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sábado, 28 de junho de 2014

Biografia de Heitor Villa-Lobos


Heitor Villa-Lobos (ca. 1922).
Heitor Villa-Lobos. Nasceu no Rio de Janeiro, a 5 de Março de 1887, e faleceu, também no Rio de Janeiro, a 17 de Novembro de 1959. Heitor Villa-Lobos foi um maestro e compositor brasileiro. Destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do modernismo no Brasil, compondo obras que contém nuances das culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções populares e indígenas. No Brasil, sua data de nascimento é celebrada como Dia Nacional da Música Clássica. *Iniciou seu aprendizado com o pai, que lhe ensinou a tocar clarinete, violoncelo, além de teoria musical. Morando no interior do Estado de Minas Gerais, tomou contato com a música folclórica negra. Aos 14 anos já tocava violão em conjuntos populares, dedicando-se aos chorinhos, que viria mais tarde a incorporar à música erudita nacional. Dos 18 aos 26 anos de idade viajou pelo Brasil, chegando a coletar mais de mil temas folclóricos. Conhecedor dos grandes mestres do passado, compôs dirigido mais por seu instinto, até sua viagem à Europa, pois desconhecia os novos caminhos abertos por Stravinski, Debussy, Satie, Mahler, Schoenberg e outros. Tomando contato com Vincent D'Indy e sua doutrina da forma cíclica, compôs suas primeiras sinfonias e sonatas para violoncelo. Apresenta pela primeira vez em público as suas obras em 1915, quando não foi compreendido pelos ouvintes, acostumados ao romantismo. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna de São Paulo, sendo igualmente mal recebido. Em 1923, viaja à Europa, onde fica até 1925. em 1930, depois de conviver com inúmeros artistas de valor, retorna ao Brasil, decidido a reagir contra o estado da cultura musical no país, quando lança a ideia de incentivo da audição de música séria. Nesta ocasião chegou a dirigir concertos corais para 30.000 vozes e 1.000 instrumentos, em estádios municipais do Rio de Janeiro. Sua defesa do ensino da música nas escolas e do canto orfeônico acabou resultando no Conservatório Musical de Canto Orfeônico, do qual foi nomeado diretor. Com seu prestígio cada mais maior no exterior (dirigiu concertos na Europa, Argentina, México, EUA, Israel etc.). Villa-Lobos projetou o nome do Brasil como músico no mundo todo.



Biografia



Busto de Villa-Lobos ao lado do
Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Filho de Noêmia Monteiro Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, foi desde cedo incentivado aos estudos, pois sua mãe queria vê-lo médico. No entanto, Raul Villa-Lobos, pai do compositor, funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, deu-lhe instrução musical e adaptou uma viola para que o pequeno Heitor iniciasse seus estudos de violoncelo. Aos 12 anos, órfão de pai, Villa-Lobos passou a tocar violoncelo em teatros, cafés e bailes; paralelamente, interessou-se pela intensa musicalidade dos "chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro, e, neste contexto, desenvolveu-se também no violão. De temperamento inquieto, empreendeu desde cedo escapadas pelo interior do Brasil, primeiras etapas de um processo de absorção de todo o universo musical brasileiro. Em 1913 Villa-Lobos casou-se com a pianista Lucília Guimarães, indo viver no Rio de Janeiro. É tio-avô de Dado Villa-Lobos. Em 1922 Villa-Lobos participa da Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo. No ano seguinte embarca para Europa, regressando ao Brasil em 1924. Viaja novamente para a Europa em 1927, financiado pelo milionário carioca Carlos Guinle. Desta segunda viagem retorna em 1930, quando realiza turnê por sessenta e seis cidades. Realiza também nesse ano a "Cruzada do Canto Orfeônico" no Rio de Janeiro. Seu casamento com Lucília termina na década de 1930. Depois de operar-se de câncer em 1948, casa-se com Arminda Neves d'Almeida a Mindinha, uma ex-aluna, que depois de sua morte se encarrega da divulgação de uma obra monumental. O impacto internacional dessa obra fez-se sentir especialmente na França e EUA, como se verifica pelo editorial que o The New York Times dedicou-lhe no dia seguinte a sua morte. Villa-Lobos nunca teve filhos. Faleceu em 17 de Novembro de 1959. Encontra-se sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro. Em 1960, o governo do Brasil criou o Museu Villa-Lobos na cidade do Rio de Janeiro.



