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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Biografia de Janusz Korczak - médico

Janusz Korczak
Janusz Korczak, pseudônimo de Henryk Goldszmit, também conhecido como o “Velho Doutor” ou o “Senhor Doutor”, nasceu em Varsóvia, no dia 22 de Julho de 1878 ou 1879, e foi assassinado em Treblinka, no dia 05 ou 06 de Agosto de 1942. Korczak foi médico, pediatra, pedagogista, escritor, autor infantil, publicista, ativista social, oficial do Exército Polaco. Foi um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional. Foi precursor nas iniciativas em prol dos direitos da criança e do reconhecimento da total igualdade das crianças que hoje encontramos nas Escolas Democráticas. Na qualidade de diretor de um orfanato instituiu, entre outros, um tribunal de arbitragem de crianças, no âmbito do qual as próprias crianças avaliavam as causas apresentadas por elas mesmas, podendo também levar a tribunal os seus educadores. O famoso psicólogo suíço, Jean Piaget, que visitou o orfanato "Dom Sierot" (A Casa dos Órfãos), fundado e dirigido por Korczak, disse dele o seguinte: “Este homem maravilhoso teve a coragem de confiar nas crianças e nos jovens, com os quais trabalhava, ao ponto de transferir para as suas mãos as ocorrências disciplinares e de confiar a certos indivíduos as tarefas mais difíceis e de grande responsabilidade”. Korczak criou a primeira revista redigida a partir de textos enviados por crianças, que se destinava sobretudo a jovens leitores, “A Pequena Revista”. Foi igualmente um dos pioneiros dos estudos sobre o desenvolvimento e a psicologia da criança, bem como do diagnóstico da educação. Era judeu-polaco que toda a vida afirmou pertencer às duas nações, a hebraica e a polaca. Trinta anos após a sua morte, ele recebeu, postumamente, o “Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães”.

A juventude e a educação

Janusz Korczak nasceu em Varsóvia numa família judaica polonizada, era filho do advogado Józef Goldszmit (1844-1896) e de Cecylia, com o apelido de solteira “Gębicka” (1853/4-1920). Como a certidão de nascimento original não se conservou, a data de nascimento de Korczak é incerta. A família Goldszmit era oriunda da região de Lublin e a família Gębicka da região de Poznań; o seu bisavô Maurycy Gębicki e o seu avô Hersz Goldszmit eram médicos. As sepulturas do pai de Janusz Korczak e dos seus avôs maternos (não se sabe onde se encontra a sepultura da mãe) encontram-se no cemitério judaico de Varsóvia, na rua Okopowa. A boa situação financeira inicial da família Goldszmit começou a deteriorar-se devido à doença mental do pai que, pela primeira vez, foi internado num manicômio no início dos anos de 1890 com sintomas de insanidade mental. O pai morreu a 26 de abril de 1896. Depois da sua morte, Korczak, que era na altura um estudante de 17-18 anos, começou a dar explicações para ajudar a sustentar a família. A mãe, Cecylia Goldszmit, alugava quartos no seu apartamento de Varsóvia. Korczak concluiu os exames do ensino secundário (“matura”) com a idade de vinte anos. Quando era criança, lia muito. Passados anos, no diário escrito no gueto, anotou: “Deixei-me levar pela loucura, pela fúria da leitura. O mundo desapareceu diante dos meus olhos e só os livros existiam”. Em 1898 deu início aos estudos na Faculdade de Medicina da Universidade Imperial de Varsóvia. No verão de 1899, viajou pela primeira vez para o estrangeiro, para a Suíça, onde, entre outros, tomou conhecimento da atividade e da obra pedagógica de Johann Heinrich Pestalozzi. No final desse mesmo ano, também foi brevemente detido pela sua atividade nas salas de leitura da Associação de Caridade de Varsóvia. Estudou durante seis anos, repetindo o primeiro ano do curso. Também frequentou a Universidade Volante. Durante os seus tempos de estudante, conheceu de perto a vida dos bairros pobres, do proletariado e do lumpemproletariado2. Também pertenceu à loja maçônica “Estrela do Mar” da Federação Internacional “Le Droit Humain”, instituída a fim de “conciliar todas as pessoas segregadas por causa de barreiras religiosas, bem como procurar a verdade, conservando o respeito pelos outros seres humanos”.

2 O termo “lumpen proletariat” (do alemão Lumpenproletariat: "seção degradada e desprezível do proletariado", de lump "pessoa desprezível" e lumpen "trapo, farrapo" + proletariat "proletariado") ou lumpesinato ou ainda subproletariado designa, no vocabulário marxista, a população situada socialmente abaixo do proletariado, do ponto de vista das condições de vida e de trabalho, formada por frações miseráveis, não organizadas do proletariado, não apenas destituídas de recursos econômicos, mas também desprovidas de consciência política e de classe, sendo, portanto, suscetíveis de servir aos interesses da burguesia. Assim, segundo os teóricos da revolução, o lumpemproletariado seria pernicioso, já que seu cinismo e sua absoluta ausência de valores poderiam contaminar a consciência revolucionária do proletariado.

