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| Retrato de Vlad III, datado por volta de 1560. |
Vlad
III. (Príncipe da Valáquia).
Nasceu em Sighișoara, c. 1431, e, faleceu em Bucareste, Dezembro de
1476. Vlad III, comumente conhecido como Vlad,
o Empalador
(em romeno: Vlad
Țepeș,
AFI: [ˈvlad ˈt͡sepeʃ]) ou Drácula,
foi príncipe (voivoda) da Valáquia por três vezes, governando a
região em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476. Historicamente, Vlad é
mais conhecido por sua política de independência em relação ao
Império
Otomano,
cujo expansionismo sofreu sua resistência, e pelas punições
excessivamente cruéis que impunha aos seus prisioneiros. É lembrado
por toda a região como um cavaleiro cristão que lutou contra o
expansionismo islâmico na Europa, e é um herói popular na Romênia
e na Moldávia ainda hoje. Ao mesmo tempo em que Vlad III se tornou
famoso por seu sadismo e sendo taxado de louco, era respeitado pelos
seus cidadãos como guerreiro, pela sua ferocidade contra os turcos e
como governante que não tolerava o crime entre os seus subordinados.
Durante o seu reinado, ergueu grandes mosteiros. Fora da Romênia, o
voivoda é célebre pelas atrocidades contra os seus inimigos, que
teriam sido a inspiração para o Conde
Drácula,
vampiro de Drácula,
romance de 1897 do escritor irlandês Bram
Stoker.
Após a invasão da Valáquia pela Hungria, em 1447 Vlad
II
e seu filho mais velho, Mircea,
foram assassinados. Em 1456 Vlad
Țepeș
regressou à região e retomou o controle das terras, assumindo
novamente o trono de Valáquia. Este retorno tardio de Vlad III teria
confundido os moradores da região, que pensaram ser Vlad II
retornando anos após a sua morte. Isso teria ajudado a criar a lenda
de sua imortalidade. Em 1462, Vlad Țepeș perdeu o trono para o seu
irmão Radu,
aliado dos turcos. Preso na Hungria até 1474, Vlad III morreu dois
anos depois, ainda tentando recuperar o trono de Valáquia. Vlad III
foi exilado das suas terras por um breve período em 1448, de 1456 a
1462 e por duas semanas no ano de sua morte em 1476.
Seu
sobrenome romeno, Draculea
(também grafado Drakulya),
usado para designar Vlad em diversos documentos, significa "filho
do dragão", uma referência a seu pai, Vlad
Dracul,
que recebeu este apelido de seus súditos após ter se juntado à
Ordem do Dragão uma ordem religiosa criada pelo sacro imperador
romano-germânico Sigismundo no ano de 1431. Dracul,
que vem do latim draco
("dragão"), significa "diabo" no romeno atual.
Seu apelido post-mortem
de Țepeș
("Empalador") teve origem em seu hábito de matar os
inimigos por meio do empalamento, uma prática popularizada por
diversos panfletos medievais na Transilvânia. Em turco era conhecido
como Kazıklı
(AFI: [kɑzɯkˈɫɯ]), Voyvoda
ou Kazıklı
Bey,
"Bey" ou "Príncipe Empalador".
O
trono de Valáquia (en romeno: Țara
Românească)
era hereditário, mas, não seguia a primogenitura. Os nobres tinham
o direito de escolher entre os membros da família real quem seria o
sucessor. A família real dos Basarab, fundada por Basarab,
o Grande
(1310-1352), dividiu-se por volta do final do século XIV. Os dois
clãs resultantes, rivais entre si, foram formados pelos descendentes
do Voivoda Dan e pelos descendentes do Voivoda Mircea I, também
conhecido como Mircea, o Velho (avô de Vlad III), ou, como era
conhecido no ocidente, Bruno
Vlad Brayner III.
