| Guilherme de Ockham |
Guilherme
de Ockham,
em inglês William
of Ockam
(existem várias grafias para o nome deste franciscano: Ockham,
Ockam,
Occam,
Auquam,
Hotham
e inclusive, Olram).
Guilherme de Ockham nasceu em Ockham, Inglaterra, cerca de 1287, e,
faleceu em Munique,
Sacro Império Romano-Germânico, a
9 de Abril de 1347. Criador da teoria da Navalha
de Ockham,
foi um frade franciscano, filósofo, lógico e teólogo escolástico
inglês, considerado como o representante mais eminente da escola
nominalista,
principal corrente oriunda do pensamento de Roscelin
de Compiègne
(Jean
Roscelin).
Guilherme de Ockham, conhecido como o “doutor invencível”
(Doctor
Invincibilis)
e o “iniciador venerável” (Venerabilis
Inceptor),
nasceu na vila de Ockham, nos arredores de Londres, na Inglaterra, e
dedicou seus últimos anos ao estudo e à meditação num convento de
Munique, onde morreu em 9 de Abril de 1347, vítima da peste negra.
Quando
ainda na idade precoce, ingressou na Ordem
Franciscana,
onde estudou Filosofia. Acredita-se que ainda jovem, foi para a
Universidade
de Oxford
ensinar ciências filosóficas e matemática, mas nunca teria
concluído seu mestrado (o habitual grau de graduação naqueles
tempos). Teve contato com outro franciscano, o filósofo e teólogo,
John
Duns Scotus,
do qual se tornou discípulo. Escreveu vários ensaios sobre as
Sententiarum
Libri
(Sentenças)
do teólogo Pedro
Lombardo.
Um ponto drástico de sua vida ocorreu quando Ockham chegou à
conclusão de que o Papa
João XXII
(Jacques
d'Euse)
estava defendendo uma heresia acerca da pobreza evangélica. Em
função da controvérsia que surgiu, Ockham fugiu para Pisa, e, em
seguida, acompanhou o imperador Luís
da Baviera
para Munique. Em Munique, continuou a atacar a figura do Papa,
redigiu vários ensaios abordando a infalibilidade papal, defendendo
a tese de que a
autoridade do líder é limitada pelo direito natural e pela
liberdade dos liderados,
esta afirmada nos Evangelhos, deixando sua situação com a Igreja
cada vez mais difícil. Um de seus argumentos mais fortes foi a
afirmação categórica que um
cristão não contraria os ensinamentos evangélicos ao se colocar ao
lado do poder temporal em disputa com o poder papal.
| Esboço de uma Summa logicae (Manuscrito de 1341 com a inscrição: frater Occham iste). |
É
um filósofo que deixa transparecer sua intensa luta pela liberdade e
ao longo de anos desenvolveu uma teoria de liberdade baseada no
sujeito. O indivíduo seria capaz de escolher e saber o que é certo
e errado sem nenhuma intervenção exterior. O homem teria o direito
de decidir o seu fim e a sociedade não deveria impor nada a ele.
Para a ética, a liberdade é o assunto por excelência. A liberdade
é muito importante para a ética, porque se ocupa do livre arbítrio,
da finalidade de nossa vida e existência. Para Ockham, a liberdade
apresenta-se como a possibilidade que se tem de escolher entre o sim
ou o não, de poder escolher entre o que me convém ou não e decidir
e dar conta da decisão tomada ou de simplesmente deixar acontecer. A
preocupação de Guilherme de Ockham é com o fato de que o poder
organizado e moralizado é contrário à natureza e à liberdade a
nós concedida por Deus. Isto não é admitido como verdade por todos
os filósofos, e no pensamento medieval do qual Ockham é um
representante, isso era uma total desestruturação de uma cultura e
sociedade vigentes. Ockham denuncia aqueles que em nome da religião,
passaram a usurpar o livre arbítrio. E que tais usurpadores
entendem, assim como ele, a liberdade como um dom de Deus e da
natureza. Ockham situa a ação humana no indivíduo e suas escolhas
reais e concretas, presentes não em verdade ou entes universais, mas
nas coisas e situações particulares, individuais. Distingue
faculdades humanas de faculdades animais, ou seja, o homem possui a
capacidade de viver pela arte e pela razão, que no entendimento do
filósofo seriam as faculdades humanas e é por elas que deve agir e
não pelas faculdades animais (seus instintos). Pressupõe-se assim
que é de nossa própria natureza a capacidade de escolha exercida
por meio do livre arbítrio, entendida como presente de Deus e da
natureza.
Occam
escreveu sua obra cognominada “Ordinatio”,
esta discorria que todo
conhecimento racional tem base na lógica, de acordo com os dados
proporcionados pelos sentidos.