O médico

No dia 23 de março de 1905, Korczak recebeu o diploma em Medicina. Em junho desse mesmo ano, foi recrutado na qualidade de médico para o exército do czar (naquele tempo, a Polônia encontrava-se sob o domínio estrangeiro) e participou na guerra russo-japonesa. Prestou serviço em Harbin. Aprendeu chinês com as crianças da Manchúria. No final de março de 1906 regressou a Varsóvia. Entre 1905-1912 trabalhou como pediatra no Hospital Pediátrico de Berson e Bauman. Em troca de um apartamento no recinto do hospital, desempenhou funções de atendimento permanente no hospital na qualidade de médico interno, cumprindo as suas obrigações com dedicação. Na sua atividade médica não evitou os contatos com as zonas proletárias da cidade. Cobrava amiúde honorários simbólicos aos doentes pobres ou também lhes dava dinheiro para os medicamentos; no entanto, não hesitava em cobrar altos honorários aos ricos, o que era facilitado pela sua popularidade como escritor. Nos anos de 1907-1910/11, viajou pelo estrangeiro com fins acadêmicos. Assistiu a palestras, estagiou em clínicas pediátricas e visitou instituições de educação e proteção de menores. Esteve quase um ano em Berlim (1907-1908), quatro meses em Paris (1910) e ainda um mês em Londres (em 1910 ou 1911). Tal como escreveu, passados anos, foi precisamente em Londres que tomou a decisão de não constituir família e de “se dedicar às crianças e às suas causas”. Nesta época, participou ativamente na vida social; pertenceu, entre outros, à Sociedade de Higiene de Varsóvia e à Sociedade das Colônias de Verão (TKL). Nos anos de 1904, 1907 e 1908, trabalhou nas colônias de férias organizadas pelo TKL para crianças judias e polacas. Em 1906 publicou "A Criança do Salão", um livro que foi muito bem recebido pelos leitores e pela crítica. Desde então, graças à fama alcançada com as suas publicações, passou a ser um conhecido e procurado pediatra de Varsóvia. Em 1909, aderiu à Sociedade judaica “Auxílio aos Órfãos”, que anos mais tarde viria a construir o seu próprio orfanato “Dom Sierot”, cujo diretor seria Korczak. Durante a Primeira Guerra Mundial voltou a ser recrutado para o exército do czar. Prestou serviço como chefe mais novo do hospital de campanha, principalmente, na Ucrânia. Em 1917 foi chamado para assumir funções de médico nos asilos de crianças ucranianas em Kiev. Dois anos antes, durante umas curtas férias passadas em Kiev conheceu Maria Rogowska Falska, uma ativista, social e independentista, polaca que dirigia, naquela altura, uma casa de acolhimento para rapazes polacos. Depois de ter terminado o serviço no exército russo, com a patente de capitão, regressou a Varsóvia em junho de 1918. Depois da declaração de independência da Polônia (a 11 de novembro de 1918), Korczak depressa voltou para o exército. Desta vez, foi mobilizado para o exército polaco recentemente formado. Durante a guerra polaco-soviética (1919-1921) prestou serviço como médico nos hospitais militares de Łódź e Varsóvia. Também padeceu de tifo. Pelo trabalho realizado foi promovido à patente de major do Exército Polaco.

O orfanato da Krochmalna, onde Korczak trabalhou.


O pedagogo
As ideias

Desde muito jovem, Korczak interessou-se por assuntos relacionados com a educação das crianças e foi influenciado pelas ideias e experiências da “nova educação”. Também se inspirou na teoria do progressivismo pedagógico, elaborada, entre outros, por John Dewey e pelos trabalhos de Jean-Ovide Decroly, Maria Tecla Artemisia Montessori ou pedagogos anteriores, tais como, Johann Heinrich Pestalozzi, Herbert Spencer e Friedrich Fröbel; também conhecia as concessões pedagógicas de Liev Nikoláievich Tolstoi. Sublinhava a necessidade de dialogar com as crianças. Korczak publicava e proferia palestras sobre temas relacionados com a educação das crianças e a pedagogia. Primeiramente ganhou experiência no trabalho com as crianças como explicador e, posteriormente, como ativista social e, seguidamente, como diretor do orfanato Dom Sierot e cofundador do orfanato “Nasz Dom”. No período entre guerras lecionou em diversas universidades na Polônia, entre elas, no Instituto Nacional de Educação Especial (hoje Academia da Educação Especial de Maria Grzegorzewska), no Seminário Nacional de Professores de Religião Judaica e no Instituto Nacional de Professores. Korczak era defensor da emancipação da criança, da sua autodeterminação e do respeito pelos seus direitos. Os princípios da democracia, que Korczak aplicava de igual modo tanto às crianças como aos adultos, eram implementados no quotidiano nos seus orfanatos sob a forma de autogestão dos educandos. “Uma criança compreende e raciocina como um adulto, só que não possui a sua bagagem de experiência”. A sua revista publicada pelas e para as crianças constituía o seu fórum, era uma forja de talentos e um importante pilar de assimilação, sobretudo, para as crianças das famílias judaicas ortodoxas. Como médico, Korczak era a favor da ressocialização, bem como de uma proteção abrangente e inovadora das crianças, oriundas de famílias marginais. Afirmava que o lugar da criança era na companhia dos seus pares e não isolada em casa. Esforçou-se para que as crianças aperfeiçoassem as suas primeiras convicções e ideias principiantes, se sujeitassem ao processo de socialização e, assim, se preparassem para a vida adulta. Esforçou-se por assegurar às crianças uma infância despreocupada, o que não quer dizer isenta de obrigações. Considerava que as crianças deveriam compreender e experimentar emocionalmente determinadas situações, tirar conclusões por elas próprias e eventualmente prevenir prováveis consequências. “Não existem crianças, existem sim pessoas”, escreveu Korczak. Korczak considerava todas as crianças, que tratara ou educara, como suas. Esta sua postura viria a ser confirmada pela sua atividade posterior. As suas convicções altruístas também não lhe permitiam favorecer ou distinguir o pequeno grupo dos seus educandos preferidos. Não considerava a família tradicional como o vínculo mais importante e fundamental dos laços sociais. Não aceitava o papel que ela desempenhava nos meios conservadores cristãos e tradicionais judaicos da sociedade. Os elementos mais importantes da concessão de Korczak sobre a educação são os seguintes:

