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domingo, 24 de março de 2019

Cariacica - Espírito Santo

Rua Campo Grande. (Imagem: altair mendes).

Cariacica é um município brasileiro do Estado do Espírito Santo, situado na Região Metropolitana de Vitória. O município possui área de 280 km2 e limita-se ao norte com Santa Leopoldina, a oeste com Domingos Martins, ao sul com Viana e a leste com Vila Velha, Serra e Vitória. A localização privilegiada transforma Cariacica em grande elo entre o litoral e a região serrana do Espírito Santo, sendo cortada pelas rodovias BR 262 e BR 101.

Etimologia

Segundo os antigos habitantes, o nome surgiu da expressão “Cari-jaci-caá”, utilizada pelos índios para identificar o porto onde desembarcavam os imigrantes. Sua tradução é “chegada do homem branco”.

História

Por volta do ano 1000, a maior parte do litoral brasileiro foi invadido por povos tupis procedentes dos vales dos rios Madeira e Xingu, na margem direita do rio Amazonas. Eles expulsaram os habitantes anteriores, falantes de línguas do tronco linguístico macro-jê, para o interior do continente. No século XVI, o sul do atual estado do Espírito Santo era habitado pela nação tupi dos temiminós. Nesse século, chegaram, procedentes de Vila Velha, os primeiros colonos portugueses, que implantaram engenhos de açúcar baseados no trabalho escravo de índios e negros. Em 1829, chegaram os primeiros colonos alemães e pomeranos. Em 1837 tropeiros que vinham da região de Santa Tereza e Santa Leopoldina trazendo parte de suas produções em lombos de cavalos para serem escoadas no porto de Cariacica, faziam parada em um planalto que posteriormente foi elevado à condição de Freguesia de São João Batista e onde foi construída a Igreja de São João Batista, essa região ficou conhecida como o primeiro núcleo urbano da Vila de Cariacica. Em 1890, Cariacica se separou de Vitória, tornando-se município independente. Na década de 1960, o município tornou-se um importante polo industrial, processo que foi interrompido com a criação do Porto de Tubarão, em Vitória, em 1967, e a consequente atração de investimentos para Vitória em prejuízo de Cariacica. O município de Cariacica foi criado pelo decreto 57, de 25 de Novembro de 1890 e instalado em 30 de Dezembro do mesmo ano.

Geografia

Possui uma área de 279,98 km², correspondente a 0,60% do território estadual, limitando-se ao norte com Santa Leopoldina, ao sul com Viana, a leste com Vila Velha, Serra e Vitória e a oeste com Domingos Martins. A sede fica a 15,8 quilômetros da capital, Vitória. Tem uma população de 348 933 habitantes, segundo o censo de 2010, sendo que 95% estão na área urbana. Ela se situa na Região Metropolitana da Grande Vitória. Cariacica é considerada a "porta de entrada" de Vitória. O município é cortado pelas rodovias BR 101 e BR 262, as duas principais rodovias federais que atravessam o Estado do Espírito Santo. O município também é cortado pela rodovia estadual ES-080, que liga a região serrana do Espírito Santo à grande Vitória. Neste município também se encontra a Estação Ferroviária Pedro Nolasco, ponto de partida do trem de passageiros que liga a cidade a Capital do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte. Seus centros comerciais são: Campo Grande, Bela Aurora, Castelo Branco, Jardim América, Porto de Santana e Itacibá.

Relevo
Monte Moxuara

 
(Imagem: Felipe de Lima Neves).

A imponência do Moxuara se destaca ao longe. Ao lado do Mestre Álvaro, na Serra, o Moxuara, em Cariacica, é o símbolo do município, como o Convento da Penha é o de Vila Velha. É habitat de diversas espécies ameaçadas de extinção, como o araçá-do-mato, o pau-d'alho, o cobi-da-terra, o cobi-da-pedra, o jequitibá e o jeriquitim. Sua fauna é composta de beija-flores, pica-paus, lagartos e outros bichos. A imponência do monte serviu de referência para os viajantes e aventureiros que, nos primeiros séculos de colonização portuguesa do Brasil, percorriam os sertões do Espírito Santo em busca de novas terras e riquezas minerais. Na língua dos índios que habitavam o local, o nome Moxuara quer dizer pedra irmã, mas relatos históricos dizem que, quando corsários franceses chegaram à baía de Vitória, a neblina que encobria o monte lembrava um imenso pano branco. Daí a expressão mouchoir, que quer dizer lenço e se pronuncia "muchuá". Do monte, descia o rio Cariacica, que deu nome ao município.

Clima

O município de Cariacica tem verões quentes e invernos amenos. A média durante os invernos pode cair abaixo dos 18ºC e a sensação térmica pode chegar a 12ºC por causa dos ventos. A sede do município está a 46 metros acima do nível do mar e é circundada por serras. O recorde de temperatura positiva (calor) foi de 38ºC e o recorde de temperatura negativa (frio) foi de 10ºC durante a grande onda de ar frio em 1975, registrando-se também a menor temperatura da história da Grande Vitória, ao lado de Vila Velha que fez 11º. O município de Cariacica possui um clima Tropical aW, possuindo uma temperatura mais amena em sua sede que seus municípios vizinhos.

Símbolos

 
Bandeira de Cariacica.

