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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Biografia de Gottfried Wilhelm Leibniz


Leibniz
Gottfried Wilhelm Leibniz. Nasceu em Leipzig, a 1 de Julho de 1646, e, faleceu em Hanôver, a 14 de Novembro de 1716. Leibniz foi um filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão. A ele é atribuída a criação do termo "função"(1694), que usou para descrever uma quantidade relacionada a uma curva, como, por exemplo, a inclinação ou um ponto qualquer situado nela. É creditado a Leibniz e a Newton o desenvolvimento do cálculo moderno, em particular o desenvolvimento da integral e da regra do produto. Descreveu o primeiro sistema de numeração binário moderno (1705), tal como o sistema numérico binário utilizado nos dias de hoje. Demonstrou genialidade também nos campos da lei, religião, política, história, literatura, lógica, metafísica e filosofia. Nascido em Leipzig, foi menino prodígio; aos 12 anos sabia latim e grego; aos 15 ingressou na Universidade de Leipzig para estudar Direito e Filosofia, ao tempo que se aprofundava na pesquisa de todo o conhecimento cientifico da época, assimilando os sistemas de Francis Bacon, Kepler, Galileu, Descartes. Escreve um dos seus biógrafos: “Matemático, publicou, em 1684, o tratado Nova Methodus pro Maximis et Minimis, que contém os principais traços do seu sistema. Descobriu, simultaneamente com Isaac Newton, mas sem que tivesse conhecimento dos trabalhos deste matemático nessa área, o cálculo infinitesimal. Teólogo, teve com Bossuet uma correspondência sobre a aproximação das igrejas cristãs, e publicou o seu Systema Theologicum (1684). Historiador, fundou a crítica histórica; publicou, em 1693, uma coleção de direito das gentes; procurou na lingüística um método para descobrir as origens dos povos”. Mas, Leibniz foi, sobretudo, grande como filósofo: nega a realidade de qualquer coisa que não seja um percipiente ou uma percepção. Nada vem de fora à mente. “Tudo que esta parece adquirir no processo do conhecimento é originariamente possuído por ela em forma obscura, virtualmente, pois todas as idéias são inatas no sentido de que não são adquiridas, tomadas do exterior; o que se adquiri é só a explicita consciência delas. Aquilo que tem as representações recebe de Leibniz o nome de mônada, ou unidade, exatamente porque é um sistema autônomo de percepções, não influenciável por qualquer coisa. Deus, a mônada das mônadas, criou todas as outras mônadas, de forma tal que no seu subseqüente desenvolvimento elas se harmonizam entre si. As mônadas são mortais. Ao determinar-se ao criar este mundo de mônadas, Deus selecionou o melhor de todos os mundos possíveis. A ciência de Deus apresentava-lhe uma infinita possibilidade de escolha; a sua bondade determinou a seleção que fez. É este o peculiar otimismo de Leibniz, que não afirma que tudo é perfeitamente bom, mas que o Mundo, tomado no seu conjunto, é o melhor dos mundos possíveis”. Leibniz introduziu os sinais e :para as operações de multiplicação e divisão.

