| Jung em 1910. |
Carl
Gustav Jung. Psicólogo, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a
psicologia analítica. Nasceu em Kesswil, a 26 de Julho de 1875, e,
faleceu em Küsnacht, a 6 de Junho de 1961. Jung propôs e
desenvolveu os conceitos da personalidade extrovertida e
introvertida, arquétipos, e o inconsciente coletivo. Seu trabalho
tem sido influente na psiquiatria e no estudo da religião,
literatura e áreas afins. Médico aos 25 anos, na exploração
psicológica do Inconsciente, descobriu os chamados complexos
afetivos, quando da realização de várias experiências
sobre as associações verbais. Em 1907, conheceu
Sigmund Freud, de quem se tornou íntimo amigo e devotado
colaborador. Mas, já em 1912, com a publicação de seu livro
Metamorfoses e Símbolos de Libido estabelecia
profundas divergências doutrinárias em relação à Psicanálise,
razão por que logo mais viria a separar-se de Freud. Segundo a
Psicologia Analítica de Jung, além do “inconsciente individual”
devemos admitir o “inconsciente coletivo”, constituído da
influência dos impulsos e vivências dos nossos antepassados. Estes
impulsos e vivências são os arquétipos, que se nos
impõem subliminarmente: daí o fato de criações, inventos,
formulações de mitos e fantasias serem mais ou menos idênticos em
todo o mundo e em diferentes épocas. Esses arquétipos
consubstanciam princípios masculinos e femininos, mas estão
presentes, uns e outros, no homem e na mulher. Ao todo feminino
presente em todo homem, Jung chamou de anima; ao
masculino na mulher de animus. O
equilíbrio psíquico resulta da satisfação destes arquétipos
inconscientes em harmonia com as vivências conscientes.
Outro capítulo de grande importância na psicologia de Jung é o que
se refere à tipologia, com a sua distinção de dois tipos básicos,
o extrovertido e o introvertido.
| Primeira fileira: Sigmund Freud, Stanley Hall, Carl Gustav Jung; segunda fileira: Abraham Brill, Ernest Jones, Sandor Ferenczi. Universidade de Clark, Massachusetts, Estados Unidos, Setembro de 1909. |
O
conceito central da psicologia analítica é a individuação - o
processo psicológico de integração dos opostos, incluindo o
consciente com o inconsciente, mantendo a sua autonomia relativa.
Jung considerou a individuação como o processo central do
desenvolvimento humano. Ele criou alguns dos melhores conceitos
psicológicos conhecidos, incluindo o arquétipo,
o inconsciente
coletivo,
o complexo,
e a sincronicidade.
A Classificação
Tipológica de Myers Briggs
(MBTI),
um instrumento popular psicométrico, foi desenvolvido a partir de
suas teorias. Via a psique humana como "de natureza religiosa",
e fez esta religiosidade o foco de suas explorações. Ele é um dos
maiores colaboradores contemporâneos conhecidos para análise de
sonhos e simbolização. Embora exercesse sua profissão como médico
e se considerasse um cientista, muito do trabalho de sua vida foi
passado a explorar áreas tangenciais, incluindo a filosofia oriental
e ocidental, alquimia, astrologia e sociologia, bem como a literatura
e as artes. Seu interesse pela filosofia e ocultismo levaram muitos a
vê-lo como um místico.
| Estátua de Carl Jung em Liverpool. |
Os
assuntos com que Jung ocupou-se surgiram em parte do fundo pessoal
que é vividamente descrito em sua autobiografia, "Memórias,
Sonhos, Reflexões"
(1961). Ao longo de sua vida, Jung experimentou sonhos periódicos e
visões com notáveis características mitológicas e religiosas, os
quais despertaram o seu interesse por mitos, sonhos e a psicologia da
religião. Ao lado destas experiências, certos fenômenos
parapsicológicos emergiam, sempre para lhe redobrar o espanto e o
questionamento. Por muitos anos, Jung sentiu possuir duas
personalidades separadas: um ego público, exterior, que era
envolvido com o mundo familiar, e um eu interno, secreto, que tinha
uma proximidade especial para com Deus. Ele reconhecia ter herdado
isso de sua mãe, que tinha a notável capacidade de "ver homens
e coisas tais como são". A interação entre esses egos foi o
tema central da sua vida pessoal e contribuiu mais tarde para a sua
ênfase no esforço do indivíduo para integração e inteireza. O
pai, um reverendo, deixou-lhe como herança uma fé cega que se
mantinha a muito custo com o sacrifício da compreensão. A tarefa do
filho seria responder a ele com uma fé renovada, baseada justamente
no conhecimento tão rejeitado. Além disso, Jung viria a usar as
escrituras como referência para a experiência interior de Deus, não
como dogmas estáticos à espera de devoção muda, castradores do
desenvolvimento pessoal. Ele lamentava que à religião faltasse o
empirismo, que alimentaria a sede da personalidade:
n.º
1,
e que às ciências naturais, que também tanto o fascinavam devido
ao envolvimento com a realidade concreta, faltasse o significado, que
saciaria a personalidade
n.º
2.
Os dois aspectos, religião e ciência, não se tocavam, daí sua
constante insatisfação, devido ao desencontro das duas instâncias
interiores. E foi dessa tentativa de saciar tanto um aspecto quanto
ao outro, de fazer justiça ao ser como um todo, que decidiu
formar-se em psiquiatria: "Lá
estava o campo comum da experiência dos dados biológicos e dados
espirituais, que até então eu buscara inutilmente. Tratava-se,
enfim, do lugar em que o encontro da natureza e do espírito se torna
realidade".
Ao
longo da sua juventude interessou-se por filosofia e por literatura,
especialmente pelas obras de Pitágoras,
Empédocles,
Heráclito,
Platão,
Immanuel
Kant
e Johann
Wolfgang von Goethe.
Uma das suas maiores revelações seria a obra de Arthur
Schopenhauer.
Jung concordava com o irracionalismo que este autor concedia à
natureza humana, embora discordasse das soluções por ele
apresentadas.