A bandeira do município de Cariacica foi criada através do projeto de lei nº 9/1972, constando de um retângulo verde e branco, contendo no centro o brasão do município composto de um elenco de cores: verde, amarelo, azul, branco e vermelho que representam os fatores da economia municipal alusivos à agricultura, pecuária e indústria. Em 21 de janeiro de 1992, entrou em vigor a mudança na bandeira, através do projeto de lei CM - 50/1992 que após sancionada ganhou o nº 2310/1992 que insere no brasão a configuração do maciço "mochuara", com sobreposição de torres compatíveis com a ciência a título de heráldica. O brasão passou a ter a seguinte constituição: em campo azul, verde e vermelho, encimado pela cor mural de seis torres, sendo quatro a vista em perspectiva no desenho, em prata. Ornamentos representados pelo maciço "mochuara" em cinza, pela indústria em preto e vermelho; e pela agropecuária: a cana-de-açúcar, o gado e banana. Listel de cor amarela, contendo o topônimo Cariacica ladeado pela data que assinala a emancipação do município (30 de dezembro de 1890), em vermelho.

Economia

A economia da cidade é voltada para o setor terciário, comércio exterior e indústrias. O bairro de Campo Grande é o que concentra o maior contingente de lojas comerciais, sendo considerado o maior shopping a céu aberto do Estado do Espírito Santo. É possível entrar em mais de 300 lojas em apenas uma rua, e achar diferentes produtos nas demais. Cariacica possui o maior porto seco da América Latina, além de várias empresas de logística. A cidade conta ainda com o Shopping Moxuara do Grupo Sá Cavalcante localizado na BR-262/101 no bairro de São Francisco, sendo o primeiro shopping center do município. Fica sediado neste município o Grupo Águia Branca, um dos maiores grupos empresariais do país. Também são destaques no município a fábrica da Coca-Cola, a empresa Arcelor Mittal Cariacica e o Grupo Coimex.

Estação Pedro Nolasco. (Imagem: altair mendes).


Cultura
Carnaval de Congo

O Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D'Água, que acontece em Abril, é um manifestação da cultura afro-brasileira, com grande influência indígena e que resiste ao tempo. O Carnaval de Congo de Cariacica é um antigo gesto em homenagem à padroeira do Espírito Santo. Contam os descendentes que, no passado, diante da dificuldade de locomoção até o Convento da Penha, os moradores decidiram homenagear a santa saindo pelas ruas da localidade em procissões animadas por tambores de congo. Com o passar dos anos, a festa cristã organizada pelos brancos misturou-se às raízes negras e indígenas, dando origem ao carnaval. Conta ainda a crença popular que os negros usavam máscaras para não serem reconhecidos por seus senhores, originando-se daí o uso de máscaras. O Carnaval de Congo de Cariacica tem como objetivo promover a integração entre as bandas de congo do município e bandas convidadas, além de ser uma forma de proporcionar lazer à comunidade local e visitantes. Todo ano, cerca de 10 mil pessoas participam da festa.

Pessoa ilustre
Elisa Lucinda


Elisa Lucinda (foto: Braswiki).
Elisa Lucinda dos Campos Gomes nasceu em Cariacica, a 02 de Fevereiro de 1958. Elisa é uma poetisa, jornalista, cantora e atriz brasileira. A artista foi um dos galardoados com o Troféu Raça Negra 2010 em sua oitava edição, na categoria Teatro. Também foi premiada no cinema pelo filme "A Última Estação", de Marcio Curi, no qual protagoniza o personagem Cissa. A estreia do filme foi no Festival de Brasília de 2012

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cariacica

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quixadá - Ceará

Vista parcial do centro com igreja matriz de Quixadá em primeiro plano. Ao fundo é possível visualizar alguns dos monólitos que circundam a cidade.