Biografia

Estátua de Leibniz em Leipzig.
O pai era professor de filosofia moral em Leipzig e morreu em 1652, quando Leibniz tinha apenas seis anos. Em 1663 ingressa na Universidade de Leipzig, como estudante de Direito. Em 1666 obtém o grau de doutor em direito, em Nuremberg, pelo ensaio prenunciando uma das mais importantes doutrinas da posterior filosofia. Nessa época afilia-se à Sociedade Rosa-Cruz, da qual seria secretário durante dois anos. Foi o primeiro a perceber que a anatomia da lógica - “as leis do pensamento”- é assunto de análise combinatória. Em 1666 escreveu De Arte Combinatória, no qual formulou um modelo que é o precursor teórico de computação moderna: todo raciocínio, toda descoberta, verbal ou não, é redutível a uma combinação ordenada de elementos tais como números, palavras, sons ou cores. Na visão que teve da existência de uma “característica universal”, Leibniz encontrava-se dois séculos à frente da época, no que concerne à matemática e à lógica. Aos 22 anos, foi-lhe recusado o grau de doutor, alegando-se juventude. Tinha vinte e seis anos, quando passou a ter aulas com Christiaan Huygens, cujos melhores trabalhos tratam da teoria ondulatória da luz. A maior parte dos papéis em que rascunhava suas ideias, nunca revisando, muito menos publicando, encontra-se na Biblioteca Real de Hanôver aguardando o paciente trabalho de estudantes. Leibniz criou uma máquina de calcular, superior à que fora criada por Blaise Pascal, fazendo as quatro operações. Em Londres, compareceu a encontros da Royal Society, em que exibiu a máquina de calcular, sendo eleito membro estrangeiro da Sociedade antes de sua volta a Paris em Março de 1673. Em 1676, já tinha desenvolvido algumas fórmulas elementares do cálculo e tinha descoberto o teorema fundamental do cálculo, que só foi publicado em 11 de Julho de 1677, onze anos depois da descoberta não publicada de Newton. No período entre 1677 e 1704, o cálculo leibniziano foi desenvolvido como
O Staffelwalze, ou Stepped Reckoner, uma máquina de calcular digital inventada por Leibniz em torno de 1672.
instrumento de real força e fácil aplicabilidade no continente, enquanto na Inglaterra, devido à relutância de Isaac Newton em dividir as descobertas matemáticas, o cálculo continuava uma curiosidade relativamente não procurada. Durante toda a vida, paralelamente à Matemática, Leibniz trabalhou para aristocratas, buscando nas genealogias provas legais do direito ao título, tendo passado os últimos quarenta anos trabalhando exclusivamente para a família Brunswick, chegando a confirmar para os empregadores o direito a metade de todos os tronos da Europa. As pesquisas levaram-no pela Alemanha, Áustria e Itália de 1687 a 1690. Em 1700, Leibniz organizou a Academia de Ciências da Prússia, da qual foi o primeiro presidente. Esta Academia permaneceu como uma das três ou quatro principais do mundo até que os nazistas a eliminaram. Morreu solitário e esquecido. O funeral foi acompanhado pelo secretário, única testemunha dos últimos dias. Encontra-se sepultado em Neustädter Hof- und Stadtkirche St. Johannis, Hanôver, Baixa Saxônia na Alemanha.



Filósofo




Göttingen, Auditorium, estátua de Leibniz.
O pensamento filosófico de Leibniz parece fragmentado, porque seus escritos filosóficos consistem principalmente de uma infinidade de escritos curtos: artigos de periódicos, manuscritos publicados muito tempo depois de sua morte, e muitas cartas a muitos correspondentes. Ele escreveu apenas dois tratados filosóficos, dos quais apenas "Teodiceia" de 1710 foi publicado em sua vida. Leibniz data o seu começo na historia da filosofia com seu "Discurso sobre metafísica", que ele compôs em 1686 como um comentário sobre uma contínua disputa entre Nicolas Malebranche e Antoine Arnauld. Isto levou a uma extensa e valiosa correspondência com Arnauld; o Discurso sobre metafisica não foi publicado até o século XIX. Em 1695, Leibniz fez sua entrada pública na filosofia europeia, com um artigo de jornal intitulado "Novo Sistema da Natureza e da comunicação das substâncias". Entre 1695 e 1705, compôs o seu "Novos ensaios sobre o entendimento humano", um longo comentário sobre John Locke em seu "Ensaios Sobre o Entendimento Humano", mas ao saber da morte de Locke, 1704, perdeu o desejo de publicá-lo, Isto aconteceu até que os novos ensaios foram publicados em 1765. "A Monadologia", composta em 1714 e publicado postumamente, é constituída por 90 aforismos.
Página do Artigo "Explication de l'Arithmétique Binaire", 1703/1705.
Leibniz conheceu Baruch Espinoza, em 1676, leu alguns de seus escritos inéditos, e desde então tem sido suspeito de apropriar-se de algumas das ideias de Espinosa. Embora Leibniz admirasse o poderoso intelecto de Espinosa, ele ficou francamente desanimado com as conclusões deste, especialmente por estas serem incompatíveis com a ortodoxia cristã. Ao contrário de Descartes e Espinoza, Leibniz tinha uma formação universitária completa na área de filosofia. Sua carreira começou, ao longo de uma influência escolar e aristotélica traindo a forte influência de um de seus professores de Leipzig, Jakob Thomasius, que também supervisionou a sua tese de Licenciatura em Filosofia. Leibniz leu ansiosamente Francisco Suárez, jesuíta espanhol respeitado, mesmo em universidades Luteranas. Leibniz estava profundamente interessado em novos métodos e nas conclusões de Descartes, Christiaan Huygens, Isaac Newton e Robert Boyle, mas viu estes trabalhos através de uma lente fortemente matizada por noções escolásticas. No entanto, a verdade é que os métodos de Leibniz e suas preocupações, muitas vezes anteciparam a lógica e a analítica, assim como a filosofia da linguagem do século XX.