Infância e
adolescência
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| Castelo de Bran. (Imagem: Adymark). |
Vlad
nasceu em 1431 na Transilvânia. Naquela época, o pai de Draculea,
Vlad
II,
estava exilado na Transilvânia. Vlad Dracul estava tentando
conseguir apoio para seu plano de destronar o príncipe regente da
Valáquia, do Clã Danesti, Alexandru I. A casa onde Draculea nasceu
ainda está de pé nos dias de hoje. Em 1431 estava localizada numa
próspera vizinhança cercada pelas casas de mercadores saxões e
magiares, e pelas casas dos nobres (Nota: essas casas geralmente eram
utilizadas quando os nobres ficavam na cidade, pois, os nobres
moravam no campo). Sabe-se pouco sobre os primeiros anos da vida de
Draculea. É sabido que ele teve um irmão mais velho chamado Mircea
e um irmão mais novo chamado Radu,
o Belo.
Sua educação primária foi deixada nas mãos de sua mãe, uma nobre
da Transilvânia, e de sua família. Sua educação real começou
quando, em 1436, seu pai conseguiu clamar para si o trono valaquiano,
matando seu príncipe rival do Clã Danesti, Alexandru I. Seu
treinamento foi o típico dado para os filhos da Nobreza pela Europa.
Seu primeiro tutor no aprendizado para a Cavalaria foi dado por um
guerreiro que lutou sob a bandeira de Enguerrand de Courcy na Batalha
de Nicópolis contra os Turcos. Draculea aprendeu tudo o que era
demandado a um Cavaleiro Cristão sobre guerra e paz.
Ascensão de
Vlad Dracul ao trono (1436-1442)
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| Castelo de Bran. (Imagem: Kosson). |
A
situação política na Valáquia continuou instável depois de Vlad
Dracul ascender ao trono em 1436. O poder dos Turcos estava crescendo
rapidamente enquanto cada um dos pequenos estados dos Bálcãs se
rendia ao massacre dos Otomanos. Ao mesmo tempo, o poder da Hungria
estava atingindo seu apogeu e o faria durante o tempo de João
Corvino
(Hunyadi János), o Cavaleiro Branco da Hungria, e seu filho, o rei
Matias
Corvino.
Qualquer príncipe da Valáquia teria que balancear suas políticas
precariamente entre esses dois poderosos países vizinhos. O príncipe
da Valáquia era oficialmente um subordinado ao rei da Hungria.
Também Vlad Dracul era um membro da Ordem do Dragão, tendo jurado
lutar contra os infiéis. Ao mesmo tempo, o poder dos Otomanos
parecia não poder ser detido. Mesmo no tempo do pai de Vlad II,
Mircea I, a Valáquia era forçada a pagar tributo ao Sultão. Vlad
foi forçado a renovar esse tributo e de 1436 - 1442 tentou
estabelecer um equilíbrio entre seus poderosos vizinhos. Em 1442
Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a
Transilvânia. Os Turcos foram vencidos e os vingativos húngaros,
sob o comando de João Corvino forçaram Dracul e sua família a
fugir da Valáquia. Corvino colocou um Danesti, Basarab II, no trono
valaquiano. Em 1443 Vlad II retomou o trono da Valáquia com suporte
dos Turcos, desde que ele assinasse um novo tratado com o Sultão que
incluiria não apenas o costumeiro tributo, além de outros favores.
Em 1444, para assegurar ao sultão de sua boa fé, Vlad mandou seus
dois filhos mais novos para Adrianopla como reféns. Draculea
permaneceu refém em Adrianopla até 1448.
