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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Alfred Binet e o Quociente de Inteligência (QI)


Alfred Binet
Alfred Binet. Nasceu em Nice, a 8 de Julho de 1857, e, faleceu em Paris, a 28 de Outubro de 1911. Binet foi um pedagogo e psicólogo francês que ficou conhecido por sua contribuição no campo da psicometria, sendo considerado o inventor do primeiro teste de inteligência, a base dos atuais testes de QI.


Biografia

Filho de um médico e uma pintora, Alfred Binet nasceu em 8 de Julho de 1857 em Nice. Seu pai e seu avô eram, ambos, médicos. Seus pais separaram-se quando ele ainda era criança, tendo sido criado pela mãe, madame Moina Binet. Em 1872, entrou para o Licée Louis-le-Grand, onde se formou em 1875. Inicialmente, estudou direito e recebeu a licenciatura em jurisprudência em 1878. Entretanto, não permaneceu na área jurídica, pois foi influenciado pelos estudos de Jean-Martin Charcot (1825-1893) e se dedicou integralmente aos estudos médico-científicos no hospital da Salpêtrière, em Paris. Por volta de 1880, passou a se interessar pela psicologia. Foi em 1894 que se licenciou em ciências naturais, não chegando a ser médico. Seu primeiro interesse foi a experimentação com métodos de associação de idéias, o associativismo, objeto de seu livro La Psychologie du Raisonnement (1886). Passou a trabalhar no laboratório de pesquisa de psicofisiologia da Sorbonne (1891) e foi nomeado seu diretor (1895), cargo que ocupou pelo resto da vida. Fundou o jornal L'Anne'e Psychologique (1895) para divulgar sua pesquisa e de seus associados. A partir de então procurou desenvolver testes de avaliação da inteligência e habilidades do indivíduo. Criou com grande engenhosidade procedimentos simples que podiam ser aplicados a estudantes nas escolas primárias, desenvolveu testes que utilizavam não mais que papel e lápis, figuras e objetos portáteis. Com Théodore Simon (1873-1961), desenvolveu as escalas de Binet-Simon, para medir a inteligência de crianças, nas quais introduziu o conceito de idade mental. Fundou a revista L'Année Psychologique (1895) e publicou "L'Étude expérimentale de l'intelligence" (1903), com base na observação das características mentais de suas duas filhas, e faleceu em 28 de Outubro (1911). em Paris. O uso que fez de pinturas, manchas de tinta, e outros recursos visuais levaram seus seguidores ao desenvolvimento dos testes projetivos, nos quais as conclusões são tiradas da interpretação que a pessoa faz do material visual apresentado.

Quociente de inteligência

Quociente de inteligência (abreviado para QI, de uso geral) é uma medida obtida por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito, em comparação ao seu grupo etário. A medida do QI é normalizada para que o seu valor médio seja de 100 e que tenha um determinado desvio-padrão, como 15.

História

Théodore Simon em Belo Horizonte (Brasil) em 1928.
Os testes de inteligência surgiram na China, no século V, e começaram a ser usados cientificamente na França, no século XX. Em 1905, Alfred Binet e o seu colega Theodore Simon criaram a Escala de Binet-Simon, usada para identificar estudantes que pudessem precisar de ajuda extra na sua aprendizagem escolar. Os autores da escala assumiram que os baixos resultados nos testes indicavam uma necessidade para uma maior intervenção dos professores no ensino destes alunos e não necessariamente que estes tivessem inabilidade de aprendizagem (ver comentários sobre isso em "Observações"). Esta opinião ainda é defendida por alguns autores modernos que não são de áreas psicométricas. No seu artigo New Methods for the Diagnosis of the Intellectual Level of Subnormals Binet relata:
Esta escala, propriamente falando, não permite a medida da inteligência, porque as qualidades intelectuais não são sobreponíveis e, portanto, não pode ser medido como superfícies lineares são medidos, mas são, pelo contrário, uma classificação, uma hierarquia entre as diversas inteligências, e para as necessidades da prática dessa classificação é equivalente a uma medida. Com prática,treino e, acima de tudo, método - escreveu Alfred Binet em 1909, podemos aprimorar nossa atenção, nossa memória, nosso julgamento, e literalmente nos tornamos mais inteligentes do que jamais fomos.
Em 1912, Wilhelm Stern propôs o termo “QI” (quociente de inteligência) para representar o nível mental, e introduziu os termos "idade mental" e "idade cronológica". Stern propôs que o QI fosse determinado pela divisão da idade mental pela idade cronológica. Assim uma criança com idade cronológica de 10 anos e nível mental de 8 anos teria QI 0,8, porque 8 / 10 = 0,8.
Em 1916, Lewis Madison Terman propôs multiplicar o QI por 100, a fim de eliminar a parte decimal: QI = 100 x IM / IC, em que IM = idade mental e IC = idade cronológica. Com esta fórmula, a criança do exemplo acima teria QI 80.
A classificação proposta por Lewis Terman era a seguinte:
  • QI acima de 140: Genialidade
  • 121 - 140: Inteligência muito acima da média
  • 110 - 120: Inteligência acima da média
  • 90 - 109: Inteligência normal (ou média)
  • 80 - 89: Embotamento
  • 70 - 79: Limítrofe
  • 50 - 69: Raciocínio Lento

