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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O que é o Complexo (psicologia)


Carl Jung
Complexo. A palavra complexo foi introduzida em Psicologia por Carl Gustav Jung: está hoje incorporada ao vocabulário cotidiano de todas as pessoas. Ouve-se freqüentemente: “Fulano tem complexo de superioridade”, “Beltrano tem um complexo de inferioridade”. Nise da Silveira escreve: “Há muito de incorreto nessas expressões. A verdade é que não somos nós que temos o complexo, o complexo é que nos tem, que nos possui. Com efeito, o complexo interfere na vida consciente, leva-nos a cometer gafes e lapsos, perturba a memória, envolve-nos em situações contraditórias, arquiteta sonhos e sintomas neuróticos. O complexo obriga-nos a perder a ilusão de que somos senhores absolutos em nossa própria casa”. Jiddu Krishnamurti, pensador hindu, não diria que “o complexo nos possui”. Diria que “nós somos o complexo”. Trazer à consciência os complexos inconscientes é um dos passos mais importantes para o conhecimento de si mesmo, bem assim para o tratamento das neuroses. Mas de nada vale a percepção dos complexos apenas em nível verbal, intelectual. Podemos “discorrer inteligentemente sobre os nossos complexos, mas eles continuam bem encravados na textura inconsciente-corpo, produzindo sintomas somáticos e psíquicos totalmente irracionais”, diz ainda Nise da Silveira. A verdadeira apreensão dos complexos, o real percebimento
Nise da Silveira
deles leva à libertação. Os “complexos” guardam relação íntima com os estados de introversão e extroversão, segundo Jung, ou subjetivos e objetivos, na classificação de Alfred Binet. Decorrentes do autismo, são determinantes do comportamento. Segundo renomado psicólogo, “as condutas da imaginação determinam o aparecimento (sobretudo na adolescência e mocidade) de duas atitudes que o indivíduo pode tomar em relação ao seu modo de agir. A esses aspectos particulares chamamos – 'autismo', porque se manifestam num perfeito egocentrismo. O indivíduo só se entende a si e não aos outros, que também não o entendem”. Isso resulta, mesmo nos indivíduos normais, “em uma desadaptação geral, quando a expansão e o desenvolvimento da 'imaginação criadora' começam a afirmar-se nas suas primeiras fugidas para além dos limites da realidade, enchendo os espíritos de anseios e de sonhos”. O “autismo” se divide em dois ramos – que são os dois tipos – subjetivo e objetivo, conforme denomina Binet, ou introvertidos e extrovertidos de acordo com Jung. Caracterizam-se esses tipos – um pelo fato
Alfred Binet
do espírito ficar sob demência do mundo exterior, que age sobre ele como uma espécie de atração indisfarçável; o outro, quando procura a satisfação que possa advir das impressões da vida interior. Todos nós passamos mais ou menos incessantemente por fases de introversão e extroversão. Esta é a de adaptação perfeita ao meio ambiente e aquela, de predomínio de motivos interiores, isto é, quando concentramos em nós mesmos os nossos impulsos, desejos e vontades. “Os 'extrovertidos' se sentem inclinados para o exterior; estão mais adaptados ao meio, seguem as variações e transformações materiais e sociais em suas flutuações. Agem mais; são de ação mais pronta. Os cientistas, industriais e comerciantes são extrovertidos e, entre os povos, os anglo-saxônicos e germânicos. Os 'introvertidos', inclinados mais para o interior, como que voltados para si mesmos, vivem mais do sonho, possuem imaginação criadora e fantasia mais fértil. Socialmente, vivem à margem do tempo,
Freud
esquecidos de tudo e de todos; originais, conservadores e excêntricos. Os profetas hebreus eram grandes introvertidos e, atualmente, os povos latinos, por isso mesmo mais artistas. De Sigmund Freud temos a classificação dos autistas em “narcísicos” - esquizóides quando se isolam no meio e os paranóides, que buscam reduzir o ambiente ao domínio do ego (egocentrismo) e acabam rebelando-se contra ele. A “afetividade” não é estranha a essa orientação intelectual do espírito. Como Jung e Binet afirmaram, essas duas atitudes encontram-se ao mesmo tempo em cada um de nós; muitas vezes, porém, uma delas prevalece sobre a outra sem se patentear como anormalidade. Nós somos solicitados, diz Binet, de um certo modo e em certas ocasiões, por dois mundos – interior e exterior; conforme os momentos ou as necessidades, nós nos orientamos por um ou por outro. Ora precisamos saber do que se passa em torno de nós, ora nos voltamos para nós mesmos, para refletir”. (biografiaecuriosidade.blogspot.com.br).