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domingo, 14 de julho de 2019

Yad Vashem - Israel

Yad Vashem (Imagem: Andrew Shiva / Wikipedia / CC BY-SA 4.0).

Yad Vashem (em hebraico: יד ושם ou Yad VaShem, a "Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto") é o memorial oficial de Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto. Foi estabelecido em 1953 através da Lei Yad Vashem passada pela Knesset, o Parlamento de Israel. A origem do nome é um versículo bíblico: "E a eles darei a minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome (Yad Vashem) que não será arrancado." (Isaías 56:5.). Localizado no sopé do Monte Herzl, no Monte da Recordação (Har HaZikaron), em Jerusalém, Yad Vashem é um complexo de cerca de 18 hectares que contém o moderno Museu da História do Holocausto, vários memoriais, como o Memorial das Crianças e a Sala da Memória, o Museu de Arte do Holocausto, esculturas, lugares comemorativos ao ar livre, como o Vale das Comunidades, a sinagoga, arquivos, um instituto de pesquisa, biblioteca, uma editora e um centro educacional, a International School for Holocaust Studies (Escola Internacional para o Estudo do Holocausto). Os Não-Judeus que salvaram Judeus durante o período do Holocausto, com risco das próprias vidas, são honrados pelo Yad Vashem como “Justos entre as Nações”.

Apresentação

O novo Museu da História do Holocausto, aberto em Março de 2005, foi construído numa estrutura de um prisma triangular. Tem 180 metros de comprimento, na forma de um espigão, que corta a montanha. As suas paredes ásperas são feitas de betão armado, e cobre uma área superior a 4.200 metros quadrados, a maior parte dos quais subterrâneos. Na parte superior da galeria principal existe uma claraboia, saliente na crista da montanha. Existem 10 salas de exposição, cada um dedicado a um capítulo diferente da história do Holocausto. Ao contrário da exposição no antigo museu, que era composta sobretudo por fotografias, a nova exposição é uma apresentação multimédia que incorpora testemunhos de sobreviventes, assim como objetos pessoais doados ao Yad Vashem por sobreviventes do Holocausto, as famílias daqueles que morreram, e outros museus e memoriais do Holocausto de todo o Mundo. As mostras estão organizadas cronologicamente, com os testemunhos e os artefatos acentuando as histórias individuais usadas para salientar a narrativa histórica ao longo do museu. O museu está projetado de forma que o visitante comece a visita num plano superior, prossiga para o ponto subterrâneo mais baixo no centro do museu, e depois lentamente suba em direção à saída. A saída da exposição principal termina num miradouro com uma espetacular vista das montanhas a Oeste de Jerusalém. O visitante sai de um corredor sombrio para a luz do sol direto (conforme a hora do dia e a situação atmosférica).

Objetivos
    • Educação
        ◦ Através da Escola Internacional para o Estudo do Holocausto que inclui um setor de multimédia, centros de pedagogia e acadêmicos.
        ◦ Realização de cursos de desenvolvimento profissional para educadores, tanto em Israel como no resto do Mundo.
        ◦ Desenvolvimento de programas de estudo, currículos e materiais didáticos adequados a diferentes idades, para escolas israelitas e estrangeiras, a fim de educar estudantes de todas as idades sobre o Holocausto.
        ◦ Apresentação de exposições sobre o Holocausto.
        ◦ Ensino do Holocausto ao público em geral.
    • Documentação
        ◦ Recolha dos nomes de vítimas dos Holocausto. A Base de Dados Central dos Nomes das Vítimas da Shoá (Central Database of Shoah Victims' Names) guarda atualmente mais de 3,3 milhões de nomes de vítimas do Holocausto, tudo acessível on-line. Yad Vashem continua o seu projeto de recolher o maior número de nomes de vítimas judias possível.
        ◦ Recolha de fotos, documentos e recursos relacionados com o Holocausto. Os Arquivos do Yad Vashem encerram mais de 74 milhões de páginas de documentação relacionada com o Holocausto e mais de 350.000 fotografias.
        ◦ Recolha de Páginas de Testemunho, recordando as vítimas judaicas do Holocausto. Até agora, o Yad Vashem recolheu 2,1 milhões de Páginas de Testemunho.
        ◦ Gravação de testemunhos de sobreviventes. A Secção de História Oral dos Arquivos do Yad Vashem atualmente abriga cerca de 46,000 testemunhos áudio, vídeo e escritos.
    • Comemoração
        ◦ Preservação da memória e nomes dos seis milhões de Judeus mortos durante o Holocausto e as numerosas comunidades judaicas destruídas durante esse período.
        ◦ Realização de cerimônias de recordação e comemoração
    • Investigação e Publicações
        ◦ Condução, encorajamento e apoio à investigação referente ao Holocausto.
        ◦ Encorajamento de estudantes e jovens acadêmicos a investigar o Holocausto.
        ◦ Desenvolvimento e coordenação de simpósios, workshops e conferências internacionais e realização de projetos escolares.
        ◦ Publicação de investigação, tornando-a acessível ao público em geral.
        ◦ Publicação de memórias, documentos, álbuns e diários relacionados com o Holocausto.
    • Justos entre as Nações
        ◦ Homenagem aos não-judeus que arriscaram as suas vidas para salvar judeus durante o Holocausto. Desde a década de 1960 o título de ‘Justo entre as Nações’ foi agraciado a mais de 22.000 indivíduos.

Museu

Em 1994, o Yad Vashem decidiu construir um museu maior para substituir o existente, construído na década de 1960. Esta decisão surgiu em resposta à necessidade de oferecer uma forma mais significativa de lembrar o Holocausto, face aos avanços tecnológicos do novo milênio, atraindo ao mesmo tempo as gerações mais jovens, sobre as quais recai a responsabilidade de passar o legado da recordação do Holocausto. O novo museu de História do Holocausto é o maior museu do Holocausto em todo o Mundo. Foi escavado no Monte da Recordação e desenhado para refletir a história da comunidade judaica europeia durante o Holocausto.  Consiste num longo corredor ligado a 10 salas de exposição, cada uma dedicada dedicada a um capítulo diferente do Holocausto, o museu conta a história do Holocausto de uma perspectiva judaica. O museu combina as histórias pessoais de 90 vítimas e sobreviventes do Holocausto e apresenta nas suas exibições cerca de 2.500 objetos pessoais, incluindo obras de arte e cartas, doados por sobreviventes e outras pessoas. No final do museu situa-se a Sala dos Nomes, um memorial aos 6 milhões de Judeus que morreram no Holocausto. A sala principal é composta por dois cones: um estende-se 10 metros em direção ao céu, reflectido por um poço cônico idêntico, escavado na rocha natural, com o seu fundo cheio de água. No cone superior são mostradas fotos, do gênero foto de passaporte, de 600 vítimas do Holocausto e fragmentos de Páginas de Testemunho. Estas são reflectidas na água no fundo do cone inferior, lembrando aquelas vítimas cujos nomes permanecem desconhecidos. Em volta de uma plataforma está um arquivo circular, que conserva aproximadamente 2,1 milhões de Páginas de Testemunho, as que foram recolhidas até agora, com espaços vazios para aquelas que ainda falta recolher — um espaço para seis milhões de Páginas ao todo. Anexa, existe uma área de estudo e pesquisa, com uma base de dados computorizada e onde pesquisas on-line dos nomes de vítimas do Holocausto podem ser realizadas na Base de Dados Central dos Nomes das Vítimas da Shoá. O acesso à Base de Dados Central dos Nomes das Vítimas da Shoá está também disponível na Internet no site Yadvashem. Desde a década de 1950, o Yad Vashem recolheu aproximadamente 46.000 testemunhos escritos, áudio e vídeo de sobreviventes do Holocausto; Uma vez que os sobreviventes envelheceram e têm cada vez menores capacidades de deslocação, o programa foi alargado, procurando os sobreviventes e visitando-os nas suas casas a fim de gravar entrevistas. Em 5 de Março de 2005, foi inaugurado o novo Museu de História do Holocausto do Yad Vashem em Jerusalém, Israel. O impressionante edifício foi desenhado pelo internacionalmente reconhecido arquiteto israelo-canadiano, Moshe Safdie. Líderes de 40 países e o ex-Secretário Geral da ONU Kofi Annan assistiram à cerimônia de inauguração do novo museu do Holocausto. O Presidente de Israel Moshe Katsav disse na altura que o novo museu serve como "um importante símbolo para toda a humanidade, um símbolo que alerta quão curta é a distância entre o ódio e o assassínio, entre o racismo e o genocídio". Kofi Annan, que era na altura o Secretário Geral da ONU, comentou na abertura, “O número de sobreviventes do Holocausto que ainda estão conosco está a desaparecer rapidamente, os nossos filhos estão a crescer na mesma rapidez. Eles começam a perguntar as suas primeiras questões sobre injustiça. O que lhes diremos? Vamos dizer-lhes, 'É assim que o mundo é'? Ou, em vez disso, diremos, 'Estamos a tentar mudar as coisas - para encontrar uma melhor maneira'? Que este museu seja como um testemunho que nós estamos a esforçar-nos por uma maneira melhor. Que o Yad Vashem nos inspire a manter o esforço, enquanto a mais escura escuridão espreitar sob a face da terra”.

