| Miguel de Unamuno em 1925. (click aqui para ampliar ). |
Miguel
de Unamuno y Jugo.
Nasceu em Bilbau, a 29 de Setembro de 1864, e, faleceu em Salamanca,
a 31 de Dezembro de 1936. Unamuno foi um ensaísta, romancista,
dramaturgo, poeta e filósofo espanhol. Foi também deputado entre
1931 a 1933 pela região de Salamanca. É o principal representante
espanhol do existencialismo
cristão,
sendo conhecido principalmente por sua obra “O
Sentimento Trágico da Vida”,
que lhe valeu a condenação do Santo
Ofício.
Tendo apoiado inicialmente o franquismo, passaria seus últimos dias
de vida em prisão domiciliar.
Biografia
Nasceu
na rua Ronda, no bairro de Casco Viejo (Bilbau), sendo o terceiro
filho do comerciante Félix
de Unamuno Larraza
e de sua sobrinha, Salomé
Jugo Unamuno.
Ao concluir seus estudos fundamentais, testemunha o assédio da sua
cidade durante a Terceira
Guerra Carlista,
o que refletirá em seu primeiro romance, “Paz
na Guerra”.
É considerado como a figura mais completa da “Generação
de 98”
- um grupo constituído por nomes como Antonio
Machado,
Azorín
(José
Augusto Trinidad Martínez Ruiz),
Pío
Baroja y Nessi,
Ramón
Maria del Valle-Inclán (Ramón
José Simón Valle y Peña),
Ramiro
de Maeztu y Whitney,
Ángel
Ganivet García,
entre outros. Estudou na Universidade
de Madrid,
onde concluiu o curso de Filosofia e Letras em 1883. No ano seguinte,
obtém seu doutorado com uma tese sobre a língua basca: Crítica
del Problema Sobre el Origen y Prehistoria de la Raza Vasca,
na qual antecipa suas idéias sobre a origem dos bascos - contrárias
àquelas que nos anos seguintes irão alimentar o nacionalismo
basco,
fundado pelos irmãos Arana
Goiri
(Sabino
e Luis),
que defenderão uma "raça basca" (no sentido de etnia) não
contaminada por outras. Em 1891 obteve a cátedra de grego na
Universidade
de Salamanca.
Em 1900, com apenas 36 anos de idade, é nomeado Reitor, cargo que
exerceria por mais duas vezes. Conhecido também pelos sucessivos
ataques à monarquia de Afonso
XIII de Espanha
(Afonso
Leão Fernando Maria Jaime Isidro Pasqual Antônio),
viveu no exílio, de 1926 a 1930, primeiro nas Ilhas Canárias e
depois na França, de onde só voltaria depois da queda do general
Primo
de Rivera
(Miguel
Primo de Rivera y Orbaneja).
Mais tarde o General
Francisco Franco
(Francisco
Franco Bahamonde),
cujo golpe Unamuno inicialmente apoiara, afastou-o novamente da vida
pública, devido a críticas duras feitas pelo filósofo ao General
Millán-Astray
(José
Millán-Astray y Terreros).
Unamuno passaria os seus últimos dias de vida em prisão domiciliar,
na cidade de Salamanca.
O incidente na Universidade de Salamanca
| Monumento de Unamuno em Salamanca. (imagem: RoyFokker). (click aqui para ampliar). |
| Casa onde morreu Unamuno. (imagem: Pravdaverita) |
Do
Sentimento Trágico da Vida
Del
sentimiento trágico de la vida en los hombres y en los pueblos,
mais conhecido como Do
Sentimento Trágico da Vida,
é um dos mais destacados ensaios filosóficos de Miguel de Unamuno,
publicado em 1912. Sob a influência de Søren
Kierkegaard
e de Santo
Inácio de Loyola,
entre outros, ele que fora um exímio Reitor da Universidade de
Salamanca, faz uma profunda incursão na problemática existencial do
homem contemporâneo, distanciando-se radicalmente do Motor
Imóvel
aristotélico e afirmando a necessidade espiritual de acreditar em um
Deus pessoal.
