| Joana d'Arc. Gravura de 1505. |
Joana
d'Arc.
(em francês: Jeanne
d'Arc;
em italiano: Giovanna
D'Arco).
Nasceu por volta de 1412
e faleceu a 30 de Maio de 1431, cognominada “A
Donzela de Orleans”
(em francês: La
Pucelle d'Orléans),
é uma heroína francesa e santa da Igreja Católica. É a santa
padroeira da França e foi uma chefe militar da Guerra
dos Cem Anos,
durante a qual tomou partido pelos Armagnacs
(nota 1), na longa luta contra os Borguinhões
(nota 2) e seus aliados ingleses. Foi executada pelos borguinhões em
1431. Camponesa, modesta e analfabeta, foi uma mártir francesa e
também heroína de seu povo, canonizada em 1920, quase cinco séculos
depois de ter sido queimada viva em um auto de fé. Segundo a
escritora Irène
Kuhn,
Joana d'Arc foi esquecida pela história até o século XIX,
conhecido como o século do nacionalismo, o que pode confirmar as
teorias do filósofo e antropólogo social Ernest
Gellner
(1925-1995). Irène Kuhn escreveu que foi
apenas no século XIX que a França redescobriu esta personagem
trágica.
François
Villon,
nascido em 1431, no ano de sua morte, evoca sua lembrança na Ballade
des Dames du Temps Jadis
ou seja, “Balada
das Damas do Tempo Passado”:
-
Et Jeanne, la bonne Lorraine
Qu'Anglais brûlèrent à Rouen;
Où sont-ils, où, Vierge souvraine?
Mais où sont les neiges d'antan?- E Joana, a boa Lorena
- Que os ingleses queimaram em Ruão;
- Onde eles estão, onde, Virgem soberana?
- Mas onde estão as neves de antanho?
WilliamShakespeare
retratou-a como uma bruxa; Voltaire
(François
Marie Arouet)
escreveu um poema satírico, ou pseudo-ensaio histórico, em que a
ridicularizava, intitulado La
Pucelle d'Orléans
ou "A
Donzela de Orleans".
Depois da Revolução
Francesa,
o partido monárquico reavivou a lembrança da boa lorena, que jamais
desistiu do seu rei. Joana foi recuperada pelos profetas da "França
eterna", em primeiro lugar pelo grande historiador romântico
Jules
Michelet.
Com o romantismo,
o alemão Friedrich
Schiller
fez dela a heroína da sua peça de teatro “Die
Jungfrau von Orleans”,
publicada em 1801. Em 1870, quando a França foi derrotada pela
Alemanha, evento que leva à ocupação da Alsácia e da Lorena pelas
tropas alemãs, "Jeanne, a pequena pastora de Domrémy, um pouco
ingênua", tornou-se a heroína do sentimento patriótico
francês. Republicanos e nacionalistas exaltaram aquela que deu a sua
vida pela pátria. Durante a primeira fase da Terceira
República,
no entanto, o culto a Joana d'Arc esteve associado à direita
monarquista, da qual era um dos símbolos, como o rei Henrique
IV,
sendo todavia mal vista pelos republicanos. A Igreja Católica
francesa propôs ao Papa
Pio X
a sua beatificação, que se realizou em 1909, num período dominado
pela exaltação do nacionalismo e pelo repúdio ao não nacional,
principalmente ao que provinha de Inglaterra ou da Alemanha. O gesto
do Papa teve como propósito político fazer a Igreja de França,
entrar em sintonia política com os dirigentes anticlericais da III
República, e só com a Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918, Joana
deixa de ser uma heroína exclusiva da direita. Segundo Irène
Kuhn,
a partir desse período os "postais patrióticos" mostram
Jeanne à cabeça dos exércitos e monumentos seus aparecem como
cogumelos por toda a França. O Parlamento francês estabelece uma
festa nacional em sua honra no 2º domingo de Maio. Em 9 de Maio de
1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana d'Arc foi
definitivamente reabilitada, sendo canonizada pelo Papa
Bento XV,
como Santa
Joana d'Arc.