Campus do Museu e os Memoriais
Sala da Memória

É uma construção em cimento armado que lembra os 6.000.000 de vítimas judaicas que foram assassinadas no Holocausto. No seu interior está a 'Chama Eterna' e no chão estão inscritos os nomes dos principais campos de concentração e de extermínio. É neste local que costumam realizar-se as cerimônias com os representantes estrangeiros de visita a Israel, onde costumam avivar a Chama e depositar uma coroa de flores em memória das vítimas.

O campus do Yad Vashem Campus (Imagem: David_Shankbone).

Yad Layeled (Memorial das Crianças)

É o memorial ao milhão e meio de crianças judias mortas no Holocausto. É uma caverna em cuja entrada existe a uma série de retratos de crianças e, ao longo de um trajeto por uma sala escura onde, através de espelhos, são projetadas milhares de velas em memória das crianças. Em permanência, escutam-se os nomes das crianças, a sua idade e origem geográfica, em som de fundo, em hebraico e inglês.

Vale das Comunidades

É um labirinto traçado na rocha natural perto do Museu de História do Holocausto, dedicado aos milhares de comunidades judaicas da Europa e Norte de África que foram arrasadas e exterminadas pelos nazis durante o Holocausto. Em alguns pontos do labirinto, encontram-se gravados os nomes das cidades e aldeias cujas comunidades judaicas desapareceram parcial ou totalmente. No centro do complexo existe um pequeno anfiteatro ao ar livre.

Avenida dos Justos das Nações do Mundo

Uma avenida de árvores plantadas em homenagem aos não-judeus que ajudaram judeus a escapar dos nazis durante o período do Holocausto, chamados 'Justos das Nações do Mundo', e que foram reconhecidos pelo Yad Vashem. Junto a cada árvore, uma placa revela o nome da pessoa ou pessoas homenageadas.

Centro das Gerações do Holocausto

Este é um novo museu que foi inaugurado em 2005 e cujo objetivo é reunir factos históricos destacando as histórias individuais das vítimas através dos objetos pessoais dos judeus que morreram no Holocausto e dos sobreviventes, como testemunhos, filmes, diários, cartas e obras de arte.

Santuário dos Nomes

É um salão no final do novo museu onde estão concentrados os nomes de todas as vítimas do Holocausto que chegaram ao conhecimento do Yad Vashem, baseado num projeto especial chamado "Para cada ser humano um nome". Inclui um banco de dados acessível no local e também através da Internet. O projeto é uma ferramenta extra para ajudar na investigação histórica e na pesquisa pelos familiares das vítimas.

Museu da Arte do Holocausto

O Museu divulga obras de artes de artistas judeus da época do Holocausto, assim como obras contemporâneas inspiradas naquele período histórico. Contém exposições permanentes e outras temporárias. O título do Museu é "Não há brincadeiras infantis".

Pátio dos Eventos

É o local onde todos os anos ocorrem os eventos oficiais do “Dia do Holocausto”. Na parede de fundo do pátio, duas esculturas representam os dois opostos da atitude judaica perante a ameaça nazi. Uma escultura representa os judeus sendo encaminhados para a morte, passivos e cabisbaixos, como um rebanho. Ao lado, outra representação mostra os judeus como lutadores, e é uma cópia do memorial existente em Varsóvia que homenageia os Heróis do Gueto de Varsóvia, feita pelos escultor Natan Repfort.

Outros Locais

O complexo do Yad Vashem inclui ainda outros memoriais. A sinagoga, perto da saída do Museu Histórico. Está decorada com peças como candelabros e mobílias, recuperadas de sinagogas destruídas pelos nazis, em especial na Romênia. O Memorial dos 'Partizans', os judeus que se uniram aos vários movimentos da Resistência contra os nazis. O memorial de Janusz Korczak, lembra o médico polaco diretor do orfanato do Gueto de Varsóvia e as suas crianças. Um autêntico vagão de gado, no qual eram transportados os prisioneiros para os campos de concentração, constitui o Memorial das Deportações. O vagão está montado sob uma ponte de ferro incompleta, frente a uma colina de Jerusalém, num dos limites do complexo do Yad Vashem.

Escultura do Memorial dos Heróis do Gueto de Varsóvia (Pic. Boaz Gabriel Canhoto).


Os Justos Entre as Nações

Uma das funções do Yad Vashem é homenagear os não-judeus que arriscaram a vida, liberdade ou posição para salvar judeus durante o Holocausto. Para este fim, uma comissão especial independente, foi estabelecida. Os membros da comissão, incluindo historiadores, figuras públicas, advogados e sobreviventes do Holocausto, examinam e avaliam cada caso de acordo com um bem definido conjunto de critérios e regras. Os Justos recebem um certificado de honra e uma medalha e os seus nomes são recordados no Jardim dos Justos Entre as Nações, no Monte da Recordação, Yad Vashem. Este é um projeto em continuo que se manterá enquanto houver solicitações válidas, substanciadas por testemunhos ou documentação. Até 2008, mais de 22.000 indivíduos foram reconhecidos como Justos Entre as Nações.

História

A ideia de estabelecer um memorial na histórica pátria judaica para as vítimas do Holocausto Nazi foi concebida durante a própria II Guerra Mundial, como uma resposta a relatórios do assassínio em massa de judeus nos países ocupados pelos nazis.  O Yad Vashem foi proposto pela primeira vez em Setembro de 1942, numa reunião do Jewish National Fund (Fundo Nacional Judaico), por Mordecai Shenhavi, um membro do Kibbutz Mishmar Ha'emek. Em Agosto de 1945, o plano foi discutido em mais detalhe num encontro de sionistas em Londres, onde foi decidido estabelecer um quadro provisório de líderes sionistas com Davibd Remez como presidente, Shlomo Zalman Shragai, Baruch Zuckerman, e Mordecai Shenhavi. Em Fevereiro de 1946, o Yad Vashem abriu um escritório em Jerusalém e uma delegação em Tel Aviv e em Junho desse ano, realizou a sua primeira sessão plenária. Em Julho de 1947, a Primeira Conferência sobre Investigação do Holocausto teve lugar na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde novos planos foram feitos para o Yad Vashem. Porém, o estalar da Guerra da Independência de Israel, em Maio de 1948, levou quase todas as operações do Yad Vashem a uma pausa de dois anos. Em 1953, a Knesset, o Parlamento de Israel, unanimemente passou a Lei Yad Vashem, estabelecendo a Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis.

