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| Pierre Simon Laplace. |
Pierre Simon Laplace. (marquês de Laplace). (23/03/1749-05/03/1827). Astrônomo, físico e matemático francês. Em 1788, publica Les Lois Du Système Planétaire. Nascido em Beaumont-en-Auge, morreu em Paris. Filho de camponeses, Laplace cursou Matemática na Escola Militar de sua terra natal. Entre outros cargos, ocupou a pasta do Interior (nomeado por Napoleão Bonaparte); senador em 1799, Laplace foi vice-presidente do Senado em 1803. Após a Restauração foi nomeado par do reino e feito marquês, por determinação do rei. Membro da Academia Francesa. Entre outras obras, publicou: Teoria do Movimento e da Figura dos Planetas (1784); Teoria das Atrações dos Esferóides e da Figura dos Planetas (1785); Exposição do Sistema do Mundo, que teve cinco edições, de 1796 a 1824; Tratado de Mecânica Celeste (1799); Teoria Analítica das Propriedades (1812, 1814, 1820); Ensaio Filosófico Sobre as Probabilidades (1814). Na Exposição do Sistema do Mundo trata dos movimentos aparentes dos corpos celestes, dos movimentos reais desses corpos, das leis do movimento e da teoria da gravitação universal. Expôs a teoria da nebulosa sobre a origem da Terra, formulada primeiramente por Immanuel Kant e por ele aperfeiçoada (segundo Laplace o sistema solar provém de uma nebulosa inicial que se fragmentou). (1).
Contribuição para o sistema métrico decimal
O chamado sistema métrico decimal, que tem por base de medida o metro,
teve origem na França no século XVIII. A história remonta a 1790, data em que a Assembléia Constituinte de França, por decreto, confiou à Academia de Ciências de Paris a organização de novo sistema de medidas. Um ano mais tarde, os acadêmicos Laplace, Borda, Monge, Lagrange, Condorcet e, notadamente, Delambre e Méchain decidiram projetar um sistema racional de pesos e medidas, que teria base no comprimento da décima milionésima parte da quarta parte do meridiano terrestre, compreendido entre Dunquerque (porto francês, situado no Mar do Norte) e Barcelona (porto da Espanha, no Mediterrâneo). Delambre e Méchain encarregaram-se de medir o arco desse meridiano, e fixaram definitivamente, em 1799, para a unidade de comprimento, a quadragésima milionésima parte da divisão daquele meridiano. Fabricou-se então, uma unidade básica, o metro, que é o comprimento, à temperatura de 0°, do metro internacional de platina iridiada (irídio é um elemento químico, metal, de peso atômico 193,1; aparece com freqüência em determinados minérios de platina). Essa unidade internacional de comprimento, em que se baseia o sistema métrico, acha-se no pavilhão de Breteuil, em Sévres, cidade francesa. Em 1801, o sistema métrico foi introduzido na França, para em 1840, tornar-se obrigatório em todas as cidades francesas. Lafèvre-Guineau, mais tarde, estabeleceu as relações entre o quilograma e as medidas de massa então usadas. O sistema métrico divulgou-se em 1875 com a memorável Convenção do Metro, realizada em paris. Decidiu-se, em assembléia, o reconhecimento internacional desse sistema, que passou a ser adotado por inúmeros países. Em 1889, distribuíram-se, por sorte, entre as nações signatárias da Convenção do Metro, quarenta cópias do célebre metro-padrão, de platina iridiada. Na histórica Convenção do Metro (1875), fizeram-se representar 18 países. (2).
| Instrumentos de medidas. |
Medida
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Símbolo
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Fator
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tera
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T
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1.000.000.000.000
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giga
|
G
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1.000.000.000
|
mega
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M
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1.000.000
|
kilo
|
k
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1.000
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hecto
|
h
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100
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none
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none
|
1
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deci
|
d
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0.1
|
centi
|
c
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0.01
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milii
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m
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0.001
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micro
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μ
|
0.000.001
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nano
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n
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0.000.000.001
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pico
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p
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0.000.000.000.001
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Laplace organizou a astronomia matemática, sumarizando e ampliando o trabalho de seus predecessores nos cinco volumes do seu Mécanique Céleste (Mecânica Celeste) (1799-1825). Esta obra-prima traduziu o estudo geométrico da mecânica clássica usada por Isaac Newton para um estudo baseado em cálculo, conhecido como mecânica física. Ele também formulou a equação de Laplace. A transformada de Laplace aparece em todos os ramos da física matemática — campo em que teve um papel principal na formação. O operador diferencial de Laplace, da qual depende muito a matemática aplicada, também recebe seu nome. Ele se tornou conde do Império em 1806 e foi nomeado marquês em 1817, depois da restauração dos Bourbons.
