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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Biografia de Apuleio

Apuleio
Lúcio Apuleio (em latim: Lucius Apuleius; Madaura, na atual Argélia, c. 125 - Cartago, c. 170) foi um escritor e filósofo médio platônico romano. Apuleio nasceu em Madaura, pequena mas importante colônia romana. Sua família, proveniente da Itália, era abastada e influente: o pai fora cônsul, a mais alta magistratura municipal da Roma antiga, e deixara aos dois filhos uma consistente herança de quase dois milhões de sestércios (o sestércio (sestertius, em latim) era uma antiga moeda romana. O nome provém das palavras latinas semis ("meio") e tres ("três"), isto é, "meio terceiro", porque valia dois asses e meio). Após os primeiros estudos de gramática e retórica transferiu-se para Cartago, onde aprofundou seus conhecimentos de poesia, geometria, música e sobretudo de filosofia, cujos estudos concluiu posteriormente em Atenas. Interessava-se também pelos ritos esotéricos: em Cartago, pelos mistérios de Esculápio, o correspondente romano de Asclépio, o deus grego da medicina e da cura, e, em Atenas, pelos mistérios eleusinos. Casou-se com uma viúva rica, Emília Pudentila, e foi acusado pelos parentes de sua esposa de haver utilizado magia para obter seu amor. Defendeu-se através de uma célebre “Apologia”, que se conservou até os nossos dias. Sua obra mais famosa é “Metamorphoseon Libri XI” (Onze Livros de Metamorfose), mais conhecida como “O Asno de Ouro”. Apuleio escreveu também: “Floridas” (fragmentos de discursos) e “De Deo Socratis”.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Apuleio

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Biografia de André Gide

André Gide.
André Paul Guillaume Gide nasceu em Paris, a 22 de Novembro de 1869, e faleceu, também em Paris, a 19 de Fevereiro de 1951. André Gide foi um escritor francês. Recebeu o Nobel de Literatura de 1947. Oriundo de uma família da alta burguesia, foi o fundador da Editora Gallimard e da revista Nouvelle Revue Française. Gide não somente era homossexual assumido, como também falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais, tendo escrito e publicado, entre 1910 e 1924, um livro destinado a combater os preconceitos homofóbicos da sociedade de seu tempo, "Corydon". Liberdade e libertação recusando restrições morais e puritanas, a sua obra articula-se ao redor da busca permanente da honestidade intelectual: como ser igual a si mesmo, ao ponto de assumir a sua pederastia e a sua homossexualidade. Entre as suas obras mais importantes estão "Os Frutos da Terra", a já mencionada Corydon, "A Sinfonia Pastoral", "O Imoralista" e "Os Moedeiros Falsos".

Biografia
Infância

André Gide nasceu no dia 22 de Novembro de 1869 em Paris, filho de Paul Gide, um professor de Direito na Universidade de Paris, e de Juliette Rondeaux. O pai, natural de Uzés, descendia de uma austera família protestante. A mãe era filha de burgueses ricos de Rouen, originalmente católicos, mas convertidos ao protestantismo. A infância de Gide foi marcada por uma alternância de residência entre a Normandia (em Rouen) e La Roque, junto da família materna, e Uzés, na casa da sua avó paterna, onde se apaixona fortemente pela paisagem campestre. Gide atribuirá grande importância a estas influências contraditórias, exagerando o seu carácter de antitético. Em Paris, os Gide residiram sucessivamente na rue de Médicis e, posteriormente, na rue de Tournon (a partir de 1875), junto ao Jardim do Luxemburgo. Não muito longe, instalou-se Anna Shackleton, uma devota escocesa, que seria governanta e professora de Juliette, que acabaria por lhe dedicar uma amizade indefectível. Anna, pela sua delicadeza, jovialidade e inteligência, tem um papel importante na infância do jovem Gide. Evocada em Porte Étroite e em Si le grain ne meurt, a sua morte em 1884 marcará André profunda e dolorosamente. O jovem André inicia a sua aprendizagem do piano, que será a companhia de toda a sua vida. Pianista nato, Gide lamentará nunca ter tido professores que o tivessem transformado num verdadeiro músico. Em 1877, é admitido na École alsacienne, um internato, iniciando uma escolaridade irregular e descontínua. Com efeito, é rapidamente suspenso por três meses por se ter deixado levar pelos seus "maus hábitos" durante o período escolar. Pouco depois do seu regresso à escola - "curado" pelas ameaças de castração de um médico e pela tristeza dos seus pais - a "doença" reincide: a masturbação, a que ele chama "vice" e que pratica sem deixar de se sentir pecador e tristemente defeituoso, rapidamente retomará o seu lugar entre os seus hábitos levando-o a escrever, aos 23 anos, que viveu até essa idade "completamente virgem e depravado". A morte do seu pai, em 28 de Outubro de 1880, afasta-o um pouco mais da escolaridade normal. Já marcado pela morte de uma jovem prima, Émile Widmer, que lhe provoca profunda crise de angústia, André perde, com a morte do seu pai, um relacionamento feliz e terno que o deixa só face à sua mãe "E senti-me de repente todo envolvido por esse amor, que infelizmente se encerrou em mim". Juliette Gide, muitas vezes descrita como uma mãe rigorosa e castradora, não deixa de amar profundamente o seu filho, amor que este retribui. Acompanha-lo-á constantemente no seu caminho de desenvolvimento intelectual - pronta a prestar-se ao contraditório - e revelará uma agilidade espiritual bem superior á que seria de esperar de uma jovem Rondeaux. Durante o ano de 1881, Juliette Gide leva-o para a Normandia onde o entrega aos cuidados de um professor pouco inspirado. André conhece um segundo período de grande depressão (Schaudern): "Não sou igual aos outros! Não sou igual aos outros!". Vai depois para Montpellier, para junto do seu tio Charles Gide. Perseguido pelos seus colegas, Gide escapa do liceu graças a uma doença nervosa mais ou menos simulada. Depois de uma sequência de curas, é reintegrado na École alsacienne em 1882, onde é assolado por violentas enxaquecas, seguindo-se uma alternância entre Paris e Rouen e entre um conjunto de professores particulares de eficácia variável.

As vocações

Durante uma das suas estadas em Rouen, no Outono de 1882, descobre a mágoa secreta da sua prima Madeleine em relação às relações adúlteras da sua mãe. Afundado em emoção, Gide descobre "um novo oriente para a (sua) vida". Nasce então uma relação longa e tortuosa. Gide deixa-se fascinar por esta rapariga, pela sua consciência do mal, pelo seu feito rígido e conformista; um conjunto de diferenças que o fascina. Constrói da sua prima, pouco a pouco, uma imagem de perfeição pela qual se apaixona, de forma puramente intelectual, mas não menos ardente. A partir de 1883, tem aulas particulares com Madame Bauer, com quem descobre, entre outros, o Journal d'Amiel, que o incentiva a escrever o seu próprio diário íntimo. O seu primo, Albert Démarest, pela sua atenção bondosa e aberta, tem também um papel importante junto de Gide, conseguindo que a a sua mãe reticente lhe conceda acesso à biblioteca paternal. Entre 1885 e 1888, o jovem André vive um período de exaltação religiosa - qualificada de "estado seráfico" - que ele partilha com a sua prima graças a uma correspondência alimentada por leituras comuns. Consulta abundantemente a Bíblia, os autores gregos e pratica o ascetismo. Em 1885, trava conhecimento em La Roque com François Witt-Guizot, que associa durante algum tempo ao seu misticismo. No ano seguinte, é o pastor Élie Allégret, seu professor de Verão, que se torna seu amigo. Em 1887, regressa à École alsacienne para aprender retórica e conhece Pierre Louys, com quem se envolve numa amizade apaixonada, que gravita em redor da literatura e do seu desejo comum de escrever. No ano seguinte, enquanto prepara o exame de filosofia no liceu Henri-IV, Gide descobre Schopenhauer. Passa a frequentar os salões literários de Paris, onde conhece numerosos escritores. O seu primeiro trabalho, Les Cahiers d'André Walter, com o qual espera obter o primeiro sucesso literário e a mão da sua prima, obtêm críticas favoráveis e atrai a atenção do público. Os Cahiers proporcionam-lhe conhecer Maurice Barrès (de o Culte du moi, não o de Déracinés, a quem se oporá) e Mallarmé, que catalisará a transformação do misticismo religioso de Gide em misticismo ético. O despontar de uma amizade duradoura com Paul Valéry é acompanhada da deterioração das relações com Pierre Louys, que o acusa, tal como a sua prima, de egocentrismo. Madeleine, entretanto, recusa o casamento e afasta-se inquietamente dele. Inicia-se então uma longa luta para vencer a sua resistência e convencer a família, que também se opõe à união. No seu conjunto, Gide classifica este período de frequência assídua e vã dos salões como uma "selva obscura" que o deprime.

A "tentação de viver"

Em 1891, pouco depois de ter escrito o Traité du Narcisse, conhece Oscar Wilde, personalidade que tanto o assusta como o fascina. Para Gide, que começa a afastar-se de André Walter, do seu ideal ascético, da rejeição da vida, Wilde é o exemplo vivo de uma alternativa. Na Primavera de 1892, uma viagem pela Alemanha, sem a sua mãe, é a ocasião para aprofundar o seu conhecimento sobre Goethe. Gide começa então a pensar que "é um dever ser feliz". Nas Élégies romaines, Gide descobre a legitimidade do prazer - em oposição ao puritanismo que sempre havia conhecido - que resulta para ele numa "tentação de viver". É então que começam as tensões com a sua mãe, que continua decidida em defender as pretensões do filho em relação a Madeleine, contra o resto da família Rondeaux e da própria, determinados em não permitir o casamento entre os primos. Durante o Verão de 1892, escreve a Voyage d'Urien. Após a publicação, o livro é ignorado pela crítica e os encorajamentos dos amigos próximos são pouco convincentes. No Outono, depois de uma breve passagem pelas casernas e cinco juntas, Gide é considerado inapto para o serviço militar. O ano seguinte é marcado pelo nascimento de uma nova amizade, inicialmente apenas epistolar, com Francis James, que o apresentou a Eugène Rouart. É, contudo, uma outra amizade, com Paul Laurens, que terá um papel decisivo na sua vida. O jovem pintor, aproveitando uma bolsa de estudo, irá fazer uma viagem de um ano e convida Gide a acompanhá-lo. O périplo, descrito em Si le grain ne meurt, será para Gide a ocasião para a libertação moral e sexual que ele sempre ansiara. Partem em Outubro de 1893 para uma viagem de nove meses, passando pela Tunísia, Argélia e Itália. Gide adoece logo à partida, e vai piorando à medida que vão na direção do sul da Tunísia. É neste contexto, em Sousse, que descobre o prazer com um jovem rapaz, Ali. Paul e André instalam-se depois em Biskra, na Argélia, onde a sua iniciação continua nos braços da jovem Mériem. A intrusão súbita de Juliette Gide, inquieta pela saúde so seu filho, vem romper a sua intimidade, até que a viagem prossiga sem ela, em Abril de 1894. Depois de uma passagem rápida por Siracusa, descobrem Roma que Gide, ainda adoentado, aprecia pouco, e Florença. Enquanto Paul Laurens regressa a França, Gide ruma à Suíça para consultar o Doutor Andreae, que lhe diagnostica uma doença essencialmente nervosa e lhe dá esperança na cura. Depois de uma passagem por La Roque, Gide regressa à Suíça e instala-se em La Brévine, que servirá de cenário a La Symphonie pastorale. Aí escreve Paludes e planeia Les nourritures terrestres.