Sendo assim, a fórmula exata do QI era: QI = \frac{Idade Mental}{Idade Cronologica} \times 100

Para determinar o Quociente de inteligência de uma pessoa Terman desenvolveu um teste que contém perguntas que iam desde problemas matemáticos até itens vocabulares, o qual pretendia apreender a "inteligência geral" (ver: inteligências múltiplas), uma habilidade mental inata que ele considerava tão mensurável quanto a altura ou o peso. Essa constante fundamental, que Terman chamava de um "dote original", não seriam alterada pela educação, pelo ambiente familiar ou pelo trabalho árduo. Lewis Madison Terman surpreendeu os Estados Unidos com seu teste. Ele lançou The Measurement of Intelligence, um livro que é metade manual de instruções e teste de QI, metade em prol dos testes universais. Seu pequeno teste, que uma criança poderia terminar em apenas cinquenta minutos, estava prestes a revolucionar o que os alunos aprendiam e a ideia que eles faziam de si mesmos. Poucas crianças norte-americanas passaram pelo sistema educacional nos últimos oitenta anos sem fazer o teste Stanfort-Binet ou alguns de seu concorrentes. O teste de Terman deu aos educadores dos Estados Unidos a primeira maneira simples, rápida, barata e aparentemente objetiva de "acompanhar" estudantes ou destiná-los a cursos diferentes, de acordo com suas habilidades. Em 1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, Terman ajudou a desenvolver testes para avaliar recrutas do Exército. Mais de 1,7 milhão de convocados se submeteu a esses exames, ampliando a disseminação dos testes de QI. O teste de QI fez de Terman um líder no fervilhante movimento para levarem testes do gênero para além das escolas e das bases militares. Os defensores da causa consideravam a inteligência a mais valiosa das qualidades humanas, e queriam testar cada crianças e cada adulto para determinar seus lugares na sociedade. Os "testadores de inteligência" - um grupo que incluiu muitos eugenistas - viam isso como uma ferramenta para engendrar uma nação mais segura, adequada e eficiente, uma meritocracia controlada por aqueles mais qualificados para liderá-la. Na visão que tinham de uma América nova e vibrante, resultados de QI ditariam não só que tipo de educação uma pessoa receberia, mas também que emprego ela poderia conseguir. As vagas mais importantes e recompensas em empresas, nas profissões liberais, nas universidades e no governo ficariam para cidadãos mais brilhantes. Pessoas com pontuação muito baixas - abaixo de 75, aproximadamente - seriam internadas e desencorajadas ou proibidas de terem filhos.
Walter Lippmann, 1914.
Testes de QI geraram críticas desde o início. Para o jornalista Walter Lippmann, os testadores de inteligência eram "o Esquadrão da Morte Psicológico", buscando um poder sem paralelo sobre o futuro de uma criança. Lippmann e Terman duelaram nas páginas da revista The Republic entre 1922 e 1923.
Eu odeio a insolência por trás da afirmação de que cinquenta minutos podem julgar e determinar a aptidão predestinada de um ser humano para a vida, escreveu Lippmann. Odeio a sensação de superioridade que ela cria, e a sensação de inferioridade que ela impõe.
Em uma réplica sarcástica Terman comparou Lippmann ao criacionista William Jennings Bryan e outros oponentes do progresso científico, atacando em seguida o estilo de escrita de Lippmann, ao classificá-lo como "verborrágico demais para ser citado ao pé da letra". Embora nunca tenha conseguido igualar a eloquência de Lippmann, no fim das contas Terman venceu a guerra: testes de inteligência continuaram a se espalhar. Em 1939, David Wechsler criou o primeiro teste de QI desenvolvido explicitamente para adultos, tendo abandonado o sistema da divisão da "idade mental" pela cronológica (método que não faria grande sentido para adultos). Em vez disso, os testes passaram a ser calibrados de forma a que o resultado médio fosse 100, com um desvio-padrão de 15.
Em 2005, o teste de QI mais usado no mundo foi o Raven Standard
Exemplo de uma Matriz de Raven. 
(Imagem: Jirah).
Progressive Matrices
. O teste individual mais usado é o WAIS-III. O teste de Q.I. individual mais administrado em pessoas de 6 a 16 anos é o WISC-III (Escala de Inteligência Wechler para Crianças), originalmente desenvolvido em 1949, revisado em 1974 (WISC-R), 1991 (WISC-III) e 2003 (WISC-IV). Tanto o WAIS quanto o WISC foram criados por David Wechsler. A última versão do WAIS consiste em 14 sub-testes destinados a avaliar diferentes faculdades cognitivas. O WISC é constituído por 13 sub-testes. Os sub-testes são subjetivamente estratificados em dois grupos: escala verbal e escala de execução (também chamada escala performática), contudo os estudos objetivos, baseados em análise fatorial, não oferecem respaldo à classificação subjetiva em vigor.
A classificação, originalmente proposta por Davis Wechsler era a seguinte:
  • QI acima de 130: super-dotação
  • 120 - 129: inteligência superior
  • 110 - 119: inteligência acima da média
  • 90 - 109: inteligência média
  • 80 - 89: embotamento ligeiro
  • 66 - 79: limítrofe
  • 51 - 65: debilidade ligeira
  • 36 - 50: debilidade moderada
  • 20 - 35: debilidade severa
  • QI abaixo de 20: debilidade profunda
Outro teste de Q.I. comumente utilizado em crianças é a escala de Bailey de desenvolvimento infantil.

