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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Biografia de Ferdinand von Zeppelin

Zeppelin.
Ferdinand Adolf Heinrich August Graf von Zeppelin nasceu em Constança, a 08 de Julho de 1838, e, faleceu em Berlim, a 08 de Março de 1917. Ferdinand von Zeppelin foi um nobre e militar, general alemão, fundador da companhia dirigível Zeppelin. O nome da banda de rock britânica Led Zeppelin remete aos balões de Ferdinand. A Kriegsmarine desenvolveu o projeto para a construção de um porta-aviões batizado Graf Zeppelin em homenagem ao conde.

Biografia

Ferdinand von Zeppelin nasceu em Baden, Alemanha, em 1838. Quando tinha vinte anos ingressou no Exército alemão e era um membro da expedição que foi para a América do Norte para procurar a fonte do rio Mississippi. Enquanto no Minnesota, em 1870 ele fez sua primeira ascensão num balão militar. Zeppelin tinha chegado ao posto de brigadeiro-general quando ele se aposentou do exército alemão em 1891. Ao longo dos anos seguintes, dedicou-se ao estudo da aeronáutica.

Carreira militar

Zeppelin frequentou a Escola de Guerra de Ludwigsburg e tornou-se tenente em 1858. No ano seguinte, foi recrutado na unidade de engenharia e participou como observador na Guerra Civil Americana (1863), na Guerra Austro-prussiana (1866) e na Guerra franco-prussiana (1870-1871). Atuou como comandante do regimento Ulanen em Ulm nos anos de 1882 a 1885 e posteriormente foi enviado de Württemberg para Berlim. Em 1906 foi promovido a general de cavalaria.

Discussão sobre a invenção do Zeppelin

Ferdinand von Zeppelin, manteve uma estreita amizade com o cônsul em Hamburgo Carlos Alban, que apresentou ao governo colombiano em 1887 um sistema de balão metálica, a patente foi solicitada ao Ministério da Indústria. General Rafael Reyes, como o ministro do Desenvolvimento, concedido patente # 58 com um período de 20 anos, a 9 de Outubro de 1888. De acordo com a invenção do Zeppelin que poderia ser do colombiano Carlos Alban, que em um ato de amizade que ele deu a Ferdinand von Zeppelin.

Primeira ascensão do LZ-1 em 02 de Junho de 1900. (Pic: Peter Scherer).


Zeppelin e os dirigíveis

Zeppelin, baseado nas ideias de Schwartz, um engenheiro austríaco que havia tentado construir um balão de alumínio em 1887, projetou um aeróstato sob comando, partindo então para tentativas arrojadas, em Friedrichshafen, onde morava. Além de orientar a edificação de uma usina de alumínio, o ousado conde iniciou a construção e montagem dos primeiros dirigíveis rígidos em 1889, e, a despeito das dificuldades, terminou o seu primeiro modelo no ano seguinte. No entanto, o protótipo LZ-1 somente foi aprovado cinco anos depois, sendo que os modelos testados levavam as iniciais LZ, de Ludwig (assistente do conde) e do próprio Zeppelin, antecedendo a numeração. Apesar do seu projeto ter sido rejeitado pelo Kaiser Guilherme II em 1894, o nobre militar, contando com o apoio da população do povoado à margem do Lago Constança e utilizando todos os seus recursos financeiros, empenhou-se na construção de aeronaves com estrutura rígida, numa época em que os balões carregados de gás tinham estrutura flexível. Em 2 de Julho de 1900, fez o voo inaugural do LZ-1, às margens do lago Constança. Porém, o tecido que cobria a estrutura de alumínio do balão se rompeu no pouso; mas o milionário não desistiu. Já estava na bancarrota quando, em 1908, ganhou fama com o LZ-4, ao cruzar os Alpes, numa viagem de 12 horas, sem escalas. Daí por diante, Zeppelin pôde contar com o dinheiro do governo alemão em suas façanhas e seus dirigíveis transformaram-se em orgulho nacional. Zeppelin instituiu a primeira companhia aérea, a Luftschiffbau-Zeppelin GmbH, em 1909, com uma frota de cinco dirigíveis. Até 1914, quando iniciou a Primeira Grande Guerra, foram mais de 150 mil quilômetros voados, 1600 voos e 37,3 mil passageiros transportados. Durante o conflito mundial, ao lado dos nascentes aviões, os dirigíveis alemães foram utilizados para bombardear Paris. Ao longo de sua vida, Zeppelin construiu mais de 100 dirigíveis.

Referências
 

domingo, 21 de julho de 2019

Biografia de Bartolomeu de Gusmão

Bartolomeu de Gusmão,
por Benedito Calixto, 1902.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, São Paulo, em Dezembro de 1685, e, faleceu em Toledo, Espanha, a 18 de Novembro de 1724, cognominado o “padre voador”, foi um sacerdote secular, cientista e inventor luso-brasileiro nascido na Capitania de São Vicente, famoso por ter inventado o primeiro aeróstato operacional, a que chamou de "Passarola".