Quixadá é um município brasileiro do Estado do Ceará. Pertence à mesorregião dos Sertões Cearenses e à microrregião do Sertão de Quixeramobim. É a maior cidade do sertão central, com uma população de 85.371 habitantes. Possui uma área de 2.019,833 km² e uma densidade demográfica de 39,91 hab/km². O município possui o 17º maior PIB do Estado, maior renda per capta e melhor IDH da Mesorregião dos Sertões Cearenses. Na década de 1960 e 1970 o município esteve na lista das 100 cidades mais populosas do Brasil. Conhecida como “Terra da Galinha Choca”, “Terra dos Monólitos”, ou “Cidade Rainha do Sertão Central”. Até os anos de 1990 foi um dos maiores centros da cultura agroindustrial do algodão no Nordeste. No início dos anos 1980 ainda, em plena “Era do Algodão”, a professora Terezinha de Oliveira Barros, professora formada pelo antigo Sistema Normal, funcionária pública, idealiza trazer para Quixadá um Campus Universitário da Universidade Estadual do Ceará (UECE) convida um colega de trabalho, seu ex-chefe professor Luiz Osvaldo (Ex-Secretário de Educação Municipal) para com ela lutar para consecução de seu sonho. Primeiro consegue contactar um grande fazendeiro da região Sr. Francisco Gomes, “O Senhor Quinzinho”, dono de terras dentro da sede do município e possuidor de vários prédios neste, ele então resolve doar parte de sua fazenda localizada margem da Estrada da Serra de Santo Estevão, o Deputado Everardo Silveira da Base do Governo à época consegue o decreto que instala o Campus da Faculdade de Ciências e Letras do Sertão Central (FECLESC), fundada por inciativa popular em 1976. No início dos anos 1980 a doação do terreno faz iniciar as obras, o primeiro escritório funcionava dentro de sua residência localizada de fronte a obra que se iniciava, de onde eram feitas todas as ligações para a Reitoria da UECE e para os Escritórios do Governo, era de sua residência o banheiro dos trabalhadores da obra, e o primeiro café e o último que tomavam durante o dia de trabalho, a tão sonhada Faculdade inicia suas atividades em 1983 com a implantação dos Cursos de Pedagogia, História e Ciências. Idealizam o surgimento da “Praga do Bicudo” a cultura algodoeira a dar sinais de decadência, faltam políticas públicas e tecnologias para conter a praga, levando a falência coletiva os industriais do setor das duas grandes famílias algodoeiras “Carneiro” e “Baquit” e com eles centenas de agricultores que subsistiam da riqueza do “Ouro Branco”. Depois de anos de abandono governamental político administrativo, a chegada do bispo Dom Adélio Tomasin, natural da Itália, a cidade começa um processo e reconstrução. O Referido incia uma Escola Técnica, e lá treina junto com irmãs italianas, marceneiros, pintores, costureiras, bordadeiras, entre outras profissões, constrói um novo Hospital Jesus Maria José e o Maior Santuário Mariano do Nordeste, Santuário Nossa Senhora Rainha do Sertão, não obstante inicia outro grande projeto, em 2005 inicia a instalação da Faculdade Rainha do Sertão (FCRS), um Centro Universitário que abrangia a formação e qualificação superior nas áreas do direito, da saúde, da tecnologia, etc, hoje alçada ao status de Universidade Católica (UniCatólica), alguns anos depois os Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Instituto Federal Tecnológico do Ceará (IFCE). Já por volta do ano 2012, a união de três empresários locais, José Nilson Gomes, Ciro Gomes Magalhães e Fred Cirino guiados pelo agora Bispo Emérito de Quixadá, Dom Adélio Tomasin, constroem e implantam mais uma Instituição de Ensino Superior (IES), a Faculdade Cisne, daí hoje, o município ser conhecido como a mais importante Cidade Universitária do Ceará, contando atualmente com 05 instrumentos de formação superior com cursos em todas as áreas do conhecimento. O município é sede da Diocese de Quixadá, criada pela bula pontifícia do Papa Paulo VI sendo desmembrada da Arquidiocese de Fortaleza. Uma de suas características mais marcantes são formações rochosas, os monólitos, nos mais diversos formatos que “quebram” a aparente monotonia da paisagem sertaneja. É também conhecida por ser a terra de escritores como Jáder de Carvalho e Rachel de Queiroz que, apesar de ter nascido em Fortaleza, a Capital do Ceará, possuía uma relação muito forte com a cidade, visitando-a constantemente, quando se hospedava em sua Fazenda Não Me Deixes, que herdou de seu pai, Daniel de Queiroz.


Açude do Cedro e a "Pedra da Galinha Choca"; dois dos principais pontos turísticos de Quixadá.


 
Toponímia

Apenas uma definição é consenso quanto à origem do nome Quixadá. É uma palavra derivada de alguma das línguas indígenas faladas no território cearense antes do descobrimento. Exceto isto, há grandes controvérsias. Em alguns documentos antigos figura como Queixadá, Quixedá, Quixeda e Quixadá. Para Paulino Nogueira, em seu livro “Vocabulário Indígena em Uso na Província do Ceará” (1887), presume que o nome vem da tribo Tapuia dos Quixaras, também conhecida com Quixadás. Segundo Carl von Martius, é derivada de Quixeurá, que significa “Oh! Eu sou o Senhor”, Qui = oh, = eu e Uará = senhor, tendo-se corrompido em Quixadá. Para Teodoro Sampaio, em seu livro “O Tupi na Geografia Nacional”, disse que a palavra pertence a língua cariri e que, por não haver qualquer registros, não é possível afirmar significado exato. Thomaz Pompeu Sobrinho atribuiu, em princípio, a esse topônimo a origem tupi como Quichaitá, com a seguinte interpretação: Qui = ponta, Chai = gancho ou torcida e Ita = pedra, donde se conclui: pedra da ponta encurvada ou torcida. Essa interpretação estão relacionadas à paisagem quixadaense onde existem pedras singulares como, por exemplo, a “Galinha Choca”, conhecida anteriormente como “Bico de Arara”, além disso, segundo o autor, também pode ser a corruptela da palavra queixada ou quintal de rocha. Eusébio de Sousa também diz ser o vocábulo de origem tupi-guarani que significa “pedra da ponta curvada”. Os antigos habitantes falavam em Curral de Pedra, haja vista a localização da cidade que de fato, está cercada de pedras.

Localização de Quixadá no Estado do Ceará. (Imagem: Raphael Lorenzeto de Abreu).


