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domingo, 3 de novembro de 2019

Biografia de Jean Baptiste Racine

Racine
Jean Baptiste Racine nasceu em La Ferté-Milon, Aisne, a 22 de Dezembro de 1639, e, faleceu em Paris, a 21 de Abril de 1699. Racine foi um poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês. É considerado, juntamente com Pierre Corneille, como um dos maiores dramaturgos clássicos da França.

Biografia

Jean Racine ficou órfão aos 3 anos e recebeu uma educação clássica, graças a sua avó, Marie Desmoulins. Foi aluno das Petites Écoles de Port-Royal em Port-Royal-des-Champs, onde entrou em contato com o jansenismo e, ao mesmo tempo, com a mitologia grega. Sua primeira peça, "Amasie", foi composta no outono de 1660, e era, provavelmente uma tragédia, mas não foi aceita no Théâtre du Marais. Escreveu “A Ninfa do Sena” em 1660 e, no ano seguinte partiu para Uzès. Retornando a Paris, viu representadas suas primeiras tragédias. Em Junho de 1664, a tragédia “La Thebaide” (A Tebaida) ou “Les Frères Ennemis” (Os Irmãos Inimigos) foi produzida por Molière (Jean-Baptiste Poquelin) e encenada no palácio real. “A Tebaida” foi seguida por “Alexandre, o Grande” (1665). De espírito ousado e frequentemente mordaz, Racine teve uma ascensão rápida e uma carreira brilhante. Com “Andrômaca” (1667) iniciou-se o período das obras-primas: “Britânico” (1669), “Berenice” (1670), “Bazet” (1672), “Mitrídates” (1673), “Ifigênia em Áulida” (1674) e “Fedra” (1677). Em 1677, abandonou o teatro. Reconciliado com seus mestres de Port-Royal, foi nomeado historiógrafo do rei por Luís XIV. Doze anos mais tarde, a pedido de Mme. de Maintenon, escreveu duas tragédias bíblicas - “Ester” (1689) e “Atália” (1691) - para as alunas da Maison Royale de Saint-Louis, um internato para moças em Saint-Cyr (atual comuna de Saint-Cyr-l'École). À época Racine continuava hostil ao teatro, mas considerou essas obras como pedagógicas e poéticas. “Athalie”, uma de suas últimas peças, foi considerada por Voltaire, “uma verdadeira obra-prima, indubitavelmente a mais notável do teatro francês”. Na opinião dos críticos em geral, Racine atingiu a perfeição na tragédia clássica.


terça-feira, 30 de julho de 2019

Biografia de Karl Marx

Karl Marx;.
Filósofo social, economista e historiador alemão. Nasceu em Tréveris, a 05 de Maio de 1818, e, faleceu em Londres, a 14 de Março de 1883. Sua filosofia principal está no livro “O Capital” (1867), que tem exercido grande influência na mentalidade contemporânea. Juntamente com Friedrich Engels lançou o Manifesto Comunista e organizou a Primeira Internacional (uma reunião de operários de todo o mundo).

Outras obras
  • Manuscrito Econômico-Filosófico;
  • A Sagrada Família (com Engels);
  • Teses Sobre Feuerbach;
  • A Miséria da Filosofia;
  • As Lutas de Classe na França.

Marxismo

Conjunto das teorias filosóficas, econômicas e políticas de Marx, exposta no livro “O Capital”. Concepção materialista da História, o marxismo é o resultado da fusão de várias correntes de pensamento, entre as quais diversos sistemas filosóficos alemães, em especial o de Friedrich Hegel (1770-1831). Atribui ao conjunto das condições de produção econômica uma fundamental influência sobre o desenvolvimento das culturas e estabelece a primazia da infraestrutura social (conjunto das forças produtivas materiais, ou forças econômicas) sobre o que denominou superestrutura social (as ideias, ou conjunto dos dados da cultura não material). Prega a revolução do proletariado e sua conseqüente ascensão a uma posição de mando, e a instituição de uma sociedade sem classes. Várias de suas ideias concorreram proveitosamente para o aprimoramento das ciências sociais ditas burguesas, atuando de modo positivo sobre a Economia Social, a Sociologia, a História. Mas, segundo escreve Ossip K. Flechtheim, “com seu determinismo fatalista e mal compreendido transformou-se num tacão opressor de toda ação socialista criadora”.