O casamento

O ano de 1895 inicia-se para André Gide com uma segunda viagem à Argélia, onde encontra de novo Wilde acompanhado de Lord Alfred Douglas ("Bosie") e onde acontece uma outra noite decisiva na companhia de um jovem músico. A correspondência com a sua mãe regista uma oposição entre ambos cada vez mais veemente. No entanto, no seu regresso a França, a situação está tranquila. Madeleine, que revê nessa altura, reaproxima-se finalmente dele e a morte da sua mãe, Juliette, em 31 de Maio de 1895 - que marca simultaneamente um momento de grande dor mas também de libertação - precipita os acontecimentos. O noivado é anunciado em Junho e o casamento, que nunca será consumado, é marcado para Outubro. Durante a viagem de núpcias de sete meses, André, apesar de bem de saúde, sente-se incessantemente travado pela uma esposa doentia. Na Suíça, trabalha em Nourritures terrestres, que havia começado em Biskra. Escreve também um posfácio para Paludes, declarando encerrado, de forma satírica, o período simbolista e considerando as Nourritures a nova via. Gide manterá futuramente o hábito de imaginar as suas obras como balizas no seu caminho, escritas em reação umas às outras e impossíveis de compreender completamente senão através de uma leitura conjunta. A viagem dos recém-casados prossegue em Itália e, novamente, na Argélia onde, em Biskra, os Gide recebem a visita de Francis James e de Rouart. De regresso a França, na Primavera de 1896, Gide descobre que foi eleito presidente da municipalidade de La Roque. Exerce o seu mandato recusando-se a filiar-se politicamente, tal como recusará sempre pertencer a uma determinada escola literária. No Verão, escreve El Hadj (publicado na revista Centaure) e termina Les Nourritures. Publicado em 1897, este livro recebe um acolhimento elogioso, embora tanto no que respeita aos temas de fundo (Francis James e outros censuram o seu individualismo e a sua alegria indecente) quanto à forma, a crítica tenha tido dificuldade de compreender a estrutura da obra, com a notável excepção de Henri Ghéon. Os dois homens acabam por criar uma amizade profunda que durará até à conversão ao catolicismo de Ghéon, em 1916.

Teatro e crônicas

Durante o Inverno de 1898, Gide começa a interessar-se pelo caso Dreyfus. Subscreve a petição de apoio a Zola, mas recusa romper o diálogo com os que, de entre os que o rodeiam, tomam o partido contrário. Sem transigir, esforça-se por compreender, senão mesmo convencer, os seus adversários. Uma estadia de dez semanas em Roma - de que ele finalmente começa a gostar - é marcado pela descoberta de Nietzsche, onde revê os seus pensamentos mais secretos: "O grande reconhecimento que lhe devoto é o de ter aberto uma estrada real onde eu não ousei, talvez, traçar mais que uma vereda". Trabalha na peça de teatro Saül. Contraponto de Nourritures, esta obra deve revelar o perigo de uma disposição exagerada à abertura, o risco da dissolução da personalidade. Uma vez terminada a peça, Gide tenta obstinadamente, mas em vão, levá-la à cena, o que explica a sua publicação tardia em 1903. O ano de 1898 traduz-se igualmente numa atividade cada vez mais sustentada de crítico e cronista, especialmente na L'Ermitage, revista em que desempenha um papel proeminente, embora não seja o seu diretor. Escreve sobre Nietzsche, faz o elogio fúnebre de Mallarmé e responde aos Déracinés de Barrès. É, no entanto, na revista Revue Blanche que publica Philoctète. Pouco depois, a publicação de Prométhée mal enchaîné, mal compreendido pela crítica, passa despercebido. Na Primavera de 1899, Gide aproxima-se do casal van Rysselberghe. Os Cahiers de la Petite Dame (Maria van Rysselberghe), iniciados em 1918, e que Gide desconhecia, prosseguiram até à sua morte, e constituem um testemunho precioso para os seus biógrafos. No ano seguinte, Gide inicia uma colaboração regular com a La Revue Blanche. Finalmente, em 1901, consegue encenar uma das suas peças de teatro, mas a estreia de Roi Caudaule (escrita em 1899) é um desastre. A peça é demolida pela crítica e Gide passa, a partir daí, a desdenhar o grande público e o teatro.

De L'immoraliste a Porte étroite

Em 1902, L'immoraliste obtêm maior sucesso mas o autor, rapidamente associado pela crítica ao personagem Michel, sente-se incompreendido. Segundo ele, Michel não passa de uma virtualização dele próprio, de que ele se purga escrevendo. Depois de L'Immoraliste, segue-se um período vazio que se prolonga até à publicação de La Porte étroite en 1909. Nesse período, tem dificuldade em escrever, publicando apenas Prétextes (coletânea de críticas, em 1903), 'Amyntas (em 1906, sem nenhum impacto na crítica) e o Retour de l'enfant prodigue (1907). Publica igualmente uma homenagem a Oscar Wilde em 1902: a batalha assim iniciada para preservar a memória do romancista contra as críticas hipócritas de Bosie prosseguirá com Si le grain ne meurt. Durante estes anos novas amizades se criam ou se aprofundam (com Jacques Copeau, Jean Schlumberger, Charles du Bos). Outras diluem-se progressivamente, como com James, após a conversão por Paul Claudel, mesmo se as dissensões entre os dois amigos já precediam a conversão. Gide é também abordado por Claudel, que se apelida a si próprio de "zelota" e de "fanático". A tentativa de Claudel é mal sucedida uma vez que Gide parece preferir apenas viver a experiência da fé através de Claudel, por empatia,ao invés de se converter. É também durante este período, depois de ter vendido La Roque em 1900, que Gide manda construir a sua mansão em Auteuil, que classifica de inabitável, pela qual Madeleine se apaixona imediatamente, e na qual Gide viverá vinte e dois anos (de 1906 a 1928).
O fim do decénio é marcado por um regresso à escrita, com La Porte étroite, e pela criação da NRF (Nouvelle Revue Française). La Porte étroite é o primeiro livro de Gide que lhe traz alguns proveitos financeiros. A crítica não o elogia e Gide sente-se, uma vez mais, incompreendido. Tal como já o haviam associado antes a Michel, associam-no agora a Alissa, embora o seu esforço de empatia para com a sua heroína não constitua uma aprovação. A dimensão irônica e crítica da obra passa generalizadamente despercebida. No que respeita à NRF, se Gide não é oficialmente o diretor, é na prática o chefe, rodeado por Jean Schlumberger e Jacques Copeau. Em 1911, o grupo associa-se à Gaston Gallimard para obter o apoio de uma editora para a revista. Isabelle será um dos primeiros títulos do catálogo.

Corydon

É neste período que Gide começa a escrever Corydon, um ensaio socrático que tem por objetivo combater os preconceitos sobre a homossexualidade e a pederastia. A sua decisão de escrever este ensaio é subsequente ao processo Renard, em que um homem é acusado de morte, menos pelos factos existentes contra si que pelos seus "costumes inenarráveis". Os amigos a quem Gide submete o rascunho do tratado assustam-se com o possível escândalo e advertem-no em relação ao impacto que poderá ter tanto na sua vida pública como privada, de tal forma que Gide apenas manda imprimir os dois primeiros capítulos anonimamente e discretamente, em 1910. Completará a sua obra em 1917-18, mas apenas a publicará no seu nome em 1924. O ano de 1913 é marcado pelo nascimento de uma nova e profunda amizade, unindo Gide a Roger Martin du Gard, após a publicação de Jean Barois pela Gallimard. Amigo fiel e crítico desprovido de indulgência, Roger Martin du Gard manter-se-á no círculo de relações próxima de Gide até à morte deste. No ano seguinte, a publicação de Les Caves du Vatican, concebido como um "livro surpreendente, cheio de falhas, de buracos, mas também de divertimento, de bizarrias e de sucessos parciais", é um insucesso. O livro aborrece em particular Paul Claudel, que aí descobre tons pederastas. Depois de exigir a Gide que se explique, passa a recusar qualquer colaboração com ele. Progressivamente afastado da direção efetiva da NRF, abandonado a Jacques Rivière e Gaston Gallimard, Gide fica sem trabalho nos inícios da Primeira Guerra Mundial. Depois de um primeiro instinto nacionalista, desenvolve uma reflexão sobre a complementaridade possível entre a França e a Alemanha, visão do futuro de uma Europa cultural que defenderá a partir do fim da guerra (encontros com Walter Rathenau). O ano de 1916 assiste a uma nova tentativa de conversão ao catolicismo, após crise provocada pela conversão de Henri Ghéon. Para Gide, o problema é mais moral que religioso: Gide hesita entre um paganismo que lhe permite afirmar-se na alegria e uma religião que lhe proporciona as ferramentas para combater o seu pecado. Esta sua reflexão resulta na escrita de Numquid et tu. No final, a conversão falha, pela rejeição da instituição eclesiástica, pela recusa de substituir uma verdade pessoal por uma verdade institucional e de abandonar a sua liberdade de pensar. O dogmatismo dos católicos que o rodeiam, como Paul Claudel, afasta-o também dessa via. Para seguir o seu caminho, começa a redação de Si le grain ne meurt. O ano seguinte é bem diferente. Em Maio (de 1917), Gide inicia uma relação como o jovem Marc Allégret. O amor e o desejo, que até então haviam seguido vias separadas, vibram desta vez em uníssono no coração e no corpo. Ao mesmo tempo que retoma a escrita de Corydon, Henri Ghéon afasta-se definitivamente. Em 1918, é Madalena que se desliga dele. Enquanto viaja na Inglaterra com Marc, um problema confirma as dúvidas que ela conseguia ainda calar. Queima as cartas do marido e recolhe-se na sua casa de Cuverville. Gide, a quem a destruição da sua correspondência deixara inconsolável ("Sofro como se ela tivesse assassinado o nosso filho"), torna-se o espectador impotente do lento estiolar da mulher que ainda era o suporte da sua vida. Este drama dá-lhe, no entanto, uma nova liberdade: a de publicar Corydon e as suas memórias.