 
História

Originalmente, a região foi habitada pelos índios Kanindé e Jenipapo pertences ao grupo dos Tapuias, resistindo à invasão portuguesa no início do século XVII, sendo "pacificados" em 1705, quando Manuel Gomes de Oliveira e André Moreira Barros ocuparam as terras quixadaenses. Estes grupos indígenas resistiram até 1760, pois os conflitos entre índios e colonos, ocasionados pelo desenvolvimento da pecuária desde 1705, praticamente extinguiram essas tribos. A colonização da área compreendida atualmente pelo município de Quixadá ocorreu através da penetração pelo rio Jaguaribe, seguindo seu afluente o rio Banabuiú e depois o rio Sitiá, cujo objetivo principal era a conquista de terras para a pecuária de corte e leiteira. A primeira escritura pública da região foi a do Mosteiro Beneditino, hoje Casa de Repouso São José, na Serra do Estêvão, onde hoje é o distrito de Dom Maurício, em 1641. Manuel da Silva Lima, alegando ter descoberto dois olhos d'água, obteve uma sesmaria. Essas terras, inicialmente de Carlos Azevedo, eram o “Sítio Quixedá” adquirido por compra conforme escritura de 18 de Dezembro de 1728. Em seguida, a propriedade foi vendida a José de Barros Ferreira em 1747 por 250 mil réis. Oito anos depois, José de Barros, construiu casas de moradia, capela e curral, lançando assim as bases da atual cidade de Quixadá, sendo considerado, portanto, o legítimo fundador da cidade. A fazenda prosperou e se transformou em distrito do município de Quixeramobim. A partir do século XIX, com a instalação da estrada de ferro que ligava o Cariri à Fortaleza ocorreu forte urbanização do município. Esta também foi fortemente influenciada pela produção de algodão exportado para a Inglaterra, que nesta época vivia a Revolução Industrial. A Freguesia de Quixadá foi criada pela Lei provincial n.° 1.305, de 5 de Novembro de 1869. Em de 27 de Outubro de 1870 a Lei provincial nº 1.347 criou o Município de Quixadá desmembrando-o de Quixeramobim e sendo elevado à categoria de vila. Com o projeto e a construção do Açude do Cedro, a vila passa a receber ainda mais imigrantes vindo de diversas regiões (estimados em 30.000), além disso diversas estradas foram construídas. Este processo acelera a urbanização, fazendo com que em 17 de Agosto de 1889 a vila recebesse foros de cidade pela Lei provincial nº 2.166. Deste sua emancipação até hoje, teve cinquenta e três governos municipais, sendo o fazendeiro Laurentino Belmonte de Queiroz, o primeiro gestor no período de 1871 a 1873.


Serrote Muxió. Imagem: Anderps).


Geografia
Relevo e solos

A maior parte do território faz parte das depressões sertanejas com maciços residuais, como a Serra do Estêvão. Notabiliza-se também pela geografia rica em inselbergues, ou monólitos (formações rochosas isoladas na paisagem), que dominam boa parte da área do município, dos quais o mais famoso é a “Pedra da Galinha Choca”, que tem este nome por conta do curioso formato. Os solos são pouco profundos em sua maior parte e têm como principal característica encharcar estação chuvosa e e ressecar facilmente nos períodos de estiagem. Os lençóis de água são geralmente salinizados devido as características geológicas da região.

Hidrografia e recursos hídricos

Quixadá está localizado em sua maior parte na bacia hidrográfica do rio Sitiá. Uma outra parte do seu território está nas bacias de dois outros rios: o rio Piranji e o rio Choró. O município conta com uma grande quantidade de pequenos reservatórios que estão espalhados em todo o território. No entanto, possui dois grandes reservatórios, ambos localizados no leito rio Sitiá, são os açudes do Cedro, com capacidade de 126.000.000 m³, e o Açude Pedras Brancas, com capacidade de 434.049.000 m³.

Clima

O clima é tropical quente semiárido. A temperatura média anual é de 29°C, com pluviometria média anual ser de 818 mm com chuvas concentradas de Fevereiro a Maio. Além disso, destacam-se os elevados índices de evaporação e evapotranspiração durante todo o ano aliada à irregularidade do regime de chuvas. A região de Quixadá está sujeita à ocorrência de secas severas.

Vegetação

A vegetação característica da maior parte do município é a caatinga arbustiva densa ou aberta, caracterizada pela presença de cactos e vegetação rasteira com árvores baixas e cheias de espinho. Nas áreas mais elevadas da Serra do Estêvão ocorre a floresta caducifólia espinhosa, ou Caatinga arbórea. Sua cobertura vegetal tem sofrido grande intervenção, através de desmatamentos e queimadas com o objetivo de preparar o solo para a agricultura e a pecuária extensiva, além da extração de ilegal madeira para lenha e carvoarias.

Unidades de Conservação Ambiental
  • Monumento Natural dos Monólitos de Quixadá com área de 16.635,59 ha criado pelo decreto N° 26/805 de 31 de Outubro de 2002.
  • Reserva Particular do patrimônio Natural Fazenda Não Me Deixes com área de 300 hectares criado pela portaria Nº 148/98 do IBAMA em 5 de Novembro de 1998.
 
Açude do Cedro. Imagem: Viktor Lutkovna).

 
Demografia
Estrutura demográfica

Sua população é predominantemente urbana (Segundo o censo 2000 do IBGE a taxa de urbanização era de 67,3%) e feminina (50,3% do total).

Dinâmica do crescimento

Quixadá pode ser considerado um município de porte médio em função da sua população de 80.447 habitantes (2009), o que representa 0,93% da população do Estado. Seu crescimento demográfico anual é de 0,5% (2006-2007), no entanto, quando a população atual é confrontada com os dados do censos de 1970 (98.509 habitantes) e de 1991 (72.292 habitantes) e das estimativas para 1996 (64.442 habitantes) observa-se o declínio da população. Isto se deve, basicamente, ao desmembramentos dos distritos de Banabuiú e Ibaretama em 1988 e de Choró em 1993.

Administração pública e estrutura urbana
Política

De acordo com a Constituição de 1988, Quixadá está localizada em uma república federativa presidencialista. Foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito positivo. A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo. Antes de 1930 os municípios eram dirigidos pelos presidentes das câmaras municipais, também chamados de agentes executivos ou intendentes. Somente após a Revolução de 1930 é que foram separados os poderes municipais em executivo e legislativo. Portanto, no momento da emancipação, não havia o cargo de prefeito. A administração municipal era exercida pelo presidente da Câmara Municipal e alguma vezes num colegiado de vereadores tendo o presidente à frente, deste modo, Laurentino Belmonte de Queiroz tornou-se o primeiro chefe do executivo municipal, cargo que ocupou até 19 de Maio de 1873, quando a nova Câmara de Vereadores do Município foi empossada. Agora, o poder executivo do município volta as mãos do prefeito José Ilário Gonçalves Marques.