Já
estudante de medicina, decide dedicar-se à, então obscura,
especialidade de psiquiatria, após a leitura ocasional de um livro
do psiquiatra Richard
von Krafft-Ebing.
Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli,
em Zurique, então dirigida pelo psiquiatra Eugen
Bleuler,
famoso pela sua concepção de esquizofrenia.
Seguindo o seu treino prático na clínica, ele conduziu estudos com
a associação de palavras. Já nessa época Jung propunha uma
atitude humanista frente aos pacientes. O médico deveria "propor
perguntas que digam respeito ao homem em sua totalidade e não
limitar-se apenas aos sintomas". Desde cedo ele já adiantava a
ideia do que hoje está ganhando força em todos os campos com o nome
de "Holismo",
o ponto de vista do homem integral. A seus olhos "diante do
paciente só existe a compreensão individual". Por isso evitava
generalizar um método, uma panacéia para um determinado tipo de
anomalia psíquica. Cada encontro é único e, sendo assim, não pode
incorrer em qualquer tipo de padronização.
| Carta de Freud a Jung (de 1913). |
Em
1902, deslocou-se a Paris onde estudou com Pierre
Janet,
regressando no ano seguinte ao hospital de Burgholzli onde assumiu um
cargo de chefia e onde, em 1904, montou um laboratório experimental
em que implementou o seu célebre teste de associação de palavras
para o diagnóstico psiquiátrico. Neste ínterim, Jung entra em
contato com as obras de Sigmund
Freud
(1856-1939). Jung viu em Freud um companheiro para desbravar os
caminhos da mente. Enviou-lhe copias de seus trabalhos sobre a
existência do inconsciente, confirmando concepções freudianas de
recalque e repressão. Ambos encantaram-se um com o outro,
principalmente porque os dois desenvolviam trabalhos inéditos em
medicina e psiquiatria. A partir de então Freud e Jung passaram a se
corresponder (359 cartas que posteriormente foram publicadas entre
1906 a 1913). O primeiro encontro entre eles, em 27 de fevereiro de
1907, transformou-se numa conversa que durou treze horas
ininterruptas. Depois deste encontro estabeleceram uma amizade de
aproximadamente sete anos, durante a qual trocavam informações
sobre seus sonhos, análises, trocavam confidências, discutiam casos
clínicos. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não
conseguia esconder algumas diferenças fundamentais. Jung jamais
conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos
conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza
sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos
espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre
eles foi inevitável. Seria nos anos 30 do século XX que esta
divergência atingiria o auge. Se por um lado os livros de Freud eram
proibidos e queimados publicamente pelos Nazistas, sendo Freud
obrigado a deixar Viena pouco depois da anexação da Áustria,
doente, nos seus 80 anos, para se dirigir ao exílio em Londres
enquanto que quatro irmãs suas não foram autorizadas a deixar a
Áustria, tendo perecido no Holocausto nos campos de concentração
de Auschwitz e de Thereseinstadt, por seu lado Carl Jung tornar-se-ia
neste mesmo período uma das faces mais visíveis da psiquiatria
"alemã" da época.
| Congreso Psicoanalítico Internacional de 1911, presidido por Jung (no centro, à esquerda de Freud). |
Após
a separação de Freud, Jung sentiu o chão desmoronar-se sob os pés.
O sentido da sua vida ficou em primeiro plano. Seguiu-se uma série
de sonhos e visões que forneceram material para o trabalho de toda
uma vida. Dir-se-ia que se ele não houvesse se empenhado na
integração de todo aquele material que jorrou qual lava derretida,
teria fatalmente sucumbido a uma psicose. Mas algo nele o impelia a
ir adiante na compreensão de tudo o que se originava naturalmente de
seu inconsciente. Em suas palavras, "Os anos durante os quais me
detive nessas imagens interiores constituíram a época mais
importante da minha vida e neles todas as coisas essenciais se
decidiram. (…) Toda a minha atividade ulterior consistiu em
elaborar o que jorrava do inconsciente naqueles anos (…)". Foi
durante essa fase de confronto com o inconsciente que ele desenvolveu
o que chamou de "imaginação ativa", um método de
interação com o inconsciente onde este se investe espontaneamente
de várias personificações (pessoas conhecidas e desconhecidas,
animais, plantas, lugares, acontecimentos, etc.). Na imaginação
ativa interagimos ativamente com elas, isto é, discordando, quando
for o caso, opinando, questionando e até tomando providências com
relação ao que é tratado, isso tudo pela imaginação. Ela difere
da fantasia passiva porque nesta não atuamos no quadro mental, de
forma a participarmos do drama vivenciado, mas apenas nos contentamos
em assistir o desenrolar do roteiro desconhecido. Pela imaginação
ativa existe não só a possibilidade de compreensão do
inconsciente, mas também de interação com este, de forma que o
transformamos e somos transformados no processo. Um personagem pode
nos fazer entender falando explicitamente do motivo de, por exemplo,
estarmos com insônia. Esse enfoque trata a psique como uma realidade
em si, de forma tão literal interiormente, quanto uma maçã nos é
real exteriormente, ao contrário de Freud que insistia em substituir
uma determinada imagem por outra de cunho sexual.
| Instituto Carl Gustav Jung em Zurique, Suíça, fundado em 1948. |
Carl
Jung, que alguns acusam de ter sido um simpatizante do nazismo,
assumiu em 1933, ano da chegada ao poder de Adolf
Hitler,
a presidência da "Sociedade Médica Internacional Geral para a
Psicoterapia", que contou como administrador, entre outros, um
sobrinho de Hermann
Göring.
No início de 1934, num artigo "Sobre a situação actual da
psicoterapia", Jung afirma que o Judeu, como nómade, não pode
jamais criar a sua cultura própria; para desenvolver os seus
instintos e talentos tem de apoiar-se em um "povo anfitrião
mais ou menos civilizado". Carl Jung viria mais tarde a deixar
aquela organização. Sejam examinados os fatos. O presidente da
Sociedade era Ernst
Kretschmer.
