| Antiga Coletoria da cidade Palmeira. (imagem: Guilmann). |
Palmeira
é um município brasileiro do Estado do Paraná. Localiza-se na
Microrregião de Ponta Grossa, a uma latitude 25º25'46" sul e a
uma longitude 50º00'23" oeste, estando a uma altitude de 865
metros. Sua população estimada em 2010 é de 32.125 habitantes.
Possui uma área de 1465,1km². Foi neste município que se situou a
célebre Colônia Cecília. Com a Construção do
Caminho de Viamão, no século XVIII, muitos povoados
foram surgindo na
região dos Campos Gerais. Com o povoamento
definido chegam os imigrantes. Os russos-alemães em 1878, os
poloneses em 1888 e os italianos em 1890 liderados por Giovani
Rossi, sendo que estes últimos, formaram a primeira colônia
anarquista da América, a Colônia Cecília. E, em 1951,
chegaram os alemães menonitas que fundaram a Colônia
Witmarsum e a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum
Ltda. produtora de leite e derivados, e de frangos com a marca
Cancela. Criado através da Lei Estadual nº 238, de 9 de Novembro de
1897, e instalado na mesma data, foi desmembrado de Ponta Grossa. Os
habitantes naturais do município de Palmeira são denominados
palmeirense. Está localizada na Mesorregião do Centro
Oriental Paranaense, mais precisamente na Microrregião de Ponta
Grossa, estando a uma distância de 70km da capital do Estado,
Curitiba.
| A Bandeira da cidade. |
A
denominação deve-se ao fato de ter sido a cidade localizada e
fundada em um capão (bosque em meio de um descampado) já
anteriormente denominado Capão da Palmeira. Certamente pela
existência de palmeiras na região.
História
| Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. (imagem: Guilmann). |
| Vista lateral da Igreja Matriz da cidade. (imagem: Guilmann). |
| Delegacia policial da cidade, inaugurada em 4 de Junho de 1950 pelo secretário de Segurança do Estado, Pedro Scherer Sobrinho. (imagem: Guilmann). |
O município possui
como patrimônio histórico do Estado do Paraná, a Ponte dos
Papagaios e a arquibancada de madeira do Ypiranga Futebol Clube, o
time local da cidade, além da Casa Fazenda Cancela, que é um museu
e edifício histórico localizada dentro da Colônia Witmarsum.
Palmeira
foi o berço de personagens famosos que com seu espírito público,
humano e exemplo de laborioso trabalho, ajudaram a construir o Paraná
e o Brasil. Homens e mulheres como:
- Barão do Tibaji (José Caetano de Oliveira) e Viscondessa do Tibaji.
- Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá que participou do Ministério de D. Pedro II durante o Império (Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas), além de ter sido o último presidente da Província do Paraná, até 1888.
- Heitor Stockler de França, príncipe dos Poetas do Paraná.
- Alfredo Bertoldo Klas, pracinha da FEB, recebeu várias condecorações por bravura na Segunda Guerra Mundial, escritor, prefeito de Palmeira
- Newton Stadler de Sousa, grande jornalista do Paraná
- João Chede, deputado estadual e prefeito de Palmeira por várias vezes
- Arthur Orlando Klas, dentista, escritor e amante e estudioso da história de Palmeira
- Assad Kustandi Kardush, comerciante e professor de Inglês, nascido em Nazareth na Palestina chegando em 1950 em Palmeira onde viveu até falecer em 1986. Poliglota e pessoa de grande cultura e muito conhecido na cidade.
- Metry Bacila, cientista de renome internacional.
- Jorge Amin Bacila, magnífico médico, clinicou na cidade por 30 anos e hoje vive em Curitiba, a capital do Estado, com 86 anos. Desde os 4 anos de idade sem nenhuma audição, conquistou seu espaço na medicina. Nascido em 1 de Dezembro de 1920, ainda atuando na profissão.
- Astrogildo de Freitas, grande historiador e primeiro diretor dos Correios do Paraná. Escreveu três livros sobre a história de Palmeira e dos Correios do Paraná
- Oscar Teixeira de Oliveira, escritor de crônicas e artigos para jornais.
