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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Biografia de Anaxímenes de Lâmpsaco

Sem imagem.
Anaxímenes de Lâmpsaco. (em grego antigo: Ἀναξιμένης). Nasceu em Lâmpsaco em torno de 380 a.C. e faleceu em 320 a.C.  Anaxímenes foi um retórico e historiador grego.

Obras retóricas

Anaxímenes foi aluno de Zoilo e, assim como o seu mestre, escreveu uma obra sobre Homero. Como retórico, foi um oponente determinado de Isócrates e de sua escola. É geralmente considerado o autor da Retórica a Alexandre, uma Arte de Retórica incluída no tradicional corpus das obras de Aristóteles. Quintiliano parece referir-se a este trabalho sob o nome de Anaxímenes em Institutos de Oratória, como reconhecido pela primeira vez pelo filólogo renascentista italiano Piero Vettori. Esta atribuição, entretanto, foi contestada por alguns estudiosos. A hipótese para a Helena de Isócrates mencionar que Anaxímenes, também, tinha escrito uma Helena, "embora seja mais um discurso de defesa (apologia) do que um elogio", e conclui que ele era "o homem que escreveu sobre Helena" a quem Isócrates se refere (Isócrates Helena 14). Richard Claverhouse Jebb considera a possibilidade de que este trabalho sobrevive na forma do Elogio de Helena atribuído a Górgias: "Não parece improvável que Anaxímenes pode ter sido o verdadeiro autor da obra atribuída a Górgias". De acordo com Pausânias, Anaxímenes foi "o primeiro a praticar a arte de falar de improviso". Ele também atuou comologógrafo, tendo escrito o discurso de acusação no julgamento de Friné, de acordo com Diodoro Periegetes (citado por Ateneu). Os fragmentos "éticos" preservados no Florilegium de Estobeu podem representar "um livro filosófico".

Obras históricas

Anaxímenes escreveu uma história da Grécia em doze livros, que se estende desde as origens dos deuses até a morte de Epaminondas na Batalha de Mantineia (Hellenica, em grego antigo: Πρῶται ἱστορίαι), e uma história de Filipe da Macedônia (Philippica). Era um dos favoritos de Alexandre, o Grande, a quem acompanhou em suas campanhas persas, e escreveu uma terceira obra histórica sobre Alexandre. (No entanto, Pausânias expressa dúvida sobre sua autoria de um poema épico sobre Alexandre.) Foi um dos oito historiadores exemplares incluídos no cânone alexandrino. Dídimo Calcenteros relata que a obra transmitida como discurso 11 de Demóstenes (Contra a Carta de Filipe) pode ser encontrada em forma quase idêntica no Livro 7 de Anaxímenes, Philippica, e muitos estudiosos consideram a obra como uma composição historiográfica de Anaxímenes. A Carta de Filipe (discurso 12) a que o discurso 11 parece responder, também pode ser atribuída a Anaxímenes, ou pode ser uma carta autêntica de Filipe, talvez escrita com a ajuda de seus conselheiros. A teoria mais ambiciosa de Wilhelm Nitsche, que atribuiu a Anaxímenes a maior parte do corpus demostênico (discursos 10-13 e 25, cartas 1-4, proêmios), pode ser rejeitada. Anaxímenes era hostil a Teopompo, a quem procurou desacreditar com uma paródia caluniosa, Trikaranos, publicada no estilo de Teopompo e sob o seu nome, atacando Atenas, Esparta e Tebas. Plutarco critica Anaxímenes, juntamente com Teopompo e Éforo, pelos "efeitos retóricos e grandes períodos" que esses historiadores implausivelmente deram aos homens no meio de circunstâncias urgentes no campo de batalha (Praecepta gerendae reipublicae).

Retórica a Alexandre

A Retórica a Alexandre (também amplamente conhecida por seu título em latim: Rhetorica ad Alexandrum; em grego clássico Τέχνη ῥητορική) é um tratado tradicionalmente atribuído a Aristóteles. Acredita-se, hoje em dia, que seja, em realidade, um trabalho de Anaxímenes de Lâmpsaco. Quintiliano parece se referir a este trabalho sob o nome de Anaximenes na Institutos de Oratória, como o filólogo renascentista Piero Vettoriprimeiramente reconheceu. Essa atribuição, contudo, foi discutida por alguns acadêmicos. Como o único manual completo de retórica ainda sobrevivente do mundo grego antigo, a Retórica a Alexandre fornece um olhar inestimável ao universo retórico com que Aristóteles convivia.