Princípios




Liberdade x determinação:Leibniz admitia uma série de causas eficientesa determinar o agir humano dentro da cadeia causal do mundo natural. Essa série de causas eficientes dizem respeito ao corpo e seus atos. Contudo, paralela a essa série de causas eficientes, há uma segunda série, a das causas finais. As causas finais poderiam ser consideradas como uma infinidade de pequenas inclinações e disposições da alma, presentes e passadas, que conduzem o agir presente. Há, como em Friedrich Nietzsche, uma infinidade imensurável de motivos para explicar um desejo singular. Nesse sentido, todas as escolhas feitas tornam-se determinantes da ação. Cai por terra a noção de arbitrariedade ou de ação isolada do contexto. Parece também cair por terra a noção de ação livre, mas não é o que ocorre. Leibniz acredita na ação livre, se ela for ao mesmo tempo 'contingente, espontânea e refletida'.


A Leibnizhaus era originalmente uma casa da cidade renascentista construída em 1499, em Hanover, que é nomeada após o filósofo Leibniz. Ele viveu nesta casa desde 1698 até sua morte em 1716. O edifício foi destruído em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, em um ataque aéreo em Hannover.
A contingência: a contingência opõe-se à noção de necessidade, não à de determinação. A ação é sempre contingente, porque seu oposto é sempre possível.


A espontaneidade: e ação é espontânea, quando o princípio de determinação está no agente, não no exterior deste. Toda ação é espontânea e tudo o que o indivíduo faz depende, em última instância, dele próprio.


A reflexão: qualquer animal pode agir de forma contingente e espontânea. O que diferencia o animal humano dos demais é a capacidade de reflexão que, quando operada, caracteriza uma ação como livre. Os homens têm a capacidade de pensar a ação e saber por que agem.


As mônadas: a contribuição mais importante de Leibniz para a metafísica é a sua teoria sobre as mônadas, expostas em sua obra Monadologia. As mônadas equivalem para a realidade metafisica, o que os átomos equivalem para os fenômenos físicos. As mônadas são os elementos máximos do universo. As mônadas são "formas substancias do ser com as seguintes propriedades: elas são eternas, indecompostas, individuais, sujeita as suas próprias leis, sem interação mútua, e cada uma refletindo o próprio universo dentro de uma harmonia preestabelecida (historicamente um exemplo importante de pampsiquismo). Mônadas são centros de forças; substância é força, enquanto o espaço, extensão e movimento são meros fenômenos. A essência ontológica das mônadas é sua simplicidade irredutível. Assim como os átomos, as mônadas não possuem nenhuma matéria ou caráter espacial. Elas ainda se diferenciam dos átomos por sua completa mútua independência, assim as interações entre as mônadas são só aparentes. Em vez disso por força do principio da harmonia preestabelecida, cada mônada, segue uma instrução pré-programada, peculiar para si, assim uma mônada sabe o que fazer em cada situação. (Essas "instruções" podem ser análogas as leis cientificas que governam as partículas subatômicas). Pelo princípio dessas instruções intrínsecas, cada monada é como um pequeno espelho do universo. Mônadas não são necessariamente "diminutas"; e.g., cada ser humano é constituído por uma mônada, na qual o tema do livre-arbítrio é problematizado. Deus, também, é uma Mônada, e a existência de Deus pode ser inferida através da harmonia que se prevalece diante de todas as mônadas; Deus através de sua razão e vontade se afigura o universo através da harmonia preestabelecida.