Wikipédia

Karl Marx foi um filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista. Nascido na Prússia, mais tarde se tornou apátrida e passou grande parte de sua vida em Londres, no Reino Unido. A obra de Marx em economia estabeleceu a base para muito do entendimento atual sobre o trabalho e sua relação com o capital, além do pensamento econômico posterior. Publicou vários livros durante sua vida, sendo “O Manifesto Comunista” (1848) e “O Capital” (1867-1894) os mais proeminentes. Marx nasceu em uma família de classe média em Tréveris, na Renânia prussiana, e estudou nas universidades de Bonn e Berlim, onde se interessou pelas ideias filosóficas dos jovens hegelianos. Depois dos estudos, escreveu para o Rheinische Zeitung, um jornal radical publicado em Colônia, e começou a trabalhar na teoria da concepção materialista da história. Em 1843, mudou-se para Paris, onde começou a escrever para outros jornais radicais e conheceu Friedrich Engels, que se tornaria seu amigo de longa data e colaborador. Em 1849, foi exilado e se mudou para Londres junto com sua esposa e filhos, onde continuou a escrever e formular suas teorias sobre a atividade econômica e social. Também fez campanha para o socialismo e tornou-se uma figura significativa na Associação Internacional dos Trabalhadores. As teorias de Marx sobre a sociedade, a economia e a política — a compreensão coletiva do que é conhecido como o “marxismo” — sustentam que as sociedades humanas progridem através da luta de classes (um conflito entre uma classe social que controla os meios de produção e a classe trabalhadora, que fornece a mão de obra para a produção) e que o Estado foi criado para proteger os interesses da classe dominante, embora seja apresentado como um instrumento que representa o interesse comum de todos. Além disso, ele previu que, assim como os sistemas socioeconômicos anteriores, o capitalismo produziria tensões internas que conduziriam à sua autodestruição e substituição por um novo sistema: o socialismo. Ele argumentava que os antagonismos no sistema capitalista, entre a burguesia e o proletariado, seriam consequência de uma guerra perpétua entre a primeira e as demais classes ao longo da história. Isto, associado à sociedade industrial e ao acúmulo de capital, geraria a sua classe antagônica, que resultaria na "conquista do poder político pela classe operária e, eventualmente, no estabelecimento de uma sociedade sem classes e apátrida — o comunismo — regida por uma livre associação de produtores. Marx ativamente argumentava que a classe trabalhadora deveria realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e provocar mudanças socioeconômicas. Elogiado e criticado, Marx tem sido descrito como uma das figuras mais influentes na história da humanidade. Muitos intelectuais, sindicatos e partidos políticos em nível mundial foram influenciados por suas ideias, com muitas variações sobre o seu trabalho base. Marx é normalmente citado, ao lado de Émile Durkheim e Max Weber, como um dos três principais arquitetos da ciência social moderna.

Biografia
Juventude


Marx foi o terceiro de nove filhos, de uma família de origem judaica de classe média da cidade de Tréveris, na época no Reino da Prússia. Sua mãe, Henriette Pressburg (1788-1863), era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1777–1838), um advogado e conselheiro de Justiça. Herschel descende de uma família de rabinos, mas se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público, quando Marx ainda tinha seis anos. Seus irmãos eram Sophie (1816-1886), Hermann (1819-1842), Henriette (1820-1845), Louise (1821-1893), Emilie (1824-1888 - adotada por seus pais), Caroline (1824-1847) e Eduard (1826-1837). Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, ano em que eclodiram revoluções em diversos países europeus. Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para estudar Direito, transferindo-se no ano seguinte para a Universidade de Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor. Em Berlim, Marx ingressou no Clube dos Doutores, que era liderado pelo hegeliano de esquerda Bruno Bauer. Ali perdeu interesse pelo Direito e se voltou para a Filosofia, tendo participado ativamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Seu pai faleceu neste mesmo ano. Em 1841, obteve o título de doutor em Filosofia com uma tese sobre as “Diferenças da Filosofia da Natureza em Demócrito e Epicuro”. Impedido de seguir uma carreira acadêmica, tornou-se, em 1842, redator-chefe da Gazeta Renana (Rheinische Zeitung), um jornal da província de Colônia; conheceu Friedrich Engels neste mesmo ano, durante visita deste a redação do jornal.

