| François Rabelais |
François
Rabelais. (Françhois
Rabelaiche).
Nasceu em Chinon em 1494, e, faleceu em Paris, a 9 de Abril de 1553.
François Rabelais foi um escritor, padre e médico francês do
Renascimento, que usou, também, o pseudônimo Alcofribas
Nasier
(um anagrama de seu verdadeiro nome). * Nascido em Chinon de la
Turaine, por decisão paterna seguiu a carreira eclesiástica: foi
frade menor da Ordem dos franciscanos durante 15 anos, em Fontenay le
Comte. Ordenado padre em 1511, entregava-se, apesar do espírito da
sua ordem e da proibição dos seus superiores, ao estudo das
ciências naturais e das línguas antigas (compreendendo o grego e o
hebreu). Em 1523, teve de fugir, mas, protegido por Godofredo de
Estissac, bispo de Maillezais, obteve o perdão e entrou na Ordem dos
Beneditinos. Em 1532, completou um curso de medicina, ingressando
como médico num hospital de Lião. Inspirando-se em antigas versões
populares da Idade Média, escreveu sua primeira obra importante, As
Grandes e Inestimáveis Crônicas do Grande e Enorme Gigante
Gargântua, que alcançou um sucesso surpreendente. O sucesso do
primeiro livro entusiasmou Rabelais, que prosseguiu no
desenvolvimento do mesmo tema, dando-lhe, porém, um sentido mais
objetivo, produzindo a segunda obra, a mais famosa: La Vie très
Horrifique du Grand Gargantua, père de Pantagruel. Gargântua e
Pantagruel é uma das obras-primas da literatura universal de todos
os tempos, não só por ser poderosamente pitoresca no seu
vocabulário e no seu estilo, mas também porque, na crueza da
linguagem, o cepticismo e as loucas fantasias, se descortina uma
crítica superior, um vivo amor pela humanidade, a paixão da justiça
e o culto da verdadeira ciência”.
| Rabelais por Gustave Doré, 1894. |
Em
Gargantua
e Pantagruel
(1532-52), François Rabelais escreveu no Abby
de Thelema
(palavra grega que significa "vontade" ou "desejo"),
um utopia imaginária onde seu princípio era "Faça Como
Queira", lugar no qual não havia governantes ou governados.
Graças a esta contribuição literária, bem como aos seus
questionamentos críticos de fundo ético através da sátira aos
governantes de seu tempo, Rabelais é considerado por alguns
anarquistas, entre eles Voltairine
de Cleyre,
um importante precursor do pensamento ácrata no final do medievo.
Pantagruel
Pantagruel
é o herói do primeiro romance de François Rabelais Les
horribles et épouvantables faits et prouesses du très renommé
Pantagruel Roi des Dipsodes, fils du Grand Géant Gargantua
("Os horríveis e apavorantes feitos e proezas do mui renomado
Pantagruel, rei dos dipsodos, filho do grande gigante Gargântua"),
publicado em 1532. Pantagruel
é filho do gigante Gargântua
e de sua mulher Badebec,
que morre durante o parto. Um
grande boa-vida, alegre e glutão, destaca-se desde a infância por
sua força descomunal - superada apenas por seu apetite. Seu nome
significa "tudo alterado" e é também o nome de um demónio
do folclore bretão cuja actividade preferida era a de jogar sal na
boca dos bêbados adormecidos, para lhes causar sede e fazê-los
beber ainda mais. Em suas andanças, Pantagruel encontra Panurge,
um clérigo arruinado que se tornará seu companheiro de aventuras e
também protagonista de vários episódios do romance. Fortemente
inspirada na tradição oral do medievo, nas gestas e nos romances de
cavalaria, a narrativa constitui-se de episódios épicos, cómicos,
eventualmente delirantes e grotescos, narrados em linguagem simples.
Após o grande sucesso do seu primeiro livro, Rabelais publica o
segundo romance, Gargântua,
originalmente chamado La
vie très horrifique du grand Gargantua, père de Pantagruel
(" A vida mui horrífica do grande Gargântua, pai de
Pantagruel"). Em virtude da censura da Sorbonne, Rabelais
escreveu ambos os livros sob o pseudônimo Alcofrybas Nasier, um
anagrama de seu próprio nome. De todo modo, Pantagruel acabou
condenado pela Sorbonne, sendo incluído entre os livros obscenos e
censurados. Em 1564 o Index
librorum prohibitorum,
promulgado pelo Papa, classificou as obras de Rabelais como
heréticas.
Gargântua
| Gargantua por Rabelais, 1873. |
Citações
- "O bom vinho alegra o coração do homem".
- - le bon vin réjouit le cœur de l'homme
- - "Le Tiers livre" - Página 482; de François Rabelais, Pierre Michel - Publicado por le Livre de poche, 1966 - 542 páginas
- "Um homem nobre nunca odeia um bom vinho: é um preceito monarcal"
- - Jamais un homme noble ne hait le bon vin: c'est un précepte monacal.
- - "Oeuvres complètes Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses" - Página 11; de François Rabelais, Guy Demerson, Michel Renaud, Geneviève Demerson - Publicado por Editions du Seuil, 1995 - 1579 páginas
- "O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia".
- - le vin possède le pouvoir de remplir l’âme de toute vérité, de tout savoir et de toute philosophie.
- - Oeuvres complètes, Volume 7 de Oeuvres de François Rabelais - Página 909, François Rabelais, Abel Lefranc - H. et E. Champion, 1913
- "Tudo chega com o tempo, para quem sabe esperar."
- - Tout vient à point, qui peut attendre
- - "Rabelaesiana", in: "Oeuvres de F. Rabelais" - Página 648; de François Rabelais - Publicado por Ledentu, 1835 - 677 páginas
- "O hábito não faz o monge".
- - l'habit ne fait pas le moine.
- - provérbio citado em "Oeuvres", volume 2, página 495; Por François Rabelais; Publicado por J.-F. Bastien, 1783, 528 páginas
- "Pouco tenho, devo muito, o resto fica para os pobres" (em seu testamento)
- - I owe much — I possess nothing — I give the rest to the poor
- - "The Parterre", volume 2, página 40; Publicado por E. Wilson, 1835
Atribuídas
- "Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam."
- - citado em "Duailibi Essencial: Minidicionário com mais de 4.500 frases essenciais" - Página 303, Roberto Duailibi, Marina Pechlivanis, Elsevier Brazil, 2006, ISBN 8535219579, 9788535219579 - 496 páginas