| Thomas Hobbes |
Thomas
Hobbes.
Nasceu na Aldeia de Westport, próximo a Malmesbury no condado de
Wiltshire, Inglaterra, a 5 de Abril de 1588, e, faleceu no palácio
Hardwick Hall, situado em Doe Lea, Chesterfield, Derbyshire,
Inglaterra, a 4 de Dezembro de 1679. Thomas Hobbes foi um matemático,
teórico político, e filósofo inglês, autor de Leviatã
(1651) e Do
Cidadão
(1651). Escreve um historiador da filosofia: “Hobbes é o sucessor
de Bacon; sensualista como ele, sofreu, todavia, a influência da
filosofia matemática de René Descartes. A sua moral é o
utilitarismo. Há apenas dois motivos de ação: a procura do prazer
e a fuga da dor. No estado natural, qualquer homem tem direito a
tudo: é a guerra de todos contra todos. Acusado de ser ateu e
sacrilégio por um bill
da Câmara dos Comuns (1667), recorreu a proteção do Rei, que
conseguiu em protegê-lo, desde de não publicasse mais nenhum
livro”.
Na
obra Leviatã,
explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a
necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que
alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que
outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além
do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de
nós tem direito a tudo, e
uma vez que todas as coisas são escassas,
existe uma constante guerra de todos contra todos (Bellum
omnia omnes).
No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse
próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades
entrando num contrato social. De acordo com Hobbes, tal sociedade
necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o
suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade
possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano, quer
seja um monarca ou uma assembleia (que pode até mesmo ser composta
de todos, caso em que seria uma democracia), deveria ser o Leviatã,
uma autoridade inquestionável. A teoria política do Leviatã
mantém no essencial as ideias de suas duas obras anteriores, Os
elementos da lei
e Do
cidadão
(em que tratou a questão das relações entre Igreja e Estado).
Thomas Hobbes defendia a idéia segundo a qual os homens só podem
viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e
centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam
um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de
interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o
culto. Neste sentido, critica a livre-interpretação da Bíblia na
Reforma Protestante por, de certa forma, enfraquecer o monarca. Sua
filosofia política foi analisada pelo cientista político Richard
Tuck
como uma resposta para os problemas que o método
cartesiano
introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta que só podemos
conhecer algo do mundo exterior a partir das impressões sensoriais
que temos dele ("Só
existe o que meus sentidos percebem").
Esta filosofia é vista como uma tentativa para embasar uma teoria
coerente de uma formação social puramente no fato das impressões
por si, a partir da tese de que as impressões sensoriais são
suficientes para o homem agir em sentido de preservar sua própria
vida, e construir toda sua filosofia política a partir desse
imperativo. Hobbes ainda escreveu muitos outros livros falando sobre
filosofia política e outros assuntos, oferecendo uma descrição da
natureza humana como cooperação em interesse próprio. Foi
contemporâneo de Descartes
e escreveu uma das respostas para a obra Meditações
Sobre Filosofia Primeira,
deste último.
| Thomas Hobbes |
| Batalha de Marston Moor (1644) marca uma vitória decisiva das forças parlamentares durante a guerra civil inglesa, por John Barker, 1644. |
Nascido
em 1588 na Inglaterra dos Tudors, Thomas Hobbes foi influenciado pela
reforma anglicana que ocorrera cinco décadas antes. A cisão com a
Igreja Católica fez com que a Espanha intervisse nos assuntos
ingleses enviando a Invencível Armada (“Grande e Felicíssima
Armada”) fato que mais tarde seria relatado por Hobbes em sua
autobiografia e terá grandes influências sobre sua obra. O século
XVII foi de grande importância para a Inglaterra pois marca o começo
do expansionismo
colonialista ultramarino inglês,
com a fundação de Jamestown
(Virgínia), a primeira colônia inglesa nas Américas, em 1607. É
também no século XVII que são lançadas as bases do capitalismo
industrial na Inglaterra com a Revolução
Gloriosa
já na década de 80 do século XVII. É durante esse período que a
Marinha Inglesa irá se consolidar como a maior e mais bem equipada
marinha do mundo, só perdendo a posição para os EUA no pós-2ª
Guerra Mundial. A poderosa marinha irá contribuir para o acúmulo de
capitais que irá financiar o expansionismo colonial e, mais tarde,
industrial inglês. O século XVII na Europa continental é o marco
do absolutismo monárquico, tendo seu expoente máximo o Luis
XIV,
o Rei Sol que ficou famoso pela frase “L’État
c’est moi",
influência da Contra-Reforma (representado na Inglaterra pela
revolução anglicana). A filosofia do barroco se baseava no dualismo
existente entre o hedonismo e o medo do pecado ou fervor religioso –
enquanto que a busca pelo essencialmente humano já havia começado
no Renascimento; havia o receio do divino sobrenatural que poderia
punir o terreno e transitório. Quando Hobbes tinha 30 anos e já
havia visitado a Europa continental pela primeira vez, uma revolta na
Boêmia daria início à Guerra
dos Trinta Anos,
fato que irá reforçar para Hobbes a sua própria visão pessimista
acerca da natureza humana destrutiva. Apenas 12 anos após o início
da guerra no continente europeu, disputas políticas entre o
Parlamento e o Rei inglês (Carlos I de Inglaterra) dão início a
uma guerra civil na Inglaterra que perdurará por 10 anos.