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| Castelo de Bran. (Imagem: Ihorpa). |
Em
1444 o rei da Hungria, Ladislau
V, o Póstumo,
quebrou a paz e enviou o exército de Varna sob o comando de João
Corvino (Hunyadi János) num esforço para manter os turcos longe da
Europa. Corvino ordenou que Vlad II cumprisse seus deveres como
membro da Ordem do Dragão e súdito da Hungria e se juntasse à
cruzada contra os Turcos. O Papa absolveu Dracul do compromisso
Turco, mas, como político, ainda queria alguma coisa. Ao invés de
se unir às forças cristãs pessoalmente ele mandou seu filho mais
velho, Mircea. Talvez ele esperasse que o sultão poupasse seus
filhos mais novos se ele pessoalmente não se juntasse à cruzada. Os
resultados da Batalha de Varna são bem conhecidos. O exército
cristão foi completamente destruído nela. João Corvino conseguiu
escapar da batalha sob condições que acrescentaram pouca glória à
reputação dos Cavaleiros Brancos. Muitos, aparentemente incluindo
Mircea e seu pai, culparam Corvino pela covardia. Deste momento em
diante João Corvino foi amargamente hostil em relação a Vlad
Dracul e seu filho mais velho. Em 1447 Vlad
Dracul
foi assassinado juntamente com seu filho Mircea. Aparentemente Mircea
foi enterrado vivo pelos burgueses e mercadores de Targoviste.
Corvino colocou seu próprio candidato, um membro do clã Danesti, no
trono da Valáquia.
Ascensão de
Vlad Ţepeş ao trono (1448)
Em
1448 Draculea conseguiu assumir o trono valaquiano com o apoio turco.
Porém, em dois meses Corvino forçou Draculea a entregar o trono e
fugir para seu primo, o príncipe da Moldávia, enquanto Corvino mais
uma vez colocava Vladislav II no trono valaquiano. Draculea
permaneceu em exílio na Moldavia por três anos, até que o príncipe
Bogdan
II
da Moldávia foi assassinado em 1451. O tumulto resultante na
Moldávia forçou Draculea a fugir para a Transilvânia e buscar
proteção com o inimigo da sua família, Corvino. O tempo era ideal;
o fantoche de Corvino no trono valaquiano, Vladislov II, instituiu
uma política a favor da Turquia, e Corvino precisava de um homem
mais confiável na Valáquia. Consequentemente, Corvino aceitou a
aliança com o filho de seu velho inimigo e colocou-o como candidato
da Hungria para o trono da Valáquia. Draculea se tornou súdito de
Corvino e recebeu os antigos ducados da Transilvânia de seu pai,
Faragas e Almas. Draculea permaneceu na Transilvânia, sob a proteção
de Corvino, até 1456 esperando por uma oportunidade de retomar
Valáquia de seu rival. Em 1453 o mundo cristão se chocou com a
queda final da Constantinopla para os Otomanos. O Império Romano do
Leste que existiu desde o tempo de Constantino, o Grande e que por
mil anos protegeu o resto dos cristãos dos muçulmanos desapareceu
para sempre. Hunyiadi imediatamente planeou outro ataque contra os
Turcos.
Vlad Ţepeş
retorna ao trono (1456-1462)
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Castelo de Bran, antiga residência de Vlad III.
(Imagem: Pomponius). |
Em
1456 Corvino invadiu a Sérvia turca enquanto Draculea
simultaneamente invadiu a Valáquia. Na Batalha de Belgrado, Corvino
foi morto e seu exército vencido. Enquanto isso, Draculea conseguiu
sucesso em matar Vladislav II e tomando o trono da Valáquia, mas a
derrota de Corvino tornou a sua proteção por parte deste
questionável. Por um tempo ao menos Draculea foi forçado a apoiar
os Turcos enquanto solidificava sua posição. O reinado principal de
Draculea se estendeu de 1456 a 1462. Sua capital era a cidade de
Tirgoviste enquanto seu castelo foi erguido a uma certa distância
nas montanhas perto do rio Arges. A maior parte das atrocidades
associadas ao nome de Draculea tomaram lugar durantes esses anos. Foi
também durante esse tempo que ele lançou seu próprio ataque contra
os Turcos. Seu ataque foi relativamente bem sucedido inicialmente.
Suas habilidades como guerreiro e sua bem conhecida crueldade fizeram
dele um inimigo temido. Entretanto, ele recebeu pouco apoio do seu
senhor feudal, Matthius
Corvinus,
Rei da Hungria (filho de João Corvino) e os recursos valaquianos
eram muito limitados para alcançar algum sucesso contra o
conquistador da Constantinopla.
