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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Biografia de Pierre-Auguste Renoir

Renoir, c.1875.
Pierre-Auguste Renoir nasceu em Limoges, a 25 de Fevereiro de 1841, e, faleceu em Cagnes-sur-Mer, a 3 de Dezembro de 1919. Renoir foi um pintor francês que iniciou o desenvolvimento do movimento impressionista. Conhecido por celebrar a beleza e, especialmente, a sensualidade feminina, diz-se que Renoir é o último representante de uma tradição herdada diretamente de Peter Paul Rubens e terminando com Antoine Watteau. Ele foi pai do ator Pierre Renoir (1885–1952), do cineasta Jean Renoir (1894–1979) e do ceramista Claude Renoir (1901–1969). Foi avô do cineasta Claude Renoir (1913–1993).

Juventude

Nascido em Limoges, Haute-Vienne, França, em 1841, era filho de Léonard Renoir, um alfaiate de origem modesta. Em 1844, a família se mudou para Paris, em busca de melhores oportunidades. Eles se mudaram para a rue d’Argenteuil, no centro de Paris, perto do Museu do Louvre. Apesar de apresentar um talento nato para o desenho, Pierre mostrou um grande talento para o canto, que foi encorajado por seu professor, Charles Gounod, que era o diretor do coral da Igreja de St. Roch na época. Porém, devido à condição financeira da família, Pierre teve que parar com as aulas de música e deixou a escola aos 13 anos para se tornar aprendiz em uma fábrica de porcelanas. Apesar de mostrar aptidão para o trabalho, Pierre costumava se cansar do que fazia na fábrica e buscava refúgio nas galerias do Louvre. O dono da fábrica reconheceu que seu aprendiz tinha talento e passou o recado para a família Renoir. Assim, Pierre começou a ter aulas preparatórias para ingressar na École des Beaux-Arts. Quando a fábrica de porcelana adotou o processo de produção mecanizada, Pierre foi obrigado a procurar outro emprego. Antes de ingressar na escola de artes, ele fazia pequenos trabalhos de pintura para conseguir algum dinheiro. Em 1862, Pierre começou a estudar arte sob a supervisão de Charles Gleyre, em Paris. Lá ele conheceu Alfred Sisley, Frédéric Bazille e Claude Monet. Durante o ano de 1860, Pierre não tinha dinheiro nem para comprar tinta. Seu primeiro sucesso veio no Salão de Paris de 1868, com o quadro “Lise with a Parasol” (1867), que retratava Lise Tréhot e seu amante na época. Apesar de ter começado a exibir seus quadro no Salão de Paris, em 1864, o sucesso demorou para vir, em parte pela eclosão da Guerra Franco-Prussiana. Durante a Comuna de Paris, em 1871, enquanto Renoir pintava os bancos do Rio Sena, alguns Communards (Communard era a denominação dos membros e apoiadores da Comuna de Paris em 1871 formada e destruída no início da Guerra Franco-Prussiana e derrota francesa) pensaram que ele era um espião e estavam para jogá-lo no rio, quando o líder da Comuna, Raoul Rigault, reconheceu Renoir que o protegera em uma ocasião anterior. Em 1874, uma amizade de dez anos com Jules Le Cœur e sua família acabou e Renoir perdeu não apenas o suporte ganhado pelo apoio deles, como também o generoso pagamento que recebia por cuidar da propriedade da família em Fontainebleau e a floresta ao redor. A perda de sua fonte de inspiração para seus quadros forçou uma mudança de objetivos.



L'avant-scène, 1874.

Vida adulta

Desde o princípio sua obra foi influenciada pelo sensualismo e pela elegância do rococó, embora não faltasse um pouco da delicadeza de seu ofício anterior como decorador de porcelana. Seu principal objetivo, como ele próprio afirmava, era conseguir realizar uma obra agradável aos olhos. Apesar de sua técnica ser essencialmente impressionista, Renoir nunca deixou de dar importância à forma - de fato, teve um período de rebeldia diante das obras de seus amigos, no qual se voltou para uma pintura mais figurativa, evidente na longa série Banhistas. Mais tarde retomaria a plenitude da cor e recuperaria sua pincelada enérgica e ligeira, com motivos que lembram o mestre Jean-Auguste Dominique Ingres, por sua beleza e sensualidade. A sua obra de maior impacto é Le Moulin de la Galette, em que conseguiu elaborar uma atmosfera de vivacidade e alegria à sombra refrescante de algumas árvores, aqui e ali intensamente azuis. Percebendo que traço firme e riqueza de colorido eram coisas incompatíveis, Renoir concentrou-se em combinar o que tinha aprendido sobre cor, durante seu período impressionista, com métodos tradicionais de aplicação de tinta. O resultado foi uma série de obras-primas bem no estilo Ticiano Vecellio, assim como de Jean-Honoré Fragonard e François Boucher, a quem ele admirava. Os trabalhos que Renoir incluiu em uma mostra individual de 70, organizada pelo marchand Paul Durand-Ruel, foram elogiados, e seu primeiro reconhecimento oficial veio quando o governo francês comprou “Ao Piano”, em 1892.

Primeiros anos

Lise com Sombrinha.