As mônadas são referidas e problematizadas por outras correntes filosóficas por:
- Problematização das interações entre a mente e a extensão, como abordado no sistema de Descartes.


- Falta de individualização inerente no sistema de Espinoza, da qual representa as criaturas individuais como meros acidentes.


  • A monadologia parece arbitraria, até mesmo excêntrica.



Cientista e engenheiro

Os escritos de Leibniz estão a ser discutidos até os dias de hoje, não apenas por suas antecipações e possíveis descobertas ainda não reconhecidas, mas como formas de avanço do conhecimento atual. Grande parte de seus escritos sobre a física está incluído nos Escritos Matemáticos de Gerhardt.


Física: 

Leibniz teve grandes contribuições para a estática e a dinâmica emergentes sobre ele, muitas vezes em desacordo com Descartes e Newton. Ele desenvolveu uma nova teoria do movimento (dinâmicas) com base na energia cinética e energia potencial, que postulava o espaço como relativo, enquanto Newton sentira fortemente o espaço como algo absoluto. Um exemplo importante do pensamento maduro de Leibniz na questão da física é seu Specimen Dynamicum de 1695. Até a descoberta das partículas subatômicas e da mecânica quântica que os regem, muitas das ideias especulativas de Leibniz sobre aspectos da natureza não redutível a estática e dinâmica faziam pouco sentido. Por exemplo, ele antecipou Albert Einstein, argumentando, contra Newton, que o espaço, tempo e movimento são relativos, não absolutos. As regras de Leibniz são importantes, se muitas vezes esquecidas, provas em diversos campos da física. O princípio da razão suficiente tem sido invocado na cosmologia recente, e sua identidade dos indiscerníveis na mecânica quântica, um campo de algum crédito, mesmo com ele tendo antecipado em algum sentido. Aqueles que defendem a filosofia digital, uma direção recente em cosmologia, alegam Leibniz como precursor.


Mónade



Mónade, termo normalmente vertido por mónada ou mônada, é um conceito-chave na filosofia de Leibniz. No sistema filosófico deste autor, significa substância simples- do grego μονάς, μόνος, que se traduz por "único", "simples". Como tal, faz parte dos compostos, sendo ela própria sem partes e portanto, indissolúvel e indestrutível.



Substância

Leibniz usa constantemente a expressão substância simples quando se refere à mónade. Cada mónade apresenta-se, neste sentido, como um mundo distinto, à parte, próprio - mas também como unidade primordial que compõe todos os corpos. Contudo, Leibniz não aceita a substancialidade da extensão, teoria de algum modo provinda de René Descartes e manifestada pelos cartesianos da época - Nicholas Malebranche e Antoine Arnauld. Isto significa que a concepção leibniziana começa a afastar-se da tradição típica do século XVII.



