Páginas

Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de dezembro de 2019

Betânia do Além Jordão - Jordânia

O local que se acredita ter sido onde Jesus Cristo foi baptizado. (pic. Producer). 

Betânia do Além Jordão foi uma antiga cidade da Judeia/Samaria, na margem oriental do Rio Jordão, fora da Terra Santa. Nessa antiga cidade Jesus foi batizado por João Batista. Não deve ser confundida com Betânia, cidade próxima a Jerusalém.

Al Maghtas

Al-Maghtas (em idioma árabe:المغطس), que significa "batismo" ou "imersão" em árabe, é um sítio arqueológico na Jordânia considerado patrimônio mundial, na margem leste do Rio Jordão, oficialmente conhecido como “Bethany Baptism Site of Transjordan (Al-Maghtas)”. Considera-se esta como a localização original do Batismo de Jesus e do ministério de João Batista e tem sido venerada como tal desde, pelo menos, o Império Bizantino. Al-Maghtas inclui duas áreas arqueológicas principais. Os restos de um mosteiro em um montículo conhecido como Jabal Mar-Elias e uma área perto do rio com restos de igrejas, lagoas de batismo e casas de peregrinos e eremitas. As duas áreas estão conectadas por uma corrente chamada Wadi Kharrar. A localização estratégica entre Jerusalém e o Caminho dos Reis é evidente no relatório do “Livro de Josué” sobre os israelitas que atravessam o Jordão ali. Jabal Sea-Elijah é tradicionalmente identificado como o local da ascensão de Elijah ao céu. Toda a área foi abandonada após a “Guerra dos Seis Dias de 1967”, quando ambos os bancos do Jordão se tornaram parte da primeira linha. Desde então a área foi fortemente explorada. Após a assinatura do tratado de paz entre Israel e a Jordânia em 1994, a retirada da área ocorreu após uma iniciativa da realeza da Jordânia. No local, houve várias escavações arqueológicas, quatro visitas papais, visitas estaduais e, dada a característica histórica do local, ele atrai turistas e atividades de peregrinação. Em 2015, o local foi designado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, excluindo o lado oeste do rio. Aproximadamente 81 mil pessoas o visitaram em 2016, principalmente turistas europeus, americanos e árabes. Milhares de pessoas se reúnem no sítio em 6 de Janeiro para comemorar o Epifania do Senhor.


Escavação do local de batismo (pic. David Bjorgen).

UNESCO

A UNESCO inscreveu Betânia Além do Jordão como Patrimônio Mundial por “incluir vestígios de igrejas e capelas romanas e bizantinas, um mosteiro, e cavernas e piscinas que foram usadas por eremitas na celebração do batismo, testemunhando o caráter religioso do local. É um local de peregrinação para os Cristãos”.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Betânia_do_Além-Jordão

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Biografia de Sarah Fuller Flower Adams

Sarah F. Flower Adams
Sarah Fuller Flower Adams (ou Sally Adams) nasceu em Old Harlow, Essex, Inglaterra, a 22 de Fevereiro de 1805, e, faleceu em Londres, a 14 de Agosto de 1848. Sarah Fuller Adams foi uma poetisa, atriz e escritora de hinos britânica. Também foi autora dramática da literatura inglesa e uma das mais antigas feministas da história. Era a segunda filha do jornalista e político Benjamin Flower e de Eliza Flowers. Casou-se em 1834 com William Bridges Adams e mudaram-se para Londres. Compôs “Nearer, My God, to Thee” em 1922, um de treze hinos publicados pelo pastor de sua igreja, William Johnson Fox, no seu “Hymns and Anthems” de 1841, cantados originalmente em serviços na South Place Chapel. Este hino tornou-se o favorito de cerimônias fúnebres no século XIX e foi cantado durante o naufrágio do Titanic. Atuou na peça “Lady Macbeth” (1837) como atriz, e escreveu o famoso poema sobre os mártires cristãos “Vivia Perpetua” em 1841. Também escreveu “The Flock at the Fountain” (1845).

Mais perto, meu Deus! De Ti.

 
Primeiros anos e educação

Sarah Fuller Flower nasceu em 22 de Fevereiro de 1805, em Old Harlow, Essex, e foi batizada em Setembro de 1806 na “Water Lane Independent Chapel”, em Bishops Stortford. Ela era a filha mais nova do editor radical Benjamin Flower e sua esposa Eliza Gould. A mãe de seu pai, Martha, irmã dos ricos banqueiros William Fuller e Richard Fuller, morreu no mês anterior ao nascimento de Adams. Sua irmã mais velha era a compositora Eliza Flower. Seus tios incluem Richard Flower, que emigrou para os Estados Unidos em 1822 e foi fundador da cidade de Albion, Illinois; e o ministro não-conformista John Clayton. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas cinco anos e, inicialmente, seu pai, um liberal em política e religião, criou as filhas, ajudando na educação. A família mudou-se para Dalston, em Middlesex, onde conheceram a escritora Harriet Martineau, que foi tocada pelas duas irmãs e as usou no romance “Deerbrook”. Em 1823, em férias na Escócia com amigos do pregador radical William Johnson Fox, ministro da Capela Unitária de South Place, Londres, que era um visitante frequente de sua casa, Adams quebrou o recorde feminino de escalar Ben Lomond. De volta para casa, as meninas se tornaram amigas do jovem poeta Robert Browning, que discutiu suas dúvidas religiosas com Adams.

Carreira

Após a morte do pai, por volta de 1825, as irmãs se tornaram membros da família Fox. As duas irmãs começaram atividades literárias, e Adams ficou doente com o que se tornou tuberculose. Logo depois, as irmãs se mudaram para Upper Clapton, um subúrbio de Londres. Elas se apegaram à sociedade religiosa que cultuava em South Place, Finsbury, sob os cuidados pastorais de W. J. Fox. Ele incentivou e simpatizou com as irmãs, e elas, por sua vez, o ajudaram em seu trabalho. Eliza, a mais velha, dedicou-se a enriquecer a parte musical do serviço da Capela, enquanto Adams contribuiu com hinos. Fox foi um dos fundadores da “Westminster Review” e sua revista Unitarista, a “Monthly Repository”, impressos de ensaios, poemas e histórias de William Bridges Adams, um polemista e engenheiro ferroviário, que Adams conheceu na casa de sua amiga, a filósofa feminista Harriet Taylor Mill. Os dois se casaram em 1834, estabelecendo residência em Loughton, em Essex. Em 1837, ele se destacou como autor de um volume elaborado sobre “Carruagens Inglesas” e outro sobre “A Construção de Estradas e Ferrovias Comuns”. Ele também contribuiu com algumas das principais revistas e jornais. Encorajada pelo marido, Adams voltou a atuar e, na temporada de 1837 em Richmond, interpretou “Lady Macbeth”, seguida por “Portia” (protagonista de O Mercador de Veneza de Shakespeare) e “Lady Teazle”, todos sucessos. Embora tenha oferecido um papel em Bath,  então um trampolim para o West End Theatre, sua saúde se deteriorou e ela voltou à literatura. Em 1841, ela publicou seu trabalho mais longo, “Vivia Perpetua, Um Poema Dramático”. Nele, uma jovem esposa que se recusa a se submeter ao controle masculino e renuncia a suas crenças cristãs, é morta. Ela contribuiu para a “Westminster Review”, incluindo uma crítica da poesia de Elizabeth Barrett Browning, e escreveu versos políticos, alguns para a “Anti-Corn Law League” (Liga Contra as Leis dos Cereais). Seu trabalho frequentemente defendia a igualdade de tratamento para as mulheres e para a classe trabalhadora. A pedido de seu pastor, ela também contribuiu com treze hinos à compilação preparada por ele para o uso de sua capela, publicada em 1840-41, em duas partes, seis na primeira e sete na segunda parte. Destes, os dois mais conhecidos - “Nearer, my God! to Thee” (Mais perto, meu Deus! De Ti) e “He Sendeth Sun, He Sendeth Shower” - estão na segunda parte. Para este trabalho, sua irmã, Eliza, escreveu sessenta e duas músicas. Sua única outra publicação, um catecismo para crianças, intitulado “The Flock at the Fountain” (O Rebanho na Fonte), apareceu em 1845. Seu hino, “Nearer, my God! to Thee”, foi apresentado aos Cristãos Americanos no “Service Book", publicado (1844) pelo Rev. James Freeman Clarke, DD, de Boston, Massachusetts, de onde foi logo transferido para outras coleções. Uma seleção de hinos que ela escreveu, publicado por Fox, incluiu sua peça mais conhecida, "Nearer, My God, to Thee", tocada pela banda quando o RMS Titanic afundou em 1912.