A glória e o seu preço

No seio de uma NRF dividida (a editora que suportava a revista passou a ser a Librairie Gallimard), Gide mantém a função simbólica de figura tutelar. Para além de autor, é também responsável pela descoberta de novos talentos e por facilitar a colaboração entre escritores já estabelecidos e jovens promessas (Louis Aragon, André Breton, Henry de Montherlant). Na década de 1920, a sua reputação não pára de aumentar: a sua voz, que fala de mudança dos espíritos sem invocar a palavra revolução, é escutada com grande respeito. O seu papel de guia da juventude é-lhe reconhecido, ora com entusiasmo, ora com consternação. Gide conserva a impressão de que atingiu a celebridade sem nunca ter sido lido nem compreendido. A sua influência traz-lhe ataques virulentos da direita católica (Henri Massis, Henri Béraud), que lhe censura os seus valores morais, o seu intelectualismo, a hegemonia da NRF sobre a literatura e, até, sobre a língua francesa. Gide, firmemente apoiado por Roger Martin du Gard, defende-se pouco pessoalmente mas defende tenazmente a NRF. Vários intelectuais de direita (Léon Daudet, François Mauriac), que o admiram apesar das divergências mútuas, recusam-se a participar nessa campanha contra Gide, embora não saiam a defendê-lo. Com a publicação de Corydon, que apenas havia sido objeto de uma edição limitada para amigos, Gide fornecerá argumentos aos seus inimigos. Mas Gide prefere encarar de frente a sua situação e deixar cair a máscara, recordando-se do caso doloroso de Oscar Wilde. No entanto, o livro é recebido com indiferença, por ser demasiado explícito, porque a opinião pública, sempre pronta a levantar novos tabus, ainda não está capaz de afrontar este. O escândalo chegará apenas dois anos mais tarde com Si le grain ne meurt.

Paternidade

No entanto, a vida de Gide foi perturbada por um outro acontecimento: o nascimento de Catherine Gide (Abril de 1923) faz dele um pai, com a cumplicidade de Elisabeth van Rysselberghe, filha de Maria, a quem tinha escrito: "Não me resigno a ver-te sem filhos e a não ter, eu mesmo, um". Catherine apenas será reconhecida oficialmente pelo seu pai depois da morte de Madeleine, de quem este nascimento havia sido cuidadosamente escondido. Gide ocupa-se igualmente da instalação de Marc Allégret, criando assim uma família alargada, à margem dos costumes e normas, que reside com ele na rue Vaneau, após a venda da villa Montmorency, em 1928. Na nova residência, um quarto é dedicado a Madeleine e à sua ausência presente, que muito lhe pesa. Les Faux-Monnayeurs, publicado em 1925, é o primeiro livro que não se centra em Madeleine. Pese embora a modernidade da única obra que ele próprio classificou de romance, Gide teme que esta seja antiquada e sofre de apatia, de que recupera apenas na sua viagem ao Congo com Marc Allégret.

A questão colonial

Durante esse périplo de onze meses, Gide reencontra o prazer do exotismo e do gosto pela história natural. Mas o que deveria constituir apenas uma viagem de esteta, ganha outro pendor face à realidade do colonialismo. Gide revolta-se contra a prática do ideal colonial, denunciando erros administrativos e inexperiência. A sua curiosidade leva-o a compreender a perversidade de todo o sistema colonial, incluindo o recuo voluntário da administração pública para abrir caminho ao livre arbítrio das companhias coloniais. Apercebe-se igualmente que os dirigentes parisienses não só não desconhecem essas práticas, mas que as chegam a caucionar. Gide envia o seu testemunho a Blum, que o publica no Le Populaire (Voyage au Congo será publicado pela NRF em 1927). A direita e as companhias acusadas reagem acusando o escritor de não ter competência para julgar o colonialismo, o que é corroborado por alguns inquéritos administrativos de averiguação. Um debate na Assembleia Nacional termina com diversas promessas do Governo. Gide teme que a opinião pública esqueça rapidamente o assunto, mas recusa-se a tomar uma posição de princípio sobre a questão colonial: o tempo do combate político ainda não havia chegado.

Combate e desilusão

As conversões ao catolicismo multiplicam-se em redor de Gide (Jacques Copeau, Charles Du Bos). Muitos esperam com impaciência a sua capitulação. O desejo de ver tombar a cidadela inexpugnável é reforçado por Gide ter inegáveis raízes cristãs e por se movimentar nos mesmos terrenos que eles: os terrenos da moralidade e da espiritualidade. Cansado destes ataques e tentativas de sedução, Gide replica publicando Nouvelles Nourritures terrestres (1935). Pese embora a composição deste evangelho à alegria, Gide sofre, na década de 1930, um certo sufoco que afeta a sua escrita, os seus amores e as suas viagens, que ele sente agora mais como curiosidade do que como paixão. O contacto com Pierre Herbart – futuro general Le Vigan, que desposa Élisabeth van Rysselberghe em 1931 -– e Bernard Groethuysen, desperta-lhe o interesse pelo comunismo, entusiasmando-o pela experiência russa na qual vê uma esperança, um laboratório para o homem novo, nos planos moral, psicológico e espiritual. Ao comprometer-se com esta solução, Gide cede também à tentação de deixar o purismo estético e de utilizar a influência que ganhou. A sua tomada de posição não é compreendida pelos que lhe estão próximos. Roger Martin du Gard aceita mal que uma vida ocupada no combate aos dogmas desemboque num "ato de fé". Embora Gide coloque em risco a fama alcançada, não traz à causa nada mais que o seu nome, uma vez que nunca se sentirá confortável em reuniões políticas. Mas também é só o seu nome que Gide - muito consciente de ser instrumentalizado - compromete, recusando-se a comprometer a sua autonomia no campo literário, como por exemplo, quando não aceita aderir à Associação dos Escritores e Artistas Revolucionários. Muitos dos seus novos companheiros encaram com desdém esse grande burguês que se junta à sua luta, considerando, a exemplo de Jean Guéhenno, que "o pensamento do Sr. Gide parece frequentemente não ter para ele nenhum custo associado. O Sr. Gide não sofreu o suficiente". Rapidamente, embora aceite presidir a tudo o que se lhe pede para presidir, o seu espírito debate-se contra a ortodoxia comunista. Gide acaba por desenvolver a sua própria visão de um comunismo que concilia igualitarismo com individualismo, evocando nos seus diários "uma religião comunista" que o intimida. Gide participa ativamente em diversas ações de luta antifascista. Em 1936, as autoridades soviéticas convidam-no a visitar a União Soviética. Acompanhado de alguns amigos próximos (Jef Last, Pierre Herbart, Louis Guilloux, Eugène Dabit), aceita o convite. As suas ilusões desfazem-se: em vez do homem novo, Gide encontra apenas uma outra forma de totalitarismo. Aceita progressivamente a amarga decepção que partilha com a dos seus companheiros, e decide publicar o seu testemunho, Retour de l’URSS. O Partido Comunista Francês, com Louis Aragon à cabeça, e as autoridades soviéticas tentam impedir a publicação e asfixiar a questão em silêncio. Gide reage com Retouches à mon retour d’URSS, onde não se limita a relatar as suas observações mas escreve um discurso inflamatório contra o estalinismo. "Que o povo dos trabalhadores compreenda que se deixou enganar pelos comunistas, como os que pelos dias de hoje estão em Moscovo". Gera-se então nova onde de ataques contra si: apelidam-no de fascista, empurram-no para a direita. A hora do abandono soou: o homem novo não nasceu na URSS, a política não lhe trouxe o que ambicionava. Mantendo o seu apoio à causa dos republicanos espanhóis (defende, em particular, os militantes caluniados do Partido Operário de Unificação Marxista), depressa se concilia com a sua desilusão (sem cair no anticomunismo odioso ou numa consciência pesada) e tenta voltar a mergulhar na literatura. Afirma estar arrependido de ter "desaprendido a viver", ele que o "sabia tão bem" fazer. A esse luto político sucede um outro mais pessoal, com a morte de Madeleine, em 17 de Abril de 1938. Depois de haver amaldiçoado o seu esposo, tinha acabado por aceitar o papel distante mas essencial que tinha para ele, bem como o amor tão especial que Gide lhe dedicava. Amor de que ele confessa a estranheza e as dificuldades em Et nunc manet in te, publicado inicialmente em tiragem reservada aos mais íntimos. Gide parte à descoberta da serenidade perdida. O contexto histórico é, no entanto, pouco favorável. O fim da Guerra de Espanha - "heroísmo ridicularizado, fé traída e vileza triunfante" - enchem o seu "coração de desgosto, de indignação, de rancor e de desespero". A velhice retira-lhe igualmente alguns prazeres: o piano que as suas mãos já não conseguem percorrer suavemente; as viagens pelas quais perde o entusiasmo que ele sabia tão bem partilhar; o desejo que se extingue.