Renoir nasceu em Limoges em 25 de Fevereiro de 1841. Seu pai, Léonard, era alfaiate e sua mãe, Marguerite, costureira. Eram uma família de classe média e em 1844, mudaram-se para Paris para tentar uma vida melhor. Renoir estudou até os 13 anos, depois começou a trabalhar em uma fábrica de porcelana dos Irmãos Lévy onde pintava buquês e flores em artigos de porcelana. Ficou na fábrica até os 17 anos e depois foi trabalhar para M. Gilbert pintando temas religiosos vendidos a missionários e pintou em leques e tecidos que eram mais bem remunerados na época e que lhe permitiu juntar algumas economias. Em 1862, após juntar dinheiro com seu trabalho, Renoir realiza seu sonho: aos 21 anos muda-se para Paris e entra para a École des Beaux-Arts de Paris (Escola de belas artes). Entrou também para o ateliê de Charles Gleyre. Assistindo às aulas no ateliê, além de aperfeiçoar a sua técnica, conquistou a amizade de Alfred Sisley, Claude Monet e Frédéric Bazille, com quem compartilhou dias de muita conversa e teorização em Paris e de árduo trabalho em Argenteuil, pintando ao ar livre. Em 1863 Renoir abandonou a École des Beaux-Arts e passou a pintar ao ar livre em Fontainebleau. A sua primeira obra “A Esmeralda” entrou para o Salão em 1864, com ela Renoir conseguiu um certo sucesso. Porém após a exposição, Renoir destruiu-a. Em 1865 Renoir e seus amigos tornaram-se próximos de Monet. Com a guerra franco-prussiana, seus amigos pintores dispersaram-se e Renoir passou a se hospedar constantemente na casa do amigo Jules Le Couer. Foi na casa de Le Couer que Renoir conheceu Lise Trèhot que passou a ser sua modelo preferida durante um certo tempo. Entre as obras de destaque que Lise posou estão: “Lise com Sombrinha” (de 1867), “A Jovem Cigana” (de 1868) e seu último quadro como modelo que foi “Mulher com Periquito” (de 1871). “Lise com a Sombrinha” é considerada sua primeira obra de destaque. Lise posou para a tela em Fontainebleau entre as folhagens de uma floresta. Com um vestido todo branco onde poderia apreciar-se os jogos de luz e sombra. A obra era inspirada em Coubert. Apesar do relativo sucesso da obra na ocasião, Renoir atravessava dificuldades financeiras. Em 1869 morava com Lise, de dezenove anos, na casa de seus pais. Em 1870 Renoir alistou-se na cavalaria para lutar na guerra franco-prussiana, mas deu baixa um ano depois por causa de uma doença. Neste mesmo ano, morreria na guerra seu amigo Bazille, fizera quadros muitos famosos desse homem de grande valor, mas nunca falou dele em suas pinturas.

Período Impressionista

Entre 1870 e 1883, Renoir entra em seu período impressionista. Pinta várias paisagens mas suas obras são mais caracterizadas ao retratar a vida social urbana. “Numa manhã um de nós já não tinha preto, e assim nasceu o Impressionismo”. No salão de 1872, expôs a tela “Mulheres Parisienses Vestidas como Argelinas” no Salão Oficial, o que lhe conferiu grande sucesso. No ano seguinte, Renoir alugou um apartamento em Montmartre, onde pintaria duas obras famosas: “O Camarote” e “A Bailarina”. Em 1873, junto aos seus amigos impressionistas, Renoir expôs suas obras em um salão alternativo ao Salão Oficial de Paris que foi um fracasso. Neste salão alternativo, Renoir vendeu seu quadro "O Camarote" por 425 francos. Em 1875 Renoir vendeu “O Passeio” por 1200 francos. Com o dinheiro ele pode alugar um prédio maior em Montmartre onde ele pintou várias obras. Em 1876 Renoir pintou várias obras famosas: “Nu ao Sol”, “O Balanço” e “Le Moulin de la Galette”. A obra “Le Moulin de la Galette” foi exposta no terceiro salão alternativo dos impressionistas e trouxe-lhe grande reputação.



Retrato de Madame Henriot, 1876.


Período seco


Em 1881, Renoir passaria a buscar novas inspirações. Primeiro foi à Argélia depois à Itália. Na Itália, Renoir conheceu os grandes centros: Milão, Roma, Veneza, Nápoles. O que mais lhe impressionou na viagem foi ver de perto as obras de Rafael Sanzio. A viagem foi uma inspiração para buscar mais consistência em sua obra tentou tornar-se um artista em grande estilo renascentista. As figuras de suas obras tornaram-se mais imponentes e formais, e muitas vezes abordou temas da mitologia clássica. O contorno de seus personagens tornaram-se mais precisos, formas desenhadas com mais rigor e cores mais frias. “Por volta de 1883, eu tinha esgotado o Impressionismo e finalmente chegado à conclusão de que não sabia pintar nem desenhar”. Além de Rafael, Renoir foi influenciado pela obra de Jean-Auguste Dominique Ingres, pintor neoclássico, que admirava e defendia em debates com os amigos impressionistas. Este novo período em sua arte, de 1883 a 1887, ficou conhecido como "período seco", onde não houve mais espaço para pintura ao ar livre. Renoir começaria a realizar estudos do qual surgiria uma de suas grandes obras: “As Grandes Banhistas” que só ficou pronta em 1887.

Período Iridescente

Chamado pelo pintor de período iridescente, a partir de 1889 Renoir mudaria novamente de estilo. Era uma fase de recuperação da liberdade da juventude. Em 1890 pintou "Duas meninas colhendo flores" e "No prado". Passou também a pintar muitos nus e retratos (ainda uma das maiores fontes econômicas do pintor). Em 1894 Renoir teve mais um filho, Jean Renoir, que se tornaria um grande cineasta francês cuja maiores obras seriam “A Grande Ilusão” e “A Regra do Jogo”. Em 1901 Renoir e Aline tiveram mais um filho, Claude, apelidado de “Coco”. Em 1903 Renoir, ao piorar da artrite, mudou-se para Cagnes. Passou a retratar Gabrielle, jovem contratada para servir seus pequenos filhos.  Começou também a esculpir, na esperança de poder expressar seu espírito criativo através da modelagem, mas até para isso ele precisou de ajuda, que veio na forma de dois jovens artistas, Richard Gieino e Louis Morel, que trabalhavam segundo suas instruções.  Apesar das graves limitações físicas, Renoir continuou trabalhando até o último dia de sua vida. Em 1908 pintou sua versão para “O Julgamento de Paris”. Sua última obra foi “Descanso Depois do Banho”, de 1919, que terminou com dores insuportáveis devido o reumatismo. Aline morreu em 27 de Junho de 1915 em Nice e Renoir em 1919, aos 78 anos, em decorrência de problemas respiratórios. Foi sepultado no Essoyes Cimetière, Essoyes, Champanha-Ardenas na França.


Mulher Amamentando.