Vida pessoal

Uma Unitarista na crença, sua carreira foi dificultada pela surdez que ela herdara do pai e, herdando a fraqueza da mãe, ambas as irmãs cederam à doença na meia-idade. Eliza, depois de uma doença prolongada, faleceu em Dezembro de 1846 e, desgastada por cuidar de sua irmã inválida, a saúde de Adams diminuiu gradualmente. Ela morreu em 14 de Agosto de 1848 aos 43 anos e foi sepultada ao lado de sua irmã e de seus pais no Forest Street Cemetery, perto de Harlow. Sob seu túmulo, foi cantado o único outro hino dela que foi amplamente conhecido: “He Sendeth Sun, He Sendeth Shower”. Uma “Blue Plaque” (Placa Azul) em homenagem à ela e ao esposo foi colocada em sua casa em Loughton: eles não tiveram filhos. Richard Garnett escreveu sobre ela: - “Todos os que conheciam a Sra. Adams falam pessoalmente dela com entusiasmo; ela é descrita como uma mulher de singular beleza e atratividade, delicada e verdadeiramente feminina, de mente brilhante, e, em seus dias de saúde, era bincalhona e de alto astral”.

Obras selecionadas
  • Nearer, my God, to Thee
  • He sendeth sun, he sendeth shower
  • Creator Spirit! Thou the first
  • Darkness shrouded Calvary
  • Gently fall the dews of eve
  • Go, and watch the Autumn leaves
  • O hallowed memories of the past
  • O human heart! thou hast a song
  • O I would sing a song of praise
  • O Love! thou makest all things even
  • Part in Peace! is day before us?
  • Sing to the Lord! for His mercies are sure
  • The mourners came at break of day

Morte

Sarah Fuller Adams faleceu em St. Martin-in-the-Field, Middlesex, Inglaterra. Ela tinha uma irmã mais velha, Eliza, uma musicista talentosa por quem mantinha grande adoração. Quando Eliza morreu em 1846, debilitada por uma longa enfermidade, Sarah entrou em depressão, recusando-se a comer e veio a falecer vinte meses depois.


Assinatura

 

Biografia de Charles Gounod

Charles Gounod ca. 1887.
Charles Gounod nasceu em Paris, França, a 17 de Junho de 1818, e, faleceu em Saint-Cloud, a 18 de Outubro de 1893. Charles Gounoud foi um compositor francês famoso sobretudo por suas óperas e música religiosa.

Biografia

Gounod era filho de um pintor e uma pianista. Muito jovem, entrou para o Conservatório de Paris, onde foi aluno de Jacques Fromental Halévy e Lesueur. Em 1839, compôs uma cantata (Ferdinand) e ganhou o Prix de Rome, um prêmio famoso para jovens compositores, que dava direito a uma bolsa de estudos na Itália. Gounod foi para Roma, onde ficaria por três anos, e entrou em contato com a música polifônica do século XVI, em especial a música do compositor renascentista italiano, Giovanni Pierluigi da Palestrina. Tomado por ideias místicas (que nunca o abandonaram completamente), ele pensou em entrar para o sacerdócio, e começou a compor música religiosa. Terminados seus estudos na Itália, ele regressou à França, mas não sem antes passar por Viena, e assumiu o cargo de organista na Igreja das Missões Estrangeiras em Paris, que ocupou por três anos. Por volta dessa época, conheceu duas mulheres, que tiveram grande influência na sua vida: uma foi a cantora Pauline Viardot, que o introduziu ao mundo da ópera, e a outra foi Fanny Hensel, que apresentou a Gounod seu irmão, o célebre compositor Felix Mendelssohn. Através de Mendelssohn, Gounod entrou em contato com a música de Johann Sebastian Bach, então pouco conhecida. A primeira ópera de Gounod, “Sapho”, estreou em 1851. Várias óperas se seguiram, mas as mais importantes são “Fausto” (1859), “Mireille” (1864), “Roméo et Juliette” (1867) - todas as três estão entre as mais populares do repertório operístico francês. Em 1852, Gounod se tornou regente do Orphéon Choral Society, em Paris, para o qual ele escreveu várias peças de música coral, incluindo duas missas. Ao rebentar a Guerra Franco-Prussiana (1870), Gounod se refugiou na Inglaterra, onde permaneceu até 1875. Lá, ele adquiriu uma amante inglesa, Georgina Weldon, e sua música fez grande sucesso na Inglaterra vitoriana. Nos últimos anos de vida, Gounod só compôs música religiosa.


Ave Maria (Bach/Gounod)


A "Ave Maria" de Bach/Gounod é uma composição sobre o texto em latim Ave Maria publicado originalmente em 1853 com a “Méditation sur le Premier Prélude de Piano” de Johann Sebastian Bach. A peça consiste em uma melodia do compositor romântico francês Charles Gounod, especialmente projetada para ser sobreposta sobre o Prelúdio Nº 1 em Dó maior, BWV 846, do Livro I de J. S. Bach, “O Cravo Bem Temperado”, escrito 137 anos antes.



Ave Maria - Charles Gounod.

 
História

Gounod improvisou a melodia, e seu futuro sogro Pierre Joseph Guillaume Zimmermann transcreveu a improvisação e em 1853 fez um arranjo para violino (ou violoncelo) com piano e harmônio. Nesse mesmo ano, ele apareceu com a letra do poema de Alphonse de Lamartine, “Le Livre de la Vie” (O Livro da Vida). Em 1859 Jacques Léopold Heugel publicou uma versão com o texto habitual em latim. A versão do prelúdio de Bach usada por Gounod inclui a “medida Schwencke” (m.23), uma medida aparentemente adicionada por Christian Friedrich Gottlieb Schwencke na tentativa de corrigir o que ele considerava uma progressão “defeituosa”, embora esse tipo de progressão era padrão na música de Bach. Ao lado da “Ave Maria” de Franz Schubert, outro contrafato, a Ave Maria de Bach-Gounod tornou-se um elemento importante nas missas de casamentos, funerais e festas de quinze anos. Existem arranjos instrumentais muito diferentes para violino e violão, quarteto de cordas, solo de piano, violoncelo e, principalmente, trombones, e, até uma versão para cavaquinho do compositor brasileiro Waldir Azevedo. Cantores de ópera, como Luciano Pavarotti, além de coros já a gravaram centenas de vezes durante o século XX. Posteriormente, Gounod compôs outra “Ave Maria”, não relacionada a esta, para um coro SATB (acrônimo para soprano, contralto, tenor, baixo) de quatro partes. Muitos cantores de diferentes estilos ao longo de séculos têm cantado a Ave Maria de Gounod/Bach, como Alessandro Moreschi, o último castrato, a soprano Maria Callas, Luciano Pavarotti, José Carreras, Andrea Bocelli, Karen Carpenter (da dupla Carpenters) entre outros.


Obras
Música instrumental

  • 3 sinfonias
  • várias peças para piano
  • Marcha fúnebre para uma marionete (1872)

Canções e hinos

  • Hino do Vaticano

Música sacra
  • Mors et Vita (oratório)
  • Tobias (oratório)
  • Ave Maria
  • Pater Noster
  • Salmos
  • 50 peças religiosas (1880)
  • Missa del rego
  • Missa de Santa Cecília
  • Missa Joana d'Arc

Óperas

  • Serinpho (1851)
  • A Freira Sangrenta (La Nonne Sanglante) (1854)
  • O Médico à Força (Le Médecin Malgré Lui) (1858)
  • Fausto (1859)
  • Philémon et Baucis (1860)
  • A Rainha de Sabá (1862)
  • Mireille (1864)
  • Roméo et Juliette (1867)
  • Le Tribut de Zamora (1881)


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Gounod

https://es.wikipedia.org/wiki/Ave_María_(Bach/Gounod) 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Biografia de Anna Kingsford

Anna Kingsford (pic, unklar).
Anna Bonus Kingsford foi uma médica, escritora e mística britânica, filha de John Bonus, nascida em Maryland Point em 16 de Setembro de 1846 e uma das primeiras mulheres inglesas, depois de Elizabeth Garrett Anderson, a obter um diploma de Medicina. Lutou contra a sociedade machista da época, contra vivissecção de animais durante as experiências científicas e nas salas de aula, lutou a favor do vegetarianismo e, sobretudo, lutou por uma nova interpretação das escrituras sagradas cristãs, que denominou de Novo Evangelho da Interpretação. As obras mais importantes são: “The Perfect Way, or, the Finding of Christ” (O Caminho Perfeito, ou, a Descoberta de Cristo); “Clothed with the Sun" (Vestida com o Sol) e “The Credo of Christendom” (O Credo do Cristianismo). Todas essas obras, entre várias outras, se encontram on-line no site dedicado às suas obras, e de Edward Maitland, que foi seu grande colaborador e biógrafo. Kingsford presidiu por um breve período a Sociedade Teosófica na Inglaterra, tendo sido, ao lado de Helena Blavatsky e outros, uma das promotoras dessa organização.

Túmullo de Anna Kingsford.
 