- Maria Edite Lederer, poetisa com 4 livros editados.
- Ivo Arzua Pereira, político e escritor, foi prefeito de Curitiba e ministro da Agricultura do Brasil.
- Francisco Sinke Ferreira, médico humanitário. Pela competência profissional, retidão de caráter e bondade tornou-se um homem muito querido da população da Palmeira, onde recebeu, em vida, inúmeras homenagens.
- Dr. Moisés Marcondes, médico, romancista e cronista.
- Coronel Antônio de Sá Camargo, um dos fundadores da cidade de Guarapuava.
- Claudio Lenine Anderman, nasceu em Urubici e chegou na cidade por volta dos anos 80 e cresceu na indústria ecológica, levando em frente o projeto de um viveiro de plantas, que se tornou o maior do país. Hoje em dia seu filho Leonel Carlos Anderman trabalha com ele em prol de uma cidade com uma boa arborização e bela qualidade de vida. Tocam hoje o Viveiro Porto Amazônas.
- Pedro Scherer Sobrinho, oficial do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar do Paraná que teve ativa participação política no Estado.
- Angelo Sampaio, oficial do Exército Brasileiro. Nasceu em 1 de Outubro de 1875. Ingressou na Escola Militar, quando eclodiu a Revolta da Armada. Como alferes comissionado tomou parte dos combates na Praia de Santa Luzia, Arsenal da Marinha. Servia no 39° Batalhão de Infantaria, em Curitiba, quando foi enviado para combater da Guerra de Canudos, onde foi morto em 1 de Outubro de 1897.
- Clã Ferreira Maciel, composto por Pedro Ferreira Maciel, Luís Ferreira Maciel, Ottoni Ferreira Maciel, além de Domingos Ferreira Maciel.
- Berço também de heróis anônimos da Guerra do Paraguai, da Segunda Guerra Mundial como por exemplo Vicente Zaleski e outros heróis que, com seu trabalho no movimento tropeirista ou na acolhida a estes, prestaram sua colaboração
- Manuel Demétrio de Oliveira - Herói da Guerra do Paraguai.
- Sérgio Krzywy - "Dom Sergio Krzywy" Bispo atualmente atuando no interior de São Paulo.
Imigrações
A
região já era povoada por ricos fazendeiros portugueses, antigos
bandeirantes paulistas que se fixaram na região, caboclos e negros
descendentes de escravos. A partir de 1878, por iniciativa dos
governos provincial e imperial começam a se fixar na região outras
colônias de imigrantes:
- Russos-alemães: começaram a chegar em 1878 e formaram sete núcleos ou colônias de povoação. Se dividiam em católicos e luteranos. Muitos abandonaram a atividade agrícola e passaram a se dedicar ao serviço de transporte de mercadorias com carroções. Outros passaram a trabalhar em obras públicas e outras ainda em atividades urbanas.
- Polacos: chegaram a partir de 1888. Agricultores por excelência, se espalharam pelo município formando várias colônias.
- Italianos - Anarquistas: chegaram em 1890, motivados por Giovani Rossi para implantar a primeira Colônia Anarquista da América, mundialmente conhecida como "Colônia Cecília". A mesma acabou alguns anos depois por motivos internos e externos, os imigrantes italianos se transferiram para várias regiões do Brasil, contribuindo decisivamente para o surgimento do movimento sindical em nosso país. Ficam em Palmeira apenas três famílias.
- Alemães Menonitas: chegam em 1951 e fundam a Colônia Witmarsum e a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum Ltda. que é grande produtora de leite e seus derivados e de frango com a marca “Cancela”.
- Russos Brancos: chegaram em 1958 e se fixaram na localidade de Santa Cruz, entre Ponta Grossa e Palmeira, dedicando-se a atividade agrícola.
- Sírio-libaneses, palestinos, egípcios e japoneses: chegaram no início do século XX. Os sírio-libaneses se dedicaram ao comércio e os japoneses ao comércio e a agricultura.