Estrutura administrativa
Executivo

A pasta da Prefeitura Municipal de Quixadá de 2017 a 2020 é composta por:
  • Secretaria do Desenvolvimento Social e Fundação de Geração de Emprego, Renda e Habitação Popular;
  • Secretaria da Administração;
  • Secretaria da Educação/
  • Secretaria da Saúde;
  • Secretaria da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural;
  • Departamento Municipal de Administração de Bens e Serviços Públicos e Departamento Municipal de Trânsito;
  • Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente;
  • Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude;;
  • Procuradoria Geral do Município;
  • Secretaria do Planejamento e Finanças;
  • Chefia de Gabinete;
  • Controladoria Geral do Município;
  • Instituto de Previdência Municipal de Quixadá;
  • Coordenadoria de Comunicação.

Legislativo

A Câmara Municipal é composta por 17 vereadores desde o início da legislatura de 2013, anteriormente eram 21.

Judiciário

O município é sede da:
  • 9º Batalhão da Polícia Militar;
  • 23ª Vara da Justiça Federal
  • Tribunal Regional Eleitoral - 6 ZONA;
  • Tribunal Regional do Trabalho
  • Fórum Desembargador Avelar Rocha.

Divisões administrativas

O município está dividido em 13 unidades. A Sede e mais 12 distritos:
  • Califórnia,
  • Cipó dos Anjos,
  • Custódio,
  • Daniel de Queiroz,
  • Dom Maurício,
  • Juá,
  • Juatama,
  • Riacho Verde,
  • São Bernardo,
  • São João dos Queiroz,
  • Tapuiará,
  • Várzea da Onça.

Economia

Quixadá é um dos centros comerciais mais expressivos do Ceará, para onde afluem as comunidades das cidades vizinhas. A maior fonte de empregabilidade é a administração pública, com mais de 2 mil funcionários. As principais atividades econômicas estão relacionadas à prestação de serviços e ao comércio. Em seguida vem a avicultura e a ovinocaprinocultura.

Comércio

A economia de Quixadá depende principalmente no setor terciário (comércio e serviços) que é responsável por mais de 70% do PIB municipal além de ocupar aproximadamente 59% da população economicamente ativa (deste montante, 51% são trabalhadores autônomos, do chamado setor informal). O comércio do município está concentrado no Centro da cidade onde recebe semanalmente centenas de moradores das áreas rurais e de municípios vizinhos como Choró, Banabuiú, Ibicuitinga e Ibaretama. Dentre as empresas deste setor, destacam-se os atacadistas que abastecem os pequenos estabelecimentos comerciais dos distritos e dos municípios vizinhos. Os estabelecimentos de comércio varejista estão voltados, basicamente, para os moradores da cidade e da zona rural. Outra importante atividade para o comércio municipal é a realização de feiras que ocorrem em dias específicos. Às quintas-feiras, ocorre a feira de animais no Parque de Exposição no bairro do Campo Novo, às sextas-feiras, de frutas nas proximidades do Terminal Rodoviário, e diariamente de frutas e utilidades domésticas, na rua Dr. Eudásio Barroso nas proximidades da Câmara Municipal.

Pecuária

Representada principalmente pela avicultura, bovinocultura leiteira, ovinocultura e caprinocultura. A ovinocaprinocultura local está associada à presença de agentes expressivos na região, como, por exemplo, a Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado do Ceará (Acocece), composta pelos médios e grandes produtores, um frigorífico com tecnologia para beneficiar a carne dos ovinos e caprinos e ainda aspectos climáticos da região. A Expoece, tradicional feira de caprinos e ovinos, é considerada uma das maiores do Ceará e uma das mais importantes do Nordeste, movimentando no ano de 2009, volume superior a R$ 1 milhão somente nas vendas do leilão. Além disso, o evento envolve toda a cadeia produtiva caprina e ovina da região.

Avicultura

A avicultura, juntamente com o comércio, é o principal setor da economia quixadaense. São quatro granjas de grande e médio porte: Granja Feliana Ltda, Granja Abrigo Ltda, Quixadá Alimentos Avículas Ltda (QUIAVE) e Carneiro Avícola Ltda (CARVIL). A produção é de cerca 80 mil frangos por semana, movimentando em torno de 1 milhão e 200 mil reais por mês. São gerados 400 empregos diretos e aproximadamente 2 mil indiretos. A CARVIL é a única que também produz ovos, 90 mil unidades por dia. A produção é voltada para o consumo em todo o Estado do Ceará e também Piauí e Maranhão.

Indústria

O município possui pequenas indústrias alimentícias, tecelagens e calçadistas. Entre as grandes instalações industriais existe uma fábrica de calçados além de uma usina de biodiesel (com previsão de início de operações em Agosto de 2008) com capacidade 157 mil litros/dia, ou 57 milhões litros/ano localizada no distrito de Juatama.

Turismo

Embora pouco explorado, o município apresenta grande potencial turístico, especialmente para o ecoturismo devido à beleza de suas paisagens, além para a prática de esportes radicais como voo livre (parapente e asa-delta), off-road, trekking, orientação¹, montanhismo e rapel. Em 30 de Janeiro de 2015, a Barragem do Cedro foi adicionada à Lista Indicativa do Patrimônio Mundial da Unesco.

