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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Biografia de Hermann von Ihering

Hermann von Ihering
Hermann von Ihering. (Hermann Friedrich Albrecht von Ihering). Nasceu em Kiel, Alemanha, a 9 de Outubro de 1850, e, faleceu em Gießen, Alemanha, a 24 de Fevereiro de 1930. Hermann von Ihering foi um médico, professor e ornitólogo teuto-brasileiro.

Biografia
É o filho mais velho do jurisfilósofo Caspar Rudolf von Ihering. Aos 18 anos mudou-se para Viena com a família. Ao estourar a guerra de 1870 alistou-se no Regimento de Mosqueteiros de Darmstadt. Formado em medicina pelas Universidades de Berlim e Göttingen, passou a estudar zoologia e geologia, recebendo o título de doutor em 1876. Era professor de zoologia em Leipzig quando veio para o Brasil em 1880, para se dedicar às pesquisas patrocinadas pelo governo imperial. No Brasil casou-se com a jovem viúva Anna Maria Clarz Belzer, com quem teve dois filhos, Clara von Ihering e Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering. Residiu inicialmente em Taquara (1880-1883), depois passou por Guaíba (1883-1884). Do Brasil enviou material para diversas pessoas e instituições: aves para o Museu Britânico e para o conde Hans von Berlepsch, ovos para Adolph Nehrkorn e aranhas para o conde Alexander von Keyserling. Além disso praticou medicina e escreveu para um jornal em Porto Alegre. Em 1883 foi nomeado naturalista viajante do Museu Nacional, estacionado no Rio Grande do Sul. Morou em Rio Grande (1884-1885), São Lourenço do Sul (1885) e viveu 7 anos numa ilha na foz do Rio Camaquã, a Ilha do Doutor, onde construiu uma ampla casa que descreveu em suas memórias não-publicadas Lebenserinnerungen. Naturalizado brasileiro em 1885, em 1892 mudou-se para São Paulo a fim de fundar o Museu Paulista, dedicado à história natural, do qual foi diretor por 25 anos. Foi também o criador do Jardim Botânico e autor do livro As Aves do Rio Grande do Sul publicado em 1907 em São Paulo. Afastado do cargo de diretor do museu durante a Primeira Guerra Mundial, por causa de sua origem alemã, retirou-se para Blumenau ou Florianópolis, onde dirigiu um museu por quatro anos. Conhecido e respeitado por cientistas do mundo todo logo recebeu convites de museus e universidades, indo primeiro para o Chile e depois para o Museu de La Plata, na Argentina. Lá lecionou zoologia na Universidade de Córdoba, continuando suas pesquisas de arqueologia e antropologia. Ao retornar à Alemanha, em 1924, a convite da Universidade de Gießen, doou à universidade de Córdoba sua coleção de moluscos fósseis. Ao celebrar seus 70 anos era membro honorário ou correspondente de 30 sociedades e academias, seu nome tinha sido dado a 5 genera e mais de 100 espécies de animais e plantas. Seu filho, Rodolpho von Ihering, seguiu os passos do pai, tendo sido destacado cientista e introdutor da Limnologia no Brasil.


Ihering e a etnografia do Brasil meridional

Ihering publicou também vários estudos antropológicos e arqueológicos, sobretudo sobre o sul do Brasil - um aspecto menos conhecido de sua carreira. Nessa área, Ihering é particularmente lembrado por sua posição polêmica no debate sobre a questão indígena no começo do século XX, chegando a sugerir, sobre os Kaingáng de São Paulo, que seriam "um empecilho para a colonização das regiões do sertão que habitam", não havendo "outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu extermínio".

Referências


terça-feira, 22 de julho de 2014

Faisão (aves)


Faisão. * Os faisões são galináceos de grande tamanho, mas com a cabeça, geralmente emplumada e crivada de carúnculas. São notáveis pelas suas cores vivas, de reflexos metálicos dourados ou acobreados, nos machos; as fêmeas têm ordinariamente um cor mais carregada e a sua cauda nunca atinge as proporções que têm as dos machos. Vivem aos pares nas regiões montanhosas ou nas planícies; fazem ninho na terra; são tanto granívoros como insetívoros e empoleiram-se à noite para dormir. (1) O grupo inclui diversos gêneros e espécies, muitas delas cinegéticas.