Referências

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Biografia de Protágoras


Demócrito (centro) e Protágoras (direita)
por Salvator Rosa.
Protágoras. (em grego antigo: Πρωταγόρας;). Nasceu em Abdera, c. 490 a.C.; faleceu na Sicília, c. 415 a.C.1. Protágoras foi um sofista da Grécia Antiga, célebre por cunhar a frase: O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Foi influenciado por Heráclito e influenciou Platão, Jeremy Bentham, Friedrich Nietzsche e Ferdinand Canning Scott Schiller. Nascido em Abdera, foi discípulo de Demócrito, amigo de Péricles e Sócrates. Tinha mais de 70 anos de idade quando publicou um livro pelo qual foi acusado de impiedade. Fugiu de Atenas e morreu num naufrágio, quando tentava chegar à Sicília. Primeiro filósofo a ser chamado “sofista”, dele é largamente citada a afirmação segundo a qual “o homem é a medida de todas as coisas”. Platão, no seu “Protágoras”, apresenta-o como filósofo arguto, mas presunçoso. Publicou obras em todos os gêneros, de que existem ainda alguns restos: discurso intitulado Processo Sobre o Salário; uma Política; um tratado sobre Erros dos Homens; Hades; Verdade; Antilogias; Luta; e Discursos Destruidores. É personagem de Platão, em seus diálogos filosóficos. Tendo como base para isso o pensamento de Heráclito. Tal frase expressa bem o relativismo tanto dos Sofistas em geral quanto o relativismo do próprio Protágoras. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. Esta máxima (ou axioma) também significa que as coisas são conhecidas de uma forma particular e muito pessoal por cada indivíduo, o que vai contra, por exemplo, ao projeto de Sócrates de chegar ao conceito absoluto de cada coisa. Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo (tendo inclusive livros seus queimados em uma praça pública), motivo pelo qual fugiu de Atenas, estabelecendo-se na Sicília, onde morreu aos setenta anos. Um dos diálogos platônicos tem como título Protágoras, onde é exposto um diálogo de Sócrates com o sofista. Protágoras dizia que os sábios e os bons oradores deveriam guiar através de conselhos as outras pessoas.


Biografia


De acordo com a maioria dos autores antigos, Protágoras era originário da cidade de Abdera, afirmação contestada pelo dramaturgo ateniense Eupolis, que acreditava ser natural de Teos, na Ásia Menor. Também, com certo consenso, se indicava a 84 olimpíada (444 a 441 a. C.) como seu auge ou época de plenitude, dado a partir do qual, modernamente, é geralmente definida sua data de nascimento em torno do ano 485 a.C. Era considerado discípulo de Demócrito, embora Filóstrato conta que ele também haveria se relacionado com magos da Pérsia nos tempos da expedição do rei Xerxes contra a Grécia. Diz-se que em sua juventude havia trabalhado como carregador, inventando uma almofada chamada tyle que facilitava o transporte da carga. Segundo Diógenes Laércio, Demócrito ficou tão impressionado com a engenhosidade do jovem Protágoras que decidiu adotá-lo como discípulo. Protágoras é tido como um dos criadores da arte retórica, apontando-lhe como o primeiro a introduzir os raciocínios erísticos. Protágoras também é tido como o iniciador da prática de receber honorários em troca de ensinamentos, sendo estes particularmente de preços elevados. Segundo Platão, Protágoras haveria ganho com o seu comércio educativo mais dinheiro do que todo o reunido por "Fídias e outros dez escultores mais". Platão, também refere, de que o critério usado pelo sofista para receber os seus honorários; dizia Protágoras: Quando [um discípulo] tem aprendido comigo, se quiser me entregar o dinheiro que eu estipulo, ou não, se apresenta em um templo, e, depois de jurar que crê que os ensinamentos valem tanto, ali o deposita”. Era famosa na antiguidade uma anedota acerca de um pacto de honorários entre Protágoras e um discípulo seu, chamado Evatlo. Haviam acordado de que o pagamento apenas seria efetuado se o aprendiz chegasse a ganhar um julgamento fazendo uso dos dotes retóricos adquiridos. Evatlo, como não ganhava nenhum caso, se negava a pagar. Então, Protágoras o levou ao tribunal, dizendo-lhe: "Se eu ganhar, terás que me pagar pelos meus honorários; e se tu ganhar, por ter-se cumprido a condição, também deverás me pagar". Isto é conhecido como Paradoxo de Protágoras. Aparentemente, levou uma vida errante, ensinando durante quarenta anos em várias cidades gregas. Sabe-se que visitou Atenas pelo menos duas vezes, e Platão afirma, já com idade avançada, vivendo na Sicília. Sua relação com os atenienses teve dois momentos; um em que foi bem acolhido e manteve estreitas relações com os círculos de poder da cidade, seguido por outro, de repúdio e condenação. O primeiro dos períodos está marcado pela sua amizade com Péricles, com quem, acredita-se, compartilhava ideais filosóficos e políticos. Eram famosos os longos debates que mantinham os dois. Em certa ocasião, segundo Plutarco, discutiram um dia inteiro sobre a morte do atleta Epitimio de Farsalia; se perguntavam quem seria o culpado da sua morte, se era a lança que o atingiu, se era quem a lançou ou se eram os organizadores do evento. Protágoras teve grande prestígio entre os atenienses, o qual se viu refletido no fato de que lhe encarregaram a redação de uma constituição para a nova colônia de Turios, no ano 443 a.C.; texto que estabeleceu, pela primeira vez, o ensino público obrigatório. A filosofia de Protágoras se encaixava bem com as idéias do círculo governante liderado por Péricles, dentro do qual o agnosticismo do sofista não gerava nenhuma rejeição; mas quando Péricles morreu, os novos líderes da cidade deixaram de ser tolerantes. Diógenes Laércio afirma que os problemas começaram para o sofista quando este leu, na casa de Eurípides (ou na casa de Megaclides), seu livro “Sobre os Deuses”, no qual afirmava desconhecer a existência ou inexistência de seres divinos. Como resultado, foi acusado de impiedade por Pitidoro, filho de um dos Quatrocentos (segundo Aristóteles, o acusador foi Evatlo, discípulo do sofista). Filostrato afirma que não está claro se houve ou não um processo para chegar à condenação, que alguns dizem que foi o desterro e outros, a morte. Em todo caso, foi ordenado que suas obras fossem queimadas. E. Derenne situa tais acontecimentos em torno do ano 416 a.C., nas vésperas em que a frota ateniense marchava na expedição contra Siracusa. Seja para fugir da pena de morte, ou em cumprimento da ordem de desterro, Protágoras embarcou rumo à Sicilia. Na metade da viagem o barco virou, a causa pela qual o sofista morreu afogado. A maioria das fontes afirmam que contava com 90 anos, se bem que há algumas que referem a idade de 70.