Biografia
Pierre Simon Laplace nasceu em Beaumont-en-Auge, Normandia, filho de um
pequeno trabalhador rural e deve sua educação ao interesse incitado em alguns vizinhos abastados graças às suas habilidades e presença atrativa. De pupilo, se tornou professor-assistente na escola em Beaumont; mas, tendo procurado uma carta de apresentação, foi a Paris tentar sua sorte. Um artigo sobre os princípios da mecânica instigou o interesse de d'Alembert e, sob sua recomendação, foi oferecido um lugar na escola militar a Laplace. Seguro das suas competências, Laplace dedicou-se, então, a pesquisas originais e, nos dezessete anos seguintes, 1771-1787, produziu boa parte de seus trabalhos originais em astronomia. Tudo começou com uma memória, lida perante à Academia Francesa em 1773, em que mostrava que os movimentos planetários eram estáveis, levando a prova até o ponto dos cubos das excentricidades e das inclinações. Isso foi seguido por vários artigos sobre tópicos em cálculo integral, diferenças finitas, equações diferenciais e astronomia. Laplace tinha um amplo conhecimento de todas as ciências e dominava todas as discussões na Académie. De forma razoavelmente única para um prodígio de seu nível, Laplace via os matemáticos apenas como uma ferramenta para ser utilizada na investigação de uma averiguação prática ou científica. Laplace passou a maior parte de sua vida trabalhando na astronomia matemática que culminou em sua obra-prima sobre a prova da estabilidade dinâmica do sistema solar, com a suposição de que ele consistia de um conjunto de corpos rígidos movendo-se no vácuo. Ele formulou independentemente a hipótese nebular e foi um dos primeiros cientistas a postular a existência de buracos negros e a noção do colapso gravitacional. Ele é lembrado como um dos maiores cientistas de todos os tempos (às vezes, chamado de Newton francês ou Newton da França) com uma fenomenal capacidade matemática natural sem par entre seus contemporâneos. Parece que Laplace não era modesto sobre suas habilidades e realizações e ele provavelmente não conseguia reconhecer o efeito de sua atitude sobre seus colegas. Anders Johan Lexell visitou a Académie des Sciences em Paris, em 1780-1781 e relatou que Laplace deixava claro que se considerava o melhor matemático da França. O efeito sobre seus colegas só seria relativamente abrandado pelo fato de que Laplace muito provavelmente estava correto.
| Estátua em Beaumont-en-Auge |
Teoria das Probabilidades
Embora conduzisse bastante pesquisa sobre física, outro tema principal dos esforços de sua vida era a teoria das probabilidades. Em seu Essai philosophique sur les probabilités, Laplace projetou um sistema matemático de raciocínio indutivo baseado em probabilidades, que hoje coincidem com as idéias Bayesianas. Uma fórmula bem-conhecida surgida de seu sistema é a regra de sucessão.
Suponha que um processo só tenha dois possíveis resultados, rotulados
"sucesso" e "falha": sob a suposição de que pouco ou nada é conhecido a priori
sobre as plausibilidades relativas dos resultados, Laplace derivou uma
fórmula para a probabilidade de que o próximo processo seja um sucesso.
onde s é o número de sucessos anteriormente observados e n
é o número total de processos observados. Ele ainda é usado como
estimativa para a probabilidade de um evento se soubermos o espaço do
evento, mas tivermos apenas um pequeno número de amostras. A regra da
sucessão tem sido objeto de muita crítica, parcialmente devido ao
exemplo que Laplace escolheu para ilustrá-la. Ele calculou que a
probabilidade de que o Sol nascerá amanhã, dado que ele nunca falhou em
fazê-lo no passado, era
onde d
é o número de vezes que o Sol nasceu no passado. Este resultado tem
sido ridicularizado como absurdo e alguns autores concluíram que todas
as aplicações da regra da sucessão eram absurdas por extensão. Porém,
Laplace tinha total noção da absurdidade do resultado; imediatamente
após o exemplo, ele escreveu, "Contudo,
este número [isto é, a probabilidade de que o Sol nascerá amanhã] é
bem maior para aquele que, vendo na totalidade dos fenômenos o
princípio regulando os dias e as estações, percebe que nada no atual
momento pode impedir o caminho dele".