Quando Hitler ascendeu ao poder, Kretschmer deixou a presidência e
os membros da Sociedade, compreensivelmente alarmados, dada a
situação da Alemanha, pediram insistentemente a Jung que aceitasse
a presidência. Sua autoridade cientifica e sua condição de suíço
representavam verdadeira tábua de salvação. "Deveria eu,
perguntou Jung a seus acusadores, na atitude de neutro prudente
retirar-me para a segurança do lado de cá da fronteira e lavar as
mãos em inocência, ou deveria segundo estava bem consciente
arriscar minha pele e expor-me a inevitáveis mal-entendidos, aos
quais não poderia escapar todo aquele que, por força de premente
necessidade, tivesse de entrar em contato com os poderes políticos
existentes na Alemanha"? Jung decidiu correr os riscos que
previra. Sob a presidência de Jung, a Sociedade Médica
Internacional de Psicoterapia conseguiu realizar dois congressos fora
da Alemanha: um, em Copenhague (1937) e outro em Oxford (1938).
Decerto esses encontros, noutros países, representaram verdadeiros
respiradouros para muitos cientistas alemães (Silveira, 1981). Jung
interpretou o nacional socialismo, o comunismo e outros "ismos",
em geral como fenômenos patológicos, de identidade. Uma irrupção
do inconsciente coletivo. "Wotan” havia tomado posse da alma
do povo alemão. E quem é Wotan? O deus pagão dos germânicos, "um
deus das tempestades e da efervescência, desencadeia paixões e
apetites combativos". Num ensaio publicado em 1936, Jung traça
o paralelo entre Wotan redivivo e o fenômeno nazista. Wotan é uma
personificação de forças psíquicas corresponde a "uma
qualidade, um caráter fundamental da alma alemã, um "fator"
psíquico de
natureza irracional, um ciclone que anula e varre para
longe a zona calma onde reina a cultura". Os fatores econômicos
e políticos pareceram a Jung insuficientes para explicar todos os
espantosos fenômenos que estavam ocorrendo na Alemanha. Wotan
reativado no fundo do inconsciente, Wotan invasor, seria explicação
mais pertinente. E estávamos apenas em 1936! O argumento decisivo é,
porém, a atitude dos nazistas em relação a Jung. Com o
aparecimento do livro PSICOLOGIA e RELIGIÃO, 1940, as autoridades
decidiram que toda a sua obra fosse interditada e queimada na
Alemanha, bem como nos países ocupados por Hitler. Outra acusação
correlata com a de simpatizante do nazismo, foi a de anti-semita.
Seria desde logo estranho admitir que um psicólogo, toda sua vida em
busca do fundo psíquico comum a todos os homens (inconsciente
coletivo), eternamente existente sob as diferentes peculiaridades
individuais, locais, nacionais, raciais, históricas, fosse
partidário de discriminações entre esses mesmos homens cuja alma
tinha para ele igual estrutura básica. Seria também extravagante
que um anti-semita contasse entre seus discípulos mais próximos
precisamente homens de origem semita. Basta lembrar alguns nomes.
Erich Neumann, judeu alemão. Chefiava o grupo junguiano em Tel Aviv,
Israel, onde morreu em 1960, Seus livros são originais aplicações
da psicologia junguiana. AS ORIGENS E A HISTÓRIA DA CONSCIÊNCIA,
sua obra principal, é prefaciada por Jung. Gerhard Adler, judeu
alemão, refugiado do nazismo, um dos mais destacados elementos do
grupo junguiano na Inglaterra, co-editor das obras completas de Jung.
Adler define esses ataques a Jung como devidos a "completa
ignorância ou, pior, a maldade intencional". Roland Cahen,
francês de origem semita, é quem chefia a escola junguiana na
França e dirige a publicação das obras de Jung em língua
francesa. (cf: Silveira, 1981). Em
alguns documentos, afirmou num comentário de época sobre a cultura
judaica que judeus em geral são mais conscientes e diferenciados,
enquanto os 'arianos' comuns permaneceram próximos à barbárie
(apud
Lomeli, 1999). A polêmica teórica mantida por Jung com Freud não
chegou ao ponto de Jung fazer referências à origem religiosa ou
racial de Freud, com vistas a conquistar a simpatia nazista. Nem no
artigo de 1929, em que comparava as duas teorias (Gallard, 1994 apud
Medweth, 1996), nem no discurso de Jung sobre Freud após a morte
deste eminente pensador, em 1939, num momento que poderia ser
propício a angariar aquele beneplácito (Medweth, 1996). Sabe-se
também que o obscurantismo atingiu obras de Jung que não
interessavam ao regime nazista, tendo sido suprimidas em 1940 várias
edições publicadas na Alemanha, e quando da invasão da França a
Gestapo destruiu as traduções francesas da obra de Jung. (Medweth,
1996). As primeiras providências de Jung quando assumiu a
Überstaatliche
Ärztliche Gesellschaft für Psychotherapie
(Sociedade Médica Internacional para Psicoterapia), acumulando com a
entidade suíça, em 1933, foram:
| Jung em 1912. |
- A reformulação dos estatutos, para evitar o controle hegemônico por alguma das sociedades nacionais; como a Sociedade Internacional congregava as Sociedades Nacionais da Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha, Países Baixos, Suécia e Suíça, era importante evitar o domínio isolado de uma delas (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que as demais tivessem participação adequada e dividissem as responsabilidades;
- A aceitação na Sociedade Internacional dos membros judeus e antinazistas expulsos da Sociedade da Alemanha (apud Lomeli, 1999; McGuire e Hull, 1982), de modo que eles podiam exercer o seu ofício em outros países e garantir a sua subsistência como profissionais qualificados.