Vlad Tepes
aprisionado (1462-1474)
Os
Turcos finalmente foram bem sucedidos em forçar Draculea a fugir
para a Transilvânia em 1462. Foi reportado que a primeira esposa de
Draculea cometeu suicídio pulando das torres do castelo de Draculea
para as águas do rio Arges ao invés de se render aos Turcos.
Draculea fugiu pelas montanhas em direção à Transilvânia e apelou
para Matthius Corvinus por ajuda. Ao invés disso, o rei prendeu
Draculea e o aprisionou numa torre por 12 anos. Aparentemente seu
aprisionamento não foi nem um pouco oneroso. Ele foi capaz de
gradualmente ganhar as graças da monarquia húngara; tanto que ele
conseguiu se casar e tornar-se um membro da família real (algumas
fontes clamam que a segunda esposa de Draculea era na verdade a irmã
de Matthius Corvinus). A política a favor dos Turcos do irmão de
Draculea, Radu, o Belo, que foi o príncipe da Valáquia durante a
maior parte do tempo que Draculea foi prisioneiro, provavelmente foi
um fator importante na reabilitação de Draculea. Durante seu
aprisionamento Draculea também renunciou à fé Ortodoxa e adotou o
Catolicismo. É interessante notar que a narrativa russa dessas
histórias, normalmente favoráveis a Draculea, indicavam que mesmo
durante sua prisão Draculea não desistiu de seu passa-tempo
preferido: ele costumava capturar pássaros e camundongos que ele
torturava e mutilava - alguns eram decapitados, esfolados e soltos, e
muitos eram empalados em pequenas lanças.
Vlad Tepes volta
ao trono valaquiano, pela última vez (1476)
O
tempo exato do tempo de captura de Draculea é aberto para debates.
Os panfletos russos indicam que ele foi prisioneiro de 1462 até
1474. Entretanto, durante esse tempo Draculea se casou com um membro
da família real húngara e teve dois filhos que já tinham por volta
de dez anos quando ele reconquistou a Valáquia em 1476. McNally e
Florescu colocaram que o período de confinação de Draculea foi de
1462 a 1466. É pouco provável que um prisioneiro poderia se casar
com um membro da família real. Correspondência diplomática durante
o período em questão também parece apoiar a teoria de que o
período real do confinamento de Draculea foi relativamente pequeno.
Aparentemente nos anos entre sua libertação em 1474 quando ele
começou as preparações para a reconquista da Valáquia, Draculea
viveu com sua nova esposa na capital húngara. Uma anedota daquele
período conta que um capitão húngaro seguiu um ladrão dentro da
casa de Draculea. Quando Draculea descobriu os intrusos ele matou o
capitão ao invés do ladrão. Quando Draculea foi questionado sobre
suas atitudes pelo rei ele respondeu que um cavalheiro não se
apresenta a um grande governante sem as corretas introduções - se o
capitão tivesse seguido a etiqueta não teria sofrido a ira do
príncipe. Em 1476 Dracula mais uma vez estava pronto para atacar.
Draculea e o príncipe István
Báthory
invadiram a Valáquia com uma força mista de transilvanianos, alguns
burgueses valaquianos insatisfeitos e um contingente de moldávios
enviados pelo primo de Draculea, Príncipe Estêvão
, o Grande da Moldávia.
