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Clepsidra moderna em Ilmenaux, Alemanha. (Imagem: Manecke). |
Clepsidra
ou relógio
de água
foi um dos primeiros sistemas criados pelo homem para medir o tempo.
Trata-se de um dispositivo movido a água, que funciona por
gravidade, no mesmo princípio da ampulheta
(de areia).
História
Egito
Nas
clepsidras de recipientes cilíndricos ou em forma de paralelepípedo,
com o passar do tempo, à medida que o nível caía, a pressão
também se reduzia, reduzindo a vazão da água, prejudicando a
linearidade da medição. Os antigos egípcios graduaram os
recipientes fonte e receptor para compensar essas diferenças e
também implementaram os recipientes em forma de cones, visando a
atenuar os problemas da pressão. Ainda assim, uma precisão muito
melhor não era obtida. A mais antiga clepsidra conhecida foi
descoberta em Karnak em 1904. O medidor de tempo é da era de
Amenófis
III,
aproximadamente de 1400 a.C. e está exposta no Museu
Egípcio do Cairo.
Tratava-se de um único recipiente com um orifício na base, pelo
qual saía a água. A medição dos intervalos de tempo era feita por
graduações nas paredes do recipiente. As primeiras clepsidras do
Egito Antigo datam da época de 1600 a.C., e sua precisão era da
ordem de 5 a 10 minutos.
Grécia
Alguns
exemplares foram identificados na Grécia antiga, (c. 500 a.C.). A
palavra "clepsidra"
vem do grego κλεψύδρα
(klepsydra),
retomado no Latim clepsydra.
Sua formação vem de duas palavras gregas, κλέπτειν
(kleptein),
[ocultar, roubar], e ὕδωρ,
ὕδατος
(hydôr,
hydatos),
[água]. Outros registros diversos de clepsidras ao longo da
história: Associa-se
a clepsidra a duas fontes gregas. Os textos acerca da clepsidra são
bastante numerosos. Pausânias
de Esparta
indica claramente a situação diante da gruta de Pan
e de Apolo,
ao pé das descida da Acrópole
de Atenas
e quase sob o Propileus
(Propileus
em
grego — Προπυλαια,
é a porta monumental que serve como a entrada para uma acrópole). O
viajante grego cita (IV, 31 et 33) uma outra fonte do nome
"clepsidra", situada na Acrópole do monte Ithome
e cuja água alimentava a fonte Arsinoe, na praça do mercado de
Messene:
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| Princípio da Clepsidra de Ctésibios. |
Em
Messene, a fonte Clepsidra (conforme Pausânias, a fonte em cujas
águas as ninfas Itome e Neda, que amamentaram Zeus, o lavaram
depois que os deuses Curetes salvaram Zeus da barbária de seu pai
Cronos (Saturno (mitologia), tempo) Essa é a água de Arsinoe
já citada. A fonte Clepsidra
fica no ponto mais baixo da estrada que vai ao santuário de Zeus'
Ithomatos,
bem próximo ao templo de Ártemis Laphria
.
Em
Atenas sob a Acrópole, a água da fonte Clepsidra
alimentava a enorme Clepsidra Torre
dos Ventos
- relógio Hidráulico da Ágora.
A
precisão da Clepsidra, para determinar com precisão o minuto do
nascimento, tendo em vista a construção de horóscopos, foi
criticada por Cláudio
Ptolomeu,
porque o fluxo da água pode se tornar irregular. Na Grécia antiga a
precisão da Clepsidra foi bastante melhorada por volta de 270 a.C.
Para que a variação de nível no recipiente fonte, o superior, não
causasse variação na vazão de saída, o inventor grego Ctesíbio
desenvolveu um sistema que mantinha o nível nível constante pelo
método de vasos
comunicantes
com um dreno
superior.