Casamento e vida política

Em 1843, a Gazeta Renana foi fechada após publicar uma série de ataques ao governo prussiano. Tendo perdido o seu emprego de redator-chefe, Marx mudou-se para Paris. Lá assumiu a direção da publicação “Deutsch-Französische Jahrbücher” (Anais Franco-Alemães) e foi apresentado a diversas sociedades secretas de socialistas. Antes ainda da sua mudança para Paris, Marx casou-se, no dia 19 de Junho de 1843, com Jenny von Westphalen, a filha de um barão da Prússia com a qual mantinha noivado desde o início dos seus estudos universitários (Noivado que foi mantido em sigilo durante anos, pois as famílias Marx e Westphalen não concordavam com a união). Do casa-mento de Marx com Jenny von Westphalen, nasceram sete filhos, mas devido às más condições de vida que foram forçados a viver em Londres, apenas três sobre-viveram à idade adulta. As crianças eram: Jenny Caroline (1844-1883), Jenny Laura (1845-1911), Edgar (1847-1855), Henry Edward Guy ("Guido"; 1849-1850), Jenny Eveline Frances ("Franziska"; 1851-52), Jenny Julia Eleanor (1855-1898) e mais um que morreu antes de ser nomeado (Julho, 1857). Ao que consta, Franziska, Edgar e Guido morreram na infância, provavelmente pelas péssimas condições materiais a que a família estava submetida, duas das filhas de Marx cometeram suicídio: Eleanor, 15 anos após a morte de Marx, aos 43 anos, após descobrir que seu companheiro havia se casado secretamente com uma atriz bem mais jovem, mas há quem suspeite que ele, na verdade, assassinou-a; e Laura, 28 anos após a morte de Marx, aos 66 anos, junto com o seu marido, Paul Lafargue, por não querer viver na velhice. Marx também teve um filho nascido de sua relação amorosa com a militante socialista e empregada da família Marx, Helena Demuth. Solicitado por Marx, Engels assumiu a paternidade da criança, Frederick Delemuth, e pagando uma pensão, entregou-o a uma família de um bairro proletário de Londres. No tratamento pessoal — Leandro Konder ressalta — Marx foi produto de seu tempo: “Antes de poder contestar a sociedade capitalista Marx pertencia a ela, estava espiritualmente mais enraizado no solo da sua cultura do que admitiria, e que diante dos padrões da Inglaterra vitoriana mostrou: traços típicos das limitações de seu tempo”. Como moças aristocráticas, suas filhas tinham aulas de piano, canto e desenho, mesmo que não tivessem desenvoltura para tais atividades artísticas. Também em 1843, Marx conheceu a Liga dos Justos (que mais tarde tornar-se-ia Liga dos Comunistas). Em 1844, Friedrich Engels visitou Marx em Paris por alguns dias. A amizade e o trabalho conjunto entre ambos, que se iniciou nesse período, só seria interrompido com a morte de Marx. Na mesma época, Marx também se encontrou com Pierre-Joseph Proudhon, com quem teve discussões polêmicas e muitas divergências. E conheceu rapidamente Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, então refugiado do czarismo russo e militante socialista. No seu período em Paris, Marx intensificou os seus estudos sobre economia política, os socialistas utópicos franceses e a história da França, produzindo reflexões que resultaram nos “Manuscritos de Paris”, mais conhecidos como “Manuscri-tos Econômico-Filosóficos”. De acordo com Engels, foi nesse período que Marx aderiu às ideias socialistas. De Paris, Marx ajudou a editar uma publicação de pequena circulação chamada “Vorwärts!”, que contestava o regime político alemão da época. Por conta disto, Marx foi expulso da França em 1845 a pedido do governo prussiano. Migrou então para Bruxelas, para onde Engels também viajou. Entre outros escritos, a dupla redigiu na Bélgica o “Manifesto Comunista”. Em 1848, Marx foi expulso de Bruxelas pelo governo belga. Junto com Engels, mudou-se para Colônia, onde fundam o jornal Nova Gazeta Renana. Após ataques às autoridades locais publicados no jornal, Marx foi expulso de Colônia em 1849. Até 1848, Marx viveu confortavelmente com a renda oriunda de seus trabalhos, seu salário e presentes de amigos e aliados, além da herança legada por seu pai. Entretanto, em 1849 Marx e sua família enfrentaram grave crise financeira; após superarem dificuldades conseguiram chegar a Paris, mas o governo francês proibiu-os de fixar residência em seu território. Graças, então, a uma campanha de arrecadação de donativos promovida por Ferdinand Lassalle na Alemanha, Marx e família conseguem migrar para Londres, onde fixaram residência definitiva trabalhar como correspondente em Londres para o New York Tribune onde declarou seu apoio público ao governo de Abraham Lincoln durante a Guerra da Secessão.

Morte

Deprimido pela morte de sua esposa em Dezembro de 1881, Marx desenvolveu, em consequência dos problemas de saúde que suportou ao longo de toda a vida, bronquite e pleurisia, que causaram seu falecimento em 1883. Foi enterrado na condição de apátrida, no Cemitério de Highgate, em Londres. Muitos dos amigos mais próximos de Marx prestaram-lhe homenagem no seu funeral, incluindo Wilhelm Liebknecht e Friedrich Engels. Este pronunciou as seguintes palavras: “Marx era, antes de tudo, um revolucionário. Sua verdadeira missão na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para a derrubada da sociedade capitalista e das instituições estatais por esta suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno, que ele foi o primeiro a tornar consciente de sua posição e de suas necessidades, consciente das condições de sua emancipação. A luta era seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar. (...) Como consequência, Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo. Governos, tanto absolutistas como republicanos, deportaram-no de seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou ultrademocráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra ele. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de aranha, não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e pranteado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários – das minas da Sibéria até a Califórnia, de todas as partes da Europa e da América - e atrevo-me a dizer que, embora, muito embora, possa ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal”. Em 1954, o Partido Comunista Britânico construiu uma lápide com o busto de Marx sobre sua tumba, até então de decoração muito simples. Na lápide, estão inscritos o parágrafo final do Manifesto Comunista (“Proletários de todos os países, uni-vos!”) e um trecho extraído das “Teses sobre Feuerbach”: “Os filósofos apenas interpretaram o mundo de várias maneiras, enquanto que o objetivo é mudá-lo”.

Influências

Algumas das principais leituras e estudos feitos por Marx são:

    • A Filosofia Alemã de Kant, Hegel e dos neo-hegelianos (como Ludwig Feuerbach e Moses Hess);
    • O Socialismo Utópico (representado por Saint-Simon, Robert Owen, Louis Blanc e Proudhon);
    • A Economia Política Clássica Britânica (representada por Adam Smith, David Ricardo e outros).

Ele estudou profundamente todas essas concepções ao mesmo tempo em que as questionou e desenvolveu novos temas, de modo a produzir uma profunda reorientação no debate intelectual europeu.

