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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Biografia de Miguel de Unamuno


Miguel de Unamuno em 1925.
(click aqui para ampliar ).
Miguel de Unamuno y Jugo. Nasceu em Bilbau, a 29 de Setembro de 1864, e, faleceu em Salamanca, a 31 de Dezembro de 1936. Unamuno foi um ensaísta, romancista, dramaturgo, poeta e filósofo espanhol. Foi também deputado entre 1931 a 1933 pela região de Salamanca. É o principal representante espanhol do existencialismo cristão, sendo conhecido principalmente por sua obra “O Sentimento Trágico da Vida”, que lhe valeu a condenação do Santo Ofício. Tendo apoiado inicialmente o franquismo, passaria seus últimos dias de vida em prisão domiciliar.



Biografia


Nasceu na rua Ronda, no bairro de Casco Viejo (Bilbau), sendo o terceiro filho do comerciante Félix de Unamuno Larraza e de sua sobrinha, Salomé Jugo Unamuno. Ao concluir seus estudos fundamentais, testemunha o assédio da sua cidade durante a Terceira Guerra Carlista, o que refletirá em seu primeiro romance, “Paz na Guerra”. É considerado como a figura mais completa da “Generação de 98” - um grupo constituído por nomes como Antonio Machado, Azorín (José Augusto Trinidad Martínez Ruiz), Pío Baroja y Nessi, Ramón Maria del Valle-Inclán (Ramón José Simón Valle y Peña), Ramiro de Maeztu y Whitney, Ángel Ganivet García, entre outros. Estudou na Universidade de Madrid, onde concluiu o curso de Filosofia e Letras em 1883. No ano seguinte, obtém seu doutorado com uma tese sobre a língua basca: Crítica del Problema Sobre el Origen y Prehistoria de la Raza Vasca, na qual antecipa suas idéias sobre a origem dos bascos - contrárias àquelas que nos anos seguintes irão alimentar o nacionalismo basco, fundado pelos irmãos Arana Goiri (Sabino e Luis), que defenderão uma "raça basca" (no sentido de etnia) não contaminada por outras. Em 1891 obteve a cátedra de grego na Universidade de Salamanca. Em 1900, com apenas 36 anos de idade, é nomeado Reitor, cargo que exerceria por mais duas vezes. Conhecido também pelos sucessivos ataques à monarquia de Afonso XIII de Espanha (Afonso Leão Fernando Maria Jaime Isidro Pasqual Antônio), viveu no exílio, de 1926 a 1930, primeiro nas Ilhas Canárias e depois na França, de onde só voltaria depois da queda do general Primo de Rivera (Miguel Primo de Rivera y Orbaneja). Mais tarde o General Francisco Franco (Francisco Franco Bahamonde), cujo golpe Unamuno inicialmente apoiara, afastou-o novamente da vida pública, devido a críticas duras feitas pelo filósofo ao General Millán-Astray (José Millán-Astray y Terreros). Unamuno passaria os seus últimos dias de vida em prisão domiciliar, na cidade de Salamanca.