A canonização traduzia o desejo da Santa Sé de estabelecer laços
com a França republicana, laica e nacionalista. Em 1922 foi
declarada padroeira de França.
Primeiros anos
Joana
nasceu em Domrémy, na região de Lorena na França. Posteriormente a
cidade foi renomeada como Domrémy-la-Pucelle em sua homenagem
(pucelle;
donzela
em português). A data de seu nascimento é imprecisa, de acordo com
seu interrogatório em 24 de Fevereiro de 1431, Joana teria dito que
na época tinha 19 anos portanto teria provavelmente nascido em 1412.
(Não se sabe a idade correta de Joana pois naquela época não se
importavam com a idade exata, por isso o termo certo a usar seria
"mais ou menos". Joana declarou uma vez que, quando
perguntada sobre sua idade, "tenho 19 anos, mais ou menos").
Filha de Jacques
d'Arc
e Isabelle
Romée,
tinha mais quatro irmãos: Jacques,
Catherine,
Jean
e Pierre,
sendo ela a mais nova dos irmãos. Seus pais eram agricultores e de
vez em quando artesãos. Joana também era muito religiosa, ia muito
à igreja e frequentemente fugia do campo para ir orar na igreja de
sua cidade. Em seu julgamento, Joana afirmou que desde os treze anos
ouvia vozes divinas. Segundo ela, a primeira vez que escutou a voz,
ela vinha da direção da igreja e acompanhada de claridade e uma
sensação de medo. Dizia que às vezes não a entendia muito bem e
que as ouvia duas ou três vezes por semana. Entre as mensagens que
ela entendeu estavam conselhos para frequentar a igreja, que deveria
ir a Paris e que deveria levantar o domínio que havia na cidade de
Orleans. Posteriormente ela identificaria as vozes como sendo do
arcanjo São
Miguel,
Santa
Catarina de Alexandria
e Santa
Margarida de Antioquia.
A Guerra dos Cem Anos
| Batalha de Crécy. |
Encontro com Carlos
| Joana reconhece o rei Carlos VII em Chinon. |
Joana d'Arc: a guerreira
| Pintura romântica de Joana d'Arc na Batalha de Orleans. |
Coroação de Carlos
Cerca
de um mês após sua vitória sobre os ingleses em Orleans, ela
conduziu o rei Carlos VII à cidade de Reims, onde Carlos VII é
coroado em 17 de Julho. A vitória de Joana d'Arc e a coroação do
rei acabaram por reacender as esperanças dos franceses de se
libertarem do domínio inglês e representaram a virada da guerra. O
caminho até Reims era considerado difícil, já que várias cidades
estavam sob o domínio dos borguinhões. Porém, a fama de Joana
tinha se estendido por boa parte do território e fez com que o
exército armagnac do delfim fosse temido. Assim, Joana passou sem
problemas por sucessivas cidades como Gien, Saint Fargeau, Mézilles,
Auxerre, Saint Florentin e Saint Paul. Desde Gien, foram enviados
convites a diversas autoridades para assistir à consagração do
delfim. Em Auxerre chegou-se a pensar em resistência por parte de
uma pequena tropa inimiga que se encontrava na cidade. Após três
dias de negociação foi possível por lá passar sem qualquer
problema. O mesmo aconteceu em Troyes, onde as negociações duraram
cinco dias. A chegada a Reims foi em 16 de Julho. Sabe-se que o dia
da consagração definitiva do rei francês em Reims foi em 17 de
Julho e não foi a cerimônia mais esplêndida do momento, já que as
circunstâncias da guerra impediam que o fosse. Joana assistiu à
consagração de uma posição privilegiada, acompanhada de seu
estandarte.