Influência da filosofia idealista

Hegel foi professor da Universidade de Jena, a mesma instituição onde Marx cursou o doutorado. E, em Berlim, Marx teve contato prolongado com as ideias dos Jovens Hegelianos (também chamados de "hegelianos de esquerda"). Os dois principais aspectos do sistema de Hegel que influenciaram Marx foram sua filosofia da história e sua concepção dialética. Para Hegel, nada no mundo é estático, tudo está em constante processo (vir-a-ser); tudo é histórico, portanto. O sujeito desse mundo em movimento é o Espírito do Mundo (também chamado de Superalma ou Consciência Absoluta), que representa a consciência humana geral, comum a todos indivíduos e manifesta na ideia de Deus. A historicidade é concebida enquanto história do progresso da consciência da liberdade. As formas concretas de organização social correspondem a imperativos ditados pela consciência humana, ou seja, a realidade é determinada pelas ideias dos homens, que concebem novas ideias de como deve ser a vida social em função do conflito entre as ideias de liberdade e as ideias de coerção ligadas a condição natural ("selvagem") do homem. O homem se liberta progressivamente de sua condição de existência natural através de um processo de "espiritualização" – reflexão filosófica (ao nível do pensamento, portanto) que conduz o homem a perceber quem é o real sujeito da história. Marx considerou-se um "hegeliano de esquerda" durante certo tempo, mas rompeu com o grupo e efetuou uma revisão bastante crítica dos conceitos de Hegel após tomar contato com as concepções de Ludwig Feuerbach. Manteve o entendimento da história enquanto progressão dialética (ou seja, o mundo está em processo graças ao choque permanente entre os opostos; não é estático), mas eliminou o Espírito do Mundo enquanto sujeito ou essência, porque passou a compreender que a origem da realidade social não reside nas ideias, na consciência que os homens têm dela, mas sim na ação concreta (material, portanto) dos homens, portanto no trabalho humano. A existência material precede qualquer pensamento; inexiste possibilidade de pensamento sem existência concreta. Marx inverte, então, a dialética hegeliana, porque coloca a materialidade – e não as ideias – na gênese do movimento histórico que constitui o mundo. Elabora assim a dialética materialista, construída como uma crítica ao materialismo de Feuerbach e um conceito não desenvolvido por Marx que também costuma ser chamado de materialismo dialético). “A mistificação por que passa a dialética nas mãos de Hegel não o impede de ser o primeiro a apresentar suas formas gerais de movimento, de maneira ampla e consciente. Em Hegel, a dialética está de cabeça para baixo. É necessária pô-la de cabeça para cima, a fim de descobrir a substância racional dentro do invólucro místico”.—Karl Marx, em “O Capital”.


Influência do socialismo utópico

À época de Marx, "socialismo utópico" designava um conjunto de doutrinas diversas (e até antagônicas entre si) que tinham em comum, entretanto, duas características básicas: (1) a base determinante do comportamento humano residia na esfera moral/ideologia e (2) o desenvolvimento das civilizações ocidentais estava a permitir uma nova era onde iria imperar a harmonia social. Marx criticou sagazmente as ideias dos socialistas utópicos (principalmente dos franceses, com os quais mais polemizou), acusando-os de muito romantismo ingênuo e pouca ou nenhuma dedicação ao estudo rigoroso da conjuntura social, pois os socialistas utópicos muito diziam sobre como deveria ser a sociedade harmônica ideal, mas nada indicavam sobre como seria possível alcançá-la plenamente. Além de criticar o socialismo utópico, ele também criticou o socialismo pequeno burguês, o "socialismo feudal" reacionário e o "socialismo conservador". Por outro lado, pode-se dizer que, de certa forma, Marx adotou – explícita ou implicitamente – algumas noções contidas nas ideias de alguns dos socialistas utópicos, como a noção de que o aumento da capacidade de produção decorrente da revolução industrial permite condições materiais mais confortáveis à vida humana ou ainda a noção de que as crenças ideológicas do sujeito lhe determinam o comportamento. É importante destacar uma diferença primordial: para os socialistas utópicos em geral, todo o comportamento humano é absolutamente determinado pela moral/ideologia, já para Marx, essa afirmação é parcialmente verdadeira, pois a moral/ideologia encontra-se submetida a uma outra condição anterior que lhe determina – a dimensão material da reprodução da existência.

Influência da economia política clássica

Marx empreendeu um minucioso estudo de grande parte da teoria econômica ocidental, desde escritos da Grécia antiga até obras que lhe eram contemporâneas. As contribuições que julgou mais fecundas foram as elaboradas por dois economistas políticos britânicos: Adam Smith e David Ricardo (tendo predileção especial por Ricardo, a quem chamava de "o maior dos economistas clássicos"). Na obra deste último, Marx encontrou conceitos – então bastante utilizados no debate britânico – que, após fecunda revisão e reelaboração, adotou em definitivo, como os de valor, divisão social do trabalho, acumulação primitiva e mais-valia. A avaliação do grau de influência da obra de Ricardo sobre Marx é bastante desigual. Estudiosos pertencentes à tradição neo-ricardiana tendem a considerar que existem poucas diferenças cruciais entre o pensamento econômico de um e outro; já estudiosos ligados à tradição marxista tendem a delimitar diferenças fundamentais entre eles. Apesar de Marx ter sido influenciado pelo utilitarismo radical de Jeremy Bentham na área econômica, ele admite que a sociedade possa dedicar parte de seu tempo a atividades não produtivas depois de que ela tenha atingido seus objetivos econômicos.

Colaboração de Engels


Friedrich Engels exerceu significativa influência sobre as reflexões intelectuais de Marx, principalmente no início da associação entre ambos, período em que dirigiu a atenção de Marx para a economia Política e a história econômica da Europa. Após a morte deste, Engels tornou-se não só o organizador dos muitos manuscritos incompletos e/ou inéditos legados, mas também o primeiro intérprete e sistematizador das ideias de Marx. Engels igualmente se ocupou, desde bem antes do falecimento de seu amigo, de redigir exposições em termos populares das ideias de Marx, visando facilitar sua difusão.