História Recente

Em 2000, o chanceler alemão Gerhard Schröder visitou o Yad Vashem a convite do Primeiro Ministro israelita Ehud Barak e foi convidado a avivar a Chama Eterna. Num erro diplomático amplamente divulgado, o chanceler rodou a manivela no sentido contrário e extinguiu a chama. No ano de 2003 (5763 do calendário judaico), o Yad Vashem foi agraciado com o Prêmio Israel, o prêmio de maior prestígio do Estado de Israel, pela sua "contribuição única para a sociedade e o Estado israelitas". Em 2005, em resposta a uma carta de Sa'ar Netanel, membro do Conselho Municipal de Jerusalém, Avner Shalev, o diretor do Yad Vashem, prometeu uma apresentação de informação sobre "outras vítimas" num "lugar relevante". Alguma informação sobre outras vítimas dos nazis pode ser encontrada no sítio da Internet do Yad Vashem. Em Setembro de 2007, o Yad Vashem recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias para a Concórdia. O Prêmio Príncipe das Astúrias é apresentado em 8 categorias. O Prêmio para a Concórdia é atribuído a uma pessoa, pessoas ou uma instituição cujo trabalho tenha feito uma contribuição exemplar e extraordinária para a compreensão mútua e a coexistência pacífica entre os Homens, para a luta contra a injustiça ou a ignorância, para a defesa da liberdade, ou cujo trabalho tenha alargado os horizontes do conhecimento ou tenha sido excepcional na proteção e preservação da herança da humanidade. Em 25 de Outubro de 2007, o diretor do Yad Vashem Avner Shalev foi galardoado com a Legião de Honra (Légion d’Honneur) pelo seu "extraordinário trabalho em prol da lembrança do Holocausto a nível mundial". O presidente francês Nicolas Sarkozy presenteou pessoalmente Shalev com o prêmio numa cerimônia especial no Palácio do Eliseu.  O Yad Vashem é o segundo ponto turístico mais visitado em Israel, depois do Muro Ocidental, com mais de 1 milhão de visitantes em 2007. Durante 2008, o Yad Vashem recebeu um grande grupo de VIPs e dignitários, começando com o presidente americano George W. Bush, que visitou o local em Janeiro de 2008. Também em Janeiro, a Escola Internacional do Yad Vashem para o Estudo do Holocausto realizou o primeiro Congresso Internacional da juventude sobre o Holocausto. Mais de 100 jovens, de 62 países e cinco continentes reuniram-se durante três dias no Yad Vashem. O Congresso, sob os auspícios da UNESCO, foi dedicado ao estudo do Holocausto e discussões sobre a sua significância universal. Os participantes, com idades entre os 17 e os 19 anos, e incluindo entre eles Cristãos, Judeus, Muçulmanos e Budistas, e falando cerca de 30 idiomas diferentes, estudaram vários tópicos relacionados com o Holocausto, visitaram o Yad Vashem e Jerusalém, participaram em workshops, e encontraram-se com sobreviventes do Holocausto. Sessões especiais tiveram lugar com representantes israelitas, incluindo o presidente Shimon Peres. Durante Março de 2008, a chanceler alemã Angela Merkel acompanhada pelo Primeiro Ministro Ehud Olmert, e oito ministros de cada governo visitaram o Yad Vashem. Uma cerimônia memorial, com a participação da chanceler, o Primeiro Ministre, e o Diretor do Yad Vashem Avner Shalev, realizou-se na Sala da Memória. O atual diretor do Yad Vashem é Yossef Lapid, um ex-deputado da Knesset (Parlamento de Israel).

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Yad_Vashem

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Museu da Polícia Civil do Estado de São Paulo

Museu da Polícia Civil (Imagem: Governo do Estado de São Paulo).

O Museu da Polícia Civil do Estado de São Paulo, também conhecido como Museu do Crime da Polícia Civil do Estado de São Paulo, é uma instituição pública localizada na Cidade Universitária, no bairro Butantã, zona Oeste da cidade de São Paulo. Seu objetivo é preservar um acervo constituído por documentos de inquéritos policiais, tais como as diferentes armas utilizadas pelos civis, tatuagens típicas das cadeias, tragédias no trânsito, objetos usados em delitos e todas as outras situações que envolvem a criminalidade paulista a partir do século XX. O museu está situado no Campus I da Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" (Acadepol) e seu patrimônio contém cerca de 3.000 itens. Fundado em 1927, foi nomeado inicialmente como Museu de Técnica Policial e de História do Crime. O museu foi legalmente instituído pelo Decreto Nº 4.715 em 23 de Abril de 1930. Inicialmente, a instituição não era aberta ao público, sendo apenas objeto de estudos para os alunos da Acadepol. O espaço se tornou acessível à toda população, com entrada gratuita, no ano de 1952.

História

A Polícia Civil do Estado de São Paulo nasceu em 1841 com o objetivo de exercer as determinações do poder Judiciário, além de cuidar de todas as infrações penais que não sejam militares e nem cometidas contra a União. Junto ao surgimento dela, também em 1841, a Secretaria dos Negócios da Justiça foi originada e suas funções se baseavam em cuidar de assuntos referentes à justiça civil e criminal, à segurança pública, à revisão de prisões, à divulgação de decretos referentes aos casos de sua responsabilidade, entre outras. Durante esse processo de formação da Polícia, algumas personalidades receberam destaque como, por exemplo, José Cardoso de Almeida, que passou a desempenhar o cargo de chefe de polícia logo no início e ainda ganhou maior notoriedade ao promover uma estruturação da organização, visando tornar a profissão de policial civil algo mais sério e reconhecido, com possível ascensão de carreira profissional e remuneração mais alta. Outros três nomes de grande importância para esse período inicial foram: Jorge Tibiriçá, presidente do Estado, o qual deu início em 1905 às reivindicações de José Cardoso, Antônio de Godói, delegado de policia que aprofundou e deu consistência à ideia da criação de carreiras e Washington Luís Pereira de Sousa, secretário da Justiça e responsável pelas primeiras providências da almejada "Polícia Civil de Carreira do Estado de São Paulo". A Escola de Polícia, local de treinamento dos civis, passou por diversas mudanças estruturais e teve sua sede transferida de lugar algumas vezes. Atualmente, ela recebe o nome de Academia de Polícia Dr. Coriolano Nogueira Cobra (Acadepol) e está localizada em um prédio dentro da Cidade Universitária. No interior desse conjunto, está localizado o Museu da Polícia Civil, criado em 1927 como forma de homenagear e lecionar sobre as mudanças e evoluções ocorridas desde o início da formação da Polícia Civil até os dias mais atuais. Seu reconhecimento legal foi em 23 de abril de 1930, pelo Decreto Nº 4.715. Em 26 de Agosto de 2005, pelo Decreto nº 49.930, o museu passou a ser uma unidade independente, não se caracterizando como uma unidade administrativa da Polícia Civil. O museu, desde a sua existência, recebeu dois significativos reconhecimentos. Primeiramente, dois anos após sua criação, em 1929, foi incluído pela Equipe de Banco de Dados sobre o Patrimônio Cultural da USP no Guia dos Museus Brasileiros, ficando exposto na sessão "Museus da Região Sudeste" para os visitantes interessados. Depois, no ano de 2006, teve seu patrimônio colocado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mais precisamente na área de Cadastro Nacional dos Museus.

Acervo

O acervo do museu apresenta objetos típicos utilizados pelos policiais civis no passado, assim como diversos tipos de armas – desde as domésticas, como a faca, até metralhadoras - usadas muitas vezes em crimes. Além de tais objetos, os documentos e fotos preservados sobre a trajetória da história policial também são encontrados no museu. Todos os instrumentos apresentados visam o aprofundamento diante dos estudos de investigações policiais e crimes cometidos que marcaram o país. Casos famosos como o Crime da Mala, Chico Picadinho e o Maníaco do Parque também compõem o acervo do local, que apresenta aproximadamente 3.000 itens – dentre eles, antigas viaturas, exposição de drogas, peças de acidente de trânsito, incêndios, mortes por armas de fogo, máquinas de azar, detectores de mentiras, entre outros - que determinam o acervo de criminalística e criminologia. Logo na entrada do museu, há uma representação da mesa de um delegado de polícia utilizado na época. As fotos de crimes e objetos relacionados ao cotidiano da polícia paulistana também são expostas no local para os visitantes e, além disso, é possível visualizar a simulação de casos de homicídios e estupros.

O Crime da Mala
 
Parte interna da mala do acervo do Crime da Mala. (Imagem: Joannasagrilo).