Primeiros anos

Foi batizado simplesmente com o nome de Bartolomeu Lourenço, em 19 de Dezembro de 1685, na Igreja Paroquial da vila de Santos pelo padre Antônio Correia Peres. Era o quarto filho de Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião, e Maria Álvares. Será mais tarde, em 1718, que adota a si o apelido "de Gusmão", em homenagem ao preceptor e protetor, o jesuíta Alexandre de Gusmão. O casal teria tido ao todo doze descendentes, seis homens e seis mulheres, um dos quais, Alexandre de Gusmão, viria a se tornar importante diplomata no reinado de D. João V. Já a maioria dos seus irmãos optou ou foi orientada pelos pais a devotar-se à vida eclesiástica, dentre esses, Bartolomeu. O menino cursou as primeiras letras provavelmente na própria Capitania de São Vicente, no Colégio São Miguel, então o único estabelecimento educacional da região. Prosseguiu os estudos na Capitania da Baía de Todos os Santos. Aí ingressou no Seminário de Belém, em Cachoeira, onde teria início a sua profícua carreira de inventor. A edificação, situada sobre um monte de cem metros de altura, possuía precário abastecimento de água, que tinha que ser captada e transportada em vasos a partir de um brejo subjacente. Percebendo o problema, Bartolomeu inteligentemente planejou e construiu um maquinismo para levar a água do brejo até o seminário por meio de um cano longo. O invento, testado com absoluto sucesso, foi considerado admirável e de grande utilidade, inclusive pelo próprio reitor e fundador do seminário, o renomado sacerdote Alexandre de Gusmão.  Terminado o curso no Seminário de Belém em 1699, Bartolomeu transferiu-se para Salvador, capital do Brasil à época, e ingressou na Companhia de Jesus, de onde saiu antes de ser ordenado, em 1701. Viajou para Portugal, onde chegou já famoso pela memória extraordinária, ficando hospedado em Lisboa, na casa do 3º Marquês de Fontes, que se impressionara com os dotes intelectuais do jovem. Contava ele então com apenas dezesseis anos. Em 1702, Bartolomeu retornou ao Brasil e deu início ao processo de sua ordenação sacerdotal. Três anos depois ele requereu à Câmara da Bahia a patente para o seu aparelho inventado anos antes - o invento para fazer subir água a toda a distância e altura que se quiser levar. A patente foi expedida em 23 de Março de 1707 pelo rei Dom João V. Foi essa a primeira patente de invenção outorgada a um brasileiro. Em 1708, já ordenado padre, Bartolomeu embarcou mais uma vez para Portugal. Logo após sua chegada, em 1º de Dezembro matriculou-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra. Passados alguns meses, contudo, abandonou a faculdade para instalar-se em Lisboa, aonde foi recebido com sumo agrado pelo Rei Dom João V e pela Rainha Maria Ana de Áustria, apresentado que fora aos soberanos por um dos maiores fidalgos da Corte, D. Rodrigo Anes de Sá Almeida e Menezes. Esse homem era ninguém menos que o 3º Marquês de Fontes, o mesmo que o havia recolhido à sua casa aquando da sua primeira estada em Portugal. Na Capital portuguesa o padre Bartolomeu Lourenço pediu patente ou "petição de privilégio" para um “instrumento para se andar pelo ar” – que se revelaria ser, mais tarde, o que hoje se conhece por aeróstato ou balão –, a qual foi concedida no dia 19 de Abril de 1709. O fato causou celeuma na cidade e a notícia rapidamente se espalhou para alguns reinos europeus. O invento, divulgado por meia Europa em estampas fantasiosas que, em geral, o retratavam como uma barca com formato de pássaro, ficou conhecido como “Passarola”. Não só no além-fronteiras que o seu prestígio pelo seu saber deve ter aumentado imenso pois, em 1722, é nomeado fidalgo-capelão da casa real portuguesa.

A Passarola

A Passarola. (Pic: Jorge Barrios).
As primeiras ilustrações da Passarola haviam sido na verdade elaboradas pelo filho primogênito do 3º Marquês de Fontes, D. Joaquim Francisco de Sá Almeida e Meneses, com a conivência de Bartolomeu. O 8º Conde de Penaguião e futuro 2º Marquês de Abrantes contava 14 anos em 1709 e era, então, aluno de matemática do padre, sendo a única pessoa à qual ele permitia livre acesso ao recinto em que o engenho voador era guardado. Como o rapaz vivesse assediado por curiosos, que constantemente lhe faziam indagações acerca da invenção, resolveu ele, para deixar de ser importunado, elaborar o exótico desenho da Passarola, em que tudo era propositadamente falseado. E para preservar o verdadeiro princípio da invenção – o b –, atribuiu a ascensão da engenhoca ao magnetismo, que era então a resposta para quase todos os mistérios científicos. Esperava dessa maneira melhor proteger o segredo confiado à sua guarda e ludibriar os bisbilhoteiros. Comunicou o plano a Bartolomeu, que o aprovou, e fingiu deixar o desenho escapar por descuido. A Passarola, inspirada ao que parece na fauna fabulosa de algumas lendas do Brasil, acabou sendo rapidamente copiada, logo se espalhando pela Europa em várias versões, para grande riso dos dois embusteiros.  Toda essa trama seria descoberta anos depois por um poeta italiano, Pier Jacopo Martello (1625 – 1727), e revelada por ele na edição de 1723 do livro “Versi e Prose”, em que fazia um longo e meticuloso histórico das tentativas do homem para voar, das mais antigas às mais recentes daquele tempo.

As experiências com balões

Em Agosto, finalmente, Bartolomeu Lourenço fez perante a corte portuguesa cinco experiências com balões de pequenas dimensões construídos por ele: na primeira, realizada no dia 3 na Casa do Forte (Palácio Real), o protótipo utilizado pegou fogo antes de subir; na segunda, feita no dia 5 noutra dependência do palácio, a Casa Real, o aeróstato, provido no fundo duma tigela com álcool em combustão, se elevou a 4 metros, quando começou a arder ainda no ar, sendo imediatamente derrubado por dois serviçais armados de paus, receosos dum incêndio aos cortinados do recinto; na terceira, feita no dia 6 novamente na Casa do Forte, o balão, contendo no interior uma vela acesa, logrou fazer um voo curto, mas se queimou no pouso; na quarta, feita no dia 7 no Terreiro do Paço (hoje Praça do Comércio), o balonete elevou-se a grande altura, pousando lentamente minutos depois; na quinta, feita no dia 8 na Sala das Audiências, no interior do Palácio Real, o globo subiu até o teto do aposento, aí se demorando, quando enfim desceu com suavidade. Em 3 de Outubro de 1709, na ponte da Casa da Índia, o padre fez nova demonstração do invento. O aparelho utilizado era maior que os anteriores, mas ainda incapaz de carregar um homem. A experiência teve êxito absoluto: o aeróstato subiu alto, flutuou por um tempo não medido e pousou sem estrépito. Cinco testemunhas registraram essas experiências: o cardeal italiano Miquelângelo Conti, eleito papa em 1721 sob o nome de Inocêncio XIII, os escritores Francisco Leitão Ferreira e José Soares da Silva, nomeados membros da Academia Real de História Portuguesa em 1720, o diplomata José da Cunha Brochado e o cronista Salvador Antônio Ferreira, portugueses. Em 1843 o escritor Francisco Freire de Carvalho disse haver tomado conhecimento, por intermédio de um ancião chamado Timóteo Lecussan Verdier, de uma outra experiência aerostática, assistida pelo diplomata português Bernardo Simões Pessoa, em que o balão partiu da Torre de São Roque e caiu junto à costa da Cotovia por detrás do jardim S. Pedro d’Alcântara. Segundo Carvalho, Verdier, por sua vez, assegurava que o relato da ascensão lhe fora transmitido pelo próprio Pessoa em tempos muito anteriores ao ano de 1783, quando dos primeiros voos de balões na França.  Lamentavelmente, todas essas experiências, embora assistidas por ilustres personalidades da sociedade portuguesa da época, não foram suficientes para a popularização do invento. Os pequenos balões exibidos, além de não haverem sido encarados como inovação importante ou útil, por serem desprovidos de qualquer tipo de controle - eram levados pelo vento -, foram considerados perigosos, pois podiam, como se vira, provocar incêndios. Esses fatores desestimularam a construção de um modelo grande, tripulável.