O irmão de Draculea, Radu, o Belo, havia morrido alguns anos antes e
substituído por um candidato ao trono apoiado pelos Turcos, Basarab,
o Velho, membro do clã Danesti. Enquanto o exército de Draculea se
aproximava, Basarab e sua corte fugiram, alguns buscando proteção
dos Turcos, outros para os abrigos das montanhas. Depois de colocarem
Draculea de volta ao trono Stephan Bathory e as outras forças de
Draculea voltaram à Transilvânia, deixando a posição tática de
Draculea muito enfraquecida. Draculea teve muito pouco tempo para
ganhar apoio antes de um grande exército turco invadisse a Valáquia
determinado a devolver o trono a Basarab. Aparentemente mesmo os
plebeus, cansados das depredações do empalador, abandonaram-no à
sua própria sorte. Draculea foi forçado a lutar contra os Turcos
com pequenas forças à sua disposição, algo em torno de menos de
quatro mil homens. Draculea foi morto em batalha contra os turcos
perto da pequena cidade de Bucareste em dezembro de 1476. Algumas
fontes indicam que ele foi assassinado por burgueses valaquianos
desleais quando ele estava prestes a varrer os Turcos do campo de
batalha. Outras fontes dizem que Draculea caiu vencido rodeado pelos
corpos dos leais guarda-costas (as tropas cedidas pelo Príncipe
István da Moldávia permaneceram com Draculea mesmo após István
Báthory ter voltado à Transilvânia). Outra versão é a de que
Draculea foi morto acidentalmente por um de seus próprios homens no
momento da vitória. O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos
e sua cabeça enviada à Constantinopla, onde o Sultão a manteve em
exposição em uma estaca como prova de que o Empalador estava morto.
Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha-monastério localizada perto de
Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não
encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o
mistério.
Invasão
otomana à Valáquia
A
Valáquia
é uma província histórica da Romênia, que por diversas vezes
esteve em luta contra as forças do Império
Otomano.
A Romênia era formada desde a Idade Média pelos principados da
Valáquia, da Moldávia e da Transilvânia. A Valáquia e a Moldávia
haviam sido conquistadas pelo Império Otomano nos séculos XV e XVI,
já a Transilvânia que havia caído sob o controle do Império
Húngaro no século XII também foi anexada pelo Império Otomano no
século XVI. Os otomanos desde o início do século XV tentaram
trazer a Valáquia sob o seu controle, tentando colocar seu próprio
candidato no trono. Consideravam a Valáquia como uma zona-tampão
entre eles e o Reino da Hungria e por um tributo anual não se
intrometiam em seus assuntos internos. Em 1462, o sultão otomano
Mehmed
II
decidiu invadir a Valáquia enfrentando as forças de Vlad III.
Em
1460, sob o reinado de Vlad III, o Empalador, a Valáquia se tornara
um país forte e sua economia havia se desenvolvido de modo a
assegurar sua capacidade de resistir aos muçulmanos. Vlad havia
tomado várias medidas de contenção contra os mercadores, sobretudo
os mercadores saxões, que segundo ele pensava, atrapalhavam o
comércio wallachiano. Anualmente, para evitar atritos com os turcos,
Vlad Draculea pagava tributo ao Sultão. Sete anos após a queda de
Constantinopla, a Valáquia continuava a ser uma área disputada. Na
época de Vlad
Dracul
(pai de Vlad Draculea) ela era uma área neutra, e o próprio Dracul
cuidava de fazer um jogo de apaziguamento entre os otomanos e os
húngaros. No mesmo ano de 1460 os Otomanos, bastante perspicazes,
começaram a assediar as fronteiras do reino de Vlad III.
Aparentemente ele ignorou tais atos até 1461, quando acorreu na
direção das fronteiras, após vários castelos já terem sido
tomados pelos otomanos. A paciência de Draculea havia se esgotado.
Maior mostra disso é o fato dele não só ter recuperado todos os
castelos, por meio de incursões que evitaram as emboscadas turcas,
como também avançou em território turco até a cidade de Giurgiu,
onde seus soldados entraram disfarçados de turcos. O resultado disso
foi a tomada da cidade e o empalamento dos sobreviventes. O próprio
Vlad Draculea descreve, segundo alguns documentos da época, que
matou cerca de 23.000 pessoas, sem contar os que foram mortos sem seu
testemunho, ou queimando dentro de suas casas.