Obras

    • O Menino;
    • Mulher com Sombrinha (1867);
    • O Camarote (1874);
    • Le Moulin de la Galette (1876);
    • O Baloiço;
    • Madame Georges Charpentier e suas Filhas (1878);
    • Remadores em Chatou (1879);
    • Elisabeth e Alice d' Anvers (Les Demoiselles Cahen d'Anvers - Rose et Bleue) (1881);
    • A dança em Bougival (1883);
    • Mulher Amamentando (1886);
    • As Grandes Banhistas (1887);
    • Menina com Espigas (1888);
    • Menina Jogando Criquet (1892)
    • Ao Piano (1893);
    • Odalisca (1904);
    • Retrato de Claude Renoir (1908);
    • Banhista Enxugando a Perna Direita (1910);
    • No Terraço.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre-Auguste_Renoir

sábado, 4 de maio de 2019

Biografia de Frederic Leighton

Auto-retrato (1880).
Frederic Leighton, 1º Barão Leighton,  Nasceu em Scarborough, a 03 de Dezembro de 1830, e, faleceu em Londres, a 25 de Janeiro de 1896. Leighton foi um pintor e escultor da Inglaterra. Estudou na University College School em Londres, e foi buscar aperfeiçoamento no continente, com Eduard von Steinle, Giovanni Costa e na Academia de Florença. Mais tarde passou alguns anos em Paris, encontrando Jean-Auguste Dominique Ingres, Eugène Delacroix, Jean-Baptiste Camille Corot e Jean-François Millet. Voltou a Londres em 1860, passando a fazer parte do grupo dos Pré-Rafaelitas, em 1864 ingressou na Royal Academy, e desde então se tornou um artista celebrado. Foi o detentor do mais breve pariato inglês, falecendo apenas um dia após ser sagrado barão, embora já fosse um baronete desde 1886. Sua casa hoje é um museu. Também foi membro do Institute de France e recebeu a Legião de Honra no grau de cavaleiro.


Junho Ardente (~1895).


Dados Biográficos

Leighton nasceu em Scarborough em uma família dedicada aos negócios de importação e exportação. Estudou na University College School, Londres. Recebeu sua educação artística no continente europeu, primeiro das mãos de Eduard Von Steinle e depois por Giovanni Costa. Aos 24 anos de idade, viajou para Florença, onde assistiu aula na Academia de Florença e pintou a procissão da madonna de Cimabue, através de Borgo Allegri. Viveu de 1855 a 1859 em Paris, onde conheceu Jean-Auguste Dominique Ingres, Eugène Delacroix, Jean-Baptiste Camille Corot e Jean-François Millet. Em 1860, se mudou para Londres, onde se uniu aos Pre-Rafaelitas. Desenhou o túmulo de Elizabeth Barrett Browning, por encargo de Robert Browning, para o English Cemetery de Florença, em 1861. Em 1864, se tornou sócio da Royal Academy, e em 1878 passou a ser seu presidente (1878-1896). A escultura que realizou em 1877, Atleta Lutando com uma Píton, foi considerada na época o renascimento da escultura britânica contemporânea, e se consagrou como a origem e maior expoente do movimento da New Sculpture. Seus quadros representaram a Inglaterra na Exposição Universal de Paris, em 1900. Leighton foi ordenado Cavaleiro Bacharel no castelo de Windsor, em 1878, e lhe concederam o título de baronete, oito anos depois. Foi o primeiro pintor a ser outorgado “Par do Reino” (membro do Pariato, um sistema de honras ou de nobreza em vários países), na Lista de Honrarias de Ano Novo de 1896. A patente que o tornou em Barão Leighton de Stretton no Condado de Shropshire, se fez pública em 24 de Janeiro de 1896; Leighton faleceu no dia seguinte, de uma angina de peito. Como não era casado, após a sua morte sua baronia desapareceu depois de apenas um dia de existência; este é o recorde de um Par. Sua casa em Holland Park, Londres, se transformou em um museu, o Leighton House Museum. Contém um número significativo de seus desenhos e pinturas, bem como algumas de suas esculturas (incluindo o Atleta Lutando com uma Píton). Na casa, também se mostram muitas de suas inspirações, como a sua coleção de azulejos nicenos. A parte central é o magnífico salão árabe que apareceu no nº 10 da revista Cornucopia.



Cymon and Iphigenia (1884).


Cronologia
  • 1864 - Sócio da Royal Academy
  • 1868 - Acadêmico da Royal Academy
  • 1878 - Presidente da Royal Academy
  • 1878 - Oficial da Legião de Honra
  • 1878 - Ordenado cavaleiro
  • 1889 - Membro associado no Instituto de França
  • 1896 - Nomeado Par do Reino britânico.