¹ Orientação é um desporto individual ou de duplas que tem como objetivo percorrer uma determinada distância em terreno variado e desconhecido, obrigando os atletas a passar por determinados pontos no terreno (postos de controle) e descritos num mapa distribuído a cada concorrente.

Santuário de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão. (Imagem: Fábio Barros).

 
Atrações Turísticas
  • Açude do Cedro;
  • Pedra da Galinha Choca;
  • Santuário N. Sra. Imaculada Rainha do Sertão;
  • Chalé da Pedra;
  • Lagoa dos Monólitos;
  • Morro do Urucu;
  • Pedra do Cruzeiro;
  • Serra do Estevão;
  • Trilha da Barriguda;
  • Trilha do Olho d'Água;
  • Trilha do Boqueirão;
  • Trilha Cabeça do Gigante;
  • Fazenda Magé;
  • Museu Histórico Jacinto de Sousa;
  • Fazenda Não Me Deixes;
  • Memorial Cego Aderaldo.


Pista de motocross. (Imagem: Anderps).

 
Educação
Ensino Fundamental e Médio

Em 2005 município possuía 145 escolas de ensino fundamental e médio, sendo 16, ou 11% do total, particulares. A taxa de escolarização é de 100% para o ensino fundamental e 42,86% para o ensino médio.

Ensino Superior/Técnico

O município possui cinco instituições de ensino superior, uma de ensino superior e técnico, e duas somente de ensino técnico. São elas:

    • Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central (Unidade acadêmica da UECE), que oferece os cursos de licenciaturas em Ciências Biológicas, Física, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química.
    • Centro Universitário Católica de Quixadá, que oferece os cursos de Administração, Arquitetura e Urbanismo, Biomedicina, Ciências Contábeis, Design Gráfico, Direito, Educação Física, Enfermagem, Engenharia de Produção, Farmácia, Filosofia, Fisioterapia, Gestão de Recursos Humanos, Odontologia, Psicologia, Sistemas de Informação, Sistemas para Internet e Teologia.
    • Campus avançado da Universidade Federal do Ceará, que oferece os cursos de Sistema de Informação, Engenharia de Software, Redes de Computadores, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Design Digital. além da Fazenda Lavoura Seca, uma das três fazendas experimentais da universidade.
    • Universidade Estadual Vale do Acaraú, com duas coordenações, que oferece cursos de, Recursos Humanos- Tecnólogo, Letras Português - Licenciatura, Pedagogia e História – licenciaturas.
    • Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, que oferece os cursos técnicos concomitante em Edificações e Química, cursos técnicos integrado em Edificações e Química e superiores em Bacharelado em Engenharia Ambiental e Sanitária, Bacharelado em Engenharia de Produção Civil, Licenciatura em Geografia e Licenciatura em Química.
    • Instituto Educacional superior e Tecnológico Faculdade Cisne é a mais nova instituição de ensino inaugurou suas instalações no dia 17 de Janeiro às 10hs da manhã no município de Quixadá. Instalada em uma área de 60 mil m2, sendo 7 mil m2 de área construída, 2 mil m2 de área pavimentada. A Cisne oferece cursos de bacharelado em Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Nutrição, Serviço Social e Medicina Veterinária. Entre seus cursos tecnológicos estão: Publicidade e Propaganda, Designer de Interiores, Designer de Moda, Gestão de Recursos Humanos e Gestão Comercial.
    • Escola Estadual de Educação Profissional Maria Cavalcante Costa desenvolve uma educação de qualidade, reconhecida a nível Municipal, Estadual e Nacional, pela excelência das ações executadas com base nos pressupostos da Tecnologia Empresarial Sócio-Educacional. Oferta em sua grade curso técnico de Comércio, Agroindústria, Enfermagem e Informática.


Cultura
Equipamentos culturais

Quixadá possui um museu, o Museu Histórico Jacinto de Sousa, um centro cultural, o Centro Cultural Rachel de Queiroz, com dois pavimentos, um teatro e um anfiteatro. O centro cultural oferece oficinas de audiovisual, música, teatro e artes plásticas. E a então inaugurada Memorial Rachel de Queiroz onde fica o atual “Chalé da Pedra”, um ambiente restaurado e equipado com peças e artefatos da escritora. E recentemente foi inaugurado o Cinema, localizado no Pinheiro Supermercado. Disponibilizam 2 salas e sessões todos os dias.

Eventos religiosos

Um dos principais eventos religiosos do município é a romaria de Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, seguido pelo mais novo evento que já acontece desde 2011, a Via Sacra, organizada por membros da Fundação Rachel de Queiroz, tem seus acontecimentos realizados na Praça da Cultura, localizada no centro da cidade.