Obra


Não chegou até nós nenhuma obra completa escrita por Protágoras, mas se conservam valiosos fragmentos nos diálogos de Platão (Protágoras, Crátilo, Górgias e Teeteto) e nos textos de outros autores como Aristóteles, Sexto Empírico e Diógenes Laércio.

Os livros que se conservam dele são os seguintes: A Arte da Erística, Sobre a Luta, Sobre as Matemáticas, Sobre o Estado, Sobre a Ambição, Sobre as Virtudes, Sobre o Estado das Coisas no Princípio, Sobre o Hades, Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo, A Disputa Sobre os Honorários, dos livros de Antilogías. Estes são os seus livros.

Diógenes Laércio: “Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres”.

A lista não contempla três títulos conhecidos a partir de outras fontes: Sobre a Verdade (chamada também “Refutações” ou “Sobre os Discursos Convincentes”), Sobre os Deuses e Sobre o Ser. Bodrero explica a omissão reparando na frase “Os livros que se conservam dele são os seguintes” e assinalando que os textos não inclusos na enumeração já constituíam obras perdidas nos tempos de Diógenes Laércio. Mario Untersteiner, por sua vez, conjectura que os títulos citados na lista não seriam senão capítulos das Antilogias. Segundo Untersteiner, Protágoras haveria escrito apenas duas obras: Sobre a Verdade e as Antilogias. Esta última, que constava de dois livros, haveria sido dividida em quatro seções subdivididas, por sua vez, nos títulos mencionados por Diógenes Laércio. O esquema proposto por Untersteiner é o seguinte:


Seção
Capítulos
Sobre os Deuses
Sobre os Deuses; Sobre o Hades
Sobre o Ser
Sobre o Ser; A Arte da Erística; A disputa Sobre os Honorários
Sobre o Estado
Sobre o Estado; Sobre a Ambição; Sobre as Virtudes; Sobre o Estado das Coisas no Princípio; Sobre as Más Ações dos Homens, O Discurso Preceptivo
Sobre as Artes
Sobre a Luta; Sobre as Matemáticas


Pensamento


O homem como medida de todas as coisas


O princípio filosófico mais famoso de Protágoras refere-se à condição do homem enfrentado o mundo que o rodeia. Habitualmente se designa com a expressão Homo mensura (O homem é a medida), forma abreviada da frase Homo omnium rerum mensura est (O homem é a medida de todas as coisas), que se traduz para o latim a sentença original em grego. Esta última, segundo Diógenes Laércio, haveria sido a seguinte:



πάντων χρημάτων μέτρον ἔστὶν ἄνθρωπος, τῶν δὲ μὲν οντῶν ὡς ἔστιν, τῶν δὲ οὐκ ὄντων ὠς οὐκ ἔστιν‭
O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são.