Bartolomeu Gusmão e a Inquisição

“Neste templo de São Romão martir repousam os
restos de Dom Bartolomeu Lourenço de Gusmão
presbítero português nascido na cidade de Santos- Brasil -
no ano de 1685, primeiro inventor do aérostato.
Faleceu nesta capital a 19 de novembro de 1724.
A cidade de Toledo dedica-lhe esta lembrança”. 

- Epitáfio no átrio da igreja de São Romão em Toledo.

Entre 1713 e 1716 viajou pela Europa. Em 1713 registrou na Holanda o invento de uma “máquina para a drenagem da água alagadora das embarcações de alto mar” (patente que só veio a público em 2004 graças a pesquisas realizadas pelo arquivista e escritor brasileiro Rodrigo Moura Visboni). Viveu em Paris, trabalhando como ervanário para se sustentar, até que encontrou seu irmão Alexandre, secretário do embaixador de Portugal na França. O padre Bartolomeu de Gusmão voltou a Portugal, mas foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Acusado pela Inquisição de simpatizar com cristãos-novos, foi obrigado a fugir para a Espanha, no final de Setembro de 1724, com um seu irmão mais novo, Frei João Álvares, pretendendo chegar à Inglaterra. Segundo o testemunho que, mais tarde, João Álvares daria à Inquisição espanhola, Bartolomeu de Gusmão ter-se-ia convertido ao judaísmo, em 1722, depois de atravessar uma crise religiosa. O relato de João Álvares ao Santo Ofício, ainda que deva ser considerado com cautela, mostra, segundo Joaquim Fernandes, aspectos místicos, messiânicos e megalômanos do “padre voador”. Em Toledo (Espanha), Bartolomeu adoece gravemente, recolhendo-se ao Hospital da Misericórdia daquela cidade, onde veio a falecer em 18 de Novembro de 1724, aos 38 anos. Antes de morrer, porém, confessou-se e recebeu a comunhão, conforme o rito católico, e assim foi sepultado na Igreja de São Romão, em Toledo. Foram feitas, ao longo de décadas, várias tentativas para localizar a sua tumba, o que só ocorreu em 1856. Parte dos restos mortais foi transportada para o Brasil e se encontra, desde 2004, na Catedral Metropolitana de São Paulo.

Curiosidades

Figura como uma das personagens centrais de “Memorial do Convento”, romance de José Saramago. Na obra, Bartolomeu de Gusmão é ajudado por Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas na construção da passarola.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_de_Gusmão

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Biografia de Henri Giffard

Giffard.
Nasceu em Paris, a 08 de Janeiro de 1825, e, faleceu em Paris, a 19 de Abril de 1882. Henri Giffard foi um engenheiro francês, inventor do injetor e do balão motorizado.

Biografia

Henri Giffard é uma das glórias da mecânica francesa. Inventor genial, realizador notável, experimentador heroico, ele deixou uma lembrança profundamente ligada à história dos caminhos de ferro pela criação do injetor das locomotivas, que leva ainda o seu nome, e ele detém na aeronáutica um dos mais nobres lugares: foi Henri Giffard quem, pela primeira vez, se elevou no ar com um motor e que conseguiu, sob a impulsão desta máquina a vapor, fazer evoluir a sua embarcação aérea. Após ter acompanhado apaixonadamente as origens do caminho de ferro de Saint-Germain, depois por ter conduzido as máquinas, Giffard se tornou em 1844, auxiliar do Dr. Le Berrier para o seu primeiro modelo de dirigível a vapor. Tendo sido conscienciosamente iniciado à condução dos balões livres com os Godard, Giffard construiu em 1852, com a assistência dos Srs. David e Sciama, um grande dirigível de 2.500m3. O revestimento fusiforme tinha 44m de comprimento e 12m de diâmetro. Uma rede formada de faixas passando por cima do revestimento se ligava a uma haste de 20m, destinada a garantir as formas do balão e a manter o leme. Embaixo se encontrava uma maca que carregava uma pequena galeria e a máquina a vapor. Esta se compunha de uma caldeira vertical com fornalha interna sem tubos, sendo que o gás da combustão passava por um revestimento ao redor da caldeira e depois escoava com o vapor por uma chaminé voltada para baixo. Um cilindro vertical acionava a 110 giros uma hélice de três pás de 3,40m de diâmetro. A máquina desenvolvia 3cv e pesava ao todo apenas 150kg, quando vazia. Ela continha na partida 60kg de água e de coque. Houve apenas uma experiência, no Hippodrome, em 24 de Setembro de 1852. No dia seguinte, Emile de Girardin traduzia, como grande jornalista, no La Presse, a profunda emoção sentida na partida do primeiro dirigível digno desse nome: “Ontem, sexta-feira, 24 de Setembro de 1852, um homem partiu calmamente sentado sobre o compartimento de combustível de uma máquina a vapor, erguido por um balão com a forma de uma imensa baleia... Esse Fulton da navegação aérea se chama Henri Giffard. É um jovem engenheiro que nenhum sacrifício, nenhuma desilusão, nenhum perigo puderam desencorajar e nem desviar desse empreendimento...Era um belo e dramático espetáculo o do soldado com a idéia afrontosa, com a intrepidez que a invenção transmite ao inventor, o perigo, talvez a morte...Como o governo...não abre um crédito de 1 milhão para tratar a solução do problema da navegação aérea? Há para a França uma solução mais importante?...” Uma outra testemunha, Sr. Emile Cassé, escrevia posteriormente: “Presentes nessa experiência, nós amamos nos lembrar do entusiasmo do público e da sensação estranha que nós ressentíamos ao ver o intrépido inventor se elevar em seu aparelho com o barulho agudo do vapor substituindo, nessa circunstância, a saudação habitual ao público pela bandeira de bordo”. Giffard deixou de suas impressões de primeiro piloto de dirigível uma narração sóbria e clara: “Parti sozinho do Hippodrome, no dia 24, às 5h15min. O vento soprava de forma bastante violenta. Não imaginei nem um instante lutar diretamente contra o vento, a força da máquina não me permitiu; isso estava previsto antecipadamente e demonstrado pelo cálculo; mas executei com sucesso diversas manobras de movimento circular e de desvio lateral. A ação do leme era perfeitamente sentida, e mal eu puxava levemente uma de suas duas cordas de manobra via imediatamente o horizonte circundar ao redor de mim...” O Sr. Cassé confirmou ter visto o aeróstato realizar grandes voltas. 