A Segunda Guerra Mundial

Bastam alguns dias para que Gide passe do apoio à condenação do Marechal Pétain. Rapidamente é acusado pelos jornais colaboracionistas de haver contribuído para a derrota devido à sua má influência sobre a juventude. Os alemães retomam a NRF, agora dirigida por Drieu la Rochelle. Gide recusa-se a ser associado ao comité de direção. Escreve um texto para o primeiro número mas, apercebendo-se da orientação tomada pela revista, abstém-se de qualquer outra colaboração, tal como François Mauriac. Independentemente das pressões, amigáveis ou não, anuncia no Le Figaro a sua vontade de abandonar a NRF e recusa também um lugar como acadêmico. Ao ambiente de Paris, prefere um exílio dourado e sereno na Côte d’Azur, publicando apenas ocasionalmente alguns artigos de crítica literária no Le Figaro. A partir de 1942, os ataques que lhe são dirigidos (e também a outros) intensificam-se, sem que ele se possa defender, devido à censura. Só, embarca para Tunis. Durante a ocupação alemã da cidade, constata com profundo desgosto os efeitos do antissemitismo. Mais que outras privações, sofre com o isolamento em que se encontra. Acaba por trocar a Tunis libertada por Argel, onde se encontra com o General de Gaulle. Aceita a direção (honorária) do l'Arche, uma revista literária criada para fazer frente à NRF. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, decide não regressar diretamente a Paris. Teme a "épuration" (a depuração dos colaboracionistas do regime deposto), não tanto por si próprio ou pelos seus amigos próximos, que não se sentiam comprometidos, mas pela perigosa unanimidade criada nessa altura, e que ele considera totalitária. As suas diferenças de atitude e as suas dúvidas, valem-lhe novos ataque de Louis Aragon. Gide permite que Jean Paulhan, Mauriac e Pierre Herbart o defendam publicamente. Quando finalmente decide regressar, em Maio de 1946, tem dificuldade em encontrar o seu lugar num mundo literário super-politizado, ele que sempre desejou uma literatura autônoma. Enquanto Sartre utiliza de bom grado a sua notoriedade para suportar os seus desígnios políticos, Gide recusa assumir a sua, procurando escapar às solicitações. Para se exprimir, prefere a publicação de Thésée às tribunas.

O fim

A partir de 1947, cessa quase completamente de escrever. Continuando a afirmar alto e forte que não renega nada do seu passado - incluindo 'Corydon, o seu livro mais engajado e menos conseguido - o escritor anteriormente escandaloso, aceita agora as homenagens de instituições conservadoras (Universidade de Oxford, Nobel de Literatura de 1947). Provas, segundo ele, que tinha razão quando acreditava na "virtude da minoria" que acaba mais cedo ou mais tarde por vencer. Reafirma igualmente o papel do intelectual distante da atualidade. Foi através da literatura que se opôs aos preconceitos da sua época, e a sua influência deve menos às suas opções políticas que à sua arte. Sartre decide seguir outra via: sem deixar de ser literário, não deixa de colocar a literatura no centro da sua atividade política. A sua principal preocupação é a publicação das duas últimas obras, em especial o seu Journal ("Diário"), que não pretende deixar ao cuidado da sua descendência familiar ou espiritual. Em Julho de 1950, inicia um último caderno, Ainsi soit-il ou Les jeux sont faits ("Assim seja ou Os dados estão lançados"), no qual se esforça por deixar correr a pena. "Creio mesmo que, no momento da morte, diria a mim mesmo: ai está! morreu". Doente déspota rodeado dos seus fiéis admiradores, encaminha-se para uma morte calma, desprovida de angústia e sem os sobressaltos religiosos que afetavam ainda alguns. Morre no dia 19 de Fevereiro de 1951, e é enterrado alguns dias mais tarde em Cuverville, ao lado de Madeleine. A sua obra foi incluída no Index de livros proibidos pelo Vaticano em 1952.

Obras

  • Les Cahiers d'André Walter, L'Art indépendant, 1891.
  • Le Traité du Narcisse, L'Art indépendant, 1891.
  • Les Poésies d'André Walter, L'Art indépendant, 1892.
  • Le Voyage d'Urien, L'Art indépendant, 1893.
  • La Tentative amoureuse, L'Art indépendant, 1893.
  • Paludes, L'Art indépendant, 1895.
  • Réflexions sur quelques points de littérature et de morale, Mercure de France, 1897.
  • Les Nourritures terrestres, Mercure de France, 1897.
  • Feuilles de route 1895-1896, SLND [Bruxelles, 1897].
  • Le Prométhée mal enchaîné, Mercure de France, 1899.
  • Philoctète. El Hadj, Mercure de France, 1899.
  • Lettres à Angèle, Mercure de France, 1900.
  • De l'Influence en Littérature, L'Ermitage, 1900.
  • Le Roi Candaule, La Revue Blanche, 1901.
  • Les Limites de l'Art, L'Ermitage, 1901.
  • L'Immoraliste, Mercure de France, 1902.
  • Saül, Mercure de France, 1903.
  • De l'Importance du Public, L'Ermitage, 1903.
  • Prétextes, Mercure de France, 1903.
  • Amyntas, Mercure de France, 1906.
  • Le Retour de l'Enfant prodigue, Vers et Prose, 1907.
  • Dostoïevsky d'après sa correspondance, Jean et Berger, 1908.
  • La Porte étroite, Mercure de France, 1909.
  • Oscar Wilde, Mercure de France, 1910.
  • Nouveaux Prétextes, Mercure de France, 1911.
  • Charles-Louis Philippe, Figuière, 1911.
  • C.R.D.N., 1911 (tiragem privada de 12 exemplares).
  • Isabelle, NRF, 1911.
  • Bethsabé, L'Occident, 1912.
  • Souvenirs de la Cour d'Assises, La Nouvelle Revue française (NRF), 1914.
  • Les Caves du Vatican, NRF, 1914.
  • La Symphonie pastorale, NRF, 1919.
  • Corydon, 1920 (tiragem privada de 21 exemplares).
  • Morceaux choisis, NRF, 1921.
  • Pages choisies, Crès, 1921.
  • Numquid et tu…?, SLND [Bruges, 1922].
  • Dostoïevsky, Plon, 1923.
  • Incidences, NRF, 1924.
  • Corydon, NRF, 1924.
  • Caractères, La Porte étroite, 1925.
  • Les Faux-monnayeurs, NRF, 1925.
  • Si le grain ne meurt, NRF, 1926.
  • Le Journal des Faux-Monnayeurs, Éos, 1926.
  • Dindiki, 1927.
  • Voyage au Congo, NRF, 1927.
  • Le Retour du Tchad, NRF, 1928.
  • L'École des femmes, NRF, 1929.
  • Essai sur Montaigne, Schiffrin, 1929.
  • Un Esprit non prévenu, Kra, 1929.
  • Robert, NRF, 1930.
  • La Séquestrée de Poitiers, Gallimard, 1930.
  • L'Affaire Redureau, Gallimard, 1930.
  • Œdipe, Schiffrin, Éditions de la Pléiade, 1931.
  • Divers, Gallimard, 1931.
  • Perséphone, Gallimard, 1934.
  • Pages de Journal 1929-1932, Gallimard, 1934.
  • Les Nouvelles Nourritures, Gallimard, 1935.
  • Nouvelles Pages de Journal 1932-1935, Gallimard, 1936.
  • Geneviève, Gallimard, 1936.
  • Retour de l'U.R.S.S., Gallimard, 1936.
  • Retouches à mon Retour de l'U.R.S.S., Gallimard, 1937.
  • Notes sur Chopin, Revue Internationale de Musique, 1938.
  • Journal 1889-1939, NRF, 1939.
  • Découvrons Henri Michaux, Gallimard, 1941.
  • Théâtre: Saül, Le Roi Candaule, Œdipe, Perséphone, Le Treizième Arbre, Gallimard, 1942.
  • Interviews imaginaires, Éd. du Haut-Pays, 1943.
  • Pages de Journal 1939-1942, Schiffrin, 1944.
  • Thésée, New York: Pantheon Books, J. Schiffrin, 1946.
  • Souvenirs littéraires et problèmes actuels, Les Lettres Françaises, 1946.
  • Le Retour, Ides et Calendes, 1946.
  • Paul Valéry, Domat, 1947.
  • Poétique, Ides et Calendes, 1947.
  • Le Procès, Gallimard, 1947.
  • L'Arbitraire, Le Palimugre, 1947.
  • Préfaces, Ides et Calendes, 1948.
  • Rencontres, Ides et Calendes, 1948.
  • Les Caves du Vatican (farce), Ides et Calendes, 1948.
  • Éloges, Ides et Calendes, 1948.
  • Robert ou l'Intérêt général, Ides et Calendes, 1949.
  • Feuillets d'automne, Mercure de France, 1949.
  • Anthologie de la poésie française, NRF, 1949.
  • Journal 1942-1949, Gallimard, 1950.
  • Littérature engagée, Gallimard, 1950.
  • Égypte 1939, SLND [Paris, 1951].
  • Et nunc manet in te, Ides et Calendes, 1951
  • Ainsi soit-il ou Les Jeux sont faits Gallimard, 1952.
  • Le Récit de Michel, Ides et Calendes, 1972.
  • À Naples, Fata Morgana, 1993.
  • Le Grincheux, Fata Morgana, 1993.
  • L'Oroscope ou Nul n'évite sa destinée (scénario), Jean-Michel Place, 1995.
  • Isabelle (scénario com Pierre Herbart), Lettres Modernes, 1996.
  • Le Ramier, Gallimard, 2002.
  • Maurice Denis et André Gide, Correspondance (1892-1945), éd. P. Masson et C. Schäffer, Gallimard, 2006.

Obras publicadas em português (lista parcial)

  • A escola das mulheres. ("L'ećole des femmes") Porto Alegre: Globo, 1944.
  • A porta estreita ("La porte étroite") Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • A sinfonia pastoral ("La simphonie pastorale") Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1985.
  • A tentativa amorosa in A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • Betsabé in A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • Córidon. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1985.
  • De volta da U.R.S.S. Rio de Janeiro: Vecchi. 1937.
  • El Hadj in A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • Filoctetes in A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • Isabel ("Isabelle") Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1985.
  • O imoralista ("L'imoraliste") São Paulo: Círculo do Livro. 1991.
  • O processo de Franz Kafka ("le proces"). Lisboa: Editorial Presença. 1962.
  • O regresso do filho pródigo. Lisboa: Tinta Permanente. 1984. Na Revista Ficções nº11, 2005.
  • O tratado de Narciso in A volta do filho pródigo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1984.
  • Os frutos da terra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1982.
  • Os moedeiros falsos ("Les faux monnayeurs") Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1983.
  • Os novos frutos in Os frutos da terra seguido de Os novos frutos. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1982.
  • O pensamento vivo de Montaigne. São Paulo: Martins/Edusp. 1975.
  • Os subterrâneos do Vaticano. São Paulo: Abril Cultural. 1982.
  • Paludes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1988.
  • Pântanos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1972.
  • Retoques ao meu De volta da U.R.S.S. Rio de janeiro: Vecchi.
  • Se o grão não morre 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2004.
  • O pombo-torcaz São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Biografia de Aristófanes

Aristófanes
(Em grego antigo: Ἀριστοφάνης, c. 447 a.C. — c. 385 a.C.). Aristófanes foi um dramaturgo grego. É considerado o maior representante da comédia antiga.  Nasceu em Atenas e, embora sua vida seja pouco conhecida, sua obra permite deduzir que teve uma formação requintada. Aristófanes viveu toda a sua juventude sob o esplendor do Século de Péricles. Aristófanes foi testemunha também do início do fim de Atenas. Ele viu o início da Guerra do Peloponeso, que arruinou a Hélade. Ele, da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos na destruição econômica, militar e cultural de sua cidade-estado. À sua volta, à volta da acrópole de Atenas, florescia a sofísti-ca – a arte da persuasão –, que subvertia os conceitos religiosos, políticos, sociais e culturais da sua civilização. Conta-se que teve dois filhos, que também seguiram a carreira do pai.