 
Uma das principais peças do acervo consiste no baú original usado no caso do Crime da Mala. O caso foi manchete de diversos jornais brasileiros em Outubro de 1928. Em 5 de Outubro de 1928, foi encontrada uma mala (em forma de baú, que é peça marcante do Museu) no Porto de Santos coberta de sangue. Um corpo feminino mutilado estava em seu interior e, por esse fato, o caso ficou conhecido como "O Crime da Mala". Na época, o imigrante italiano Giusepe Pistone planejava um golpe em seu parente distante, um empresário de produtos de vinho em São Paulo. Casada com Pistone, a argentina Maria Féa desconfiava de seu marido, pois o mesmo fora condenado por estelionato, e assim decidira escrever para sua mãe sobre as possíveis intenções do marido. Ao encontrar a carta, o italiano, a fim de evitar denúncia, resolveu asfixiar sua esposa, que estava grávida, no dia 4 de Outubro. Investigadores da polícia encontraram o corpo de Maria Féa esquartejado por uma navalha e com pó-de-arroz utilizado por Pistone para evitar o cheiro. No ano de 1944, após ser condenado a 31 anos de prisão, Giuseppe Pistone foi libertado à partir de uma permissão intermediada pelo presidente Getúlio Vargas. No Museu da Policia Civil do Estado de São Paulo essa história é narrada e relatada pelo policial Eduardo Pretel, monitor das visitas do local.

Caso de Chico Picadinho

O acervo preserva também fotografias sobre o caso do Chico Picadinho, ocorrido entre os anos de 1960 e 1970. Francisco Costa Rocha, autor dos dois crimes considerados mais bárbaros desde toda história policial brasileira, foi indiciado por matar e esquartejar duas mulheres naqueles anos. A história dos transtornos de Francisco, mais conhecido como Chico Picadinho, se iniciou aos oito anos de idade na passagem de sua infância em Espírito Santo, mais precisamente em Cariacica. Próximo à 1942, enquanto morava apenas com a sua mãe Nanci, Chico cresceu em meio à um cenário em que o trabalho de sua mãe consistia em atender aos ricos da época como garota de programa. Diante de sua situação, em que foi abusado sexualmente em sua infância, visitava constantemente prostíbulos, era viciado em anfetamina, possuía transtornos mentais e considerava a ideia de matar como uma ação prazerosa, Francisco planejou o cenário perfeito para seus crimes acontecerem. Sua primeira vítima foi Margareth Suida, cuja morte foi violenta além de ter sido esquartejada após o ato. Tal assassinato ocasionou o julgamento e condenação de Chico Picadinho em dezoito anos pelo crime cometido. O crime solucionado durante aquela época foi motivo importante para a preservação de seu histórico, por isso o mesmo é exposto para os visitantes do museu.

Maníaco do Parque

Até hoje considerado um dos assassinos "Serial Killer" que mais chocou o Brasil, o caso do Maníaco do Parque é colocado na lista dos crimes mais complexos e hediondos do país. Cometidos por Francisco de Assis Pereira, motoboy de profissão, os atos ficaram marcados pela agressão sexual às vitimas e posterior assassinato, os quais ocorriam no Parque do Estado, na cidade de São Paulo, motivo pelo qual recebeu tal alcunha. Francisco tinha sempre o mesmo modus operandi: Abordava suas vitimas em pontos de ônibus ou locais públicos e se apresentava como agente de modelos. Caracterizado pela boa lábia, convencia as mulheres de que estava buscando talentos para realizar fotografias ao ar livre e no meio da natureza. Conseguindo convencê-las, ele as levava ao parque, local onde estuprava e estrangulava suas vitimas, ocultando os cadáveres ali mesmo no parque. Com a descoberta dos corpos pela polícia, o caso tornou-se público. A partir disso, sobreviventes passaram a aparecer para auxiliar na busca pelo assassino, contribuindo para a elaboração de um retrato falado e, posteriormente, identificação do criminoso, o qual foi preso apenas 23 dias após sua descoberta, confessando ser culpado pelo assassinato de 15 mulheres entre 1995 e 1998. O caso do Maniaco do Parque chamou a atenção para casos de assassinos em série com distúrbios psicológicos. Abusado sexualmente por uma tia e forçado a ter relações homossexuais com um de seus chefes, Francisco desenvolveu distúrbios que acabavam afetando seu julgamento, criando uma "fixação por seios" e impulsos que considerava incontroláveis, fatos alegados para cometer os crimes. Com isso, a necessidade de buscar entender mais do perfil e do passado dos criminosos ficou evidente para a policia paulista e do Brasil.

Drogas

O museu disponibiliza uma área para os visitantes terem acesso às informações dos efeitos nocivos sobre diversos tipos de drogas lícitas e ilícitas – como maconha, cocaína, crack e outros tipos de entorpecentes. Como forma didática, os painéis autoexplicativos apresentam, simultaneamente, as drogas comumente encontradas no cotidiano dos usuários e características relevantes sobre cada substância. O fato de o museu abordar o tema "drogas" é considerado atração e objeto de estudos para alunos, pois este tópico é usualmente assunto de trabalhos exigidos por educadores dos treinamentos e cursos da Acadepol, assim como professores de Direito.

Viaturas

No museu há uma exposição de carros que já foram utilizados pela polícia civil nas décadas anteriores e os mesmos podem ser encontrados logo na entrada do museu. No local, podem ser analisados carros antigos como Jeep Willys, que foi muito utilizado no período da Ditadura Militar, e VW Variant, muito comum na década de 80. Os carros utilizados pela polícia na época eram ícones das forças públicas. Por serem tão importantes para eles, decidiram preservá-los e fazer uma exposição exclusiva deles.

Arquitetura


Foi assinado um convênio entre a Escola de Polícia e o Fundo de Construção da Cidade Universitária (Armando Salles Oliveira) para que fosse possível a edificação do novo prédio da Escola de Polícia. O documento foi assinado pelo Secretário da Segurança Pública, Dr. Virgílio Lopes da Silva, assim como pelo Diretor da Escola de Polícia, Dr. José César Pestana e por fim, o Diretor Executivo do Fundo de Construção da Cidade Universitária, Paulo de Camargo e Almeida. O projeto do conjunto arquitetônico foi elaborado principalmente por Décio Tozzi. Após aproximadamente 10 anos, em fevereiro de 1970, o novo edifício estava em condições de abrigar todas as suas instalações. A mudança foi feita aos poucos e no dia 11 de Maio de 1970, durante a comemoração de entrega de certificados aos alunos do Curso de Segurança e Informações (realizado já em suas modernas dependências), o Cel. Danilo Darcy de Sá da Cunha e Melo, Secretário da Segurança Pública, afirmou que as atividades da Academia de Polícia em sua nova sede poderiam ser inauguradas. O museu foi uma das partes planejadas para compor o edifício e ele fica localizado no primeiro andar em uma sala de 600 m².


Referências
wikipedia.org/wiki/Museu_da_Polícia_Civil_do_Estado_de_São_Paulo

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Biografia de Mariano Procópio


Mariano Procópio
Mariano Procópio Ferreira Lage. Nasceu em Barbacena, a 23 de Junho de 1821, e, faleceu em Juiz de Fora, a 14 de Fevereiro de 1872. Mariano Procópio foi um engenheiro e político brasileiro, construtor da primeira estrada pavimentada do país - "uma das glórias da engenharia nacional" e "uma das obras mais arrojadas do mundo" a sua época.

Biografia

Filho de Maria José de Santana, 1.ª baronesa de Santana, viajou a estudos para a Europa em 1840, onde encontrou pessoalmente Louis Jacques Mandé Daguerre, que criou a fotografia um ano antes. Foi eleito deputado provincial em 1861 e representante de Minas Gerais na Assembleia Geral do Império entre 1861-1864 e 1869-1872. Fundou a Companhia União Indústria, com a qual projetou e construiu a Estrada União e Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora. Fundou a Colônia D. Pedro II (1858) para imigrantes germânicos que vieram trabalhar na construção da rodovia, e ainda a Escola Agrícola União e Indústria (1869). Foi fundador e presidente do Jockey Club Brasileiro no Rio de Janeiro e oficial da Legião de Honra da França. Iniciou em 1861 a construção da Villa Ferreira Lage, embrião do que seria posteriormente o primeiro museu histórico de Minas Gerais, o Museu Mariano Procópio, fundado em 1915 por seu filho Alfredo Ferreira Lage. Investidor de imóveis e ações, deixou inúmeros bens à sua família ao falecer em 1872 em Juiz de Fora.