Teoria e obras

A teoria marxista é, substancialmente, uma crítica radical das sociedades capitalistas, mas é uma crítica que não se limita a teoria em si: Marx se posiciona contra qualquer separação drástica entre teoria e prática, entre pensamento e realidade, porque essas dimensões são abstrações mentais (categorias analíticas) que, no plano concreto, real, integram uma mesma totalidade complexa. O marxismo constitui-se como a concepção materialista da História, longe de qualquer tipo de determinismo, mas compreendendo a predominância da materialidade sobre a ideia, sendo esta possível somente com o desenvolvimento daquela, e a compreensão das coisas em seu movimento, em sua inter-determinação, que é a dialética. Portanto, não é possível entender os conceitos marxianos — como forças produtivas ou capital — sem levar em conta o processo histórico, pois não são conceitos abstratos e sim uma abstração do real, tendo como pressuposto que o real é movimento. Karl Marx compreende o trabalho como atividade fundante da humanidade. E o trabalho, sendo a centralidade da atividade humana, se desenvolve socialmente, sendo o homem um ser social. Sendo os homens seres sociais, a História, isto é, suas relações de produção e suas relações sociais fundam todo processo de formação da humanidade. Esta compreensão e concepção do homem é radicalmente revolucionária em todos os sentidos, pois é a partir dela que Marx irá identificar a alienação do trabalho como a alienação fundante das demais. E com esta base filosófica é que Marx compreende todas as demais ciências, tendo sua compreensão do real influenciado cada dia mais a ciência por sua consistência.

Metodologia

Segundo Marx, Hegel e seus seguidores criaram uma dialética mistificada, que buscava explicar a história mundial a partir da economia e como auto-desenvolvimento da Ideia absoluta. Já os economistas clássicos naturalizavam e desistoricizaram o modo de produção capitalista, concebendo a dominação de classe burguesa como uma ordem natural das relações econômicas, a partir de um conceito abstrato de indivíduo, homo economicus. Por isso, os economistas clássicos recorriam a "robsonadas", isto é, narrativas de trocas de produtos entre caçadores e pescadores primitivos, para ilustrar as suas teorias econômicas. Marx atribuía essa mistificação ao fetichismo da mercadoria, e não a uma intenção consciente. Em oposição aos filósofos idealistas e aos economistas clássicos, Marx propunha a investigação do desenvolvimento histórico das formas de produção e reprodução social, partindo do concreto para o abstrato e do abstrato para o concreto.

Classes sociais

Em razão da  divisão social do trabalho  e dos meios, a sociedade se extrema entre possuidores e os não detentores dos meios de produção. Surgem, então, a  classe dominante e a classe dominada, sendo a classe dominante aquela que mantém poder sobre os meios de produção e a classe dominada a que se sujeita a dominante para obter os bens produzidos. O Estado aparece para representar os interesses da classe dominante e cria, para isso, inúmeros aparatos para manter a estrutura da produção. Esses aparatos são nomeados por Marx de infraestrutura  e condicionam o desenvolvimento de ideologias e normas reguladoras, sejam elas políticas, religiosas, culturais ou econômicas, para assegurar os interesses dos proprietários dos meios de produção.

Crítica da religião

Para Marx a crítica da religião é o pressuposto de toda crítica social, pois crê que as concepções religiosas tendem a desresponsabilizar os homens pelas consequências de seus atos. [48] Marx tornou-se reconhecido como crítico sagaz da religião devido a sentença que profere em um escrito intitulado Crítica da filosofia do direito de Hegel: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo”. Em verdade, Marx se ocupou muito pouco em criticar sistematicamente a atividade religiosa. Nesse quesito ele basicamente seguiu as opiniões de Ludwig Feuerbach, para quem a religião não expressa a vontade de nenhum Deus ou outro ser metafísico: é criada pela fabulação dos homens.

Revolução

Apesar de alguns leitores de Marx adjetivarem-no de “teórico da revolução”, inexiste em suas obras qualquer definição conceitual explícita e específica do termo "revolução". O que Marx oferece são descrições e projeções históricas inspiradas nos estudos que fez acerca das revoluções francesa, inglesa e norte-americana. Um exemplo de prognóstico histórico desse tipo encontra-se em “Contribuição Para a Crítica da Economia Política”: “Numa certa etapa do seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é apenas uma expressão jurídica delas, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham até aí movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas, estas relações transformam-se em grilhões das mesmas. Ocorre então uma época de revolução social”. Em geral, Marx considerava que toda revolução é necessariamente violenta, ainda que isso dependa, em maior ou menor grau, da constrição ou abertura do Estado. A necessidade de violência se justifica porque o Estado tenderia sempre a empregar a coerção para salvaguardar a manutenção da ordem sobre a qual repousa seu poder político, logo, a insurreição não tem outra possibilidade de se realizar senão atuando também violentamente. Diferente do apregoado pelos pensadores contratualistas, para Marx o poder político do Estado não emana de algum consenso geral, é antes o poder particular de uma classe particular que se afirma em detrimento das demais. A revolução se daria no âmbito da necessidade de sobrevivência, pois segundo ele as forças produtivas em seu ápice passariam a se tornar destrutivas. Importante notar que Marx não entende revolução enquanto algo como reconstruir a sociedade a partir de um zero absoluto. Na Crítica ao Programa de Gotha, por exemplo, indica claramente que a instauração de um novo regime só é possível mediada pelas instituições do regime anterior. O novo é sempre gestado tendo o velho por ponto de partida. A revolução proletária, que instauraria um novo regime sem classes, só obteria sucesso pleno após a conclusão de um período de transição que Marx denominou socialismo.

