| Carl Jung |
Complexo.
A palavra complexo foi introduzida em Psicologia por Carl
Gustav Jung: está hoje incorporada ao vocabulário cotidiano
de todas as pessoas. Ouve-se freqüentemente: “Fulano
tem complexo de superioridade”, “Beltrano
tem um complexo de inferioridade”. Nise da
Silveira escreve: “Há
muito de incorreto nessas expressões. A verdade é que não somos
nós que temos o complexo, o complexo é que nos tem, que nos possui.
Com efeito, o complexo interfere na vida consciente, leva-nos a
cometer gafes e lapsos, perturba a memória, envolve-nos em situações
contraditórias, arquiteta sonhos e sintomas neuróticos. O complexo
obriga-nos a perder a ilusão de que somos senhores absolutos em
nossa própria casa”. Jiddu Krishnamurti,
pensador hindu, não diria que “o complexo nos possui”.
Diria que “nós somos o complexo”. Trazer à
consciência os complexos inconscientes é um dos passos mais
importantes para o conhecimento de si mesmo, bem assim para o
tratamento das neuroses. Mas de nada vale a percepção dos complexos
apenas em nível verbal, intelectual. Podemos “discorrer
inteligentemente sobre os nossos complexos, mas eles continuam bem
encravados na textura inconsciente-corpo, produzindo sintomas
somáticos e psíquicos totalmente irracionais”, diz
ainda Nise da Silveira. A verdadeira apreensão dos complexos,
o real percebimento
deles leva à libertação. Os “complexos”
guardam relação íntima com os estados de introversão
e extroversão, segundo Jung, ou subjetivos
e objetivos, na classificação de Alfred Binet.
Decorrentes do autismo, são determinantes do comportamento. Segundo
renomado psicólogo, “as condutas
da imaginação determinam o aparecimento (sobretudo
na adolescência e mocidade)
de duas atitudes que o indivíduo pode tomar em relação ao seu modo
de agir. A esses aspectos particulares chamamos – 'autismo',
porque se manifestam num perfeito egocentrismo. O indivíduo só se
entende a si e não aos outros, que também não o entendem”.
Isso resulta, mesmo nos indivíduos normais, “em uma desadaptação
geral, quando a expansão e o desenvolvimento da 'imaginação
criadora' começam a afirmar-se nas suas primeiras fugidas para além
dos limites da realidade, enchendo os espíritos de anseios e de
sonhos”. O “autismo” se divide em dois ramos – que são os
dois tipos – subjetivo e objetivo,
conforme denomina Binet, ou introvertidos e
extrovertidos de acordo com Jung. Caracterizam-se esses
tipos – um pelo fato
do espírito ficar sob demência do mundo
exterior, que age sobre ele como uma espécie de atração
indisfarçável; o outro, quando procura a satisfação que possa
advir das impressões da vida interior. Todos nós passamos mais ou
menos incessantemente por fases de introversão e extroversão. Esta
é a de adaptação perfeita ao meio ambiente e aquela, de predomínio
de motivos interiores, isto é, quando concentramos em nós mesmos os
nossos impulsos, desejos e vontades. “Os 'extrovertidos' se sentem
inclinados para o exterior; estão mais adaptados ao meio, seguem as
variações e transformações materiais e sociais em suas
flutuações. Agem mais; são de ação mais pronta. Os cientistas,
industriais e comerciantes são extrovertidos e, entre os povos, os
anglo-saxônicos e germânicos. Os 'introvertidos', inclinados mais
para o interior, como que voltados para si mesmos, vivem mais do
sonho, possuem imaginação criadora e fantasia mais fértil.
Socialmente, vivem à margem do tempo,
esquecidos de tudo e de todos;
originais, conservadores e excêntricos. Os profetas hebreus eram
grandes introvertidos e, atualmente, os povos latinos, por isso mesmo
mais artistas. De Sigmund Freud temos a classificação
dos autistas em “narcísicos” - esquizóides quando
se isolam no meio e os paranóides, que buscam reduzir o ambiente ao
domínio do ego (egocentrismo) e acabam rebelando-se
contra ele. A “afetividade” não é estranha a essa orientação
intelectual do espírito. Como Jung e Binet afirmaram, essas duas
atitudes encontram-se ao mesmo tempo em cada um de nós; muitas
vezes, porém, uma delas prevalece sobre a outra sem se patentear
como anormalidade. Nós somos solicitados, diz Binet, de um certo
modo e em certas ocasiões, por dois mundos – interior e exterior;
conforme os momentos ou as necessidades, nós nos orientamos por um
ou por outro. Ora precisamos saber do que se passa em torno de nós,
ora nos voltamos para nós mesmos, para refletir”. (biografiaecuriosidade.blogspot.com.br).
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