Semana de Arte Moderna



Villa-Lobos participou da Semana de Arte Moderna de 1922 apresentando-se em três dias com três diferentes espetáculos:


Dia 13
Dia 15
Dia 17
Segunda Sonata
O Ginete do Pierrozinho
Terceiro Trio
Segundo Trio
Festim Pagão
Historietas: Lune de Octobre; Voilà la Vie; Je Vis Sans Retard, Car vite s'écoule la vie
Valsa mística (simples coletânea)
Solidão
Segunda Sonata
Rondante (simples coletânea)
Cascavel
Camponesa cantadeira (suíte floral)
A Fiandeira
Terceiro Quarteto
Num Berço Encantado (simples coletânea)
Danças Africanas

Dança Inferugnal e Quatuor (com coro feminino)



Embora tenha sido um dos mais importantes nomes da música a apresentar-se na Semana de Arte Moderna, Villa-Lobos não foi o único compositor a ser interpretado, também foram interpretadas obras de Claude-Achille Debussy, por Guiomar Novaes, de Eric Satie, por Ernani Braga, que interpretou também "A Fiandeira", de Villa-Lobos. O Teatro Municipal de São Paulo foi o primeiro palco "erudito" a receber as obras de Villa-Lobos.


Obra

Busto na calçada do Theatro Municipal,
Rio de Janeiro. (imagem: Andrevruas).
As primeiras composições de Villa-Lobos trazem a marca dos estilos europeus da virada do século XIX para o século XX, sendo influenciado principalmente por Richard Wagner, Giacomo Puccini, pelo alto romantismo francês da escola de Frank e logo depois pelos impressionistas. Teve aulas com Frederico Nascimento e Francisco Braga. Nas Danças Características Africanas (1914), entretanto, começou a repudiar os moldes europeus e a descobrir uma linguagem própria, que viria a se firmar nos bailados Amazonas e Uirapuru (1917). O compositor chega à década de 1920 perfeitamente senhor de seus recursos artísticos, revelados em obras como a Prole do Bebê para piano, ou o Noneto (1923). Violentamente atacado pela crítica especializada da época, viajou para a Europa em 1923 com o apoio do mecenas Carlos Guinle e, em Paris, tomou contato com toda a vanguarda musical da época. Depois de uma segunda permanência na capital francesa (1927-1930), voltou ao Brasil a tempo de engajar-se nas novas realidades produzidas pela Revolução de 1930. Apoiado pelo Estado Novo, Villa-Lobos desenvolveu amplo projeto educacional, em que teve papel de destaque o Canto Orfeônico, e que resultou na compilação do Guia Prático (temas populares harmonizados). À audácia criativa dos anos 1920 (que produziram as Serestas, os Choros, os Estudos para violão e as Cirandas para piano) seguiu-se um período "neobarroco", cujo carro-chefe foi a série de nove Bachianas Brasileiras (1930-1945), para diversas formações instrumentais. Em sua obra prolífera, o maestro combinou indiferentemente todos os estilos e todos os gêneros, introduzindo sem hesitação materiais musicais tipicamente brasileiros em formas tomadas de empréstimo à música erudita ocidental. Procedimento que o levou a aproximar, numa mesma obra, Johann Sebastian Bach e os instrumentos mais exóticos. Villa-Lobos teve diversos discípulos e colaboradores, dentre compositores, regentes e instrumentistas que lhe assistiam nas diversas atividades de implantação do projeto de Canto Orfeônico nas escolas públicas brasileiras, na realização de grandes espetáculos, muitos deles para públicos de milhares de pessoas, e na revisão, cópia e organização de suas partituras. Dois músicos que se destacaram nesta parceria com Villa-Lobos foram os maestros e pianistas José Vieira Brandão (1911-2002) e Alceo Bocchino (1918-2013).


