| Alfred Binet |
Alfred
Binet. Nasceu em Nice, a 8 de Julho de 1857, e, faleceu em Paris,
a 28 de Outubro de 1911. Binet foi um pedagogo e psicólogo francês
que ficou conhecido por sua contribuição no campo da psicometria,
sendo considerado o inventor do primeiro teste de inteligência,
a base dos atuais testes de QI.
Filho
de um médico e uma pintora, Alfred Binet nasceu em 8 de Julho de
1857 em Nice. Seu pai e seu avô eram, ambos, médicos. Seus pais
separaram-se quando ele ainda era criança, tendo sido criado pela
mãe, madame Moina Binet. Em 1872, entrou para o Licée
Louis-le-Grand, onde se formou em 1875. Inicialmente, estudou
direito e recebeu a licenciatura em jurisprudência em 1878.
Entretanto, não permaneceu na área jurídica, pois foi influenciado
pelos estudos de Jean-Martin Charcot (1825-1893) e se
dedicou integralmente aos estudos médico-científicos no hospital da
Salpêtrière, em Paris. Por volta de 1880, passou a se
interessar pela psicologia. Foi em 1894 que se licenciou em ciências
naturais, não chegando a ser médico. Seu primeiro interesse foi a
experimentação com métodos de associação de idéias, o
associativismo, objeto de seu livro La Psychologie du
Raisonnement (1886). Passou a trabalhar no laboratório de
pesquisa de psicofisiologia da Sorbonne (1891) e foi
nomeado seu diretor (1895), cargo que ocupou pelo resto da vida.
Fundou o jornal L'Anne'e Psychologique (1895) para
divulgar sua pesquisa e de seus associados. A partir de então
procurou desenvolver testes de avaliação da inteligência e
habilidades do indivíduo. Criou com grande engenhosidade
procedimentos simples que podiam ser aplicados a estudantes nas
escolas primárias, desenvolveu testes que utilizavam não mais que
papel e lápis, figuras e objetos portáteis. Com Théodore
Simon (1873-1961), desenvolveu as escalas de Binet-Simon,
para medir a inteligência de crianças, nas quais introduziu o
conceito de idade mental. Fundou a revista L'Année
Psychologique (1895) e publicou "L'Étude
expérimentale de l'intelligence" (1903), com base na
observação das características mentais de suas duas filhas, e
faleceu em 28 de Outubro (1911). em Paris. O uso que fez de pinturas,
manchas de tinta, e outros recursos visuais levaram seus seguidores
ao desenvolvimento dos testes projetivos, nos quais as conclusões
são tiradas da interpretação que a pessoa faz do material visual
apresentado.
Quociente
de inteligência
Quociente
de inteligência (abreviado
para QI, de
uso geral) é uma medida obtida por meio de testes desenvolvidos para
avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito, em
comparação ao seu grupo etário. A medida do QI é normalizada para
que o seu valor médio seja de 100 e que tenha um determinado
desvio-padrão, como 15.
História
| Théodore Simon em Belo Horizonte (Brasil) em 1928. |
Os
testes
de inteligência
surgiram na China, no século V, e começaram a ser usados
cientificamente na França, no século XX. Em
1905, Alfred
Binet
e o seu colega Theodore
Simon
criaram a Escala
de Binet-Simon,
usada para identificar estudantes que pudessem precisar de ajuda
extra na sua aprendizagem escolar. Os autores da escala assumiram que
os baixos resultados nos testes indicavam uma necessidade para uma
maior intervenção dos professores no ensino destes alunos e não
necessariamente que estes tivessem inabilidade de aprendizagem (ver
comentários sobre isso em "Observações"). Esta opinião
ainda é defendida por alguns autores modernos que não são de áreas
psicométricas. No seu artigo New
Methods for the Diagnosis of the Intellectual Level of Subnormals
Binet relata:
- Esta escala, propriamente falando, não permite a medida da inteligência, porque as qualidades intelectuais não são sobreponíveis e, portanto, não pode ser medido como superfícies lineares são medidos, mas são, pelo contrário, uma classificação, uma hierarquia entre as diversas inteligências, e para as necessidades da prática dessa classificação é equivalente a uma medida. Com prática,treino e, acima de tudo, método - escreveu Alfred Binet em 1909, podemos aprimorar nossa atenção, nossa memória, nosso julgamento, e literalmente nos tornamos mais inteligentes do que jamais fomos.
Em 1912, Wilhelm
Stern
propôs o termo “QI”
(quociente
de inteligência)
para representar o nível mental, e introduziu os termos "idade
mental"
e "idade
cronológica".