Paris
Teoricamente
Joana já não tinha nada mais que fazer no exército já que havia
cumprido sua promessa perfeitamente, havia cumprido corretamente as
ordens que as vozes lhe haviam dado. Mas ela, como muitos outros, viu
que enquanto a cidade de Paris estivesse tomada pelas tropas
inglesas, dificilmente o novo rei poderia ter claramente o controle
do reino de França. No mesmo dia da coroação, chegaram emissários
do Duque de Borgonha e se iniciaram as negociações para se chegar a
paz, ou a uma trégua, que foi finalmente o que se pactuou. Não foi
a paz que Joana desejava, mas pelo menos ela houve durante quinze
dias. Entretanto a trégua não foi gratuita, já que houve
interesses políticos por trás desta. Carlos VII necessitava tomar
Paris para exercer sua autoridade de rei mas não queria criar uma
imagem ruim com uma conquista violenta de terras que passariam a ser
seu domínio. Foi isto que o que motivou a firmar a trégua com o
Duque de Borgonha. Foi uma necessidade de ganhar tempo. Durante a
trégua, Carlos VII levou seu exército até Île-de-France (região
francesa que abriga Paris). Houve alguns enfrentamentos entre os
armagnacs e a aliança inglesa com os borguinhões. Os ingleses
abandonaram Paris dirigindo-se a Ruão (ou Rouen
em francês). Restava então derrotar os borguinhões que ainda
ficaram em Paris e na região. Joana foi ferida por uma flecha
durante uma tentativa de entrar em Paris. Isto acelerou a decisão do
rei em bater em retirada no dia 10 de Setembro. Com a parada o rei
francês não expressava a intenção de abandonar definitivamente a
luta, mas optava por pensar e defender a opção de conquistar a
vitória mediante a paz, tratados e outras oportunidades no futuro.
A morte de Joana d'Arc
A captura
| Joana d'Arc sendo queimada viva. |
Duas mulheres, duas personalidades em guerra
A
infanta D. Isabel, filha de D. João I e
duquesa de Borgonha (e em cuja honra foi criada por Filipe, o
Bom a Ordem do Tosão de Ouro, em Janeiro de 1430, por
ocasião da chegada de Isabel ao ducado), poderá ter sido a
impulsionadora da perseguição a Joana d'Arc. Não só como Infanta
de Portugal, aliada da Inglaterra e de Borgonha, mas porque Joana
d'Arc a submetera a cerco quando chegara a Borgonha para se casar com
Filipe, o Bom. Implacável (como se vê pela sua atitude perante o
seu irmão D. Henrique, o "traidor" da
Alfarrobeira), não desistiu enquanto Joana d'Arc não pagou pela
insolência com a própria vida.
O processo em Ruão
Joana
foi presa em uma cela escura e vigiada por cinco homens. Em contraste
ao bom tratamento que recebera em sua primeira prisão, Joana agora
vivia seus piores tempos. O processo contra Joana teve início no dia
9 de Janeiro de 1431, sendo chefiado pelo bispo de Beauvais, Pierre
Cauchon.
Foi um processo que passaria à posteridade e que converteria Joana
em heroína nacional, pelo modo como se desenvolveu e trouxe o final
da jovem, e da lenda que ainda nos dias de hoje mescla realidade com
fantasia. Dez sessões foram feitas sem a presença da acusada,
apenas com a apresentação de provas, que resultaram na acusação
de heresia e assassinato.
No dia 21 de Fevereiro Joana foi ouvida pela primeira vez. A
princípio ela se negou a fazer o juramento da verdade, mas logo o
fez. Joana foi interrogada sobre as vozes que ouvia, sobre a igreja
militante, sobre seus trajes masculinos. No dia 27 e 28 de Março,
Thomas
de Courcelles
fez a leitura dos 70 artigos da acusação de Joana, e que depois
foram resumidos a 12, mais precisamente no dia 5 de Abril. Estes
artigos sustentavam a acusação formal para a Donzela buscando sua
condenação. No mesmo dia 5, Joana começou a perder saúde por
causa de ingestão de alimentos venenosos que a fez vomitar. Isto
alertou Cauchon e os ingleses, que lhe trouxeram um médico. Queriam
mantê-la viva, principalmente os ingleses, porque planejavam
executá-la. Durante a visita do médico, Jean
d’Estivet
acusou Joana de ter ingerido os alimentos envenenados conscientemente
para cometer suicídio. No dia 18 de Abril, quando finalmente ela se
viu em perigo de morte, pediu para se confessar. Os ingleses
impacientaram-se com a demora do julgamento. O Conde de Warwick disse
a Cauchon que o processo estava demorando muito. Até o primeiro
proprietário de Joana, Jean
de Luxemburgo,
apresentou-se a Joana fazendo-lhe a proposta de pagar por sua
liberdade se ela prometesse não atacar mais os ingleses. A partir do
dia 23 de Maio, as coisas se aceleraram, e no dia 29 de Maio ela foi
condenada por heresia.