(imagem:  ChrisO)

Etimologia



"Faisão" é oriundo do grego phasianós, pelo latim phasianu e pelo provençal antigo faisan. Que significa “ave colorida de penas longas”.



Descrição



Todas as espécies de faisão apresentam forte dimorfismo sexual, sendo o macho maior e mais colorido que a fêmea. Os machos têm também longas penas posteriores, que se assemelham a uma cauda. As fêmeas incubam os ovos e tratam das crias sozinhas. Um faisão pode viver até vinte anos. Na natureza ele se alimenta de frutas, raízes, insetos, folhas e verduras. O faisão torna-se maduro sexualmente aos um ou dois anos, dependendo da espécie. Nas condições climáticas brasileiras, ele se reproduz de setembro a dezembro, atingindo o pico máximo em outubro. Em cada postura o número de ovos varia de 15 a 30. O período de incubação é de 22 a 27 dias, variando a espécie. Os ovos e outros pratos de faisão são muito apreciados, mas de alto valor, rondando os 40€ por pessoa.



Phasianus Colchicus (Faisão-Comum)



(Imagem: gary noon ),

O faisão comum é uma ave da ordem galiformes, sendo uma ave muito popular na região norte da terra, os machos pesam entre 1,3 a 2,5kg e as fêmeas entre 0,9 a 1,8kg.


Habitat

Sendo nativo da Ásia, foi introduzida na Europa e América do Norte e Oceania, faisão comum é uma ave terrestre, vivem nos campos e áreas agrícolas, se não haver água na região aonde ele se encontra, ele bebe água dos orvalho.


Caça e Conservação

Caça esportiva é uma prática muito comum nos EUA, principalmente no estado de Dakota do Sul, onde são abatido mais de 1 milhão de aves/ano por mais de 150 mil caçadores. Sendo também caçado no Reino Unido, entre outros países como Austrália,Canadá,México, etc. Essas aves são de fácil reprodução em cativeiro, podendo chegar a colocar mais de 30 ovos em cativeiro, já na natureza a fêmea coloca de 6 a 15 ovos, num ninho feito no chão, período de incubação são de 24 dias.


Alimentação

Se alimenta basicamente de grãos e insetos, normalmente é encontrado nas áreas agrícolas alimentando-se de milho, trigo, cevada, uva selvagem, etc.



Polyplectron Bicalcaratum (Faisão-Eperonier)



Faisão-eperonier  (imagem: Tony Hisgett).


O Faisão Esporeiro de Chinquis (Pt) ou faisão-eperonier (Pt-Br) é o pássaro nacional de Myanmar, outrora conhecida como Birmânia. O faisão-eperonier e suas cinco subespécies podem ser encontrados nas florestas tropicais em todo Sudeste Asiático. O faisão-eperonier tem sido amplamente criado como ave exótica em cativeiro e é possível encontrar exemplares espalhados por todo o mundo, dada sua fácil adaptação em praticamente todos os países de clima tropical e sua beleza exótica.


Criação Ornamental


Para a criação bem sucedida dessa espécie de faisão, é necessário um viveiro relativamente pequeno, se comparado às determinações necessárias para a criação da maioria das outras espécies. O tamanho mínimo para a implantação de um viveiro para o faisão-eperonier é de 2m x 4m x 2m de altura, metade coberto para a proteção contra intempéries e com piso de areia. Sua postura varia entre oito a doze ovos, que eclodem em média em 21 dias.


Subespécies

  • P. b. bicalcaratum
  • P. b. katsumatae
  • P. b. ghigii
  • P. b. bailyi
  • P. b. bakeri



Lophophorus Ihuysii (Faisão-Esplêndido)



(imagem:  Snowyowls )

O Faisão-esplêndido é uma espécie do faisão. É uma ave galiforme com cabeça verde, pescoço dourado e vermelho, dorso azul e cauda azul cobalto. Os faisões-esplêndidos são monogâmicos. A fêmea põe de três a cinco ovos de cor creme com listras vermelhas entre Abril e Maio, que são chocados por cerca de 28/29 dias.



Lophophorus Impejanus (Faisão-do-Nepal)

(Imagem: J.M.Garg ).