Stern propôs que o QI fosse determinado pela divisão da idade
mental pela idade cronológica. Assim uma criança com idade
cronológica de 10 anos e nível mental de 8 anos teria QI 0,8,
porque 8 / 10 = 0,8.
Em
1916, Lewis
Madison Terman
propôs
multiplicar o QI por 100, a fim de eliminar a parte decimal: QI = 100
x IM / IC, em que IM = idade mental e IC = idade cronológica. Com
esta fórmula, a criança do exemplo acima teria QI 80.
A
classificação proposta por Lewis Terman era a seguinte:
- QI acima de 140: Genialidade
- 121 - 140: Inteligência muito acima da média
- 110 - 120: Inteligência acima da média
- 90 - 109: Inteligência normal (ou média)
- 80 - 89: Embotamento
- 70 - 79: Limítrofe
- 50 - 69: Raciocínio Lento
Sendo
assim, a fórmula exata do QI era:

Para
determinar o Quociente de inteligência de uma pessoa Terman
desenvolveu um teste que contém perguntas que iam desde problemas
matemáticos até itens vocabulares, o qual pretendia apreender a
"inteligência geral" (ver:
inteligências múltiplas),
uma habilidade mental inata que ele considerava tão mensurável
quanto a altura ou o peso. Essa constante fundamental, que Terman
chamava de um "dote original", não seriam alterada pela
educação, pelo ambiente familiar ou pelo trabalho árduo. Lewis
Madison Terman surpreendeu os Estados Unidos com seu teste. Ele
lançou The
Measurement of Intelligence,
um livro que é metade manual de instruções e teste de QI, metade
em prol dos testes universais. Seu pequeno teste, que uma criança
poderia terminar em apenas cinquenta minutos, estava prestes a
revolucionar o que os alunos aprendiam e a ideia que eles faziam de
si mesmos. Poucas crianças norte-americanas passaram pelo sistema
educacional nos últimos oitenta anos sem fazer o teste
Stanfort-Binet
ou alguns de seu concorrentes. O teste de Terman deu aos educadores
dos Estados Unidos a primeira maneira simples, rápida, barata e
aparentemente objetiva de "acompanhar" estudantes ou
destiná-los a cursos diferentes, de acordo com suas habilidades. Em
1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial,
Terman ajudou a desenvolver testes para avaliar recrutas do Exército.
Mais de 1,7 milhão de convocados se submeteu a esses exames,
ampliando a disseminação dos testes de QI. O
teste de QI fez de Terman um líder no fervilhante movimento para
levarem testes do gênero para além das escolas e das bases
militares. Os defensores da causa consideravam a inteligência a mais
valiosa das qualidades humanas, e queriam testar cada crianças e
cada adulto para determinar seus lugares na sociedade. Os "testadores
de inteligência" - um grupo que incluiu muitos eugenistas -
viam isso como uma ferramenta para engendrar uma nação mais segura,
adequada e eficiente, uma meritocracia controlada por aqueles mais
qualificados para liderá-la. Na
visão que tinham de uma América nova e vibrante, resultados de QI
ditariam não só que tipo de educação uma pessoa receberia, mas
também que emprego ela poderia conseguir. As vagas mais importantes
e recompensas em empresas, nas profissões liberais, nas
universidades e no governo ficariam para cidadãos mais brilhantes.
Pessoas com pontuação muito baixas - abaixo de 75, aproximadamente
- seriam internadas e desencorajadas ou proibidas de terem filhos.
| Walter Lippmann, 1914. |
Testes
de QI geraram críticas desde o início. Para o jornalista Walter
Lippmann,
os testadores de inteligência eram "o Esquadrão da Morte
Psicológico", buscando um poder sem paralelo sobre o futuro de
uma criança. Lippmann e Terman duelaram nas páginas da revista The
Republic
entre 1922 e 1923.
- Eu odeio a insolência por trás da afirmação de que cinquenta minutos podem julgar e determinar a aptidão predestinada de um ser humano para a vida, escreveu Lippmann. Odeio a sensação de superioridade que ela cria, e a sensação de inferioridade que ela impõe.
Em uma réplica
sarcástica Terman comparou Lippmann ao criacionista William
Jennings Bryan
e outros oponentes do progresso científico, atacando em seguida o
estilo de escrita de Lippmann, ao classificá-lo como "verborrágico
demais para ser citado ao pé da letra". Embora nunca tenha
conseguido igualar a eloquência de Lippmann, no fim das contas
Terman venceu a guerra: testes de inteligência continuaram a se
espalhar. Em
1939, David
Wechsler
criou o primeiro teste de QI desenvolvido explicitamente para
adultos, tendo abandonado o sistema da divisão da "idade
mental" pela cronológica (método que não faria grande sentido
para adultos). Em vez disso, os testes passaram a ser calibrados de
forma a que o resultado médio fosse 100, com um desvio-padrão de
15.