As pontuações

As pontuações no teste de QI distribuem-se aproximadamente como uma distribuição normal, também conhecida como Gaussiana e popularmente conhecida como curva do sino. A Gaussiana é a mais simples e mais conhecida, embora não seja a mais apropriada para representação destas distribuições. Na maioria das vezes, é mais adequado usar uma Distribuição de Weibull (Ernst Hjalmar Waloddi Weibull) ou uma Gumbel (Emil Julius Gumbel), que se mostram mais aderentes aos dados empíricos. Em pontuações comparando as espécies, entre o homem e o animal, o animal com o maior Q.I. é o macaco, podendo ser testado com brincadeiras lógicas. Comparando os sexos, o homem possui um histórico favorável ao da mulher nos dados de Q.I. O que poderia contribuir neste quesito seria o fato do homem ser mais concebível que a mulher, podendo pensar com mais tranquilidade e raciocinando as situações com mais lógica.

Saúde e Q.I.

Acredita-se que pessoas com um Q.I. elevado têm menores índices de morbilidade e mortalidade, quando adultas. Também apresentam menos risco de sofrerem de desordens relacionadas ao estresse pós-traumático, depressão acentuada e esquizofrenia. Por outro lado, aumenta o risco de padecimento de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Existe uma grande possibilidade dessa correlação existir pelo fato de que pessoas com um Q.I. mais alto tem em média indicadores socioeconômicos maiores, possibilitando um acesso melhor à saúde e informação. Apesar de ser questionável esta tese do indicador socioeconômico visto que há estudos que dizem que a grande maioria dos gênios são pobres.