Lophophorus impejanus, popularmente conhecido como faisão-do-nepal ou faisão-resplandecente, é uma ave galiforme da família Phasianidae. É considerada a ave-símbolo do Nepal.



Caracterização



O faisão-do-nepal mede aproximadamente 70cm de comprimento e seu peso varia entre 1,9 e 2,3kg nos machos e 1,8 e 2,1kg nas fêmeas. Apresenta acentuado dimorfismo sexual: os machos adultos possuem uma grande crista verde-metálica e a plumagem do corpo é totalmente multicolorida, enquanto as fêmeas são castanho-escuras, com plumagem branca no pescoço e coberteiras superiores da cauda, além de possuírem uma coloração azulada na região periocular.



Distribuição e habitat



Ocorre do leste do Afeganistão até a região do Himalaia, incluindo a região da Caxemira, no norte do Paquistão, índia (estados de Himachal Pradesh, Uttarakhand, Sikkim e Arunachal Pradesh), Nepal, sul do Tibete e Butão. Há registros de sua ocorrência em Myanmar. Ocupa a região superior das florestas temperadas de coníferas, em rochedos e campinas altas entre 2.400 e 4.500 metros de altitude. Possuem notável migração em relação à altitude, procurando regiões abaixo dos 2.000m durante o inverno.



Alimentação



Alimentam-se de raízes, tubérculos e algumas plantas, além de invertebrados. Possuem tolerância à neve, sendo observados escavando nela para procurar alimento.



Lophura Swinhoii (Faisão Swinhoe)



(imagem: José Oscar dos Santos Junior)

O faisão swinhoe é uma ave da ordem Galiformes, com uma plumagem azulada e preta, macho, e a fêmea, toda marrom.



Descrição



A um dimorfismo sexual marcante no faisão swinhoe, sendo, o macho azul com uma mancha branca nas costas, preto na barriga, com o cauda preto e branco, e vermelho ao redor dos olhos, já a fêmea é marrom, com as pontas das penas amarelada na região do peito e barriga.



Reprodução



Normalmente um macho aceita mais de uma fêmea, a fêmea põe cerca de 6 a 12 ovos/ano, incubando durante 25 dias.



Habitat



O faisão swinhoe é originário das montanhas de Taiwan, habita floresta primária e secundária de 200 à 2500 metros. Sendo um animal terrestre.



Ameaças e Conservação



No passado a espécie era muito caçada, fez com que, sua população decaísse. Hoje a sua principal preocupação é a perda de habitat, fora das reservas, estima-se que exista 10 mil animais na natureza. Já existe criação em cativeiro, seu preço chegando a R$1000 o casal. O primeiro exemplar em cativeiro foi em 1866 no Jardin d'acclimatation em Paris, França, já no mesmo ano nascendo 12 filhotes em cativeiros.



Alimentação



Se alimenta basicamente de insetos, Frutas, raízes, folhas, etc.



Lophura Nycthemera (Faisão-Prateado)



(imagem: Diomidis Spinellis).
O faisã-Prateado é uma espécie de ave galiforme da família Phasianidae autóctone da China e Indochina. Sua inconfundível plumagem se caracteriza por combinar o preto com um tom pálido prateado que cobre as asas e a cauda.

Sub-espécies


São conhecidas 15 sub-espécies de Lophura nycthemera:

  • Lophura nycthemera occidentalis
  • Lophura nycthemera rufipes
  • Lophura nycthemera ripponi
  • Lophura nycthemera jonesi
  • Lophura nycthemera omeiensis
  • Lophura nycthemera rongjiangensis
  • Lophura nycthemera beaulieui
  • Lophura nycthemera nycthemera
  • Lophura nycthemera whiteheadi
  • Lophura nycthemera fokiensis
  • Lophura nycthemera berliozi
  • Lophura nycthemera beli
  • Lophura nycthemera engelbachi
  • Lophura nycthemera lewisi
  • Lophura nycthemera annamensis



Lophura Diardi (Faisão-Siamês)



O faisão-siamês é uma espécie de ave galiforme da família Phasianidae autóctone das selvas do Sudeste asiático. Não se conhecem sub-espécies. A segunda palavra do nome científico é em honra ao naturalista francês Pierre-Médard Diard.

(imagem:  DickDaniels ).




Distribuição



O faisão-siamês se distribui pelos bosques das terras baixas sempre verdes do Camboja, Laos, Tailândia e Vietnã. Na Tailândia é considerada como a ave nacional do país. Até recentemente a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) considerava o faisão-siamês em risco de extinção, mas estudos recentes têm comprovado que se haviam subestimado suas populações e que na realidade, a espécie não corre perigo.



Lophura Bulweri (Faisão de Bulwer)

(imagem: Stickpen ).

O faisão de Bulwer é uma espécie de ave galiforme da família Phasianidae endêmica da ilha de Bornéu. Não se conhecem sub-especies. Está atualmente listado com Vulnerável pela IUCN.



Distribuição

Centro-norte de Bornéu (regiões montanhosas de Sarawak, Brunei, Kalimantan, Sabah).



Algumas espécies


  • Faisão-comum (Phasianus colchicus)
  • Faisão-eperonier (Polyplectron bicalcaratum)
  • Faisão-de-swinhoe (Lophura swinhoii)
  • Faisão-da-manchúria (Crossoptilum mantchurium)
  • Faisão-esplêndido (Lophophorus lhuysii)
  • Faisão-resplandecente (Lophophorus impejanus)
  • Faisão-dourado (Chrysolophus pictus)
  • Faisão-prateado (Lophura nycthemera)
  • Faisão-verde (Phasianus versicolor)
  • Faisão-perlado (Lophura diadi)
  • Faisão-argus (Argusianus argus)
  • Faisão-de-Bulwer (Lophura Bulweri)





Referências














terça-feira, 13 de maio de 2014

Araracanga (ave)


Araracanga (imagem: Matthew Romack).
Araracanga (Ara macao, Linnaeus, 1758), também chamada aracanga, arara-macau, ararapiranga, macau e arara-vermelha-pequena, é a terceira maior representante do gênero Ara, que reúne araras e maracanãs. Ocupa um grande território na América que vai do sul do México até o norte do Estado brasileiro do Mato Grosso. É uma das aves mais emblemáticas das florestas neotropicais, mas sua população vem declinando e em algumas áreas já foi extinta ou está em grande perigo. A população centro-americana está particularmente ameaçada. Entretanto, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, em 2009, classificou o estado da espécie globalmente como "pouco preocupante" (LC).




Etimologia



"Araracanga" e "aracanga" vêm do termo tupi arara'kãga. "Arara" vem do tupi a'rara. "Ararapiranga" vem do termo tupi para "arara vermelha".




Taxonomia e descrição



(imagem: Brian Ralphs).
Foi descrita pela primeira vez por Lineu em 1758. Tradicionalmente, tem sido considerada uma espécie monotípica, como a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais ainda o faz, mas, há alguns anos, foi proposta a divisão em duas ou três subespécies. O Sistema Integrado de Informação Taxonômica reconhece apenas duas: Ara macao macao (Linnaeus, 1758), presente na América do Sul e Ara macao cyanopterus (ou cyanoptera) Wiedenfeld, 1995, que ocorre na América Central. Os indivíduos desta espécie pesam cerca de 1,2 quilogramas, com 85-91 cm de comprimento. Sua plumagem geral é vermelha com verde, asas em azul e amarelo e face glabra e branca. Os olhos vão do branco ao amarelo. Têm pernas curtas e uma longa cauda pontuda, asas largas, um bico largo, curvo e forte com parte superior branca e inferior negra e pés zigodáctilos, que os tornam hábeis escaladores e manipuladores de objetos. Quando voam e se alimentam, emitem um característico grito forte e rouco, como um RRAAAAH, e são capazes de articular sons imitando palavras humanas ou vozes de outros animais.