Demônios de Laplace
Laplace acreditava fortemente no determinismo, o que é expressado na seguinte citação da introdução do Essai:
Este intelecto freqüentemente é chamado de demônio de Laplace (na mesma linha do demônio de Maxwell).
Note-se que a descrição do intelecto hipotético descrito acima por
Laplace como um demônio não veio de Laplace, mas de biógrafos
posteriores: Laplace se via como um cientista que esperava que a
humanidade progrediria para um melhor entendimento científico do mundo,
o que, se e quando por fim concluído, ainda exigiria um tremendo poder
de cálculo para computar tudo em um único instante. Enquanto Laplace
via primeiramente problemas práticos para que a humanidade atingisse tal estado final de conhecimento e computação, interpretações da mecânica quântica posteriores, que foram adotadas por filósofos defendendo o livre-arbítrio, também deixam a possibilidade teórica de tal "intelecto" contestada. Uma implementação física do Demônio de Laplace foi chamada de Computador Laplaciano.
Recentemente foi proposto um limite do poder computacional do
universo, isto é, a habilidade do demônio de Laplace de processar
informação. O limite é baseado na máxima entropia do universo, na
velocidade da luz e na quantidade mínima de tempo necessária para mover
informações pelo comprimento de Planck - o número resulta em 2130
bits. De acordo com ele, qualquer coisa que exija mais do que esta
quantidade de informações não pode ser computada na quantidade de tempo
que já transcorreu no universo. (Uma real teoria de tudo pode, evidentemente, encontrar uma exceção para este limite).
Harmônicos esféricos ou coeficientes de Laplace
Durante os
anos de 1784-1787, ele produziu algumas memórias de poder excepcional.
Proeminente entre essas está uma lida em 1784 e reimpressa no terceiro
volume da Méchanique Céleste, na qual ele determinou
completamente a atração de um esferóide sobre uma partícula fora dele.
Isto é memorável para a introdução à análise de harmônicos esféricos ou coeficientes de Laplace, assim como para o desenvolvimento do uso do potencial - um nome dado primeiro por George Green
em 1828. Sejam as coordenadas de dois pontos (r,μ,ω) e (r',μ',ω'); se
r' ≥ r, então a recíproca da distância entre eles podem ser expandida
em potências de r/r' e os respectivos coeficientes serão coeficientes
de Laplace. Sua utilidade surge do fato de que toda função das
coordenadas de um ponto na esfera pode ser expandida em uma série
deles. Deve ser notado que os coeficiente similares para espaços de duas
dimensões, junto com algumas de suas propriedades, foram dados
previamente por Adrien-Marie Legendre em um artigo
submetido à Academia Francesa em 1783. Legendre tinha um bom motivo para
reclamar da forma pela qual foi tratado neste assunto. Este artigo é
também notável pelo desenvolvimento da idéia do potencial, que foi
apropriada de Joseph-Louis Lagrange, que o usou em suas memórias de 1773, 1777 e 1780. Laplace mostrou que o potencial sempre satisfazia a equação diferencial
e sobre este resultado seu subseqüente trabalho sobre atrações foi baseado. A quantidade
foi denominada a concentração de
e seu valor em dado ponto indica o excesso do valor de
, portanto, seu valor médio na vizinhança do ponto. A equação de Laplace, ou a forma mais geral, a equação de Poisson,
, aparece em todos os ramos da física matemática. De acordo com alguns escritores, isso se deve ao fato de que
é um operador escalar ou possivelmente pode ser considerado por um Kantiano como o sinal externo de uma das formas necessárias pelas quais todos os fenômenos são percebidos.
Desigualdades planetárias
Esta
memória foi seguida por outra sobre desigualdades planetárias, que foi
apresentada em três seções em 1784, 1785 e 1786. Ela lidava
principalmente com a explicação da "grande desigualdade" de Júpiter e
Saturno. Laplace mostrou por considerações gerais que a ação mútua dos
dois planetas jamais poderia afetar de forma significativa as
excentricidades e inclinações de suas órbitas; e que as peculiaridades
do sistema Joviano eram devidas à semelhança próxima da
comensurabilidade dos movimentos médios de Júpiter e Saturno. Mais
desenvolvimentos desses teoremas sobre movimentos planetários foram
dados em suas duas memórias de 1788 e 1789. Foi sobre essas informações
que Delambre computou suas tabelas astronômicas. O ano
de 1787 se tornou memorável pela explicação e análise de Laplace da
relação entre a aceleração lunar e as mudanças seculares na
excentricidade da órbita da Terra: esta investigação completou a prova
da estabilidade de todo o Sistema Solar na suposição de que este
consiste de um conjunto de corpos rígidos movendo-se no vácuo. Todas as
memórias acima referidas foram apresentadas à Academia Francesa e
estão impressas no Mémoires Présentés Par Divers Savants.