  •     A rejeição da violência – física e verbal, resultante da vantagem de ser mais velho ou do desempenho de uma função superior;
  •     A ideia de uma interação educativa entre adultos e crianças, que alargava a definição da pedagogia clássica;
  •     A convicção de que a criança é um ser humano do mesmo modo que um adulto;
  •     O princípio de que o processo educativo deveria levar em consideração a individualidade de cada criança;
  •     A crença de que a criança, melhor do que ninguém, sabe das suas necessidades, aspirações e emoções e, logo, deveria ter direito a emitir a sua opinião e a ser ouvida pelos adultos;
  •     O reconhecimento de que a criança tem direito ao respeito, à ignorância e ao fracasso, à privacidade, bem como às suas próprias opiniões e propriedade;
  •     O reconhecimento de que o processo de desenvolvimento de uma criança é um trabalho difícil.
 
Janusz Korczak com as crianças órfãs, 1920.



A atual percepção

Atualmente Janusz Korczak é cada vez mais reconhecido como precursor de um conjunto de correntes pedagógicas, enquanto a sua ideia de respeitar os direitos da criança é um ponto de referência para muitos autores contemporâneos. “Reformar o mundo quer dizer reformar a educação”, preconizava Korczak. Korczak é considerado um dos pioneiros da corrente pedagógica atualmente designada como “educação moral” (em inglês: moral education), ainda que não tenha criado uma teoria sistemática sobre o assunto. As suas ideias pedagógicas modernas baseavam-se na prática. Era contra a doutrina na didática, muito embora tivesse um bom conhecimento das correntes pedagógicas e psicológicas da sua época. De acordo com Igor Newerly não se identificava com nenhuma ideologia política concreta, nem doutrina educativa. Não obstante, Janusz Korczak é apontado como precursor de várias correntes. Lawrence Kohlberg considera que a Comunidade Justa de Crianças (em inglês: Children Just Community) se baseia na prática de Korczak. Também há quem diga que Korczak e Paulo Freire têm ideias parecidas quanto à democracia na escola e à teoria do diálogo. Os defensores do amor pedagógico (em inglês: pedagogical love) baseiam a sua teoria no modelo de relações professor-aluno elaborado por ele. Outros autores veem em Korczak e Martin Buber os princípios da corrente da “educação religiosa”. As ideias de Korczak são aplicadas na “ideologia da normalização” da educação das crianças com deficiências intelectuais. A sua abordagem relativamente à educação das crianças influenciou as iniciativas legislativas empreendidas no pós-guerra em prol das crianças. A Polônia contribuiu grandemente para essas iniciativas, na medida em que tomou parte ativa na elaboração da Declaração dos Direitos da Criança em 1959 e promoveu a criação da "Convenção sobre os Direitos da Criança", adotada pela Assembleia Geral nas Nações Unidas, em 1989.