Eficiência

No começo dos anos 1920, Lewis Madison Terman deu início a um estudo maciço sobre crianças extraordinárias, que se estendeu por décadas a fio, batizado de Estudos Genéticos da Genialidade. Ele alegava que a maioria das crianças bem-sucedidas possuía genes de elite que as conduziam rumo ao sucesso por toda a vida. Para provar essa tese, começou a acompanhar quase 1.500 crianças californianas em idade escolar, identificadas através de testes de QI como " excepcionalmente superiores". Infelizmente, à medida que as crianças excepcionais de Terman amadureciam, se tornavam cada vez menos excepcionais. De fato, tornavam-se adultos mais saudáveis e bem-sucedidos do que a média norte-americana, mas muito poucos se revelavam geniais ou insuperáveis. Nenhuma delas ganhou o prêmio Nobel - como foi o caso de duas das crianças descartadas inicialmente nos testes. Nenhuma se tornou um músico de renome mundial - como duas das rejeitadas por Terman: Isaac Stern e Yehudi Menuhin. No fim das contas, o estudo épico de Terman sobre genialidade acabou se mostrando uma pesquisa sobre decepção. A frustração foi especialmente aguda em relação à nata do grupo de Terman - os 5,0% que fizeram 180 ou mais pontos de QI. A impressão que fica é a de que os indivíduos estudados que fizeram acima de 180 pontos não são tão extraordinários quanto o esperado, concluiu David Henry Feldman, da Universidade de Tufts, em uma avaliação do estudo feita em 1984:
Tem-se a sensação decepcionante de que eles poderiam ter ido mais longe na vida.
Reuven Feuerstein
Alguns anos depois, Feldman concluiu seu próprio estudo sobre seis crianças prodígio na música, na arte, no xadrez e na matemática. Nenhum dos seus objetos de pesquisa teve um desempenho extraordinário na vida adulta. Em sua pesquisa, Ellen Winner havia descoberto a mesma coisa . Em grande parte, as crianças talentosas, e até mesmo crianças prodígio, não se tornam grandes criadores na vida adulta, ela relatou. O psicopedagogo Reuven Feuerstein afirma que a inteligência pode ser "expandida". De acordo com sua Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural, todo o ser humano, mesmo considerado inapto para o aprendizado e em qualquer idade, pode desenvolver inteligência e adquirir a capacidade de aprender.

Cronologia biográfica

  • 1857: Nascimento de Alfred Binet em Nice, França.
  • 1872: Entrada para o Licée le-Grand.
  • 1875: Formou-se no Licée-le-Grand.
  • 1878: Licenciou-se em Direito (jurisprudência).
  • 1880: Publicação dos dois primeiros artigos sobre psicologia das sensações e das imagens, na Révue philosophique. Essa década testemunhou um poder de trabalho surpreendente, visando vários objetivos ao mesmo tempo
  • 1884: Casamento de Binet. Início dos estudos em ciências naturais e iniciação na experimentação, na Sorbonne.
  • 1885 e 1887: Nascimento das filhas de Binet (Madeleine(1885) e Alice (1887)). Desperta o interessa acerca da psicologia da criança e, em particular, a análise das diferenças individuais com relação ao patrimônio genético e à educação.
  • 1890: Conhece Henri Beaunis, então dirigente do Laboratório de Psicofisiologia da Sorbonne. Binet propõe a H. Beaunis colaborar no laboratório o que foi aceite.
  • 1892: estabelece seu primeiro contato com Théodore Simon que solicita os conselhos de Binet sobre a educação de crianças anormais das quais se encarrega. Forma-se assim, a dupla indissociável Binet-Simon.
  • 1894: marcado por diversidade de interesses, atividades e realizações:
    • Doutoramento em ciências com a tese sobre Sistema nervoso Subintestinal dos Insetos;
    • Fundação do periódico L'année psichologique;
    • Publicação de Psicologia dos Grandes Calculadores e Jogadores de Xadrez;
    • Em colaboração com Henri-Étienne Beaunis e outros pesquisadores do laboratório, publica Introdução à Psicologia Experimental e diversos outros artigos sobre questões relacionadas à psicopedagogia.
  • 1898: Início da participação na Sociedade Livre para o Estudo da Psicologia da Criança, criada por Ferdinand Buisson. Binet se tornou um dos principais entusiastas dessa sociedade.
  • 1904: com seu colaborador T. Simon, Binet sugere a criação de uma comissão ministerial com o objetivo de examinar dois problemas: o diagnóstico dos estados de retardo mental e a educação de crianças anormais.
  • 1905: Binet faz com que o centro de pesquisas situado em uma escola do bairro popular de Belleville, em Paris, seja reconhecido oficialmente como laboratório de pedagogia experimental.
  • 1906 e seguintes: foram dedicados principalmente à finalização de suas escalas métricas de avaliação da inteligência.
  • 1909 a 1910: Para atender a uma demanda do Ministério da Guerra, examina dezenas de soldados e aproveita para acrescentar ao seu teste o nível de adultos.
  • 1911: No dia seguinte a uma reunião da Sociedade Livre para o Estudo da Psicologia da Criança sofreu uma congestão cerebral e morreu algumas semanas depois, no dia 28 de Outubro de 1911, em Paris, aos 54 anos.
  • 1971: Sessenta anos mais tarde, no dia 5 de Junho de 1971, uma placa foi afixada no número 36 da Rue de la Grangeaux Belles, em Belleville. No fundo da sala onde ocorria a cerimônia de homenagem a Binet, estavam cerca de vinte idosos os quais tinham sido alunos que Binet examinou no começo do século.