Uma
vez que nós só conhecemos entidades palpáveis, concretas, os
nossos conceitos não passam de meios lingüísticos para expressar
uma idéia, portanto, precisam da realidade física, para as
comprovações. Criou a máxima “pluralidades
não devem ser postas sem necessidade”
(em latim: pluralitas
non est ponenda sine neccesitate),
chamado de a Navalha
de Ockham,
no inglês, Occam's
Razor.
Conceito
bastante revolucionário para a época, a Navalha
de Ockham
defende a intuição como ponto de partida para o conhecimento do
universo. Ockham com destreza conseguiu demonstrar que o "Duns
Scotus",
princípio da economia, conhecido como a "Navalha
de Ockham",
estabelece que "as
entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a
natureza é por si econômica e não se multiplica em vão".
A Navalha
de Occam
ou Navalha
de Ockham
é um princípio lógico atribuído ao lógico e frade franciscano
inglês Guilherme de Ockham (século XIV). O princípio afirma que a
explicação para qualquer fenômeno deve assumir apenas as premissas
estritamente necessárias à explicação do mesmo e eliminar todas
as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da
hipótese ou teoria. O princípio é frequentemente designado pela
expressão latina Lex
Parsimoniae
(Lei
da Parcimônia)
enunciada como: “entia
non sunt multiplicanda praeter necessitatem”
(as
entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade).
O princípio recomenda assim que se escolha a teoria explicativa que
implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de
entidades. Originalmente um princípio da filosofia reducionista do
nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra
geral) que aconselham economia, parcimônia e simplicidade,
especialmente nas teorias científicas. “Se
em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um
fenômeno, a mais simples é a melhor”
- Guilherme Ockham.
Frases originais
Nos
textos originais existem várias frases que definem o princípio de
Ockham.
- Pluralitas non est ponenda sine neccesitate (a pluralidade não deve ser posta sem necessidade);
- Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário). Esta frase foi cunhada em 1639 por John Ponce de Cork.
O conceito
A
Navalha de Ockham defende a intuição como ponto de partida para o
conhecimento do universo. William de Ockham defende o princípio de
que a natureza é por si mesma econômica, optando invariavelmente
pelo caminho mais simples. A origem desta tese pode ser traçada
desde John
Duns Scotus
(1265-1308), Robert
Grosseteste
(1175-1253), ou mesmo desde Aristóteles.
William de Ockham, por outro lado, achava que a aplicação muito
restrita desse princípio limitaria o poder de Deus (que deveria
poder escolher um caminho mais complicado para alguns fenômenos se
assim desejasse). No entanto, Ockham defendia que o homem, nas suas
teorias, deveria sempre eliminar conceitos supérfluos. Este
princípio ficou conhecido como “Navalha de Ockham” a partir do
século XIX, através dos trabalhos de Sir
William Hamilton.
O princípio chega a nós com a obra Ordinatio.
Esta postulava que todo conhecimento racional tem por base a lógica,
de acordo com os dados proporcionados pelos sentidos. Uma vez que só
conhecemos entidades palpáveis e concretas, nossos conceitos não
passam de meios linguísticos para expressar uma ideia; portanto,
precisam de comprovação através da realidade física.
Walter
Chatton,
contemporâneo de Ockham, afirmava que “se
três entes não forem suficientes para verificar uma afirmação
acerca de algo, então uma quarta deve ser acrescentada, e assim por
diante”.
Gottfried
Wilhelm Leibniz
(1646-1716), Immanuel
Kant
(1724-1804), Karl
Menger
(século XX) também discordaram da Navalha
de Ockham.
Leibniz afirmou que “a
variedade de seres não pode ser diminuída”.
Menger formulou a lei
contra a avareza,
segundo a qual “as
entidades não podem ser reduzidas até ao ponto da inadequação”,
e “é
inútil fazer com pouco o que requer mais”...
Obviamente nenhuma destas afirmações contraria realmente o sentido
da Navalha de Ockham, mas servem antes como alerta contra o excesso
de zelo na aplicação do princípio. Deve-se eliminar o supérfluo,
mas apenas isso.
Este
princípio foi adotado pelo que viria a ser conhecido como método
científico. É uma ferramenta lógica que permite escolher, entre
várias hipóteses a serem verificadas, aquela que contém o menor
número de afirmações não demonstradas, o que facilita a
verificação da teoria, constituindo assim um dos pilares do
reducionismo em ciência. Ao longo da história da ciência a Navalha
de Ockham foi usada de diversas formas. Uma delas consiste na escolha
da teoria mais simples para explicar um fenômeno, como na escolha da
teoria
do eletromagnetismo
de James
Clerk Maxwell
em lugar da teoria
do éter luminoso.
Como princípio matemático, a Navalha de Ockham foi aplicada pelo
matemático soviético Andrei
Nikolaevich Kolmogorov
para definir o conceito de sequência aleatória, criando a área que
ficou conhecida como Complexidade
de Kolmogorov.
A Navalha de Ockham é antecessora do chamado princípio *KISS,
Keep
It Simple, Stupid
(veja: Notas
no final da postagem) ou em português “simplifique,
estúpido”
uma vulgarização da máxima de Albert
Einstein
de que “tudo
deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples
que isso”,
também expressa por Antoine
de Saint-Exupéry
como: “a
perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para
adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar”.
Este
é um princípio filosófico que reza o seguinte: existindo
diversas teorias e não havendo evidências que comprovem se é mais
verdadeira alguma em relação a outras, vale a mais simples,
ou se
existirem dois caminhos que levem ao mesmo resultado, usa-se o mais
curto, e que pode ser provado sensorialmente.
Em outras palavras, não
se deve aplicar a um fenômeno nenhuma causa que não seja
logicamente dedutível da experiência sensorial.
A regra, inspirada na economia medieval, foi usada pelo filósofo
para eliminar muitas das entidades com que os pensadores escolásticos
explicavam a realidade.
O
simplismo aparente da Navalha de Ockham, se mal aplicado, pode muitas
vezes nos induzir a erros de avaliação em determinados momentos da
lógica. Por exemplo, ao efetuarmos determinados experimentos, nem
sempre a simplificação é correta, mesmo que o resultado seja muito
próximo, ou até idêntico, porém é bastante útil quando o
utilizamos em experimentos práticos para comprovar se teorias
matemáticas num determinado campo são concordantes.
Nem
sempre a simplicidade é a perfeição, mas a perfeição quase
sempre é simples. Muitos autores usam a expressão de que, a
simplicidade é a perfeição,
quando se lida com experimentos que exigem um certo grau de
complexidade. Ao utilizar soluções simplistas de análise,
poder-se-á incorrer em erros que podem destruir muitas vezes um
trabalho de anos. Simplicidade não é sinônimo de facilidade ou
simplismo. Em geral obter uma visão ou uma explicação simples para
temas complexos exige um esforço maior do que criar visões
complexas, mesmo que corretas, sobre o mesmo tema. O Cálculo
Diferencial e Integral,
assim como grande parte das descobertas científicas da humanidade
certamente passou, ao longo de sua história, por inúmeras
reformulações decorrentes do aprendizado e realimentação pelas
comunidades científicas (Em geral na Física e na Matemática) até
chegar ao currículo básico de qualquer curso de matemática de
nível superior. A simplicidade é consequência da experiência, da
criatividade e da capacidade de sintetização, além de outros
talentos.
Um
dos mais importantes é a falta de dados para comprovar se a teoria A
é mais correta que a teoria B,
ambas tendo o mesmo resultado, porém os cálculos e argumentos da
teoria A
sendo muito mais complexos que para a teoria B.
A comunidade científica escolherá sempre a segunda opção, a mais
simples.
Provavelmente,
quando escreveu que as
teorias devem ser tão simples quanto possível, mas nem sempre
devemos escolher as mais simples,
Albert
Einstein
estava se referindo ao Princípio
de Ockham
em sua Teoria
da Relatividade,
pois sabia que as hipóteses testadas muitas vezes caíam em
contradições, apesar do resultado ser aparentemente perfeito. Daí
pode ter sido a utilização do princípio
de Ockham
em alguns pontos considerados contraditórios em seu postulado, pois
em matemática, às vezes verdades claras à luz das deduções
tornam-se contraditórias ao passar para a linguagem coloquial.
Notas:
*KISS:
Keep It Simple
(ou: KISS
principle
acrônimo em inglês de: Keep
It Simple, Stupid
e também um trocadilho de "princípio do beijo")
é um princípio geral que valoriza a simplicidade do projeto e
defende que toda a complexidade desnecessária seja descartada. Serve
como fórmula útil em diversas áreas como o desenvolvimento de
software, a animação, a engenharia no geral e no planejamento
estratégico e táctico. Também é aplicado na Literatura, na Música
e nas Artes em geral. Variações comuns são: "Keep It Sweet &
Simple", "Keep it Short & Simple" e "Keep it
Simple, Silly". Princípios
relacionados: Este
princípio provavelmente teve a sua inspiração nos princípios da
Navalha
de Ockham,
e das máximas de Leonardo
da Vinci:
"Simplicidade
é o último grau de sofisticação";
Mies
Van Der Rohe:
"Menos
é mais";
Albert
Einstein:
"Tudo
deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples
que isso";
de Antoine
de Saint-Exupéry:
"A
perfeição é alcançada não quando não há mais nada para
adicionar, mas quando não há mais nada que se possa retirar").