Ocorrência, ameaças e conservação



(imagem: Notafly).
A Ara macao ocorre em uma vasta área americana, indo do sul e leste do México até o Panamá, com um hiato, então continuando por todo o norte da América do Sul até o norte do Mato Grosso, incluindo regiões adjacentes do Maranhão, Pará e Bolívia. No Peru e Equador ocorre em toda parte a leste da Cordilheira dos Andes. Já foi vista até no nordeste da Argentina. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais indica, como países nativos da Ara macao: Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela. Foi introduzida pelo homem em Porto Rico e algumas áreas urbanas dos Estados Unidos, Europa e outros pontos da América Latina. Sua população total é estimada entre 20 000 e 50 000 indivíduos, mas está em declínio. Entretanto, o número é considerado ainda expressivo, o que, junto com a sua grande área de ocorrência e o ritmo relativamente lento do seu declínio populacional, fez a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais declarar a Ara macao como em condição "pouco preocupante" (LC). Porém, há um consenso de que a espécie precisa receber atenção. Já foi declarada como "ameaçada" na lista Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. De fato, há muitas razões para se preocupar e os esforços até agora têm sido insuficientes para reverter a tendência de queda populacional. As maiores ameaças para esta espécie são a destruição do seu ambiente e a caça predatória, estando entre as aves mais cobiçadas no tráfico ilegal de animais silvestres. Como a sua longa e vistosa cauda não cabe nos ninhos, fica para fora, o que a denuncia facilmente para os caçadores num período em que a ave fica particularmente vulnerável a inimigos, e como seu ciclo reprodutivo é longo, sua população cresce devagar. Em alguns lugares ainda é caçada pela carne. Em El Salvador, foi extinta e desapareceu do leste do México e da costa pacífica da Nicarágua e Honduras. No Panamá e na Costa Rica está ameaçada, e na Guatemala, Peru e Venezuela se tornou rara. Em Belize é muito rara, calculava-se em 1997 a existência de apenas 30 indivíduos, embora um grupo adicional tenha sido mais tarde redescoberto. Como visto, a subespécie cyanoptera, que ocorre na América Central, já se tornou no geral extremamente rara e sua extinção fora de reservas especialmente bem protegidas é considerada inevitável. Por outro lado, vários países adotaram medidas de conservação da espécie, criando leis e reservas, e projetos privados de monitoramento de ninhos, mapeamento de populações, educação ambiental e criadouros para soltura também estão sendo realizados, com resultados positivos. Ela se tornou um grande atrativo no ecoturismo de algumas regiões, o que pode contribuir para sua conservação.




Comportamento, alimentação e reprodução



Um exemplar domesticado (imagem: Kitten Fleming).
Prefere viver em altitudes não superiores a mil metros, nas galerias das florestas tropicais, úmidas ou secas, frequentando os estratos arbóreos superiores, embora desça ao solo em ocasiões. Pode viver nas beiras das matas, nos descampados, desde que sobrevivam algumas árvores grandes e altas, e habitar até áreas suburbanas se não for molestada. Prefere a proximidade dos rios, mas pode obter água também de depósitos naturais em bromélias e forquilhas de troncos. Gosta de tomar banho de chuva e entre seus hábitos está roer muita madeira. Não tem grande fôlego, sendo capaz só de voos curtos, mas é um excelente escalador e acrobata das árvores. Manipula seus alimentos com uma pata com grande habilidade e parece gostar de se divertir com objetos vários que encontra. Pelo seu tamanho quase não tem predadores, mas felinos e aves de rapina de grande porte podem caçá-la. É uma espécie muito gregária e pode conviver com outras araras e papagaios. Voa em pares ou grupos de três, unidos frouxamente a um grande grupo. Alimenta-se em grupos grandes, preferencialmente de sementes de frutos ainda verdes, mas também come frutos maduros, folhas, larvas, flores, brotos, néctar e ocasionalmente terra, para obter suplementos minerais e eliminar toxinas da dieta. Tem um importante papel de dispersora de sementes no equilíbrio de seus ambientes, e como prefere as sementes, muitas vezes descarta as polpas dos frutos, que caem ao solo ou ficam expostas, sendo consumidas por outras aves, insetos e mamíferos que de outra forma não teriam acesso a elas. Com seu bico poderoso abre sementes muito duras, cujas sobras também servem de alimento para outras espécies. Os casais são monogâmicos e inseparáveis. Nidificam geralmente em ocos de troncos, muitas vezes de árvores mortas, mas também em fendas em paredões de rocha. Colocam de um a três ovos, que a fêmea choca por 22 a 34 dias (há discordância entre os autores), sendo alimentada pelo macho. Os filhotes nascem em dias diferentes, implumes, cegos e indefesos. Ambos os pais cuidam da ninhada e a defendem com vigor, mas pode ser atacada por répteis e mamíferos. As crias comem uma papa regurgitada pelos pais e com dois a três meses deixam o ninho, mas permanecem junto dos pais por algum tempo, aprendendo como viver na floresta. Sua plumagem adulta só é conseguida aos dois anos. Atingem a maturidade sexual aos três anos e podem viver em média de 40 a 60 anos. Já foram registrados exemplares com 75 anos em cativeiro.