A frase surgiu, segundo refere Sexto Empírico, na obra perdida de Protágoras Os Discursos Destruidores, e chegou até nós através da transcrição de vários autores antigos. Além de Diógenes Laércio, é citada por Platão, Aristóteles, Sexto Empírico e Hérmias.


A teoria dos juízos contrários


O domínio desta técnica proporcionaria ao possuidor (o dialéctico) a disposição, por meio da sua arte, de tornar mais forte o argumento mais fraco. No entanto, é importante ressaltar que Protágoras não contemplava o uso desta técnica de forma meramente instrumental, por mero afã oportunista, mas que a apoiava em um discurso complexo no qual se debateria a virtude.


Cepticismo e agnosticismo


Também fez uma proposição de agnosticismo: quanto aos deuses, não tenho meios de saber se existem ou não, nem qual é a sua forma. Me impedem muitas coisas: a obscuridade da questão e a brevidade da vida humana.


Paradoxo de Protágoras


O Paradoxo de Protágoras ou Paradoxo do Advogado é um antigo problema de lógica com raízes na Grécia Antiga. Protágoras, notável sofista grego, concordara, um dia, em ensinar retórica a um discípulo, mediante determinada importância, de que metade seria paga ao terminar o curso e a outra metade depois da primeira causa ganha pelo discípulo. Como este protelasse muito sua atividade jurídica, Protágoras o leva ao tribunal com o seguinte tema de acusação: “Se meu discípulo perde este processo, a decisão do tribunal obrigá-lo-á a pagar-me; se ele ganha a causa, terá, igualmente, de pagar-me, de acordo com o contrato que estabelecemos”. O discípulo mostrou-se à altura do mestre quando respondeu: “Se ganhar este processo, nada terei que pagar, porque essa é a decisão dos juízes; se perder, igualmente nada terei que pagar, porque assim ficou estipulado no contrato com Protágoras. Como se vê, de qualquer maneira, nada terei que pagar”.


Citações

  • "O homem é a medida de todas as coisas; daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são."

- Conforme citado em Theaetetus por Platão seção 152a.

  • "Existem dois lados para cada pergunta."

- Conforme citado no Vidas dos Filósofos Eminentes, por Diógenes Laertius, Livro IX, Sec. 51.



Referências

terça-feira, 8 de julho de 2014

Biografia de Tísias


Tísias (em grego Τεισίας) foi um retórico grego do Século V a.C.


Biografia


Natural de Siracusa (Magna Grécia), Tísias foi considerado, juntamente com Córax de Siracusa (Corace, em italiano), o primeiro a ensinar, de modo profissional, a arte de falar em público (Sofisma), e afirmava-se que Lísias e Isócrates teriam sido seus alunos. Ele teria aprendido sua arte com Córax, que concordou em ensiná-lo em troca do dinheiro que ele, Tísias, haveria de ganhar, ao vencer a primeira causa que defendesse. Se não vencesse, nada teria que pagar, posto que a instrução teria sido inútil. Tísias viveu em um período histórico que assinala a transição da tirania dos Dinomênidas para um governo democrático, e testemunhou grandes transformações no que se refere à legislação sobre a propriedade da terra. Mas há dúvidas sobre sua existência histórica. Para alguns estudiosos, ele seria um personagem lendário. Para outros, ele e Córax seriam uma só pessoa. O que se sabe sobre seu trabalho resume-se a referências nas obras de Platão, Aristóteles e Cícero.