Filmes

    • “O cangaceiro Trapalhão” é um filme brasileiro de 1983 do grupo de comediantes brasileiros Os Trapalhões e inspirado na história do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, também conhecido como Lampião, o assim chamado “Rei do cangaço”. Gravado em Juatama distrito de Quixadá.
    • “O Quinze de Rachel de Queiroz”, Sinopse: 1915, sertão central do Ceará. Uma grande seca dizimou boa parte da população local. A jovem professora Conceição (Karina Barum), que trabalha em Fortaleza, passa as férias na fazenda de sua avó, Mãe Inácia (Maria Fernanda Meirelles), no município de Quixadá. Lá ela convive com os problemas da seca, além de se envolver com seu primo Vicente (Juan Alba). Ele é fazendeiro e está apaixonado pela prima, mas no momento concentra sua atenção no combate a uma praga de carrapatos e em salvar o gado da fome. No município também vive Chico Bento (Jurandir Oliveira), que trabalha como vaqueiro na fazenda de Dona Marocas. Quando recebe ordem de se retirar do local, Chico negocia com Vicente sua pequena criação em troca de uma burra velha e uma quantia em dinheiro. Ele então parte com sua família rumo a Fortaleza, enfrentando as dificuldades do percurso.
    • “O Auto da Camisinha” é um média-metragem de ficção de 2009, com 52 minutos de duração e rodado em 35mm. Tem como um dos atores principais Chico Anysio. O filme tem uma importante mensagem de cidadania ao tratar de assuntos como a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Ele promete chamar a atenção de todos com a forma com que vai tratar desses assuntos, por meio de uma linguagem lúdico educativa que deve agradar o público e ao, mesmo tempo, conscientizá-lo do assunto. Também gravado na Juatama – Quixadá.
    • Já estreado em 2011, o filme “Área Q”, que terá a participação dos globais, Tânia Kalil e Murilo Rosa, é uma parceria entre as produtoras Reef Pictures Inc., ATC Entretenimentos e Estação Luz Filmes. O projeto reúne vários profissionais já conhecidos do cinema brasileiro, dentre eles destacam-se Glauber Filho (diretor do filme “Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito”), como produtor executivo; Márcio Ramos, responsável pelos efeitos especiais. Já entre seus produtores está o cearense Halder Gomes, que foi responsável pelos curtas “Cine Holiúdi – O Astista Contra o Caba do Mal” e “Loucos de Futebol”.
    • “Gato Preto” dirigido pelo quixadaense Clébio Ribeiro é um longa-metragem com orçamento total estimado em R$1,5 milhão. Utilizando pontos turísticos da cidade como o Açude do Eurípides e o histórico Açude do Cedro, a produção levanta questões sobre presença cigana na década de 1970 e questões espirituais.
        ◦ Na trama, um grupo de ciganos chega a um Quixadá fictício e se instala nos arredores da cidade. O comportamento distante dos padrões e o forte preconceito da época fazem os comerciantes iniciarem uma empreitada contra a estadia dos passantes. “Todos ficam muito indignados, pois os ciganos começam a tomar sua freguesia”, Com pretensões comerciais e pós-produção trabalhosa, Gato Preto tem previsão de estreia nacional para 2012. Outro ponto de destaque é o elenco: Jackson Antunes, Jane Azeredo, Juliana Carvalho, Sidney Souto, Haroldo Serra e Alexandre Mandarino são apenas alguns dos nomes figurando no longa. O filme marca também o retorno da atriz, produtora cultural e diretora Aurora Duarte. Longe das telas há décadas, a pernambucana radicada em São Paulo disse estar “perfeitamente integrada ao lugar”. “Quixadá é personagem também”.
 
Referências

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Venda Nova do Imigrante (Espírito Santo - Brasil)


Venda Nova do Imigrante - ES (clique para ampliar).
Venda Nova do Imigrante é um município brasileiro do Estado do Espírito Santo. Segundo o censo demográfico de 2010, sua população é de 20.468 habitantes. Foi criado em 10 de Maio de 1988, emancipando-se de Conceição do Castelo.




História



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Abandonadas com o fim da escravidão, grandes fazendas da região foram divididas em pequenas glebas e vendidas, a partir do final do século XIX e início do século XX, a algumas dezenas de famílias italianas. Assim como a maioria dos municípios da região serrana, Venda Nova foi colonizada por imigrantes italianos. Os primeiros desbravadores chegaram por volta de 1892, da província de Treviso. Três anos depois dezenas de famílias deixaram as terras onde haviam se instalado inicialmente e foram para o Alto Castelo, tomando posse das áreas loteadas pelo Governo. Parte desses imigrantes italianos também ajudaram a fundar o município de Afonso Cláudio em 1892. A união da comunidade sempre foi um forte marco em
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Venda Nova. Os imigrantes se juntaram para construir escolas, igrejas e até uma usina geradora de energia elétrica, capaz de movimentar máquinas de beneficiamento de café e iluminar casas e demais prédios. Até a década de 1940, todos os habitantes da localidade eram descendentes de italianos, e só falavam a língua vêneta, ou simplesmente vêneto, língua italiana da região de mesmo nome no Nordeste da Itália. Devido à altitude do município, a construção de estradas e as comunicações em geral eram difíceis. Em 1951, o início da abertura da BR-262, que liga Vitória a Belo Horizonte, trouxe enorme transformação. A rodovia corta a cidade de leste a oeste e durante muitos anos funcionou como sua principal avenida. O agroturismo foi um grande fator para o desenvolvimento da região. As dificuldades de comunicação e transporte fizeram com que os italianos fabricassem vários produtos em casa, como queijo, pães, vinhos, biscoitos, doces, massas, aguardentes e moinho para milho e café. Em 1991, os produtores se associaram ao Centro de Desenvolvimento Regional do Agroturismo, criando e organizando roteiros de visitação para os turistas e abrindo uma lojinha no centro da cidade. Atualmente, cerca de 80 produtores participam do Agroturismo, cada um com uma peculiaridade. O nome de Venda Nova surgiu porque antigamente havia uma pequena mercearia, que era chamada simplesmente de venda. Essa mercearia foi reformada e ficou conhecida como venda nova, dando nome ao local. Como a cidade foi colonizada por imigrantes, com a emancipação, em 1988, foi adotado o nome de Venda Nova do Imigrante para evitar confusão com outras localidades brasileiras de mesmo nome.