Estrada de Rodagem União e Indústria

Trecho da Estrada União e Indústria.
A Estrada de Rodagem União e Indústria, ligando a cidade de Petrópolis (RJ) a Juiz de Fora (MG), foi a primeira rodovia macadamizada da América Latina, inaugurada em 23 de Junho de 1861 por Dom Pedro II. O projeto da estrada começou em 1854 quando o Comendador Mariano Procópio Ferreira Lage recebeu a concessão por 50 anos para a construção de custeio de uma rota que, partindo de Petrópolis, se dirigisse à margem do Rio Paraíba. Mariano Procópio criou então a Companhia União e Indústria, que deu nome à estrada e cujo lucro provinha do pedágio por mercadoria cobrado dos usuários da rota. Os trabalhos tiveram início em 12 de Abril de 1856 com a presença do Imperador Dom Pedro II e a Família Imperial, e a placa que registra o evento ainda pode ser vista no início da Avenida Barão do Rio Branco, em Juiz de Fora. O primeiro trecho a ser finalizado, inaugurado em 18 de Abril de 1858, ligava Vila Teresa a Pedro do Rio, num total de 30,865 metros. De Pedro do Rio a obra seguiu até Posse, dois anos e 14 quilômetros depois. Finalmente, em 23 de Junho de 1861, Dom Pedro II e representantes ilustres da Corte e da Companhia União Indústria percorreram em diligência os 144 quilômetros da primeira rodovia macadamizada brasileira, inaugurando a união entre
Estrada de Rodagem União e Indústria.
Petrópolis e Juiz de Fora. O surgimento da estrada foi definitivo para esta última, transformando Juiz de Fora, ainda em desenvolvimento, numa importante rota comercial entre os dois estados. Deu origem também ao primeiro guia de viagens do Brasil, escrito pelo alemão Revert Henrique Klumb, fotógrafo do imperador, e intitulado "Doze Horas em Diligência - Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora". Editado em 1872, o livro descrevia com textos e imagens a fantástica viagem. Com o tempo a estrada original foi sendo absorvida e alterada em diversos trechos. Entre Petrópolis e Itaipava, e entre Areal e Alberto Torres, novas estradas foram abertas na metade do século XX, e em 1980 toda a estrada foi substituída pela BR-040 no trecho entre o Rio-Juiz de Fora, rodovia moderna de pistas duplas, que absorveu partes das estradas antigas, deixando a antiga União e Indústria apenas para o tráfego local. Hoje a estrada faz parte dos sistemas rodoviários estaduais do Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo denominada RJ-134 entre Petrópolis e Areal, BR-393 em Três Rios, RJ-131, entre Três Rios e Comendador Levy Gasparian, RJ-151 entre Comendador Levy Gasparian e Montserrat, MG-874 entre Simão Pereira e Matias Barbosa e finalmente BR-267 entre esta última cidade e Juiz de Fora. Da antiga União e Indústria ainda restam várias construções e pontes, destacando-se a Ponte de Santana em Alberto Torres, restaurada pelo governo. Ainda existem também o Viaduto Domingos da Veiga Soares em Areal, a Ponte das Garças em Três Rios e a antiga Estação de Paraibuna em Montserrat, município de Comendador Levy Gasparian, construída em 1856 para a troca das mulas durante as diligências (procedimento realizado várias vezes na viagem entre Petrópolis e Juiz de Fora). Situada em um bonito chalé em estilo francês, a Estação abriga atualmente o Museu Rodoviário, onde é possível vislumbrar em detalhes a história da União e Indústria e do rodoviarismo brasileiro. O Museu foi inaugurado em 23 de Junho de 1972. Grande destaque no Museu Rodoviário é a diligência Mazeppa que transportou Pedro II na viagem inaugural da estrada entre Petrópolis e Juiz de Fora. A Mazeppa é a única diligência que sobrou das que percorreram a União e Indústria. A estrada de rodagem União e Indústria foi absorvida pela BR-3, que ligava o Rio de Janeiro a Belo Horizonte, tornada a partir de 1964 parte da BR-135 pelo Plano Nacional de Viação, e finalmente, desde a revisão do Plano em 1973, é parte da BR-040 que liga Brasília ao Rio de Janeiro.

Museu Mariano Procópio

A Villa no começo do século XX.
O Museu Mariano Procópio, localizado em Juiz de Fora, é o primeiro museu surgido em Minas Gerais. Fundado em 1915 por Alfredo Ferreira Lage, abriga um dos principais acervos do país, com aproximadamente 50 mil peças. Seu conjunto arquitetônico compreende dois edifícios: a Villa Ferreira Lage, construída entre 1856 e 1861, e o Prédio Mariano Procópio, inaugurado em 1922. Atualmente, ambos se encontram em reformas, estando fechados para visitação pública. Além do conjunto histórico, conta com um acervo natural de grande importância ecológica, valorizando em seus jardins a exótica flora brasileira.


História

A história do museu está ligada ao surgimento da Estrada União e Indústria, que une Juiz de Fora a Petrópolis. Mariano Procópio, engenheiro e responsável pela estrada, mandou construir a Villa Ferreira Lage para abrigar Dom Pedro II, que inauguraria a rota. Para a construção Mariano escolheu um terreno situado no coração da nova localidade que fizera surgir, defronte ao hotel que atenderia os usuários da União e Indústria. Como a construção não ficou pronta a tempo, ele teve de hospedar a família imperial em sua própria residência. Somente em sua segunda visita à cidade em 1869 o imperador pôde conhecer a Villa.

Villa Ferreira Lage

Projetado e construído pelo alemão Carlos Augusto Gambs, chefe dos engenheiros e arquitetos da União e Indústria, o prédio é representante típico do estilo imponente que marcou as principais obras do final do século XIX. Implantado em platô alteado, foi edificado com tijolos maciços aparentes. A ornamentação foi feita a partir de tijolos com caneluras e arestas arredondadas, entre outros elementos. A vila conserva até hoje suas características originais, inclusive no interior, decorado com paredes revestidas de papel e pinturas, forro em estuque e lambris de madeira de lei decorados. Guarda também um importante acervo mobiliário.

O Museu

Com a morte de Mariano Procópio em 14 de Fevereiro de 1872, o terreno foi herdado por seus dois filhos, Frederico e Alfredo Ferreira Lage. Na parte dedicada a si Frederico construiu um imenso palacete, com material todo proveniente da Europa. Após sua morte repentina aos 39 anos de idade em 1901, as dívidas provocadas pelas obras resultaram na venda do imóvel à Estrada de Ferro Central do Brasil, sendo posteriormente transferido para o Ministério da Guerra, que instalou no local a sede da Quarta Região Militar. A vila e a parte superior do terreno foram herdadas por Alfredo, que revelou a intenção de abrigar ali um acervo que vinha colecionando desde a juventude. Com o aumento gradual de sua coleção, graças à aquisição de peças em leilões no Brasil e principalmente no exterior - além de doações de figuras importantes como Duque de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva), Afonso Arinos, Rodolfo Bernardelli e Amélia Machado Cavalcanti de Albuquerque (esposa do Visconde de Cavalcanti) - Alfredo viu-se obrigado a ampliar o castelo original, iniciando a construção de um prédio anexo. No dia 23 de Junho de 1921, marcando o centenário do nascimento de Mariano Procópio, Alfredo Ferreira Lage inaugurou oficialmente o museu na Villa. No mesmo ano a Princesa Isabel e o Conde D'Eu puderam voltar ao Brasil com o fim do decreto de banimento da Família Real e estiveram na cidade para visitar o local. Foi nessa ocasião que Alfredo revelou pela primeira vez sua intenção de repassar todo o acervo para o município. Em 13 de Maio de 1922 o Museu Mariano Procópio foi oficialmente aberto ao público, inaugurado com um acervo que ocupava tanto a Villa Ferreira Lage quanto o prédio anexo.

Parque Mariano Procópio

O Parque em 2009. (imagem: bolapiercing).
Em torno da Villa foi projetado um imenso jardim. Mariano reunira ali diversas árvores, arbustos e espécies vegetais brasileiras - muitas delas atualmente ameaçadas de extinção, como o Pinheiro do Paraná. Esta flora hoje centenária abriga uma variada fauna de pássaros, macacos e preguiças, e foi considerada pelo naturalista suíço Jean Louis Rodolphe Agassiz como "o paraíso dos trópicos". Do enorme terreno arborizado que englobava a área onde atualmente localiza-se a Quarta Região Militar e o bairro Vale do Ipê - a chamada "Chácara de Mariano Procópio" - restam cerca de 88,200 metros quadrados. Com um lago, bosque e espaço recreativo, o parque foi aberto à visitação pública gratuita em uma cerimônia em 31 de Maio de 1934, quando teve início a transferência da área das mãos de seu proprietário, Alfredo Ferreira Lage, para o controle da prefeitura. Entre aplausos, discursos e descerramento de placa, o evento serviu para que o município começasse a reconhecer os méritos daquele "ilustre e insigne amigo de Juiz de Fora", que, segundo o animado escrivão da ata da cerimônia, "vêm pugnando pela grandeza deste torrão".