O Litígio entre Córax e Tísias


Faz parte da história da retórica a narrativa sobre o litígio entre Córax e Tísias. Segundo este relato Tísias se recusa a pagar Córax sob o argumento de que se Córax foi um bom professor ele (Tísias) seria capaz de apresentar argumentos que convencessem Córax a não cobrar por suas aulas. Caso contrário, ele não seria capaz disso, mas neste caso Córax não deveria ser pago por ser mau professor. Do ponto de vista da enunciação, esta narrativa pode ser descrita como segue:


  • a) Há uma divisão social entre professor e aluno. Assim Córax e Tísias estão em posições sociais diferentes e hierarquizadas.
  • b) A narrativa conta que Tísias produz um conflito. Para isso ele enuncia da posição da ética: coloca a questão de considerar o valor, bom ou mau, da ação do professor.
  • c) Ao falar da posição da ética, Tísias faz a diferença de posições entre ele e Córax significar.
  • d) Nesta medida Tísias pode atribuir à posição do professor a necessidade de atender ao princípio ético, desobrigando o aluno de atendê-lo (ou a um princípio correspondente).
  • e) Ao operar esta diferença, Tísias enuncia da posição de um igual a Córax.


O relato, que acima descrevemos, ligado ao momento em que a retórica se reconhece como fundando-se, coloca como incontornável a questão da Ética. De um lado porque só a partir de um princípio ético, sobre a responsabilidade dos alunos, Córax poderia se defender. Por outro lado porque, como vimos, Tísias coloca como fundamento de sua argumentação um princípio ético: o bom como apreciável e o mau como condenável. Mas esta narrativa, pensada num certo discurso da história da retórica, pode ter outros efeitos. Numa história da retórica que simplesmente faz um relato dos fatos, ele é colocado como forma exemplar para mostrar que para a retórica, a argumentação, não há nada de substantivo no seu interior. Em verdade a narrativa é contada como significando a vacuidade e falta de princípios éticos da retórica. A Tísias é atribuída a atitude de se eximir de qualquer princípio ético. Tísias é assim o personagem sem ética numa história e nela, no entanto, inscreve a pergunta sobre a Ética. Esta posição de uma certa história da retórica, ao desqualificar eticamente Tísias, desqualifica-o politicamente, transforma seu argumento em fala sem sentido. Por outro lado, Tísias é o personagem que inscreve no interior da retórica, e assim do pensamento ocidental, o político. Em que sentido? Na medida em que ele instala como questão a considerar a diferença social: ser professor é diferente de ser aluno. Ser professor estabelece uma posição no corpo social diferente de ser aluno. É preciso avaliar se o professor é bom. E, mais que isso, esta diferença instala um conflito no seio das relações sociais. E que conflito é esse? Tísias se coloca na posição de quem pode julgar o professor, julgar o que lhe é dado como hierarquicamente superior, e que portanto não lhe caberia julgar. Tísias assume a palavra como um igual ao professor, sustentando contraditoriamente a diferença para caracterizar a necessidade de avaliação do professor e não do aluno. E esta diferença, este conflito, este pôr-se para dizer do mesmo lugar, a materialidade do político, portanto, é o argumento fundamental de Tísias. Assim a narrativa do litígio de Tísias contra Córax inscreve na história ocidental, ao mesmo tempo, o ético e o político. Esta narrativa, aceita marginalmente como um episódio curioso, instala a indissociabilidade do ético e do político. E não se trata de conteúdos ou intenções, trata-se de relações que constituem a materialidade histórica do corpo social. O que espero poder dizer a partir da análise desta pequena narrativa é que se o ético é atravessado pelo político, então podemos pensar os princípios éticos como não absolutos, e não podemos pensar o político sem inscrever no seu interior a reflexão sobre seus princípios éticos.


Referências
http://pt.wikipedia.org/wiki/TísiasPolítica de Línguas na América Latina – Eduardo Guimarães (PDF)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Biografia de Górgias


Górgias. Nasceu em Leontinos, cerca de 485 a.C., e, faleceu em Lárissa, cerca de 380 a.C. Górgias, dito "o Niilista", foi um retórico e filósofo grego, natural de Leontinos, na Sicília. Juntamente com Protágoras de Abdera, formou a primeira geração de sofistas. Diversos doxógrafos relatam que teria sido discípulo de Empédocles, embora tenha sido apenas alguns anos mais jovem que ele. Como outros sofistas estava continuamente mudando de cidade, praticando e dando demonstrações públicas de suas habilidades em diversas cidades, e nos grandes centros pan-helênicos como Olímpia e Delfos, cobrando por suas apresentações e por aulas. Uma característica especial de suas aparições era a de ouvir questões da plateia sobre todos os assuntos e respondê-las sem qualquer preparo. Seu principal legado foi ter levado a retórica desde sua Sicília natal para a Ática, e contribuir com a difusão do dialeto ático como idioma da prosa literária. Antístenes, fundador do cinismo, foi ouvinte de Górgias, e Platão escreveu um diálogo intitulado Górgias, onde discute a função e a validade da retórica.