Obras

Escreveu mais de quarenta peças, das quais apenas onze são conhecidas. Conservador, revela hostilidade às inovações sociais e políticas e aos deuses e homens responsáveis por elas. Seus heróis defendem o passado de Atenas, os valores democráticos tradicionais, as virtudes cívicas e a solidariedade social. Violentamente satírico, critica a pomposidade, a impostura, os desmandos e a corrupção na sociedade em que viveu. Seu alvo são as personalidades influentes: políticos, poetas, filósofos e cientistas, velhos ou jovens, ricos ou pobres. Comenta em diálogos mordazes e inteligentes todos os temas importantes da época – a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, os métodos de educação, as discussões filosóficas, o papel da mulher na sociedade, o surgimento da classe média. Em “Lisístrata” ou “A Greve do Sexo” (411 a.C.), as mulheres fazem greve de sexo para forçar atenienses e espartanos a estabelecerem a paz. Em “As Vespas” (422 a.C.), discute a importância da verdade e seus benefícios, revelando sua preocupação com a ética. Na peça “As Nuvens” (423 a.C.), compara Sócrates aos sofistas, mestres da retórica, e acusa o filósofo grego de exercer uma influência nefasta sobre a sociedade. Na comédia “Os Acarnianos” ou "Acarnenses", representada no ano 425 a.C., ele ridiculariza os partidários da guerra com Esparta. Suas outras obras são “Os Cavaleiros” (424 a.C.), “A Paz” (421 a.C.), “As Aves” (414 a.C.), “As Tesmoforiantes” ou As Mulheres que Celebram as Tesmofórias (411 a.C.), “As Rãs” (405 a.C.), “As Mulheres na Assembleia” ou Assembleia de Mulheres (392 a.C.) e “Pluto” ou "Um Deus Chamado Dinheiro" (388 a.C.).

Os Acarnânios (obra)

Os Acarnânios (também conhecida como Os Acarnianos ou Os Acarnanes) é uma peça de teatro, em forma de sátira, do dramaturgo grego Aristófanes. O texto ridiculariza os partidários da Guerra do Peloponeso, por meio da personagem principal, Diceópolis. Camponês, ele vai à pólis exigir providências da Assembleia, mas a encontra vazia, só usada por hipócritas ou demagogos. A partir daí, começa a criticar a política adotada por Atenas durante a guerra, que só traz sofrimento para o povo, enquanto os bens nascidos ou aqueles sabem se aproveitar da retórica e iludem o povo levam a melhor. Nesta peça, Aristófanes pronuncia sua opinião por meio da parábase — uma entrada do coro, que se volta para a plateia e discorre sobre as atitudes do autor.

Os Cavaleiros (obra)

Os Cavaleiros (em grego antigo: Ἱππεῖς, transliteração: Hippeîs; grego ático: Ἱππῆς) foi a quarta peça escrita por Aristófanes, mestre da antiga forma de drama conhecida como Comédia Antiga. A peça é uma sátira da vida social e política da Atenas clássica durante a Guerra do Peloponeso, e neste ponto tem o perfil típico de todas as primeiras peças do autor. É única, no entanto, por ter um número relativamente pequeno de personagens, concentrando sua ação principalmente num só homem, o populista pró-guerra Cléon. Cléon havia processado Aristófanes por caluniar a pólis numa peça anterior, “Os Babilônios” (de 426 a.C.), o que fez o jovem dramaturgo jurar vingança em “Os Acarnianos” (425 a.C.). A vingança veio no ano seguinte, com Os Cavaleiros; a peça, muito fundamentada pela alegoria, e considerada por pelo menos um estudioso moderno como ‘um fracasso constrangedor’ era uma crítica desenfreada a Cléon, um dos homens mais poderosos da Atenas antiga. Conquistou o primeiro prêmio no festival das Leneias.

As Nuvens (obra)

As Nuvens é uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 423 AEC. A comédia é dirigida contra os sofistas, que o comediógrafo confunde com Sócrates (por ser o filósofo de maior destaque naquela época). O autor revolta-se contra as propostas pedagógicas e éticas dos sofistas, pretendendo evidenciar as fatais consequências desta educação nova. Aristófanes critica esses pensadores principalmente por seus princípios éticos e pedagógicos, além de acusá-los de ateísmo. O comediógrafo aponta os sofistas como imorais e sem ética, já que a sua retórica tinha dois argumentos, o Justo e o Injusto, sendo que o argumento Injusto é vencedor no confronto dos dois. Além disso, ele critica o fato destes educadores serem remunerados, o que para ele não passa de um estelionato, e a predileção dos sofistas pela retórica. Outra crítica encontrada em "As Nuvens", é a feita a uma nova elite ateniense, personificada por Fidípides, perdulária e avessa a valores tradicionais, como o trabalho, que se faz presente na figura de Estrepsíades.

As Vespas (obra)

As Vespas (em grego: Σφῆκες, transliteração: Sphēkes) foi uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 422 a.C. Na peça o autor tem como alvo principal os juízes atenienses, os quais o comediógrafo já havia satirizado em pequenas passagens de outras peças, como, por exemplo, em “As Nuvens” (423 a.C.). A peça retrata o filho de um dicasta (um juiz comparando com os nossos tempos) mostrando para seu pai que está sendo enganado por Cléon (mais importante dos líderes), rouba se dinheiro e de todos os outros conseguindo levá-los pelas suas belas palavras. O nome da peça foi dado por “As Vespas”, se comparando a picada e uma vespa, que de imediato não se sente nada, porém apos um tempo há uma dor do nada, sendo o começo da peça um um juiz burro que é enganado, e no final da peça demonstra que os burros enganados é a plateia (os próprios juízes).

A Paz (obra)

A Paz (Eirēnē em grego clássico) é uma das comédias de Aristófanes, apresentada na Grande Dionísia de 421 a.C.. O enredo diz respeito ao voo ao céu sobre um besouro de esterco monstruoso de um fazendeiro cansado de guerra, chamado Trigeu, que procura a deusa perdida Paz apenas para descobrir que o Deus da Guerra a enterrou num buraco. Com a ajuda de um coro de fazendeiros, Trigeu resgata-a, e a peça termina com uma celebração alegre do casamento e da fertilidade.

As Rãs (obra)

As Rãs (em grego: Βάτραχοι) é uma comédia escrita pelo autor grego Aristófanes. Foi apresentada a público num dos festivais dedicado a Dionísio, no ano de 405 a.C. Na peça, a sua meta é atingir a hierarquia de valores estéticos e afetivos numa Grécia que lhe parecia decadente. O drama narra a ida do deus Dioniso ao Inferno com a intenção de levar de volta à vida um grande tragediógrafo, Eurípedes, que morrera pouco tempo atrás, deixando Atenas carente de um bom conselho e um bom conselheiro. Sua vontade, entretanto, será modificada no decorrer do ágon entre os dois poetas trágicos que estão no tártaro: Ésquilo e Eurípedes. Comédia antiga, a peça nos mostra um pouco do interessante mundo que animou esses três grandes gregos, seus posicionamentos e suas paixões.

As Mulheres na Assembleia (obra)

As Mulheres na Assembleia (em grego: Ἐκκλησιάζουσαι, transliteração: Ekklēsiázousai), também chamada “A Assembleia das Mulheres” ou até “A Revolução das Mulheres”, é uma peça teatral de Aristófanes. Foi encenada pela primeira vez em 392 a.C., em Atenas. É curiosamente similar à “Lisístrata”, na qual uma grande parte da comédia vem da situação de mulheres se envolvendo na política.

Enredo

A peça gira em torno de um grupo de mulheres, cuja líder é Praxagora. Ela decidiu que as mulheres deveriam convencer os homens a lhes dar o controle de Atenas, pois elas poderiam governar melhor do que os homens vinha governando. As mulheres, disfarçadas como homens, esgueiram-se pela assembleia e votam a medida, convencendo alguns homens a também votarem, pois é a única coisa que eles nunca tentaram. As mulheres, então, instituem um governo no qual o estado alimenta, provê moradia e toma conta de cada ateniense. Elas reforçam a ideia de equidade permitindo que cada homem se deite com qualquer mulher, desde que ele se deite primeiro com toda mulher em Atenas que seja mais feia do que a escolhida. A propriedade privada é abolida e todo dinheiro e propriedade vão para um fundo comum. Todos os gastos e compras de cada indivíduo são pagas com o dinheiro do fundo comum. Qualquer indivíduo que possua propriedades é considerado ladrão da comunidade.