Publicações
  1. 1882 - The Perfect Way; or, the Finding of Christ;
  2. 1889 - Clothed with the Sun: Being the Book of the Illuminations of Anna (Bonus) Kingsford (Vestida com o Sol: o Livro das Iluminações de Anna Bonus Kingsford);
  3. 1893 - The Story of Anna Kingsford and Edward Maitland and of the New Gospel of Interpretation;
  4. 1896 - Anna Kingsford – Her Life, Letters, Diary and Work;
  5. 1912 - Addresses and Essays on Vegetarianism;
  6. 1916 - The Credo of Christendom: and Other Addresses and Essays on Esoteric Christianity.

Sociedade Teosófica
Fundadores
  • Helena Blavatsky | Henry Olcott | William Judge | Mahatmas
  • Principais obras
  • A Doutrina Secreta | Ísis sem Véu | A Chave para a Teosofia | Glossário Teosófico
  • Conceitos básicos
  • Teosofia | Carma | Reencarnação | Sete princípios do homem | Rondas | Raças-raiz | Globos | Cadeia planetária | Paranirvana
  • Temas relacionados
  • Hinduísmo | Budismo | Religiões de mistérios | Gnosticismo | Neoplatonismo | Ocultismo | Esoterismo
  • Outros teósofos
  • Annie Besant | Mabel Collins | Archibald Keightley | Anna Kingsford | Charles Leadbeater | George Mead | Alfred Sinnett | William Westcott

Direitos animais
  • Conceitos
  • Argumento dos casos marginais
  • Bem-estar animal
  • Especismo
  • Senciência
  • Veganismo

Escritores e ativistas
  • Anna Kingsford
  • Gary L. Francione
  • Jerry Vlasak
  • Jon Amad
  • Laerte Levai
  • Peter Singer
  • Sônia Felipe
  • Stephen R. L. Clark
  • Tagore Trajano
  • Tom Regan

Filmes e documentários
  • A Carne É Fraca
  • Behind the Mask
  • Cowspiracy
  • Plague Dogs
  • Earthlings
  • Não Matarás
  • Racing Extinction
  • Silvestre não é pet
  • Vegana

Organizações e santuários
  • ALF
  • Gato Negro
  • ICAS
  • Igualdad Animal
  • Instituto Nina Rosa
  • Libera!
  • MIDAS
  • PETA
  • Projeto GAP

Violações
  • Abandono de animais
  • Caça
  • Carne de vitela
  • Confinamento de animais
  • Crueldade com animais
  • Desporto sangrento
  • Farra do boi
  • Foie gras
  • Pecuária
  • Rinha
  • cães
  • galos
  • Pesca
  • Rodeio
  • Testes com animais
  • Tourada
  • Tráfico de animais
  • Uso de animais em salas de aula
  • Vaquejada
  • Vivissecção

Artigos e anexos correlatos
  • Declaração Universal dos Direitos Animais
  • Dia Internacional dos Direitos Animais
  • Revista Brasileira de Direito Animal
  • Lista de veganos

sábado, 5 de outubro de 2019

Jainismo - religião

Símbolo oficial do jainismo (pic: Mpanchratan).
O jainismo ou jinismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o hinduísmo e o budismo, compartilhando com este último a ausência da necessidade de Deus como criador ou figura central. Considera-se que a sua origem antecede o bramanismo, embora ela seja mais provável que tenha surgido na sua forma atual por volta do século V a.C., como o resultado da ação religiosa do Mahavira. Vista durante algum tempo pelos investigadores ocidentais como uma seita do hinduísmo ou uma heresia do budismo, devido à partilha de elementos comuns com estas religiões, o jainismo é contudo um fenômeno original. Ao contrário do budismo, o jainismo nunca teve um espírito missionário, tendo permanecido na Índia, onde os jainas constituem hoje cerca de quatro milhões de crentes. Pequenas comunidades jainas existem também na América do Norte e na Europa, em resultado de movimentos migratórios. A palavra jainismo tem as suas origens no verbo sânscrito jin que significa "conquistador". Os seus adeptos devem combater, através de uma série de estágios, as paixões de modo a alcançar a libertação do mundo. Sua visão básica é dualista. A matéria e a mônada vital ou jiva são de naturezas distintas, e durante sua vida o ser vivente (seja humano ou animal) tinge sua mônada como resultado de suas ações. Para se purificar, esta religião propõe um extremo ascetismo e o colocar em prática da doutrina da não violência ou ahimsa. Os jainas reconhecem que pessoas, animais, plantas, formações rochosas, cursos de água e quedas de água têm jiva, ou seja alma ou princípio vital. Todos estes seres têm igual valor e estão interligados na teia de existência por elos cármicos.

Origens

Segundos os historiadores da religião, o jainismo estabeleceu-se na Índia em meados do primeiro milênio a.C.. O seu fundador foi o Mahavira, existindo duas propostas para o período em que viveu: 599 a.C. - 527 a.C. (data tradicional apontada pelo jainismo) ou 540 a.C. - 470 a.C. (segundo os acadêmicos). Nasceu perto de Patna, naquilo que é hoje o estado do Bihar. Foi um contemporâneo do Buda, tendo pregado na mesma região geográfica, embora não conste que os dois mestres se tenham alguma vez encontrado. Pertencia à casta dos guerreiros (xátrias), casou, viveu no luxo até que por volta dos trinta anos tornou-se um mendigo errante. Entregou-se a longos processos ascéticos até obter a iluminação, tendo consagrado os restantes trinta ou quarenta anos da sua vida a pregar a sua doutrina. Faleceu em Pavapuri, no Bihar, que é desde então um dos principais locais de peregrinação jaina. De acordo com os jainas, a sua religião é eterna, tendo sido a doutrina revelada ao longo de várias eras pelos tirthankaras, palavra que significa "fazedores de vau", ou seja, alguém que ensinou o caminho. Os tirthankaras foram almas nascidas como seres humanos que alcançaram a libertação (moksha) do ciclo dos renascimentos através da renúncia e que transmitiram os seus ensinamentos aos homens. Na presente era existiram 24 tirthankaras. O último desses tirthankaras foi o Mahavira, que os jainas não consideram como o fundador do jainismo, mas antes aquele que lhe deu a sua forma actual. O 23.º tirthankara foi Parshva, que os historiadores consideram ter sido provavelmente uma figura histórica que viveu cerca de três séculos antes do Mahavira. Os jainas acreditam que Parshva pregou os quatro grandes princípios do jainismo, a saber: não violência (ahimsa), evitar a mentira, não se apropriar do que não foi dado e não se apegar às posses materiais; o mahavira acrescentou o princípio da castidade.


Templo jaina na cidade de Ahmedabad no Gujarate (pic: Y.Shishido).


Divisões internas

Os jainas encontram-se divididos em dois grupos principais: os Digambara ("Vestes de Céu") e os Svetambara (ou Shvetambara, "Vestes Brancas"). Cada um destes grupos encontra-se por sua vez dividido em vários subgrupos. A maioria dos jainas pertencem ao grupo Svetambara. A origem destes dois grupos situa-se no século I d.C. (ou talvez no século III d.C., segundo alguns autores) e deve-se a disputas em torno dos textos que devem constituir as escrituras do jainismo. Os Svetambara consideram que as suas escrituras estão mais próximas dos ensinamentos originais do Mahavira, enquanto que os Digambara rejeitam uma parte considerável dessas escrituras. Os digambara consideram igualmente que a renúncia pregada pelo Mahavira implica para os monges a nudez total e que as mulheres devem primeiro renascer como homens para poderem atingir a libertação. Ao nível da geografia, os Digambara concentram-se no sudoeste da Índia e os Svetambara no noroeste (estados do Gujarate, Rajastão e Madhya Pradesh). As estátuas dos dois grupos são também diferentes: os tirthankaras dos svetambara possuem roupas e uma decoração mais rica, enquanto que as dos sigambara estão nuas; estas diferenças fazem com que um adepto dos Digambara não possa praticar o culto num templo svetambara.

Doutrinas

Não posse (aparigraha)

A posse de qualquer bem é vista como relacionada com a violência, e até uma forma de violência física e psíquica. A violência em todas as suas formas tem origem no desejo de possuir, dominar, e controlar. Os ascetas jainas recusam possuir seja o que for, mas para os leigos a posse de algumas coisas é necessária para a realização das tarefas diárias. A possessividade transitória (usar um ser para deitá-lo fora) é uma forma de apego e baseia-se em relações de exploração de poder, por parte de um dos lados, em vez de amor e equanimidade incondicional.


Não absolutismo (anekantavada)

Assumir que alguém tem acesso privilegiado à verdade é o mais potente motor de conflito entre os seres humanos. O conceito de não absolutismo refere-se ao pluralismo de opiniões, e à noção de que os vários pontos de vista sobre a verdade não são a própria verdade. O jainismo encoraja os seus seguidores a considerarem os pontos de vista de outras filosofias, e consideram que quando qualquer uma destas filosofias, incluindo a jaina, se apega demais às suas próprias ideias está a cometer o erro de considerar o seu ponto de vista absoluto. A ideia é representada pela parábola dos homens cegos e do elefante, em que vários cegos tocam em partes do elefante, como as orelhas e as pernas, e descrevem, de forma contraditória, o que pensam ser o animal completo, partindo do pressuposto de que a parte que tocaram representava a verdade completa. O conceito de " syadvada" ou "talvez-ismo" diz que se deve considerar que todas as proposições são apenas parcialmente verdadeiras (e parcialmente falsas). Os pontos de vista parciais da verdade são chamados de "naya". Segundo o princípio chamado de "nayavada" , através da abertura a diversos pontos de vista, o jainismo pretende que o praticante integre os diversos pontos de vista parciais, ou "naya", numa teoria abrangente.