O dirigível de Giffard.


Após ter subido a 1.800 metros, Giffard abafou o fogo, liberou o vapor e aterrissou sem acidentes, em Elancourt, perto de Trappes. Em Agosto de 1855, ele subiu da usina de gás de Courcelles a bordo de um novo dirigível a vapor de 3.000m3, bastante alongado, pois tinha 70m de comprimento e 10 de diâmetro. Ocorreram movimentos oscilatórios muito graves; o revestimento deslizou em sua rede e, no momento em que, ao precipitar a descida, Giffard e seu companheiro, o jovem aeronauta Gabriel Yon, tocavam a terra, o revestimento escapou completamente, se separou em dois e caiu perto da caldeira tombada de cabeça para baixo. A experiência tinha sido muito curta para dar resultados apreciáveis. 

O injetor de Giffard.


Henri Giffard continuou suas pesquisas sobre a dirigibilidade dos aeróstatos. À sua primeira e célebre patente de 1851, na qual expunha magistralmente o problema e os meios para resolvê-lo sob o título “Application de la Vapeur à la Navigation Aérienne” (Aplicação do Vapor na Navegação Aérea), ele acrescentou em 1855 uma segunda patente descrevendo um dirigível de 220.000m de cubagem, com máquina de 80cv e revestimento tornado indeformável através da adoção de um ventre elástico, ideia retomada muito mais tarde. O nome de Giffard também se liga aos balões cativos, dos quais construiu três gigantescos: um em 1867, de 5.000m3, outro em 1878, de 25.000m3 e um de 11.500m3. Os problemas de aerostação o preocuparam até a sua morte prematura - um suicídio por neurastenia - em 1882.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Giffard

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Willis Carrier - o inventor do ar-condicionado moderno

Ar-condicionado (imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki).



Nasceu no Condado de Erie, a 26 de Novembro de 1876, e, faleceu em Nova York, a 07 de Outubro de 1950. Willis Carrier foi um engenheiro e inventor estadunidense. Conhecido como o inventor do ar-condicionado e do umidificador de ar moderno.

Infância e educação

Em 1897 conseguiu uma bolsa de estudos da Universidade Cornell e se formou em 1901 com licenciatura em engenharia mecânica. Passou então a trabalhar para a Buffalo Forge Company, fabricante de aquecedores, ventiladores e sistemas de exaustão de ar, no departamento de engenharia de concepção de sistemas de aquecimento para secar madeira e café.

Fundação da companhia

Em Buffalo, Nova York, em 17 de Julho de 1902, ao tentar resolver um problema de qualidade existente na Lithographing Sackett-Wilhelms & Publishing Company of Brooklyn, Willis Carrier apresentou seus desenhos que se tornariam mais tarde o sistema de ar-condicionado conhecido hoje. A instalação em 1902 marcou o nascimento do ar-condicionado e do umidificador de ar, por causa da adição de controle de umidade, o que levou ao reconhecimento por parte das autoridades no domínio que o ar-condicionado deve realizar quatro funções básicas:

    1. Controle da temperatura;
    2. Controle da umidade;
    3. Controle da circulação de ar e ventilação;
    4. Purificação do ar.

Após vários anos de refinamento e testes de campo, em 02 de Janeiro de 1906, nasce a “Carrier E.U. patente Nº 808.897”, invenção que ele chamou de um “aparelho para o tratamento do ar”, primeiro tipo de equipamento de ar-condicionado no mundo. Foi projetado para umidificar ou desumidificar o ar, fazendo o aquecimento de água para umidificar e a refrigeração de água para retirar a umidade do ar. A primeira venda do aparelho foi feita no final de 1906 para o LaCrosse National Bank, La Crosse, Wisconsin.

Vida pessoal

Filho de Duane Carrier Williams (1836-1908) e Elizabeth R. Haviland (1845-1888). Elizabeth era filha de David Jay Haviland e Elizabeth Ann Button.

Carrier nasceu em Angola, Nova York, nas margens do lago Erie, e herdou o amor de sua mãe por ocupar-se, com relógios, máquinas de costura, e outros dispositivos domésticos. Amou as matemáticas, e as estudou em cada oportunidade que teve, quando não estava engajado inventando seus próprios dispositivos. Em 1895 recebeu uma beca na Universidade Cornell e se formou em 1901 em engenharia eléctrica. Depois da universidade, trabalhou para Buffalo Forge Company, companhia que fabricava aquecedores, sopradores e dispositivos de extração e escape de ar. Em seu departamento de engenharia de calefação, desenhava sistemas de calefação para secar a madeira e o café. Carrier logo desenvolveu uma maneira melhor de medir a capacidade dos sistemas de calefação e foi nomeado diretor do departamento de engenharia experimental da companhia. Em 1902, aos 25 anos de idade, idealizou sua primeira invenção importante, um sistema para controlar o calor e a umidade para a Sackett-Wilhelms, companhia litográfica e de publicações no Brooklyn. A firma não conseguia fixar as cores, em certas ocasiões, devido aos efeitos de calor e umidade no papel e na tinta. Carrier recebeu em 1906 uma patente para o seu método. Ele se pôs a trabalhar com afinco em outras invenções de refrigeração e controle de umidade, e eventualmente foi chefe de uma parte da empresa chamada Carrier Air Conditioning Company em sua honra, subsidiária de Buffalo Forge. Quando a Primeira Guerra Mundial chegou, a Buffalo Forge foi forçada a cortar gastos, e eliminou sua divisão de ar-condicionado. Carrier, com seis colegas, investiram 32.600 dólares na sua própria companhia, a Carrier Engineering Corporation. Alguns dos primeiros clientes da companhia foram o Madison Square Garden e os departamentos do senado dos Estados Unidos e a câmara de representantes. Instalou o primeiro ar-condicionado doméstico em uma casa em Minneapolis, Minnesota, no ano de 1914. Carrier transferiu sua companhia para Syracuse (Nova York) nos anos de 1930, e a companhia chegou a ser uma das que mais funcionários tinha em Nova York. Em 1930, inaugurou a Tokyo Carrier no Japão, país que é hoje o maior mercado de ar-condicionado do mundo. A companhia foi pioneira no design e fabricação de máquinas de refrigeração de grandes espaços. Aumentando a produção industrial durante o verão, o ar-condicionado revolucionou a vida norte-americana. A introdução do ar-condicionado residencial nos anos de 1920 ajudou a iniciar a grande migração para as áreas quentes do sul. No ano de 2000, a Carrier Corporation já tinha vendas de mais de 8 bilhões de dólares e empregava umas 45.000 pessoas.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Willis_Carrier
https://es.wikipedia.org/wiki/Willis_Haviland_Carrier

