| Platão. (Imagem: Marie-Lan Nguyen). |
Platão.
(em grego antigo: Πλάτων,
transliteração Plátōn,
"amplo"). Nasceu em Atenas, 428/427 e faleceu também em Atenas, 348/347 a.C.. Platão foi um
filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga,
autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em
Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo
ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo,
Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia
natural, da ciência e da filosofia ocidental. Acredita-se que seu
nome verdadeiro tenha sido Arístocles.
| Platão, por José de Ribera, 1637. |
| Platão, de Paolo Veronese, 1560s. |
Após
o término da guerra em Atenas, cerca de 404, auxiliado pelo reinado
espartano vitorioso, o terror da Tirania dos Trinta começou, o que
incluía parentes de Platão: o primo e o irmão de sua mãe, Crítias
e Cármides, participaram do governo, ele foi convidado a participar
da vida política, mas recusou porque considerou o então regime
criminoso. Mas, a situação política após a restauração da
democracia ateniense em 403 também o desagradou, um ponto de viragem
na vida de Platão foi a execução de Sócrates
em 399, que o abalou profundamente, ele avaliou a ação do Estado
contra seu professor, como uma expressão de depravação moral e
evidência de um defeito fundamental no sistema político. Ele viu em
Atenas a possibilidade e a necessidade de uma maior participação
filosófica na vida política e tornou-se um crítico agudo. Essas
experiências levaram-no a aprovar a demanda por um estado governado
por filósofos. Depois de 399, Platão foi para Megara com
alguns outros socráticos, como hóspedes de Euclides
(provavelmente para evitar possíveis perseguições que lhe poderiam
sobrevir pelo fato de ter feito parte do círculo socrático).
Diógenes Laércio conta "foi a Cirene, juntar-se a Teodoro,
o matemático, depois à Itália, com os pitagóricos Filolau
e Eurito. E daí para o Egito, avistar-se com os
profetas, ele tinha decidido encontrar-se também com os magos, mas a
guerras da Ásia o fez renunciar a isso", é posto em
dúvida se Platão foi mesmo ao Egito, há evidências de que a
estadia foi inventada no Egito, para aproximar Platão à tradição
de sabedoria egípcia.
Por
volta de 388 Platão empreendeu sua primeira viagem para a Sicília.
Em Taranto, Platão conheceu os pitagóricos,
e o mais proeminentes e politicamente bem sucedido entre eles o
estadista Arquitas
que o hospedou e protegeu, a mais famosa fonte da história do
resgate de Platão por Arquitas está na Sétima
Carta, onde Platão
descreve seu envolvimento nos incidentes de seu amigo Dion
de Siracusa e Dionísio
I, o tirano de Siracusa,
Platão esperava influenciar o tirano sobre o ideal do rei-filósofo
(exposto em Górgias,
anterior à sua viagem), mas logo entrou em conflito com o tirano e
sua corte, mesmo assim cultivou grande amizade com Dion, parente do
tirano, a quem pensou que este pudesse ser um discípulo capaz de se
tornar um rei-filósofo. Dionísio I se irritou tanto com Platão a
ponto de vendê-lo como escravo a um embaixador espartano de Egina,
felizmente tendo sido resgatado por Anicérides de
Cirene, que estava em
Egina, ou ainda, o navio em que retornava foi capturado por
espartanos o que o fez ser mantido como um escravo. Este
relatos sobre a primeira estadia em Siracusa são em grande parte
controversos, os historiadores tradicionais consideram os detalhes do
encontro entre Platão e o tirano e posterior ruptura com ceticismo.
Em todo caso, Platão teve contato com Dionísio e o resultado foi
desfavorável para o filósofo já que sua sinceridade parece ter
irritado o governante.
| A Academia de Platão em Atenas Mosaico em Pompéia, ca. século I. |
Em 366/367, com a
morte de Dionísio I e encorajado por Dion, Platão
transmite a direção da Academia a Eudóxio e retorna
à Sicília. O velho Dionísio morrera em 367, logo após ter sabido
que sua peça O Resgate de Heitor, tinha recebido o
primeiro prêmio no festival das Lenaias em Atenas. Seu filho
Dionísio II sucedeu-lhe o trono e Dion era seu
conselheiro. Dion teve trabalho em convencer Platão a voltar para
Siracusa, ele insistiu com argumentos como a paixão do jovem tirano
pela filosofia e educação e que a morte do velho tirano poderia ser
o "destino divino" necessário para que enfim se realizasse
a felicidade de um povo livre sob boas leis. Platão por fim,
embarcou em 366, para sua segunda viagem à Sicília. No início a
influência de Platão sobre Dionísio II teve algum progresso, mas
pouco durou, o jovem era um pouco rude e não possuía o vigor mental
para aguentar um prolongado tratamento educacional, além de ser,
pessoalmente desagradável. Invejoso da influência de Dion e de sua
amizade com Platão, o obrigou a se exiliar, Platão então regressou
a Atenas.
| Platão, Academia de Atenas. |
Ao regressar em
360, Platão voltou a ensinar e escrever na Academia permanecendo
como um autor ativo até o fim da vida em 348/347 a.C. aos oitenta
anos de idade; conta-se que fora sepultado no terreno da Academia,
para dentro do muro de demarcação da propriedade, ou ainda no
jardim da Academia. Com sua morte a academia passou a ser dirigida
por Espeusipo forte simpatizante do aspecto matemático
da filosofia de Platão.
| Parte de P.Oxy. LII 3679, com trecho da República, de Platão. |
Todas as obras de
Platão que eram conhecidos na Antiguidade foram preservadas, com
exceção da palestra sobre o bem, a partir do qual houve um
pós-escrito de Aristóteles, se encontra perdida. Há também obras
que foram distribuídas sob o nome de Platão, mas possivelmente ou
definitivamente não são genuínas, elas também pertencem ao Corpus
Platonicum (o conjunto das obras
tradicionalmente atribuída a Platão), apesar de sua falsidade ser
reconhecida mesmo nos tempos antigos. Um total de 47 obras são
reconhecidas por terem sido escritas por Platão ou para o qual ele
tomado como o autor. O Corpus Platonicum
é constituído de diálogos (incluindo Crítias
de final inacabado), a Apologia de
Sócrates, uma coleção de 13 cartas e
uma coleção de definições, o Horoi.
Fora do corpus há uma
coleção de dieresis,
mais duas cartas, 32 epigramas e um fragmento de poema (7 hexâmetros)
que com exceção de uma parte desses poemas, não são obras de
Platão. É importante notar que na Antiguidade, vários diálogos
considerados como falsamente atribuídos a Platão eram considerados
genuínos, e alguns desses fazem parte do Canon
de Trásilo, um
filósofo e astrólogo alexandrino que serviu na corte de Tibério.
Trásilo organizou os Diálogos de modo sistemático em nove grupos,
chamados de Tetralogias,
cujos escritos foram aceitos como de Platão. Segundo Diógenes
Laércio (III, 61), se encontravam na nona tetralogia "uma carta
a Aristodemo
[de fato a Aristodoro]"
(X), duas a Arquitas
(IX, XII), quatro a Dionísio II
(I, II, III, IV), uma a Hérmias,
Erastos e
Coriscos (VI),
uma a Leodamas
(XI), uma a Dion
(IV), uma a Perdicas
(V) e duas aos parentes de Dion (VII, VIII)". Trásilo criou a
seguinte organização:
1-Eutífron
2-Apologia
3-Críton
4-Fédon
|
1-Crátilo
2-Teeteto
3-Sofista
4-Político
|
1-Parmênides
2-Filebo
3-O
Banquete
4-Fedro
|
1-Alcibíades
I
2-Alcibíades
II
3-Hiparco
4-Amantes
Rivais
|
1-Teages
2-Cármides
3-Laques
4-Lísis
|
1-Eutidemo
2-Protágoras
3-Górgias
4-Mênon
|
1-Hípias
menor
2-Hípias
maior
3-Íon
4-Menexêno
|
1-Clitofon
2-A República
3-Timeu
4-Crítias
|
1-Minos
2-Leis
3-Epínomis
4-Epístolas
|
Forma literária
| Platão e Aristóteles, Florença, Itália. Museo dell'Opera del Duomo. |
Cronologia
A
questão da cronologia ainda continua a gerar opiniões conflitantes.
Análises estilométricas dos diálogos demonstram que eles podem ser
agrupados em três categorias definidas como obras do período
Inicial, Médio e Tardio, embora exista este consenso comum, não há
nenhum consenso sobre a ordem que as obras devem figurar em seus
respectivos grupos. Outro método usado para determinar a ordem
cronológica dos diálogos se baseia na conexão entre os vários
trabalhos. O estudiosos têm usado a evidência de pontos de vista
filosóficos similares nos diálogos para sugerir uma ordem
cronológica interna. As referências textuais dentro dos diálogos
também ajudam a construir uma cronologia, ainda há pouquíssimos
casos de um diálogo se referir a outro. Finalmente, a cronologia
pode ser determinada a partir do testemunho de fontes antigas.
| Platão, em detalhe da Escola de Atenas, de Rafael Sanzio (c. 1510). Satanza della Segnatura. Palácio Apostólico, Vaticano. |
Para
Giovanni
Reale,
os três grandes pontos focais da filosofia de Platão são a Teoria
das Idéias,
dos Princípios
e do Demiurgo.
A obra Fédon
engloba todo o quadro da metafísica platônica e enfatiza essas três
teorias, mas Platão advertiu os leitores de sua obra sobre a
dificuldade existente em compreendê-las.
A
Teoria
das Idéias
ou Teoria
das Formas
afirma que formas (ou idéias) abstratas não-materiais (mas
substanciais e imutáveis) é que possuem o tipo mais alto e mais
fundamental da realidade e não o mundo material mutável conhecido
por nós através da sensação. Em uma analogia de Reale, as coisas
que captamos com os "olhos do corpo" são formas físicas,
as coisas que captamos com os "olhos da alma" são as
formas não-físicas; o ver da inteligência capta formas
inteligíveis que são as essências puras. As Ideias são as
essências eternas do bem, do belo etc. Para Platão há uma conexão
metafísica entre a visão do olho da alma e o objeto em razão do
qual tal visão não existe. Este "mais real do que o que vemos
habitualmente" é descrito em sua Alegoria
da Caverna.
Muitos
têm interpretado que Platão afirma — e mesmo foi o primeiro a
escrever — que conhecimento é crença verdadeira justificada, uma
visão influente que informou o desenvolvimentos futuro da
epistemologia. Esta interpretação é parcialmente baseada na uma
leitura do Teeteto
no qual Platão argumenta que o conhecimento se distingue da mera
crença verdadeira porque o conhecedor deve ter uma "conta"
do objeto de sua ou sua crença verdadeira (Teeteto
201C-d). E essa teoria pode novamente ser visto no Mênon,
onde é sugerido que a crença verdadeira pode ser aumentada para o
nível de conhecimento, se está ligada a uma conta quanto à questão
do "por que" o objeto da verdadeira crença é assim
definido (Mênon
97d-98a). Muitos anos depois, Edmund
Gettier
demonstraria os problemas das crenças verdadeiras justificadas no
contexto do conhecimento.
![]() |
| Estátua de Platão, Ceuta. |
A dialética de
Platão não é um método simples e linear, mas um conjunto de
procedimentos, conhecimentos e comportamentos desenvolvidos sempre em
relação a determinados problemas ou "conteúdos"
filosóficos. O papel de dialética no pensamento de Platão é
contestada, mas existem duas interpretações principais, um tipo de
raciocínio e um método de intuição. Simon
Blackburn
adota o primeiro, dizendo que a dialética de Platão é "o
processo de extrair a verdade por meio de perguntas destinadas a
abrir o que já é implicitamente conhecida, ou de expor as
contradições e confusões de posição de um oponente".
Uma interpretação semelhante foi colocada por Louis
Hartz,
que sugere que os elementos da dialética são emprestados a partir
de Georg
Wilhelm Friedrich Hegel.
De acordo com este ponto de vista, os argumentos contrários
melhoraram a partir uns dos outros, e a opinião predominante é
formada pela síntese de muitas idéias conflitantes ao longo do
tempo. Cada nova idéia expõe uma falha no modelo aceito, e a
substância epistemológica do debate se aproxima continuamente da
verdade. Hartz é de uma interpretação teleológica no núcleo, em
que os filósofos acabarão por esgotar o corpo de conhecimento
disponível e, assim, alcançar o "fim da história". Karl
Popper,
por outro lado, afirma que a dialética é a arte da intuição para
"visualizar os originais divinos, as formas ou idéias, de
desvendar o grande mistério por trás do comum mundo das aparências
do cotidiano do homem".
Na República,
Platão define a justiça como a vontade de um cidadão de exercer
sua profissão e atingir seu nível pré-determinado e não
interferir em outros assuntos. Para que a justiça tenha alguma
validade, ela terá que ser uma virtude e, portando, contribuidora de
modo constitutivo para a boa vida de quem é justo. Na filosofia de
Platão, é possível visualizar duas modalidades de justiça: uma,
absoluta, e outra, relativa. A absoluta, ou divina, é a justiça
perfeita que se reserva às almas no pós-morte e tem o caráter de
recompensar o bem com o bem e o mal com o mal. A justiça relativa é
a justiça humana que espelha-se nos princípios da alma e tenta dela
se aproximar. Platão situa a justiça humana como uma virtude
indispensável à vida em comunidade, é ela que propicia a
convivência harmônica e cooperativa entre os seres humanos em
coletividade.
Considerada
por Platão como o princípio do cosmos e fonte de todas as almas
individuais, o termo é um conceito cosmológico de uma alma
compartilhada ou força regente do universo pela qual o pensamento
divino pode se manisfestar em leis que afetam a matéria. O termo foi
criado por Platão pela primeira vez na obra República
ou ainda na obra Timeu.
Demiurgo
O
uso filosófico e o substantivo próprio derivam do diálogo Timeu,
a causa do Universo, de acordo com a exigência de que tudo que sofre
transformação ou geração (genesis)
sofre-a em virtude de uma causa. A meta perseguida pelo demiurgo
platônico é o bem do universo que ele tenta construir. Este bem é
recorrentemente descrito em termos de ordem, Platão descreve o
demiurgo como uma figura neutra (não-dualista), indiferente ao bem
ou ao mal.
| Academia de Atenas, Platão (esquerda) e Sócrates (direita). |
Apesar de sua
popularidade ter flutuado ao longo dos anos, as obras de Platão
nunca ficaram sem leitores, desde o tempo em que foram escritas. O
pensamento de Platão é muitas vezes comparado com a de seu aluno
mais famoso, Aristóteles,
cuja reputação, durante a Idade Média ocidental tão completamente
eclipsada a de Platão que os filósofos escolásticos referiam-se a
Aristóteles como "o Filósofo". No entanto, no Império
Bizantino, o estudo de Platão continuou. Os filósofos escolásticos
medievais não tinham acesso à maioria das obras de Platão, nem o
conhecimento de grego necessário para lê-los. Os escritos originais
de Platão estavam essencialmente perdidos para a civilização
ocidental, até que foram trazidos de Constantinopla no século de
sua queda, por Gemisto
Pletão.
Acredita-se que Platão passou uma cópia dos diálogos
platônicos
para Cosme
de Médici
em 1438/39 durante o Conselho de Ferrara, quando foi chamado para
unificar as Igrejas grega e latina e então foi transferido para
Florença onde fez uma palestra sobre a relação e as diferenças de
Platão e Aristóteles, Pletão teria assim influenciado Cosme com
seu entusiasmo. Durante a era pré-islâmica, estudiosos persas e
árabes traduziram muito de Platão para o árabe e escreveu
comentários e interpretações sobre Platão, Aristóteles e obras
de outros filósofos Platonistas (ver Al-Farabi,
Avicena,
Averróis,
Hunayn
ibn Ishaq).
Muitos desses comentários sobre Platão foram traduzidos do árabe
para o latim e, como tal, influenciou filósofos escolásticos
medievais. Filósofos ocidentais notáveis continuaram a recorrer a
obra de Platão desde aquela época. A influência de Platão tem
sido especialmente forte em matemática e ciências. Ele ajudou a
fazer a distinção entre a matemática
pura
e a matemática
aplicada,
ampliando o fosso entre a "aritmética", agora chamada de
teoria
dos números
e "logística", agora
chamada de aritmética.
Ele considerou logística como apropriado para homens de negócios
enquanto os homens de guerra "devem
aprender a arte de números ou ele não vai saber como reunir suas
tropas",
e a aritmética era apropriada para os filósofos "porque
precisa emergir do mar de mudanças e lançar mão do verdadeiro
ser".
Segundo Stephen
Körner,
o platonismo é tendência natural do matemático, o que pode ser
confirmado por nomes destacados de matemáticos que reconhecem
platônicos como Gottlob
Frege,
Bertrand
Russel,
Alfred
North Whitehead,
Heinrich
Scholz,
Kurt
Gödel,
Alonzo
Church,
Georg
Cantor
etc. Partindo de Galileu,
existe uma extensa tradição do platonismo fisicalista que vai até
Werner
Heisenberg,
Roger
Penrose,
Frank
Tipler,
Stephen
Hawking
e muitos outros. O austríaco Kurt
Gödel,
responsável por alguns dos mais importantes resultados da Lógica
Matemática
do século XX, por exemplo, foi um platonista da velha escola, como
Platão, Gödel acreditava na existência independente de formas
matemáticas que ele identificou aos conceitos matemáticos, como os
de conjuntos, número real etc. Leo
Strauss
é considerado por alguns como o principal pensador envolvido na
recuperação do pensamento platônico em sua forma mais política e
menos metafísica. Profundamente influenciado por Nietzsche
e Heidegger,
Strauss,
no entanto rejeita a condenação de Platão e olha para seus
diálogos como uma solução para o que todos os três pensadores
reconhecem como "a crise do Ocidente". Thomas
Hobbes
considerou Platão como o melhor filósofo da Antiguidade clássica,
pela razão de sua filosofia ter como como ponto de partida idéias,
enquanto que Aristóteles partia de palavras. Para Hobbes, Platão
estaria apto a elaborar uma filosofia política por evitar conclusões
falaciosas acerca do "o
que é",
"o
que foi",
"o
que deveria ser".
Allan
Kardec,
no livro O
Evangelho Segundo o Espiritismo,
explica porque Sócrates e Platão são precursores da idéia cristã
e do espiritismo.
Veja neste blog:
Obras de Platão
| Sítio arqueológico da Academia de Platão, Atenas. |
Veja neste blog:
Obras de Platão