 

Peças de teatro


Alfred Binet escreveu algumas peças de de teatro em colaboração com André de Lorde.
  • L'Obsession (A obsessão)
  • Une Leçon à la Salpêtrière (Uma Lição na Salpêtrière)
  • L'Horrible Expérience (A Horrível Experiência)

Referências

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Biografia de Allan Kardec


Allan Kardec. (Imagem: Fran6fran6).
Allan Kardec. (León Hippolyte Denizard Rivail). Fundador do espiritismo na França. Nasceu em Lyon a 03 de Outubro de 1804, faleceu em Paris a 31 de Março de 1869. Primeiros estudos em sua terra natal, depois na Suíça. Formou-se em Ciências e Letras e em Medicina, mas não exerceu a profissão. Foi professor de psicologia, astronomia, física e química. Tendo-se interessado pelos fenômenos do espírito, dedicou-se a estudá-los, influenciado por alguns amigos. Em 1857 publicou O Livro dos Espíritos, já assinando Allan Kardec, nome com que, segundo um médium, era ele designado ao tempo dos druidas. Em 1858, 1º de Janeiro, saiu o primeiro número da Revue Spirite, que ainda hoje se publica, sob sua inspiração. Deixou também: O Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno, etc.


Resumo


O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druídas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec". No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês (invertida) declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV. Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares".


Biografia

A juventude e a atividade pedagógica


Allan Kardec e sua esposa Amélie Boudet.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia. Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras. Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol. Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?". A 6 de Fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais. Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país. As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.

Das mesas girantes à Codificação


Praça Allan Kardec, Sorocaba, Brasil. 
(Imagem: Fran6fran6).
Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam. Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita. Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem. Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de Abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de Janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Os últimos anos
 
Túmulo de Allan Kardec em Paris.
(Imagem
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Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores através da Revista Espírita Ou Jornal de Estudos Psicológicos. Faleceu em Paris, a 31 de Março de 1869, aos 64 anos de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês. Em seu sepultamento, seu amigo, o astrônomo francês Camille Flammarion proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:
"Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!" 
(Camille Flammarion).

Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:



"Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade".


Obras:

Obras didáticas



O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:
Página de seu livro "Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública" (1828). 
(Imagem: Fran6fran6)
  • 1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
  • 1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
  • 1831 - Gramática Francesa Clássica
  • 1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
  • 1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
  • 1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
  • 1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
  • 1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
  • 1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas.

Diplomas obtidos


Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:
  • Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
  • Diploma da Sociedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
  • Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
  • Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
  • Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
  • Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
  • Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
  • Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
  • Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
  • Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.
Obras espíritas
 
As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:
Contracapa da versão de 1860 de O Livro dos Espíritos, a principal obra publicada por Kardec.
  • O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de Abril de 1857;
  • O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em Janeiro de 1861;
  • O Evangelho segundo o Espiritismo, em Abril de 1864;
  • O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em Agosto de 1865;
  • A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em Janeiro de 1868.
Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:
  • Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de Janeiro de 1858 a 1869;
  • O que é o Espiritismo? (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
  • Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
  • O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
  • Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).
Após o seu falecimento, viria à luz:
  • Obras Póstumas, em 1890.
Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:
  • O Principiante Espírita (pela editora O Pensamento)
  • A Obsessão (pela editora O Clarim).
Para fazer o download de livros de Allan Kardec em PDF, click nos links abaixo:

O Livro dos Espíritos (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Livro dos Médiuns (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Céu e o Inferno (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
A Gênese (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.