| Magdalen College, em maio de 2007. |
Hobbes
alegou em sua autobiografia, "ao nascer sua mãe teria dado a
luz a gêmeos: Hobbes e o medo", já que a mãe de Hobbes havia
entrado em trabalho de parto prematuro com medo da Armada
Espanhola
(a Invencível Armada) que estava prestes a atacar a Inglaterra.
Embora o tema do medo e do seu poder avassalador fossem aparecer mais
tarde em suas obras, os primeiros anos de vida de Hobbes foram em
grande parte livres da ansiedade. Seu pai era o vigário de Charlton
e Westport, cidades próximas de Malmesbury, mas uma disputa com
outro vigário, o levou a se mudar para Londres. Como resultado, aos
sete anos de idade, Thomas Hobbes, ficou sob a tutela de seu tio
Francisco.
Hobbes fez seus primeiros estudos em Malmesbury e mais tarde em
Westport, onde exibiu seus dotes intelectuais em estudos clássicos.
Aos quatorze anos, em 1603, seu tio Francisco financiou os seus
estudos, entrando na Magdalen
Hall,
onde predominava o ensino da escolástica de inspiração
aristotélica, mas a que Hobbes não demonstrou grande interesse. Em
1610 ele empreendeu uma viagem à Europa, acompanhando William
Cavendish,
indo para França, Itália e Alemanha. Pode observar em primeira mão
a pouca apreciação da escolástica na época - que já estava em
claro declínio. As muitas tentativas de abrir portas para
desenvolvimento de outros conhecimentos fez com que ele decidisse
retornar à Inglaterra para aprofundar o estudo dos clássicos. Nesse
período, já de volta à Inglaterra, suas relações com Francis
Bacon
irão reforçar a linha de seu próprio pensamento, bem fora do
aristotelismo e da escolástica. Em 1631 a família de nobres
ingleses Cavendish novamente pede seus serviços como guardião do
terceiro Duque de Devonshire, e Hobbes irá ocupar este cargo até
1642. Durante este período, faz outra viagem ao continente, lá
permanecendo de 1634 a 1637. Na França, entra em contato com o
círculo intelectual do Padre Mersenne,
mentor de Descartes
- com quem estabeleceu uma forte amizade. Em geral, Hobbes era a
favor da explicação mecanicista do universo (que predominava na
época), em oposição à teleológica defendida por Aristóteles e a
escolástica. Também teve a oportunidade de conhecer Galileu
Galilei,
durante uma viagem à Itália em 1636 (6 anos antes de Galileu
morrer), sob cuja influência Hobbes desenvolveu a sua filosofia
social, baseando-se nos princípios da geometria e ciências
naturais. Em 1640, quando a possibilidade de apresentar um da suas
teorias, onde, mais uma vez, foi recebido pelo círculo de
intelectuais francês. Em 1646, ainda em Paris, vira professor de
matemática do Príncipe de Gales, o futuro Carlos
II,
que também se encontrava exilado em Paris devido a Guerra Civil
Inglesa. Em 1651, dois anos após a decapitação do rei Carlos I,
Hobbes decide voltar para a Inglaterra com o fim da Guerra Civil e o
começo da “Ditadura
de Cromwell”.
Neste ano também publica Leviatã,
que provoca o início de sua disputa com John
Bramhall,
bispo de Derry, o principal acusador de Hobbes como sendo um
“materialista ateu”. A publicação do De
Corpore,
em 1665, irá resultar em uma polêmica com os principais membros da
Royal
Society,
que criticaram suas contribuições para a matemática bem como as
posições ateístas defendidas por Hobbes. Na Inglaterra, o
"anti-Hobbismo" atingiu um pico em 1666 quando seus livros
foram queimados na sua alma
mater,
Oxford. Hobbes manteve-se um escritor extremamente produtivo na
velhice, mesmo sendo prejudicado pela oposição generalizada de seu
trabalho. Viveu até os 91 anos durante uma época em que a
expectativa média de vida não era muito mais do que quarenta anos.
Aos 80 anos Hobbes produziu novas traduções para o inglês, tanto
da Ilíada e da Odisseia e escreveu, em 1672, uma autobiografia em
latim. Apesar da polêmica que causou, ele foi uma espécie de
símbolo na Inglaterra até o final de sua vida. Seu ponto de vista
pode ser considerado abominável ou atraente; suas teorias
brilhantemente articuladas são lidas por pessoas de todos os
espectros políticos. Encontra-se sepultado na Igreja
São João Batista,
Ault Hucknall, Derbyshire na Inglaterra.