Átomo



As mónades são consideradas átomos da natureza, isto é, elementos simples que compõem todas as coisas. Cada mônada é, no entanto, distinguível das outras, possuindo qualidades que variam unicamente por princípio interno, visto que, enquanto substância pura, nenhuma causa exterior pode influir no seu interior. Não havendo partes em uma mónade, ela possui um detalhe múltiplo, isto é, envolve uma multiplicidade na unidade e expressa o universo sob um determinado ponto de vista ou seja é dotada de percepção. Uma mônada não pode exercer qualquer efeito sobre a outra pois entre elas ocorre uma acomodação, através de Deus, que, ao fazer cada uma, teve em conta todas as outras. Dado que cada mónade possui em si a representação de todo o Universo e da relação entre todas as mónades, um espírito absoluto - Deus - pode, segundo Leibniz, a partir do que se passa em cada uma, inferir por mero cálculo o que se passa, o que se passou ou passar-se-á em todo o Universo.



Monadologia



Um manuscrito da Monadologia.
Instado por Nicolas Rémond, conselheiro do duque de Orleans, Leibniz escreveria os Princípios da Filosofia - Monadologia já no final de sua vida, em 1714, para sustentar uma metafísica das substâncias simples. Editada postumamente, em 1720, é uma das obras que melhor resumem sua filosofia. Nela, Leibniz tenta expor globalmente, de uma forma simples, o seu sistema das mônades. Trata-se de átomos formais, que não são físicos, mas sim metafísicos. Mais de um século depois, em 1840, a edição francesa de Erdmann viria a intitular a obra simplesmente de Monadologia e o hábito já estabelecido de chamar monadologia à descrição do sistema de mónades viria, a partir daí, a estabelecer-se.



Fundamento



Leibniz fundamenta as mônadas em cinco bases, ao longo da obra:


  • Matemática, pelo cálculo infinitesimal e suas conclusões antiatomistas (no sentido materialista de Epicuro, Lucrécio e Pierre Gassendi);
  • Física, pela teoria das forças vivas e, implicitamente, pela crítica à dinâmica cartesiana, cujos erros estimativos Leibniz se encarregou de destacar;
  • Metafísico, pelo princípio da razão suficiente que, assim como a navalha de Ockham, não pode retroceder indefinidamente e requer um ponto de partida em cada ser, determinado a trabalhar por sua própria vontade ou inércia;
  • Psicológico, pelo postulado das idéias inatas, contido nos Novos ensaios sobre o entendimento humano, que serviu de base para Kant redigir sua Crítica da Razão Pura;
  • Biológico, pela pré-formação seminal dos corpos e a subdivisão de funções em seu desenvolvimento orgânico.



Exposição



A Monadologia está exposta através de parágrafos lógicos, geralmente derivados um do outro, até o nonagésimo. Recebeu tal nome porque o autor quis retomar os termos monas (em grego: unidade), e logos (tratado ou ciência. Monadologia seria portanto o tratado das mônadas ou a ciência da unidade. O texto apresenta-se de maneira que o leitor pode colocar-se perguntas que o auxiliam na compreensão da obra. Assim, por exemplo, é possível acompanhar a defesa de que o composto é derivado, extensão, fenômeno ou repetição do simples (idéia que Kant expressaria, por sua vez, na dicotomia fenômeno-noúmeno). Seria a alma uma mônada também? Se o for, ela é uma substância simples; caso contrário, é um composto e não pode ser uma mônada.



Qualidades das mônadas



As qualidades básicas das mônadas são a apetição e a percepção. Apetição é a tendência que nos impele, continuamente de uma percepção a outra - o princípio de mudança interna. É regida pelas leis das causas finais do bem e do mal. A apetição exprime a mobilidade das almas, que não estão jamais em repouso e tendem continuamente a uma melhor harmonia interior. Entre as mônadas racionais (as almas) é necessário assinalar também a apercepção, ou seja, a reflexão e a consciência. Por outro lado, as mônadas carecem de uma figura, ainda que ocupem espaço, e - antecipando a Teoria da Relatividade - são o referencial absoluto do movimento.