Os
últimos dias de vida
Os últimos dias de vida (de
Outubro a Dezembro de 1936) passou em prisão domiciliar na sua casa,
num estado, segundo Fernando
García de Cortázar,
de resignada desolação, desespero e solidão. Morreu
repentinamente, em seu domicílio salmantino da rua Bordadores, na
tarde de 31 de Dezembro de 1936, durante a visita que lhe fez o
falangista Bartolomé
Aragón, antigo
aluno e professor auxiliar da Faculdade de Direito. Apesar de sua
virtual reclusão, no seu funeral foi exaltado como um herói
falangista. Seus restos mortais repousam junto aos de sua filha mais
velha, Salomé
(casada com o seu secretário e poeta José
María Quiroga Plá
e falecida três anos antes), em um nicho do cemitério de San Carlos
Borromeo de Salamanca, após este epitáfio: “Méteme,
Padre Eterno, en tu pecho, misterioso hogar, dormiré allí, pues
vengo deshecho del duro bregar”.
Livros em língua portuguesa
- A Agonia do Cristianismo. Lisboa: Cotovia, 1991.
- Abel Sanches - Uma História de Paixão. São Paulo: Editora Record, 2004.
- Do Sentimento Trágico da Vida. Lisboa: Relógio D'água, 1988. São Paulo: Martins Editora, 1996.
- Epistolário Ibérico. Lisboa: Assírio e Alvim, 1986.
- Epistolário Português de Unamuno. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1978.
- Névoa. Lisboa: Vega, 1996. / Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. / São Paulo: Estação Liberdade, 2012.
- Por Terras de Portugal e Espanha. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.
- São Manuel Bueno, Mártir. Porto Alegre: L&PM, 2000.
- Um Homem. Lisboa: Europa-América, 2003.
Bibliografia
- Joxe Azurmendi: "Unamuno" in Espainiaren arimaz, Donostia: Elkar, 2006.
- Joxe Azurmendi: Bakea gudan. Unamuno, historia eta karlismoa, Tafalla: Txalaparta, 2012.
- Joxe Azurmendi: "Unamunoren atarian" in Alaitz Aizpuru (koord.), Euskal Herriko pentsamenduaren gida, Bilbo: UEU, 2012.
Citações
- "A inveja é filha da superficialidade da mente e da falta de preocupações".
- - La envidia es hija de la superficialidad mental y de la falta de grandes preocupaciones íntimas.
- - Obras completas - v.4 Página 423, de Miguel de Unamuno - Publicado por A. Aguado, 1958.
- "O silêncio pode ser uma grande mentira".
- - El silencio puede ser una gran mentira.
- - Obras completas - Página 609; de Miguel de Unamuno, Manuel García Blanco - Publicado por Escelicer, 1966.
- "Somos mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado".
- - Miremos más que somos padres de nuestro porvenir que no hijos de nuestro pasado.
- - Vida de D. Quijote y Sancho: Según Miguel de Cervantes Saavedra - Página 109, de Miguel de Unamuno - Publicado por F. Fe, 1905.
- "Este é o templo da inteligência. E eu sou o seu sacerdote mais alto. Sois vós que profanais este sagrado recinto. Ganhareis, porque possuis mais do que a força bruta necessária. Mas não convencereis. Porque para convencer é necessário persuadir. E para persuadir é necessário possuir o que vos falta: razão e direito em vossa luta".
- - Miguel de Unamuno citado em "O Conflito das Idéias" - Página 117, Voltaire Schilling - Editora AGE Ltda, 1999, ISBN 8585627603, 9788585627607 - 199 páginas.
- "O amor é filho da ilusão e pai da desilusão".
- - El amor hijo del engaño y padre del desengaño.
- - Miguel de Unamuno citado em "La Lectra; revista de ciencias y de artes: Volume 12,Edição 2" - página 187, Francisco López Acebal - Tip. de la viuda é hijos de M. Tello, 1912.
- "Calar a verdade é a mais sutil maneira de mentir".
- - Callar la verdad, que es la más sutil manera de mentir.
- - Crónica política española (1915-1923): artículos no recogidos en ..., Miguel de Unamuno - página 204, Vicente González Martín - Almar, 1977, ISBN 8474550017, 9788474550016 - 426 páginas.
Atribuídas
- "O horror ao trabalho dá trabalhos sem conta".
- -Fonte: Revista Caras, Edição 664.