Obras destacadas
  • Death of Brunelleschi (A Morte de Brunelleschi) (1852), óleo sobre tela.
  • Cimabue's Celebrated Madonna is Carried in Procession Through the Streets of Florence (Procissão através das Ruas de Florença da Madonna de Cimabue (1853-1855), óleo sobre tela. Esta foi sua primeira obra importante, e foi exibida na Royal Academy. A Rainha Victória gostou tanto da obra que a comprou por 600 guineas no dia que se inaugurou a exposição.
  • The Fisherman and the Siren (O Pescador e a Sereia), c. 1856-1858 (66.3 x 48.7 cm).
  • The Discovery of Juliet Apparently Lifeless (O Descobrimento de Julieta Aparentemente Morta), c. 1858.
  • The Villa Malta, Rome (A Vila Malta, Roma) (década de 1860), óleo sobre tela.
  • The Painter's Honeymoon (A Lua de Mel do Pintor), c. 1864 (83.8 x 77.5 cm).
  • Mother and Child (Mãe e Filho), c. 1865 (48.2 x 82 cm).
  • Actaea, the Nymph of the Shore (Actaea, a Ninfa da Costa) (1868), óleo sobre tela, (57.2 x 102.2 cm) National Gallery of Canada, Ottawa.
  • Daedalus and Icarus (Dédalo e Ícaro), c. 1869 (138.2 x 106.5 cm).
  • Hercules Wrestling with Death for the Body of Alcestis (Hércules Lutando com a Morte pelo Corpo de Alcestis) (1869-71) (132.4 x 265.4 cm).
  • Greek Girls Picking up Pebbles by the Sea (Garotas Gregas Coletando Seixos no Mar), c. 1871 (84 x 129.5 cm).
  • Music Lesson (Aula de Música), c. 1877 (92.8 x 118.1 cm).
  • An Athlete Wrestling with a Python (Atleta Lutando com uma Píton) (1877), escultura de bronze.
  • Nausicaa (Nausícaa), c. 1878 (145 x 67 cm).
  • Winding the Skein (Hilo de la madeja), c. 1878 (100.3 x 161.3 cm).
  • Light of the Harem (Luz do Harém), c. 1880 (152.4 x 83.8 cm).
  • Wedded (Casados), (c. 1881 - 1882) (145.4 x 81 cm).
  • Captive Andromache (O Rapto de Andrômaca), c. 1888 (197 x 406.5 cm).
  • The Bath of Psyche (O Banho de Psyche), (c. 1889−90) (189.2 x 62.2 cm) no Tate Gallery.
  • The Garden of the Hesperides (O Jardim das Hespérides), c. 1892 (169 x 169 cm).
  • Flaming June (Junho Ardente) (1895), óleo sobre tela, Museu de Arte de Ponce (120.6 x 120.6 cm).
  • The Parable of the Wise and Foolish Virgins (A Parábola das Virgens Sábias e Tolas), afresco.
  • The Armlet (O Bracelete).
  • Phoebe (55.88 x 60.96 cm).
  • A Bather (Uma Banhista).
  • The Leighton Frescoes (Os Afrescos de Leighton), compostos por duas obras: The Arts of Industry as Applied to War (As Artes da Indústria Aplicadas para a Guerra) e The Arts of Industry as Applied to Peace (As Artes da Indústria Aplicadas para a Paz).
  • The Return of Persephone (O Regresso de Perséfone).
Idílio, c. 1880-81.
Retrato de May Sartoris, c. 1860.
O Pescador e a Sereia (1856–1858).


Galeria de imagens
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Frederic_Leighton

Referências
https://es.wikipedia.org/wiki/Frederic_Leighton

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Biografia de Giovanni Bellini

Auto-retrato (cerca de 1500).

Giovanni Bellini, também chamado em sua terra natal de Giambellino, nasceu em Veneza, c. 1430,e, faleceu nesse mesmo local em 1516. Giovanni Bellini foi um pintor do Renascimento. O mais famoso de uma família de pintores de mesmo sobrenome, era cunhado e amigo de Andrea Mantegna, e teve Tiziano entre seus aprendizes. É considerado como renovador da pintura da escola veneziana, movendo-a para um estilo mais sensual e policromático. Pelo uso de cores claras de lenta secagem, Bellini criou sombras detalhadas, profundidade e ricos coloridos. Suas fluentes e coloridas paisagens tiveram um grande efeito no seu tempo.

Biografia
Primeiros anos

Bellini começou a desenhar na casa de seu pai Jacopo Bellini, e sempre viveu e trabalhou em fraternal relação com seu irmão Gentile, também pintores. Existem evidências que os irmãos serviram como assistentes do pai até perto dos trinta anos, em trabalhos em Veneza e Pádua. Nos primeiros trabalhos de Giovanni vemos a forte influência da escola de Pádua, especialmente de Mantegna, em detrimento do estilo mais gracioso e fácil do pai. Essa influência se mostra até depois que Mantegna parte para Mântua em 1460. Os primeiros sinais de independência, numa fraternal rivalidade, aparecem em “A Agonia no Horto”, que tinha uma tela com o mesmo tema, ambas tiradas de um desenho de Jacopo (hoje no Museu Britânico), Em todas suas obras iniciais, Giambellino combina a severidade do desenho e a rigidez complexa do drapeado da escola de Pádua com sua própria sensibilidade, sentimento religioso e condição humana. Ele é todo executado em têmpera antiga, diluindo a tragédia da cena com um novo e belo efeito romântico de cor. Com um modo mais pessoal, com menos dureza no contorno, mas não menos força no sentimento, existem duas pinturas de “Cristo Morto Carregado por Anjos”, em Rimini e Berlim, um tema religioso frequente naquele tempo. Duas “Madona”, também em têmpera, são sem dúvida anteriores ao primeiro trabalho comissionado, junto com Gentile e outras artistas, na Escola de São Marcos, onde pintou, entre outros, “O Dilúvio e a Arca de Noé”. Infelizmente, nenhum desses trabalhos maiores desta espécie, para varias escolas, irmandades, confrarias ou mesmo o palácio ducal sobreviveram até nós.

Madona e a Criança (GiovanniBellini).
Maria e o Menino, detalhe de Apresentação no Templo (c. 1460) (Bellini).

Maturidade

Na década de 1470, fez uma “Transfiguração”, hoje em Nápoles, repetindo seu estilo veneziano. Também a grande peça para o altar para a igreja de Pesaro, “A Coroação da Virgem”, que pode ser vista como os primeiros esforços numa forma de arte primeiramente utilizada pela escola rival dos Vivarini (Antonio, Bartolomeo e Luigi ou Alvise). De não muito depois é o ainda famoso quadro pintado em têmpera para o altar de uma capela da igreja de São Pedro e São Paulo, que pereceu junto com “São Pedro Martir” de Tiziano e “Cruxificação” de Tintoretto em um desastroso incêndio em 1867. Perto de 1480, muito do tempo e da energia de Giovanni foram utilizados nas suas obrigações como conservador das pinturas do grande salão do palácio ducal, que ele assumiu por um alto pagamento e a concessão de privilégios comerciais. Enquanto reparava obras de seus antecessores, recebeu a encomenda para seis ou sete trabalhos, ilustrações das vitórias de Veneza nas guerras entre Frederico Barbarossa e o papado. Esses trabalhos, executados com muitas interrupções e atrasos, eram admirados no seu tempo, mas como outros, não sobreviveram ao incêndio de 1577. Muitas obras para igrejas, sejam grandes pinturas para altar-mor ou pequenas Madonas, felizmente foram preservadas. Elas mostram-no gradualmente se movendo das velhas técnicas do quatrocento para as novas de pintura a óleo, introduzidas em Veneza por Antonello de Messina por volta de 1473. A velha intensidade patética e devota sensibilidade sai de cena dando lugar a uma visão mais nobre, serena e charmosa. A Virgem com o Menino vem tranquila em sua suavidade, os santos que a acompanham ganham poder, presença e individualidade, grupos de anjos completam a harmonia da cena. O total esplendor das cores venezianas resplendam nas figuras, na arquitetura, na paisagem e no céu.