Crítica ao anarquismo

Criticou o anarquismo por sua visão tida como ingênua do fim do Estado onde se objetiva acabar com o Estado "por decreto", ao invés de acabar com as condições sociais que fazem do Estado uma necessidade e realidade. Na obra “Miséria da Filosofia”, elabora suas críticas ao pensamento do anarquista Proudhon. Também criticou o blanquismo com sua visão elitista de partido, por ter uma tendência autoritária e superada. Posicionou-se a favor do liberalismo, não como solução para o proletariado, mas como premissa para maturação das forças produtivas (produtividade do trabalho) das condições positivas e negativas da emancipação proletária, como a da homogeneização da condição proletária internacional gerado pela "globalização" do capital. Sua visão política era profundamente marcada pelas condições que o desenvolvimento econômico ofereceria para a emancipação proletária, tan-to em sentido negativo (desemprego), como em sentido positivo (em que o próprio capital centralizaria a economia, exemplo: multinacionais).

Práxis

Na lógica da concepção materialista da História, não é a realidade que move a si mesma, mas comove os atores, trata-se sempre de um "drama histórico" (termo que Marx usa em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”) e não de um "determinismo histórico" que cairia num materialismo mecânico (positivismo), oposto ao materialismo dialético de Marx, que poderia ser definido como uma "dialética realidade-idealidade evolutiva". Ou seja, as relações entre a realidade e as ideias se fundem na práxis, e a práxis é o grande fundamento do pensamento de Marx. Pois sendo a história uma produção humana, e sendo as ideias produto das circunstâncias em que tais ideais brotaram, fazer história racionalmente é a grande meta. É o próprio fazer da história que criará suas condições objetivas e subjetivas adjacentes, já que a objetividade histórica é produto da humanidade (dos homens associados, luta política, etc). E, assim, Marx finaliza as “Teses Sobre Feuerbach”, não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo, pois a própria interpretação está condicionada ao mundo posto, só a ação revolucionária produz a transcendência do mundo vigente.

Mais-valia

O conceito de mais-valia foi empregado por Karl Marx para explicar a obtenção dos lucros no sistema capitalista. Para Marx, o trabalho gera a riqueza, portanto, a mais-valia seria o valor extra da mercadoria, a diferença entre o que o empregado produz e o que ele recebe. Os operários em determinada produção produzem bens (ex: 100 carros num mês). Se dividirmos o valor dos carros pelo trabalho realizado dos operários, teremos o valor do trabalho de cada operário. Entretanto os carros são vendidos por um preço maior: esta diferença é o lucro do proprietário da fábrica. A esta diferença, Marx chama de "valor excedente ou maior", ou mais-valia. Segundo ele, o lucro teria uma tendência decrescente devido a necessidade de se investir na produção, à medida que a remuneração dos trabalhadores estaria submetida a mais-valia.

O Capital


A grande obra de Marx é “O Capital”, na qual trata de fazer uma extensa análise da sociedade capitalista. É predominantemente um livro de Economia Política, mas não só. Nesta obra monumental, Marx discorre desde a economia, até a sociedade, cultura, política e filosofia. É uma obra analítica, sintética, crítica, descritiva, científica, filosófica, etc. Uma obra de difícil leitura, ainda que suas categorias não tenham a ambiguidade especulativa própria da obra de Hegel, possui, no entanto, uma linguagem pouco atraente e nem um pouco fácil. Dentro da estrutura do pensamento de Marx, só uma obra como “O Capital” é o principal conhecimento, tanto para a humanidade em geral, quanto para o proletariado em particular, já que através de uma análise radical da realidade que está submetido, só assim poderá se desviar da ideologia dominante ("a ideologia dominante" é sempre da "classe dominante"), como poderá obter uma base concreta para sua luta política. Sobre o caráter da abordagem econômica das formações societárias humanas, afirmou Alphonse De Waelhens: “O marxismo é um esforço para ler, por trás da pseudo-imediaticidade do mundo econômico reificado as relações inter-humanas que o edificaram e se dissimularam por trás de sua obra”. Cabe lembrar que “O Capital” é uma obra incompleta, tendo sido publicado apenas o primeiro volume com Marx vivo. Os demais volumes foram organizados por Engels e publicados posteriormente.

Outras obras

Na obra “A Ideologia Alemã”, Marx apresenta os pressupostos de seu novo pensamento. No “Manifesto Comunista”, apresenta sua tese política básica, propondo a construção de uma nova sociedade, derrubando a burguesia através da luta contra a propriedade privada de poucos. No ensaio “Sobre a Questão Judaica”, apresenta sua crítica à religião, dizendo que não se deve apresentar questões humanas como teológicas, mas as teológicas como questões humanas, e que afirmar ou negar a existência de Deus, são ambas teologia. Para ele, deve-se sempre ver as religiões como reflexões fantasiosas do ser humano acerca de si mesmo, mas que representam a condição real a qual está submetido o ser humano. Em “Crítica ao Programa de Gotha”, Marx faz sua mais extensa e sistemática apresentação do que seria uma sociedade socialista. Em “A Guerra Civil na França”, Marx supera todas as suas tendências jacobinas de antes e defende claramente que só com o fim do Estado o proletariado oferece a si mesmo as condições de manter o próprio poder recém conquistado, e o fim do Estado é literalmente o "povo em armas", ou seja, o fim do "monopólio da violência" que o Estado representa. Em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, além da profunda análise sobre o terror da "burocracia", outros aspectos marcantes são a questão do campesinato como aliado da classe operária na revolução iminente, o papel dos partidos políticos na vida social e uma caracterização profunda da essência do bonapartismo. Karl Marx foi um dos poucos ideólogos que acompanharam todo o percurso de instabilidade política francesa pós-revolução francesa, revolução industrial e globalização sendo que influenciou muito na obra do autor e contribuiu para alimentar os debates políticos dentro da esquerda.