Galeria de imagens
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| Relógio d'água de padre Embriaco a palazzo Berardi. (Imagem: Lalupa). |
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| Relógio d'água em Villa Borhgese gardens, Roma, Itália. (Imagem: Karelj). |
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| The water clock on Southwold pier Suffolk. (Imagem: Keith Evans). |
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| Relógio d'água na frente da administração municipal de Luterbach. (Imagem: Blademaster88). |
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Relógio d'água em Yao SEIBU, Yao, Osaka, Japão. (Imagem:
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Oriente
Há
informações acerca de dispositivos que podem ser considerados como
clepsidras desde 2679 a.C., na China. Ali, o astrônomo Y.
Hang
inventou uma clepsidra que indicava os movimentos dos planetas (em
721). Em 1088, o engenheiro chinês Su
Song
fez construir uma clepsidra com mais de 10 metros de altura, em
Kaifeng.
Outros
Clepsidras
mais aperfeiçoadas vieram a ser feitas pelos árabes. Eram
instrumentos com função mais decorativa do que de medição do
tempo. Por exemplo, em 801, o califa de Bagdá, Harun
al-Rashid,
presenteou, por meio de seu embaixador e dois monges de Jerusalém,
uma clepsidra ao Imperador do Sacro Império Romano-Germânico,
Carlos
Magno.
Tratava-se de uma peça movida a vazão de água, feita em bronze
adamascado de ouro com um mostrador. Nas horas inteiras, uma
quantidade igual à hora em questão caía sobre uma campainha
(sineta), soando as horas. Nas horas doze, abriam-se doze pequenas
janelas e de cada uma delas saía a efígie de um cavaleiro.
Ao
final do século XIX, na França, havia uma sofisticada clepsidra de
mesa que consistia de um tambor metálico com eixo, dividido em
diversos compartimentos ou setores circulares, interligados por
pequenos furos. Esse tambor descia entre duas colunas verticais. Em
cada uma das duas pontas de eixo enrolava-se um cordão que ficava
suspenso no alto do conjunto. A água enchia um dos compartimentos
inicialmente, e sua vazão corria para o compartimento seguinte. Em
conjunto com o desbalanceamento do cilindro, proviam uma descida
lenta, de modo que a posição do tambor sobre a escala graduada
numa das colunas indicava as horas.
Usos
A
clepsidra foi utilizada ao longo da história para medir períodos
curtos, tais como:
A
duração de um discurso de defesa (justiça) na Grécia antiga;
A
duração dos turnos de guarda das legiões romanas;
A
duração de períodos curtos em experimentos, como no caso de
Galileu
Galilei
no estudo da queda de corpos em 1610;
Medição
do tempo à noite ou em condições meteorológicas que não
permitiam o uso de relógios de sol.
Características
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| Relógio d'água persa antigo. (Imagem: Maahmaah). |
Consiste
em dois recipientes, colocados em níveis diferentes: um na parte
superior contendo o líquido, e outro, na parte inferior, com uma
escala de níveis interna, inicialmente vazio. Através de uma
abertura parcialmente controlada no recipiente superior, o líquido
passa para o inferior, observando-se o tempo decorrido pela escala.
Este tipo de instrumento evoluiu tecnicamente de forma a permitir uma
medição do tempo com maior exatidão. Conforme desenvolvido por
Ctesíbio,
são utilizados três reservatórios (A, B, C). O reservatório A
contém uma maior quantidade de água e seu objetivo é alimentar
água ao reservatório B, cujo nível é mantido fixo por meio de um
alívio
(dito '"ladrão"), ou dreno
quase no topo do mesmo. A água em B flui continuamente por meio de
um orifício em sua base, indo para o recipiente C, o qual é
graduado para indicar o tempo decorrido. Essa vazão é constante,
pois o nível do recipiente B é constante. Mesmo com essa
significativa melhoria, tais relógios são ainda imprecisos, pois há
fatores que influem na duração do fluxo de água:
A
fabricação de uma Clepsidra exige muita precisão, em
especial no que se refere ao orifício para vazão de água.
Hoje
A
clepsidra é encontrada atualmente em funcionamento em poucos
lugares, como no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, no Shopping
Iguatemi. Há também clepsidras na Alemanha, nos estados de
Indianapolis e no Colorado (Estados Unidos), em Sydney (Austrália) e
dois na Colúmbia Britânica (Canadá).
Referências