Sobre
o editorial nazista publicado na revista editada pela Sociedade
Médica Nacional da Alemanha para Psicoterapia, Jung declarou várias
vezes que ele não teve ingerência no episódio. Pelas amizades que
tinha com muitos representantes das vítimas do preconceito nazista,
e pelo conteúdo de sua obra, é extremamente improvável que ele
concordasse intelectualmente com o seu conteúdo, sob pena de perder
esses relacionamentos. As acusações sobre Jung, como resultantes de
um mal-entendido, teriam sido logo liquidadas de modo definitivo,
face a tantas documentações e testemunhos logicamente irrefutáveis.
Entretanto, a persistência desses rumores bem indica que por trás
deles podem fermentar ainda as divergências entre Jung e o grande
judeu Freud, nunca perdoadas pelos discípulos do mestre ortodoxo.
(Silveira, 1981).
Reconhecimento
internacional
Em
1938, quando Freud saiu de Viena para Londres, a Dra. Iolande Iacobi
também emigrou para Zurique, continuou seus estudos com Jung e
posteriormente foi uma das fundadoras do Instituto C.G.Jung, tendo
escrito a introdução às obras completas de Jung. (McGuire e Hull,
1982, p.52). Ainda nesse ano, a Universidade de Oxford, na
Inglaterra, concedeu-lhe o título de Doutor
Honoris Causa.
Em 1939 Jung renunciou à presidência da Sociedade Médica
Internacional para Psicoterapia. Alegou que já tentara por duas
vezes anteriores a renúncia, tendo permanecido apenas devido a
pedidos dos representantes britânico e neerlandês, somente se
retirando quando foram interrompidas as comunicações internacionais
e a sua permanência não era mais necessária (apud
Loneli).
Alguns
dos seus mais devotados pupilos – Erich
Neumann,
Gerhard
Adler,
James
Kirsch
e Aniela
Jaffe
– eram Judeus (Medweth, 1996). - Citações: Lomeli, 1999; Medweth,
1996; McGuire, William e Hull, R.F.C. (1982). C.C.Jung:
entrevistas e encontros.
São Paulo: Cultrix.
Carl
Gustav Jung morreu a 6 de Junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa,
nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht após uma longa vida
produtiva, que marcou - e tudo leva a crer que ainda marcará mais -
a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia, e também, em outros
campos como a Arte, a Literatura e a Mitologia. Encontra-se sepultado
na Protestant
Church Graveyard,
Küsnacht, Zurique na Suíça.
Anterior
mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver
um sistema teórico que chamou, originalmente, de "Psicologia
dos Complexos",
mais tarde chamando-o de "Psicologia
Analítica",
como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O
conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base
psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi
com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung
pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato
entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o
período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo
e a noção básica de "complexo",
que foi adotado por Freud. Utilizando-se do conceito de "complexos"
e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar
profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Em
sua teoria, enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente
de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é
composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com
certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos
profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que
animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de
instintos ("fato" este negado por correntes de ciências
humanas, como por exemplo em antropologia o culturalismo de Franz
Boas
), também é provável que em nosso psiquismo exista um material
psíquico com alguma analogia com os instintos.
Artigo
principal
Psicologia
Analítica,
também conhecida como Psicologia
Junguiana
ou Psicologia
Complexa,
é um ramo de conhecimento e prática da Psicologia, iniciado por
Carl Gustav Jung o qual se distingue da psicanálise, iniciada por
Freud, por uma noção mais alargada da libido e pela introdução
dos conceitos de inconsciente coletivo, sincronicidade e
individuação. Diferentemente
de Freud, Jung via o inconsciente não apenas como um repositório
das memórias e das pulsões reprimidas, mas também como um sistema
passado de geração em geração, vivo em constante atividade,
contendo todo o esquecido e também neoformações criativas
organizadas segundo funções coletivas e herdadas. O inconsciente
coletivo que propõe não é, apesar das incessantes incompreensões
de seus críticos, composto por memórias herdadas, mas sim por
pré-disposições funcionais de organização do psiquismo
(comparáveis às condições a priori da experiência, de Kant). A
psicologia analítica foi desenvolvida com base na experiência
psiquiátrica de Jung, nos estudos de Freud e no amplo conhecimento
que Jung tinha das tradições da alquimia, da mitologia e do estudo
comparado da história das religiões, e as quais ele veio a
compreender como auto-representações de processos psíquicos
inconscientes. Quando Jung conheceu a obra de Freud, identificou-se
com grande parte de suas ideias e logo quis conhecê-lo. Ao se
conhecerem, a admiração foi mútua, pois Freud rapidamente recebeu
o jovem como seu colaborador e um dos defensores de suas ideias.
Devemos lembrar que Freud enfrentava grande resistência do mundo
científico às suas ideias e, em contrapartida, Jung já tinha
reconhecimento
no mundo acadêmico pelos seus estudos com associações de palavras
que deram origem ao polígrafo e foram a base teórica experimental
para a comprovação dos complexos. Freud, em sua obra, atribui este
termo a Jung. A parceria durou pouco, pois Jung mostrava-se
insatisfeito com algumas das posições de Freud, especialmente a
teoria da libido e sua relação com os traumas.
Conceitos fundamentais
- Arquétipo
- Complexo
- Individuação
- Eu ou ego
- Persona
- Sombra
- Sizígia: animus-anima
- Si-mesmo ou Self
- Tipos psicológicos
Pós-junguianos
| Nise da Silveira (Maceió, 15 de Fevereiro de 1905 — Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 1999) foi uma renomada médica psiquiatra brasileira, aluna de Carl Jung. |
A
Psicologia Analítica conheceu, depois da estruturação por
C.G.Jung, um grande desenvolvimento nos chamados pós-junguianos, os
quais ampliaram a visão de Jung. Merece destaque neste
desenvolvimento a Escola Desenvolvimentista que estudou o
desenvolvimento humano desde o nascimento até a fase adulta e que
tem como fonte a Escola Junguiana de Londres e a pessoa de Michael
Fordham
com sua obra "A
Criança Como Indivíduo"
e também a pessoa de Eric
Neumann
com a obra "A
Criança".