Leia Kardec para compreender Jesus


- JESUS E O CONSOLADOR - "E eu rogarei ao Pai e ele lhes dará outro CONSOLADOR, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vocês o conhecem, porque ele habita em vocês e com vocês estará. Não os deixarei órfãos, voltarei para vocês outros. Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele os guiará a toda verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e lhes anunciará as coisas que hão de vir!" (João, 14, 15, 16).
 
allan kardec - Esta predição, não há contestar, é uma das mais importantes,
Busto de Allan Kardec em Lyon.
(Imagem:
FFFFFF6 at fr.wikipedia)
do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que à eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora, desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo. Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos. Quando terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na época em que Jesus falava, os homens não se achavam em estado de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias e entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos morais, faziam-se mister conhecimentos que só o progresso das ciências facultaria e que tinham de ser obra do tempo e de muitas gerações. Se, portanto, o novo Messias tivesse vindo pouco tempo depois do Cristo, houvera encontrado o terreno ainda nas mesmas condições e não teria feito mais do que o próprio Cristo. Ora, desde aquela época até os nossos dias, nenhuma grande revelação se produziu que haja completado o Evangelho e elucidado suas partes obscuras, indício seguro de que o Enviado ainda não aparecera. Qual deverá ser esse enviado? Dizendo: "Pedirei a meu Pai e ele lhes enviará outro Consolador", Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, teria dito: "Voltarei para completar o que lhes tenho ensinado". Não só tal não disse, como acrescentou: "A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós." Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade. O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado, todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu Criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime dos Evangelhos: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz-se compreenda o que era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra. A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo Judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converte a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade . Dizendo a seus apóstolos: "Outro virá mais tarde, que lhes ensinará o que agora não posso ensinar", proclamava Jesus a necessidade da reencarnação. Como poderiam aqueles homens aproveitar do ensino mais completo que ulteriormente seria ministrado, como estariam aptos a compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente? Jesus houvera proferido uma coisa inconseqüente se, de acordo com a doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de ser homens novos, almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham vivido depois; que ainda hoje revivem , e plenamente justificada estará a promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contato do progresso
Selo dos Correios em homenagem ao centenário de seu falecimento (1969).
social, a inteligência deles pode presentemente comportar o que então não podia. Sem a reencarnação a promessa de Jesus fora ilusória. Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á responder que o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a inteligência, desenvolveu neles as aptidões mediúnicas destinadas a facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes ensinou além daquilo que Jesus já ensinara, porquanto no que deixaram, nenhum vestígio se encontra de um ensinamento especial. O Espírito Santo, pois, não realizou o que Jesus anunciara relativamente ao Consolador; a não ser assim, os apóstolos teriam elucidado o que, no Evangelho, permaneceu obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação contraditória deu origem às inúmeras seitas que dividiram o Cristianismo desde os primeiros séculos. (A GÊNESE, Cap. XVII, ítens 37 à 42). Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu - e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele; deve ser considerada produto de uma concepção humana. No sentido especial da fé religiosa, a revelação se diz mais particularmente das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos e cujo conhecimento lhe dão Deus ou seus mensageiros, quer por meio da palavra direta, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens predispostos, designados sob o nome de profetas ou messias, isto é, enviados ou missionários, incumbidos de transmiti-la aos homens. Considerada debaixo deste ponto de vista, a revelação implica a passividade absoluta e é aceita sem verificação, sem exame, nem discussão. O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra. Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único, Soberano Senhor e Orientador de todas coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra. O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem, depois da morte . O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consciência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas tem o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa-vontade. A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí está um caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio de pessoa alguma, ninguém, por conseqüência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi espalhada simultaneamente por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada pelo autor dos Atos dos Apóstolos: "Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os jovens terão visões e os velhos, sonhos." (Atos, cap. II, vs. 17-18) Ela não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação. Demais, se se considerar o poder moralizador do Espiritismo, pela finalidade que assina a todas as ações da vida, por tornar quase tangíveis as conseqüências do bem e do mal, pela força moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições, mediante inalterável confiança no futuro, pela idéia de ter cada um perto de si os seres a quem amou, a certeza de os rever, a possibilidade de confabular com eles; enfim, pela certeza de que tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência, sabedoria, moralidade, até a última hora da vida, não fica perdido, que tudo aproveita ao adiantamento do Espírito, reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador." (A GÊNESE, Cap. I, ítens 1,3,7,12,21,22,30,45 e 42).


