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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Biografia de Pierre Fauchard


Pierre Fauchard
Pierre Fauchard nasceu em Bretanha, c. 1678, e, faleceu em Paris, a 22 de Março de 1761. Pierre Fauchard foi um médico francês, considerado o "pai da moderna odontologia", autor da obra "Le Chirurgien Dentiste" (1728), primeira obra de odontologia, em que descreve a anatomia oral, sintomas de patologias da boca, técnicas para remoção de cáries, restauração e implante de dentes.


Nasce a Odontologia Moderna

A influência do estilo de vida extravagante de Luís XIV sobre as classes sociais mais altas de Paris levou à origem da odontologia como profissão. Para se ter sucesso na corte real e na sociedade era preciso ter uma boa aparência. A procura por dentaduras, usadas mais por causa da aparência do que para comer, criou um novo grupo de cirurgiões — dentistas que trabalhavam para a elite. O principal dentista em Paris era Pierre Fauchard, que aprendeu a realizar cirurgias na Marinha francesa. Ele criticava os cirurgiões que deixavam as extrações nas mãos de barbeiros incompetentes e charlatães, e foi o primeiro a se autodenominar cirurgião-dentista. Pondo fim ao costume de não revelar segredos comerciais, em 1728 Fauchard escreveu um livro em que revelou todos os procedimentos que ele conhecia. Em resultado disso, ele veio a ser chamado de “
Pai da Odontologia”. Foi o primeiro a tratar seus pacientes numa cadeira de dentista, em vez de no chão. Fauchard também desenvolveu cinco instrumentos para extrair dentes, mas ele era muito mais do que apenas alguém que arrancava dentes. Desenvolveu uma broca de dentista e métodos de obturação. Aprendeu a tratar o canal dentário e fixar dentes postiços na raiz (pivô, do francês pivot). As dentaduras feitas por ele eram esculpidas em marfim e tinham uma mola para manter a parte superior na posição correta. Fauchard estabeleceu a odontologia como profissão; e sua influência cruzou o Atlântico.

Aparelho ortodôntico fixo.
Pierre Fauchard foi um destacado médico francês, o qual é reconhecido como o "pai da odontologia moderna". É muito conhecido graças ao seu livro, "Le Chirurgien Dentiste" (O Cirurgião Dentista; 1728, onde descreve a anatomia e funções orais básicas, sinais e sintomas da patologia bucal, métodos operativos para extrair dentes com cáries e restaurar dentes, enfermidades periodontais (piorréia), ortodontia, substituição  de dentes ausentes, e transplante de dentes. Diz-se que seu livro foi o primeiro a fornecer uma descrição científica completa da odontologia. A obra de Fauchard foi continuada por outros que expandiram o conhecimento da profissão através da Europa. Fauchard nasceu num lar modesto em Saint-Denis-de-Gastines. Em 1693, aos 15 anos ingressa na Marinha Real Francesa, apesar dos protestos de sua família, e estabelece contato com Alexander Poteleret, um cirurgião superior, que havia estudado durante muito tempo as enfermidades dos dentes e da boca. Durante este tempo, Fauchard aprendeu que os marinheiros que realizavam longas viagens sofriam de sérios problemas dentários, em especial escorbuto (doença que tem como primeiros sintomas hemorragias nas gengivas, tumefação purulenta das gengivas [inchaço com pus), dores nas articulações, feridas que não cicatrizam, além de desestabilização dos dentes. É provocada pela carência grave de vitamina C na dieta). O Major Poteleret o inspira e incentiva a ler e investigar com cuidado os ensinamentos e descobertas de seus sucessores nas artes de curar. Poteleret indica que quer disseminar o conhecimento que adquiriu no mar baseado na prática. Esta ideia prende em Fauchard que expressa que quer se formar como protegido de Poteleret para ser um médico de combate. Uma vez que Fauchard deixa a Marinha, durante alguns anos se estabelece em Angers, onde pratica a medicina no hospital da Universidade de Angers. Em Angers, Fauchard inicia grande parte do trabalho revolucionário pelo qual é reconhecido na atualidade, sendo pioneiro da cirugia oral e maxilofacial científica. Muitas vezes Fauchard se define como um "Dentista Cirurgião" um termo muito raro nessa época já que os dentistas no século XVII, em geral, extraíam os dentes podres em vez de tratá-los. Apesar das limitações que representam os instrumentos de cirurgia primitivos do final do século XVII e início do século XVIII, Fauchard era considerado um cirurgião muito hábil por muitos de seus colegas no Hospital da Universidade de Angers. Fauchard realizou surpreendentes desenvolvimentos  de instrumentos odontológicos, muitas vezes adaptando ferramentas  de relojoeiros, joalheiros e até mesmo de barbeiros, para utilizá-los na odontologia. Fauchard inventou a restauração dental como um tratamento para as cáries. Afirmou que os ácidos derivados do açúcar como por exemplo o ácido tartárico são os responsáveis das cáries, e também sugeriu que os tumores que rodeiam os dentes na gengiva, podem aparecer nas etapas finais do apodrecimento dos dentes.Fauchard foi o pioneiro das próteses dentárias,e  descobriu vários métodos para substituir dentes ausentes.Sugeriu  que poderia ser possível fabricar substitutos esculpindo blocos de marfim ou osso e que estas peças dentárias artificiais seriam tão úteis como as naturais. Um de seus métodos afirmava que os dentes artificiais seriam  fixados atando-lhes aos dentes existentes mediante alavancas, utilizando fios lubrificados ou arame de ouro. Pierre também inventou os aparelhos ortodônticos, inicialmente fabricados em ouro, descobriu que a posição do dente poderia  ser corrigida já que o dente se ajustaria ao padrão que determinaram os arames. Fios de linho encerado ou de seda foram empregados para fixar os aparelhos. Entre 1716 a 1718, o prestígio de Fauchard aumentou. Durante esta época passa longas temporadas longe de seu lar estudando e compartilhando seus conhecimentos com outros cirurgiões por toda a França. Em 1718, Fauchard se muda para Paris. Durante sua estadia em Paris, Pierre nota que muitas bibliotecas médicas não tinham bons livros sobre odontologia e que era preciso arranjar um livro de ensino enciclopédico sobre a cirurgia bucal, pelo qual decidiu escrever um tratado odontológico profissional baseado na sua experiência. Durante muitos meses Fauchard juntou tantos livros sobre medicina como lhe foi  possível, entrevistou os vários dentistas que havia conhecido, e revisou seus diários pessoais de seus anos em Angers para escrever seu manual. Finalmente em 1723, com a idade de 45 anos, finalizou o manuscrito de "Le Chirurgien Dentiste" ("O Cirurgião Dentista"). O manuscrito foi editado com grande meticulosidade e foi publicado em 1728 em dois volumes. O liVro foi bem recebido pela comunidade médica da Europa, em 1746 foi publicada uma edição revisada em francês e traduzida para alemão em 1773.


Referências

domingo, 18 de agosto de 2013

Biografia de Rudolf Karwetzky


Dr. Rudolf Karwetzky
Rudolf Karwetzky. Nasceu em Vidnava, Tschechoslowakei, a 8 de Abril de 1923, e, faleceu em Münster, a 6 de Novembro de 1999. Karwetzky foi um dentista alemão e pioneiro no campo da ortodontia.






Vida e obra

A ativação do aparelho: A - protruir, B - retruir, C - direita, D - esquerda.
Depois de receber o bacharelado alemão, em 1941, Rudolf Karwetzky recebeu o projeto de comunicação para o exército e serviu até o fim da guerra em diferentes frentes. Ao retornar da guerra, Rudolf Karwetzky estudou odontologia em Munique, onde em 1953 ele recebeu seu doutorado. Ele completou a sua formação ortodôntica em Munique e mais tarde, em Kiel, onde trabalhou como assistente numa clínica odontológica local até se mudar para Münster. Em 1957, como assistente sênior do departamento de Ortodontia da ZMK-Klinik. Em 1963 ele concluiu sua habilitação, em 1968, foi nomeado professor adjunto, em 1970 era professor e chefe do Departamento Científico, e, em 1975, foi nomeado professor titular e diretor do Departamento de Odontologia, Cirurgia Oral e Maxilofacial. Karwetzky foi fundamental para o planejamento da nova clínica odontológica, inaugurada em 1979 em Münster. Em 1980, Karwetzky como presidente da Sociedade Alemã de Ortodontia, iniciou e organizou um dos congressos mais bem sucedidos em Münster e apresentou seus resultados de pesquisa nos anos seguintes, várias vezes em eventos internacionais. Seu trabalho científico é reconhecido internacionalmente. Karwetzky é autor de cerca de 100 publicações e capítulos de livros. Karwetzky foi casado e teve um filho.

O ATIVADOR KARWETZKY (U-Bügel-Aktivator)

Ativador Karwetzky
Karwetzky foi além das fronteiras de Münster, ganhou fama através do desenvolvimento de técnicas e aparelhos ortodônticos, com os quais, anomalias dos dentes e mandíbula, eram normalizados e falhas do crescimento ósseo poderia ser evitado. De importância fundamental é, sobretudo, o "U-Bügel-Aktivator"de Karwetzky - um aparelho ortodôntico funcional, e que, de acordo com o modelo do aparelho (1-3), permite o alinhamento da mandíbula inferior para a posição desejada.


Publicações (seleção)

  • Karwetzky, R., Teubner, A. (1985), Eine kephalometrische Vergleichsstudie zur Rotation und Wachstumsgröße des Unterkiefers bei mandibulärer Retrognathie, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 46, p. 383-397
  • Karwetzky, R. (1984), Die Indikation des U-Bügelaktivators, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 45, p. 45-48
  • Karwetzky, R. (1982), Der seitlich offene Biß, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 43, p. 485-490
  • Karwetzky, R. (1981), Der Einfluß osteolytischer Prozesse auf Milch- und bleibende Zähne in den Stützzonen, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 42, p. 285-289
  • Sluka, H., Karwetzky, R. (1980), Die Bedeutung der funktionskieferorthopädischen Frühbehandlung bei erblichen Zahnhartgewebsanomalien, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 41, p. 622-630
  • Karwetzky, R. (1980), Steigerung der Effizienz in der Funktionskieferorthopädie, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 41, p. 336-347
  • Karwetzky, R., Hilge, B. (1979), Die Bedeutung kieferorthopädischer Maßnahmen bei ektodermalen Dysplasien, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 40, p. 55-60
  • Karwetzky, R., Dierks, P. (1976), Das Wachstum des Gesichtsschädels unter dem therapeutischen Einfluß verschiedener kieferorthopädischer Geräte, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 37, p. 221-228
  • Karwetzky, R. (1975), Kieferorthopädische Behandlungen nach Zungenverkleinerung, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 36, p. 543-551
  • Karwetzky, R., Homeyer, H. (1974), Über die ektodermale Dysplasie aus kieferorthopädischer Sicht, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 35, p. 33-39
  • Karwetzky, R., Tielsch-Keuthen, H. (1972), Kraniometrische und gnathometrische Auswirkungen bei der Zerebralparese im Kauorgan, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 33, p. 221-230
  • Karwetzky, R. (1970), Das Verhalten des Zahnmarks bei kieferorthopädischen Behandlungen, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 31, p. 435-442
  • Karwetzky, R. (1969), Der Modelltisch, ein Behelf für Winkelspiegelaufnahmen, Journal of orofacial orthopedics , ISSN 1615-6714, Vol. 30 (3. 1969), p. 241-243
  • Karwetzky, R. (1969), Die Bedeutung der Eckzahneinordnung beim Lückenschluß im Oberkiefer, Journal of orofacial orthopedics , Vol. 30, p. 189-193
  • Karwetzky, R. (1967), Pathologische Milchmolarenresorption und Stützzonenverlust, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 28, p. 485-490
  • Karwetzky, R. (1967), Der U-Bügelaktivator, Journal of orofacial orthopedics, Vol. 28, p. 429-432
  • Karwetzky, R. (1963), Histologische, röntgenologische und klinische Untersuchungen im Kauorgan zur Ermittlung von Reaktionsgraden für die Kieferorthopädie, Das Deutsche Zahnärzteblatt (Juni)

Referências

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Horace Wells: O Descobridor da Anestesia Dentária


Dr. Horace Wells
Horace Wells. Dentista norte-americano. Nasceu em 21 de Janeiro de 1815, em Hartford, Vermont, e, faleceu a 24 Janeiro de 1848. Wells aplicou o óxido nitroso como anestésico geral nas extrações dentárias que, posteriormente, se difundiu por todo o mundo. As propriedades anestésicas do óxido nitroso, ou gás hilariante, foram observados pouco depois de ter sido preparado pela primeira vez pelo químico inglês Joseph Priestley em 1772. Mas ninguém o usou como anestésico até 1844. Em 10 de Dezembro daquele ano, Horace Wells, um dentista da cidade de Hartford, Connecticut, EUA, assistiu a uma palestra em que os presentes eram entretidos com gás hilariante. Wells viu uma pessoa sob a influência do gás, arranhar a canela em um banco pesado e ainda assim não apresentar qualquer sinal de dor. Wells era um homem compreensivo e ficava muito angustiado por causa da dor que causava nos seus pacientes. Ele imediatamente pensou em usar o gás como anestésico. Mas antes de usá-lo em outros, ele o experimentou em si mesmo. Logo no dia seguinte, ele sentou na cadeira usada pelos pacientes e inalou o gás até perder os sentidos. Daí um colega arrancou-lhe o dente do siso que causava dor. Esse foi um acontecimento histórico. Finalmente a odontologia indolor havia chegado.

Biografia

Nascido em Hartford, Vermont, Wells freqüentou a escola Walpole, em New Hampshire antes de estudar odontologia em Boston. Quando formado, estabeleceu um consultório em Hartford, Connecticut, com um sócio chamado William T. G. Morton, que chegaria à fama por utilizar o éter como anestésico em 16 de Outubro de 1846.

Experimento com o óxido nitroso

Monumento de Horace  Wells em Hartford (Bushnell Park).
Wells experimentou pela primeira vez os efeitos do óxido nitroso, ou, gás hilariante, em 1844, quando se ofereceu como voluntário para que Gardner Quincy Colton, um membro de um circo ambulante, provasse nele. Wells não sentiu nada, e foi o primeiro paciente cirúrgico sob anestesia quando mais tarde, nesse mesmo ano, seu sócio John Riggs lhe extraiu um dente. Desde então, Wells começou a utilizar o gás em seus próprios pacientes. Wells não tentou patentear sua descoberta, ele declarou que "livrar-se da dor deveria ser tão gratuita como o ar". Em 1845, em Boston, realizou uma demostração perante um grupo de estudantes de medicina no Hospital Geral de Massachusetts. No entanto, o gás não foi administrado de forma correta e o paciente chegou a gritar de dor. O público vaiou Wells e deixou o local gritando Fraude! Fraude”! Depois deste acontecimento, Wells perdeu todo o seu prestígio na comunidade médica. Mais tarde, porém, voltou a utilizar a anestesia para extrair um de seus próprios dentes, comprovando sua eficácia. Depois deste acontecimento infeliz, Wells abandonou a odontologia e se dedicou a ser um vendedor durante os dois anos seguintes, viajando por Connecticut, vendendo canários, chuveiros e vários outros tipos de utensílios domésticos. Em 1847, ele se mudou para Paris após seu antigo sócio William Morton realizar uma demostração bem-sucedida dos efeitos da anestesia.

Wells se torna um viciado

Placa honorífica a Hoace Wells.
Algum tempo depois de haver regressado para os Estados Unidos, Wells tornou-se viciado em clorofórmio. Naquela época não se conhecia os efeitos ao inalar clorofórmio e éter. Em Janeiro de 1848, Wells experimentou consigo mesmo o clorofórmio durante uma semana. Sua mente foi se deteriorando. Um dia, em estado de delírio, saiu correndo pela rua e jogou ácido sulfúrico em duas prostitutas. Ele foi enviado para a famosa prisão novaiorquina de Tombs. A medida que os efeitos da droga foram desaparecendo, sua mente foi clareando; já lúcido, se deu conta do que havia cometido. Em seguida, ele se suicidou, cortando uma artéria da perna com uma navalha de barbear depois de haver inalado uma dose analgésica de clorofórmio para eliminar a dor. Wells está enterrado no Cemitério Cedar Hill em Hartford, Connecticut.

Reconhecimentos

Em 1864, de forma póstuma, a Associação Dental Americana reconheceu Wells como o descobridor da anestesia moderna, e a Associação Médica Americana fez o mesmo em 1870. Em Place des États-Unis, Paris, foi erigido um monumento em sua memória.
 
Na cultura popular

  • A história dos experimentos com drogas do Dr. Wells foi explorada num episódio do Science Channel's Dark Matters: Twisted But True na história intitulada "Jekyll VS Hyde" (comparando-a com o Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde).
  • O poeta Samuel Amadon escreveu sobre a vida do Dr. Wells em seu poema de The Hartford Book entitled "Wells."

Referências
http://es.wikipedia.org/wiki/Horace_Wells

APSF - Setembro

Dor de Dente: Uma História de Sofrimento


Cárie dentária atingindo a raiz do dente.
DOR DE DENTE: Uma história de sofrimento. Na praça pública de uma cidade medieval, um charlatão majestosamente vestido se gaba de conseguir arrancar dentes sem dor alguma. Seu cúmplice, fingindo relutância, se aproxima e o impostor simula uma extração, mostrando a todos um dente molar manchado de sangue. Os que sofriam de dor de dente são logo incentivados a abrir mão do seu dinheiro e dos seus dentes. Tambores e trombetas abafam seus gritos para não desanimar os outros. Às vezes surgiam casos perigosos de infecções poucos dias depois, mas a essa altura o charlatão já estaria muito longe. Hoje, poucos que sofrem de dor de dente precisam procurar os serviços desses impostores. Atualmente, os dentistas podem curar a dor de dente e muitas vezes prevenir a perda deles. Mesmo assim, muitos têm receio de ir ao dentista. Ver como os dentistas aprenderam a aliviar a dor dos pacientes talvez nos ajude a dar valor à odontologia moderna. Dizem que, depois do resfriado, a cárie é a doença mais comum da humanidade. Não é apenas uma doença moderna. A poesia do Rei Salomão indica que no Israel antigo, o desconforto de ter poucos dentes era algo que os idosos podiam esperar. —Eclesiastes 12:3.

A realeza também sofria

Embora fosse rainha da Inglaterra, Elizabeth I não pode escapar da dor de dente. Um visitante alemão
John Aylmer
que viu os dentes pretos da rainha relatou que esse era “um problema que os ingleses (pareciam) propensos a ter por consumirem muito açúcar”. Em Dezembro de 1578, a dor de dente atormentava a rainha dia e noite. Seus médicos recomendaram que o dente cariado fosse extraído, mas ela se recusou, talvez por medo da dor. Para incentivá-la, o bispo de Londres, John Aylmer, deixou que arrancassem um de seus dentes, talvez um cariado, na frente da rainha — gesto digno de um cavalheiro, visto que o idoso homem já não tinha tantos dentes assim! Naquele tempo, os plebeus que precisassem extrair um dente procuravam um barbeiro ou até mesmo um ferreiro. Mas quando mais pessoas passaram a ter condições de comprar açúcar, os casos de dor de dente aumentaram, assim como a necessidade de pessoas habilitadas para extraí-los. Por isso, alguns médicos e cirurgiões começaram a se interessar pelo tratamento de dentes estragados. No entanto, tinham de aprender a fazer isso sozinhos, pois os especialistas guardavam suas técnicas a sete chaves. Além disso, havia poucos livros sobre o assunto. Um século depois do reinado de Elizabeth I, Luís XIV governava como rei da França. Durante a maior parte de sua vida ele sofreu de dor de dente, e em 1685 teve todos os dentes superiores do lado esquerdo da boca extraídos. Alguns afirmam que as infecções dentárias do Rei explicam sua decisão desastrosa naquele ano de revogar a liberdade de religião na França, decreto que desencadeou ondas de perseguição brutal contra as minorias religiosas.

Nasce a Odontologia Moderna.

A influência do estilo de vida extravagante de Luís XIV sobre as classes sociais mais altas de Paris levou à origem da odontologia como profissão. Para
Pierre Fauchard
se ter sucesso na corte real e na sociedade era preciso ter uma boa aparência. A procura por dentaduras, usadas mais por causa da aparência do que para comer, criou um novo grupo de cirurgiões — dentistas que trabalhavam para a elite. O principal dentista em Paris era Pierre Fauchard, que aprendeu a realizar cirurgias na Marinha francesa. Ele criticava os cirurgiões que deixavam as extrações nas mãos de barbeiros incompetentes e charlatães, e foi o primeiro a se autodenominar cirurgião-dentista. Pondo fim ao costume de não revelar segredos comerciais, em 1728 Fauchard escreveu um livro em que revelou todos os procedimentos que ele conhecia. Em resultado disso, ele veio a ser chamado de “Pai da Odontologia”. Foi o primeiro a tratar seus pacientes numa cadeira de dentista, em vez de no chão. Fauchard também desenvolveu cinco instrumentos para extrair dentes, mas ele era muito mais do que apenas alguém que arrancava dentes. Desenvolveu uma broca de dentista e métodos de obturação. Aprendeu a tratar o canal dentário e fixar dentes postiços na raiz (pivô, do francês pivot). As dentaduras feitas por ele eram esculpidas em marfim e tinham uma mola para manter a parte superior na posição correta. Fauchard estabeleceu a odontologia como profissão; e sua influência cruzou o Atlântico.

O Sofrimento do Primeiro Presidente dos EUA

Nos Estados Unidos, um século depois de Luís XIV, George Washington sofria de dor de dente. A partir dos 22 anos, ele praticamente arrancava um dente
George Washington
por ano. Imagine o sofrimento que ele deve ter suportado enquanto liderava seu Exército Continental. Quando se tornou o primeiro presidente dos EUA, em 1789, ele quase não tinha dentes. George Washington também ficou muito perturbado por causa de sua aparência desfigurada e de suas dentaduras mal feitas e incômodas. Ele estava muito preocupado com sua aparência ao passo que se esforçava a estabelecer uma imagem pública para a presidência da nova nação. Naquela época, as dentaduras não eram feitas com base num molde da arcada dentária do paciente, mas sim esculpidas em marfim. Por isso, era difícil mantê-las na posição correta. Cavalheiros ingleses enfrentavam as mesmas dificuldades que George Washington. Dizem que o humor “seco” dos ingleses veio da necessidade de evitar dar gargalhadas a fim de esconder as dentaduras. A lenda de que George Washington usava dentaduras de madeira pelo visto não é verdade. Suas dentaduras eram feitas de dentes humanos, marfim e chumbo, mas não de madeira. É provável que seus dentistas tenham adquiridos os dentes por meios de ladrões de túmulos. Comerciantes de dentes também seguiam os exércitos e, após a batalha, arrancavam os dentes dos mortos e dos que estavam à beira da morte. Portanto, as dentaduras eram consideradas artigos de luxo que só os ricos podiam adquirir. Foi só na década de 1850 que as dentaduras se tornaram disponíveis para o cidadão comum por causa da descoberta da borracha vulcanizada, que passou a ser usada como base para dentaduras. Embora os dentistas de George Washington estivessem entre os melhores da época, não entendiam plenamente a causa da dor de dente.

A Verdade Sobre a Dor de Dente

Antigamente as pessoas imaginavam que vermes causavam a dor de dente — uma teoria que prevaleceu até o século XVIII. Em 1890, Willoughby Dayton Miller (1853-1907), um dentista americano que trabalhava na Universidade de Berlim, Alemanha, identificou a origem das cáries, uma das
Dr. Horace Wells
principais causas da dor de dente. Os dentes são atacados pelo ácido produzido por uma bactéria que se desenvolve em especial na presença do açúcar. Mas como prevenir as cáries? A resposta veio de forma inesperada. Por décadas, dentistas no Estado do Colorado, EUA, se perguntavam por que tantas pessoas ali tinham dentes ‘manchados’. Por fim, descobriu-se que a razão disso era a grande quantidade de fluoreto no suprimento de água. Mas enquanto eles estudavam esse problema, pesquisadores se depararam com um fato de importância mundial na prevenção da dor de dente: pessoas criadas onde a água potável contém um nível inadequado de fluoreto têm mais cáries. Muitos suprimentos de água já contêm naturalmente o fluoreto, um dos componentes do esmalte do dente. Quando pessoas que vivem numa área onde o abastecimento de água é deficiente em fluoreto passam a receber água que contém o nível ideal dessa substância, os casos de cáries caem em até 65%. Assim, solucionou-se o mistério. Na maioria dos casos, a dor de dente é causada pelas cáries. O açúcar contribui para a formação de cáries e o fluoreto ajuda preveni-las. Naturalmente, já está mais que comprovado que o fluoreto não substitui uma boa escovação e limpeza com fio dental. “A Busca Pela Odontologia Indolor”. Antes da descoberta dos anestésicos, os procedimentos odontológicos eram motivo de grande sofrimento para os pacientes. Os dentistas perfuravam dentes sensíveis e cariados com instrumentos afiados e socavam metal quente na cavidade para fazer a obturação. Visto que não tinham nenhum outro tratamento, dentes com polpa infectada eram cauterizados por se inserir no canal dentário uma haste de ferro incandescente. Antes do desenvolvimento dos anestésicos e instrumentos especiais, a extração também era uma experiência horrível. As pessoas se submetiam a essa tortura apenas porque conviver com a dor de dente era ainda pior. Apesar de medicamentos à base de ervas, como ópio, cânhamo-da-índia e mandrágoras terem sido usados por séculos, eles apenas aliviavam a dor. Mas será que algum dia os dentistas conseguiriam realizar cirurgias sem causar dor alguma? As propriedades anestésicas do óxido nitroso, ou gás hilariante, foram observados pouco depois de ter sido preparado pela primeira vez pelo químico inglês Joseph Priestley em 1772. Mas ninguém o usou como anestésico até 1844. Em 10 de Dezembro daquele ano, Horace Wells, um dentista da cidade de Hartford, Connecticut, EUA, assistiu a uma palestra em que os presentes eram entretidos com gás hilariante. Wells viu uma pessoa sob a influência do gás, arranhar a canela em um banco pesado e ainda assim não apresentar qualquer sinal de dor. Wells era um homem compreensivo e ficava muito angustiado por causa da dor que causava nos seus pacientes. Ele imediatamente pensou em usar o gás como anestésico. Mas antes de usá-lo em outros, ele o experimentou em si mesmo. Logo no dia seguinte, ele sentou na cadeira usada pelos pacientes e inalou o gás até perder os sentidos. Daí um colega arrancou-lhe o siso que causava dor. Esse foi um acontecimento histórico. Finalmente a odontologia indolor havia chegado!

Referências
APSF - Setembro de 2007