Além desta, há também a Psicologia Arquetípica que é fruto do
trabalho de James
Hillman,
o qual, explora e desenvolve ao máximo a importância dos arquétipos
na vida das pessoas. Ainda no contexto da escola arquetípica,
autores contemporâneos, como Fragoso
Guimarães
e João
Bernardes da Rocha Filho,
têm relacionado a Psicologia Analítica à Física, na linha de
pesquisa Física e Psicologia, introduzida em nível de pós-graduação
em muitos cursos avançados de psicologia analítica e trans-pessoal.
Marie-Louise
voz Franz
foi uma das mais importantes colaboradoras de Jung, e após sua morte
desenvolveu um amplo trabalho abordando temas como a alquimia, a
interpretação psicológica dos sonhos e dos contos de fadas. Outra
importante analista foi Nise
da Silveira,
psiquiatra brasileira contrária ao tratamento agressivo nos
hospitais psiquiátricos de sua época. Nise criou o Museu de Imagens
do Inconsciente, o qual possuía obras de arte manuais e plásticas
de pacientes psiquiátricos, relacionando-os com a teoria do seu
tutor, C.G. Jung.
Os
tipos psicológicos
Jung
sentia que a ênfase da psicanálise nos fatores eróticos era um
ponto de vista unilateral, uma visão reducionista da motivação
humana e do seu comportamento. Ele propôs que a motivação do homem
fosse entendida em termos de uma energia de vida criativa geral - a
libido - capaz de ser investida em direções diferentes, assumindo
grande variedade de formas. A libido corresponderia ao conceito de
energia adotado na Física, a qual pode ser interpretada em termos de
calor, eletricidade, motricidade, etc. As duas direções principais
da libido são conhecidas como extroversão
(projetada no mundo exterior, nas outras pessoas e objetos) e
introversão
(dirigida para dentro do reino das imagens, das ideias, e do
inconsciente). As pessoas em quem a primeira tendência direcional
predomina são chamadas extrovertidas, e introvertidas aquelas em
quem a segunda direção é mais forte. A sua necessidade em criar
uma tipologia
psíquica
decorreu da questão que nasceu em seu interior acerca de sua
divergência com Freud e até com outros profissionais. Ele poderia,
assim, ter perguntado: "Por
que divirjo de Freud?".
A resposta tomou forma na análise que fez das teorias psicológicas
de seu mestre e de Alfred
Adler,
também um ex-discípulo de Freud. Para este as neuroses derivavam de
problemas com os instintos, para o outro do próprio ego, no seu
sentimento de superioridade ou inferioridade. Um, portanto,
extrovertido, e o outro introvertido. Jung também propôs que se
poderia agrupar as pessoas de acordo com o seu maior desenvolvimento
em uma das quatro funções psicológicas: pensamento, sentimento,
sensação, ou intuição. Transformações de libido de uma esfera
de expressão para outra - por exemplo, de sexualidade para religião
- são realizadas por símbolos que são gerados durante a mudança
de personalidade. A psicologia junguiana também merece outro
destaque: o processo de individuação. Conforme Nise
da Silveira
(2006) todo ser tende a realizar o que existe nele, em germe, a
crescer, a completar-se. Assim é para a semente do vegetal e para o
embrião do animal. Assim é para o homem, embora o desenvolvimento
de suas potencialidades seja impulsionado por forças instintivas
inconscientes, isso adquire um caráter peculiar: o homem é capaz de
tomar consciência desse desenvolvimento e de influenciá-lo.
Precisamente no confronto do inconsciente com o consciente, no
conflito como na colaboração entre ambos é que os diversos
componentes da personalidade amadurecem e unem-se numa síntese, na
realização de um indivíduo específico e inteiro. Essa
confrontação "é o velho jogo do martelo e da bigorna: entre
os dois, o homem, como o ferro, é forjado num todo indestrutível,
num indivíduo. Isso, em termos toscos, é o que eu entendo por
processo de individuação" (Jung). O processo de individuação
não consiste num desenvolvimento linear. É um movimento de
circunvolução que conduz a um novo centro psíquico. Jung denominou
esse centro de Self
(si mesmo). Quando consciente e inconsciente vêm ordenar-se em torno
do Self, a personalidade completa-se. O Self será o centro da
personalidade total, como o ego é o centro do campo do consciente. O
conceito junguiano de individuação tem sido muitas vezes deturpado.
Entretanto é claro e simples na sua essência: tendência instintiva
a realizar plenamente potencialidades inatas. Mas, de fato, a psique
humana é tão complexa, são de tal modo intricados os componentes
em jogo, tão variáveis as intervenções do ego consciente, tantas
as vicissitudes que podem ocorrer, que o processo de totalização da
personalidade não poderia jamais ser um caminho reto e curto de chão
bem batido. Ao contrário, será um percurso longo e difícil.
Jung
percebeu que a compreensão da criação de símbolos era crucial
para o entendimento da natureza humana. Ele então explorou as
correspondências entre os símbolos que surgem nas lutas da vida dos
indivíduos e as imagens simbólicas religiosas subjacentes, sistemas
mitológicos, e mágicos de muitas culturas e eras. Graças à forte
impressão que lhe causou as muitas notáveis semelhanças dos
símbolos, apesar de sua origem independente nas pessoas e nas
culturas (muitos sonhos e desenhos de seus pacientes de variadas
nacionalidades exprimiam temas mitológicos longínquos), foi que ele
sugeriu a existência de duas camadas da psique inconsciente: a
pessoal e a coletiva. O inconsciente pessoal inclui conteúdos
mentais adquiridos durante a vida do indivíduo que foram esquecidos
ou reprimidos, enquanto que o inconsciente coletivo é uma estrutura
herdada comum a toda a humanidade composta dos arquétipos -
predisposições inatas para experimentar e simbolizar situações
humanas universais de diferentes maneiras. Há arquétipos que
correspondem a várias situações, tais como as relações com os
pais, o casamento, o nascimento dos filhos, o confronto com a morte.