Esporte
| Estádio João Chede - Clube de futebol Ipiranga. (imagem: Guilmann). |
| Clube Palmeirense. (imagem: Guilmann). |
Os
primeiros colonos chegaram em 1890 e construíram um barracão
coletivo que instalava, provisoriamente, as famílias para, em
seguida, cada uma tratar de construir a sua própria casa. Nessa
época, o contingente populacional na Colônia Cecília era de quase
trezentas pessoas, inclusive o próprio Rossi. Ao final de 1891, a
explosão populacional superava a estrutura disponível: 20 casas de
madeira e um barracão comunitário. A lavoura, a pecuária não
produziam o suficiente para a subsistência dos colonos, grande parte
de origem operária e sem conhecimentos agrícolas para implementar
uma produção em maior escala. O primeiro obstáculo enfrentado pelo
núcleo anarquista foi o modo de organizar o trabalho. Aos artesãos,
foram designadas tarefas semelhantes às que já realizavam. Mas
quanto aos lavradores, Giovanni Rossi já pressentira que
encontrariam dificuldades em razão da diferença entre o solo
brasileiro e o italiano. Ao concluírem a construção das habitações
coletivas e individuais e dividirem racionalmente o trabalho entre os
150 colonos, eles se depararam com um fato real: o milho, que era
ideal para aquela região, não nasce do dia para a noite. Com o
dinheiro que trouxeram conseguiram subsistir, comprar mantimentos,
instrumentos para a lavoura e sementes. Contudo, viram-se obrigados a
procurar por outras atividades para delas tirar seu sustento até que
pudessem viver tão somente de sua lavoura. Alguns se ocupavam da
plantação enquanto outros trabalhavam em obras do governo. Os
colonos plantaram mais de oitenta alqueires de terra - em área que
lhes fora cedida pelo Imperador Pedro II, pouco antes da proclamação
da República - e construíram mais de dez quilômetros de estrada,
numa época na qual inexistiam máquinas, tratores ou guindastes de
transporte de terras. Foram edificados o barracão coletivo, vinte
barracões individuais, celeiros, a casa da escola, moinho de fubá,
tanque de peixes, o pavilhão coletivo - que também abrigava o
consultório médico - viveiro de mudas, poços, valos, pomar de
peras, estábulos, além da grande lavoura de milho. Nos quatro anos
de existência da colônia (1890-1894), sua população chegou a
atingir cerca de 250 pessoas. Realizaram-se duas relações do tipo
poligâmico. O próprio Rossi se propôs como exemplo concreto do
novo estilo de vida, compartilhando com outro homem a sua ligação
amorosa com uma moça da colônia. Em 1892, aconteceu o primeiro
revés na Colônia: sete famílias decidiram pelo regresso à Itália
- a primeira desagregação que, seguida de outras, reduziu a Colônia
a apenas vinte pessoas até o final desse mesmo ano. Os colonos
iniciaram a migração para Curitiba: eram médicos, engenheiros,
professores, intelectuais e operários, além de camponeses na
Itália. Esse grupo fundou na capital paranaense a Sociedade
Giuseppe Garibaldi. No ano seguinte (1892), a Colônia recebe
novo alento com a chegada de novos colonos. Nesse período (apogeu de
sua breve história), teve início a vitivinicultura e a fabricação
de sapatos e barricas. Ao final desse ano, a Colônia contava com
sessenta e quatro pessoas, dois poços artesianos e uma estrada de
acesso. Foi também nesse período que os sapateiros oriundos da
Colônia exerceram papel de destaque no movimento operário do
Estado.
O
experimento da Colônia Cecília terminou por vários motivos. O
principal foi a pobreza material, chegando mesmo a condições de
miséria. Em segundo lugar, a hostilidade da vizinha comunidade
polonesa, fortemente católica. O próprio clero e as autoridades
locais promoveram o ostracismo dos anarquistas. Enfim, havia as
doenças, ligadas à desnutrição, à falta de condições de
saneamento adequadas, além dos problemas internos ligados às
dificuldades de adaptação ao estilo de convivência anarquista,
particularmente no tocante ao amor livre, que, embora teoricamente
fosse aprovado por todos, na prática, despertava temores,
especialmente entre as camponesas. A Colônia Cecília, desde o final
de 1893, entretanto, dá sinais de esgotamento: havia grande demanda
por mão de obra nas cidades vizinhas, especialmente Palmeiras, Porto
Amazonas, Ponta Grossa, além da capital. Mesmo assim, outras
famílias continuaram chegando à Colônia, atraídas pela propaganda
difundida pela imprensa socialista europeia que, entretanto, não foi
suficiente para a sua manutenção. A Colônia Cecília se extinguiu
em 1893.