Polêmica dentro do racionalismo



Quando foi escrita, a Monadologia procurou colocar, a partir do monismo - rechaçando, porém, o pan-psiquismo espinoziano - o problema da realidade em geral e o da comunicação das substâncias em particular, ambos estudados
Selo alemão de 1966.
também por Descartes. Assim, Leibniz apresentou uma solução alternativa à questão da relação entre a mente ("o reino das causas finais" ou teleológicas) e a realidade extensa a-substancial ("o reino das causas eficientes" ou mecânicas) por meio de uma harmonia pré-estabelecida entre as mônadas e a matéria, por um lado, e entre as próprias mônadas entre si, pelo outro lado. Leibniz, na sua Monadologia, combateu o sistema dualista cartesiano e propôs-se superá-lo através de um sistema metafísico de caráter ao mesmo tempo monista (só o inextenso é substancial) e pluralista (as substâncias estão disseminadas no mundo em número infinito). Uma mônada é uma força irredutível que dá aos corpos as suas características de inércia e impenetrabilidade e que contém em si mesma a fonte de todas as suas ações. As mônadas são os elementos primeiros de todas as coisas compostas.



Paradoxos e Aporias



As mônadas são matéria, já que estão em todas as partes. Não há uma mínima porção de extensão sem Mônadas. As Monadas são aquilo de que se compõe a extensão, porém elas mesmas não possuem extensão; o que não significa que sejam, por sua função, nulas (pois projetam e refletem força), nem imateriais (pois acompanham a matéria), nem materiais (pois nada que seja material pode
Selo alemão de 1980.
interagir com elas). A materialidade extensa consistiria na impenetrabilidade do inextenso - a mônada, "sem portas ou janelas" - transmitida passivamente por sucessões de movimentos que, junto com a percepção e a apercepção, integram o fazer ativo. A mônada não pode permanecer situada naquilo que ela hipoteticamente gera, a extensão mesma, antes do ato gerador, acontecido no tempo. Portanto, extensão e mônada coexistem acausalmente e por criação intemporal, apesar de se vincularem de forma recíproca segundo as aparências. Em resumo, afirma-se que a matéria é extensa, mas não só extensa. É formada de mônadas inextensas. Portanto seria extensa e inextensa? Não, já que a função da mônada é constituir a matéria, sem que se possa dizer que esta seja nada de concreto . A chave é saltar da afirmação "a matéria é aou é b" para a rotunda negação: "a matéria não é".



Conclusões



Esta teoria conduz:
 


1) ao idealismo, porque a realidade em si é negada e multiplicada através de diferentes pontos de vista. As mônadas são "espelhos indestrutíveis do universo".


2) ao que tem sido chamado "otimismo metafísico", pelo princípio de razão suficiente, que é o conjunto das condições requeridas para a produção de um ser ou de um acontecimento e se desenvolve da seguinte maneira: a- tudo é por uma razão (segundo o axioma: do nada, nada provém); b- tudo o que é tem mais razões para ser do que para não ser (que seja é a melhor razão); c- tudo o que é também é melhor do que aquilo que não é (pelo item "a", ao ser mais racional, contém mais ser) e, por conseguinte, é o melhor possível (com base no axioma, o que contém mais ser é melhor do que contém menos ser). Daí a tese do melhor dos mundos possíveis, isto é, aquele "dotado de maior variedade de fenômenos com base no menor número de princípios".


3) à justificação do livre arbítrio pela harmonia preestabelecida. Esta refuta o fatalismo das causas eficientes ou geométricas (Espinosa), distinguindo entre predeterminação - já que nada do que se torna é indiferente, pois conta com uma razão para ser, antes do que não ser - e necessidade - dado que tudo o que é poderia ter sido de outro modo, na infinidade de mundos possíveis, com o que não é necessário no sentido de ser seu oposto contraditório.


4) a um emergentismo inverso. A extensão e as demais propriedades materiais viriam a ser fenômenos não redutíveis ao seu substrato ontológico. Do simples ao complexo, e não do complexo (a matéria, o movimento) ao simples (a percepção, a intenção).