Uma elaboração altamente derivada destes arquétipos povoa todos os
grandes sistemas mitológicos e religiosos do mundo. Definida desta
forma, no entanto, a psique objetiva não constitui um mecanismo
capaz de justificar a ocorrência das sincronicidades, como um dos
conceitos fundamentais da psicologia de Carl Gustav Jung. Por isso,
ao longo de sua vida Jung complexificou a noção de psique objetiva,
ou inconsciente coletivo, ampliando-a ao ponto de que pudessem ser
nela incluídos tanto arquétipos universais e conteúdos
filogenéticos humanos, quanto criações mentais mais recentes. A
psique objetiva tornou-se integrada à vida em todos os seus
aspectos, dando conta dos muitos fenômenos integrativos da clínica
psicológica, que antes careciam de uma formulação explicativa
consistente (Rocha Filho, 2007). Justamente por força da dificuldade
de elaboração deste conceito, Jung acessou conhecimentos da física
quântica de sua época, principalmente por Pauli e Einstein, o que
influenciou decisivamente o desenvolvimento posterior da psicologia
analítica. O médico conheceu aspectos da teoria da relatividade e
da física quântica, especialmente o princípio da incerteza, da
complementaridade e da não-Localidade, por intermédio
principalmente dos físicos Wolfgang
Pauli
e Albert
Einstein,
e foi informado das pesquisas em parapsicologia de Joseph
Banks Rhine,
na Univeridade de Duke. Isso, associado a experiências pessoais e de
seus pacientes, o levou a sugerir que as camadas mais profundas do
inconsciente independem das leis de espaço, tempo e causalidade,
produzindo fenômenos paranormais como a clarividência e a
precognição, que passaram a ser estudados pela psicologia. A estas
correspondências entre acontecimentos interiores e exteriores, por
meio de um significado comum, ele deu o nome de sincronicidade, como
estudada hoje no contexto da linha de pesquisa Física e Psicologia.
Além disso, fatos ocorridos enquanto tratava seus clientes o fizeram
crer que os acontecimentos se dispunham "de tal modo, como se
fossem o sonho de uma 'consciência maior e mais abrangente, por nós
desconhecida'" (Obras Completas Vol. VIII, p.450). Na qualidade
de cientista altamente desapegado e desconfiado do favorecimento que
se dá a certas verdades, para ele materialismo e ciência não eram
sinônimos. O materialismo não passa o culto a um deus exteriormente
concreto por meio da razão, um tipo de fé nos princípios
limitadores das leis físicas. "A razão nos impõe limites
muito estreitos e apenas nos convida a viver o conhecido". Para
sermos realmente justos, convém recebermos igualmente os aspectos
racionais e irracionais da vida. Assim foi o caso da paciente que
apresentava uma forte resistência à terapia. A monotonia não
escapava a nenhum dos dois, até o dia em que ela lhe relatou-lhe o
sonho com um escaravelho dourado. Mal acabara de contar-lhe a trama
quando ouviram uma batida na vidraça. Jung então enxergou uma
espécie de besouro de coloração dourada muito rara naquelas
paragens e naquela estação do ano. Daí para diante a análise
deslanchou, ocasionando o renascimento daquela personalidade. Besouro
e renascimento… um símbolo egípcio muito antigo.
O
termo sincronicidade é uma tentativa de encontrar formas de
explicação racional para fenômenos que a ciência de então não
alcançava, tais como os referidos acima, fenômenos não causais que
não podem ser explicados pela razão, porém são significativos
para o indivíduo que os experimenta. Para uma abordagem sobre a
construção do conceito veja-se Capriotti,
Letícia. Jung e sincronicidade: a construção do conceito. Para
uma explanação sintética e didática de sincronicidade, veja-se
Capriotti,
Letícia. Jung e sincronicidade: o conceito e suas armadilhas.) A
construção do conceito de sincronicidade surgiu da leitura que Jung
fez de um grande número de obras sobre alquimia e o pensamento
renascentista. Jung chegou a possuir grande quantidade de textos
alquímicos originais, que o levaram também a usar a expressão Unus
Mundus
em sua autobiografia, e a idéia de Anima
Mundi.
Uma interessante análise da contribuição da psicologia profunda de
Freud – Jung para a formação do pensamento ocidental, mostrando
como Jung tinha preocupações epistemológicas rigorosas pode ser
vista em Tarnas. Em função disso, tais fenômenos puderam ser
examinados, mas apenas como algo psicológico, e não propriamente da
natureza, resultando em algumas distorções interpretativas, em
inúmeros sentidos. A crítica de Richard
Tarnas
é pertinente, pois embora Jung ressalte a importância da
religiosidade como qualidade intrínseca do ser humano, sua teoria
apenas valida a experiência religiosa como fenômeno psicológico,
uma posição paradoxalmente reducionista, que nega a compatibilidade
entre razão e experiência espiritual. Nessa linha, considerou
insubstancial o movimento esotérico moderno, como a teosofia e a
antroposofia. A partir da contribuição de Jung, vários
desenvolvimentos em diferentes áreas do conhecimento têm ampliado a
compreensão da relação entre os processos psíquicos e o mundo
exterior. O conceito de inconsciente coletivo, por exemplo, encontra
ecos na física do holomovimento de David
Bohm,
na ecopedagogia de Fritjof
Capra,
na transdisciplinaridade de Rocha
Filho,
na alma do mundo de Amit
Goswami,
nos campos morfogenéticos de Rupert
Sheldrake,
na psicologia profunda e na ecopsicologia norte-americana.
No
Brasil, Jung teve uma conhecida aluna, a Dra.
Nise da Silveira,
fundadora do Museu
de Imagens do Inconsciente.
Ela escreveu, dentre outros, o livro “Jung:
Vida e Obra”,
publicado em primeira edição em 1968.