Pluto (obra)

Pluto (Πλοῦτος) é uma comédia escrita por volta de 380 a.C. pelo autor grego Aristófanes. A peça é protagonizada por Plutão, o deus grego da riqueza, e como a maioria de suas obras, é uma sátira política da Atenas da época que inclui um mestre estúpido, um escravo insubordinado e muitos ataques à moralidade na época. A peça é estrelada por Cremilo, um idoso cidadão ateniense e seu escravo Cario. Cremilo vê a si mesmo e sua família como virtuosos, mas pobres. Ele está preocupado com isso e pede conselhos a um oráculo. A obra começa logo após receber o conselho para seguir o primeiro homem que ele conhece e convencê-lo a acompanhá-lo até sua casa. Este homem acaba por ser o deus Plutão. A primeira parte da obra examina como a riqueza não é distribuída entre os virtuosos, nem necessariamente entre os não-virtuosos, mas distribuída aleatoriamente. Cremilo está convencido de que, se os olhos de Plutão fossem restaurados, esses erros poderiam ser corrigidos e o mundo seria um lugar melhor. A segunda parte apresenta a deusa Pobreza, que refuta o raciocínio de Cremilo de que é melhor ser rico, argumentando que sem pobreza não haveria escravos (pois todos eles poderiam comprar sua liberdade) nem teriam refeições ou bens de luxo (pois ninguém trabalharia se todos fossem ricos). Finalmente, Plutão tem a vista curada. Plutão da riquezas para alguns e se afasta daqueles que vê que não são virtuosos. Isso leva a comentários rancorosos e clamores de injustiça por parte dos que perderam suas riquezas. A obra teria sido representada perante os dirigentes atenienses da época. Quase todos eles teriam sido ricos, e muitos não teriam sido virtuosos. Aristófanes guarda deliberadamente para eles os seus ataques mais mordazes.

Outras obras de Aristófanes neste blog

  • Lisístrata
  • As Tesmoforiantes
  • As Aves

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aristófanes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Acarnânios
https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Cavaleiros
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Nuvens
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Vespas
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Paz_(peça)
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Rãs
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Mulheres_na_Assembleia
https://es.wikipedia.org/wiki/Pluto_(comedia)

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Biografia de Ellen G. White

Ellen White em 1864.
Ellen Gould White nasceu em Gorham, Maine, Estados Unidos da América, a 26 de Novembro de 1827, e, faleceu em Santa Helena, Califórnia, a 16 de Julho de 1915. Ellen G. White foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia.
A posição da Igreja Adventista sobre o dom de Ellen White

Manifestações proféticas foram descritas diversas vezes na Bíblia. Com base nos ensinamentos bíblicos de Joel 2 e Efésios 4, os adventistas do sétimo dia entendem que nos "últimos dias" (período que antecede a segunda vinda de Jesus) o "dom de profecia" seria novamente manifestado entre os cristãos para orientar a Igreja. Os adventistas se identificam como sendo o povo remanescente descrito em Apocalipse 12:17, o qual "guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus". Para os adventistas, o "testemunho de Jesus" (que é o dom da profecia segundo Apocalipse 19:10) também consiste nas mensagens de Ellen White. Baseados nos exemplos e ensinamentos bíblicos, os adventistas entendem que existem quatro características que distinguem um verdadeiro profeta de um falso profeta:
  • Sua mensagem deve estar em plena concordância com a Bíblia.
  • Sua mensagem deve reconhecer a divindade e encarnação de Jesus Cristo.
  • Deve produzir bons frutos em sua vida particular e sua mensagem deve impactar positivamente a vida daqueles que a aceitam.
  • Suas predições devem cumprir-se.

Para os adventistas, Ellen White possui todas estas quatro características e, portanto, eles a consideram uma profetisa contemporânea. Os adventistas, entretanto, não colocam Ellen White na mesma categoria dos grandes profetas como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, cujos escritos formam parte das Escrituras Sagradas. Eles entendem que Ellen White entra na linha de profetas que foram chamados por Deus para dar ânimo, conselho e admoestação ao povo de Deus, mas cujos escritos não entram no cânon sagrado. Temos os seguintes exemplos de profetas desta linha: Natã, Gade, Enã, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Ido e Obede no Antigo Testamento, e Simeão, João Batista, Ágabo e Silas no Novo. A linha também inclui mulheres como Miriã, Débora e Hulda, que foram denominadas profetisas, em tempos antigos, bem como Ana ao tempo de Cristo, e as quatro filhas de Filipe, "que profetizavam" segundo Atos 21:9.

A posição de Ellen White sobre o seu dom

Ellen White jamais assumiu o título de profetisa, mas não se opunha a que os outros assim a identificassem. Ela explicou: “Cedo em minha juventude foi-me perguntado muitas vezes: É você uma profetisa? Sempre tenho respondido: Sou a mensageira do Senhor. Sei que muitos me têm chamado de profetisa, mas jamais reivindiquei esse título. ... Por que não reivindico ser chamada de profetisa? Porque nestes dias muitos que audaciosamente pretendem ser profetas, representam um opróbrio à causa de Cristo; e porque minha obra inclui muito mais do que o termo ‘profeta’ significa. ... Reivindicar ser profetisa é algo que jamais fiz. Se outros me chamam por esse nome, não discuto com eles. Mas a minha obra abrange tantos aspectos, que não posso chamar-me a mim mesma senão uma mensageira”. — Ellen G. White

Obra literária de Ellen White

Durante sua vida, Ellen White escreveu a mão mais de 5 mil artigos e 40 livros. À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130. Hoje em dia, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 150 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 90 em português.

Temática

As obras de Ellen White tratam de teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (ela foi uma defensora do vegetarianismo). Seus escritos são restauracionistas e se esforçam para mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Nos seus livros, ela evidencia a existência de um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como “o grande conflito” e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia adventista.

Popularidade

Na década de 1980, Roger W. Coon (autor do livro “A Gift of Light”) fez uma pesquisa na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e concluiu que, naquela época, Ellen White era a quarta autora mais traduzida na história da literatura, possuindo livros traduzidos para 117 línguas diferentes. Como os três primeiros colocados eram homens não americanos, isto conferiu a Ellen White, naquela época, o título de escritora mulher mais traduzida de todos os tempos bem como o título de autor americano mais traduzido de todos os tempos. Atualmente, quase três décadas depois da pesquisa de Roger W. Coon, Ellen White possui livros traduzidos em mais de 160 línguas diferentes. O seu livro mais popular é “Caminho a Cristo”, que apresenta a essência do viver cristão. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1892 e, de acordo com o “The Ellen G. White Estate” (organização proprietária dos escritos originais de Ellen White e responsável pela publicação de suas obras), desde então já foi publicado em mais de 165 línguas. Assim, embora não se tenha um ranking atual exato, este número certamente faz do livro "Caminho a Cristo" uma das obras literárias mais traduzidas de todos os tempos e, consequentemente, de Ellen White uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial. Outras obras bastante populares de Ellen White são “O Desejado de Todas as Nações”, que apresenta uma biografia de Jesus Cristo, e “O Grande Conflito”, que narra o conflito entre o bem e o mal começando pelo início do cristianismo e chegando até o final dos tempos.

Assistentes literários

Ao escrever, Ellen White nem sempre usava de maneira perfeita a gramática, ortografia, pontuação, construção de sentenças ou parágrafos. Ela reconhecia francamente sua falta de tais habilidades técnicas. Em 1873 ela lamentou: “Não sou um erudito. Não posso preparar meus próprios escritos para o prelo.... Não sou um gramático” (“Mensagens Escolhidas”, vol. 3, p. 90). Ela sentiu necessidade da ajuda de outros no preparo de seus manuscritos para publicação. Seu filho William Clarence White descreve os limites que ela estabeleceu para os assistentes: “Aos copistas de mamãe é confiada a obra de corrigir os erros gramaticais, de eliminar repetições desnecessárias, e de agrupar os parágrafos e seções na melhor ordem.… As experientes colaboradoras de minha mãe, tais como as irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, que estão muito familiarizadas com seus escritos, são autorizadas a pegar uma sentença, parágrafo, ou seção de um manuscrito e incorporá-los em outro manuscrito onde o mesmo pensamento foi expresso mas não tão claramente. Mas nenhuma das funcionárias de mamãe está autorizada a fazer acréscimos aos manuscritos introduzindo ideias próprias” (W. C. White para G. A. Irwin, 7 de Maio de 1900). Apesar do trabalho dos assistentes, nada ficava sem a supervisão de Ellen White: “Leio tudo que é copiado, para ver se tudo está como deveria. Leio todo o manuscrito do livro antes de mandá-lo para o impressor. Desta maneira, você pode ver que meu tempo é completamente ocupado” (Carta 133, 1902).

Omissão de trechos

Em 1883, respondendo à acusação de que havia suprimido parte de sua mensagem, Ellen White escreveu: “Ao contrário de desejar reter qualquer coisa que eu tenha publicado, sentiria grande satisfação em dar ao público cada linha de meus escritos já publicados”. (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 60). Uma análise das alegadas "supressões" de Ellen White pode ser encontrada em Ellen G. White and Her Critics, de F. D. Nichol, pp. 267–285 e 619-643.

Disponibilidade

Quase a totalidade dos escritos publicados de Ellen White podem ser acessados online gratuitamente, em dezenas de diferentes idiomas incluindo o português. Tais obras também podem ser acessadas através de aplicativo de celular e baixadas em formato de ebook. Algumas delas também podem ser baixadas em formato de audiolivro. As obras não publicadas (cartas e manuscritos) podem ser pesquisados para estudo em um dos diversos "Centros de Pesquisa Ellen G. White" da IASD estabelecidos ao redor do mundo, dois dos quais no Brasil (um no UNASP de Engenheiro Coelho-SP e outro na FADBA em Cachoeira-BA).

Títulos principais

A seguir, uma lista dos escritos mais populares e influentes de Ellen White.

Série Conflito (série de livros)
  • Patriarcas e Profetas (Patriarchs and Prophets - 1890) - Reflexões sobre a primeira metade do Antigo Testamento.
  • Profetas e Reis (Prophets and Kings - 1917) - Reflexões sobre a segunda metade do Antigo Testamento.
  • O Desejado de Todas as Nações (The Desire of Ages - 1898) - Reflexões sobre a vida de Jesus Cristo.
  • Atos dos Apóstolos (The Acts of the Apostles - 1911) - Reflexões sobre a igreja primitiva do Novo Testamento.
  • O Grande Conflito (The Great Controversy - 1888) - Reflexões sobre a história cristã e profecias sobre o fim dos tempos.

Outros:
  • Caminho a Cristo (Steps to Christ - 1892) - Um livro evangelístico explicando como ter uma conexão viva com Jesus Cristo.
  • Parábolas de Jesus (Christ's Object Lessons - 1900) - Uma exposição do significado das parábolas de Jesus.
  • O Maior Discurso de Cristo (Thoughts from the Mount of Blessing - 1896) - Uma exposição das lições de Jesus no Sermão da Montanha.
  • Primeiros Escritos (Early Writings – 1882).
  • Educação (Education – 1903).
  • A Ciência do Bom Viver (The Ministry of Healing – 1905).