Recepção da obra

Durante a vida de Marx, suas ideias receberam pouca atenção de outros estudiosos. Talvez o maior interesse tenha se verificado na Rússia, onde, em 1872, foi publicada a primeira tradução do “Tomo I” de O Capital. Na Alemanha, a teoria de Marx foi ignorada durante bastante tempo, até que, em 1879, Adolph Wagner, um alemão estudioso da economia política, comentou o trabalho de Marx ao longo de uma obra intitulada “Allgemeine oder Theoretische Volkswirthschaftslehre”. A partir de então, os escritos de Marx começaram a atrair cada vez mais atenção. Ao final do século XIX, o principal local de debate da teoria de Marx era o Partido Social-Democrata da Alemanha. Contudo, nos primeiros anos após sua morte, sua teoria obteve crescente influência intelectual e política sobre os movimentos operários e, em menor proporção, sobre os círculos acadêmicos ligados às ciências humanas – notadamente na Universidade de Viena e na Universidade de Roma, primeiras instituições acadêmicas a oferecerem cursos voltados para o estudo de Marx. Marx foi herdeiro da filosofia alemã, considerado ao lado de Kant, Nietzsche e Hegel um de seus grandes representantes. Foi um dos maiores (para muitos, o maior) pensadores de todos os tempos, tendo uma produção teórica com a extensão e densidade de um Aristóteles, de quem era um admirador. Marx criticou ferozmente o sistema filosófico idealista de Hegel. Enquanto que, para Hegel, "da realidade se faz filosofia", para Marx, a filosofia precisa incidir sobre a realidade. Para transformar o mundo, é necessário vincular o pensamento à prática revolucionária, união conceitualizada como práxis: união entre teoria e prática.

Legado

As ideias de Marx tiveram um profundo impacto na política mundial e pensamento intelectual. Os seguidores de Marx vêm debatendo entre si sobre como interpretar seus escritos e aplicar seus conceitos para o mundo moderno. O legado do pensamento de Marx tornou-se objeto de contestação entre inúmeras tendências, cada uma se vendo como a intérprete mais precisa de Marx. Na esfera política, estas tendências incluem o leninismo, marxismo-leninismo, trotskismo, maoismo, luxemburguismo e o marxismo libertário. Várias correntes também se desenvolveram no marxismo acadêmico, muitas vezes sob influência de outros pontos de vista, resultando no marxismo estruturalista, marxismo histórico, fenomenológica marxista, marxismo analítico e marxismo hegeliano. Do ponto de vista acadêmico, a obra de Marx contribuiu para o nascimento da sociologia moderna. Ele tem sido citado como um dos três mestres da "escola cínica" do séc. XIX, ao lado de Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, e como um dos três principais arquitetos da ciência social moderna juntamente com Émile Durkheim e Max Weber. Em contraste com outros filósofos, Marx ofereceu teorias que, muitas vezes, poderiam ser testadas com o método científico. Tanto Marx quanto Auguste Comte começaram a desenvolver ideologias cientificamente fundadas durante a secularização europeia e novos desenvolvimentos na filosofia da história e ciência. Trabalhando na tradição hegeliana, Marx rejeitou o positivismo sociológico comtiano na tentativa de desenvolver uma ciência da sociedade. Karl Löwith considerou Marx e Søren Kierkegaard os dois maiores sucessores filosóficos de Hegel. Na teoria sociológica moderna, a sociologia marxista é reconhecida como uma das principais perspectivas clássicas. Isaiah Berlin considera Marx o verdadeiro fundador da sociologia moderna, "na medida em que qualquer um pode reivindicar o título". Além da ciência social, ele também teve um legado duradouro na filosofia, na literatura, nas artes e nas humanidades. Na teoria social, pensadores do século XX e XXI adotaram duas estratégias principais em resposta a Marx: a primeira, conhecida como marxismo analítico, tende a reduzi-lo ao seu núcleo analítico, e precisa sacrificar suas ideias mais interessantes e intrigantes; a segunda, mais comum, dilui as reivindicações explicativas da teoria social de Marx e enfatiza a “autonomia relativa” dos aspectos da vida social e econômica, não diretamente relacionadas com a narrativa central de Marx: a interação entre o desenvolvimento das forças de produção e a sucessão dos modos de produção. Nesta segunda estratégia, incluem-se, por exemplo, a teorização neomarxista — adotada pelos historiadores inspirados na teoria social de Marx como E. P. Thompson e Eric Hobsbawm — e a linha de pensamento adotada por pensadores e ativistas como Antonio Gramsci, que têm procurado entender as oportunidades e as dificuldades da prática política transformadora vista à luz da teoria social marxista. Gramsci desenvolveu o conceito de revolução passiva, a qual é definida como "revolução sem revolução". Politicamente, o legado de Marx é mais complexo. Ao longo do século XX, ocorreram revoluções em dezenas de países que se auto-rotularam de "marxistas", mais notavelmente a Revolução Russa, que levou à fundação da URSS. Líderes mundiais como Vladimir Lenin, Mao Zedong, Fidel Castro, Salvador Allende, Josip Tito e Kwame Nkrumah citaram Marx como uma influência, e suas ideias estão presentes em vários partidos políticos em todo o mundo, além daqueles onde ocorreram "revoluções marxistas". As ditaduras brutais associadas com algumas nações marxistas levaram oponentes políticos a culpar Marx por milhões de mortes, mas a fidelidade destes líderes, partidos e revoluções à obra de Marx é contestada e rejeitada por muitos marxistas. Atualmente, é comum distinguir entre o legado e a influência de Marx especificamente, e o legado e influência de suas ideias para fins políticos.