Biografia



Górgias era originário de Leontinos, uma colônia grega na Sicília, local que frequentemente é chamado de terra natal da retórica grega. Sabe-se que seu pai se chamava Carmântides, e que tinha dois irmãos - um irmão chamado Heródico e uma irmã que dedicou-lhe uma estátua em Delfos. Já tinha por volta de 60 anos quando, em 427 a.C., foi enviado a Atenas por seus compatriotas na função de embaixador, chefiando um grupo que pediu pela proteção da cidade contra a agressão dos siracusanos. Acabou por se fixar permanentemente lá, provavelmente devido à enorme popularidade do seu estilo de oratória e dos benefícios financeiros que obteve com suas apresentações e aulas de retórica. De acordo com Aristóteles, entre seus discípulos estava Isócrates. Outros de seus estudantes foram indicados em tradições posteriores; a Suda lista Péricles, Pólo e Alcídamas, Diógenes Laércio menciona Antístenes, e, de acordo com Filóstrato, "atraiu a atenção dos homens mais admirados, Crítias e Alcebíades, entre os jovens, e Tucídides e Péricles, entre os mais velhos. Agatão também, o poeta trágico, a quem a Comédia considera sábio e eloquente, frequentemente "gorgianiza" em seu verso iâmbico". Górgias teria vivido mais de cem anos. Conquistou uma riqueza considerável, suficiente para que ele encomendasse uma estátua de ouro de si mesmo para um templo público. Morreu em Lárissa, na Tessália, em 376 a.C..



Inovação retórica



Górgias foi responsável por inovações retóricas envolvendo a estrutura e a ornamentação, além da introdução da paradoxologia - a ideia do pensamento paradoxal, e da expressão paradoxal - o que fez com que fosse apelidado de 'o pai da sofística'. Górgias também é conhecido por contribuir com a difusão do dialeto ático como língua da prosa literária. As obras de retórica de Górgias ainda em existência (Encômio de Helena, Defesa de Palamedes, Sobre a Não-Existência e Epitáfio) foram preservados através de uma obra chamada Technai, um manual de instrução retórica, que consistia de modelos a serem memorizados, e demonstrava diversos princípios da prática retórica. Embora alguns estudiosos tenham alegado que cada uma dessas obra apresenta afirmações contrastantes, os quatro textos podem ser lidos como contribuições inter-relacionadas à arte (technê) e à teoria (então promissora) da retórica. Das obras ainda existentes de Górgias, apenas o Encômio e a Defesa encontram-se em sua forma integral. Diversas de suas obras políticas, retóricas e discursos foram referenciadas e citadas por Aristóteles, incluindo um discurso sobre a unidade helênica, uma oração fúnebre pelos atenienses mortos na guerra, e uma citação curta de um Encômio sobre os Eleenses. Além destes discursos, existem também paráfrases de seu tratado "Sobre a Natureza ou o Não-Existente". Estas obras fazem parte da coleção Diels-Kranz e, embora os acadêmicos considerem esta fonte confiável, muitas delas estão em estado fragmentário, ou mesmo corrompido. Diversas questões foram levantadas a respeito da autenticidade e da exatidão dos textos que lhe são atribuídos. Os escritos de Górgias são tanto retóricos quanto performáticos; o autor faz grande esforço para exibir sua habilidade de fortalecer uma posição argumentativa absurda. Consequentemente, cada uma de suas obras defende pontos de vista que eram impopulares, paradoxais e até mesmo absurdos. A natureza performática de seus escritos é exemplificada pela maneira com que ele aborda, jocosamente, cada argumento, com estratagemas estilísticos como a paródia, a figuração artificial e a teatralidade. Seu estilo argumentativo pode ser descrito como poesia sem a métrica (poiêsis sem a métrica). Górgias argumentava que palavras persuasivas tinham uma força (dunamis) equivalente às palavras dos deuses, e o mesmo impacto da força física. No Encômio, Górgias comparou o efeito da fala sobre a alma ao efeito das drogas sobre o corpo: "Assim como diferentes drogas trazem à tona os diferentes humores do corpo - alguns interrompendo uma doença, outros a vida - o mesmo ocorre com as palavras: algumas causam dor, outras alegria, algumas provocam o medo, algumas instilam em seus ouvintes a ousadia, outras tornam a alma muda e enfeitiçada com crenças más”. Górgias também acreditava que seus "encantamentos mágicos" trariam cura à psiquê humana ao controlar as emoções fortes. Dedicava atenção especial aos sons das palavras, que, como na poesia, podiam cativar plateias. Seu estilo flórido e rimado parecia hipnotizar aqueles que o ouviam. Seu lendário poder de persuasão sugere que tinha uma influência sobrenatural sobre seu público e suas emoções. Ao contrário de outros sofistas (especialmente Protágoras), Górgias não professava ensinar arete ("excelência", ou "virtude"). Acreditava não haver uma forma absoluta de arete, mas que o conceito era relativo a cada situação (por exemplo, a virtude num escravo não equivale à virtude num estadista). Sua crença era a de que a retórica, a arte da persuasão, é a rainha de todas as ciências, na medida em que é capaz de persuadir qualquer curso de ação. Embora a retórica existisse no currículo de cada um dos sofistas, Górgias atribuiu-lhe maior proeminência do que qualquer um deles. Muito do que já se debateu sobre a natureza e o valor da retórica se iniciou em Górgias. O diálogo de Platão chamado Górgias apresenta um contra-argumento à aceitação incondicional da retórica por Górgias, sua forma elegante, e sua natureza performática. O diálogo tenta mostrar que a retórica não satisfaz as condições necessárias para que seja considerada uma technê, sendo apenas uma habilidade um tanto perigosa de se ter, tanto para o próprio orador como para seu público, pois dá a um ignorante o poder de parecer ter mais conhecimento do que alguém que efetivamente o tem.