Biografia
Nascimento na fazenda


Ellen e sua irmã gêmea Elisabete nasceram no dia 26 de Novembro de 1827. O nascimento ocorreu numa pequena fazenda no nordeste dos Estados Unidos, na cidade de Gorham. Os pais de Ellen, o fazendeiro Roberto Harmon e sua esposa Eunice, tinham mais seis filhos além das gêmeas.

Acidente na cidade

Poucos anos depois do nascimento das gêmeas, Roberto Harmon abandonou o trabalho da fazenda e se mudou para a cidade de Portland, onde se dedicou aos negócios exercendo a profissão de chapeleiro. Quando Ellen tinha nove anos de idade, sofreu um grave acidente que quase lhe causou a morte. Ela atravessava a praça da cidade na companhia de sua irmã gêmea e de uma colega quando uma pedra, arremessada por uma garota de aproximadamente treze anos, lhe atingiu o nariz fazendo-a desmaiar. Após acordar tentou ir caminhando para casa, mas sentiu-se atordoada e teve que ser carregada por sua irmã e pela colega. Por conta do acidente, Ellen acabou ficando inconsciente durante três semanas e ninguém além de sua mãe acreditava que ela seria capaz de se reestabelecer. Entretanto, Ellen conseguiu recobrar a consciência e foi recuperando as forças vagarosamente. Nos anos seguintes, Ellen sofreu grandemente como resultado deste sério ferimento no nariz, especialmente no que se refere à educação.

Educação

Durante dois anos, Ellen não podia respirar pelo nariz e pouco frequentou a escola. Ela não conseguia reter na memória o que aprendia. A mesma menina que lhe arremessou a pedra foi nomeada monitora pela professora para ajudar Ellen com os estudos. A menina era meiga e paciente com Ellen e se mostrava triste ao ver Ellen lutando com as dificuldades para aprender. Ellen sofria com o sistema nervoso abalado, mãos trêmulas, tontura e tosse. A mais forte luta da juventude de Ellen foi decidir seguir o conselho dado por suas professoras de abandonar a escola e não retomar os estudos antes de sua saúde melhorar.

Conversão ao metodismo

No ano de 1840, Ellen e seus pais participaram de uma reunião campal da Igreja Metodista em Buxton, Maine, e Ellen, na ocasião com 12 anos de idade, entregou seu coração a Deus. Em 26 de Junho de 1842, a seu pedido, ela foi batizada por imersão em Casco Bay, Portland. No mesmo dia, Ellen foi aceita como membro da Igreja Metodista.

O Início de seu ministério

Ellen White relatou sobre sua primeira experiência visionária em Dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de Outubro de 1844. “Nesta época visitei a irmã Haines, uma irmã em Cristo cujo coração estava cingido ao meu. Éramos cinco pessoas, todas mulheres, reverentemente curvadas ante o altar da família. Enquanto orávamos, o poder de Deus desceu sobre mim como antes não o experimentara ainda. Pareceu-me estar rodeada de luz, e ir-me elevando acima da Terra”. (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 270). A primeira visão da Irmã. White tinha por objetivo erguer os adventistas desencorajados e fragmentados a fim de uni-los novamente. Ela viu o "povo do advento" viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém. “Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Alguns dos viajantes ficaram cansados e foram encorajados por Jesus; outros negavam a existência da luz que os guiava e "caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio”. A visão continuou com cenas da segunda vinda de Cristo, seguida da entrada do povo do advento na Nova Jerusalém; e termina com o retorno de Ellen White à Terra, sentindo-se solitária, desolada e almejando um "mundo melhor". Como Godfrey T. Anderson salienta, “Com efeito, a visão garantiu ao povo adventista um eventual triunfo, a despeito do imediato desespero no qual eles haviam mergulhado”. A segunda visão de White relacionava-se às visões de Crozier sobre o desapontamento de 22 de Outubro. Ela tornou-se conhecida como a visão do "Noivo"; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em Fevereiro de 1845. Juntamente com a terceira visão, onde White viu a nova terra, essas visões “Deram um contínuo significado à experiência de outubro de 1844 e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário. Além disso, as visões desempenharam um importante papel no combate às visões espirituais de muitos adventistas fanáticos, retratando Deus e Jesus como seres literais e o Céu como um lugar físico”. Temendo uma recepção negativa, Ellen não compartilhou suas visões com toda a comunidade Milerita, até que, durante uma reunião na casa de seus pais, ela recebeu o que ela considerou como sendo uma confirmação sobrenatural de seu ministério: “Enquanto orávamos, a densa escuridão que me envolvia foi dispersa, uma luz brilhante, como uma bola de fogo, veio em minha direção. Senti como se ela estivesse sobre mim e então minhas forças foram tomadas. Eu parecia estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente foi dito, ‘Torne conhecido a outros o que lhe revelei’”. Logo em seguida, Ellen começou a dar seu testemunho publicamente, em reuniões que muitas vezes ela mesma organizou; como também nos encontros regulares da Igreja Metodista realizados em casas particulares. “Combinei reuniões com minhas jovens amigas, algumas das quais eram bem mais velhas do que eu, e algumas eram pessoas casadas. Várias delas eram vãs e irrefletidas; minha experiência assemelhava-se-lhes um conto ocioso, e não davam ouvidos às minhas súplicas. Decidi, porém, que meus esforços não cessariam enquanto essas queridas almas, por quem sentia tão grande interesse, não se entregassem a Deus. Várias noites inteiras foram passadas por mim em fervorosa oração por aquelas a quem eu havia buscado e reunido no intuito de trabalhar e orar por elas”. As notícias de suas visões propagaram-se, e em seguida White fez viagens a fim de pregar aos grupos de seguidores Mileritas no Maine e nas regiões ao redor. Suas visões não foram divulgadas mais amplamente até 24 de Janeiro de 1846, quando o relato da primeira visão de White, “Letter From Sister Harmon” foi publicado em Day Star, um folheto Milerita publicado em Cincinnati, Ohio, por Enoch Jacobs. Ela escreveu a Jacobs para encorajá-lo, e embora ela tenha dito que a carta não foi escrita para ser publicada, Jacobs publicou-a da mesma forma. Ao longo dos poucos anos que se seguiram, ela foi republicada de diversas maneiras, fazendo também parte do primeiro livro de White, “Christian Experience and Views”, publicado em 1851. Dois Mileritas afirmaram ter tido visões antes de Ellen White – William Ellis Foy (1818-1893), e Hazen Foss (1818-1893). Os Adventistas creem que o dom oferecido anteriormente a estes dois homens foi transferido para Ellen White, por eles o haverem rejeitado tendo em vista a responsabilidade, o trabalho e as dificuldades que enfrentariam ao se tornarem mensageiros da Palavra do Senhor.

Casamento e família

James e Ellen White, c.1868.
Em 1845 Ellen encontrou com aquele que viria a ser seu esposo, James Springer White (em língua portuguesa ele é conhecido como Tiago White), um milerita que se convenceu de que as visões de Ellen eram genuínas. Um ano mais tarde, James a pediu em casamento, e em 30 de Agosto de 1846 eles se casaram perante um juiz de paz em Portland, Maine. Mais tarde James escreveu: “Casamo-nos em 30 de Agosto de 1846, e daquele momento em diante ela tem sido minha coroa de júbilo… Têm sido na boa providência de Deus que nós temos nos regozijado com a profunda experiência do movimento adventista. Tal experiência é agora necessária para que unamos nossas forças e unidos, possamos trabalhar extensivamente do oceano Atlântico ao Pacífico”… Tiago e Ellen tiveram quatro filhos, todos homens: Henry Nichols, nascido em 26 de Agosto de 1847; James Edson, nascido em 28 de Julho de 1849; William Clarence, nascido em 29 de Agosto de 1854; e John Hebert, nascido em 20 de Setembro de 1860. Somente Edson e William viveram até a vida adulta. John Hebert morreu de erisipela aos três meses de idade, e Henry morreu de pneumonia aos 16 anos em 1863.

O decorrer de sua vida

Ao descrever suas experiências com visões, Ellen White dizia ser envolvida por uma brilhante luz. Nestas visões ela estaria na presença de Jesus ou de anjos que lhe mostrariam eventos (históricos e futuros) e lugares (na terra, no céu, ou outros planetas), ou lhe davam informações. Ela descrevia o fim dessas visões como sendo envolvida e trazida de volta à escuridão da Terra. Segundo testemunhado publicamente por congregações e até por descrentes de seu dom, entre eles um médico, quando estava em visão não respirava, ficava de olhos abertos e olhar sereno, como se olhasse ao longe. Neste estado podia ficar por minutos ou horas. Ao sair da visão, lhe era determinado imediatamente escrevê-la. As transcrições das visões de White geralmente continham teologia, orientações de saúde, de profecia, ou conselhos pessoais a indivíduos ou a líderes adventistas. Um dos melhores exemplos de seus conselhos pessoais é encontrado em um livro intitulado Testemunhos para a Igreja, uma série de 9 volumes, que contém testemunhos publicados para a edificação geral da igreja. As versões faladas e escritas de suas visões desempenham um papel significativo em moldar a estrutura organizacional da emergente Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além disso, elas continuam a ser usados por líderes da igreja no desenvolvimento das políticas da Igreja e para a leitura devocional. Em 14 de Março de 1858, em Lovett Grove, Ohio, White recebeu uma visão enquanto participava de um funeral. Naquele dia, Tiago White escreveu que “Deus manifestou Seu poder de forma maravilhosa” acrescentando que “muitos se decidiram a guardar o Sábado do Senhor e se unir ao povo de Deus”. Ellen, no seu escrito sobre esta visão, declarou ter recebido instruções práticas para membros da igreja, e algo ainda mais significativo: um vislumbre cósmico do conflito “entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos”. Ellen White exporia este tema do grande conflito que finalmente se transformaria na série Conflito dos Séculos. Segundo seus defensores, foi-lhe mostrado a guerra da secessão americana, o surgimento do moderno espiritismo, a supremacia dos EUA no mundo entre outras profecias com pleno cumprimento.

O ministério após a morte de seu marido

Após 1882 Ellen White foi assistida de perto por amigos e associados. Ela contratou assistentes literárias que a ajudariam no preparo de seus escritos para a publicação. Também mantinha uma intensiva correspondência com líderes da igreja. Ellen, então, viajou para a Europa em sua primeira viagem internacional. Após seu regresso, ela apoiou E. J. Waggooner e A. T. Jones, jovens pastores, no desenvolvimento da doutrina da Justificação pela Fé. Alguns líderes da igreja resistiram ao seu conselho e, para evitar conflitos, ela foi enviada a Austrália como missionária.