Na terapia
junguiana, que explora extensivamente os sonhos e fantasias, um
diálogo é estabelecido entre a mente consciente e os conteúdos do
inconsciente. A doença psíquica é tida como uma consequência da
separação rígida entre elas. Os pacientes são orientados a
ficarem atentos aos significados pessoal e coletivo (arquétipo)
inerente aos seus sintomas e dificuldades. Sob condições favoráveis
eles poderão ingressar no processo de individuação: uma longa
série de transformações psicológicas que culminam na integração
de tendências e funções opostas, e na realização da totalidade.
Jung trilhou a individuação, pois havia a necessidade imperiosa
nele de ir ao inferno e voltar para poder mostrar o caminho da volta
àqueles que ficaram perdidos pelo caminho da vida. Tornou-se ele uma
resposta sincera e corajosa ao nosso tempo. "Sou eu próprio uma
questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso
contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der".
Breve
biografia em tópicos
1875:
Nasce na Suíça, a 26 de Julho, Carl Gustav Jung, filho de um
pastor;
1895
- 1900: Estuda medicina na Universidade da Basileia;
1900:
É assistente de Eugen Bleuler, médico-chefe do Burghölzli
(hospital psiquiátrico) em Zurique;
1902:
Tese de doutoramento: "Sobre a psicologia e a patologia dos
fenômenos ditos ocultos";
1903:
Casa-se com Emma. Desta união nascem cinco filhos.
1905
- 1909: Chefe de clínica no Burghölzli;
1905
- 1913: Professor na Faculdade de Medicina de Zurique; aulas de
psicologia e psiconeuroses;
1907:
"Psicologia da Demência Precoce"; encontro com Freud;
1908:
I Congresso Internacional de Psicanálise;
1909:
Abertura de clínica particular;
1910
- 1914: Primeiro presidente da Associação Psicanalítica
Internacional;
1913:
Jung dá o nome à sua psicologia de "Psicologia
Analítica";
demissão de seu posto de ensino na Universidade de Zurique;
1914:
Conferências em Londres e Aberdeen; é mobilizado para o serviço de
saúde;
1916:
"Sete Sermões aos Mortos" e "A Função
Transcendente"; estudo sobre os gnósticos;
1918
- 1919: Comandante do campo de internação de Soldados ingleses;
pintura de mandalas;
1921:
"Tipos Psicológicos";
1923:
Construção da torre perto do lago de Zurique; Jung trava amizade
com Richard
Wilhelm
(tradutor do "I Ching - O Livro das Mutações");
1924
- 1925: Visita aos índios Pueblo do Novo México (Estados Unidos);
1925
- 1926: Expedição a Uganda, ao Quênia, às margens do Nilo; visita
aos Elgonys no Monte Elgon;
1928:
"O Eu e o Inconsciente";
1929:
Comentário de "O Segredo da Flor de Ouro";
1932:
Prêmio de literatura em Zurique;
1933:
Viagem ao Egito e Palestina;
1934:
Presidente da Sociedade Médica Geral para Psicoterapia;
1936:
Doutor "honoris causa" em Harvard (Massachusetts);
1938:
Viagem à Índia, a convite do governo britânico; presidente do
Congresso Internacional de Psicoterapia, em Oxford; membro da Real
Sociedade de Medicina;
1940:
"Psicologia e Religião";
1944:
Nomeação para a cátedra de Psicologia da Faculdade de Medicina de
Basileia; "Psicologia e Alquimia";
1945:
Doutor "honoris causa" da Universidade de Genebra;
1948:
Inauguração do Instituto C. G. Jung em Zurique;
1951:
"Aion";
1952:
"Sincronicidade" e "Resposta a Jó";
1955:
Morte de sua mulher a 27 de novembro;
1955
- 1956: "Mysterium Conjunctionis";
1957:
Começo da redação de "Memórias, Sonhos e Reflexões",
com Aniela Jaffé; entrevista na TV para a BBC;
1961:
Termina, dez dias antes de morrer, um ensaio para "O Homem e
Seus Símbolos"; morre a 6 de Junho.
Devido
à metodologia usada por Jung, seus escritos costumam ser de leitura
difícil e penosa. É recomendável iniciar por algum de seus
comentadores, como Nise
da Silveira
(Jung:
Vida e Obra)
e Aniela
Jaffe
(Memórias,
Sonhos e Reflexões de C. C. Jung).
Sobre este, um comentário.
Eis
abaixo, a lista das obras de Jung, publicadas em português no
Brasil:
- A Energia Psíquica.
- A Prática da Psicoterapia.
- A Vida Simbólica: Escritos Diversos.
- Ab-reação, análise dos sonhos, transferência.
- Aion: Estudos sobre o Simbolismo do Si-mesmo.
- Cartas de Carl Gustav Jung.
- Consideraciones Sobre la Historia Actual (ainda não traduzido para língua portuguesa).
- Escritos Diversos.
- Estudos Alquímicos.
- Estudos Experimentais Vol. II.
- Estudos Experimentais.
- Estudos Psiquiátricos.
- Eu e o Inconsciente.
- Freud e a Psicanálise.
- Interpretação Psicológica do Dogma da Trindade.
- Memórias, Sonhos e Reflexões. Autobiografia escrita em conjunto com Aniela Jaffé.
- Misterium Coniunctionis 1.
- Misterium Coniunctionis 2.
- Misterium Coniunctionis 3.
- O Desenvolvimento da Personalidade.
- O Homem e seus Símbolos. Obra para leigos, organizada por Jung e escrita por ele e seus colaboradores, com artigos de Aniella Jaffé, Marie-Louise fon Franz e outros.
- O Segredo da Flor de Ouro: Um Livro de Vida Chinesa.
- Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.
- Presente e Futuro.
- Psicologia da Religião Ocidental e Oriental.
- Psicologia do Inconsciente.
- Psicologia e Alquimia.
- Psicologia e Religião Oriental.
- Psicologia e Religião.
- Símbolo da Transformação na Missa.
- Símbolos da Transformação: Análise dos Prelúdios de uma Esquizofrenia.
- Sincronicidade.
- Tipos Psicológicos.
- A natureza da psique.
- O Livro Vermelho.