Os orfanatos "Dom Sierot" e "Nasz Dom"


Monumento a Korczak em Varsóvia.
(Pic: Piotr Biegała - HeAVenlY).
Juntamente com Stefania Wilczyńska fundou e dirigiu o "Dom Sierot", um orfanato que se situava na rua Krochmalna, nº 92 (hoje, rua Jaktorowska, nº 6), em Varsóvia, e se destinava a crianças judias, sendo financiado pela Sociedade judaica “Auxílio aos Órfãos”. O orfanato abriu no dia 7 de outubro de 1912, sendo Korczak o seu diretor. Stefania Wilczyńska (1886-1942), conhecida como a menina ou a senhora Stefa, tornou-se a educadora principal. Korczak geriu o orfanato durante trinta anos. No final de outubro e princípio de novembro de 1940, o orfanato Dom Sierot foi transferido para o gueto, para a rua Chłodna. Durante a sua intervenção a propósito da transferência do orfanato numa repartição, Korczak foi detido. Os Nazis aprisionaram-no na cadeia do Pawiak, mas, passadas algumas semanas, foi libertado mediante o pagamento de uma caução. Desde 1919, Korczak, em parceria com Maria Falska, fundou outra instituição de proteção, um orfanato para crianças polacas, "Nasz Dom" (A Nossa Casa), que inicialmente se situava numa localidade perto de Varsóvia, Pruszków, e, a partir de 1928, passou para o bairro da capital, Bielany. A colaboração de Maria Falska durou até 1936. No orfanato Nasz Dom, também eram aplicados métodos pedagógicos inovadores. Ambas as instituições, destinadas a crianças entre os 7 e os 14 anos, implementavam a conceção da comunidade em autogestão, que criava as suas próprias instituições, tais como, um parlamento, um tribunal, um jornal, um sistema de horas de serviço, um notário e uma caixa de crédito. Pela sua atividade educativo-instrutiva, Korczak foi galardoado com a "Cruz de Oficial da Ordem da Polônia Restituta" que lhe foi atribuída no dia 11 de Novembro de 1925, no dia do feriado nacional da Independência.

O escritor, o publicista e o jornalista da rádio

Estreou-se no dia 26 de setembro de 1896 no semanário, "Kolce". Como aluno do liceu não podia publicar oficialmente na imprensa e, por isso, assinava os seus artigos com o pseudônimo "Hen", tendo mais tarde usado outros pseudônimos, entre eles, "Hen-Ryk", "Hagot" e "Velho Doutor". O pseudônimo "Janasz Korczak", uma forma ligeiramente alterada de "Janusz Korczak", que se tornou mais conhecido do que o seu próprio apelido, fora retirado do título de um romance de Józef Ignacy Kraszewski, "Sobre Janasz Korczak e a Bela Filha do Portador da Espada". Korczak usou o nome pela primeira vez, em 1898, assinando a sua peça de teatro em quatro atos intitulada, "Por Onde", que foi enviada para um concurso de teatro. A peça não se conservou. Nos anos de 1898-1901 publicou na revista “Czytelnia dla Wzystkich” (Sala de Leitura para Todos). Desde 1900 começou a publicar como Janusz Korczak e a assinar com esse nome inclusivamente cartas particulares sem, contudo, desistir dos restantes pseudônimos. Assim como Hen-Ryk, colaborou com o semanário satírico Kolce. A partir de 1901 começou a escrever folhetins. Em 1905 foi editada uma coletânea dos seus folhetins, publicados na revista Kolce, intitulada “Tretas e Truques”, bem como o romance “As Crianças da Rua 1901”. O legado de Korczak como escritor inclui um total de 24 livros e mais de 1.400 textos publicados em várias revistas. Conservaram-se, porém, poucos manuscritos, textos datilografados e documentos (entre eles, cartas), os quais perfazem um total de cerca de 300 textos. Considera-se que, dos seus estudos pedagógicos, os mais importantes são os seguintes: o ciclo de quatro volumes: Como Amar uma Criança (1920), Momentos Educacionais (1924), Quando Voltar a Ser Pequeno (1925), O Direito da Criança ao Respeito (1929), bem como Pedagogia Divertida (1939). Dentre os livros para crianças destacam-se pela popularidade alcançada O Rei Mateusinho I e O Rei Mateusinho Numa Ilha Deserta (1923) traduzidos para mais de vinte línguas, bem como A Bancarrota do Pequeno Jack (1924), As Regras da Vida (1930) e Caetanito, o Feiticeiro (1935). Pela sua obra literária Korczak recebeu, em 1937, o "Laurel de Ouro da Academia Polaca de Literatura". Durante a Segunda Guerra Mundial escreveu um diário cuja importância reside nas circunstâncias em que foi escrito e na experiência de guerra do autor. Na sua obra pedagógica, Korczak também usou instrumentos muito modernos para os seus tempos. Criou um periódico para as crianças e jovens A Pequena Revista (1926-1939). A revista era publicada como suplemento semanal do diário de Varsóvia, A Nossa Revista. O primeiro número saiu a 9 de outubro de 1926 e foi a primeira revista criada por crianças na Polônia. A partir de 1930, o escritor Jerzy Abramow, conhecido após a guerra como Igor Newerly, tornou-se seu editor, ao mesmo tempo que desempenhava a função de secretário de Korczak. A revista funcionava apesar da intensificação do antissemitismo, da intolerância e da segregação racial dos anos 30. O seu último número saiu com a data de 1º de setembro de 1939. Como pedagogo notável, o Velho Doutor também conduziu as suas atividades por intermédio de um ciclo de programas de rádio. Neles criou um estilo próprio para se dirigir aos ouvintes mais jovens, falando-lhes de um modo simples sobre coisas importantes. Em 1936, os programas pedagógicos do doutor saíram da antena, apesar da opinião entusiástica dos ouvintes e dos críticos, por causa de uma certa disposição crescente antissemita e de pressões externas afins. Korczak regressou à estação da rádio dois anos mais tarde e continuou a dirigir-se aos ouvintes da Rádio Polaca após a eclosão da guerra, nos primeiros dias de setembro de 1939.