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| Imagem de Mehmed II no século XV. |
Mais
tarde, em 1459, o sultão otomano Mehmed II mandou enviados para
instar Vlad a pagar um tributo tardio de 10.000 ducados e 500
recrutas para as forças otomanas. Vlad se recusou e matou os
enviados turcos sob o pretexto de que eles se recusaram a levantar
seus "chapéus" para ele, pregando seus turbantes em suas
cabeças. Em 1462, o Sultão decidiu invadir a Valáquia. As
atrocidades de Draculea contra as tropas turcas haviam sido a gota
d'água. Nesse momento, ele concebeu o plano de destronar Draculea e
colocar seu irmão mais novo, Radu, no seu lugar. Nas vésperas da
invasão, Draculea pedira reforços contra os turcos. Nenhum destes
reforços prometidos pelos países cristãos que eram inimigos dos
turcos, de fato, foi enviado. Draculea teria que enfrentar, com
apenas 30.000 soldados, uma força de cerca de 60.000 soldados
turcos.
O primeiro
embate entre wallachianos e turcos
A
invasão foi feita pela travessia do rio Danúbio, que dividia os
territórios de ambos os adversários. Após atravessá-lo, os turcos
tiveram seu primeiro contato com as tropas de Draculea. Inesperado ou
não, o ataque de Draculea foi muito bem empregado, e ele aproveitou
ao máximo as condições do terreno que lhe eram favoráveis. Assim
que um certo contingente havia descido dos navios, a cavalaria
ligeira de Draculea os atacou, na tentativa de impedi-los de
estabelecer uma cabeça-de-ponte. Mesmo com todas as vantagens
táticas, Draculea foi forçado a recuar para dentro do país. Isso
por que no calor da batalha, o Sultão convocara sua tropa de
janízaros, que, após algumas tentativas, conseguiu estabelecer um
ponto de desembarque de sua artilharia. A cavalaria de Draculea não
era páreo para os canhões otomanos. Draculea se retirou após
infligir pesadas baixas no lado otomano.
Vlad
Draculea sabia que nunca poderia enfrentar o exército otomano em uma
batalha em campo aberto. Além disso, ele sabia que não poderia
arriscar outro tipo de estratégia contra os canhões turcos sem
comprometer seu próprio exército, quiçá, destruí-lo. Draculea,
aliás, sabia exatamente o que fazer. Nos dias posteriores seriam
dias negros para as tropas otomanas recém chegadas. Draculea, com
grande resolução, estava disposto a tornar o nome da Wallachia em
um nome de uma terra calcinada pela sua tática mais brilhante: a
tática de terra arrasada. Após se retirar para dentro da Wallachia,
Draculea iniciou sua tática: queimou plantações, envenenou fontes
e suprimentos de água. Isso impediria em muito o avanço dos turcos
pelo território, já que as tropas medievais não recebiam apoio
logístico. Os turcos sabiam que poderiam passar fome, já que a
comida se tornaria escassa. A reputação de Draculea também
contribuía para alimentar os temores dos turcos. Durante o dia, o
clima valáquio (quente e incómodo) trazia aos turcos uma mostra de
que a caminhada seria árdua. Durante a noite, o Líder Wallachiano
comandava pequenas incursões às fileiras turcas, que eram
geralmente bem sucedidas em seu objetivo: surpreender e matar um bom
número de inimigos, antes de partir com poucas baixas, senão
nenhuma. O estress gerado pela necessidade de estar alerta durante
longos períodos de tempo, causava uma fadiga muito grande nas
tropas. Estas táticas de guerrilha permitiram a Draculea reunir um
contingente de cerca de 10.000 homens a cavalo em uma floresta nos
arredores da capital, Tirgoviste. No dia 17 de Junho de 1462, as
tropas turcas acamparam nas proximidades. Draculea conseguira
informações importantes sobre as defesas e organização do
acampamento por meio de prisioneiros que torturara. Assim, durante a
noite, ele liderou pessoalmente um ataque ao acampamento do Sultão,
visando sua captura (provavelmente para forçar o retrocesso das
tropas). A cavalaria de Draculea irrompeu pelo acampamento otomano, e
deu contra as tropas asiáticas, desbaratando-as. Os soldados se
mantinham em fileiras cerradas. Draculea procurou e identificou a
tenda que supostamente seria a do Sultão. Sua cavalaria se abateu
sobre ela, e os seus defensores conseguiram mantê-la por certo
tempo. Depois de muitos ataques, descobriu-se que a tenda do sultão
era outra. Porém, já era tarde demais: os janízaros já haviam se
agrupado em torno de tenda certa, e eram praticamente inexpugnáveis.