Não violência (ahimsa)

A não violência é o cerne do jainismo e o ponto onde todas as doutrinas se intersectam. A violência é a agressão intencional ou não intencional. Os jainistas tentam evitar a agressão em todas as suas formas, seja através de ações, palavras, ou pensamentos, a todo e qualquer ser vivo, ou aos ecossistemas. O jainismo considera o lacto-vegetarianismo como o mínimo que deve ser feito pelos adeptos, e os estudiosos jainas defendem o veganismo, porque a produção de leite é agressiva para as vacas. Os jainas também não comem tubérculos. Os jainas também têm um cuidado especial para evitar possíveis danos a pequenos insetos, por exemplo ao colocarem um pano sobre as suas bocas para não os aspirarem ou varrendo o chão à sua frente quando andam para evitar pisá-los.

O tempo

Os jainas consideram que o tempo é infinito e cíclico. Ele é visto como uma grande roda dividida em duas partes idênticas: uma realiza um movimento ascendente (Utsarpini), enquanto que a outra um movimento descendente (Avasarpini). Cada uma destas partes divide-se em seis eras (ara). Durante o período ascendente os seres humanos progridem ao nível do saber, estatura e felicidade, enquanto que o período descendente caracteriza-se pela degradação do mundo, pelo esquecimento da religião e pela perda de qualidade de vida pelos humanos. Segundo os jainas, vivemos atualmente num período de movimento descendente, numa era de infelicidade (Dukham Kal), que começou há 2.500 anos e que durará 21 mil anos.

O universo e os cinco mundos

Segundo o jainismo, o universo divide-se em cinco mundos, sendo cada um deles habitado por determinado tipo de seres. O universo é eterno, não tendo sido criado por nenhum ser superior. No topo do universo está a morada suprema (siddhashila), que é o local onde habitam as almas que alcançaram a libertação (estas almas são denominadas Siddhas). Abaixo encontram-se trinta céus, habitados por seres celestiais, alguns dos quais caminham para a morada suprema. O mundo médio (madhyaloka) inclui vários continentes separados por mares. No centro deste mundo encontra-se o continente Jambudvipa, considerado o único continente no qual as almas podem alcançar a libertação. Os seres humanos habitam este continente, bem como um segundo continente ao lado deste e parte do terceiro continente. O mundo inferior (adholoka) consiste em sete infernos, onde os seres são atormentados por demônios e onde se atormentam uns aos outros. Abaixo do sétimo inferno encontra-se a base do universo (nigoda), habitada por inúmeras formas inferiores de vida.

Karma

À semelhança do hinduísmo e do budismo, o jainismo partilha da crença no karma, embora de uma forma diferente. O karma no jainismo não é apenas um processo em que determinadas ações produzem reações, mas também uma substância física que se agrega a uma alma. As partículas de karma existem no universo e associam-se a uma alma devido às ações dessa alma (por exemplo, quando uma alma mente, rouba ou mata esta provoca a o agregação de karma na sua alma). A quantidade e qualidade destas partículas determinam a existência que a alma terá, a sua felicidade ou infelicidade. Só é possível a uma alma alcançar a libertação quando desta se retirarem todas as partículas de karma. O processo que permite a libertação das partículas de karma de uma alma denomina-se nirjara e inclui práticas como o jejum, o retiro para locais isolados, a mortificação do corpo e a meditação. Os seguidores do jainismo utilizam para isso um ritual mortuário chamado Sallekhana (também conhecido como Santhara, Samadhi-Marana, Samnyasa-Marana),que consiste em praticar a eutanásia através do jejum. Devido à natureza prolongada da sallekhana, é dado tempo ao indivíduo suficiente para refletir sobre sua vida e pedir perdão dos seus pecados aos deuses. O voto de sallekhana é tomado quando se sente que a vida tem servido o seu propósito. O objetivo é limpar karmas antigos e impedir a criação de novos. Existe uma prática hindu similar conhecido como Prayopavesa. De acordo com a revista Press Trust of India, em média, 240 jainistas prática sallekhana até a morte a cada ano na Índia.

Formas de vida
Monges e monjas


O jainismo considera a vida monástica como o ideal de vida dos seres humanos. Entre os Svemtambara a entrada na vida monástica é autorizada aos dois sexos a partir dos sete anos, mas realiza-se em geral numa idade mais avançada. O noviço deve abandonar todos os seus bens; por altura da sua ordenação (diksa) a sua cabeça é raspada e ele toma os cinco votos, que segue numa versão mais rigorosa do que a dos leigos (mahavrata). Os monges jainas levam uma vida itinerante, com excepção da época das monções, altura em que se recolhem numa determinada localidade. Dependem para a sua alimentação da caridade fornecida pelos leigos jainas, a quem oferecem em troca assistência espiritual. Os monges do ramo Svetambara podem ser donos de pequenas coisas, como uma fina veste branca, uma tigela onde recebem os alimentos dos leigos e uma máscara de tecido usada sobre a boca (mukhavastrika), cujo objectivo é evitar a ingestão involuntária de pequenos insectos. Os monges Digambara interpretam o preceito do desapego de uma forma bastante rigorosa e por esta razão não usam roupas; as monjas deste ramo usam uma veste branca. Os monges Digambara não possuem uma tigela e usam a mãos como recipiente dos alimentos. Os monges "Svetambara" costumam se deslocar em pequenos grupos de cinco ou seis monges, enquanto que os Digambara geralmente viajam sozinhos. Todos os monges devem seguir as três regras que evitam a conduta incorreta (guptis: ter cuidado com os pensamentos, as palavras e as ações). Entre os Svetambara o número de monjas ultrapassa o de monges. As monjas Digambara aceitam a doutrina que afirma que para se avançar no caminho espiritual é necessário nascer com um corpo masculino.

Leigos

Os jainas que não são monges devem observar oito regras de comportamento e devem tomar doze votos. As oito regras de comportamento variam, mas em geral incluem a prática absoluta e irrestrita de Ahimsa (não violência) que tem seu ponto forte na alimentação: não comer carne de nenhum tipo, não comer certos vegetais (cebola e alho) os quais se acredita serem de origem inferior e não usar nenhum produto de origem animal. Outras regras incluem não se alimentar à noite, não ingerir bebidas alcoólicas nem substâncias consideradas alteradoras da consciência (cafeína, teobromina) e praticar a caridade a todos os seres vivos. Ler sobre as qualidades transcendentais dos tirthankaras e recitar o Navkar Mantra também fazem parte das principais práticas diárias. Quanto aos doze votos, eles podem ser divididos em três classes:

  • Anuvratas - são os cinco votos principais: abster-se de atos violentos, não mentir, não roubar, não cobiçar o parceiro de outra pessoa e limitar as possessões pessoais;
  • Gunavratas - são três votos que reforçam os cinco votos principais: restringir as atividades pessoais a uma área concreta (digvrata), restringir práticas que proporcionam prazer (bhogopabhogavrata), evitar atos que causam sofrimento (anarthadandavrata);
  • Siksavratas - são quatro votos de disciplina espiritual: meditar, limitar determinadas atividades a certos momentos, adotar a vida de um monge por um dia, fazer donativos aos monges ou aos pobres.

Formas de culto

Uma das principais formas de culto dos jainas leigos é prestar homenagem às estátuas dos tirthankaras. Os jainas lavam as estátuas e dedicam-lhes oferendas, como mel, flores, arroz, etc. Alguns grupos jainas, como os Sthanakavasis e os Terapanthis, são contra o culto de imagens. O crente não adora a estátua em si, mas antes as qualidades associadas a ela, de modo a receber inspiração para seguir o mesmo caminho. As estátuas podem ser adoradas nos templos ou então em pequenos santuários existentes nas casas. São representadas em posição de meditação, sentadas ou em pé. Não é possível estabelecer qualquer forma de contacto com os tirthankaras através desta forma de culto, uma vez que estes, tendo alcançado a libertação, ficam fora do contacto humano. Contudo, durante a Idade Média cada tirthankara foi associado a uma deusa protetora, em relação às quais se desenvolveram formas particulares de devoção. As deusas mais importantes são Ambika (associada ao 22º tirthankara, Arishtanemi), Padmavati (associada a Parshva), Lakshmi e Sarasvati. As orações jainas fazem referência aos grandes actos dos tirthankaras e aos ensinamentos do Mahavira, sendo ditas num antigo dialecto do Bihar, o Ardha Magadhi. A principal oração é o Namaskara Sutra, através do qual o jaina presta homenagem às qualidades dos cinco grandes seres do jainismo. O ato de fazer doações para a construção de templos é também considerado uma forma de culto, assim como a prática de peregrinações.