A Segunda Guerra Mundial, o gueto e a última marcha

Como oficial do Exército Polaco, após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Korczak voluntariou-se para prestar serviço militar, mas não foi aceito, atendendo à sua idade. Durante a ocupação alemã, envergou a farda militar polaca. Também não aprovava a discriminação imposta pelos Nazis aos Judeus, patente no uso da Estrela de David, o que considerava uma profanação do símbolo. Passou os últimos anos da sua vida no gueto de Varsóvia. Newerly, o futuro biógrafo de Korczak, tentou arranjar-lhe documentos falsos na parte ariana da cidade, mas o médico recusou-se a sair do gueto. No gueto retomou a escrita regular do seu diário iniciado em 1939. Anteriormente e durante dois anos, não escrevera nada, visto que canalizara toda a sua energia para a educação das crianças de Dom Sierot e para outras atividades relacionadas com a situação das crianças no gueto. O diário foi publicado pela primeira vez em Varsóvia, em 1958. A última anotação tem a data de 4 de agosto de 1942. Na manhã de 5 ou 6 de agosto de 1942, o terreno do chamado Pequeno Gueto foi cercado pelas tropas da SS e por polícias das forças ucranianas e letãs. Durante a chamada Grande Ação, ou seja, a principal etapa de exterminação da população do gueto de Varsóvia por parte dos alemães, Korczak recusou, pela segunda vez, a proposta para se salvar por não querer abandonar as crianças e os funcionários de Dom Sierot. No dia da deportação do gueto, Korczak acompanhou o cortejo dos seus educandos rumo ao Umschlagplatz, de onde partiam os comboios para os campos de extermínio. Nesta marcha seguiam cerca de 200 crianças e algumas dezenas de educadores, entre eles, Stefania Wilczyńska. A sua última marcha transformou-se numa lenda. Tornou-se um dos mitos da guerra e um dos temas mais recordados, ainda que nem sempre consistente e confiável nos pormenores. “Não pretendo ser iconoclasta, nem desmistificador de mitos, mas tenho de contar o que então vi. Pairava no ar uma enorme inércia, um automatismo e uma apatia. Não era visível comoção pelo fato de Korczak seguir no cortejo, não houve saudações (tal como alguns descrevem), também não houve de certeza a intervenção dos enviados do Judenrat (Conselho Judaico), nem ninguém se aproximou de Korczak. Não houve gestos, não houve cantos, não havia cabeças orgulhosamente erguidas; não me lembro se alguém empunhava o estandarte de Dom Sierot – há quem diga que sim. Havia um silêncio tremendo e exausto. (…) Uma das crianças segurava Korczak pela roupa ou talvez pela mão; seguiam como que em transe. Acompanhei-os até ao portão do Umschlag” .… De acordo com outras versões, as crianças marchavam em linha de quatro e transportavam a bandeira do Rei Mateusinho I, o herói de uma das histórias escritas pelo seu educador. Todas as crianças levavam consigo o seu brinquedo ou o seu livro preferido. Um dos rapazes à cabeça do cortejo, tocava violino. Os Ucranianos e os SS batiam com os chicotes e disparavam sobre a multidão de crianças, embora o cortejo fosse encabeçado por um destes homens que, pelos vistos, nutria alguma simpatia pelas crianças. Janusz Korczak morreu juntamente com os seus educandos no campo de extermínio nazi de Treblinka. No ano de 1948, foi postumamente agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Ordem da Polônia Restituta.

A identidade

Janusz Korczak considerava-se um Judeu-polaco. Atuou sempre no sentido de aproximar Polacos e Judeus. A sua língua materna era o polaco, que era também a língua em que escrevia as suas obras. Só começou a estudar hebraico nos anos 30, quando se aproximou do movimento sionista, mas entendia um pouco de ídiche, que era a língua da maioria dos judeus-polacos, graças aos seus conhecimentos de alemão. Somente nos anos 30, começou a interessar-se pelo renascimento nacional judaico; colaborou com publicações das organizações da juventude sionista e também participou nos seus seminários. Durante esse período de tempo, também foi abalado por uma crise na sua vida privada e profissional. Em certa medida, duas viagens à Palestina, em 1934 e 1936, ajudaram-no a superar a situação e, tal como escreveu, “a encarar o passado, obter apoio para repensar o presente e – inclusivamente – vislumbrar o futuro”.