Morte

Ellen G. White morreu em Santa Helena em 16 de Julho de 1915 aos 87 anos. Encontra-se sepultada em Oak Hill Cemetery, Battle Creek, Michigan nos Estados Unidos. Suas últimas palavras foram: “Eu sei em quem tenho crido”.

A mensagem de Ellen White

A vontade de Ellen White era que o mundo fosse "contagiado" pela mensagem da segunda volta de Cristo à Terra para buscar aqueles que servem ao único Deus. Ela diz em seus escritos: “Eu sinto meu espírito agitado dentro de mim. Eu sinto até o fundo de minha alma que a verdade deve ser levada a outros países e nações, e a todas as classes. Que os missionários da cruz proclamem que há um só Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo, o Filho do Infinito Deus. Isto precisa ser proclamado em cada igreja em nossa terra. Os cristãos precisam saber disso, e não colocar os homens onde Deus deveria estar, para que eles não sejam mais adoradores de ídolos, mas sim do Deus vivo. Existe idolatria nas nossas igrejas”. Muitas vezes, sua mensagem era reflexo dos pensamentos dos Adventistas pioneiros de sua época. Esses pensamentos ela chamou de "Fundamentos da Nossa Fé" e escreveu: “Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixe os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência”. Sobre a sublime missão da mulher (ser mãe), escreveu Ellen G. White: “Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem como o escritor, de expressar um nobre sentimento em eloquentes palavras, nem como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Ela tem, sim, com o auxílio divino, de gravar na alma humana a imagem de Deus”.

Controvérsias

A irmã White foi uma figura controversa em seu tempo, gerando ainda hoje muitas discussões, especialmente entre outros grupos cristãos, assim como de pessoas de outras religiões. Ellen afirmou ter recebido uma visão logo após o Grande Desapontamento Milerita. Num contexto onde muitas outras pessoas alegavam também ter recebidos visões, ela era conhecida por sua convicção e fervorosa fé. Randall Balmer, a descreveu como “uma das figuras mais vibrantes e fascinantes da história da religião americana”. Já Walter Martin afirmou que ela era “uma das personagens mais fascinantes e controversas do seu tempo a aparecer no horizonte da história religiosa”. Alguns ensinamentos de Ellen G. White causaram controvérsia, tanto na academia quanto entre religiosos. Passagens da obra de Ellen G. White também já foram acusadas de racismo e de plágio. Entre as polêmicas, encontram-se alertas contra a masturbação, que ela considerava uma fonte de debilidades físicas, e o consumo de carnes consideradas pela Bíblia como imundas, principalmente de porco, que, segundo revelado a Ellen G. White, causaria males a saúde.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_G._White

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Biografia de Jâmblico

Jâmblico
(Em latim, Iamblichus Chalcidensis; em grego Ἰάμβλιχος, provavelmente originário do siríaco ou aramaico ya-mlku, “ele é rei”). Nasceu em Cálcia, Síria, em 245, e, faleceu em Apamea, em 325. Jâmblico foi um filósofo neoplatônico assírio que determinou a direção da filosofia neoplatônica tardia e talvez do próprio paganismo ocidental. É mais conhecido por seu compêndio sobre filosofia pitagórica.

Biografia

Nascido em meados do século III, Jâmblico estudou a magia dos caldeus e a filosofia de Pitágoras, Platão, Aristóteles e Plotino. Ao tomar contato com o neoplatonismo, foi para Roma a fim de estudar com Porfírio. Escreveu “Vida de Pitágoras” (não confundir com o livro homônimo de Porfírio). Foi um teólogo patrístico helenístico do período pré-nissênico nascido em Cálcis, Celessíria, considerado o fundador da chamada escola neoplatônica síria. Seus dados biográficos são imprecisos e, aparentemente, tomou conhecimento com as doutrinas neopitagórica por influência principal de Nicômano de Gérasa (60-120), talvez em Alexandria, e do peripatetismo com Anatólio de Laodiceia (~ 240-325). Foi discípulo de Porfírio (233-304) o Fenício, e considerado o maior pupilo de Plotino (204-270), o filósofo neoplatônico helenístico, que com sua procura mística de união com o bem, através da inteligência, constituiu-se como ponto de ligação entre a filosofia grega e a sapiência alexandrina. Com sua procura mística de união com o bem, através da inteligência, conseguiu expressar este ponto de ligação entre a filosofia grega e a sapiência alexandrina. Mudando-se para a Síria, deu início à propagação de suas teses e transformou a filosofia mítica de Plotino numa Teurgia (espécie de magia baseada em relações com os espíritos celestes) ou conjugação mágica de deuses. Fundou e orientou a escola neoplatônica siríaca, com interesse na teologia politeísta e hoje é especialmente famoso por ter praticado especificamente a Teurgia, ou trabalho divino, ou a Magia Sagrada. Sua obra, segundo consta, seria composta principalmente de dez livros intitulados "Resumo das Doutrinas Pitagóricas". Destes, somente cinco se encontram preservados atualmente. Seus escritos metafísicos estão perdidos, mas suas ideias ficaram conhecidas, preservadas sob forma de citação ou comentário, doxografia, em escritos de diversos autores. Seu livro mais conhecido, “Sobre os Mistérios do Egito”, escrito em grego, foi uma resposta à carta de Porfírio (233-304) a Amélio (220-290) refutando qualquer teurgia e as práticas de adivinhação da época. Seu livro foi uma defesa da Teurgia, isto é, da possibilidade da manipulação mágica dos deuses em prol da satisfação de desejos humanos. Além disso, atribui-se a ele as seguintes obras: “De Mysteriis Liber”, “De Chaldaica Perfectissima Theologia”, “De Descensu Animae” e “De Diis”. Destas, somente alguns fragmentos sobreviveram até nossos dias. Os eruditos creem que ele foi um espírita, um médium no sentido popular, porém parece mais fácil justificar que ele opunha-se definidamente a tal prática. Além deste filósofo, os principais representantes de sua escola foram Déxipo (350), Sopatro de Apaméia e Teodoro de Asine (~ 300), este o mais proeminente e seu discípulo mais conhecido, todos seus discípulos diretos. As principais influências exercidas pelo seu pensamento incidem sobre as teses de Proclo Diádoco (412-485) e de Juliano, o Apóstata (331-363), em sua tentativa de reviver o paganismo. Em resumo, lecionou em Apaméia e diz-se que sucedeu à Porfírio na escola neoplatônica, e a transportou para Pérgamo e depois para Alexandria, sendo o local de sua morte incerto.

Diferenciação filosófica

Embora, mestre e discípulo, pertenciam à mesma corrente filosófica, o neoplatonismo, Jâmblico se caracterizou por uma série de diferenças com respeito à Porfírio. Além de uma tendência à teurgia por parte de Jâmblico, em contraste com a simples religiosidade de seu mestre, nós encontramos que a identificação de partida com os preceitos neoplatônicos, pitagóricos e órficos, insistirá Jâmblico sobretudo na importância de certas faculdades para relacionar-se com o divino superior do intelecto (o kybernetes da alma, a alma teúrgica, o Uno-da-alma, a "flor do Intelecto"), na rejeição do materialismo e na existência de uma alma eterna e imaterial. Atribui-se a Jâmblico a autoria ou recompilação chamada em latim “De Mysteriis Aegyptiorum” (Sobre os Mistérios dos Egípcios) (título dado por Marsilio Ficino à obra em sua paráfrase, cujo verdadeiro título é “Resposta do Mestre Abamón para a Carta de Porfírio a Amélio e Soluções para as Dificuldades que ela Esboça”, onde Abamón é um sacerdote egípcio bajo cujo nome Jâmblico responde ao seu mestre Porfírio as objeções que apresentara contra a religião e os rituais teúrgicos em uma carta a seu discípulo Amélio).

De Mysteriis Aegyptiorum

É um livro atribuído a Jâmblico cuja tradução em português é “Sobre os Mistérios do Egito”, embora justamente este texto apresenta distintos problemas de carácter filológico, em especial, aos relacionados ao seu autor e ao nome da obra. O título autêntico é “Resposta do Mestre Abamón para a Carta de Porfírio a Amélio e Soluções para as Dificuldades que ela Esboça”, (1460). A mudança de título procede de um comentário que Marsilio Ficino fez ao texto que o colocou de acordo com as tendências da filosofia de sua época, pois se vivia um fervor pela egiptologia. A respeito do autor, ninguém duvidou durante séculos da autoria de Jâmblico, mas Christian Meiners em (171?) e posteriormente Adolph Von Harless em 1858 questionaram de que Jâmblico fosse seu autor. Foi Karl Rasche quem deu fim a estas dúvidas em 1911. Não obstante, alguns filólogos ainda discordam. O texto é considerado, pelo seu conteúdo, plenamente pertencente à doutrina do neoplatonismo. Sua orientação é claramente religiosa, por ele encontramos uma longa lista de nomes de deuses e de divindades e no final uma oração. Pertence ao gênero epistolar, literariamente falando, mas filosoficamente aos zetemata (Ζητήματα), por assim dizer, ao gênero de paradoxos, aforias e soluções, muito popular na filosofia grega. Como é a resposta a outra carta escrita pelo neoplatônico Porfírio, podemos encontrar um contínuo diálogo com esse texto, embora atualmente não contamos com nenhum manuscrito, apenas há evidência da existência desse texto pelas citações que resgatou o autor deste livro e algumas referências em outros autores entre eles, Eusebio, Teodoreto e Santo Agostinho de Hipona. A obra está dividida em 10 capítulos, cada um deles aborda diferentes problemas a respeito das genealogias e tipos de deuses, assim como a santidade, os sacrifícios, a mântica (relativo à adivinhação, à profecia) e inclusive a mistagogia (iniciação nos mistérios duma religião). O método expositivo do texto se constitui em dois subgêneros: a diairesis, que é distinguir gêneros e a synagoge abordar de diferentes modos um problema até encontrar a melhor solução, isto, segundo Enrique Ángel Ramos Jurado, editor do livro para Gredos em 1997.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jâmblico
https://es.wikipedia.org/wiki/Jámblico
https://es.wikipedia.org/wiki/De_Mysteriis_Aegyptiorum