Leviatã
(livro)
| Capa da edição original do Leviatã (1651). |
Leviatã
ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil,
comumente chamado de Leviatã,
é um livro escrito por Thomas Hobbes e publicado em 1651. Ele é
intitulado em referência ao *Leviatã
bíblico.
O livro diz respeito à estrutura da sociedade e do governo legítimo,
e é considerado como um dos exemplos mais antigos e mais influentes
da teoria
do contrato social.
O editor foi Andrew
Crooke,
parceiro da Andrew
Crooke e William Cooke.
Muitas vezes, é considerada uma das obras mais influentes já
escritas do pensamento político. No
livro, que foi escrito durante a Guerra Civil Inglesa, Thomas Hobbes
defende um contrato
social e o governo de
um soberano absoluto. Hobbes escreveu que o caos
ou a guerra civil
- situações identificadas como um estado de natureza e pelo famoso
lema Bellum omnium
contra omnes (guerra
de todos contra todos)
- só poderia ser evitado por um governo central forte.
*Leviatã
bíblico:
é uma criatura mitológica, geralmente de grandes proporções,
bastante comum no imaginário dos navegantes europeus da Idade
Moderna. Há referências, contudo, ao longo de toda a história,
sendo um caso recente o do Monstro de Lago Ness. No Antigo
Testamento, a imagem
do Leviatã
é retratada pela primeira vez no Livro
de Jó, capítulo
41. Sua descrição na referida passagem é breve. Foi considerado
pela Igreja Católica durante a Idade Média, como o demônio
representante do quinto pecado, a Inveja, também sendo tratado com
um dos sete príncipes infernais. Uma nota explicativa revela uma
primeira definição: "monstro que se representa sob a forma de
crocodilo, segundo a mitologia fenícia" (Velho Testamento,
1957: 614). Não se deve perder de vista que nas diversas descrições
no Antigo Testamento
ele é caracterizado sob diferentes formas, uma vez que funde-se com
outros animais. Formas como a de dragão marinho, serpente e polvo
(semelhante ao Kraken)
também são bastante comuns.
Do
Cidadão (livro)
De
Cidadão
(De
Cive)
é um dos maiores trabalhos de Thomas Hobbes. "O livro foi
publicado originalmente em Latin a partir de Paris em 1642, seguido
por duas edições latinas em 1647 de Amsterdam. A primeira tradução
em inglês apareceu quatro anos depois (Londres, 1651) sob o título
“Philosophicall
rudiments concerning government and society".
Ele antecipa temas do famoso Leviatã.
A famosa frase bellum
omnium contra omnes
(guerra de todos contra todos) aparece pela primeira vez em Do
Cidadão.
Citações
- "O medo do poder invisível, fingido pela mente, ou imaginado a partir de contos publicamente permitidos, é religião, se não permitidos, é superstição. E quando o poder é verdadeiramente imaginado, como nós imaginamos, é a verdadeira religião".
- - Fear of power invisible, feigned by the mind, or imagined from tales publicly allowed, religion; not allowed, superstition. And when the power imagined is truly such as we imagine, true religion.
- - "Leviathan", primeira parte; Por Thomas Hobbes; veja (wikisource).
- "Dinheiro é poder".
- - Citado por Adam Smith em seu livro Riqueza das Nações.
- "Os pactos, sem a força, não passam de palavras sem substância para dar qualquer segurança a ninguém".
- - "Leviathan", capitulo XVII; Por Thomas Hobbes.
Atribuídas
- "Ciência é o conhecimento das consequências, e da dependência de um fato em relação a outro".
- - Thomas Hobbes, filósofo inglês, conforme encontrado em Singh, Simon - Big Bang - Capítulo: "O que é ciência?" - Editora Record - 2006 - pág.: 459.
- Atribuições disputadas
- "O homem é o lobo do homem".
- - na obra "Memórias de um Gerubal", página 91, Roberto de Mello e Souza afirma que citação é de Plauto (século III-II a.C.), na quarta cena do segundo ato da comédia "Asinaria"; citação que Hobbes utilizou na obra "Sobre o cidadão".
- - "Memórias de um Gerubal: a história (vivida) da administração de pessoal no Brasil de 1945 ao século XXI: formação de um executivo"; Por Roberto de Mello e Souza; Publicado por Senac, 2004; ISBN 8587864416, 9788587864413.
Sobre
- "Qualquer governo é melhor que a ausência de governo. O despotismo, por pior que seja, é preferível ao mal maior da Anarquia, da violência civil generalizada, e do medo permanente da morte violenta".
- - Eduardo Giannetti, a respeito da filosofia de Thomas Hobbes em: "Vícios Privados, Benefícios Públicos?: A Ética na Riqueza das Nações" - página 81, Eduardo Giannetti, Editora Companhia das Letras, 2007, ISBN 8535911197, 9788535911190, 264 páginas.