Os filmes

  • “O Senhor Está Livre, Dr. Korczak” (em alemão: Sie Sind Frei Doktor Korczak), um filme realizado por Aleksander Ford em 1975. O filme aborda os últimos anos de vida de Janusz Korczak, cujo papel foi representado pelo ator Leo Genn.
  • “Korczak” – filme polaco realizado por Andrzej Wajda, com argumento de Agnieszka Holland, 1990. Representa o destino do Dr. Korczak e, de modo fragmentário, os crimes nazis perpetrados contra as crianças e os educadores do Dom Sierot, durante a implementação da chamada Operação Reinhardt. O papel de Korczak foi representado por Wojciech Pszoniak.
  • “O Coração Corajoso de Irena Sendler” – com nome original de “The Courageous Heart of Irena Sendler” (2010), o filme é baseado na história da assistente social “polaca”, que ajudou a salvar cerca de 2.500 crianças do gueto de Varsóvia. Neste filme aparece Janusz Korczak cuidando de suas crianças no gueto.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Janusz_Korczak
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lumpemproletariado

sábado, 10 de agosto de 2019

Biografia de Irena Sendler

Irena Sendler, 1942.
Irena Sendler (em polaco: Irena Stanisława Sendlerowa, nascida Krzyżanowska). Nasceu em Varsóvia, a 15 de Fevereiro de 1910, e, faleceu em Varsóvia, a 12 de Maio de 2008, também conhecida como “O Anjo do Gueto de Varsóvia”, foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuído para salvar mais de 2.500 vidas ao conseguir que várias famílias escondessem filhos de judeus no seio do seu lar e ao levar alimentos, roupas e medicamentos às pessoas confinadas ao gueto, com risco da própria vida. Em 1939, Irena era assistente social no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia, trabalhava com enfermeiras e organizava espaços de refeição comunitários da cidade com o objectivo de responder às necessidades das pessoas que mais necessitavam. Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Irena já suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte.  Após sua morte Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prêmio Nobel da Paz pelo governo polaco. Em 2008, a CBS produziu o filme “The Courageous Heart of Irena Sendler” que mostra os fatos mais importantes da luta de Irena. A intérprete de Sendler, Anna Paquin, foi indicada ao Globo de Ouro de 2010.

A mãe das crianças do Holocausto

“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade”. Quando a Alemanha Nazi invadiu o país em 1939, Irena era assistente social no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia, trabalhava com enfermeiras e organizava espaços de refeição comunitários da cidade com o objetivo de responder às necessidades das pessoas que mais necessitavam. Graças a ela, esses locais não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres como lhes entregavam roupas, medicamentos e dinheiro. Ali trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Em 1942, os nazis criaram um gueto em Varsóvia, e Irena, horrorizada pelas condições em que ali se sobrevivia, uniu-se ao Conselho para a Ajuda aos Judeus, “Zegota”. Ela mesma contou: “Consegui, para mim e minha companheira Irena Schultz, identificações do gabinete sanitário, entre cujas tarefas estava a luta contra as doenças contagiosas. Mais tarde tive êxito ao conseguir passes para outras colaboradoras. Como os alemães invasores tinham medo de que ocorresse uma epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto”. Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Pôs-se rapidamente em contacto com famílias, a quem propôs levar os seus filhos para fora do gueto, mas não lhes podia dar garantias de êxito. Eram momentos extremamente difíceis, quando devia convencer os pais a que lhe entregassem os seus filhos e eles lhe perguntavam: “Podes prometer-me que o meu filho viverá?”. Disse Irena, “O que poderia prometer, quando nem sequer sabia se conseguiriam sair do gueto”. A única certeza era a de que as crianças morreriam se permanecessem lá. Muitas mães e avós eram reticentes na entrega das crianças, algo absolutamente compreensível, mas que viria a se tornar fatal para elas. Algumas vezes, quando Irena ou as suas companheiras voltavam a visitar as famílias para tentar fazê-las mudar de opinião, verificavam que todos tinham sido levados para os campos da morte. Ao longo de um ano e meio, até à evacuação do gueto no Verão de 1942, conseguiu resgatar mais de 2.500 crianças por várias vias: começou a recolhê-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas logo se valia de todo o tipo de subterfúgios que servissem para os esconder: sacos, cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, caixões... nas suas mãos qualquer elemento transformava-se numa via de fuga. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não fica satisfeita só por manter com vida as crianças. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, as suas identidades, as suas histórias pessoais e as suas famílias. Concebeu então um arquivo no qual registrava os nomes e dados das crianças e as suas novas identidades. Os nazis souberam dessas atividades e em 20 de Outubro de 1943; Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: "Jesus, em Vós confio", e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II. Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um "interrogatório adicional". Ao sair, gritou-lhe em polaco "Corra!". No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa. Em 1944, durante o revolta de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao acabar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente, a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio nazis. De início, as crianças que não tinham família adotiva foram cuidadas em diferentes orfanatos e, pouco a pouco, foram enviadas para a Palestina. As crianças só conheciam Irena pelo seu nome de código “Jolanta”. Mas anos depois, quando a sua fotografia saiu num jornal depois de ser premiada pelas suas ações humanitárias durante a guerra, um homem chamou-a por telefone e disse-lhe: “Lembro-me de seu rosto. Foi você quem me tirou do gueto”. E assim começou a receber muitas chamadas e reconhecimentos públicos.  Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel. Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polônia: a Ordem da Águia Branca. Irena foi acompanhada pelos seus familiares e por Elżbieta Ficowska, uma das crianças que salvou, que recordava como “a menina da colher de prata”.