Draculea recuou novamente, antes que o resto dos soldados entrasse em
ação. A popularidade do Sultão Mehmet II ficou abalada desde
então, pois, ele fugira do acampamento e só retornara pela manhã.
Os números das baixas variam de 7.000 a 50.000, obviamente um
exagero. O ataque de Vlad tinha sido mal-sucedido, porém, ele já
havia preparado uma outra estratégia ainda mais perturbadora.
Durante
a marcha para a capital, os turcos nada imaginavam a respeito do que
os esperava. Em uma faixa de terra de cerca de 3km por 1km, Draculea
mandara empalar cerca de 20.000 pessoas, boa parte prisioneiros
turcos. Ao avistar aquela paisagem terrível, os turcos receberam um
choque que nunca iriam esquecer. A retirada foi ordenada
imediatamente. A cavalaria de Draculea ainda sim não cessou seus
assédios até ver os turcos passarem pela fronteira.
Mesmo
com a derrocada turca, o sultão permitiu que Radu permanecesse em
território Wallachiano com um pequeno contingente. Ele pretendia
mexer com a mesma arma que Draculea conhecia bem, que era o medo.
Porém, desta vez, para destronar o irmão, ele recorreu à própria
população Wallachiana. É fato que a população estava cansada de
guerras. Os últimos vinte anos haviam se passado sob a sombra
inexorável da guerra, além da figura reinante na Wallachia. Os
boiardos, que eram a aristocracia wallachiana, também apoiaram Radu
contra o seu irmão, isso por que haviam sido maltratados e
perseguidos por ele no início de seu reinado. Houve uma guerra civil
entre Radu e Draculea, de onde Draculea saiu perdedor. Um ano após o
início da guerra civil, Draculea se retirava para um castelo no alto
dos Montes Cárpatos. Radu perseguiu o irmão até que isso
provocasse o suicídio da esposa de Draculea, por que esta preferira
saltar da torre do castelo, a ser humilhada pela captura. Nos anos
seguintes, Draculea forjaria novamente seus planos de retornar para a
Valáquia e para o trono que acreditava ser seu por direito.
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Castelo de Bran, Romênia: vista panorâmica.
(Imagem: Huffer). |
O
Castelo
de Bran,
localizado próximo de Bran (na vizinhança da cidade de Brașov, no
condado com o mesmo nome), é um monumento nacional e marco histórico
da Romênia. A fortaleza situa-se na fronteira entre a Transilvânia
e a Valáquia, pela estrada 73, encravado na floresta no sopé dos
Cárpatos. Conhecido habitualmente como o "Castelo
do Drácula",
é promovido como a residência da personagem que dá título ao
Drácula
de Bram
Stoker,
obra que conduziu à persistência do mito de que este castelo terá
servido, em tempos, de residência ao Príncipe Vlad Tepes,
governador da Valáquia. Atualmente, o castelo alberga um museu
aberto ao público, exibindo peças de arte e mobiliário
colecionados pela Rainha
Maria.
Os turistas podem ver o interior em visitas livres ou guiadas. Ao
fundo da colina situa-se um pequeno parque museu ao ar livre, o qual
exibe estruturas camponesas tradicionais da Romênia, como cabanas e
celeiros, representando todo o país.