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Biografia de Elisha Gray

Elisha Gray
Elisha Gray. Nasceu em Barnesville, Ohio, a 2 de Agosto de 1835, e, faleceu em Newtonville, Massachusetts, a 21 de Janeiro de 1901. Elisha Gray foi um engenheiro eletricista estadunidense e co-fundador da Western Electric Manufacturing Company. Gray é mais conhecido pelo desenvolvimento de um protótipo de telefone em 1876 em Highland Park, Illinois e é considerado por alguns autores como sendo o verdadeiro inventor do telefone de resistência variável, apesar de perder para Alexander Graham Bell a patente do telefone. Gray é também considerado o "pai dos modernos sintetizadores de música”, e obteve mais de 70 patentes de suas invenções. Em 1897, Elisha foi agraciado com a Medalha Elliott Cresson.

Vida

Elisha nasceu em uma família humilde e de religião quáquer em Barnesville, Ohio. Quando criança, foi criado em uma fazenda. Passou vários anos no Oberling College e ali estudou e trabalhou em assuntos relacionados com a eletricidade. Em 1867 registrou uma patente que melhorava os sistemas de transmissão em telegrafia. No total, registrou patentes de mais de 70 inventos. Em 1872, Gray fundou a Western Electric Manufacturing Company. Em 1874, se aposentou e se dedicou a fazer pesquisas por conta própria, assim como dar aulas em Oberlin. Gray foi um membro fundador da Igreja Presbiteriana Highland Park, igreja que ainda existe. Em 1874, nas instalações de sua igreja, fez a primeira demostração pública de sua invenção, transmitindo pelo cabo do telégrafo sons musicais e melodias conhecidas. Além do seu telefone (o primeiro telefone foi inventado por Antonio Meucci) esta apresentação incluía o primeiro sintetizador de música que utilizava as vibrações de diferentes circuitos electromagnéticos que se ativavam por meio de uma série de teclas de piano. Em 14 de Fevereiro de 1876 apresentou a solicitação de patente de um telefone que utilizava um microfone líquido; mas apenas duas horas antes, um tal Alexander Graham Bell havia apresentado outra solicitação de patente para um invento similar. O escritório de patentes decidiu que, enquanto resolviam para quem atribuir o invento e dada a curiosa circunstância de que foram apresentadas em diferentes locais uma patente pela mesma invenção, o escritório devia informar aos inventores do ocorrido e ao segundo lhe dava a opção de discutir a primeira patente. E foi o que Gray fez, contestou a patente de Bell, mas, mesmo assim, depois de dois anos de litígio, entregaram para Bell os direitos de subscrição da invenção e, por conseguinte, Bell foi reconhecido como o inventor do telefone, embora que, em dois lugares e duas pessoas diferentes tiveram inventado o mesmo. Curiosamente, muitos anos depois desta amarga contenda, atribuiu-se o invento à Antonio Meucci. A patente de Bell todavia foi discutida, porque houve rumores de que Bell tinha um confidente no escritório de patentes que lhe avisou com antecipação de que, devido ao caso especial que se havia apresentado, iriam comparar as duas patentes para descartar a pior e mais custosa das duas. Diz-se que Bell teve acesso para comparar a patente de Gray com a sua e, depois disso, acrescentou uma nota na margem escrita à mão, propondo um desenho alternativo ao seu que era idêntico ao de Gray. Finalmente, como foi dito, a patente foi conseguida por Bell, que ambas eram praticamente iguais e Bell havia se adiantado. O primeiro sintetizador de música elétrico foi inventado também por Elisha Gray em 1876. Descobriu que podia controlar o som de um circuito eletromagnético quase por acaso e inventou um oscilador de nota básico, pouco mais tarde veio à luz o "Telégrafo musical". Ele usou palhetas de aço cujas flutuações eram transmitidas através de uma linha telefônica graças ao uso de eletroímãs. Gray também desenvolveu um dispositivo de alto-falante muito simples e nos modelos posteriores, dotou-os de um diafragma que vibrava em um campo magnético e conseguia as frequências audíveis. Na década de 1880, Gray trabalhou no desenvolvimento do "Telautograph", um dispositivo que podia transmitir letras através de um sistema de telégrafo.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elisha_Gray
https://es.wikipedia.org/wiki/Elisha_Gray

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Biografia de Alexander Graham Bell

Graham Bell (ca. 1914-18).
Alexander Graham Bell. Nasceu em Edimburgo, a 3 de Março de 1847, e, faleceu em Beinn Bhreagh, a 2 de Agosto de 1922. Graham Bell foi um cientista, inventor e fundador da Companhia Telefônica Bell. Embora historicamente Bell tenha sido considerado como o inventor do telefone, o italiano Antonio Meucci foi reconhecido como o seu verdadeiro inventor, em 11 de Junho de 2002, pelo Congresso dos Estados Unidos, através da resolução N°. 269. Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell nos anos 1870.

Biografia

Alexander Graham Bell nasceu em Edimburgo em uma família ligada ao ensino de elocução: o seu avô em Londres, seu tio em Dublin, e seu pai, Sr. Alexander Melville Bell, em Edimburgo, eram todos elocucionalistas professados. Este último publicou uma variedade de trabalhos sobre o assunto, dos quais vários são bem conhecidos, em especial o seu tratado na linguagem gestual, que apareceu em Edimburgo em 1868. Neste explica o seu método engenhoso de instruir surdos, por meio visual, como articular palavras e como ler o que as outras pessoas dizem pelo movimento dos lábios. Graham Bell, seu filho distinto, foi educado na escola real de Edimburgo, onde se graduou aos 13 anos. Aos dezesseis fixou uma posição como professor de elocução e de música na academia de Weston House, em Elgin, Escócia. O ano seguinte foi passado na Universidade de Edimburgo. De 1866 a 1867 foi instrutor na universidade de Somersetshire em Bath, Inglaterra. Enquanto esteve na Escócia virou a sua atenção para a ciência da acústica, com o objetivo de melhorar a surdez de sua mãe. Em 1870, aos 23 anos, mudou-se com a família para o Canadá, onde se estabeleceram em Brantford, Ontário. Antes de sair da Escócia, Alexander Graham Bell virou a sua atenção para o telefone, e no Canadá continuou o seu interesse por máquinas de comunicação. Projetou um piano que podia transmitir música a uma certa distância por meio de eletricidade. Em 1873 acompanhou seu pai a Montreal, Quebeque, onde foi empregado a ensinar o seu sistema de linguagem gestual. O Bell mais velho foi convidado a introduzir o sistema numa grande escola para mudos em Boston, mas declinou o posto em favor do seu filho, que se tornou logo famoso nos Estados Unidos pelo seu sucesso neste importante trabalho. Alexander Graham Bell publicou mais de um tratado sobre o assunto em Washington, e é principalmente com os seus esforços que os milhares de surdos mudos na América podem agora falar quase, se não completamente, tão bem quanto as pessoas que conseguem ouvir. Em Boston continuou a sua pesquisa no mesmo campo, e esforçou-se para produzir um telefone que emitisse não somente notas musicais, mas articulasse a fala. Com financiamento do seu sogro americano, em 7 de Março de 1876, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos concedeu-lhe a patente número 174.465 que cobre "o método de, e o instrumento para, transmitir sons vocais ou outros telegraficamente, causando ondulações elétricas, similares às vibrações do ar que acompanham o som vocal", ou seja, o telefone. Após ter obtido a patente para o telefone, Bell continuou suas experiências em comunicação, que culminaram na invenção do photophone - transmissão do som num feixe de luz - um precursor dos sistemas de fibra óptica atuais. Também trabalhou na pesquisa médica e inventou técnicas para ensinar o discurso aos surdos. Bell teve 18 patentes concedidas em seu nome e outras doze que compartilhou com seus colaboradores. Estas incluem 14 para o telefone e o telégrafo, quatro para o photophone, uma para o fonógrafo, cinco para veículos aéreos, quatro para hidroaviões, e duas para uma pilha de selênio. Em 1888 era um dos membros fundadores da National Geographic Society e transformou-se no seu segundo presidente. Recebeu muitas honrarias. O governo francês conferiu-lhe a decoração da Légion d'Honneur (Legião de Honra), a Académie Française atribuiu-lhe o Prêmio Volta, de 50 mil francos, a sociedade real das artes em Londres concedeu-lhe a Medalha Albert, em 1902, e a universidade de Würzburg, Baviera, concedeu-lhe o grau de doutoramento honoris causa. Bell casou-se com Mabel Hubbard em 11 Julho de 1877, tornou-se cidadão naturalizado dos Estados Unidos em 1882 e morreu em Baddeck, Nova Escócia, em 1922. Encontra-se sepultado em Beinn Bhreagh Estate, Baddeck, Nova Escócia no Canadá.

Photophone (fotofone)

O Photophone foi um dispositivo que permitia a
transmissão do som por meio de uma emissão de luz, inventado por Alexander Graham Bell em colaboração com Charles Sumner Tainter. O dispositivo utilizava células sensíveis à luz elaboradas com cristal de selênio, uma de suas propriedades é que a resistência elétrica varia inversamente com a iluminação. O princípio básico do photophone consistia em modular uma emissão de luz diretamente ao receptor, fabricado em selênio, que era onde se conectava um telefone. A modulação era feita por um espelho vibratório ou por um disco rotatório que periodicamente obscureciam o feixe de luz. A ideia não era nova, o selênio havia sido descoberto por Jöns Jakob Berzelius em 1817 e suas propriedades peculiares em forma de cristais ou granulares foram descritas por Willoughby Smith em 1873. Em 13 de Junho de 1878, um escritor de iniciais J.F.W. publicou uma coluna na revista Nature, perguntando se já havia sido realizado algum experimento sobre o assunto. Este artigo se atribui a Bell. Bell e Tainter foram os primeiros a desenvolver um procedimento bem-sucedido, o que não se considerava uma tarefa fácil porque se requeria fabricar as células de selênio com as características requeridas em resistência. Em um experimento em Washington, o emissor e o receptor foram colocados em diferentes edifícios cerca de uns 700 pés de distância. O emissor era um espelho que dirigia a luz do sol para ser modulado por um espelho vibratório e enfocado por uma lente que o dirigia ao receptor. O receptor era um reflector parabólico com as células de selênio no foco e um telefone incorporado. Com este arreglo Bell e Tainter obtiveram êxito para se comunicarem claramente. O photophono foi patentado a 18 de Dezembro de 1880, mas a qualidade de comunicação permaneceu escassa e a pesquisa não foi continuada por Bell. Posteriormente, este invento serviu como base para o desenvolvimento das comunicações utilizando fibra óptica e laser.

Guerra das patentes

Bell patenteou o seu telefone nos Estados Unidos no início de 1876, e por estranha coincidência, Elisha Gray aplicou no mesmo dia uma outra patente do mesmo gênero. O transmissor de Gray é suposto ter sido inspirado num dispositivo muito antigo conhecido como 'telefone dos amantes', no qual dois diafragmas são unidos por um fio esticado, e a voz é transmitida unicamente pela vibração mecânica do fio. A patente de Bell foi contestada repetidamente e apareceu mais de um reivindicador para a honra e recompensa de ser o inventor original do telefone. O caso mais importante foi o de Antonio Meucci, um emigrante italiano, que demonstrou com forte evidência que em 1849, em Havana, Cuba, tinha experimentado a transmissão de voz pela corrente elétrica. Continuou a sua pesquisa em 1852 e 1853, e subsequentemente nos Estados Unidos, e em 1860 delegou a um amigo que visitava a Europa que procurasse pessoas interessadas na sua invenção. Em 1871, Meucci arquivou um requerimento no Gabinete de Patentes dos Estados Unidos, e tentou convencer o Sr. Grant, presidente da Companhia Telegráfica de Nova Iorque, a experimentar o instrumento. A doença e a pobreza, consequência de um ferimento devido a uma explosão a bordo de um barco, retardaram suas experiências, e impediram que terminasse a sua patente. O instrumento experimental de Meucci foi exibido no exposição de Filadélfia de 1884, e atraiu muita atenção mas o modelo demonstrado não estava completo. No pedido de patente de 1872 diz que "eu emprego o bem conhecido efeito condutor dos condutores metálicos contínuos como meio para o som, e aumento o efeito eletricamente isolando o condutor e as partes que estão em comunicação. Isto dá forma a um telégrafo falador sem a necessidade de qualquer tubo oco". Na conexão com o telefone usou um alarme elétrico. O reconhecimento oficial de Antonio Meucci como inventor do telefone só veio em 2002, com a resolução n°. 269 do Congresso dos Estados Unidos.

Companhia telefônica Bell

A Bell Telephone Company foi fundada em 1877, pelo sogro de Alexander Graham Bell, Gardiner Greene Hubbard, que também ajudou a organizar a New England Telephone and Telegraph Company. Em 1879, a Bell Company comprou da Western Union as patentes do microfone de carbono (grafite ou antracita), criado por Thomas Edison. Isto tornou o telefone mais eficiente para chamadas de longa distância - não era mais necessário gritar para ser ouvido. A Bell e a New England fundiram-se em 1879 para formar a National Bell Telephone Company, que, em 1880 fundiu-se com outras para formar a American Bell Telephone Company. Em 1899, a American Telephone & Telegraph Company (AT&T) adquiriu os ativos da American Bell Telephone Company. Posteriormente, a AT&T sofreria fusões com a SBC Communications e a BellSouth, tornando-se em 2005 a Nova AT&T.

Citações

- "Quando uma porta se fecha, outra se abre. Mas muitas vezes nós ficamos olhando tanto tempo, tristes, para a porta fechada que nem notamos aquela que se abriu".
- When one door closes another door opens; but we so often look so long and so regretfully upon the closed door, that we do not see the ones which open for us.
- citado em "Lifetime speaker's encyclopedia‎" - Volume 1,Página 524, Jacob Morton Braude - Prentice-Hall, 1962 - 1224 páginas.
- "Grandes descobertas e progressos invariavelmente envolvem a cooperação de várias mentes".
- Great discoveries and improvements invariably involve the cooperation of many minds.
- citado em "Station bulletin‎" - , Edições 366-385, Página 33, Oregon State College. Agricultural Experiment Station - Agricultural Experiment Station, Oregon State College, 1961.
- "Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram".
- citado em "Proteção ambiental & atividade minerária: elementos para a formação da cidadania ecológica‎" - página 252, Jacson Corrêa - Jurua Editora, 2003, ISBN 8536202068, 9788536202068 - 251 páginas.


Prêmios

- Medalha John Fritz (1907).
- Medalha Elliott Cresson (1912).
- Medalha Hughes (1913).
- Medalha Edison IEEE (1914).   


assinatura

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Graham_Bell
https://pt.wikiquote.org/wiki/Alexander_Graham_Bell
https://es.wikipedia.org/wiki/Fotófono

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Biografia de Joseph-Nicolas Delisle

Joseph-Nicolas Delisle
Joseph-Nicolas Delisle. Nasceu em Paris, a 4 de Abril de 1688, e faleceu, também em Paris, a 11 de Setembro de 1768. Joseph-Nicolas Delisle foi um astrônomo francês, criador da escala de temperatura Grau Delisle.

Vida

Foi um dos 11 filhos de Claude Delisle (1644 - 1720). Como muitos de seus irmãos, entre eles Guillermo Delisle, inicialmente realizou estudos clássicos. No entanto, ele passou a estudar astronomia sob a supervisão de J. Lietaud e Jacques Cassini. Ele entrou para a  Academia Francesa de Ciências como pupilo de Jean-Dominique Maraldi (1709 - 1788), chegando a ser adjunto e posteriormente astrônomo associado da mesma (1716 - 1719). Ao longo do tempo, tornou-se professor do Collège de France e da Academia de Ruan, tendo alunos como Joseph Lalande e Charles Messier. Apesar de ser um bom cientista e membro de uma família rica, não dispunha de grandes meios para suas pesquisas, até que, em 1725, sua vida muda radicalmente ao ser chamado pelo czar Pedro, o Grande a São Petersburgo para criar e dirigir uma escola de astronomia na Academia Russa de Ciências. Chegou a essa cidade em 1726, logo após a morte do czar. Tornou-se rico e famoso, tanto que quando retornou a Paris em 1747, recebeu o título de astrônomo da Academia e pôde construir seu próprio observatório no palácio de Cluny que, posteriormente, tornaria famoso Charles Messier. Delisle explicou que a refração da luz solar nas gotas de chuva é a origem dos arcos-íris e trabalhou, entre outras coisas, no cálculo da distância entra a Terra e o Sol e no estudo dos trânsitos de Mercúrio e Vênus. É conhecido principalmente pela Escala Delisle, uma escala de temperatura que inventou em 1732. Um cratera lunar foi nomeada “Delisle” em sua homenagem.

Grau Deslile

O Grau Deslile (°D) é uma escala de temperatura inventada em 1732 pelo astrônomo francês Joseph-Nicolas Delisle (1688–1768). Delisle foi o autor de “Mémoires pour servir à l'histoire et aux progrès de l'Astronomie”, e de “Géographie et de la Physique” (1738).

Retas de Conversão de Temperatura

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Biografia de Maria, a Judia

Maria, a Judia, por Michael
Maier, 1617.
Maria, a Judia ou Maria, a Profetisa, é uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 273 a.C.. Alguns a situam na época de Aristóteles (384–322 a.C.), uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as ideias alquimistas de Maria, como o Axioma de Maria: “o Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, e do terceiro nasce o Um como Quatro”. Segundo Aristóteles, o enxofre era considerado a expressão do elemento fogo, e Maria o tomou como base para os principais processos que estudou. Ela menciona o enxofre em frases sempre misteriosas, como “uma pedra que não é pedra” e “tão comum que ninguém a consegue identificar”. Maria conta que Deus lhe revelou uma maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transformação de metais menos nobres em ouro. Dentre as invenções de Maria estão o kerotakis, uma espécie de barril fechado e o banho de vapor: para um aquecimento lento e gradual dos experimentos, em vez de manipular as substâncias diretamente no fogo, ela descobriu que era possível controlar melhor a temperatura se fosse por meio da água - que até hoje chamamos de banho-maria. Para além disso dois equipamentos de destilação (alambique), com duas ou três saídas para destilados — o dibikos e o tribikos — e um aparelho para sublimação, sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico. A maior parte das suas escrituras foram conservadas por Zósimo de Panópolis (300 d.C.).