Festivais
Os principais festivais do jainismo são:


  • Mahavira Jayanti - decorre em março ou abril e celebra a data do nascimento do Mahavira. Neste dia estátuas do mahavira são levadas em procissões pelas ruas e os jainas reúnem-se nos templos para ouvir a leitura dos seus ensinamentos.
  • Paryushana: durante o mês de Bhadrapada (agosto-setembro) os membros do ramo Svetambara do jainismo celebram um dos seus festivais mais importantes, Paryushana. Este festival está dedicado ao perdão e consiste na prática do jejum durante oito dias. No último dia do festival (Samvatsari) os jainas pedem perdão uns aos outros por ofensas que possam ter causado; aqueles que conseguiram jejuar durante os oito dias seguidos são levados para os templos em procissão. O festival equivalente na tradição Digambara denomina-se Dashalakshanaparvan, e para além da prática do jejum, é lido nos templos um importante texto, o Tattvartha-sutra.
  • Divali (festa da luzes) - celebração comum a toda a Índia, é para os jainas a comemoração da altura em que o mahavira deu os seus últimos ensinamentos e alcançou a libertação. Ocorre no mês de Kaartika, que corresponde no calendário gregoriano a Outubro-Novembro.
  • Kartik Purnima - ocorre no dia de lua cheia do mês de Kaartika. Após terem permanecido numa determinada localidade durante os meses da monção, os monges e monjas jainas regressam à vida errante, sendo por vezes acompanhados por leigos no percurso que fazem para outro local. Neste dia muitos jainas realizam a peregrinação aos templos de Palitana, no estado indiano do Gujarate.
  • Mastakabhisheka - Cada doze anos os jainas (principalmente os do ramo Digambara) reúnem-se no santuário de Shravana Belgola no estado de Karnataka, onde se encontra uma estátua de dezessete metros de Bahubali, que é alvo de libações com água, mel, leite, flores, preparados de ervas e especiarias.

A suástica

O jainismo dá mais ênfase à suástica que o hinduísmo. Representa o sétimo jina (santo), o Tirthankara Suparsva. É considerada uma das 24 marcas auspiciosas, emblema do sétimo arhat dos tempos atuais. Todos os templos jainistas, assim como os livros santos jainistas, contêm a suástica. As cerimônias jainistas começam e terminam com o desenho da suástica feito várias vezes em volta do altar. Os adeptos também usam o arroz para desenhar a suástica (também conhecida por "Sathiyo" no estado indiano de Gujarat) diante dos ídolos nos templos. Os jainistas colocam uma oferenda sobre esta suástica - geralmente uma fruta, um doce (mithai), uma fruta em passa ou ainda uma moeda ou cédula de dinheiro.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jainismo

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Biografia de Ellen G. White

Ellen White em 1864.
Ellen Gould White nasceu em Gorham, Maine, Estados Unidos da América, a 26 de Novembro de 1827, e, faleceu em Santa Helena, Califórnia, a 16 de Julho de 1915. Ellen G. White foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia.
A posição da Igreja Adventista sobre o dom de Ellen White

Manifestações proféticas foram descritas diversas vezes na Bíblia. Com base nos ensinamentos bíblicos de Joel 2 e Efésios 4, os adventistas do sétimo dia entendem que nos "últimos dias" (período que antecede a segunda vinda de Jesus) o "dom de profecia" seria novamente manifestado entre os cristãos para orientar a Igreja. Os adventistas se identificam como sendo o povo remanescente descrito em Apocalipse 12:17, o qual "guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus". Para os adventistas, o "testemunho de Jesus" (que é o dom da profecia segundo Apocalipse 19:10) também consiste nas mensagens de Ellen White. Baseados nos exemplos e ensinamentos bíblicos, os adventistas entendem que existem quatro características que distinguem um verdadeiro profeta de um falso profeta:
  • Sua mensagem deve estar em plena concordância com a Bíblia.
  • Sua mensagem deve reconhecer a divindade e encarnação de Jesus Cristo.
  • Deve produzir bons frutos em sua vida particular e sua mensagem deve impactar positivamente a vida daqueles que a aceitam.
  • Suas predições devem cumprir-se.

Para os adventistas, Ellen White possui todas estas quatro características e, portanto, eles a consideram uma profetisa contemporânea. Os adventistas, entretanto, não colocam Ellen White na mesma categoria dos grandes profetas como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, cujos escritos formam parte das Escrituras Sagradas. Eles entendem que Ellen White entra na linha de profetas que foram chamados por Deus para dar ânimo, conselho e admoestação ao povo de Deus, mas cujos escritos não entram no cânon sagrado. Temos os seguintes exemplos de profetas desta linha: Natã, Gade, Enã, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Ido e Obede no Antigo Testamento, e Simeão, João Batista, Ágabo e Silas no Novo. A linha também inclui mulheres como Miriã, Débora e Hulda, que foram denominadas profetisas, em tempos antigos, bem como Ana ao tempo de Cristo, e as quatro filhas de Filipe, "que profetizavam" segundo Atos 21:9.

A posição de Ellen White sobre o seu dom

Ellen White jamais assumiu o título de profetisa, mas não se opunha a que os outros assim a identificassem. Ela explicou: “Cedo em minha juventude foi-me perguntado muitas vezes: É você uma profetisa? Sempre tenho respondido: Sou a mensageira do Senhor. Sei que muitos me têm chamado de profetisa, mas jamais reivindiquei esse título. ... Por que não reivindico ser chamada de profetisa? Porque nestes dias muitos que audaciosamente pretendem ser profetas, representam um opróbrio à causa de Cristo; e porque minha obra inclui muito mais do que o termo ‘profeta’ significa. ... Reivindicar ser profetisa é algo que jamais fiz. Se outros me chamam por esse nome, não discuto com eles. Mas a minha obra abrange tantos aspectos, que não posso chamar-me a mim mesma senão uma mensageira”. — Ellen G. White

Obra literária de Ellen White

Durante sua vida, Ellen White escreveu a mão mais de 5 mil artigos e 40 livros. À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130. Hoje em dia, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 150 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 90 em português.

Temática

As obras de Ellen White tratam de teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (ela foi uma defensora do vegetarianismo). Seus escritos são restauracionistas e se esforçam para mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Nos seus livros, ela evidencia a existência de um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como “o grande conflito” e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia adventista.

Popularidade

Na década de 1980, Roger W. Coon (autor do livro “A Gift of Light”) fez uma pesquisa na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e concluiu que, naquela época, Ellen White era a quarta autora mais traduzida na história da literatura, possuindo livros traduzidos para 117 línguas diferentes. Como os três primeiros colocados eram homens não americanos, isto conferiu a Ellen White, naquela época, o título de escritora mulher mais traduzida de todos os tempos bem como o título de autor americano mais traduzido de todos os tempos. Atualmente, quase três décadas depois da pesquisa de Roger W. Coon, Ellen White possui livros traduzidos em mais de 160 línguas diferentes. O seu livro mais popular é “Caminho a Cristo”, que apresenta a essência do viver cristão. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1892 e, de acordo com o “The Ellen G. White Estate” (organização proprietária dos escritos originais de Ellen White e responsável pela publicação de suas obras), desde então já foi publicado em mais de 165 línguas. Assim, embora não se tenha um ranking atual exato, este número certamente faz do livro "Caminho a Cristo" uma das obras literárias mais traduzidas de todos os tempos e, consequentemente, de Ellen White uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial. Outras obras bastante populares de Ellen White são “O Desejado de Todas as Nações”, que apresenta uma biografia de Jesus Cristo, e “O Grande Conflito”, que narra o conflito entre o bem e o mal começando pelo início do cristianismo e chegando até o final dos tempos.

Assistentes literários

Ao escrever, Ellen White nem sempre usava de maneira perfeita a gramática, ortografia, pontuação, construção de sentenças ou parágrafos. Ela reconhecia francamente sua falta de tais habilidades técnicas. Em 1873 ela lamentou: “Não sou um erudito. Não posso preparar meus próprios escritos para o prelo.... Não sou um gramático” (“Mensagens Escolhidas”, vol. 3, p. 90). Ela sentiu necessidade da ajuda de outros no preparo de seus manuscritos para publicação. Seu filho William Clarence White descreve os limites que ela estabeleceu para os assistentes: “Aos copistas de mamãe é confiada a obra de corrigir os erros gramaticais, de eliminar repetições desnecessárias, e de agrupar os parágrafos e seções na melhor ordem.… As experientes colaboradoras de minha mãe, tais como as irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, que estão muito familiarizadas com seus escritos, são autorizadas a pegar uma sentença, parágrafo, ou seção de um manuscrito e incorporá-los em outro manuscrito onde o mesmo pensamento foi expresso mas não tão claramente. Mas nenhuma das funcionárias de mamãe está autorizada a fazer acréscimos aos manuscritos introduzindo ideias próprias” (W. C. White para G. A. Irwin, 7 de Maio de 1900). Apesar do trabalho dos assistentes, nada ficava sem a supervisão de Ellen White: “Leio tudo que é copiado, para ver se tudo está como deveria. Leio todo o manuscrito do livro antes de mandá-lo para o impressor. Desta maneira, você pode ver que meu tempo é completamente ocupado” (Carta 133, 1902).