Proposta para o Nobel da Paz

Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prêmio Nobel da Paz pelo governo polaco. Esta iniciativa pertenceu ao presidente Lech Kaczyński e contou com o apoio oficial do Estado de Israel através do primeiro-ministro Ehud Olmert, e da Organização de Sobreviventes do Holocausto residentes em Israel. As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) expressaram o seu apoio a esta candidatura, já que consideraram que Irena Sendler era uma dos últimos heróis vivos da sua geração, e que tinha demonstrado uma força, uma convicção e um valor extraordinários frente a um mal de uma natureza extraordinária. O prêmio, no entanto, foi dado a Al Gore pela sua defesa do meio-ambiente.

Filme

Em 2008, a CBS produziu o filme “The Courageous Heart of Irena Sendler” que mostra os fatos mais importantes da luta de Irena. A intérprete de Sendler, Anna Paquin, foi indicada ao Globo de Ouro de 2010.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Irena_Sendler

domingo, 7 de abril de 2019

Biografia de Nicholas Winton

Winton em Praga, 2007. (Foto: Hynek Moravec)
Sir Nicholas Winton, (Kt., MBE) nascido Nicholas Wertheim; em Hampstead, a 19 de Maio de 1909, e, falecido em Slough, a 1º de Julho de 2015. Winton foi um britânico que organizou o resgate de 669 crianças em sua maioria judias na antiga Checoslováquia, antes delas serem deportadas para campos de concentração nazistas, salvando-as da morte certa em 1939, antes do início da Segunda Guerra Mundial. Por seus feitos foi muitas vezes chamado de "Schindler britânico", em referência a Oskar Schindler. No aniversário da rainha, em 1983, foi nomeado membro da Ordem do Império Britânico por seu trabalho na instalação de asilos da sociedade Abbeyfield na Grã-Bretanha e, em 2002, elevado a cavaleiro pela rainha Elizabeth II em reconhecimento ao seu trabalho no salvamento das crianças. Nicholas Winton foi agraciado com a Ordem de Tomáš Garrigue Masaryk, Quarta Classe, pelo Presidente Checo em 1998. Nicholas Winton encontrou-se novamente com a Rainha durante a sua visita de Estado que ela fez à Eslováquia, em Outubro de 2008. No mesmo ano, Nicholas Winton foi homenageado pelo governo checo de várias formas: uma escola de ensino elementar em Kunžak recebeu seu nome e foi agraciado com a Cruz do Mérito do Ministério da Defesa, Grau I. Foi indicado pelo governo checo para o Prêmio Nobel da Paz de 2008. O asteroide 19384 Winton foi nomeado em sua honra pelo casal de astrônomos checos Jana Tichá e Miloš Tichý. Por ter antepassados judeus, Winton não foi agraciado no quadro de Justos entre as Nações.

Biografia

Nicholas Winton nasceu em 1909 em Hampstead, Londres, filho de alemães judeus que haviam se mudado para Londres dois anos antes. O sobrenome da família era Wertheim mas mudaram para Winton como um esforço de integração. Eles também se converteram ao Cristianismo e Winton foi batizado. Em 1923, Winton entrou na Stowe School, mas saiu sem se formar. Ele continuou os estudos frequentando uma escola noturna enquanto era voluntário no Midland Bank. Também foi para Hamburgo e trabalhou no Behrens Bank, em seguida no Wasserman Bank, em Berlim. Em 1931 mudou-se para França e trabalhou no Banque Nationale de Crédit, em Paris, onde adquiriu formação na área bancária. Quando retornou para Londres, tornou-se corretor na Bolsa de Valores de Londres. Antes do natal de 1938, Winton foi até Praga e ajudou seu amigo Martin Blake, que havia lhe chamado para ajudar em trabalhos humanitários aos judeus. Assim, viu de perto a situação dos judeus na parte da Checoslováquia que estava ocupada por nazistas. Winton serviu a Força Aérea Real durante a Segunda Guerra Mundial.