História
Cerca de 1212, os
cavaleiros da Ordem Teutônica construíram o castelo de madeira de
Dietrichstein
como uma posição fortificada na região de Ţara Bârsei, à
entrada do vale pelo qual os mercadores haviam viajado por mais dum
milênio, embora este edifício tenha sido destruído, em 1242,
durante a Invasão mongol da Europa. O primeiro documento que
menciona o Castelo de Bran é um ato emitido por Luís I da Hungria,
datado de 19 de Novembro de 1377, pelo qual o rei concedia aos saxões
de Kronstadt (Braşov) o privilégio de construir a cidadela de
pedra; a instalação de Bran começou a desenvolver-se na
vizinhança. O castelo começou por ser usado na defesa contra o
Império Otomano em 1378, e mais tarde tornou-se um posto aduaneiro
no passo de montanha entre a Transilvânia e a Valáquia. O castelo
pertenceu, por um curto período, a Mircea I da Valáquia. O príncipe
Vlad Tepes, apelidado de "o Empalador", que serviu como
inspiração histórica para o personagem
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| Castelo de Bran, Romênia: passagem secreta ligando o primeiro andar ao terceiro. (Imagem: Alessio Damato). |
principal do romance
Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, utilizou em várias
ocasiões este castelo com fins militares durante o seu reinado, no
século XV. Acredita-se que Vlad Ţepeş tenha passado dias fechado
nas masmorras enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia. A
associação a este governante, aliada às suas torres pontiagudas e
à sua localização remota, tem rendido fama ao castelo, uma vez que
o local constitui um cenário perfeito para um filme de terror. A
partir de 1920, o castelo tornou-se numa residência real do Reino da
Romênia. Foi a residência principal da Rainha Maria da Romênia,
sendo amplamente decorado com artefatos da sua época, incluindo
mobiliário tradicional e tapeçarias que ela colecionou para
destacar o artesanato e as habilidades romenas. À sua morte,
ocorrida em 1938, o castelo foi herdado pela sua filha, a Princesa
Ileana da Romênia. Em 1948, já depois do final da Segunda Guerra
Mundial e da expulsão da família real da Casa de
Hohenzollern-Sigmaringen, o castelo foi ocupado e nacionalizado pelo
regime comunista, tendo sido transformado em museu. Em 2005, o
governo romeno fez passar uma lei especial que permitia a restituição
dos bens ocupados pelo governo comunista em 1948, como o Castelo de
Bran, aos seus legítimos proprietários. No dia 26 de Maio de 2006,
a Roménia, agora um estado membro da União Europeia, devolveu a
posse do castelo ao Arquiduque Dominic da Áustria, Príncipe da
Toscânia, conhecido como Dominic
von Habsburg,
um arquiteto a residir no Estado de Nova York e filho e herdeiro da
Princesa Ileana. Conforme um acordo com o Ministério da Cultura
romeno, o Castelo de Bran, o segundo edifício mais visitado pelos
turistas do país, logo a seguir ao Castelo de Peles, deverá
conservar as funções de museu até 2009. Em 2007, Dominic von
Habsburg colocou o castelo à venda (avaliado pela revista
norte-americana Forbes em cento e quarenta milhões de dólares, que
o considera como o segundo imóvel mais caro do mundo à venda no
mercado), pelo preço de 40 milhões de libras (78 milhões de
dólares). No dia 2 de Julho de 2007, Michael Gardner, Presidente e
Chefe Executivo da Baytree Capital, a firma de investimento
nova-iorquina escolhida para criar um plano para o castelo e
vendê-lo, previu que poderia vendê-lo por mais de 135 milhões de
dólares, mas acrescentou que Dominic von Habsburg só o venderia a
um comprador "que trate a propriedade e a sua história com o
respeito apropriado". Em Setembro de 2007, um comité de
investigação do Parlamento da Roménia declarou que a devolução
do castelo a Dominic von Habsburg era ilegal, uma vez que violava o
direito romeno de propriedade e sucessão.
No entanto, em Outubro do mesmo ano, o Tribunal Constitucional da
Roménia rejeitou a petição parlamentar na matéria.
Adicionalmente, uma comissão de investigação do governo romeno
emitiu uma decisão, em Dezembro, reafirmando a validade e legalidade
dos procedimentos de restituição, confirmando que a devolução era
feita em total conformidade com a lei.
Referências