Omissão de trechos

Em 1883, respondendo à acusação de que havia suprimido parte de sua mensagem, Ellen White escreveu: “Ao contrário de desejar reter qualquer coisa que eu tenha publicado, sentiria grande satisfação em dar ao público cada linha de meus escritos já publicados”. (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 60). Uma análise das alegadas "supressões" de Ellen White pode ser encontrada em Ellen G. White and Her Critics, de F. D. Nichol, pp. 267–285 e 619-643.

Disponibilidade

Quase a totalidade dos escritos publicados de Ellen White podem ser acessados online gratuitamente, em dezenas de diferentes idiomas incluindo o português. Tais obras também podem ser acessadas através de aplicativo de celular e baixadas em formato de ebook. Algumas delas também podem ser baixadas em formato de audiolivro. As obras não publicadas (cartas e manuscritos) podem ser pesquisados para estudo em um dos diversos "Centros de Pesquisa Ellen G. White" da IASD estabelecidos ao redor do mundo, dois dos quais no Brasil (um no UNASP de Engenheiro Coelho-SP e outro na FADBA em Cachoeira-BA).

Títulos principais

A seguir, uma lista dos escritos mais populares e influentes de Ellen White.

Série Conflito (série de livros)
  • Patriarcas e Profetas (Patriarchs and Prophets - 1890) - Reflexões sobre a primeira metade do Antigo Testamento.
  • Profetas e Reis (Prophets and Kings - 1917) - Reflexões sobre a segunda metade do Antigo Testamento.
  • O Desejado de Todas as Nações (The Desire of Ages - 1898) - Reflexões sobre a vida de Jesus Cristo.
  • Atos dos Apóstolos (The Acts of the Apostles - 1911) - Reflexões sobre a igreja primitiva do Novo Testamento.
  • O Grande Conflito (The Great Controversy - 1888) - Reflexões sobre a história cristã e profecias sobre o fim dos tempos.

Outros:
  • Caminho a Cristo (Steps to Christ - 1892) - Um livro evangelístico explicando como ter uma conexão viva com Jesus Cristo.
  • Parábolas de Jesus (Christ's Object Lessons - 1900) - Uma exposição do significado das parábolas de Jesus.
  • O Maior Discurso de Cristo (Thoughts from the Mount of Blessing - 1896) - Uma exposição das lições de Jesus no Sermão da Montanha.
  • Primeiros Escritos (Early Writings – 1882).
  • Educação (Education – 1903).
  • A Ciência do Bom Viver (The Ministry of Healing – 1905).

Biografia
Nascimento na fazenda


Ellen e sua irmã gêmea Elisabete nasceram no dia 26 de Novembro de 1827. O nascimento ocorreu numa pequena fazenda no nordeste dos Estados Unidos, na cidade de Gorham. Os pais de Ellen, o fazendeiro Roberto Harmon e sua esposa Eunice, tinham mais seis filhos além das gêmeas.

Acidente na cidade

Poucos anos depois do nascimento das gêmeas, Roberto Harmon abandonou o trabalho da fazenda e se mudou para a cidade de Portland, onde se dedicou aos negócios exercendo a profissão de chapeleiro. Quando Ellen tinha nove anos de idade, sofreu um grave acidente que quase lhe causou a morte. Ela atravessava a praça da cidade na companhia de sua irmã gêmea e de uma colega quando uma pedra, arremessada por uma garota de aproximadamente treze anos, lhe atingiu o nariz fazendo-a desmaiar. Após acordar tentou ir caminhando para casa, mas sentiu-se atordoada e teve que ser carregada por sua irmã e pela colega. Por conta do acidente, Ellen acabou ficando inconsciente durante três semanas e ninguém além de sua mãe acreditava que ela seria capaz de se reestabelecer. Entretanto, Ellen conseguiu recobrar a consciência e foi recuperando as forças vagarosamente. Nos anos seguintes, Ellen sofreu grandemente como resultado deste sério ferimento no nariz, especialmente no que se refere à educação.

Educação

Durante dois anos, Ellen não podia respirar pelo nariz e pouco frequentou a escola. Ela não conseguia reter na memória o que aprendia. A mesma menina que lhe arremessou a pedra foi nomeada monitora pela professora para ajudar Ellen com os estudos. A menina era meiga e paciente com Ellen e se mostrava triste ao ver Ellen lutando com as dificuldades para aprender. Ellen sofria com o sistema nervoso abalado, mãos trêmulas, tontura e tosse. A mais forte luta da juventude de Ellen foi decidir seguir o conselho dado por suas professoras de abandonar a escola e não retomar os estudos antes de sua saúde melhorar.

Conversão ao metodismo

No ano de 1840, Ellen e seus pais participaram de uma reunião campal da Igreja Metodista em Buxton, Maine, e Ellen, na ocasião com 12 anos de idade, entregou seu coração a Deus. Em 26 de Junho de 1842, a seu pedido, ela foi batizada por imersão em Casco Bay, Portland. No mesmo dia, Ellen foi aceita como membro da Igreja Metodista.

O Início de seu ministério

Ellen White relatou sobre sua primeira experiência visionária em Dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de Outubro de 1844. “Nesta época visitei a irmã Haines, uma irmã em Cristo cujo coração estava cingido ao meu. Éramos cinco pessoas, todas mulheres, reverentemente curvadas ante o altar da família. Enquanto orávamos, o poder de Deus desceu sobre mim como antes não o experimentara ainda. Pareceu-me estar rodeada de luz, e ir-me elevando acima da Terra”. (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 270). A primeira visão da Irmã. White tinha por objetivo erguer os adventistas desencorajados e fragmentados a fim de uni-los novamente. Ela viu o "povo do advento" viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém. “Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Alguns dos viajantes ficaram cansados e foram encorajados por Jesus; outros negavam a existência da luz que os guiava e "caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio”. A visão continuou com cenas da segunda vinda de Cristo, seguida da entrada do povo do advento na Nova Jerusalém; e termina com o retorno de Ellen White à Terra, sentindo-se solitária, desolada e almejando um "mundo melhor". Como Godfrey T. Anderson salienta, “Com efeito, a visão garantiu ao povo adventista um eventual triunfo, a despeito do imediato desespero no qual eles haviam mergulhado”. A segunda visão de White relacionava-se às visões de Crozier sobre o desapontamento de 22 de Outubro. Ela tornou-se conhecida como a visão do "Noivo"; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em Fevereiro de 1845. Juntamente com a terceira visão, onde White viu a nova terra, essas visões “Deram um contínuo significado à experiência de outubro de 1844 e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário. Além disso, as visões desempenharam um importante papel no combate às visões espirituais de muitos adventistas fanáticos, retratando Deus e Jesus como seres literais e o Céu como um lugar físico”. Temendo uma recepção negativa, Ellen não compartilhou suas visões com toda a comunidade Milerita, até que, durante uma reunião na casa de seus pais, ela recebeu o que ela considerou como sendo uma confirmação sobrenatural de seu ministério: “Enquanto orávamos, a densa escuridão que me envolvia foi dispersa, uma luz brilhante, como uma bola de fogo, veio em minha direção. Senti como se ela estivesse sobre mim e então minhas forças foram tomadas. Eu parecia estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente foi dito, ‘Torne conhecido a outros o que lhe revelei’”. Logo em seguida, Ellen começou a dar seu testemunho publicamente, em reuniões que muitas vezes ela mesma organizou; como também nos encontros regulares da Igreja Metodista realizados em casas particulares. “Combinei reuniões com minhas jovens amigas, algumas das quais eram bem mais velhas do que eu, e algumas eram pessoas casadas. Várias delas eram vãs e irrefletidas; minha experiência assemelhava-se-lhes um conto ocioso, e não davam ouvidos às minhas súplicas. Decidi, porém, que meus esforços não cessariam enquanto essas queridas almas, por quem sentia tão grande interesse, não se entregassem a Deus. Várias noites inteiras foram passadas por mim em fervorosa oração por aquelas a quem eu havia buscado e reunido no intuito de trabalhar e orar por elas”. As notícias de suas visões propagaram-se, e em seguida White fez viagens a fim de pregar aos grupos de seguidores Mileritas no Maine e nas regiões ao redor. Suas visões não foram divulgadas mais amplamente até 24 de Janeiro de 1846, quando o relato da primeira visão de White, “Letter From Sister Harmon” foi publicado em Day Star, um folheto Milerita publicado em Cincinnati, Ohio, por Enoch Jacobs. Ela escreveu a Jacobs para encorajá-lo, e embora ela tenha dito que a carta não foi escrita para ser publicada, Jacobs publicou-a da mesma forma. Ao longo dos poucos anos que se seguiram, ela foi republicada de diversas maneiras, fazendo também parte do primeiro livro de White, “Christian Experience and Views”, publicado em 1851. Dois Mileritas afirmaram ter tido visões antes de Ellen White – William Ellis Foy (1818-1893), e Hazen Foss (1818-1893). Os Adventistas creem que o dom oferecido anteriormente a estes dois homens foi transferido para Ellen White, por eles o haverem rejeitado tendo em vista a responsabilidade, o trabalho e as dificuldades que enfrentariam ao se tornarem mensageiros da Palavra do Senhor.