Trabalho humanitário

Pouco antes do Natal de 1938, Winton estava prestes a viajar para a Suíça para umas férias de esqui, quando decidiu viajar a Praga para ajudar seu amigo Martin Blake, que estava envolvido em trabalho humanitário com judeus. Ele ficou no Sroubek Hotel, na Wenceslas Square, e pouco tempo depois percebeu que não havia planos específicos para salvar as vidas das crianças, criando a própria organização para ajudar crianças judias que corriam risco com nazistas. Winton entrou em contacto com Refugee Children's Movement (RCM), em Londres. A missão dessa organização era conseguir alojamento e a quantia de dinheiro que o governo Britânico requisitava como garantia para aprovar a entrada dos refugiados europeus perseguidos pelo nazismo. Em Novembro de 1938, pouco depois da Kristallnacht na Alemanha Nazista, a Câmara dos Comuns do Reino Unido aprovou uma medida que permitiu a entrada de refugiados com idade inferior a 17 anos, contanto que tivessem um lugar para ficar e £50 depositadas como garantia de pagamento de um bilhete para eventual retorno ao país de origem. O boato do "Britânico da Rua Wenceslas" se espalhou e logo uma grande quantidade de famílias apareceram para tentar incluir seus filhos na lista que os colocaria fora do alcance nazista. “Era exasperador”, Winton disse um dia, “como cada grupo se sentia mais urgente que o outro”. Durante nove meses ele tentou evacuar 669 crianças, por trem, de Praga para Londres. Entre eles estava Karel Reisz, que se tornaria um famoso cineasta, autor do premiado filme "The French Lieutenant's Woman". Hoje em dia, acredita-se que existam mais de 5.000 crianças das chamadas "crianças de Winton" que seriam descendentes das crianças que Winton salvou. Um nono trem com 250 crianças deveria ter partido em Setembro de 1939, mas a data coincidiu com a declaração de guerra do Reino Unido à Alemanha. O trem não saiu da estação e as crianças não foram vistas novamente. Durante mais de cinco décadas Nicholas Winton não revelou esse trabalho humanitário para ninguém. A história foi a público quando sua esposa,
Grete Gjelstrup, descobriu no sótão de sua casa uma pasta que continha a lista das crianças salvas e cartas para os pais delas.

Holanda

Um obstáculo importante foi conseguir permissão oficial para cruzar os Países Baixos, pois as crianças estavam destinadas a embarcar em uma balsa que ficava em Hoek van Holland. Após Kristallnacht, em Novembro de 1938, o governo holandês fechou oficialmente as suas fronteiras a todos os refugiados judeus. Os guardas de fronteira (Marechaussee) procuraram ativamente por refugiados judeus e, quando encontrados, eram mandados volta para a Alemanha, apesar dos horrores da Kristallnacht serem bem conhecidos nos Países Baixos (por exemplo, a partir da fronteira germano-holandesa na sinagoga de Aachen podia ser visto em chamas, a apenas 3 km de distância). Winton, no entanto, teve sucesso graças às garantias de que ele tinha obtido dos britânicos. Após o primeiro trem, as coisas correram relativamente bem ao atravessar a Holanda. A holandesa Gertruida Wijsmuller-Meier salvou outras 10.000 crianças judias, principalmente de Viena e Berlim, mas não se sabe se ela e Winton se conheceram. Em 2012 uma estátua foi erguida no cais em Hoek van Holland para comemorar todos aqueles que salvaram crianças judias. Winton encontrou casas na Grã-Bretanha para 669 crianças, muitas delas órfãs pois os pais tinham sido executados em Auschwitz. A mãe de Winton também trabalhou com ele para colocar as crianças em lares e albergues. Durante todo o verão, Winton colocou anúncios em busca de famílias para aceitá-los. O último grupo de 250 crianças, programado para sair de Praga em 1º de Setembro de 1939, não chegou com segurança; os nazistas invadiram a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra Mundial, e as crianças foram enviadas para campos de concentração.

Segunda Guerra Mundial

Com a chegada da guerra, Winton pediu o registro como objetor de consciência e serviu na Cruz Vermelha, mas em 1940 ele rescindiu sua objeção para se juntar à FAR, no ramo administrativo e de deveres especiais. Winton era inicialmente um aviador, subindo a sargento no momento em que ele foi contratado em 22 de Junho de 1944, como um oficial piloto agindo em liberdade condicional. Em 17 de Agosto de 1944 foi promovido a oficial-piloto em liberdade condicional. Ele foi promovido a o posto de diretor de voo substantiva guerra em 17 de Fevereiro de 1945. Ele renunciou a sua comissão em 19 de Maio de 1954, mantendo o título honorário de tenente de voo. Winton manteve o silêncio sobre suas façanhas humanitárias por muitos anos, até que sua esposa Grete
Gjelstrup encontrou um scrapbook detalhado em seu sótão em 1988. Continha listas das crianças, incluindo os nomes de seus pais e os nomes e endereços das famílias que levaram-nos através do envio de cartas para estes endereços, 80 das "crianças de Winton" foram encontradas na Grã-Bretanha. O mundo descobriu sobre o seu trabalho em 1988, durante um episódio do programa de televisão da BBC That's Life!, quando foi convidado como um membro da plateia. Em um ponto, recados de Winton foram mostrados, e suas realizações explicadas. A apresentadora do programa, Esther Rantzen, perguntou se alguém na plateia devia a sua vida a Winton e, em caso afirmativo, ficar de pé. Mais de vinte pessoas ao redor de Winton se levantaram e o aplaudiram.

Pessoas conhecidas salvas

  • Alfred Dubs, Barão Dubs
  • Karel Reisz
  • Joe Schlesinger
  • Renata Laxova
  • Heini Halberstam