| Henryk Sienkiewicz |
Henryk
Sienkiewicz. (Henryk
Adam Aleksander Pius Oszyk-Sienkiewicz).
Escritor polonês. Nasceu em Wola Okrzejska, Polônia, a 5 de
Maio de 1846, e, faleceu em Vevey, Suíça, a 15 de Novembro de 1916.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1905. É
considerado um dos mais brilhantes escritores da segunda metade do
século XIX. A sua obra mais conhecida é o clássico da literatura
também adaptado ao cinema “Quo Vadis”. *Depois de
estudos filosóficos, dedicou-se à literatura, vivendo em Varsóvia.
Fez ainda jornalismo e escreveu outros romances, em que narra as
lutas dos cossacos, turcos e suevos. De suas obras traduziram-se em
português, entre outras, além de “Quo Vadis?”, “O
Dilúvio”, “No Deserto e nas Selvas” e “A
Cruz e o Crescente”. É à qualidade épica dos seus
relatos que o autor deve o lugar que ocupa na história da
literatura, malgrado a relativa indigência intelectual e à falta de
maior penetração no significado dos eventos de que se ocupa. Deixou
uma trilogia de romances históricos em que descreve a luta da
Polônia contra os cossacos ucranianos, no século XVII: “Com
Fogo e Ferro”, “Dilúvio”, “Pan
Wolodyjowski”. Outras obras: “Sem Dogma”,
“A Família Polaniecki”.
Vida
| Estátua de Sienkiewicz, próximo à Villa Borghese em Roma. (Imagem: Muhammad). |
Iniciou
como periodista em 1869, realizando várias viagens entre 1876 e
1879, trabalhando nos Estados Unidos como enviado especial entre 1876
e 1878. Em 1882 foi nomeado diretor do periódico conservador Słowo.
Finalmente em 1885 fundou seu próprio periódico Krauss-Maffei
que durou apenas três anos. Não só se destacou pelos seus dotes
literários, mas também como um grande defensor da sua oprimida
pátria polaca. Sendo já um prestigioso jornalista e grande defensor
da causa da Polônia, enviou uma carta aberta a Guilherme II
na qual se opõe à germanização da Posnânia, atraindo a atenção
mundial sobre o futuro de seu país, que na época se encontrava
sobre o domínio da Rússia, Alemanha e Austro-Hungria. No início da
Primeira Guerra Mundial se encontrava na Suíça, onde formou,
juntamente com Ignacy Jan Paderewski, o comité para as
vítimas da guerra na Polônia. Especialista em questões sociais,
foi muito popular na sua época. Suas obras mais importantes se
referem aos problemas sociais dos camponeses e as classes baixas na
Polônia. Suas cinzas descansam na catedral de São João em
Varsóvia. As obras de Sienkiewicz, traduzidas para mais de quarenta
idiomas, o tornaram em um dos autores mais lidos do século XX.
Quo
Vadis (livro)
| Frontispício da primeira edição do livro, nos Estados Unidos. |
A
expressão “Quo vadis, Domine?” (Aonde vais,
Senhor?) provem de uma tradição cristã, registrada em livros
apócrifos, segundo a qual, Jesus apareceu a Pedro, que deixava Roma
para escapar à perseguição de Nero, e quando indagado pelo
apóstolo: “Aonde vais, Senhor?”, respondeu-lhe: “Já
que abandonas o meu povo, vou a Roma para ser crucificado, outra
vez”.
| Túmulo de Sienkiewicz. (Imagem: Krzysztof Dudzik (User:ToSter). |
Personagens históricos
- Nero: imperador romano. Além de descrevê-lo como um déspota sanguinário, o romance busca ridicularizar sua pretensão de ser um grande artista (músico e poeta), bajulado por sua corte de áulicos. Teria mandado incendiar Roma apenas para inspirar-se e compor um poema épico.
- Petrônio: patrício romano, poeta, epicurista e esteta, membro da corte de Nero, onde era tido como “árbitro da elegância”, por seus gostos e conduta refinados. Na obra, ele é tio de Marco Vinício.
- Tigelino: comandante (praefectus) da Guarda Pretoriana. Serviu a Nero e a Galba, mas suicidou-se quando Otão tornou-se imperador. No romance, é cúmplice das crueldades de Nero.
- Aulo Pláucio: comandou as forças romanas na conquista da Britania, à época do imperador Cláudio (Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus). No romance, é o pai adotivo de Lígia e, por ser cristão, torna-se uma das vítimas de Nero, após o Grande incêndio de Roma.
- Pompônia Grecina: esposa do general Aulo Pláucio. No livro, é a mãe adotiva de Lígia.
- Popeia Sabina: tornou-se a segunda esposa de Nero, após se divorciar de Otão (futuro imperador). É referida de modo contraditório pelos escritores antigos (Flávio Josefo a elogia e diz que ela era simpática ao Judaísmo). Foi morta por Nero que, em instante de cólera, chutou-lhe o ventre, quando estava grávida. No romance, é mostrada como uma mulher cruel, que planeja a morte espetacular de Lígia, à vista de Vinício, e acaba sendo estrangulada pelo marido-imperador.
- Claudia Acte: antiga amante de Nero, teria sido a grande paixão do imperador, que só não a desposou por veto da mãe, Agripina (Júlia Agripina Minor). Suetônio diz que ela foi um dos poucos que se manteve fiel a Nero e custeou seus funerais. Na obra, ela ajuda o imperador a se suicidar.
- Sêneca: filósofo romano, estóico, foi preceptor de Nero. Acusado de participar da Conspiração de Pisão, suicidou-se.
- Lucano: poeta romano, autor de “Farsália”. Era sobrinho de Sêneca e suicidou-se junto com seu tio.
- Pedro, apóstolo cristão. O romance reforça a tradição segundo a qual ele teria sido crucificado, de cabeça para baixo, na colina do Vaticano.
- Paulo, o grande edificador do Cristianismo. A tradição sustenta que teria sido executado em Roma, nesse tempo.
Personagens fictícios
- Ligia: Seu nome nativo era Calina. Natural da Lígia, vivia em Roma com refém do Estado, confiada à guarda da família do general Pláucio. Educada pelos país adotivos dentro do Cristianismo, enamora-se de Vinício, mas recusa-se a tornar-se sua amante. Sua conduta promove uma grande transformação no jovem patrício, levando-o à conversão.
- Marco Vinicio: patrício romano, comandante militar. Apaixona-se por Lígia e, por amor a ela, converte-se ao Cristianismo.
- Ursus (“Urbano”, após ser batizado): fiel servidor da mãe de Ligia, a quem promete, em seu leito de morte, proteger e defender a filha. Possui força física descomunal, porém é uma pessoa simplória e ingênua.
- Glaucus: médico cristão de ascendência grega. Sua mulher e filhos são vendidos como escravos por Chilón Chilonides. Por ser cristão, ele perdoa seu algoz.
- Eunice: escrava e amante de Petrônio que, por vontade própria, suicida-se junto com ele.
- Chilón Chilonides: filósofo grego ambicioso e desprovido de escrúpulos. Entre os cristãos apresenta-se como um deles, mas os delata a Nero, em troca de dinheiro.
Quo Vadis no Cinema
Adaptações
cinematográficas do romance de Sienkiewicz:
- Quo Vadis: filme francês (mudo) de 1902.
- Quo Vadis: filme italiano (mudo) de 1912.
- Quo Vadis: filme italiano (mudo) de 1925.
- Quo Vadis: filme estadunidense de 1951.
- Quo Vadis: filme italiano de 1985.
- Quo Vadis: filme polonês de 2001.
Referências