| Heitor Villa-Lobos (ca. 1922). |
Heitor
Villa-Lobos.
Nasceu no Rio de Janeiro, a 5 de Março de 1887, e faleceu, também
no Rio de Janeiro, a 17 de Novembro de 1959. Heitor Villa-Lobos foi
um maestro e compositor brasileiro. Destaca-se por ter sido o
principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente
brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música
do modernismo no Brasil, compondo obras que contém nuances das
culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções
populares e indígenas. No Brasil, sua data de nascimento é
celebrada como Dia
Nacional da Música Clássica.
*Iniciou seu aprendizado com o pai, que lhe ensinou a tocar
clarinete, violoncelo, além de teoria musical. Morando no interior
do Estado de Minas Gerais, tomou contato com a música folclórica
negra. Aos 14 anos já tocava violão em conjuntos populares,
dedicando-se aos chorinhos, que viria mais tarde a incorporar à
música erudita nacional. Dos 18 aos 26 anos de idade viajou pelo
Brasil, chegando a coletar mais de mil temas folclóricos. Conhecedor
dos grandes mestres do passado, compôs dirigido mais por seu
instinto, até sua viagem à Europa, pois desconhecia os novos
caminhos abertos por Stravinski, Debussy, Satie, Mahler, Schoenberg e
outros. Tomando contato com Vincent D'Indy e sua doutrina da forma
cíclica, compôs suas primeiras sinfonias e sonatas para violoncelo.
Apresenta pela primeira vez em público as suas obras em 1915, quando
não foi compreendido pelos ouvintes, acostumados ao romantismo. Em
1922, participou da Semana de Arte Moderna de São Paulo, sendo
igualmente mal recebido. Em 1923, viaja à Europa, onde fica até
1925. em 1930, depois de conviver com inúmeros artistas de valor,
retorna ao Brasil, decidido a reagir contra o estado da cultura
musical no país, quando lança a ideia de incentivo da audição de
música séria. Nesta ocasião chegou a dirigir concertos corais para
30.000 vozes e 1.000 instrumentos, em estádios municipais do Rio de
Janeiro. Sua defesa do ensino da música nas escolas e do canto
orfeônico acabou resultando no Conservatório
Musical de Canto Orfeônico,
do qual foi nomeado diretor. Com seu prestígio cada mais maior no
exterior (dirigiu concertos na Europa, Argentina, México, EUA,
Israel etc.). Villa-Lobos projetou o nome do Brasil como músico no
mundo todo.
| Busto de Villa-Lobos ao lado do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. |
Villa-Lobos
participou da Semana de Arte Moderna de 1922 apresentando-se em três
dias com três diferentes espetáculos:
Dia
13
|
Dia
15
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Dia
17
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Segunda
Sonata
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O
Ginete do Pierrozinho
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Terceiro
Trio
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Segundo
Trio
|
Festim
Pagão
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Historietas:
Lune de Octobre; Voilà la Vie; Je Vis Sans
Retard, Car vite s'écoule la vie
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Valsa
mística (simples coletânea)
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Solidão
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Segunda
Sonata
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Rondante
(simples coletânea)
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Cascavel
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Camponesa
cantadeira (suíte floral)
|
A
Fiandeira
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Terceiro
Quarteto
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Num
Berço Encantado (simples coletânea)
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Danças
Africanas
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Dança
Inferugnal e Quatuor (com coro feminino)
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Embora
tenha sido um dos mais importantes nomes da música a apresentar-se
na Semana de Arte Moderna, Villa-Lobos não foi o único compositor a
ser interpretado, também foram interpretadas obras de Claude-Achille
Debussy,
por Guiomar
Novaes,
de Eric
Satie,
por Ernani
Braga,
que interpretou também "A
Fiandeira",
de Villa-Lobos. O Teatro
Municipal de São Paulo
foi o primeiro palco "erudito" a receber as obras de
Villa-Lobos.
| Busto na calçada do Theatro Municipal, Rio de Janeiro. (imagem: Andrevruas). |
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Estilo
É possível
encontrar na obra de Villa-Lobos preferências por alguns recursos
estilísticos: combinações inusitadas de instrumentos, arcadas bem
puxadas nas cordas, uso de percussão popular e imitação do cantos
de pássaros. O maestro não defendeu nem se enquadrou em nenhum
movimento, e continuou por muito tempo desconhecido do público no
Brasil e atacado pelos críticos, dentre os quais Oscar
Guanabarino.