Geografia



Localização
Devido à altitude e ao relevo acidentado, o município possui declividade acima de 30% em mais da metade de área, fato que contribui para os inúmeros pontos panorâmicos. A sede da cidade encontra-se a 730 metros de altitude, porém algumas localidades possuem altitudes maiores que 1.200 metros. O ponto culminante do município está a 1.548 metros. Venda Nova do Imigrante é considerada a cidade mais elevada do Espírito Santo. Os rios do município não possuem grandes extensões, mas por outro lado são encachoeirados com belas quedas d'água. Os principais rios são: o Viçosa e o Providência, ambos compondo as bacias dos rios Castelo e Itapemirim. Devido à sua posição geográfica, o município possui clima ameno (tropical de altitude), com duas estações: de Maio a Setembro (clima frio e seco) e de Outubro a Abril (clima ligeiramente quente e maior umidade), período este de maior índice de precipitação. As temperaturas médias anuais variam de 7,3°C a 9,4°C no mês mais frio, e de 25,3°C e 27,8°C no mês mais quente, com umidade relativa do ar em torno de 75% e um índice pluviométrico de aproximadamente 1.220mm/ano. A vegetação predominante é de Mata Atlântica. Em decorrência de correntes migratórias, parte da mata foi devastada para o desenvolvimento da agricultura, sendo que 30% dela encontra-se preservada e habitada por animais silvestres.



Infraestrutura



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Apesar do relevo acidentado, o município é bem servido por meios de ligação terrestre com estradas em excelente estado de conservação e uma malha distribuída por toda a extensão do município, sendo que os 9,5km ligando a comunidade de São José do Alto Viçosa à BR-262 foram asfaltados (Rodovia dos Produtores). Além das vias vicinais, o município está ligado aos grandes centros pela Rodovia Presidente Costa e Silva (BR-262) - que corta a cidade ligando Venda Nova à Belo Horizonte e Vitória, acedendo à BR-101 - e pelas rodovias estaduais ES-166 Pedro Cola (Castelo) e ES-472 Francisco Vieira de Mello (Conceição do Castelo). Há uma subestação da Escelsa, responsável pelo fornecimento da energia para todo o município e outras partes da região. O fornecimento de água tratada é de responsabilidade da CESAN, atendendo a sede e o distrito de São João de Viçosa, além de acompanhar o abastecimento nas comunidades rurais fiscalizando as nascentes e reservatórios, uma vez que 70% das propriedades rurais utilizam-se das nascentes. Cerca de 65% das propriedades possuem fossas sépticas e o município atingiu, em 1999, o índice de 100% de cobertura do saneamento básico nas áreas residenciais com a conclusão das Estações de Tratamento de Esgoto nas localidades de São João de Viçosa, Bicuíba, Camargo e Alto Caxixe, além da que já existe na Sede. O serviço de limpeza pública é diário; todo o lixo domiciliar recolhido é encaminhado para tratamento em aterro sanitário.

Vista do município através de um Mirante. (imagem: Andrevruas).



Pontos turísticos



Festa da Polenta


O município de Venda Nova do Imigrante é nacionalmente conhecido pela forte influência da cultura dos ancestrais italianos, uma manifestação dessa influência pode ser vista na Festa da Polenta. Realizada sempre na segunda semana de Outubro, durante três dias, a festa resgata a cultura italiana com atrações como danças, músicas e comidas típicas.


Casas coloniais


Venda Nova possui 17 casas do século XIX, feitas de estuque, assoalho de madeira, engradamento em palmito e telhado colonial. A casa dos Scabelo, construída em 1825, é a mais antiga do município.


Cachoeira do Alto Bananeira


Cachoeira com sete quedas entremeadas na Mata Atlântica. Acesso no km 106 da BR-262, mais 4,8km de estrada.


Casa da Cultura


Possui museu com mais de 600 peças que contam a saga da colonização italiana em Venda Nova, iniciada em 1892. Centro da cidade. Funciona de segunda a sexta, de 8 às 17h.


Caxixe Frio


A paisagem do lugar é encantadora, com vista para a pedra do Forno Grande e Pedra Azul, em Domingos Martins. Esta região é a maior produtora de morango e hortaliças do Estado. Acesso no km 98,5 da BR-262.


Igreja de Pindobas


Esta foi a primeira igreja do município, e está bem conservada. Acesso pela rodovia Pedro Cola, km 8, Pindobas.


Mirante da Torre de TV


Daqui pode-se ter uma visão panorâmica do Pico do Forno Grande, da Pedra Azul e de toda a cidade de Venda Nova do Imigrante. A rampa para asa delta e parapente abusa dos 1.189 metros de altura do morro. Leva ainda à Pedra do Rego, um dos pontos mais altos do município. Acesso no km 106 da BR-262, mais 6,7km de estrada.


Missa na Igreja de São Pedro


Após a missa das 9h, no domingo, cantarola italiana com um bom vinho.


Morro do Filleti


Com 1.110 metros de altura, este morro também possui rampa para decolagem de asa delta e parapente. O acesso é fácil para qualquer veículo e o local é apropriado para caminhadas. Entrada no km 99,2 da BR-262, a 6km da sede.


Pedra do Já 7


Mirante e rampa para decolagem de asa delta e parapente. A altura é de 1.211 metros. Próprio para caminhada ecológica. Entrada no km 108 da BR-262.


Serra do Engano


Uma estrada sinuosa, com vista panorâmica, leva à cachoeira dos Barcelos e ao pico da Pedra do Garrafão, a 1.548 metros de altitude. Vale de Lavrinhas, a 2km da sede.


Referências