A morte
Joana
foi queimada viva em 30 de Maio de 1431, com apenas dezenove anos. A
cerimônia de execução aconteceu na Praça
do Velho Mercado
(Place
du Vieux Marché),
às 9 horas, em Ruão. Antes da execução ela se confessou com Jean
Totmouille
e Martin
Ladvenu,
que lhe administraram os sacramentos da Comunhão. Entrou, vestida de
branco, na praça cheia de gente, e foi colocada na plataforma
montada para sua execução. Após lerem o seu veredito, Joana foi
queimada viva. Suas
cinzas foram jogadas no rio Sena,
para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim
da heroína francesa.
Após a morte de Joana d'Arc
A
revisão do seu processo começou a partir de 1456, quando foi
considerada inocente pelo Papa
Calisto III,
e o processo que a condenou foi considerado inválido, e em 1909 a
Igreja Católica autoriza sua beatificação. Em 1920, Joana d'Arc é
canonizada pelo Papa
Bento XV.
Temos uma outra versão que informa que vinte anos após a sua
condenação à fogueira, os pais de Joana d'Arc pediram que o Papa
da época, Calisto III, autorizasse uma comissão que, numa pesquisa
serena e profunda, reconheceu a nulidade do processo por vício de
forma e de conteúdo. Joana d'Arc desta maneira teve sua honra
reabilitada, e o nome feiticeira, e bruxa foi apagado para que ela
fosse reconhecida por suas virtudes heróicas, provenientes de uma
missão divina. Joana também enquanto morria era chamada de bruxa,
mentirosa, blasfema. Ela foi proclamada Mártir pela Pátria e da Fé.
Vestuário
Joana
d'Arc usava roupas masculinas desde o momento da sua partida de
Vaucouleurs até sua abjuração em Rouen. Isto motivou debates
teológicos em sua própria época e levantou outras questões também
no século XX. A razão técnica para a sua execução foi uma lei
sobre roupas bíblicas. O segundo julgamento reverteu a condenação
em parte porque o processo de condenação não tinha considerado as
exceções doutrinárias referentes a esse texto. Em termos de
doutrina, ela era prudente ao se disfarçar como um escudeiro durante
uma viagem através de território inimigo, e era cautelosa ao usar
armadura durante a batalha. O Chronique
de la Pucelle
afirma que isso dissuadiu abuso sexual, enquanto ela estava acampada
nas batalhas. O clérigo que testemunhou em seu segundo julgamento
afirmou que ela continuava a vestir roupas do sexo masculino na
prisão para deter molestamentos e estupro. A preservação da
castidade foi outro motivo justificável para travestir-se: suas
roupas teriam atrasado um assaltante, e os homens estariam menos
propensos a pensar nela como um objeto sexual em qualquer caso.
(nota 3).
Representação nas artes e na literatura
Cinema
- Jeanne d'Arc. França, 1899. Direção: Georges Méliès. Elenco: Jeanne d'Alcy. 10 min.
- Joan the Woman. EUA, 1917. Direção: Cecil B. de Mille. Elenco: Geraldine Farrar, Raymond Hatton. 138 min.
- La Merveilleuse Vie de Jeanne d'Arc. França/Alemanha, 1929. Direção: Marco de Gastyne. Elenco: Simone Genevois, Fernand Mailly. 125 min.
- La Passion de Jeanne d'Arc (br: O Martírio de Joana d'Arc; pt: A Paixão de Joana d'Arc). França, 1928. Direção: Carl Theodor Dreyer. Elenco: Maria Falconetti, Eugene Silvain. 110 min.
- Joan of Arc (br: Joana d'Arc). EUA, 1948. Direção: Victor Fleming. Elenco: Ingrid Bergman, Francis L. Sullivan, J. Carrol Naish. 145 min.