Em
2005, o teste de QI mais usado no mundo foi o Raven
Standard
Progressive Matrices.
O teste individual mais usado é o WAIS-III.
O teste de Q.I. individual mais administrado em pessoas de 6 a 16
anos é o WISC-III
(Escala
de Inteligência Wechler para Crianças),
originalmente desenvolvido em 1949, revisado em 1974 (WISC-R), 1991
(WISC-III) e 2003 (WISC-IV). Tanto o WAIS quanto o WISC foram criados
por David Wechsler. A última versão do WAIS consiste em 14
sub-testes destinados a avaliar diferentes faculdades cognitivas. O
WISC é constituído por 13 sub-testes. Os sub-testes são
subjetivamente estratificados em dois grupos: escala verbal e escala
de execução (também chamada escala performática), contudo os
estudos objetivos, baseados em análise fatorial, não oferecem
respaldo à classificação subjetiva em vigor.
| Exemplo de uma Matriz de Raven. (Imagem: Jirah). |
A
classificação, originalmente proposta por Davis Wechsler era a
seguinte:
- QI acima de 130: super-dotação
- 120 - 129: inteligência superior
- 110 - 119: inteligência acima da média
- 90 - 109: inteligência média
- 80 - 89: embotamento ligeiro
- 66 - 79: limítrofe
- 51 - 65: debilidade ligeira
- 36 - 50: debilidade moderada
- 20 - 35: debilidade severa
- QI abaixo de 20: debilidade profunda
Outro
teste de Q.I. comumente utilizado em crianças é a escala de Bailey
de desenvolvimento infantil.
As pontuações
As
pontuações no teste de QI distribuem-se aproximadamente como uma
distribuição normal, também conhecida como Gaussiana
e popularmente conhecida como curva do sino.
A Gaussiana é a mais simples e mais conhecida, embora não seja a
mais apropriada para representação destas distribuições. Na
maioria das vezes, é mais adequado usar uma Distribuição de Weibull
(Ernst Hjalmar Waloddi Weibull) ou uma Gumbel (Emil Julius Gumbel),
que se mostram mais aderentes aos dados empíricos. Em pontuações
comparando as espécies, entre o homem e o animal, o animal com o
maior Q.I. é o macaco, podendo ser testado com brincadeiras lógicas.
Comparando os sexos, o homem possui um histórico favorável ao da
mulher nos dados de Q.I. O que poderia contribuir neste quesito seria
o fato do homem ser mais concebível que a mulher, podendo pensar com
mais tranquilidade e raciocinando as situações com mais lógica.
Acredita-se
que pessoas com um Q.I. elevado têm menores índices de morbilidade
e mortalidade, quando adultas. Também apresentam menos risco de
sofrerem de desordens relacionadas ao estresse pós-traumático,
depressão acentuada e esquizofrenia. Por outro lado, aumenta o risco
de padecimento de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Existe uma
grande possibilidade dessa correlação existir pelo fato de que
pessoas com um Q.I. mais alto tem em média indicadores
socioeconômicos maiores, possibilitando um acesso melhor à saúde e
informação. Apesar de ser questionável esta tese do indicador
socioeconômico visto que há estudos que dizem que a grande maioria
dos gênios são pobres.
No
começo dos anos 1920, Lewis Madison Terman deu início a um estudo
maciço sobre crianças extraordinárias, que se estendeu por décadas
a fio, batizado de Estudos Genéticos da Genialidade. Ele alegava que
a maioria das crianças bem-sucedidas possuía genes de elite que as
conduziam rumo ao sucesso por toda a vida. Para provar essa tese,
começou a acompanhar quase 1.500 crianças californianas em idade
escolar, identificadas através de testes de QI como "
excepcionalmente superiores". Infelizmente, à medida que as
crianças excepcionais de Terman amadureciam, se tornavam cada vez
menos excepcionais. De fato, tornavam-se adultos mais saudáveis e
bem-sucedidos do que a média norte-americana, mas muito poucos se
revelavam geniais ou insuperáveis. Nenhuma delas ganhou o prêmio
Nobel - como foi o caso de duas das crianças descartadas
inicialmente nos testes. Nenhuma se tornou um músico de renome
mundial - como duas das rejeitadas por Terman: Isaac
Stern
e Yehudi
Menuhin.