Alguns termos empregados por Jung na descrição da psique
Alma
|
Amplificação
|
Análise
|
Anima
|
Animus
|
Arquétipo
|
Circumambulação
|
Compensação
|
Complexo
|
Consciência
|
Desintegração
|
Diferenciação
|
Dissociação
|
Ego
|
Extroversão
|
Fantasia
passiva
|
Função
auxiliar
|
Função
inferior
|
Função
Intuição
|
Função
Pensamento
|
Função
Sensação
|
Função
Sentimento
|
Função
superior
|
Função
transcendente
|
Funções
da consciência
|
Imaginação
Ativa
|
Inconsciente
coletivo
|
Inconsciente
pessoal
|
Individuação
|
Inflação
|
Instinto
|
Integração
|
Introversão
|
Libido
|
Personalidade
maná
|
Mandala
|
Método
redutivo
|
Método
sintético (construtivo)
|
Mito
|
Neurose
|
Numinoso
|
Opostos
|
Participation
Mystique
|
Perda
da alma
|
Persona
|
Personificação
|
Ponto
de vista prospectivo (finalista)
|
Possessão
|
Projeção
|
Projeção
|
Psicóide
|
Psicologia
Analítica
|
Psicose
|
Psique
|
Psique
objetiva
|
Puer
Aeternus
|
Realidade
psíquica
|
Regressão
|
Sacrifício
|
Self
(Si-mesmo)
|
Significado
|
Símbolo
|
Sincronicidade
|
Sombra
|
Sonhos
|
Tipos
psicológicos
|
Totalidade
|
Transformação
|
Unus
Mundus
|
Citações de Jung
- "À medida em que uma criatura se torna consciente desta sua perfeição, ela perde por completo seu caráter de criatura, sua índole de ser criado, sua qüididade, sua ipseidade." - O Eu e o Inconsciente, Obras completas vol. VII/2, Editora Vozes.
- "Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar." - O Eu e o Inconsciente, Obras Completas vol. VII/2, Editora Vozes.
- "Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo."
- "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana." [carece de fontes]
- "Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido."
- "Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der."
- "Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos."
- "Onde reina o amor, não há vontade de poder, e onde domina o poder, falta o amor. Um é a sombra do outro."
- "Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser."
- "Persona é a máscara usada pelo indivíduo em resposta às convenções e tradições sociais..."
- "A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começara a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo."
- Psicologia do Inconsciente, prefácio à primeira edição.
- "O indivíduo não realiza o sentido da sua vida se não conseguir colocar o seu "Eu" a serviço de uma ordem espiritual e sobre-humana."
- "A alma primitiva do homem confina com a vida da alma animal, da mesma forma que as grutas dos tempos primitivos foram freqüentemente habitadas por animais antes que os homens se apoderassem delas."
- "No fundo, não descobrimos no doente mental nada de novo ou desconhecido: encontramos nele as bases de nossa própria natureza."
- "A alma é muito mais complexa e inacessível do que o corpo. Poder-se-ia dizer que é essa metade do mundo não existente senão na medida em que dela se toma consciência. Assim, pois, a alma não é só um problema pessoal, mas um problema do mundo inteiro, e é a esse mundo inteiro que a psiquiatria deve se referir."
- "O psicoterapeuta não deve contentar-se em compreender o doente; é importante que ele também se compreenda a si mesmo."
- "De uma maneira ou outra somos partes de uma só mente que abarca a todos, um único 'grande homem'."
- - The Spiritual Problem of Modern Man, Collected Works 10: 175
- "Creio simplesmente que alguma parte do Eu ou da alma humana não está sujeita as leis do espaço e do tempo."
- "O mundo dos deuses e espíritos é 'nada mais' que o coletivo inconsciente dentro de mim."
- - Sobre 'The Tibetan Book of the Dead'
- "O sapato que se ajusta a um homem aperta o outro; não há nada para a vida que funcione em todos os casos."
- "O que se é, mediante uma intuição interior e o que o homem parece ser sub specie aeternitatis só pode ser expresso através de um mito. Este último é mais individual e exprime a vida mais exatamente do que faz a ciência, que trabalha com noções médias, genéricas demais para poder dar uma idéia justa da riqueza múltipla e subjetiva de uma vida individual."
- - Memórias, sonhos e reflexões.
- "O homem necessita de uma vida simbólica... Mas não temos vida simbólica. Acaso vocês dispõem de um canto em algum lugar de suas casas onde realizam ritos, como acontece na Índia? Mesmo as casas mais simples daquele país têm pelo menos um canto fechado por uma cortina no qual os membros da família podem viver a vida simbólica, podem fazer seus novos votos ou meditar. Nós não temos isso. Não temos tempo, nem lugar. Só a vida simbólica pode exprimir a necessidade do espírito - a necessidade diária do espírito, não se esqueçam! E como não dispõem disso, as pessoas jamais podem libertar-se desse moinho - dessa vida angustiante, esmagadora e banal em que as pessoas são 'nada senão'."
- - Ego e Arquétipo.
- "Não sei dizer como é um homem que desfrute de completa auto-realização porque nunca vi nenhum. Antes de buscar a perfeição, devemos viver o homem comum, sem automutilação."
- "Wer nach außen schaut, träumt. Wer nach innen schaut, erwacht." Tradução: "Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda." [Carl G. Jung]
- "Nós não podemos mudar nada sem que primeiro a aceitemos."
- "Nós não somos anjos ou demônios somos os dois." [carece de fontes]
- "Qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter raízes profundas a ponto de tocar os infernos." - Was erschrickst du deshalb? – Aber es ist mit dem Menschen wie mit dem Baume. Je mehr er hinauf in die Höhe und Helle will, um so stärker streben seine Wurzeln erdwärts, abwärts, ins Dunkle, Tiefe – ins Böse. - Also sprach Zarathustra // Da Árvore da Montanha (...) Assim falou Zaratustra: NIETZSCHE
- "Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?"
- "O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino."
| Carl Gustav Jung |