Citações de Kardec


  • "A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática"
- (O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2)
  • "(...)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor.
- (Revista Espírita, 1861, pág. 297)
  • "As revoluções morais, como as sociais, se infiltram pouco a pouco nas idéias, germinam durante séculos, explodem de repente e fazem desabar o edifício apodrecido do passado, que não está mais em harmonia com as novas necessidades e aspirações"
- (O Livro dos Espíritos, Perg. 331)
  • "Há um elemento que não se ponderou o bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos"
- (O Livro dos Espíritos, item 685-a)
  • "O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso. Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados."
-A Gênese, p. 187
  • "Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO."
-O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap.: XV
  • "Nesse grande movimento regenerador, o Espiritismo tem um papel considerável, não o Espiritismo ridículo, inventado por uma crítica trocista, mas o Espiritismo filosófico, tal qual o compreende quem quer que se dê a pena de procurar a amêndoa dentro da casca. (...) Não diz Fora do Espiritismo não há salvação, mas, como Cristo, Fora da caridade não há salvação, princípio de união, de tolerância, que ligará os homens num sentimento comum de fraternidade, em vez de os dividir em seitas inimigas. Por este outro princípio, Não há fé inabalável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as idades da humanidade, destrói o império da fé cega, que aniquila a razão e da obediência passiva que embrutece; emancipa a inteligência do homem e levanta a sua moral."
- 1866
  • "Estais, pois, muito instados a ver os Espíritas colocados sobre a fogueira e lançados às feras! O que deve fazer supor que a boa vontade não vos faltaria se isso ocorresse ainda. Quereis, pois, a toda força elevar o Espiritismo à situação de uma religião! Notai bem que jamais ele teve essa pretensão; jamais se colocou como rival do Cristianismo, do qual declara ser o filho; que ele combate os seus mais cruéis inimigos: o ateísmo e o materialismo. Ainda uma vez, é uma filosofia repousando sobre as bases fundamentais de toda religião, e sobre a moral do Cristo; se renegasse o Cristianismo, se desmentiria, se suicidaria. São esses inimigos que o mostram como uma nova seita, que lhe dá sacerdotes e grandes sacerdotes. Gritarão tanto, e tão freqüentemente, que é uma religião, que se poderia acabar por nisto crer. É necessário ser uma religião para ter seus mártires?"
- Revista Espírita - 1862 - mês de Abril
  • "Para responder, desde agora e sumariamente, à questão formulada no título deste opúsculo, nós diremos que: O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações."
- O que é o Espiritismo
  • "Se a religião recusa caminhar com a ciência, a ciência avança sozinha."
- A Gênese
  • "Podem queimar livros, mas não se queimam idéias; as chamas das fogueiras as superexcitam, em vez de extingui-las. Ademais, as idéias estão no ar, e não há Pirineus bastante elevados para detê-las; e quando é grande e generosa uma idéia, encontra milhares de corações dispostos a almejá-la."
-Revista Espírita, novembro de 1861 - Paris (França)
-Comentário de Allan Kardec acerca do Auto de fé de Barcelona.
  • "Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as más inclinações"
- O evangelho segundo o espiritismo - Página 188, Allan Kardec, Júlio Abreu Filho, Allan Kardec - Editora Pensamento, 1963, ISBN 8531502497, 9788531502491 - 304 páginas
  • "Com o Espiritismo, a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral, que é sua consequência inevitável.".
- O Livro dos Espíritos - Página 358, Allan Kardec, Petit Editora e Distribuidor, 1999, ISBN 8572530371, 9788572530378 - 368 páginas
  • "A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana."
- O Evangelho Segundo o Espiritismo - Página 38, Allan Kardec - Petit Editora e Distribuidor, 1997, ISBN 8572530363, 9788572530361 - 317 páginas
  • "Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."
- O Evangelho Segundo o Espiritismo - Página 3, Allan Kardec - Petit Editora e Distribuidor, 1997, ISBN 8572530363, 9788572530361 - 317 páginas

Atribuídas

  • "Uma religião que não estivesse, em nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria a temer do progresso e seria uma religião invulnerável."
  • "Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe."
  • "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará."
  • "Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência de uma causa está na razão da grandeza do efeito."
  • "Os espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo - mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam."
  • "Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal elementos aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições."
  • "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a Lei."
  • "Os bons espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorar. Os espíritos inferiores, com os homens viciosos ou que podem viciar-se. Daí seu apego, resultante da semelhança de sensações."
  • "Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito."
- Allan Kardec citado em "Doutrina Espirita para Principiantes" - Página 136, Luis Raynaud Hu Rivas - EDICEI of America, 2009, ISBN 8598161993, 9788598161990 160 páginas
  • "Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea."
  • "Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado."
  • "Onde quer que as minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral"
  • "A educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral."
  • "A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se encontra."

Allan Kardec

Referências: