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Termas de Caracala
(Photo of the Baths of Caracalla in Rome, taken by David Edgar in 2003). |
As
Termas
de Caracala
foram construídas entre 212 e 217, durante o governo do imperador
romano Caracala, e são um perfeito exemplo das grandes termas
imperiais. Grande parte de sua estrutura ainda se encontra
conservada, sem a interferência de edifícios modernos. Polêmio
Sílvio,
no século V, citava-as como uma das sete maravilhas de Roma, famosas
pela riqueza de sua decoração e das obras que continha. O entorno
das termas foi construído, após o reinado de Caracala, pelos dois
últimos imperadores da dinastia dos Severos, Heliogábalo
e Alexandre
Severo.
Vários trabalhos de restauração foram realizados nos reinados de
Aureliano,
Diocleciano
e, após a queda do Império
Romano do Ocidente,
pelo rei ostrogodo Teodorico
o Grande.
Após a destruição dos aquedutos realizada por outro rei godo,
Vitige,
em 537, durante as Guerras
Góticas
com o imperador do Oriente Justiniano,
que buscava recuperar a Itália para o Império
Romano do Oriente,
as termas cessaram de funcionar. As Termas de Caracala podiam acolher
mais de 1.500 pessoas num edifício que media 337 por 328 metros,
sendo somente a parte central de 220 por 114 metros. O recinto
externo era constituído por um pórtico, do qual se conservam poucos
restos. Aos fundos existia uma exedra (espaço semicircular coberto)
em formato de escalina que escondia as enormes cisternas, que tinham
capacidade de 80.000 litros d'água. Aos lados havia duas salas em
abside que abrigavam bibliotecas. Um passeio elevado contornava
internamente o recinto, sendo provavelmente em forma de pórtico. Na
atualidade, as Termas de Caracala são cenário para grandes
manifestações artísticas, como o concerto dos Três
Tenores
(Pavarotti,
Domingo
e Carreras)
na Copa do Mundo de 1990.
Estrutura
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| Vista das Termas de Caracala (Imagem: Zavijavah). |
As
Termas de Caracala se tornou no complexo de banhos mais luxuoso de
toda Roma, e seu tamanho só foi superado pelas Termas
de Diocleciano.
No entanto, as suas ruínas são as maiores preservadas até hoje. O
edifício foi construído em cinco anos, o que representa um
conquista da engenharia romana, considerando a enormidade do
complexo. As termas contavam com um grande recinto com mais de 400
metros de largura entre as absides, e uma estrutura central onde se
encontravam as termas, propriamente ditas. Ao seu redor havia um
amplo jardim. Para o abastecimento de água, se desviou para os
banhos um ramal do aqueduto Aqua
Marcia
para abastecê-lo, que recebeu o nome de Aqua
Antoniniana Iovia.
No século III a.C., na área em que seriam edificadas as termas,
havia um grande estanque conhecido como Piscina
Pública.
Quando no século III d.C. as termas se concluíram e foram
inauguradas, substituindo a antiga piscina.
Parte
Norte e Sul
Na
parte Norte havia um pórtico, precedido por uma série de locais em
dois níveis, nos quais, provavelmente, se localizavam várias lojas.
O pórtico e as quartos serviam como suporte estrutural da Colina
de Celio.
No lado Sul se encontrava o medio
estadio,
com arquibancadas para os espectadores, que serviam para ocultar as
grandes cisternas que havia detrás delas. Estas cisternas podiam
conter um total de 80.000 metros cúbicos de água. Situadas
simetricamente, havia mais duas grandes salas, que, com certeza,
serviram como bibliotecas.
Lado
Este e Oeste
Nos
lados Este e Oeste foram construídas duas grandes êxedras laterais
e simétricas. No espaço central havia uma abside precedida por uma
coluna, com pequenos locais a cada lado, uma das quais tinha forma
octogonal e estava coberta por uma cúpula.
Galeria de imagens
Área central do
complexo
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As
salas das termas foram projetadas simetricamente em torno do eixo
central dos banhos, seguindo o modelo habitual da Roma imperial. Em
ambos os lados havia duas entradas que levavam aos vestuários ou
apodyteria,
com um corredor central que conduzia a duas salas de cada lado com
abóboda de berço (abóboda cilíndrica). Como o resto do complexo,
o chão era decorado com mosaicos. Desde os vestiários se podia
aceder à palaestra
(ginásio), para praticar exercícios físicos, no coberto ou ao ar
livre. Os usuários faziam exercícios ginásticos ou praticavam a
luta corpo a corpo, e mão a mão. A área era um amplo pátio sem
cobertura, rodeado em três lados por pórticos, com teto abobadado e
piso com mosaico em espiga. No outro lado havia um amplo semicírculo.
Os mosaicos do piso, dos quais tem sobrevivido
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Tina em granito negro das Termas de Caracala.
(Imagem: sailko). |
grandes fragmentos, na
sua época foram excepcionalmente belos e de cores vívidas. Ao
finalizar os exercícios físicos, os romanos podiam se dirigir às
termas, usadas conjuntamente por ambos os sexos. O caldário
(caldarium)
tinha uma enorme sala circular coberta por uma cúpula, da qual se
conservam vários pilares de sustentação. A sala foi projetada e
situada dentro do complexo para receber a luz do sol ao longo do dia
através de grandes janelas. Suas paredes eram aquecidas através de
tubos ocos de terracota. Do caldário (caldarium)
se passava ao tepidário (tepidarium),
onde originalmente se encontravam duas grandes banheiras de ambos os
lados. No centro do edifício estava localizada a basílica, coberta
por três grandes abóbadas
em cruzaria,
suportadas por alguns imponentes pilares. A natatio
(piscina de natação) era a última estância que se podia acessar.
Se tratava de uma grande piscina descoberta; hoje seria considerada
como uma piscina olímpica, que tinha um de seus muros frente ao da
fachada exterior, decorada de nichos com estátuas.
Decoração
Tão
importante como o projeto foi a decoração. Além dos ricos e
vívidos mosaicos do piso, os banheiros foram decorados com valiosas
obras de arte, como por exemplo o Hércules
Farnesio
ou o Toro
Farnesio,
ambos agora no Museu Arqueológico de Nápoles. Os mosaicos não
tinham sempre o mesmo desenho, em algumas áreas representavam cenas,
e em outras havia pisos com detalhes geométricos.
Os
fornos
As
Termas de Caracala era um grande complexo de banhos de água quente.
O problema do abastecimento foi facilmente resolvido, mas, aquecer a
água foi um problema mais complexo. A solução consistia de um
forno interno e outro externo, nos quais se encontravam os escravos
avivando as chamas. Dependendo do ambiente ao qual estivera
destinada, as águas eram aquecidas a temperaturas diferentes. Para
melhorar a difusão do calor, foi construído o sistema do
hipocausto,
bastante prático e eficaz.
Referências