Agonia no Horto (Giovanni Bellini)


Alto Renascimento

Um intervalo de poucos anos, sem dúvida passados nos seus afazeres no palácio ducal, separam as pinturas para o altar-mor de Frari e a “Virgem do Doge Barbariga”, em Murano das obras da igreja de São Zacarias em Veneza, talvez a mais bonita e imponente de todas, datada de 1505. Outra obra para altar-mor, para a igreja de São Francisco em Veneza, é de 1507. Outros trabalhos dessa época pereceram no incêndio já referido. Os últimos dez anos da vida do mestre mostram-no cercado de encomendas do que ele pode completar. Já nos anos 1501 a 1504, a marquesa Isabella Gonzaga de Mântua, famosa em sua época e retratada inclusive por Leonardo Da Vinci, teve grande dificuldade em obter de Bellini uma “Madona e os Santos”, hoje perdida, e que tinha sido antecipadamente paga. Em 1506 ela tentou pelo Cardeal Bembo obter outra pintura, desta vez de cunho mitológico, mas infelizmente não sabemos o paradeiro desta obra. Albrecht Dürer, visitando Veneza pela segunda vez em 1506, conta que Giambellino era ainda o melhor pintor na cidade, bem tratado e admirado em sua cidade. Seu irmão Gentile morreu em 1507, tendo Giovanni completado o quadro “Prece de São Marcos” que este deixara inacabado. Em 1513 era o único mestre do Salão do palácio, empregando seu pupilo Tiziano como ajudante na conservação das obras. Sua última obra foi “Festa dos Deuses”, para o duque Afonso de Ferrara, mas morreu antes de terminar, tarefa legada a seus pupilos.

A Festa dos Deuses (National Gallery of Art, Washington D.C. (Bellini)


Legado

Tanto artisticamente quanto pessoalmente, a carreira de Giovanni Bellini foi, na maior parte do tempo, serena e próspera, da juventude à velhice, como aconteceu com vários artistas do início do Renascimento. Viveu para ver sua própria escola brilhar sobre a de seus rivais, os Vivarini de Murano. Personalizou muito do esplendor de Veneza no seu tempo e viu sua influência propagada por um time de pupilos, dois dos quais se pode dizer sem demérito terem superado o mestre, Giorgione, que só viveu mais cinco anos, e Tiziano, que alcançou glória própria, vivendo muitos e frutíferos anos. Em uma perspectiva histórica, Bellini foi fundamental para o desenvolvimento do Renascimento Italiano por sua incorporação de novas estéticas e técnicas, muitas aprendidas com Antonello de Messina, que trouxe novidades de sua temporada em Flandres. Popularizou o uso de tintas a óleo, diferente da têmpera usada naquele tempo pela maioria dos pintores. Introduziu também modificações no simbolismo, que podemos ver em obras como “São Francisco em Êxtase” e no altar de San Giobbe, onde usou temas religiosos por meio de elementos naturais. Contribuiu grandemente com a arte suas experiências com o uso da cor e de tintas a óleo na criação de uma nova atmosfera artística.

Êxtase de São Francisco, Coleção Frick, Nova York (Bellini).


Obras
  • A Transfiguração, (1455), Veneza;
  • Pietà, (1460), Brera, Milão;
  • Apresentação no Templo (c. 1460), Fondazione Querini Stampalia, Veneza;
  • Políptico de São Vicente Ferreri, (1464), basilica de São João, Veneza;
  • A Coroação da Virgem, retábulo de Pesaro, (1473), museu Civici, Pesaro;
  • A Ressurreição de Cristo, (1475-1479), Berlim;
  • Êxtase de São Francisco, (c. 1480), Frick Collection, Nova Iorque;
  • A transfiguração, (c. 1485), Capodimonte, Nápoles;
  • Retrato de um Humanista, (1475-1480), Civiche Raccolte d'Arte, Milão;
  • Madonna de Willys, (1480-1490), Museu de Arte de São Paulo, São Paulo;
  • Tríptico de Frari, (1488), igreja de Frari, Veneza;
  • Alegoria Sacra, (1490-1500), Uffizi, Florença;
  • Retrato do doge Leonardo Loredan, (1501), National Gallery, Londres;
  • O Batismo de Cristo, (1500-1502), igreja Santa Corona, Veneza;
  • Madona com Santos, (1505), Veneza;
  • Retabulo de São Zacarias, (1505, Veneza;
  • A Virgem e o Menino bendizendo na paisagem, (1510), Brera, Milão;
  • Assunção, (1513), igreja de São Pedro Martir, Murano;
  • A Festa dos Deuses, (1514), National Gallery of Art, Washington;
  • Mulher no Toucador, (1515), Kunsthistorisches Museum, Viena.

sábado, 23 de março de 2019

Rococó (artes)

"A Leitora", de Jean Honoré Fragonard (c. 1770-72).