O incidente na Universidade de Salamanca


Monumento de Unamuno em Salamanca.
(imagem: RoyFokker). (click aqui para ampliar).
O incidente teve lugar em 12 de outubro de 1936, durante o ato de abertura do ano letivo no salão nobre da Universidade, ato presidido por Unamuno, na condição de reitor da referida instituição. Em certo momento, um dos oradores (Francisco Maldonado de Guevara) lançou um candente ataque contra a Catalunha e o País Basco, qualificando-os de “anti-Espanha e de tumores no sadio corpo da nação” e asseverando que “o fascismo redentor da Espanha saberá como exterminá-los, cortando na própria carne, como um decidido cirurgião, livre de falsos sentimentalismos”. Concluiu elogiando o papel do Exército, que se havia empenhado numa nova e verdadeira cruzada nacional e afirmando que catalães e bascos “exploradores do homem e do nome da Espanha [...] estão vivendo até agora, em meio a este mundo necessitado e miserável do pós-guerra, em um paraíso de fiscalidade e de altos salários, às custas do povo espanhol”. Em sequencia, alguém na platéia teria gritado o lema da Falange: “Viva la muerte!”, ao que Milán-Astray, general falangista também presente ao ato, respondeu com um costumeiro repto: “Espanha!”. A platéia respondeu “Unida!”. Ele repetiu “Espanha!” e a massa replicou “Grande!”. Millán-Astray exclamou pela terceira vez “Espanha!” e a multidão gritou “Livre!”. Nesse ponto um grupo uniformizado - camisas azuis - da Falange entrou no recinto e fez uma saudação oficial - braço direito ao alto - ao retrato de Francisco Franco pendente em uma parede. Não se tem registro escrito do exato conteúdo da intervenção de Unamuno que sucedeu a esses fatos. O que existe são várias reconstruções. Uma das mais extensas é a versão de Luis Gabriel Portillo, publicada na revista “Horizon” em 1941. Conforme Portillo, a reação de Unamuno foi a seguinte: Um indignado Unamuno, que até então havia se mantido em silêncio, levantou-se e pronunciou um apaixonado discurso: “Estais esperando que vos fale. Conhecei-me bem e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. As vezes, permanecer calado equivale a mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Quero fazer alguns comentários ao discurso - se posso chamá-lo assim - do professor Maldonado, que se encontra entre nós. Falou-se aqui da guerra internacional em defesa da civilização cristã; eu mesmo já fiz isso em outras oportunidades. Mas não, a nossa é tão somente uma guerra incivil. Vencer não é convencer, e há, sobretudo, que convencer. O ódio - que não deixa lugar à compaixão - não pode convencer. Um dos oradores aqui presentes é catalão, nascido em Barcelona e está aqui para ensinar a doutrina cristã, que vós não quereis conhecer. Eu mesmo nasci em Bilbao e passei a minha vida ensinando a língua espanhola, a qual desconheceis [...] Deixarei de lado a ofensa pessoal que se deduz da repentina explosão contra bascos e catalães, chamando-os de anti-Espanha até porque com a mesma razão poderiam eles dizer o mesmo”. Nesse ponto, o general José Millán-Astray (que nutria um profundo sentimento de inimizade por Unamuno), começou a gritar: “Posso falar? Posso falar?”. E, em altos brados, reforçou: “A Catalunha e o País Basco são dois cânceres no corpo da nação! O fascismo, remédio da Espanha, vem para exterminá-los cortando na carne viva como um frio bisturi!”. Alguém do público tornou a gritar “Viva a morte!” No silêncio mortal que se seguiu, os olhos todos se voltaram para Unamuno, que continuou: “Acabo de ouvir o necrófilo e insensato grito de "Viva a morte!". Isto me parece o mesmo que "Morte à Vida". E eu, que passei minha vida compondo frases paradoxais que despertavam a ira dos que não as compreendiam, devo dizer, como especialista na matéria, que esta me parece ridícula e repelente. Como foi proclamada em homenagem ao último orador, entendo que a ele é dirigida, se bem que de forma excessiva e tortuosa, como testemunho de que ele mesmo é um símbolo da morte. O general Milan-Astray é um inválido. Não é necessário dizer isso com um acento pejorativo pois é, de fato, um inválido de guerra. Cervantes também o foi. Mas extremos não servem como norma. Desgraçadamente na Espanha atual há demasiados mutilados. Atormenta-me pensar que o general Millán-Astray possa ditar as normas da psicologia das massas. De um mutilado que careça da grandeza espiritual de Cervantes, que era um homem viril e completo apesar de suas mutilações, de um inválido que não tenha essa superioridade de espírito, é de se esperar que encontre um terrível alívio vendo multiplicar-se os mutilados ao seu redor. O general Millán-Astray deseja criar uma nova Espanha, criação negativa, sem dúvida, posto que a sua própria
Casa onde morreu Unamuno.
(imagem: Pravdaverita)
imagem”. Nesse momento Millán-Astray exclama irritado “Morra a intelectualidade traidora! Viva a morte!”. Unamuno, sem intimidar-se, continua: “Este é o templo da inteligência e eu sou seu sumo sacerdote! Vós estais profanando este sagrado recinto. Tenho sempre sido, digam o que digam, um profeta de meu próprio país. Vencereis porque tendes sobrada força bruta. Mas não convencereis porque para convencer há que persuadir. E para persuadir lhes falta algo que não tendes: razão e direito. Mas me parece inútil cogitar de que pensais na Espanha”. Após essa manifestação, estando o público assistente encolerizado contra Unamuno e lançando-lhe todo o tipo de insultos, alguns oficiais sacaram suas pistolas, mas graças a intervenção de Carmen Polo de Franco, que se agarrou a seu braço, pôde Inamuno retirar-se do recinto. Nesse mesmo dia, o Conselho Municipal decretou a expulsão de Unamuno. O proponente, conselheiro Rubio Polo, solicitou a medida sob o argumento de que “...a Espanha, afinal, apunhalada traiçoeiramente pela pseudo-intelectualidade liberal-masônica cuja vida e pensamento [...] só na vontade de vingança se manteve firme, em tudo o mais foi sinuosa e oscilante, não teve critérios, somente paixões [...]”. Em de outubro de 1936, Franco assina o decreto de destituição de Unamuno como reitor da Universidade de Salamanca. Em outubro de 2011, Unamuno foi reconduzido postumamente ao cargo.