Górgias (diálogo de Platão)



Górgias é um diálogo de Platão, filósofo grego do século V a.C. Deverá ter sido escrito depois da primeira viagem de Platão à Sicília, em 387 a.C. Situam-no na acme (maturidade) da vida: depois dos quarenta anos, isso significa que, pela boca de Sócrates fala já o próprio [Platão]. Contexto : Quando Górgias foi escrito por Platão, Atenas vivia uma profunda crise econômica e política. Após uma longa guerra contra Esparta (431-404), Atenas perde a guerra e o poder que tinha entre os gregos. O regime Democrático é substituído por uma Tirania (404-403) por imposição de Esparta. A Democracia que é restaurada, em 403, está mais frágil que nunca. Os recursos econômicos dos atenienses são agora bastante mais escassos, a custo a cidade procura recuperar a sua prosperidade econômica. A antiga aristocracia culpa os oradores e os democratas desta perda do poder e exige um governo forte. No inicio do século IV a.C. devido ao elevado absentismo dos cidadãos nas sessões da Assembleia foi decidido remunerá-los sempre que o fizessem. A Assembleia, dirá Aristóteles, torna-se rapidamente num local de ociosos e cidadãos empobrecidos que dessa forma procuram adquirir algum sustento. O exercito passa a ser constituído por mercenários afastando-se dos cidadãos. As sucessivas guerras empobrecem ainda mais a vida dos atenienses. A Democracia continua resistir, mas a tendência é para a adoção de regimes fortes (tirânicos). No final do século IV a.C., Atenas deixa de ser Independente e a Democracia é substituída definitivamente por uma Oligarquia. Este dialogo tem como tema principal a Retórica, qual a sua função e como esta deve ser utilizada. – uma das personagens principais é o próprio Górgias, o famoso sofista siciliano conhecido em Atenas como o melhor orador. A disputa de Sócrates acerca da retórica e o seu valor vai permitir a Platão estabelecer o conforto entre dois usos opostos da linguagem – como instrumento de poder e como instrumento de verdade. Ou seja a linguagem defendida pelos sofistas (representados por Górgias, Polo e Cálicles) sofistas e a linguagem defendida pelos filósofos Sócrates e Platão - que conclui que esta é não só inútil, mas mesmo imoral.



É um diálogo de cinco personagens:


Polo, que tal como Górgias é um sofista; Querefonte, um amigo de Sócrates, que o acompanha a casa de Cálicles; Cálicles: O grande adversário de Sócrates, esta personagem ao contrário das outras é talvez uma figura fictícia, imaginada por Platão, representa os políticos oportunistas próprios da época, a ausência ou inversão de valores que Platão combateu. Isto significa que Cálicles representa o oposto de Sócrates, muitos autores consideram que Cálicles era uma imagem do que Platão teria sido sem Sócrates; Górgias, personagem venerável pela sua idade e prestígio – aceita as exigências de Sócrates e ouve-o com interesse e cortesia, ao contrário de Polo e Cálicles que são impetuosos, bruscos e impertinentes; Sócrates, diferente de Górgias, às vezes um pouco severo com Polo, mostra um pouco a sua ironia com Cálicles de a sua incapacidade de aceitar a derrota…mas Sócrates faz sobressair a sua extraordinária capacidade de argumentação, a ausência de vaidade, e o desejo pela verdade e justiça, Sócrates demonstra também a sua humildade perante Górgias perguntando-lhe se quer continuar o discurso. A ação, ou a disputa entre estas cinco personagens decorre em casa de Cálicles, numa manhã cedo na qual que Sócrates e Querefonte surgem e pedem para falar com Górgias. Esse encontrava-se como hóspede de Cálices, seu amigo. Esta obra tem sido considerada como um drama filosófico em três atos e um epílogo. A sua estrutura formal pode ser expressa da seguinte forma: 1º Ato: A discussão de Górgias: a retórica segundo os sofistas e a refutação de Sócrates. 2º Ato: A discussão com Polo: a natureza da retórica segundo Sócrates, o seu poder de utilidade. 3º Ato: A discussão com Cálicles: a justiça como o triunfo da força ou a justiça como triunfo da razão. Epílogo: A exposição de Sócrates acerca do gênero de vida que devemos adotar. O mito acerca da sentença final. 1º Ato: Iniciando um debate com Górgias, Sócrates induz o seu oponente em contradição, levando-o a dizer que a Retórica, a arte dos discursos políticos que tem como objecto a justiça, pode ser usada de forma errada e, ao mesmo tempo, que todos aqueles que a aprendem são incapazes de cometer qualquer ato injusto. Perante esta contradição, surge Polo, discípulo de Górgias, que defende o seu mestre e a sua Arte, afirmando que esta é a mais bela das artes. Sócrates apresenta, então, a sua Teoria da Adulação. 2º ato: Polo inicia um discurso argumentando que a Retórica dá poder àqueles que a dominam, ao que Sócrates contrapõe com o aparente paradoxo de que os que têm mais poder não são os mais poderosos. Após uma longa discussão, Sócrates obriga Polo a admitir que cometer uma injustiça é mau, e, caso a tenha cometido, o sujeito deve preferir ser castigado a fugir ileso. 3º ato: Cálicles. o anfitrião, toma então a palavra, afirmando que Sócrates está errado e critica sua forma de debater. Afirma que não existem semelhanças entre as Leis da Natureza e as Leis da Convenção. Epílogo: Sócrates leva a discussão a outro ponto, ao perguntar se os mais poderosos só governam os outros ou se também se auto-governam, isto é, se têm autodomínio e temperança. Cálicles ri-se desta ideia de temperante, chamando-lhe, pelo contrário, de imbecil. Este diz então que os mais hábeis são os que têm mais paixões e as satisfazem. Começa assim uma nova discussão: qual a melhor forma de viver: a do Hedonismo ou a da Temperança?



Citações



"Ordem, para a cidade, virilidade; para o corpo, beleza; para a alma, sabedoria; para o ato, excelência; para o discurso, verdade. O contrário destes, desordem. Tanto homem, quanto mulher; tanto discurso, quanto obra; tanto cidade, quanto assunto privado, é preciso, por um lado, com louvor, honrar o digno de louvor; por outro lado, repreender ao indigno. Pois igual erro e ignorância é repreender coisas louváveis e louvar coisas repreensíveis".

- Κόσμος πόλει μὲν εὐανδρία, σώματι δὲ κάλλος, ψυχῇ δὲ σοφία, πράγματι δὲ ἀρετή, λόγῳ δὲ ἀλήθεια· τὰ δὲ ἐναντία τούτων ἀκοσμία. ἄνδρα δὲ καὶ γυναῖκα καὶ λόγον καὶ ἔργον καὶ πόλιν καὶ πρᾶγμα χρὴ τὸ μὲν ἄξιον ἐπαίνου ἐπαίνῳ τιμᾶν, τῷ δὲ ἀναξίῳ μῶμον ἐπιθεῖναι· ἴση γὰρ ἁμαρτία καὶ ἀμαθία μέμφεσθαί τε τὰ ἐπαινετὰ καὶ ἐπαινεῖν τὰ μωμητά.
- GÓRGIAS. Elogio de Helena. Tradução de Daniela Paulinelli. Belo Horizonte: Anágnosis, 2009. [Apresenta as traduções de textos gregos realizadas pelo grupo Anágnosis, da UFMG.] Disponível em: <http://prosacom.blogspot.com/search/?q=G%C3%B3rgias>. Acesso em: 31/01/2010).



Referências