O termo rococó forma da palavra francesa rocaille, que significa "concha", associado a certas fórmulas decorativas e ornamentais como por exemplo a técnica de incrustação de conchas e pedaços de vidro, usados na decoração de grutas artificiais. Foi muitas vezes alvo de apreciações estéticas pejorativas. Foi um movimento estético que floresceu na Europa entre o início e o fim do século XVIII, migrando para a América e sobrevivendo em algumas regiões até meados do século XIX. O Rococó nasceu em Paris em torno da década de 1720 e perdurou até aproximadamente 1770 como uma reação da aristocracia francesa contra o Barroco suntuoso, palaciano e solene praticado no período de Luís XIV. Caracterizou-se acima de tudo por sua índole hedonista e aristocrática, manifesta em delicadeza, elegância, sensualidade e graça, e na preferência por temas leves e sentimentais, onde a linha curva, as cores claras e assimetria tinham um papel fundamental na composição da obra. Da França, onde assumiu sua feição mais típica e onde mais tarde foi reconhecido como patrimônio nacional, o Rococó logo se difundiu pela Europa, mas alterando significativamente seus propósitos e mantendo do modelo francês apenas a forma externa, com importantes centros de cultivo na Alemanha, Inglaterra, Áustria e Itália, com alguma representação também em outros locais, como a Península Ibérica, os países eslavos e nórdicos, chegando até mesmo às Américas.

História


O rococó é um movimento artístico europeu, que aparece primeiramente na França, entre o Barroco e o Arcadismo. Visto por muitos como a variação “profana” do barroco, surge a partir do momento em que o Barroco se liberta da temática religiosa e começa a incidir-se na arquitetura de palácios civis, por exemplo. Literalmente, o rococó é o barroco levado ao exagero de decoração. A expressão “época das Luzes” é, talvez, a que mais frequentemente se associa ao século XVIII. Século de paz relativa na Europa, marcado pela Revolução Americana em 1776 e pela Revolução Francesa em 1789. No âmbito da história das formas e expressões artísticas, o Século das Luzes começou ainda sob o signo do Barroco. Quando terminou, a gramática estilística do Neoclassicismo dominava a criação dos artistas. Entre ambos, existiu o Rococó. Na ourivesaria, no mobiliário, na pintura ou na decoração dos interiores dos hotéis parisienses da aristocracia, encontram-se os elementos que caracterizam o Rococó: as linhas curvas, delicadas e fluídas, as cores suaves, o caráter lúdico e mundano dos retratos e das festas galantes, em que os pintores representaram os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca da felicidade, da alegria de viver, dos prazeres sensuais. O Rococó é também conhecido como o “estilo da luz” devido aos seus edifícios com amplas aberturas e sua relação com o século XVIII. Em Portugal aparece na numismática a cerca de 1726 e prolongou-se até 1790 nos principais domínios artísticos. Na corte e no Sul do país desaparece mais cedo, dando lugar ao neoclassicismo. É nas províncias do Norte, particularmente Noroeste, que se encontra a versão mais original do patrimônio artístico rococó metropolitano, graças à talha dourada de “formas gordas” de certas igrejas do Porto, Braga, Guimarães, etc., executada por notáveis artistas na segunda metade do século XVIII (Fr. José de Santo António Vilaça, Francisco Pereira Campanhã, etc.) e na escultura granítica, que decora numerosos edifícios religiosos e profanos na área: igreja da Ordem Terceira do Carmo (1758-68) por José Figueiredo Seixas, Capela do Terço (1756-75); em Viana do Castelo, a capela dos Malheiros Reimões, etc. Os pintores mais representativos foram François Boucher, Antoine Watteau e Jean-Honoré Fragonard.

Brasil

Suposto retrato póstumo de Aleijadinho
realizado por Euclásio Ventura no séc. XIX.

No Brasil o estilo revelou-se tardiamente, pois já no início do século XIX, na escultura de madeira e de “pedra-sabão”, na pintura mural e na arquitetura, com José Pereira Arouca, Francisco Xavier de Brito, Manuel da Costa Ataíde e Antônio Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”.

Arte rococó
Música do período rococó

O estilo de música utilizada no rococó é de difícil definição. É caracterizado por sarabandas, gigas, minuetos e outras galanterias. Um dos compositores deste estilo é Johann Christian Bach, filho mais novo de Johann Sebastian Bach.

Arquitetura rococó

 
Fonte e fachada Palácio Real de Queluz, 1747-1807. (Imagem: Husond ).

 

Escultura rococó

Devido ao grande desenvolvimento decorativo, a escultura ganha importância. Os escultores do rococó abandonam totalmente as linhas do barroco. As suas esculturas são de tamanho menor. Embora usem o mármore, preferem o gesso e a madeira, que aceitam cores mais suaves. Os motivos são escolhidos em função da decoração. Até artistas famosos, principalmente ligados a manufactura de Sèvres apressam-se a preparar, desenhos e modelos. Em função de lembrança, do souvenir, os pequenos grupos representam cenas de gênero e narram, com linguagem espontânea e cores luminosas, episódios galantes, brincadeiras e jogos infantis. Dentre os principais nomes da escultura no estilo rococó podem ser destacados o italiano Antonio Corradini e os franceses Guillaume Coustou, o Jovem e Étienne-Maurice Falconet, além do brasileiro conhecido como o Aleijadinho, aprendiz do português José Coelho de Noronha.

Pintura rococó

A pintura do Rococó divide-se em dois campos nitidamente diferenciados. Um deles forma um documento visual intimista e despreocupado do modo de vida e da concepção de mundo das elites europeias do século XVIII, e o outro, adaptando elementos constituintes do estilo à decoração monumental de igrejas e palácios, serviu como meio de glorificação da fé e do poder civil. Apesar de seu valor como obra de arte autônoma, a pintura rococó era concebida muitas vezes como parte integrante de uma concepção global de decoração de interiores. Começou a ser criticada a partir de meados do século XVIII, com a ascensão dos ideais iluministas, neoclássicos e burgueses, sobrevivendo até a Revolução Francesa, quando então caiu em descrédito completo, acusada de superficial, frívola, imoral e puramente decorativa. A partir da década de 1830, voltou a ser reconhecida como testemunho importante de uma determinada fase da cultura européia e do estilo de vida de um estrato social específico, e como um bem valioso por seu mérito artístico único e próprio, onde se levantam questões sobre estética que floresceriam mais tarde e se tornariam centrais para a arte moderna.



Antoine Watteau, "Embarque para Citera".