Fontes

Não existem elementos concretos sobre o tempo e lugar de sua vida. Ela é mencionada pelos primeiros alquimistas da história, sempre como uma autoridade e respeito extremo. Os alquimistas do passado acreditava que ela era Miriã, irmã de Moisés e Arão, o profeta, mas a evidências que apoiam que esta reivindicação é falsa. A menção mais concreta de Maria, a Judia no contexto da alquimia é por Zósimo de Panópolis, que escreveu no século IV os livros alquimistas mais antigos conhecidos.  Zósimo descreve vários de seus experimentos e instrumentos. Em seus escritos, Maria é quase sempre citada como tendo vivido no passado e citou-a como uma das "sábias". Jorge Sincelo, um cronista bizantino do século VIII, apresenta Maria como uma professora de Demócrito de Abdera, a quem ela conheceu em Memphis, Egito na época de Péricles. No século X, “Kitab al-Fihrist” de Ibn al-Nadim cita-a como uma das cinquenta e duas mais famosas alquimistas, sabendo da preparação do caput mortuum (expressão latina cujo significado literal é "cabeça morta" ou "restos ", usada em alquimia. Também dá nome a um tipo de pigmento, conhecido popularmente como roxo cardeal). O filósofo romano Morieno chamou de “Maria, a profetisa” e os árabes a conheciam como a “Filha de Platão, um nome que em ocidentais textos alquímicos foi reservada para o enxofre branco. No livro de Alexandre (2 ª parte) do poeta persa Nizami, Maria, uma princesa síria, visita o Tribunal de Alexandre, o Grande, e aprende a partir de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), entre outras coisas, a arte de fazer ouro.

Trabalhos

Escrituras

Sabe-se que Maria escreveu vários textos sobre alquimia. Embora nenhum de seus escritos ter sobrevivido em sua forma original, os seus ensinamentos foram amplamente citados por autores posteriores herméticos. Seu trabalho principal sobrevivente é um extrato feito por um anônimo filósofo cristão, chamado O Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes, em que são descritas e nomeadas operações que seriam mais tarde a base da Alquimia, leucose (branqueamento) e xanthosis (amarelecimento). Uma foi feita por moagem e do outro por calcinação. Este trabalho descreve pela primeira vez um sal de ácido e outros ácidos que podem ser identificados com ácido acético. Há também várias receitas para fazer ouro, até mesmo de vegetais de raiz como a mandrágora. Vários enigmáticos preceitos alquímicos têm sido atribuídas a Maria. Ela supostamente disse da união dos opostos: “Junta-te à um macho e uma fêmea e encontrarás o que buscas”. Esta outra vem do Axioma de Maria: “Um se torna dois. Dois se torna três. E por fora do terceiro vem aquele que se torna quarto”.

Invenções

Maria era uma trabalhadora respeitada, que inventou aparelhos complicados de laboratório para a destilação e sublimação de materiais químicos. Maria disse ter descoberto o ácido clorídrico, embora isso não seja aceito pela maioria dos textos científicos. Também são atribuídas a ela a invenção dos aparelhos de alquimia conhecidos como tribikos, kerotakis e o banho-maria.

Tribikos

Maria aperfeiçoou a câmara de destilação de três braços. O tribikos era uma espécie de alambique com três braços que foi utilizado para obter as substâncias purificadas por destilação. Ninguém sabe ao certo se Maria, a Judia foi sua inventora, mas Zósimo credita que a primeira descrição deste instrumento para ela. Em seus escritos (citado por Zósimo), ela recomenda que o cobre ou bronze utilizados para criar os tubos sejam da espessura de uma frigideira, e a junção entre estes tubos deve ainda ser selada com farinha de colar na cabeça.

Kerotakis

O kerotakis é a invenção mais importante de Maria, a Judia, um dispositivo usado para aquecer substâncias utilizadas na alquimia e recolher os vapores. É um recipiente hermético com uma folha de cobre suspensa no topo. Quando funciona corretamente, todas as articulações são no vácuo apertado. O uso de tais recipientes fechados nas artes herméticas levaram ao termo "hermeticamente fechada". Maria judia e seus colegas acreditavam que a reação que teve lugar no kerotakis mística era uma reconstituição do processo de formação do ouro que acontecia nas entranhas da terra. Mais tarde, este instrumento foi modificado pelo alemão Franz von Soxhlet em 1879 para criar o extrator que leva seu nome, Soxhlet.

Axioma de Maria Profetisa

- "O Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, o Três torna-se Quatro, que novamente torna-se Um, assim os Dois são apenas Um...Inventa a natureza e encontrarás o que procuras, Una o macho e a fêmea e encontrarás o que é procurado…".
- "Quando estamos apenas com os nossos pensamentos, somos "Um" . Somente nos tornamos "Dois" quando nos enxergamos no próximo. Quando olhamos para ele e nos vemos começamos a compreender, a perdoar e a amar.
- O "Dois" torna-se "Três", quando enxergamos a Divindade através do próximo, pois Deus está em cada um, porém só enxergaremos isso quando tomarmos ciência de que todos somos Um.
- O "Três" torna-se "Quatro", quando essa consciência de Divindade que habita em nós e nos outros nos atinge, estamos prontos para sermos Unos com os Elementos.
- O "Quatro" é novamente "Um", quando o conhecimento Divino-Elemental é nossa própria essência, e estamos prontos para um novo grau na escala da evolução. Somos "Um" novamente, porém num nível acima do anterior, rumo a uma evolução contínua que nos levará de volta para a Fonte, e assim perceberemos que as varias fases de nossa vida não passam de estágios do mesmo propósito".

Banho-maria

Banho-maria é um método científico utilizado tanto
Um alquímico balneum Mariae, ou
banho de Maria, do Coelum philosophorum,
Philip Ulstad, 1528, Chemical Heritage Foundation.
em laboratórios químicos e na indústria (culinária, farmacêutica, cosmética, conservas, etc.) para aquecer lenta e uniformemente qualquer substância líquida ou sólida num recipiente, submergindo-o noutro, onde existe água a ferver ou quase. O processo recebe o nome em honra à famosa alquimista, Maria, a Judia, a quem atribui-se a invenção do processo. As substâncias nunca são submetidas a uma temperatura superior a 100 °C, no caso de utilização de água, pois a temperatura de ebulição em condições normais de temperatura e pressão é de mais ou menos 100 °C. Temperaturas elevadas podem ser atingidas usando azeite.

Outros usos

Este procedimento é utilizado no laboratório em provas sorológicas, outros procedimentos que necessitem de incubação, aglutinação, inativação, em farmácia e também na indústria. O uso mais comum do meio que aquece o material é a água, mas pode também ser utilizado azeite. Utilizado em laboratórios para aquecer substâncias líquidas e sólidas que não podem ser expostas diretamente no fogo e que precisam ser aquecidas lenta e uniformemente.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria,_a_Judia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Banho-maria
APSF