Mecânica celeste
Laplace
determinou como objetivo próprio escrever uma obra que deveria
"oferecer uma solução completa para o grande problema mecânico
apresentado
pelo Sistema Solar e fazer com que a teoria
coincida tanto com a observação que equações empíricas não mais
encontrem lugar em tabelas astronômicas". O resultado está
personificado no Expostion du Système du Monde e no Méchanique Céleste.
O primeiro foi publicado em 1796 e dá uma explicação geral sobre os
fenômenos, mas omite todos os detalhes. Ele contém um sumário da
história da astronomia; este sumário concedeu ao seu autor a honra da
admissão aos quarenta anos de idade na Academia Francesa. Ele é
geralmente considerado como uma das obras-primas da literatura
francesa, embora não seja como um todo confiável para os períodos
posteriores no que trata. A hipótese nebular foi ali
enunciada. De acordo com esta hipótese, o sistema solar evolui a partir
de uma massa globular de gás incandescente revolvendo em torno de um
eixo atravessando o seu centro de massa. À medida que esfriava, esta
massa se contraiu e anéis sucessivos saíram de sua borda exterior. Esses
anéis, por sua vez, esfriaram-se e finalmente, condensaram-se para
formar os planetas, enquanto o Sol representa o núcleo central do que
ainda restara. Com esta visão, seria esperado que os planetas mais
distantes fossem mais antigos do que os mais próximos ao Sol. O assunto
é de grande dificuldade e, embora pareça certo que o Sistema Solar
tenha uma origem comum, existem várias características que parecem
quase inexplicáveis através da hipótese nebular enunciada por Laplace.
Provavelmente, a melhor
opinião moderna tende à visão de que condensação
nebular, condensação meteórica, fricção de fluxo e possivelmente outras
causas ainda não reveladas tenham tido um papel na evolução do sistema.
A idéia da hipótese nebular já tinha sido esboçada por Kant,
em 1755, e ele também sugeriu agregações meteóricas e fricção de fluxo
como causas afetando a formação do sistema solar; é provável que
Laplace não soubesse disso. De acordo com a regra publicada por Titius de Wittemberg, em 1766 - mas geralmente conhecida como Lei de Bode, do fato de que atenção foi chamada a ela por Johann Elert Bode,
em 1778 - as distâncias dos planetas para o Sol estavam muito próximas
à proporção dos números 0 + 4, 3 + 4, 6 + 4, 12 + 4, etc., o enésimo
termo sendo ((n − 1) · 3) + 4. A discussão analítica de Laplace sobre o Sistema Solar é dada em seu Méchanique Céleste,
publicado em cinco volumes. Os primeiros dois volumes, publicados em
1799, contêm métodos para calcular os movimentos dos planetas,
determinando suas posições e resolvendo problemas de curso. Os terceiro e
quarto volumes, publicados em 1802 e 1805, contêm aplicações desses
métodos e várias tabelas astronômicas. O quinto volume, publicado em
1825, é basicamente histórico, mas oferece como apêndices os resultados
das pesquisas mais recentes de Laplace. As próprias investigações de
Laplace incorporadas nele são muito numerosas e valiosas, tendo muitos
resultados sido apropriados de escritores com pouco ou nenhum
reconhecimento, e as conclusões - que foram descritas como o resultado
organizado de um século de paciente labuta - são freqüentemente
mencionadas como se devessem apenas a Laplace. Jean Baptiste Biot,
que ajudou Laplace a revisá-lo para a impressão, disse que o próprio
Laplace freqüentemente não conseguia se lembrar dos detalhes na cadeia
de raciocínio e, se acreditasse que as conclusões estavam corretas,
ficava contente em inserir a frase constantemente recorrente, "Il est aisé à voir". O Méchanique Céleste não é apenas a tradução do Principia para a linguagem do cálculo diferencial, mas completa uma parte que Newton não pode trabalhar em detalhes. A obra recente de François Félix Tisserand
pode ser vista como a apresentação moderna da astronomia dinâmica na
visão clássica, mas o tratado de Laplace sempre permanecerá um modelo
exemplar.
| Representação artística da hipótese nebular de Laplace. |
| Pierre Simon, Marquis de Laplace. |
Ciência como predição
Laplace
foi ao estado para implorar para Napoleão aceitar uma cópia de seu
trabalho, que havia escutado que o livro não continha menção a Deus;
Napoleão, que era fã de propor perguntas desconcertantes, recebeu-o com
o comentário, "M.