A doação

Alfredo Ferreira Lage
Sem filhos, Alfredo Ferreira Lage passou a doar seus bens a Juiz de Fora, começando em 1934 pelo Parque Mariano Procópio. No mesmo ano fez uma escritura de doação do Museu e de toda área em torno para o município no valor de três mil contos de réis (aproximadamente 150 milhões de dólares em valores atuais). Preocupado com o destino do imóvel, Alfredo criou a Sociedade Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio, dirigindo a fundação e o próprio museu, uma de suas principais exigências ao finalmente completar a doação do prédio com uma escritura lavrada em 29 de Fevereiro de 1936. A escritura incluía outras condições para a entrega, entre elas a proibição de alteração em sua finalidade cultural, a "proibição perpétua de serem retirados do museu os objetos artísticos, históricos e científicos a ele incorporados", a permanência "das denominações atuais dadas às salas do museu" e a perpetuidade da denominação "Mariano Procópio", homenagem de Alfredo a seu pai. Ainda segundo as exigências da escritura, Alfredo exerceria "enquanto quiser o cargo de diretor, com dispensa de submeter suas contas ao exame do Conselho, e com direito de usufruto dos bens ora doados, para o fim de conservar a sua atual habitação no imóvel". Só mesmo sua morte em 1944 o afastou da direção da instituição que criara, mas já então o Museu Mariano Procópio era considerado um dos mais importantes do Brasil. Em 1978 o município criou a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) para administrar o museu de acordo com os termos de doação. A Funalfa exerceu a tarefa até 2005, ano em que foi criada a Fundação Museu Mariano Procópio (MAPRO).

Acervo

As peças presentes no Museu Mariano Procópio refletem em quase toda sua totalidade as influências culturais do século XIX e princípio do século XX, seguindo principalmente o gosto de Ferreira Lage. Trata-se de um dos principais acervos da período imperial brasileiro - em sua maior parte originário do Palácio São Cristóvão, antiga residência de D.Pedro II no Rio de Janeiro. O primeiro levantamento de suas peças foi feito em 1944. O próximo só seria realizado em 1981, ocasião aproveitada para a ampliação do espaço físico do museu e reforma de grande parte das obras. Muitos documentos então encontravam-se irrecuperáveis, destruídos pela ação de cupins e traças, reflexo da má conservação do local. Desde então o museu passou por várias reformas, na maioria das vezes devido a vazamentos e infiltração de água da chuva nas paredes e no teto.

Esculturas

Ao adentrar no Museu já se tem a impressão do seu imponente acervo de esculturas, com estátuas que compõem o jardim, escadarias e a pérgula da Villa. Em seu interior encontram-se duas estatuetas de terracota "de Tanagra", cidade da Grécia antiga, além de moldes em gesso e bronze para várias estátuas, expostas no salão principal. Alfredo Ferreira Lage adquiriu grande parte desse acervo na Europa e também no Brasil, contando com obras de Antonin Mercié, Louis Barye, Claude Michel Clodion, Modestino Kanto, José Otávio Correia Lima e Rodolfo Bernadelli.

Quadros

"Tiradentes Esquartejado", 1893.
Casado com a pintora Maria Pardos, é natural que Alfredo Ferreira Lage se tornasse um grande apreciador e colecionador de quadros. A essência do acervo está no período entre 1870 e 1930, com um interesse particular pela arte europeia e posteriormente brasileira, consequência do desenvolvimento das academias artísticas no país. Somando as várias doações, principalmente por parte da Viscondessa de Cavalcanti, a coleção de pinturas, gravuras e desenhos chega a um total de quase 2 mil obras. Um dos maiores destaques é o quadro "Tiradentes Esquartejado", de autoria de Pedro Américo. Feito por encomenda, passou muitos anos na sala de reuniões da Câmara Municipal de Juiz de Fora, após o qual foi transferido para o museu. Também encontram-se expostas obras dos franceses Jean-Honoré Fragonard e Charles-François Daubigny e do holandês Willem Roelofs, premiado com a medalha de ouro na Exposição de Paris em 1888. Os brasileiros estão representados por Antônio Parreiras, Rodolfo Amoedo, Horácio Pinto da Hora e Henrique Bernadelli. Para abrigar a coleção foi projetada no anexo à Villa a Galeria Maria Amália, uma homenagem de Alfredo Ferreira Lage à sua mãe. Foi inaugurada em 13 de Maio de 1922, e sua estrutura segue o modelo das principais galerias de arte do século XIX.

História Natural

São duas salas dedicadas à paleontologia, geologia, zoologia e mineralogia. Foi a primeira coleção de Alfredo Ferreira Lage, consequência de sua viagem à Europa aos sete anos de idade. Embrionária, daria origem à paixão de seu dono pelas artes. Fósseis, cristais e uma grande variedade de minerais podem ser vistos, além de insetos e animais selvagens empalhados, como uma onça pintada, um jacaré de papo amarelo e um lobo guará. O setor foi inaugurado em 1931 e reúne 1.279 minerais e fragmentos de rochas, 50 fósseis, 55 vidros de carpoteca (coleção de frutos secos e sementes), 527 exsicatas do herbário (folhas de plantas), 415 espécimes zoológicos e inúmeros insetos.

Armas e indumentária

A exposição de armas de fogo como o bacamarte e o revólver, e de armas brancas como a espada e o sabre ajuda a revelar parte da história da armaria no Brasil. Entre as roupas presentes no acervo do museu destaca-se o Fardão da Maioridade, usado por Dom Pedro II em 18 de Julho de 1841 na cerimônia em que foi considerado apto para assumir o Império do Brasil.

Jóias, moedas e medalhas

A coleção numismática deve-se em grande parte às doações da Viscondessa de Cavalcanti, especialista no assunto. De sua coleção fazem parte raros exemplares de medalhas cunhadas na Europa referentes à episódios da história do Brasil, como a ocupação holandesa na Bahia (1624) e em Pernambuco (1631). Destaque também para as medalhas, entre elas a Imperial Ordem do Cruzeiro, criada em 1822 na coroação de Dom Pedro I e a Ordem do Cruzeiro do Sul concedida a partir de 1932 em homenagem a civis, militares e estrangeiros. Entre o acervo de jóias encontra-se um relógio de bolso presenteado a Dom Pedro II por suas irmãs Francisca e Januária em seu décimo aniversário, no dia 2 de Dezembro de 1835.

Mobiliário

Composto principalmente do chamado "mobiliário de estilo", imitações brasileiras das peças produzidas na Europa. É a atração principal do acervo da Villa, que procura conservar o ambiente familiar dos Ferreira Lage. Destaque especial para a sala de música, trabalhada em madeira. Originalmente construída na Inglaterra, foi transportada e montada no local.

Cristais, louças e porcelanas

Esta coleção, espalhada por todo o prédio, tem como base as peças da Família Real adquiridas do Palácio de São Cristóvão, além de doações feitas por personagens marcantes da história social e política do Brasil. Ainda assim o monograma imperial aparece em grande parte das peças - algumas exóticas, como uma sopeira do século XVIII que reproduz a cabeça de um javali.

Peças sacras

Representadas especialmente por objetos de ouro, prata, marfim e madeira nobre dos séculos XVIII e XIX, como castiçais, turíbulos e esmoleiros.

Reserva técnica

Esta seção abriga a maior parte do acervo do museu. Com condições especias de armazenamento - controle de iluminação, umidade e temperatura - realizadas depois de uma reforma em 1996, a reserva abriga as peças que requerem mais cuidados, consequentemente ficando fechada à visitação pública e disponível apenas para fins de pesquisa ou exposições temporárias.