Colônia
Witmarsum
| Igreja Menonita de Witmarsum, onde o culto ainda é realizado em língua alemã. (imagem: SamirNosteb). |
Estrias
Glaciais de Witmarsum
| Afloramento mostrando as estrias glaciais de Witmarsum. (imagem: GeoPotinga). |
| Painel explicativo das Estrias Glaciais de Witmarsum. (imagem: GeoPotinga). |
Ponte
dos Papagaios
| Antiga ponte sobre o Rio dos Papagaios, às margens da BR 277, construída em 1876 por imigrantes alemães quando da visita de Dom Pedro II ao Paraná. Obra tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural, sendo considerada um monumento da engenharia nacional. (imagem: SamirNosteb). |
Construídas
entre os anos de 1876 e 1877 com autorização do imperador
brasileiro D.Pedro II, foi inaugurada, oficialmente,
com a presença da comitiva real em 1880. Considerada um monumento de
engenharia brasileira do século XIX, foi a primeira desse gênero na
província, sendo que o seu projetista foi o capitão do exército
Francisco Antônio Monteiro Tourinho, que era
engenheiro militar, sob a responsabilidade do presidente
(provinciano) Adolfo Lamenha Lins. Sua construção era
uma reivindicação do povo de Palmeira para facilitar e encurtar as
viagens na antiga Estrada do Mato Grosso, única ligação
entre a capital: Curitiba e os municípios situados do planalto dos
Campos Gerais do Paraná.
Construído
por imigrantes alemães, obedeceu ao projeto de Francisco
Antônio Monteiro Tourinho, que determinava dois arcos em seu
vão central e a matéria prima constituída, obrigatoriamente, de
pedras da região dos campos gerais. Para a obtenção destas pedras,
exigiu-se a não utilização de explosivos e que estas fossem
talhadas à mão no formato de blocos de paralelepípedo, com arestas
vivas e em faces lisas. Para a fixação destes blocos de pedras, foi
utilizada argamassa.
Com
a construção da BR-277, foi erguida uma nova ponte no local e assim
a Ponte dos Papagaios deixou de receber o tráfego intenso de
veículo, visando a sua conservação. No local foi idealizado um
recanto e local para descanso aos viajantes, constituído de piscinas
naturais no Rio dos Papagaios, churrasqueiras e bosque, num total de
15 mil metros quadrados de área. O local ficou conhecido como
Recanto dos Papagaios, tornando-se ponto turístico em função
da construção histórica pertencente ao local.
Casa
sede da Fazenda Cancela
| Casa Fazenda Cancela - Museu histórico de Witmarsum. (imagem: SamirNosteb). |
Construída
na primeira metade do século XX pelo senador Roberto
Glaser
(senador de 1937 a 1946) para ser sede da Fazenda Cancela. Após a
Segunda Guerra Mundial a fazenda foi comprada pelo Menonitas
brasileiros que se instalaram na região com a intenção de produzir
leite pasteurizado e a antiga sede foi transformada em
hospital-maternidade, entre outras utilizações. Em Setembro de 1989
a casa foi tombada pela Secretária da Cultura do Estado do Paraná e
logo após se tornou museu histórico da colônia, mantendo um acervo
de objetos, móveis, fotos, equipamentos e utensílios das colônias
Menonitas de Santa Catarina e da própria Witmarsum, além de peças
históricas trazidas pelos primeiros imigrantes menonitas vindo da
Rússia.
Construída
em madeira e alvenaria, em estilo europeu-italiano, com um pavimento
e sótão habitável, possui 400 m2
de área construída e mantem ornamentos em lambrequins e forte
inclinação em sua cobertura.