| Hermann von Ihering |
Hermann
von Ihering. (Hermann
Friedrich Albrecht von Ihering).
Nasceu em Kiel, Alemanha, a 9 de Outubro de 1850, e, faleceu em
Gießen, Alemanha, a 24 de Fevereiro de 1930. Hermann von Ihering foi
um médico, professor e ornitólogo teuto-brasileiro.
Biografia
É
o filho mais velho do jurisfilósofo Caspar
Rudolf von Ihering.
Aos 18 anos mudou-se para Viena com a família. Ao estourar a guerra
de 1870 alistou-se no Regimento
de Mosqueteiros de Darmstadt.
Formado em medicina pelas Universidades de Berlim e Göttingen,
passou a estudar zoologia e geologia, recebendo o título de doutor
em 1876. Era professor de zoologia em Leipzig quando veio para o
Brasil em 1880, para se dedicar às pesquisas patrocinadas pelo
governo imperial. No Brasil casou-se com a jovem viúva Anna
Maria Clarz Belzer,
com quem teve dois filhos, Clara
von Ihering
e Rodolpho
Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering.
Residiu inicialmente em Taquara (1880-1883), depois passou por Guaíba
(1883-1884). Do Brasil enviou material para diversas pessoas e
instituições: aves para o Museu Britânico e para o conde Hans
von Berlepsch,
ovos para Adolph
Nehrkorn
e aranhas para o conde Alexander
von Keyserling.
Além disso praticou medicina e escreveu para um jornal em Porto
Alegre. Em 1883 foi nomeado naturalista viajante do Museu Nacional,
estacionado no Rio Grande do Sul. Morou em Rio Grande (1884-1885),
São Lourenço do Sul (1885) e viveu 7 anos numa ilha na foz do Rio
Camaquã, a Ilha
do Doutor,
onde construiu uma ampla casa que descreveu em suas memórias
não-publicadas Lebenserinnerungen.
Naturalizado brasileiro em 1885, em 1892 mudou-se para São Paulo a
fim de fundar o Museu Paulista, dedicado à história natural, do
qual foi diretor por 25 anos. Foi também o criador do Jardim
Botânico e autor do livro As
Aves do Rio Grande do Sul
publicado em 1907 em São Paulo. Afastado do cargo de diretor do
museu durante a Primeira Guerra Mundial, por causa de sua origem
alemã, retirou-se para Blumenau ou Florianópolis, onde dirigiu um
museu por quatro anos. Conhecido e respeitado por cientistas do mundo
todo logo recebeu convites de museus e universidades, indo primeiro
para o Chile e depois para o Museu de La Plata, na Argentina. Lá
lecionou zoologia na Universidade de Córdoba, continuando suas
pesquisas de arqueologia e antropologia. Ao retornar à Alemanha, em
1924, a convite da Universidade de Gießen, doou à universidade de
Córdoba sua coleção de moluscos fósseis. Ao celebrar seus 70 anos
era membro honorário ou correspondente de 30 sociedades e academias,
seu nome tinha sido dado a 5 genera
e mais de 100 espécies de animais e plantas. Seu filho, Rodolpho
von Ihering,
seguiu os passos do pai, tendo sido destacado cientista e introdutor
da Limnologia
no Brasil.
Ihering
publicou também vários estudos antropológicos e arqueológicos,
sobretudo sobre o sul do Brasil - um aspecto menos conhecido de sua
carreira. Nessa área, Ihering é particularmente lembrado por sua
posição polêmica no debate sobre a questão indígena no começo
do século XX, chegando a sugerir, sobre os Kaingáng de São Paulo,
que seriam "um empecilho para a colonização das regiões do
sertão que habitam", não havendo "outro meio, de que se
possa lançar mão, senão o seu extermínio".