Laplace, me disseram que você escreveu este grande livro sobre o
sistema do universo e jamais sequer mencionou seu Criador".
Laplace, que, embora o mais obsequioso dos políticos, era inflexível
como um mártir sobre cada aspecto de sua filosofia, levantou-se e
respondeu rispidamente, "Je n'avais pas besoin de cette hypothèse-là". (Eu não precisei fazer tal suposição). Napoleão, que apreciou a resposta, a contou a Lagrange, que exclamou, "Ah! c'est une belle hypothèse; ça explique beaucoup de choses" (Ah! essa é uma bela suposição; ela explica muitas coisas), ao que Laplace então declarou: "Cette
hypothèse, Sire, explique en effet tout, mais ne permet de prédire
rien. En tant que savant, je me dois de vous fournir des travaux
permettant des prédictions" ("Esta hipótese, Majestade,
realmente explica tudo, mas não permite predizer nada. Como um
estudioso, eu devo fornecer a você trabalhos que permitam predições." - citado por Ian Stewart e Jack Cohen). Laplace, então, definiu a ciência como uma ferramenta de predição.
Buraco Negro
| Buraco Negro |
Laplace
também esteve próximo a propor o conceito de buraco negro. Ele observou
que poderia haver estrelas maciças cuja gravidade seria tão grande que
nem mesmo a luz escaparia de sua superfície. Laplace também especulou
que algumas nebulosas reveladas pelos telescópios poderiam não ser parte
da Via Láctea e seriam, na verdade, galáxias em si. Portanto, ele
antecipou a principal descoberta de Edwin Hubble cerca de 100 anos antes de acontecer.
Teoria analítica das probabilidades
Em 1812 Laplace publicou seu Théorie Analytique des Probabilités.
O método de estimar a proporção do número de casos favoráveis,
comparado ao
número total de casos possíveis, já havia sido indicado por
Laplace em um artigo escrito em 1779. Ele consiste em tratar os
valores sucessivos de qualquer função como coeficientes na expansão de
outra função, com referência a uma variável diferente. A última é,
portanto, chamada de função geradora da primeira. Laplace então mostra
como, por meios da interpolação, esses coeficientes podem ser
determinados a partir da função geradora. Em seguida, ele ataca o
problema converso e, a partir dos coeficientes, encontra a função
geradora; isso é obtido pela solução de uma equação com diferenças
finitas. O método é trabalhoso e leva na maior parte das vezes para uma
distribuição normal de probabilidades, a chamada distribuição
Laplace-Gauss. Este tratado inclui a exposição do método dos mínimos quadrados,
um testemunho notável do domínio de Laplace sobre os processos de
análise. O método dos mínimos quadrados para a combinação de numerosas
observações já havia sido dado empiricamente por Carl Friedrich Gauss e Legendre,
mas o quarto capítulo desta obra contém uma prova formal dele, sobre a
qual toda a teoria dos erros tem sido baseada. Isso foi afetado apenas
por uma análise mais intricada especialmente inventada para este
propósito, mas a forma na qual ela é apresentada é tão escassa e
insatisfatória que, apesar da acurácia uniforme dos resultados, já foi
questionado se Laplace realmente fez todo o complicado trabalho que ele
indica tão brevemente e, geralmente, de forma incorreta. Laplace parece
ter visto a análise como meramente um meio de lidar com problemas
físicos, embora a habilidade com que ele inventou as análises
necessárias é quase fenomenal. Enquanto seus resultados fossem
verdadeiros, ele dispendia pouco esforço para explicar os passos pelos
quais chegou a eles; ele nunca estudou elegância ou simetria em seu
processo e era o suficiente para ele se pudesse de alguma maneira
resolver a questão em particular que ele estivesse discutindo. Em 1819
Laplace publicou um relato popular do seu trabalho sobre probabilidades.
Este livro tem a mesma relação com o Théorie des probabilités que o Système du monde tem com o Méchanique céleste.