- Giovanna d'Arco al rogo. Itália/ França, 1954. Direção: Roberto Rossellini. Elenco: Ingrid Bergman, Tulio Carminati. 80 min.
- Saint Joan (br: Santa Joana, Joana d'Arc; pt: Santa Joana). EUA/ Reino Unido, 1957. Direção: Otto Preminger. Elenco: Jean Seberg, Richard Widmark, John Gielgud. 110 min.
- Procès de Jeanne d'Arc (br: O Processo de Joana d'Arc). França, 1962. Direção: Robert Bresson. Elenco: Florence Delay, Jean-Claude Fourneau. 65 min.
- The Messenger: The Story of Joan of Arc ou Jeanne d'Arc (br: Joana d'Arc de Luc Besson). França, 1999. Direção: Luc Besson. Elenco: Milla Jovovich, John Malkovich, Faye Dunaway, Dustin Hoffman. 124 min.
Literatura
- A Vida de Joana d'Arc, livro de Érico Veríssimo;
- Joana d'Arc, - A Mulher Forte. Regine Pernoud. Paulinas. ISBN 85-7311-342-1
- Joana d'Arc, livro de Mark Twain;
- Santa Joana, peça de Bernard Shaw;
- Joana d'Arc, uma biografia de Donald Spot;
- Drifters, mangá de Kouta Hirano, no qual Joana d'Arc é uma antagonista;
- Joana d'Arc e suas Batalhas de Phil Robins;
- Joana d'Arc de Léon Denis.
Televisão
- Joan of Arc (1999), filme para TV com Leelee Sobieski.
- "Axis Powers Hetalia", onde Joana d'Arc é retratada ao lado da personificação da França.
- No anime Inazuma Eleven Go Chrono Stone, Joana d'Arc fazia parte dos onze lendários, onde a equipe do colégio Raimon viaja no tempo para que pudesse fundir com a aura de Joana d'Arc com a do jogador Kirino Ranmaru, para derrotar a Protocolo Omega 3.0.
- Na série de desenhos animados Os Simpsons Tales of Public Domain da temporada 13, Homer conta a história de Joana mas, Marge interrompe a história quando Joana iria ser queimada.
Música
- A música "Maid of Lorraine", da banda Leaves' Eyes, conta a história de Joana d'Arc.
- A música "Joan of Arc", da banda Arcade Fire.
- A música "Maid of Orleans", da banda Dark Moor.
- A música "Joan of Arc", faixa oito do 13º álbum de Madonna, Rebel Heart.
- A música "Eu Não Matei Joana d'Arc" da banda de rock brasileira Camisa de Vênus.
Notas
1-
A facção dos Armagnacs,
no século XV, constituía um dos dois partidos oponentes que
travaram uma guerra civil, na França - paralelamente à Guerra
dos Cem Anos.
Os adversários dos Armagnacs eram os Bourguignons
ou Borguinhões.
Na origem,
o conflito envolvia, de um lado, o Duque da Borgonha, João
sem Medo e, do
outro Luís, duque
d'Orleães. Desde
1393, quando Charles
VI enlouquecera,
a França era governada por um conselho de regência presidido pela
rainha Isabel
(Isabel da Baviera).
A guerra civil entre
Armagnacs e Borguinhões
teve início a 23 de Novembro de 1407, quando o Duque d'Orleães foi
assassinado, por ordem de João sem Medo. O conflito debilitou
enormemente a França, já em luta contra a Inglaterra, na Guerra dos
Cem Anos. A guerra entre Armagnacs e Bourguignons só terminará
quase trinta anos depois, com a assinatura do Tratado
de Arras (1435).
João sem Medo também será assassinado, em 1419, pelos Armagnacs.
2-
A facção dos Borguinhões
era o partido de João, Duque da Borgonha, dito João
sem Medo (Jean
sans Peur), oposto à
facção dos Armagnacs,
partidários de Luís,
Duque d'Orleães.
3-
De acordo com o perito em roupas medievais Adrien
Harmand,
ela usou duas camadas de calças ligadas à parelha com vinte
grampos. As calças exteriores eram feitas de couro semelhante ao de
botas.