Documentos

Reunido basicamente em função de doações e aquisições de arquivos particulares e documentos avulsos, o acervo de documentos é composto por cartas, livros, revistas, jornais, mapas, fotografias e ofícios. Alguns desses papéis trazem relatos de importantes momentos históricos, como um livro revestido de ouro e prata exaltando os feitos do Duque de Caxias durante a Guerra do Paraguai e as cartas de Dom Pedro I enviadas à sua amante, a Marquesa de Santos. São aproximadamente 10 mil documentos que, somados à coleção de mais de 18 mil fotografias, forma um importante e diversificado acervo cultural e histórico.

Administração

Conselho de Amigos

Criada por Alfredo Ferreira Lage em 1936 após a doação do museu ao município de Juiz de Fora, o Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio foi dirigido por ele até 1944. Apesar da criação da Funalfa o Conselho continuou a existir, atuando como órgão curador do patrimônio do museu.

Funalfa

A Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage, criada para promover a valorização cultural de Juiz de Fora, administrou o Museu Mariano Procópio de 1978 a 2005. Subordinada à prefeitura e integrada à Secretaria de Política Social, a gestão da Funalfa ficou marcada por problemas estruturais. Apesar de algumas reformas, a Villa e seu prédio anexo continuaram com um sistema elétrico e hidráulico arcaico, comprometendo a integridade do acervo ali reunido. Tanto no teto quanto nas paredes eram frequentes o vazamento e infiltração de água, culminando em 2003 com o desabamento de parte do forro do segundo andar do anexo, que encontra-se atualmente fechado ao público, negando aos visitantes o acesso às principais atrações do acervo.

MAPRO

Surgida a partir de um projeto de lei de maio de 20014 , a Fundação Museu Mariano Procópio (MAPRO) passou a exercer a administração em setembro de 2005, mesmo ano em que prefeitura de Juiz de Fora anunciou um projeto de revitalização do Museu Mariano Procópio. A instituição continua integrada à Secretaria de Política Social mas agora conta com mais autonomia, tendo orçamento próprio e capacidade de receber investimentos externos.

Reforma

Em janeiro de 2008 parte do museu foi interditado para o início das obras de restauração no parque, o mesmo acontecendo posteriormente com as instalações. As obras dão continuidade ao processo de recuperação iniciado em 2005. A primeira etapa, referente à reforma do parque, foi concluída e entregue em 15 de Julho de 2008. As obras nos edifícios do museu, no entanto, foram interrompidas na mesma época e retomadas apenas no final de 2009, o que representou um atraso significativo na reabertura do museu ao público.

Referências

quinta-feira, 27 de março de 2014

Museu Nacional do Bargello


Museu Nacional do Bargello (Museo Nazionale del Bargello) é um museu florentino instalado em um dos mais antigos edifícios públicos da cidade, o Palazzo del Bargello, também conhecido como Palazzo del Podestà ou Palazzo del Popolo.


Palácio do Bargello, em 2008. (Imagem: Kandi).

Imagem antiga do Palácio do Bargello



Histórico

O palácio passou por muitas modificações em sua longa história, sendo usado como sede do Capitano del Popolo, da prisão, do Podestà e do Conselho de Justiça,
Oceano de Giambologna. 
(Imagem: Wolfgang Sauber).
até ser destinado em fins de 1859 para abrigar um museu, a ser criado, que deveria documentar a história e a arte da Toscana. Para isso teve de ser restaurado, e as obras só foram concluídas em 1865, ano de sua inauguração, integrando-se aos festejos comemorativos a Dante Alighieri. Nesta ocasião o museu exibiu duas mostras, uma dedicada a Dante e outra à arte medieval, com muitas obras emprestadas de outras instituições, como o Museu de Cluny e o Museu Victoria and Albert, que assim contribuíam para a formação de um núcleo inicial de acervo. Ainda nesta primeira fase foram reorganizadas duas salas no térreo para exibirem a coleção de armas remanescentes da época Medicea, em grande parte dispersa, e outras peças transferidas do Palazzo Vecchio, e deste também vieram uma série de esculturas que eram lá expostas no Salone dei Cinquecento, e foram instaladas no primeiro pavimento do novo museu. A seguir foram transferidas esculturas dos Uffizi e objetos de joalheria, cerâmica, esmaltes e estatuetas da coleção do Palácio Pitti, e recebeu algumas doações de colecionadores privados. Outras instituições estatais também cederam acervos, como os selos do Arquivo do Estado, as moedas da Zecca, e uma variedade de peças antigamente guardadas em mosteiros e igrejas que foram extintos depois da Unificação Italiana. Em 1887, com a comemoração do centenário de Donatello, foi organizada uma ala especial no primeiro piso, com numerosas obras do artista, de seus seguidores e de outros mestres que documentam o ambiente artístico e cultural da sua época. No final do século a coleção foi sendo grandemente ampliada, sendo de destacar a doação da rica coleção do antiquário Louis Carrand, de Lyon, com mais de 3 mil peças. Doações importantes subseqüentes (1886 Conti, 1899 Ressman, 1906 Franchetti) definiram o perfil do museu como dedicado às artes decorativas, embora a seção de escultura renascentista ainda seja notável pela quantidade de obras-primas que possui.

Espaços e Obras

Pátio interno

Este espaço passou por diversas transformações, e nas obras de restauro do século XIX sua aparência original foi em grande parte recuperada. Hoje abriga várias esculturas, com peças monumentais antigamente expostas no Palazzo Vecchio e no Palácio Pitti. A peça mais antiga é um sarcófago romano decorado, e outras dignas de nota são uma pia batismal de Santa Maria Novella, seis estátuas de músicos de Benedetto da Maiano e outra, representando Afonso de Aragão, obra de Francesco Laurana. Do século XVI são importantes uma estátua do Oceano, de Giambologna (Jean Boulogne) e peças que foram criadas para a incompleta fonte de Bartolomeo Ammannati.

Sala de Michelangelo e da Escultura do Cinquecento

 

Baco de Michelangelo.
Esta sala, uma das mais antigas do palácio, foi redecorada por Gaetano Bianchi com motivos giottescos e uma série de panóplias e escudos antigos. Novamente remodelada depois da grande enchente de 1966, hoje preserva apenas em suas paredes um afresco da Madonna e fragmentos da decoração pictórica do século XIX, como testemunho. Dentre suas esculturas estão o Baco, o Tondo Pitti, o Busto de Brutus e o Davi-Apolo, todas de Michelangelo; algumas peças de Benvenuto Cellini, como o Narciso, o Ganimedes e um busto de Cosimo I dei Medici; o Mercúrio e o Baco de Giambologna; o Baco de Jacopo Sansovino, além de obras de Baccio Bandinelli, Giovan Francesco Rustici e outros florentinos.
 

Sala dos Marfins

Com as 265 peças em marfim da Coleção Carrand, que vão do século V ao século XVII, com destaque para um díptico figurando cenas da vida de São Paulo, e outro mostrando Adão em ato de nomear os animais. Também mostra peças carolíngias, sendo especialmente raros o flabellum ventilabrum (um abanador) da Abadia de Saint Philibert de Tournus, e um olifante oriundo da Sainte-Chapelle de Paris. Outros itens interessantes do século XIV são espelhos aristocráticos, pentes decorados com cenas mitológicas, e objetos de toillette em marfim, ébano e madrepérola. Também aqui são mostradas algumas esculturas em madeira, telas e mosaicos, dentre os quais um Pantocrator do século XII é a peça mais importante.

Capela de Maria Madalena e Sacristia

Construída a partir de 1280, esta era a capela onde os condenados à morte aguardavam a execução. Originalmente era decorada com afrescos da escola de Giotto (Giotto di Bondone) e de Sebastiano Mainardi, que foram recobertos com cal quando o espaço foi transformado em cárcere. Restaurada no século XIX, mostra o aspecto original. Hoje exibe entalhes em madeira, peças de altar, pinturas e itens de ourivesaria sacra, como bustos-relicários, cruzes e outros objetos de culto.

Galeria de artes

Majolica plate ( 1550s ) of Apollo and Marsyas from Urbino.

Majolica plate ( 17th century ) showing a ball game, from Montelupo.

Majolica plate ( 17th century ) of Alexander the Great, by workshop of Francesco Grue, from Castelli.