Casamento e família

James e Ellen White, c.1868.
Em 1845 Ellen encontrou com aquele que viria a ser seu esposo, James Springer White (em língua portuguesa ele é conhecido como Tiago White), um milerita que se convenceu de que as visões de Ellen eram genuínas. Um ano mais tarde, James a pediu em casamento, e em 30 de Agosto de 1846 eles se casaram perante um juiz de paz em Portland, Maine. Mais tarde James escreveu: “Casamo-nos em 30 de Agosto de 1846, e daquele momento em diante ela tem sido minha coroa de júbilo… Têm sido na boa providência de Deus que nós temos nos regozijado com a profunda experiência do movimento adventista. Tal experiência é agora necessária para que unamos nossas forças e unidos, possamos trabalhar extensivamente do oceano Atlântico ao Pacífico”… Tiago e Ellen tiveram quatro filhos, todos homens: Henry Nichols, nascido em 26 de Agosto de 1847; James Edson, nascido em 28 de Julho de 1849; William Clarence, nascido em 29 de Agosto de 1854; e John Hebert, nascido em 20 de Setembro de 1860. Somente Edson e William viveram até a vida adulta. John Hebert morreu de erisipela aos três meses de idade, e Henry morreu de pneumonia aos 16 anos em 1863.

O decorrer de sua vida

Ao descrever suas experiências com visões, Ellen White dizia ser envolvida por uma brilhante luz. Nestas visões ela estaria na presença de Jesus ou de anjos que lhe mostrariam eventos (históricos e futuros) e lugares (na terra, no céu, ou outros planetas), ou lhe davam informações. Ela descrevia o fim dessas visões como sendo envolvida e trazida de volta à escuridão da Terra. Segundo testemunhado publicamente por congregações e até por descrentes de seu dom, entre eles um médico, quando estava em visão não respirava, ficava de olhos abertos e olhar sereno, como se olhasse ao longe. Neste estado podia ficar por minutos ou horas. Ao sair da visão, lhe era determinado imediatamente escrevê-la. As transcrições das visões de White geralmente continham teologia, orientações de saúde, de profecia, ou conselhos pessoais a indivíduos ou a líderes adventistas. Um dos melhores exemplos de seus conselhos pessoais é encontrado em um livro intitulado Testemunhos para a Igreja, uma série de 9 volumes, que contém testemunhos publicados para a edificação geral da igreja. As versões faladas e escritas de suas visões desempenham um papel significativo em moldar a estrutura organizacional da emergente Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além disso, elas continuam a ser usados por líderes da igreja no desenvolvimento das políticas da Igreja e para a leitura devocional. Em 14 de Março de 1858, em Lovett Grove, Ohio, White recebeu uma visão enquanto participava de um funeral. Naquele dia, Tiago White escreveu que “Deus manifestou Seu poder de forma maravilhosa” acrescentando que “muitos se decidiram a guardar o Sábado do Senhor e se unir ao povo de Deus”. Ellen, no seu escrito sobre esta visão, declarou ter recebido instruções práticas para membros da igreja, e algo ainda mais significativo: um vislumbre cósmico do conflito “entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos”. Ellen White exporia este tema do grande conflito que finalmente se transformaria na série Conflito dos Séculos. Segundo seus defensores, foi-lhe mostrado a guerra da secessão americana, o surgimento do moderno espiritismo, a supremacia dos EUA no mundo entre outras profecias com pleno cumprimento.

O ministério após a morte de seu marido

Após 1882 Ellen White foi assistida de perto por amigos e associados. Ela contratou assistentes literárias que a ajudariam no preparo de seus escritos para a publicação. Também mantinha uma intensiva correspondência com líderes da igreja. Ellen, então, viajou para a Europa em sua primeira viagem internacional. Após seu regresso, ela apoiou E. J. Waggooner e A. T. Jones, jovens pastores, no desenvolvimento da doutrina da Justificação pela Fé. Alguns líderes da igreja resistiram ao seu conselho e, para evitar conflitos, ela foi enviada a Austrália como missionária.

Morte

Ellen G. White morreu em Santa Helena em 16 de Julho de 1915 aos 87 anos. Encontra-se sepultada em Oak Hill Cemetery, Battle Creek, Michigan nos Estados Unidos. Suas últimas palavras foram: “Eu sei em quem tenho crido”.

A mensagem de Ellen White

A vontade de Ellen White era que o mundo fosse "contagiado" pela mensagem da segunda volta de Cristo à Terra para buscar aqueles que servem ao único Deus. Ela diz em seus escritos: “Eu sinto meu espírito agitado dentro de mim. Eu sinto até o fundo de minha alma que a verdade deve ser levada a outros países e nações, e a todas as classes. Que os missionários da cruz proclamem que há um só Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo, o Filho do Infinito Deus. Isto precisa ser proclamado em cada igreja em nossa terra. Os cristãos precisam saber disso, e não colocar os homens onde Deus deveria estar, para que eles não sejam mais adoradores de ídolos, mas sim do Deus vivo. Existe idolatria nas nossas igrejas”. Muitas vezes, sua mensagem era reflexo dos pensamentos dos Adventistas pioneiros de sua época. Esses pensamentos ela chamou de "Fundamentos da Nossa Fé" e escreveu: “Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixe os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência”. Sobre a sublime missão da mulher (ser mãe), escreveu Ellen G. White: “Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem como o escritor, de expressar um nobre sentimento em eloquentes palavras, nem como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Ela tem, sim, com o auxílio divino, de gravar na alma humana a imagem de Deus”.

Controvérsias

A irmã White foi uma figura controversa em seu tempo, gerando ainda hoje muitas discussões, especialmente entre outros grupos cristãos, assim como de pessoas de outras religiões. Ellen afirmou ter recebido uma visão logo após o Grande Desapontamento Milerita. Num contexto onde muitas outras pessoas alegavam também ter recebidos visões, ela era conhecida por sua convicção e fervorosa fé. Randall Balmer, a descreveu como “uma das figuras mais vibrantes e fascinantes da história da religião americana”. Já Walter Martin afirmou que ela era “uma das personagens mais fascinantes e controversas do seu tempo a aparecer no horizonte da história religiosa”. Alguns ensinamentos de Ellen G. White causaram controvérsia, tanto na academia quanto entre religiosos. Passagens da obra de Ellen G. White também já foram acusadas de racismo e de plágio. Entre as polêmicas, encontram-se alertas contra a masturbação, que ela considerava uma fonte de debilidades físicas, e o consumo de carnes consideradas pela Bíblia como imundas, principalmente de porco, que, segundo revelado a Ellen G. White, causaria males a saúde.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_G._White

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Áugure - Sacerdote da Roma Antiga

Estátua de uma virgem vestal. (pic:Jebulon).
Áugures ou arúspices eram sacerdotes da Roma Antiga que usavam os hábitos dos animais para tirar presságios, exemplos disso são o seu voo, o seu canto e suas próprias entranhas, e o apetite dos frangos sagrados. Formaram um colégio venerado em Roma, nada de importante se fazia sem consultar os mesmos. Sob o pretexto que os auspícios não eram favoráveis, um áugure poderia impedir até uma execução publica. Não tardou, porém que estas predições supersticiosas caíssem em descrédito. “Auspiciis hanc urbem conditam esse, auspiciis bello ac pace domi militiaeque omnia geri, quis est qui ignoret?” (Quem não sabe que esta cidade foi fundada somente após consultar as divindades, que toda guerra e paz, no país e no estrangeiro, foi feito somente após consultar as divindades?).

Etimologia

A origem da palavra augur é incerta; antigos autores acreditavam que ela continha as palavras aui e gero - Latim significando "orientação dos pássaros" - mas linguistas dizem que a sua origem é a raiz Agosto – "prosperidade".

Áugures na República

Áugures romanos foram eleitos como escribas e formaram um colégio de sacerdotes que partilham os deveres e responsabilidades da posição. Na fundação da República de 510 a.C., apenas os patriarcas podiam fazer reclamações por este gabinete; por volta de 300 a.C., o escritório foi aberto para a plebe também.