Interiores e mobiliário

O estilo Luís XV se desenvolve a partir de França durante o reinado de Luís XV, entre aproximadamente 1730 e 1750-60 (não englobando todo o período do reinado até 1774). Este estilo é influenciado pelas linhas fluidas e graciosas do rococó e pelo seu repertório de motivos ornamentais, situando-se entre o estilo regência, onde já dá os primeiros passos, e o estilo Luís XVI, que se caracteriza por uma maior rigidez e austeridade. É considerado um dos estilos estéticos franceses de maior impacto, sendo, por isso, alvo dos mais diversos revivalismos ao longo do tempo.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rococó

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Pintura de Gênero

A menina e uvas, de Antonio Rotta.
A pintura de gênero desenvolveu-se a meio do florescimento do Barroco na Europa Católica (séc. XVII) nos Países Baixos, sobretudo nos Países Baixos do Norte (a porção que hoje corresponde à Holanda). Trata-se de um estilo sóbrio, realista, comprometido com a descrição de cenas rotineiras, temas da vida diária como homens dedicados ao seu ofício, mulheres cuidando dos afazeres domésticos, ou até mesmo paisagens. Nasce então a pintura de genre (ou petit genre) como uma resposta nacionalista, glorificadora da cultura neerlandesa, ao processo de libertação dos Países Baixos da dominação espanhola.


História



As dezessete Províncias dos Países Baixos pertenciam, até a metade do século XVI, ao império espanhol, sob reinado do Rei de Espanha e Imperador Sagrado de Roma, Carlos V. Em 1556, ele abdica a favor de seu filho Filipe II, que estava mais interessado no lado espanhol do Império. Durante o séc. XV, os Países Baixos tornaram-se uma região próspera e empreendedora (entrepreneurial) do Império dos Habsburgos. Carlos V e Filipe II começaram a cobrar taxas aos neerlandeses, quando precisavam arrecadar fundos para sustentar as investidas militares, levando a uma difundida visão (por parte dos neerlandeses) da Espanha como um explorador no poder. Antes da batalha de Lepanto (1571), os Habsburgs taxaram os neerlandeses para financiar a guerra contra os Turcos. Após Lepanto, Filipe II usou os neerlandeses para financiar novas guerras no Atlântico. Os inimigos da coroa espanhola eram, muitas vezes, parceiros comerciais dos neerlandeses. Os comerciantes neerlandeses viam-se então ameaçados pelas ações de Filipe II. O Império dos Habsburgs impunha ao povo um catolicismo que possuía cunho político, o que fazia crescer a aversão dos neerlandeses a Filipe II. Os movimentos calvinistas enfatizavam virtudes como a modéstia, a clareza, a limpeza, a frugalidade e o trabalho duro, satisfazendo assim as expectativas dos holandeses que buscavam os seus direitos, liberdade e tolerância religiosa. As idéias protestantes e calvinistas que circundavam representavam uma ameaça ao Império Espanhol, e cada vez mais os Países Baixos se tornavam predominantemente calvinistas. No dia da Assunção da Virgem, em 1566, um pequeno incidente do lado de fora da catedral de Antuérpia deu início a um motim massivo de calvinistas, que invadiram as igrejas para destruir estátuas e imagens de santos católicos, que eles julgavam como heresias. A desordem continuou e, como reação, Filipe II enviou Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, duque de Alba (mais conhecido entre os protestantes neerlandeses como duque de ferro), para reprimir a rebelião. Em 1568, Guilherme I de Orange, conhecido como Guilherme o taciturno, stadtholder das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, tentou retirar o impopular Alva das ruas de Bruxelas. No dia 23 de Maio de 1568 tem-se início a batalha de Heiligerlee, a que é atribuída o início da Revolta neerlandesa contra os espanhóis, mais conhecida como a Guerra dos 80 Anos. As províncias reformistas do norte declaram-se independentes, em 1579, e formam a União de Utrecht, que é tida como o início da Holanda moderna. Mas, apenas em 1648, a Espanha finalmente reconhece a independência dos neerlandeses. A liberdade política atingida acaba incitando outras áreas, através da abertura a novas idéias culturais e científicas. O período do séc. XVII é conhecido como Era de Ouro da Holanda, no qual a Holanda era aclamada mundialmente na área do comércio, da ciência e das artes. Durante grande parte do século XVII, os neerlandeses, tradicionalmente bons marinheiros e fazedores de mapas hábeis e meticulosos, dominaram o mercado mundial, uma posição que, até então, era ocupada pelos portugueses e espanhóis, e mais tarde seria perdida para os ingleses, após uma longa competição que culminaria em diversas guerras (em sua maioria navais). Em 1602, foi fundada a Companhia das Índias Orientais Holandesa (Verenigde Oostindische Compagnie), que manteria o monopólio no comércio com a Ásia por dois séculos e iria se tornar a maior companhia comercial do mundo, no século XVII. Em 1609, foi fundado o banco de Amsterdam, um século antes da contra-parte inglesa.

 