Principais composições:

Música Orquestral
  • 12 sinfonias (1916–1957)
  • Uirapuru (1917)
  • Amazonas (1917)
  • Choros
    • n.º 06 (1926)
    • n.º 08 (1925)
    • n.º 09 (1929)
    • n.o 10 - Rasga o Coração
    • n.º 11 (1928)
    • n.º 12 (1929)
  • Bachianas brasileiras
    • n.º 01 (1930) para 12 Violoncellos
    • n.º 02 (1930) para orquestra
    • n.º 03 para piano e orquestra (1938)
    • n.º 04 (1936) para piano ou para orquestra
    • n.º 05 (1938-1945) para soprano e 8 violoncellos
    • n.º 06 (1938) para flauta e fagote
    • n.º 07 (1942) para orquestra
    • n.º 08 (1944)
    • n.º 09 (1945) para orquestra e choro
  • Erosão (1950)
  • Odisseia de uma Raça (1953)
  • Gênesis (1954)
  • Emperor Jones (1956)
  • Momoprecoce para piano e orquestra (1929)
  • 5 concertos para piano e orquestra (1945, 1948, 1957, 1954, 1954)
  • Martírio dos Insetos para violino e orquestra (1925)
  • 2 concertos para violoncelo e orquestra (1913, 1955)
  • Concerto para Violino e Orquestra (1951)
  • Concerto para Violão e pequena orquestra (1951)
  • Concerto para Harpa e Orquestra (1953)
  • Concerto para Harmônica e Orquestra (1953)
  • Ciranda das Sete Notas para fagote e orquestra (1953)
  • Fantasia para Violoncelo e Orquestra (1945)
  • Concerto grosso (1958)
Piano
  • Danças Características Africanas (1914)
  • Prole do Bebê n.º 01 (1918)
  • Prole do Bebê n.º 02 (1921)
  • Lenda do Caboclo (1920)
  • Caixinha de Música Quebrada
  • Rudepoema (1926)
  • Choros n.º 05 (1926)
  • Cirandas (1929)
  • Saudades das Selvas Brasileiras (1927)
  • Valsa da dor (1930)
  • Ciclo Brasileiro (1936)
  • As Três Marias (1939)
  • Hommage a Chopin (1949)
Música de câmara
  • 17 quartetos de cordas (1915–1957)
  • 3 trios para piano, violino e violoncelo
  • Sexteto Místico (1917)
  • Quarteto Simbólico (1921)
  • Trio para oboé, clarinete e fagote (1921)
  • Noneto (1923)
  • Quarteto de sopros (1928)
  • Quinteto em Forma de Choros (1928)
  • Bachianas n.º 01 para conjunto de violoncelos (1930)
  • Bachianas n.º 06 para flauta e fagote (1938)
  • Trio de cordas (1945)
  • Duo para violiono e viola (1946)
  • Assobio a Jato (1950)
  • Fantasia Concertante (1953)
  • Duo para oboé e fagote (1957)
  • Quinteto instrumental (1957)
Violão
  • Choros n.º 01 (1924)
  • 12 Estudos (1924–1929)
  • 5 Prelúdios (1940)
  • Suite Popular Brasileira (5 peças) (1908-1912 e 1923)
Música vocal
  • Canções típicas brasileiras (1919)
  • Guia Prático (1938)
  • Serestas (1925)
  • Bachianas n.º 05 (1938–1945) para soprano e 8 violoncellos
  • Floresta do Amazonas (1958)
  • Modinhas e canções (1933–1942)
  • Poema de Itabira (1942)
Música Coral
  • Vida Pura, oratório (1919)
  • Descobrimento do Brasil, 4 suítes (1937)
  • Missa de São Sebastião (1937)
  • Bendita Sabedoria (1958)
  • Magnificat (1958)
Música Dramática
  • Izaht, ópera (1912/1918)
  • Magdalena, opereta (1947)
  • Yerma, ópera (1956)
  • A Menina das Nuvens, ópera bufa (1958)

 

 

Estilo


É possível encontrar na obra de Villa-Lobos preferências por alguns recursos estilísticos: combinações inusitadas de instrumentos, arcadas bem puxadas nas cordas, uso de percussão popular e imitação do cantos de pássaros. O maestro não defendeu nem se enquadrou em nenhum movimento, e continuou por muito tempo desconhecido do público no Brasil e atacado pelos críticos, dentre os quais Oscar Guanabarino. Também se encontra em sua obra uma forte presença de referências a temas do folclore brasileiro.