Curiosidade

Ficou muito conhecida a anedota de Públio Cláudio Pulcro, descontente com os presságios, mandou jogar ao mar os frangos sagrados, dizendo: “Não querem comer? Pois então, lhe deem de beber”.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Áugure

domingo, 21 de julho de 2019

Biografia de Bartolomeu de Gusmão

Bartolomeu de Gusmão,
por Benedito Calixto, 1902.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, São Paulo, em Dezembro de 1685, e, faleceu em Toledo, Espanha, a 18 de Novembro de 1724, cognominado o “padre voador”, foi um sacerdote secular, cientista e inventor luso-brasileiro nascido na Capitania de São Vicente, famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou de "Passarola".

Primeiros anos

Foi batizado simplesmente com o nome de Bartolomeu Lourenço, em 19 de Dezembro de 1685, na Igreja Paroquial da vila de Santos pelo padre Antônio Correia Peres. Era o quarto filho de Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião, e Maria Álvares. Será mais tarde, em 1718, que adota a si o apelido "de Gusmão", em homenagem ao preceptor e protetor, o jesuíta Alexandre de Gusmão. O casal teria tido ao todo doze descendentes, seis homens e seis mulheres, um dos quais, Alexandre de Gusmão, viria a se tornar importante diplomata no reinado de D. João V. Já a maioria dos seus irmãos optou ou foi orientada pelos pais a devotar-se à vida eclesiástica, dentre esses, Bartolomeu. O menino cursou as primeiras letras provavelmente na própria Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Aí ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teria início a sua profícua carreira de inventor. A edificação, situada sobre um monte de cem metros de altura, possuía precário abastecimento de água, que tinha que ser captada e transportada em vasos a partir de um brejo subjacente. Percebendo o problema, Bartolomeu inteligentemente planejou e construiu um maquinismo para levar a água do brejo até o seminário por meio de um cano longo. O invento, testado com absoluto sucesso, foi considerado admirável e de grande utilidade, inclusive pelo próprio reitor e fundador do seminário, o renomado sacerdote Alexandre de Gusmão.  Terminado o curso no Seminário de Belém em 1699, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, capital do Brasil à época, e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701. Viajou para Portugal, onde chegou já famoso pela memória extraordinária, ficando hospedado em Lisboa, na casa do 3º Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem. Contava ele então com apenas dezesseis anos. Em 1702, Bartolomeu retornou ao Brasil e deu início ao processo de sua ordenação sacerdotal. Três anos depois ele requereu à Câmara da Bahia a patente para o seu aparelho inventado anos antes - o invento para fazer subir água a toda a distância e altura que se quiser levar. A patente foi expedida em 23 de Março de 1707 pelo rei Dom João V. Foi essa a primeira patente de invenção outorgada a um brasileiro. Em 1708, já ordenado padre, Bartolomeu embarcou mais uma vez para Portugal. Logo após sua chegada, em 1º de Dezembro matriculou-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Passados alguns meses, contudo, abandonou a faculdade para instalar-se em Lisboa, aonde foi recebido com sumo agrado pelo Rei Dom João V e pela Rainha Maria Ana de Áustria, apresentado que fora aos soberanos por um dos maiores fidalgos da Corte, D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Menezes. Esse homem era ninguém menos que o 3º Marquês de Fontes, o mesmo que o havia recolhido à sua casa aquando da sua primeira estada em Portugal. Na Capital portuguesa o padre Bartolomeu Lourenço pediu patente ou "petição de privilégio" para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria ser, mais tarde, o que hoje se conhece por aeróstato ou balão –, a qual foi concedida no dia 19 de Abril de 1709. O fato causou celeuma na cidade e a notícia rapidamente se espalhou para alguns reinos europeus. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas que, em geral, o retratavam como uma barca com formato de pássaro, ficou conhecido como “Passarola”. Não só no além-fronteiras que o seu prestígio pelo seu saber deve ter aumentado imenso pois, em 1722, é nomeado fidalgo-capelão da casa real portuguesa.

A Passarola

A Passarola. (Pic: Jorge Barrios).
As primeiras ilustrações da Passarola haviam sido na verdade elaboradas pelo filho primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Meneses, com a conivência de Bartolomeu. O 8º Conde de Penaguião e futuro 2º Marquês de Abrantes contava 14 anos em 1709 e era, então, aluno de matemática do padre, sendo a única pessoa à qual ele permitia livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado. Como o rapaz vivesse assediado por curiosos, que constantemente lhe faziam indagações acerca da invenção, resolveu ele, para deixar de ser importunado, elaborar o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o b –, atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, que era então a resposta para quase todos os mistérios científicos. Esperava dessa maneira melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e ludibriar os bisbilhoteiros. Comunicou o plano a Bartolomeu, que o aprovou, e fingiu deixar o desenho escapar por descuido. A Passarola, inspirada ao que parece na fauna fabulosa de algumas lendas do Brasil, acabou sendo rapidamente copiada, logo se espalhando pela Europa em várias versões, para grande riso dos dois embusteiros.  Toda essa trama seria descoberta anos depois por um poeta italiano, Pier Jacopo Martello (1625 – 1727), e revelada por ele na edição de 1723 do livro “Versi e Prose”, em que fazia um longo e meticuloso histórico das tentativas do homem para voar, das mais antigas às mais recentes daquele tempo.

As experiências com balões

Em Agosto, finalmente, Bartolomeu Lourenço fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões construídos por ele: na primeira, realizada no dia 3 na Casa do Forte (Palácio Real), o protótipo utilizado pegou fogo antes de subir; na segunda, feita no dia 5 noutra dependência do palácio, a Casa Real, o aeróstato, provido no fundo duma tigela com álcool em combustão, se elevou a 4 metros, quando começou a arder ainda no ar, sendo imediatamente derrubado por dois serviçais armados de paus, receosos dum incêndio aos cortinados do recinto; na terceira, feita no dia 6 novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas se queimou no pouso; na quarta, feita no dia 7 no Terreiro do Paço (hoje Praça do Comércio), o balonete elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; na quinta, feita no dia 8 na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o globo subiu até o teto do aposento, aí se demorando, quando enfim desceu com suavidade. Em 3 de Outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de carregar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o aeróstato subiu alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem estrépito. Cinco testemunhas registraram essas experiências: o cardeal italiano Miquelângelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão Ferreira e José Soares da Silva, nomeados membros da Academia Real de História Portuguesa em 1720, o diplomata José da Cunha Brochado e o cronista Salvador Antônio Ferreira, portugueses. Em 1843 o escritor Francisco Freire de Carvalho disse haver tomado conhecimento, por intermédio de um ancião chamado Timóteo Lecussan Verdier, de uma outra experiência aerostática, assistida pelo diplomata português Bernardo Simões Pessoa, em que o balão partiu da Torre de São Roque e caiu junto à costa da Cotovia por detrás do jardim S. Pedro d’Alcântara. Segundo Carvalho, Verdier, por sua vez, assegurava que o relato da ascensão lhe fora transmitido pelo próprio Pessoa em tempos muito anteriores ao ano de 1783, quando dos primeiros voos de balões na França.  Lamentavelmente, todas essas experiências, embora assistidas por ilustres personalidades da sociedade portuguesa da época, não foram suficientes para a popularização do invento. Os pequenos balões exibidos, além de não haverem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controle - eram levados pelo vento -, foram considerados perigosos, pois podiam, como se vira, provocar incêndios. Esses fatores desestimularam a construção de um modelo grande, tripulável.

Bartolomeu Gusmão e a Inquisição

“Neste templo de São Romão martir repousam os
restos de Dom Bartolomeu Lourenço de Gusmão
presbítero português nascido na cidade de Santos- Brasil -
no ano de 1685, primeiro inventor do aérostato.
Faleceu nesta capital a 19 de novembro de 1724.
A cidade de Toledo dedica-lhe esta lembrança”. 

- Epitáfio no átrio da igreja de São Romão em Toledo.

Entre 1713 e 1716 viajou pela Europa. Em 1713 registrou na Holanda o invento de uma “máquina para a drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar” (patente que só veio a público em 2004 graças a pesquisas realizadas pelo arquivista e escritor brasileiro Rodrigo Moura Visboni). Viveu em Paris, trabalhando como ervanário para se sustentar, até que encontrou seu irmão Alexandre, secretário do embaixador de Portugal na França. O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, mas foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, foi obrigado a fugir para a Espanha, no final de Setembro de 1724, com um seu irmão mais novo, Frei João Álvares, pretendendo chegar à Inglaterra. Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu de Gusmão ter-se-ia convertido ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser considerado com cautela, mostra, segundo Joaquim Fernandes, aspectos místicos, messiânicos e megalômanos do “padre voador”. Em Toledo (Espanha), Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia daquela cidade, onde veio a falecer em 18 de Novembro de 1724, aos 38 anos. Antes de morrer, porém, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua tumba, o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e se encontra, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Curiosidades

Figura como uma das personagens centrais de “Memorial do Convento”, romance de José Saramago. Na obra, Bartolomeu de Gusmão é ajudado por Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas na construção da passarola.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_de_Gusmão