Também se encontra em sua obra uma forte presença de referências a
temas do folclore brasileiro.
Não obstante as
severas críticas, Villa-Lobos alcançou grande reconhecimento em
nível nacional e internacional. Entre os títulos mais importantes
que recebeu, está o de Doutor
Honoris Causa
pela Universidade de Nova Iorque e o de fundador e primeiro
presidente da Academia
Brasileira de Música.
O maestro foi retratado nos filmes Bachianas
Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos
(1979), O
Mandarim
(1995) e Villa-Lobos
- Uma Vida de Paixão
(2000), além de aparecer pessoalmente no filme da Disney, Alô,
Amigos
(1940), ao lado do próprio Walt
Disney.
Em 1986, Heitor Villa-Lobos teve sua efígie impressa nas notas de
quinhentos
cruzados,
além de ser homenageado até os dias atuais em diversas cidades
brasileiras, dando nome a ruas, praças e parques, como no caso do
Parque Villa-Lobos em São Paulo.
Citações
Músicos dos Chôros
- "Havia no Rio de Janeiro, no fim do século passado ( minha nota: o autor se refere ao século XIX), um gênero musical muito curioso: o chôro. A juventude boêmia costumava formar na época, pequenos grupos instrumentais que alegravam os bailes de família e animavam festa de São Silvestre, de Santo Antônio, de São João, de São Pedro e Santa Ana. Os chorões (músicos dos chôros) participavam também de aniversários, batismos, casamentos e, durante o Carnaval, percorriam os quarteirões residenciais e o centro da cidade, suscitando aplausos frenéticos da multidão que os acompanhava como uma procissão e que pedia "bis" a cada trecho. Villa Lobos era chorão ".
- Fonte: Vasco Mariz: Hector Villa Lobos, páginas-25-26, Éditions Seghers, 1967, Paris).
Estadia em Paris
- "Foram os seus amigos Arthur Rubinstein e Vera Jonacopulos que mais encorajaram Villa Lobos a ir a Europa (…) Mesmo inimigos ferrenhos como o crítico Guanabarino sustentaram o projeto. O próprio décano dos compositores brasileiros, Francisco Braga, escreveu: O apoio que damos a Villa Lobos não é um favor pessoal. Mas pensamos que o artista é a melhor das pessoas para aproximar os povos".
- Fonte: Vasco Mariz: Hector Villa Lobos, página 55, Éditions Seghers, 1967, Paris.
- "A música deve a este genial compositor não somente o que deixou de sua obra, mas ainda sua corajosa atitude consistindo em se opor às correntes subversivas da chamada música moderna. Villa Lobos seguiu os preceitos da música verdadeira, a enriquecendo e marcando com a sua forte personalidade.(…)Ele restará uma das grandes personalidades do seu tempo e uma das maiores glorias do país em que nasceu". (Pablo Casals).
- Fonte: idem, página 158.
Sobre a obra de Villa Lobos
- "O Senhor Villa Lobos tem um enorme talento musical. De uma surpreendente fecundidade, tem uma bagagem artística considerável, compreendendo obras de valor, entre as quai algumas bastante originais. Não é mais uma promessa, mas uma confirmação. Penso que um dia a pátria ficará orgulhosa de um tal filho". (Francisco Braga, Rio de Janeiro, 5 de Dezembro de 1920).
- Fonte: idem, página 56, Éditions Seghers, 1967, Paris.
- "Villa Lobos visitou Boston várias vezes (…) tendo dirigido a Boston Symphony Orchestra. Era um excelente maestro, possuindo a autoridade e a sensibilidade necessárias ao grande músico que era realmente. O maior momento de minhas relações com ele foi em 1955 e 1956 (…) por ocasião da comemoração do 75° aniversário da orquestra. (…) Seu retorno a Boston para dirigir a 11 Sinfonia foi um momento importante de nossa história e um grande momento de nossas relações pessoais”.(Charles Munch).
- Fonte: idem, página 157.
Citações de Villa Lobos
- "Sim sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que transporto instintivamente para tudo que escrevo".
- -Fonte: 19º Volume dos CDs da Coleção FOLHA de Música Clássica.
- "Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil".
- - citado em "Presença de Villa-Lobos" - Página 65, de Museu Villa-Lobos - Publicado por Museu Villa-Lobos, 1965.
Outras citações
- "Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade sem esperar resposta".
- - Frase inscrita na lápide de Villa-Lobos, no cemitério de São joão Batista, no Rio de Janeiro.
Referências