Unknown Miniaturist, Italian (active in second half of 15th century in Florence)

Marble bust ( 14th century ) of Cosimo I of Tuscany, by Baccio Bandinelli.

Marble bust ( 1453-55 ) of Piero de' Medici by Mino da Fiesole.


Sala da Coleção Carrand

Expõe a maior parte da rica Coleção Carrand, um exemplo típico do colecionismo eclético do século XIX, que foi doada à cidade de Florença com a condição de ser exposta no Bargello. Conta com esmaltes, armas, marfins, cerâmicas, estatuetas, peças orientais, medalhas e uma série de outros objetos que cobrem um período de mais de 12 séculos, com várias procedências. São especialmente interessantes as jóias bizantinas e lombardas, as medalhas e esmaltes franceses dos séculos XII a XV, objetos domésticos flamengos, e as miniaturas da escola gótica francesa.

Coleção Islâmica

Destinada para abrigar a coleção dos Grãos-Duques da Toscana e peças de outras coleções privadas, com destaque para as peças em metais preciosos, exemplares refinados da artesania árabe, com vasos, armas e taças. Também são preciosas as cerâmicas persas dos séculos XII a XIV, com decoração caligráfica, os tapetes do século XIII, os vidros sírios do século XIV e os marfins egípcios do século XII.

Salão de Donatello e da Escultura do Quattrocento

 

São Jorge de Donatello.
Este grande salão, que antigamente era o local de reunião do Conselho Comunal, foi subdividido no século XVI e restaurado no século XIX, e hoje apresenta uma rica reunião de obras de Donatello (Donato di Niccoló di Betto Bardi) e de outros mestres do primeiro Quattrocento florentino. De Donatello é o Davi em mármore encomendado pela Opera di Santa Maria del Fiore em 1408, mas jamais instalado na fachada da famosa catedral. Adquirido pela Comune e levada ao Palazzo Vecchio, tornou-se um símbolo da cidade e seus ideais cívicos e republicanos. Outra peça insigne é o São Jorge antigamente exposto no externo de Orsanmichele, um dos pontos altos da produção juvenil do artista. Outro Davi, este em bronze, é da fase madura de Donatello e foi o primeiro nu em tamanho natural realizado desde a Antigüidade clássica, causando impacto ao ser exposto pela primeira vez. Outro mestre com trabalho nesta sala é Lorenzo Ghiberti, com o relevo O Sacrifício de Isaac, criada como peça de concurso para a segunda porta do Batistério de Florença, com a qual saiu-se vencedor. Também se mostra a peça que Filippo Brunelleschi apresentou para o mesmo concurso, e algumas Madonnas em terracota de Michele da Firenze, Michelozzo Michelozzi, Agostino di Duccio e Luca della Robbia.

Galeria do segundo piso

Chamada em italiano de Verone, é uma galeria aberta com arcadas, que foram fechadas e o espaço subdividido quando o palácio era uma prisão, mas suas características originais foram recuperadas para a inauguração do museu. Hoje ali são expostas esculturas decorativas do Cinquecento e uma grande estátua de Jasão, obra de Pietro Francavilla.

Sala da Escultura do Trecento

Um corredor adaptado para receber obras escultóricas da transição entre o século XIII e o XIV, com itens do atelier de Nicola Pisano (talvez de autoria de Arnolfo di Cambio) e de Bernardo Daddi, e algumas peças mais tardias, como uma grande Madonna em madeira do século XV da escola Toscana.

Sala das Majólicas

Com uma preciosa coleção deste tipo de cerâmica (uma terracota recoberta com esmalte opaco metálico e posteriormente pintada com motivos variados) provenientes em sua maioria de antigas e importantes manufaturas de Urbino, Faenza, Gubbio, Casteldurante, Montelupo, Pesaro, Perugia e Castelli d’Abruzzo, e com exemplares mouriscos espanhóis e do raro tipo Médici de porcelana, incluindo vasos e recipientes médicos e farmacêuticos, peças decorativas e outras utilitárias. Também fazem parte desta seção peças contemporâneas das manufaturas Cantagalli, Signa e Chini. Nas paredes, tondi de cerâmica vitrificada de Giovanni della Robbia e Luca della Robbia.

Sala de Verrocchio e da Escultura do segundo Quattrocento

Com um grupo de esculturas de Andrea di Michele di Cione, o “Verrocchio”, onde se destaca o célebre Davi, além de peças menos importantes como relevos e crucifixos. Completando o ambiente há trabalhos de Antonio del Pollaiolo, Mino da Fiesole, Francesco Laurana e Antonio Rossellino.

Galeria de artes

Ivory sculpture ( 13th century ) of Madonna and Child from France.

Bronze statue ( 1560s ) of Ganymede.

Three acolytes

Marble statue ( 14th century ) of Baby Jesus blessing, by workshop of Nicola Pisano.

Turkish helmet ( 15th century).

Marble relief ( 14th century ) by Giovanni di Balduccio, showing a personification of poverty.


Sala dos Pequenos Bronzes

Com uma série de itens decorativos, cópias reduzidas de obras clássicas e estudos diversos, a maior coleção do gênero em toda a Itália, agrupadas por tema, tipo e origem, onde merece especial atenção o grupo de Hércules e Anteu, de Pollaiolo, uma placa de Cellini e o Eros de Jacopo Bonacolsi. Giambologna se faz presente através do Morgante e de uma grande série de estatuetas representando os Trabalhos de Hércules e outras figuras alegóricas. Outros artistas notáveis como Benedetto da Rovezzano, Niccolò Roccatagliata, Antonio Susini e Giovanni Battista Foggini também são bem representados.

Sala de Andrea della Robbia

Um espaço especialmente dedicado à escola deste prolífico e inventivo artista florentino. Sua peça mais antiga no museu é a Madonna dos Arquitetos, de 1475. Obras mais maduras são as cenas da Flagelação e da Assunção de Cristo, além de uma multiplicidade de relevos sacros, em sua maioria representando a Madonna.

Sala de Giovanni della Robbia

David de Donatello.
Dedicada a este importante ceramista e outros que no século XVI continuaram a escola sui generis nesta técnica cujo primeiro expoente foi Andrea della Robbia, pai de pelo menos doze filhos, dos quais muitos seguiram seus passos. Deles um dos mais importantes foi Giovanni, que é representado com diversos itens, e completam a coleção peças de outros mestres menores. O grupo de obras neste gênero do Bargello é único por sua qualidade e tamanho.

Sala das Armas

Esta seção do museu possui cerca de 2 mil peças, cujo núcleo inicial proveio dos arsenais dos Grãos-Duques Médici, do Palazzo Vecchio e do Palácio Pitti. Um acréscimo importante ao núcleo primitivo foi a incorporação da coleção da família Della Rovere e de partes das coleções Carrand e Ressman. O conjunto cobre pelo menos um milênio na história das armas bélicas, ornamentais e desportivas da Europa.

Salas da Escultura Barroca e das Medalhas

Museu Nacional do Bargello
Nestes dois espaços é exposta uma pequena parte da extensa coleção de numismática do Bargello, com compreende mais de 25 mil peças. A primeira seção mostra algumas medalhas florentinas do século XV, com destaque para a medalha cunhada em 1438 para comemorar a visita do Imperador Bizantino João VIII Paleólogo à Itália por ocasião do Concílio de Ferrara. Seguem-se perfis de integrantes da Família d'Este, senhores de Ferrara, criados por Antonio Pisanello, os retratos Malatesta de Matteo de' Pasti e a célebre medalha de Leon Battista Alberti com o projeto do templo Malatesta. O final do século XV está ilustrado com retratos de Lorenzo de Médici e outros humanistas florentinos, de Francesco da Sangallo e Pastorino de' Pastorini. As outras seções exibem peças mais recentes, com exemplares comemorativos papais, da família dos Grão-Duques da Lorena e de artistas de França. A moderna revalorização das medalhas como gênero de miniescultura possibilitou a exposição conjunta deste tipo de obras com itens de estatuária tradicional, do período barroco, onde são notáveis o Busto de Costanza Bonarelli, de Gian Lorenzo Bernini, uma obra-prima da retratística, um busto monumental do Cardeal Ronainini, de Alessandro Algardi, um Busto de Cristo de Tulio Romano, e relevos de Massimiliano Soldani.

Referências