Descobertas menores e realizações
Entre as descobertas menores de Laplace na matemática pura estão sua discussão (simultaneamente com Alexandre-Theóphile Vandermonde)
sobre a teoria geral dos determinantes em 1772; sua prova de que cada
equação de grau par deve ter pelo menos um fator quadrático real; sua
redução da solução de equações diferenciais lineares para definir integrais; e sua solução para a equação diferencial parcial linear
de segunda ordem. Ele também foi o primeiro a considerar os difíceis
problemas que envolviam equações de diferenças mistas e a provar que a
solução para uma equação por diferenças finitas do primeiro grau e da
segunda ordem podem sempre ser obtidas na forma de uma fração contínua.
Além dessas descobertas originais, ele determinou, em sua teoria das
probabilidades, os valores de um número das integrais definidas mais
comuns; e, no mesmo livro, deu a prova geral do
teorema enunciado por
Lagrange para o desenvolvimento de qualquer função implícita em uma
série através de coeficientes diferenciais. Junto com Thomas Young, é atribuído a Laplace a descrição da pressão sobre uma superfície curva, como demonstrado na equação Young-Laplace. Na física teórica, a teoria da atração capilar é devida a Laplace, que aceitou a idéia proposta por Francis Hauksbee no Philosophical Transactions
de 1709, que o fenômeno era devido a uma força de atração que era
imperceptível a distâncias razoáveis. A parte que lida com a ação de um
sólido sobre um líquido e a ação mútua de dois líquidos não foi
elaborada, mas completada, por fim, por Gauss; Carl Neumann, mais tarde, inseriu alguns detalhes. Em 1862 Lord Kelvin (Sir William Thomson)
mostrou que se fosse suposta a constituição molecular da matéria, as
leis da atração capilar poderiam ser deduzidas pela lei Newtoniana da
gravitação. Laplace, em 1816, foi o primeiro a mostrar explicitamente
por que a teoria do movimento vibratório de newton dava um valor
incorreto para a velocidade do som. A velocidade real é maior do que
aquela calculada por Newton em conseqüência do calor desenvolvido pela
súbita compressão do ar, que aumenta a elasticidade e, portanto, a
velocidade do som transmitido. As investigações de Laplace na física
prática ficaram confinadas àquelas feitas juntamente a Lavoisier nos anos de 1782 a 1784 sobre o calor específico de vários corpos. À medida que o poder de Napoleão
aumentava, Laplace implorou ao primeiro cônsul que lhe desse o posto de
ministro do interior. Napoleão, que desejava o apoio de homens da
ciência, concordou com a proposta; porém, a carreira política de Laplace
durou pouco menos de seis semanas. Embora
Laplace tenha sido removido do cargo, era desejável manter sua boa
vontade. Com um acordo, ele foi elevado ao senado e, no terceiro volume
do Mécanique Céleste, ele prefixou uma nota dizendo que
de todas as verdades ali contidas, a mais preciosa para o autor era a
declaração que ele então fez de sua devoção ao pacificador da Europa. Em
cópias vendidas após a restauração Bourbon, ela foi retirada. Em
1814 ficou evidente que o império estava caindo; Laplace se apressou a
oferecer seus serviços aos Bourbons e, quando a restauração ocorreu, foi
recompensado com o título de marquis (marquês). Laplace morreu em Paris, em 1827. Seu cérebro foi removido pelo seu médico François Magendie,
e conservou-se por muitos anos, acabou sendo exibido em um museu de
anatomia na Grã-Bretanha. Por incrível que pareça, o seu cérebro foi
considerado menor do que a média (falando-se em tamanho).
| Cimetière du Père Lachaise onde está sepultado Laplace. |
Citações de Laplace
- "O que sabemos não é muito. O que não sabemos é imenso".
- "Eu não precisei fazer tal suposição".
- - "Je n'avais pas besoin de cette hypothése-là", como resposta a Napoleão, que havia perguntado por que ele não havia mencionado Deus em seu livro sobre astronomia.
- "Como é fácil verificar..."
- - freqüentemente utilizado no Mecânica celeste, quando ele havia provado alguma coisa e perdido a prova ou a achou malfeita. Notória como sinal de algo verdadeiro, mas difícil de provar.
- "O peso da evidência de uma afirmação extraordinária deve ser proporcional à sua estranheza".
- - conhecido como o Princípio de Laplace.
- "É notável uma ciência que começou com jogos de azar tenha se tornado o mais importante objeto do conhecimento humano".
- - Em seu Théorie Analytique des Probabilités, 1812.
- "Leia Euler, leia Euler, ele é o mestre de todos nós".
| Laplace |
Referências:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Laplace
http://pt.wikiquote.org/wiki/Pierre_Simon_Laplace
http://www.findagrave.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre-Simon_Laplace
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