Importância cultural



Esta arara é uma figura destacada em muitas culturas indígenas americanas desde tempos imemoriais. Foi identificada em murais em Bonampak e foi esculpida em pedra em Copán, ambos monumentos da cultura Maia, que a identificava com o calor solar e a associava à deidade primordial chamada Sete Araras. Entre os Astecas era a ave que carregava até a vida além-túmulo as almas dos mortos nascidos no 11º dia de sua semana de treze dias. Uma arara, identificada como provavelmente a macao, era a principal deidade aviforme na cultura Izapan. Suas penas, usadas em adornos e artefatos religiosos, foram encontradas em muitos ítens arqueológicos, incluindo múmias do Peru. Também foi encontrado um esqueleto parcial desta arara sobre a cabeça de um esqueleto humano em um enterramento no Panamá, que pode ter sido de um xamã. Entre os Bribri da Costa Rica era um animal protetor; suas penas vermelhas eram usadas em ritos de cura e em cerimônias fúnebres para afugentar maus espíritos e iluminar o caminho dos mortos até o novo mundo. A água que elas bebiam de ocos em troncos também era considerada curativa. Desde antes da chegada de Colombo foi muito procurada, na região do norte do México e sudoeste dos Estados Unidos, para retirada de plumas, para funções rituais e para domesticação, com um grande centro de criação em Paquimé. Atraiu de imediato a atenção também do homem branco assim que ele chegou à América. Esta arara aparece no primeiro mapa do Brasil, datado de 1502. Existem indícios de que os descobridores europeus já haviam-na encontrado na última década do século XV, em 1498, na desembocadura do Rio Orinoco. Jean de Léry a considerou uma das duas aves mais belas do mundo, junto com a arara-de-barriga-amarela. Ainda hoje está presente nas culturas indígenas que sobreviveram. Como exemplo, os Yanomami, nos ritos ligados à entidade mítica Wasulumani, representada pela Ara macao, evitam o uso de penas multicores para não ofendê-la, competindo com seu esplendor, e seus adornos se limitam a penas de cores preta e branca. Além disso, sua imagem aparece nas obras de vários artistas antigos e contemporâneos de todo o mundo, seja em pintura, gravura, fotografia e outras técnicas, incluindo estamparia de tecidos. Sua imagem também já foi impressa em selos. A Ara macao é também muito apreciada como animal de estimação. Como outras de sua família, é muito sociável e dócil, mas sua criação é bastante trabalhosa, pois são aves grandes que exigem amplas instalações e precisam de muito estímulo do tratador; pessoas que passam a maior parte do dia fora de casa não devem manter esta espécie em cativeiro, além de ser imprescindível oferecer-lhes brinquedos diversos com que possam se exercitar e manter-se ocupadas em outros horários. Podem também causar algum incômodo por serem animais naturalmente barulhentos. Para que se mantenham saudáveis a dieta deve ser variada, incluindo sementes, vegetais e frutas frescas. É recomendável disponibilizar um osso para que obtenham cálcio e desgastem o bico sempre em crescimento. Como seus hábitos incluem roer madeira, as gaiolas devem ser de metal, e devem possuir uma área grande para que possam voar. À noite a gaiola pode ser coberta para manter as aves tranquilas e habituá-las a horários definidos. Muitos criadores costumam cortar parte de suas penas alares para diminuir sua capacidade de voo e mantê-las sob o alcance e controle. Elas podem ser treinadas para imitar a voz humana e podem ser manipuladas, desde que com gentileza e atenção. Sob estresse, na forma de gaiolas pequenas, má alimentação, maus tratos ou recebendo pouca atenção, podem desenvolver doenças e comportamentos aberrantes, incluindo aumento da agressividade e da destrutividade, que podem chegar até a automutilação.


Referências