Teodiceia

Teodiceia é um ramo da teologia que trata da coexistência de um Deus todo-poderoso de bondade infinita com o mal. O termo teodiceia provém do grego θεός - theós, “Deus”e δίκη - díkē, “justiça”, que significa, literalmente, "justiça de Deus". O termo foi criado em 1710 pelo filósofo alemão Gottfried Leibniz num trabalho intitulado Essais de Théodicée sur la bonté de Dieu, la liberté de l'homme et l'origine du mal. O propósito do ensaio era demonstrar que a presença do mal no mundo não entra em conflito com a bondade de Deus — ou seja, não obstante as diversas manifestações de iniqüidade no Mundo, este é o melhor dos mundos possíveis. A teodiceia é a parte da Filosofia que pretende demonstrar racionalmente a existência e os atributos de Deus. Para isso, usa apenas a razão humana, sem utilizar nenhum registro sagrado. Prevê que existe um Deus que nos dá livre-arbítrio, ou seja, opção de escolha. As escolhas, porém, não sendo feitas com responsabilidade, conduzem o homem ao mal natural ou o mal moral.

Origem do mal

Deus, no versículo 7 do capítulo 45 do livro de Isaías da Bíblia cristã, tratando-se como 'o Senhor', informa que Ele cria, entre outras coisas, não apenas a paz, mas também o mal:
Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas”.
Desta forma a autoria de um mal observado num universo cristão, pode ser atribuída ao Deus cristão ou ao Diabo cristão. Devendo ser considerado cada caso em separado. Contudo, observa-se que a autoria de um mal observado é mais comumente atribuída ao último.




Citações de Leibniz





  • "Entendo por razão, não a faculdade de raciocinar, que pode ser bem ou mal utilizada, mas o encadeamento das verdades que só pode produzir verdades, e uma verdade não pode ser contrária a outra". [carece de fontes]


  • "Amar é sentir na felicidade do outro a própria felicidade". [carece de fontes]


  • "Toda substância é um mundo à parte, independente de todo o resto, exceto de Deus".


  • "Sabemos de quase nada adequadamente, de poucas coisas a priori, e da maioria por meio da experiência".


 

Correspondência entre Leibniz e Samuel Clarke



Primeira carta de Leibniz a Clarke (Nov. 1715)


1. Parece-me que a religião natural está excessivamente enfraquecida (na Inglaterra). Muitos julgam as almas (humanas) corporais; outros, que o próprio Deus é corporal.


Túmulo de Leibniz, Hannover, Neustädter Kirche.
2. O senhor Locke e seus seguidores duvidam, ao menos, se as almas não são materiais e naturalmente perecíveis.


3. Sir Isaac Newton afirma que o espaço é um órgão pelo qual Deus sente as coisas. Mas se Ele necessita de algum meio para as sentir, disto se segue que elas não dependem inteiramente d’Ele e não são Sua produção.


4. Sir Isaac Newton e seus seguidores também possuem opinião singular sobre a obra de Deus. De acordo com eles, Deus necessita, de tempos em tempos, dar corda em seu relógio, pois do contrário ele deixaria de funcionar. Ele não teve a suficiente presciência para dar-lhe um movimento perpétuo. Esta máquina de Deus é até tão imperfeita, segundo eles, que Ele se vê obrigado a poli-la de tempos em tempos por um concurso extraordinário, e mesmo consertá-la, tal qual um relojoeiro faz com sua obra, o qual será tanto pior profissional quanto mais vezes se vir obrigado a retocar e corrigir seu trabalho. Na minha opinião, (o mundo sempre contém) a mesma quantidade de força e de energia, que apenas passa de uma coisa material a outra, conforme as leis da natureza e a bela ordem pré-estabelecida. E sustento que Deus, ao operar milagres, assim o faz não para satisfazer as necessidades da natureza, mas sim as da graça. Qualquer um que pense diferentemente deve ter uma muito indigna noção da sabedoria e do poder de Deus".

Gottfried Wilhelm Leibniz

Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Wilhelm_Leibniz