Reconhecimento


Não obstante as severas críticas, Villa-Lobos alcançou grande reconhecimento em nível nacional e internacional. Entre os títulos mais importantes que recebeu, está o de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova Iorque e o de fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Música. O maestro foi retratado nos filmes Bachianas Brasileiras: Meu Nome É Villa-Lobos (1979), O Mandarim (1995) e Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000), além de aparecer pessoalmente no filme da Disney, Alô, Amigos (1940), ao lado do próprio Walt Disney. Em 1986, Heitor Villa-Lobos teve sua efígie impressa nas notas de quinhentos cruzados, além de ser homenageado até os dias atuais em diversas cidades brasileiras, dando nome a ruas, praças e parques, como no caso do Parque Villa-Lobos em São Paulo.


Citações

Músicos dos Chôros

  • "Havia no Rio de Janeiro, no fim do século passado ( minha nota: o autor se refere ao século XIX), um gênero musical muito curioso: o chôro. A juventude boêmia costumava formar na época, pequenos grupos instrumentais que alegravam os bailes de família e animavam festa de São Silvestre, de Santo Antônio, de São João, de São Pedro e Santa Ana. Os chorões (músicos dos chôros) participavam também de aniversários, batismos, casamentos e, durante o Carnaval, percorriam os quarteirões residenciais e o centro da cidade, suscitando aplausos frenéticos da multidão que os acompanhava como uma procissão e que pedia "bis" a cada trecho. Villa Lobos era chorão ".
Fonte: Vasco Mariz: Hector Villa Lobos, páginas-25-26, Éditions Seghers, 1967, Paris).

Estadia em Paris

  • "Foram os seus amigos Arthur Rubinstein e Vera Jonacopulos que mais encorajaram Villa Lobos a ir a Europa (…) Mesmo inimigos ferrenhos como o crítico Guanabarino sustentaram o projeto. O próprio décano dos compositores brasileiros, Francisco Braga, escreveu: O apoio que damos a Villa Lobos não é um favor pessoal. Mas pensamos que o artista é a melhor das pessoas para aproximar os povos".
Fonte: Vasco Mariz: Hector Villa Lobos, página 55, Éditions Seghers, 1967, Paris.
  • "A música deve a este genial compositor não somente o que deixou de sua obra, mas ainda sua corajosa atitude consistindo em se opor às correntes subversivas da chamada música moderna. Villa Lobos seguiu os preceitos da música verdadeira, a enriquecendo e marcando com a sua forte personalidade.(…)Ele restará uma das grandes personalidades do seu tempo e uma das maiores glorias do país em que nasceu". (Pablo Casals).
Fonte: idem, página 158.

Sobre a obra de Villa Lobos

  • "O Senhor Villa Lobos tem um enorme talento musical. De uma surpreendente fecundidade, tem uma bagagem artística considerável, compreendendo obras de valor, entre as quai algumas bastante originais. Não é mais uma promessa, mas uma confirmação. Penso que um dia a pátria ficará orgulhosa de um tal filho". (Francisco Braga, Rio de Janeiro, 5 de Dezembro de 1920).
Fonte: idem, página 56, Éditions Seghers, 1967, Paris.
  • "Villa Lobos visitou Boston várias vezes (…) tendo dirigido a Boston Symphony Orchestra. Era um excelente maestro, possuindo a autoridade e a sensibilidade necessárias ao grande músico que era realmente. O maior momento de minhas relações com ele foi em 1955 e 1956 (…) por ocasião da comemoração do 75° aniversário da orquestra. (…) Seu retorno a Boston para dirigir a 11 Sinfonia foi um momento importante de nossa história e um grande momento de nossas relações pessoais”.(Charles Munch).
Fonte: idem, página 157.

Citações de Villa Lobos

  • "Sim sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que transporto instintivamente para tudo que escrevo".
-Fonte: 19º Volume dos CDs da Coleção FOLHA de Música Clássica.
  • "Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil".
- citado em "Presença de Villa-Lobos" - Página 65, de Museu Villa-Lobos - Publicado por Museu Villa-Lobos, 1965.

Outras citações

  • "Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade sem esperar resposta".
- Frase inscrita na lápide de Villa-Lobos, no cemitério de São joão Batista, no Rio de Janeiro.
Referências