No fim das contas, o estudo épico de Terman sobre genialidade acabou
se mostrando uma pesquisa sobre decepção. A frustração foi
especialmente aguda em relação à nata do grupo de Terman - os 5,0%
que fizeram 180 ou mais pontos de QI. A
impressão que fica é a de que os indivíduos estudados que fizeram
acima de 180 pontos não são tão extraordinários quanto o
esperado,
concluiu David
Henry Feldman,
da Universidade de Tufts, em uma avaliação do estudo feita em 1984:
Tem-se
a sensação decepcionante de que eles poderiam ter ido mais longe na
vida.
| Reuven Feuerstein |
Alguns
anos depois, Feldman concluiu seu próprio estudo sobre seis crianças
prodígio na música, na arte, no xadrez e na matemática. Nenhum dos
seus objetos de pesquisa teve um desempenho extraordinário na vida
adulta. Em sua pesquisa, Ellen
Winner
havia descoberto a mesma coisa . Em
grande parte, as crianças talentosas, e até mesmo crianças
prodígio, não se tornam grandes criadores na vida adulta,
ela relatou. O psicopedagogo Reuven
Feuerstein
afirma que a inteligência pode ser "expandida". De acordo
com sua Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural, todo o ser
humano, mesmo considerado inapto para o aprendizado e em qualquer
idade, pode desenvolver inteligência e adquirir a capacidade de
aprender.
Cronologia biográfica
- 1857: Nascimento de Alfred Binet em Nice, França.
- 1872: Entrada para o Licée le-Grand.
- 1875: Formou-se no Licée-le-Grand.
- 1878: Licenciou-se em Direito (jurisprudência).
- 1880: Publicação dos dois primeiros artigos sobre psicologia das sensações e das imagens, na Révue philosophique. Essa década testemunhou um poder de trabalho surpreendente, visando vários objetivos ao mesmo tempo
- 1884: Casamento de Binet. Início dos estudos em ciências naturais e iniciação na experimentação, na Sorbonne.
- 1885 e 1887: Nascimento das filhas de Binet (Madeleine(1885) e Alice (1887)). Desperta o interessa acerca da psicologia da criança e, em particular, a análise das diferenças individuais com relação ao patrimônio genético e à educação.
- 1890: Conhece Henri Beaunis, então dirigente do Laboratório de Psicofisiologia da Sorbonne. Binet propõe a H. Beaunis colaborar no laboratório o que foi aceite.
- 1892: estabelece seu primeiro contato com Théodore Simon que solicita os conselhos de Binet sobre a educação de crianças anormais das quais se encarrega. Forma-se assim, a dupla indissociável Binet-Simon.
- 1894: marcado por diversidade de interesses, atividades e realizações:
- Doutoramento em ciências com a tese sobre Sistema nervoso Subintestinal dos Insetos;
- Fundação do periódico L'année psichologique;
- Publicação de Psicologia dos Grandes Calculadores e Jogadores de Xadrez;
- Em colaboração com Henri-Étienne Beaunis e outros pesquisadores do laboratório, publica Introdução à Psicologia Experimental e diversos outros artigos sobre questões relacionadas à psicopedagogia.
- 1898: Início da participação na Sociedade Livre para o Estudo da Psicologia da Criança, criada por Ferdinand Buisson. Binet se tornou um dos principais entusiastas dessa sociedade.
- 1904: com seu colaborador T. Simon, Binet sugere a criação de uma comissão ministerial com o objetivo de examinar dois problemas: o diagnóstico dos estados de retardo mental e a educação de crianças anormais.
- 1905: Binet faz com que o centro de pesquisas situado em uma escola do bairro popular de Belleville, em Paris, seja reconhecido oficialmente como laboratório de pedagogia experimental.
- 1906 e seguintes: foram dedicados principalmente à finalização de suas escalas métricas de avaliação da inteligência.
- 1909 a 1910: Para atender a uma demanda do Ministério da Guerra, examina dezenas de soldados e aproveita para acrescentar ao seu teste o nível de adultos.
- 1911: No dia seguinte a uma reunião da Sociedade Livre para o Estudo da Psicologia da Criança sofreu uma congestão cerebral e morreu algumas semanas depois, no dia 28 de Outubro de 1911, em Paris, aos 54 anos.
- 1971: Sessenta anos mais tarde, no dia 5 de Junho de 1971, uma placa foi afixada no número 36 da Rue de la Grangeaux Belles, em Belleville. No fundo da sala onde ocorria a cerimônia de homenagem a Binet, estavam cerca de vinte idosos os quais tinham sido alunos que Binet examinou no começo do século.
Peças de teatro
Alfred
Binet escreveu algumas peças de de teatro em colaboração com André
de Lorde.
- L'Obsession (A obsessão)
- Une Leçon à la Salpêtrière (Uma Lição na Salpêtrière)
- L'Horrible Expérience (A Horrível Experiência)