A Pintura Neerlandesa



O séc. XVII foi o grande século da pintura neerlandesa. De entre os diversos artistas do período os que mais se destacaram foram: Rembrandt, Willem Kalf, Adriaen van Ostade, Gerard Terborch, Albert Cuyp, Jakob van Ruisdael, Jan Steen, Pieter de Hooch, Vermeer, Willem van de Velde e Meindert Hobbema. Apesar da qualidade e abundância da arte produzida neste século, houve um grande declínio com a entrada do séc. XVIII e se estendeu até o séc. XIX, sendo revertida com a chegada do gênio impressionista, Vincent van Gogh, no final do séc. XIX, e as pinturas abstratas de Piet Mondrian no séc. XX. Antes do surgimento da Holanda como uma nação, existia pouca distinção entra a arte dos Países Baixos do Norte e o Sul (arte flamenga). Durante a Idade Média a arte neerlandesa foi dominada pela influência de seus vizinhos mais fortes, Alemanha e França. Os artistas do séc. XV eram patronados e recebiam o suporte dos duques da Borgonha, cuja corte residia em Dijon. A arte era então voltada a motivos religiosos, sendo que vários dos artistas produziam peças para altares e outras pinturas religiosas no estilo realista. A Renassença italiana começou a influenciar os Países Baixos do Norte no início do séc. XVI e se torna evidente nos trabalhos de Jan Mostaert (1475-1555/56) e Cornelis Engelbrechtsen (1468 - 1533). Jan van Scorel (1495-1562) foi o primeiro artista a viajar constantemente à Itália e assimilou com sucesso alguns elementos italianos ao seu estilo. Dentre os seus pupilos encontra-se Maerten van Heemskerck (1498-1574), um dos maiores representantes do Maneirismo, que tornou-se o estilo predominante na Holanda do séc. XVI. O Maneirismo copia o estilo das pinturas italianas, enquanto tenta deliberadamente quebrar com as regras clássicas. Buscava atingir a discordância em oposição à harmonia, e tentava criar novos efeitos nas pinturas. Haarlem e Utrecht tornaram-se os maiores centros de pintura maneirista, nos Países Baixos do Norte. A luta pela independência e a exaltação nacionalista contribuirão fortemente para construir a natureza da arte neerlandesa, no séc. XVII. Os temas religiosos, históricos ou mitológicos não tinham mais apelo algum para os protestantes neerlandeses. Buscavam agora temas que exprimissem o orgulho pela nação. Esta auto-congratulação expressou-se através das paisagens, vistas das cidades, pinturas navais (a Holanda torna-se a potência naval do séc. XVII), e pinturas que glorificam a sua cultura burguesa, tais como retratos, pinturas de gênero e naturezas mortas. A Holanda não sofria influências estrangeiras, o que significa, que a arte que se desenvolveu foi original tanto nos temas quanto no estilo. A arte deixou de ser exclusividade dos mecenas, nobres ou religiosos, e passou a ser artigo da classe média em expansão. As pinturas eram raramente comissionadas, em sua grande parte eram vendidas assim como qualquer outra mercadoria.

Senhora escrevendo uma carta com a criada, Vermeer, 1670.



Características

 


As pinturas de gênero neerlandesas, do séc. XVII, caracterizam-se pela riqueza em detalhes, precisão e apuro técnico, numa tentativa de representar tudo aquilo que o olho humano é capaz de captar, de tal forma a dar à imagem um apecto semelhante à vida. Em meio a estas mudanças do ponto de vista trazidas pelo processo de independência, surge a idéia de Kepler de definição da pintura, tomando por base a definição do olho, como formativa da imagem retiniana não-linear. Define o olho humano como um produtor mecânico de pinturas, desta forma, atrela o processo de pintar ao processo de ver, cria-se uma dialética entre a natureza e a arte, o que caracteriza a pintura do norte holandês. Fora das esferas de influência dos grandes centros, desenvolve-se na Holanda uma pintura que se distancia da exuberância barroca, dos temas nobres e dos padrões de estética que orientam a arte desenvolvida na Itália, por exemplo. A busca pela representação do ambiente em que vive o povo holandês é constante. Os artistas se preocupam em representar, com o máximo de realismo, a perspectiva, as cores vivas dos objetos e a iluminação (ou falta da mesmo) nos ambientes. Para tanto, o artista faz uso de seu apuro técnico e, algumas vezes, de ferramentas, como a câmera obscura, que foi utilizada exaustivamente por Vermeer. Surge nessa época o questionamento: estava sendo produzido arte, ou uma mera representação da realidade? O mesmo problema suscitado pela fotografia, que não se trata de um conflito entre arte e natureza, mas entre os diferentes modos de produção pictórica. Como o ver, o conhecer e o pintar se interagem levando à formação de pinturas mentais ou visuais? E.H. Gombrich tentou fundamentar a representação pictórica ocidental na natureza da percepção humana. Mas não existe, provavelmente, nenhum artista que tenha meditado tão contínua e profundamente acerca destas questões, quanto o fez Leonardo da Vinci. "Quem quer que perca a vista, perde a bela visão do mundo e é como uma pessoa encerrada viva num túmulo, onde possa movimentar-se e viver. Ora, já notaste que o olho abarca as belezas de todo o mundo? Ele é o senhor da astronomia, faz a cosmografia, aconselha e corrige todas as artes humanas, leva os homens a diferentes partes do mundo, é o príncipe da matemática, suas ciências são exatíssimas, ele mediu as alturas e as dimensões das estrelas, descobriu os elementos e suas localizações. Previu acontecimentos futuros pela observação do curso das estrelas, criou a arquitetura, a perspectiva e a divina pintura".- Leonardo da Vinci "Trattato della Pittura". "A mente do pintor deve ser como um espelho que se transforma na cor da coisa que lhe serve de objeto e é preenchido com tantas lembranças quantas são as coisas colocadas diante dele. Assim, pintor, sabe que não pode ser bom se não fores um mestre versátil na representação, por via de tua arte, de todos os tipos de forma que a natureza produz – que não saberás o que fazer, caso não as vejas nem as representes em tua mente".- Leonardo da Vinci "Trattato della Pittura". " O argumento aqui compõem-se de três partes: primeiro, a mente não é apenas como um espelho mas, colorida pelos objetos que ela reflete, é realmente transformada num espelho; segundo, a imagem assim produzida pela natureza é não-seletiva – cada forma produzida pela natureza é espelhada, e por isso o homem não tem nenhum privilégio; finalmente, em sua frase conclusiva, Leonardo distingue claramente entre a representação espelhada na mente e a visão do próprio mundo. Nessa concepção de pintura, o espelho é o senhor ou guia, e Leonardo nesse espírito, aconselha o artista a confrontar sua arte com a natureza espelhada. (...) Nessa visão, uma pintura revela-se a si mesma para a representação de aparências como a perspectiva atmosférica – o fato perceptivo de que os contornos parecem suavizados, as formas arredondadas a certa distância de nossos olhos – ou o espaço recurvado. Mas, se a pintura toma o lugar do olho, então o observador não está em parte alguma. Embora fascinado pelas aparências, Leonardo teme entregar-se a tais exigências de absorção total e receia o sacrifício das escolhas humanas racionais que essa noção da pintura supões".- Svetlana Alpers "A Arte de Descrever".



Referências