora dos Assassinos - Um Estudo sobre Rimbaud. L&PM
Pocket, 2003, pg. 15). Já Paulo Leminski escreveu no
curtíssimo ensaio "Poeta Roqueiro" que "se
vivesse hoje, Rimbaud seria músico de rock" e que Rimbaud
"pasmou os contemporâneos com uma precocidade poética -
(escrevendo) obras-primas entre os 15 e os 18 anos".
Georges Duhamel vai pela mesma picada: "O
que Stéphane
Mallarmé não
parece ter adivinhado é que o 'Viajante notável' voltaria, que ia
ficar, que não pararia de crescer, que sua influência se estenderia
sobre todas as gerações e que aquele garoto seria no século novo
não o mestre, e sim, melhor ainda, o mensageiro, o profeta de toda
uma juventude febril, entusiasta, rebelde". A imagem
mais conhecida de Rimbaud, esta mesma que ilustra o verbete, reforça
a ideia de enfant terrible que se relaciona à sua
personalidade.
Uma
Temporada no Inferno (obra)
Une
Saison en Enfer
(traduzido em livro em Portugal e no Brasil sob vários títulos: Uma
Época no Inferno,
Uma
Cerveja no Inferno,
Uma
Temporada no Inferno
ou ainda Uma
Estação no Inferno)
é um poema simbolista extenso escrito em 1873 pelo escritor francês
Arthur
Rimbaud.
É o único trabalho que foi publicado pessoalmente por Rimbaud. O
livro teve uma considerável influência em artistas e poetas
posteriores, como por exemplo, os surrealistas.
Em
Portugal, de destacar as traduções bilíngues de Mário
Cesariny
sob o título Uma
Época no Inferno
e na colectânea com as duas das obras do autor, Iluminações:
uma Cerveja no Inferno,
esta última já com 4 edições.
- Iluminações; Uma cerveja no inferno; trad., pref. e notas de Mário Cesariny; com sete trad. plásticas das "Iluminações". Lisboa: Estúdios Cor, 1972.
- Uma estação no inferno. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1952.
- Uma época no inferno; trad. e pref. Mário Cesariny de Vasconcelos. Lisboa: Portugália, 1960.
- Iluminações; Uma cerveja no inferno; trad. Mário Cesariny. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989. ISBN 972-37-0242-8.
- Iluminações; Uma cerveja no inferno; trad. Mário Cesariny. 2a ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1995.
- Iluminações: uma cerveja no inferno; trad. Mário Cesariny. 3a ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1999. ISBN 972-37-0242-8.
- Iluminações: uma cerveja no inferno; trad. Mário Cesariny. 4a ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007. ISBN 978-972-37-0242-8.
- Uma temporada no inferno; trad. Margarida Gil Moreira; pref. José Manuel de Vasconcelos. 1a ed. Lisboa: Ulmeiro, 1999. ISBN 972-706-299-7.
Citações
- "Acredito que estou no inferno, portanto estou nele".
- - Je me crois en enfer, donc j'y suis.
- - Une saison en enfer, de Arthur Rimbaud
- - A Season in Hell and Illuminations - Página 18, de Arthur Rimbaud, Bertrand Mathieu - Publicado por BOA Editions, Ltd., 1991 ISBN 0918526892, 9780918526892 - 176 páginas
- "O poeta faz-se vendo através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos".
- - Le Poëte se fait voyant par un long, immense et raisonné dérèglement de tous les sens
- - Rimbaud: selected verse with plain prose translations of each poem - Página 10, de Arthur Rimbaud, Oliver Bernard - Publicado por Penguin Books, 1962 - 351 páginas
- "A nossa pálida razão esconde-nos o infinito".
- - Notre pale raison nous cache I'infini!
- - Rimbaud Complete - Página 557, de Arthur Rimbaud, Wyatt Mason, Wyatt Alexander Mason - Publicado por Modern Library, 2002 ISBN 0679642307, 9780679642305 - 601 páginas
- "Aguardo Deus com gula".
- - J'attends Dieu avec gourmandise
- - A Season in Hell and The Drunken Boat: Et, Le Bateau Ivre - Página 12, de Arthur Rimbaud, Louise Varese - Publicado por New Directions Publishing, 1961 ISBN 0811201856, 9780811201858 - 108 páginas
- "A moral é a debilidade do cérebro".
- - La morale est la faiblesse de la cervelle.
- - Une saison en Enfer, Arthur Rimbaud, éd. Alliance typographique, 1873, «Délires II: Alchimie du verbe», p. 34 (voir la fiche de référence de l'œuvre)