Do Sentimento Trágico da Vida

Del sentimiento trágico de la vida en los hombres y en los pueblos, mais conhecido como Do Sentimento Trágico da Vida, é um dos mais destacados ensaios filosóficos de Miguel de Unamuno, publicado em 1912. Sob a influência de Søren Kierkegaard e de Santo Inácio de Loyola, entre outros, ele que fora um exímio Reitor da Universidade de Salamanca, faz uma profunda incursão na problemática existencial do homem contemporâneo, distanciando-se radicalmente do Motor Imóvel aristotélico e afirmando a necessidade espiritual de acreditar em um Deus pessoal.



Os últimos dias de vida

Os últimos dias de vida (de Outubro a Dezembro de 1936) passou em prisão domiciliar na sua casa, num estado, segundo Fernando García de Cortázar, de resignada desolação, desespero e solidão. Morreu repentinamente, em seu domicílio salmantino da rua Bordadores, na tarde de 31 de Dezembro de 1936, durante a visita que lhe fez o falangista Bartolomé Aragón, antigo aluno e professor auxiliar da Faculdade de Direito. Apesar de sua virtual reclusão, no seu funeral foi exaltado como um herói falangista. Seus restos mortais repousam junto aos de sua filha mais velha, Salomé (casada com o seu secretário e poeta José María Quiroga Plá e falecida três anos antes), em um nicho do cemitério de San Carlos Borromeo de Salamanca, após este epitáfio: “Méteme, Padre Eterno, en tu pecho, misterioso hogar, dormiré allí, pues vengo deshecho del duro bregar”.




Livros em língua portuguesa


  • A Agonia do Cristianismo. Lisboa: Cotovia, 1991.
  • Abel Sanches - Uma História de Paixão. São Paulo: Editora Record, 2004.
  • Do Sentimento Trágico da Vida. Lisboa: Relógio D'água, 1988. São Paulo: Martins Editora, 1996.
  • Epistolário Ibérico. Lisboa: Assírio e Alvim, 1986.
  • Epistolário Português de Unamuno. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1978.
  • Névoa. Lisboa: Vega, 1996. / Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. / São Paulo: Estação Liberdade, 2012.
  • Por Terras de Portugal e Espanha. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.
  • São Manuel Bueno, Mártir. Porto Alegre: L&PM, 2000.
  • Um Homem. Lisboa: Europa-América, 2003.

 

Bibliografia


  • Joxe Azurmendi: "Unamuno" in Espainiaren arimaz, Donostia: Elkar, 2006.
  • Joxe Azurmendi: Bakea gudan. Unamuno, historia eta karlismoa, Tafalla: Txalaparta, 2012.
  • Joxe Azurmendi: "Unamunoren atarian" in Alaitz Aizpuru (koord.), Euskal Herriko pentsamenduaren gida, Bilbo: UEU, 2012.

 

Citações


  • "A inveja é filha da superficialidade da mente e da falta de preocupações".

- La envidia es hija de la superficialidad mental y de la falta de grandes preocupaciones íntimas.
- Obras completas‎ - v.4 Página 423, de Miguel de Unamuno - Publicado por A. Aguado, 1958.

  • "O silêncio pode ser uma grande mentira".

- El silencio puede ser una gran mentira.
- Obras completas - Página 609; de Miguel de Unamuno, Manuel García Blanco - Publicado por Escelicer, 1966.

  • "Somos mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado".

- Miremos más que somos padres de nuestro porvenir que no hijos de nuestro pasado.
- Vida de D. Quijote y Sancho: Según Miguel de Cervantes Saavedra‎ - Página 109, de Miguel de Unamuno - Publicado por F. Fe, 1905.

  • "Este é o templo da inteligência. E eu sou o seu sacerdote mais alto. Sois vós que profanais este sagrado recinto. Ganhareis, porque possuis mais do que a força bruta necessária. Mas não convencereis. Porque para convencer é necessário persuadir. E para persuadir é necessário possuir o que vos falta: razão e direito em vossa luta".

- Miguel de Unamuno citado em "O Conflito das Idéias" - Página 117, Voltaire Schilling - Editora AGE Ltda, 1999, ISBN 8585627603, 9788585627607 - 199 páginas.

  • "O amor é filho da ilusão e pai da desilusão".

- El amor hijo del engaño y padre del desengaño.
- Miguel de Unamuno citado em "La Lectra; revista de ciencias y de artes: Volume 12,Edição 2" - página 187, Francisco López Acebal - Tip. de la viuda é hijos de M. Tello, 1912.

  • "Calar a verdade é a mais sutil maneira de mentir".

- Callar la verdad, que es la más sutil manera de mentir.
- Crónica política española (1915-1923): artículos no recogidos en ..., Miguel de Unamuno - página 204, Vicente González Martín - Almar, 1977, ISBN 8474550017, 9788474550016 - 426 páginas.

Atribuídas


  • "O horror ao trabalho dá trabalhos sem conta".

-Fonte: Revista Caras, Edição 664.



Referências