Críticas

Em “A Miséria do Historicismo” (1936), Karl Popper discorda de Marx quanto à história ser regida por leis que, se compreendidas, podem servir para se antecipar o futuro. Segundo Popper, a história não pode obedecer a leis e a ideia de "lei histórica" é uma contradição em si mêsma. Já em “A Sociedade Aberta e seus Inimigos” (1945), Popper afirma que o historicismo conduz necessariamente a uma sociedade "tribal" e "fechada", com total desprezo pelas liberdades individuais. Popper considera Marx como "não-científico" também porque sua teoria não é passível de contestação. Uma teoria científica tem que ser falseável - caso contrário, é incluída no campo das crenças ou ideologias. Resta saber, é claro, se afirmações sobre fatos históricos, necessariamente únicos, podem ser, nos termos de Popper, falseáveis. Ludwig von Mises, em “Ação Humana – um Tratado de Economia” (1949), tentou demonstrar a impossibilidade de se organizar uma economia nos moldes socialistas, pela ausência do sistema de preços, que, segundo ele, funcionaria como sinalizador aos empreendedores acerca das necessidades dos consumidores. Aponta, desta forma, que cálculo econômico sem o equivalente universal (dinheiro) só poderia ser medido pelo tempo de trabalho. Mises ainda levanta que estatizar todos os produtos acabaria com o mercado, e na ausência da lei da oferta e da demanda não seria possível fazer o cálculo de preço. Sem o cálculo de preço, seria inviabilizada a economia planificada – e consequentemente o socialismo. Mises também refinou argumentos formulados por Eugen von Böhm-Bawerk na obra “Marxism Unmasked: from Delusion to Destruction”. Raymond Aron em “O Ópio dos Intelectuais” (1955), criticou de forma agressiva os intelectuais seguidores de Marx e condenou a teoria da revolução e o determinismo histórico. Eric Voegelin relata em seu livro “Reflexões Autobiográficas” que, induzido pela onda de interesse sobre a Revolução Russa de 1917, estudou 'O Capital' de Marx e foi marxista entre Agosto e Dezembro de 1919. Porém, durante seu curso universitário, ao estudar disciplinas de teoria econômica e história da teoria econômica, aprendera o que estava errado em Marx. Voegelin afirma que Marx comete uma grave distorção ao escrever sobre Hegel. Como prova de sua afirmação, cita os editores dos “Frühschiften” (Escritos de Juventude) de Karl Marx (Kröner, 1953), especialmente Siegfried Landshut, que dizem o seguinte sobre o estudo feito por Marx da “Filosofia do Direito” de Hegel: “Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar desta maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como predicados da ideia em enunciados sobre fatos”. Marx acreditava que a história humana é regida pela luta de classes. Para Pitirim Sorokin, a história do mundo não é definida unicamente pelo conflito entre as classes sociais e, segundo ele: “A cooperação entre as classes sociais, é um fenômeno ainda mais universal do que o antagonismo entre elas”. Apesar de dizer que Marx trouxe, em alguns aspectos, um progresso maior para a sociedade do que figuras como Margaret Thatcher, em “Thinkers of the New Left” (1985), Roger Scruton afirma: “Consideremos as teorias de Karl Marx: desde sua primeira aparição, estas têm despertado as controvérsias mais vivas e é pouco provável que tenham permanecido intocadas. O fato, me parece, é que todas as teorias marxistas já foram refutadas em sua essência: a teoria da história por Maitland, Weber e Sombart; a teoria do valor por Eugen von Böhm-Bawerk, Mises, Sraffa e muitos outros; a teoria da consciência falsa, alienação e luta de classes por um vasto grupo de pensadores, de Mallock a Sombart e Popper e de Hayek a Aron”. Revendo posições anteriores sobre a ideia de reformismo ontológico, o historiador marxista Jacob Gorender afirma que o proletariado é ontologicamente, em si, reformista, e descarta uma teleologia na história, em sua obra “Marxismo sem Utopia” (1999).

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Biografia de Gilberto Freyre

Gilberto Freyre
Gilberto de Mello Freyre. (KBE: Ordem do Império Britânico). Nasceu em Recife, a 15 de Março de 1900, e, nesta mesma cidade, faleceu a 18 de Julho de 1987. Gilberto Freyre foi um polímata brasileiro. Como escritor, dedicou-se à ensaística da interpretação do Brasil sob ângulos da sociologia, antropologia e história. Foi também autor de ficção, jornalista, poeta e pintor. É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX. Recebeu da Rainha Elizabeth II o título de "Sir", sendo um dos poucos brasileiros detentores desta alta honraria da coroa britânica. Sobre Freyre, falou Monteiro Lobato: "O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram".

Biografia
Filho de Alfredo Freyre (juiz e catedrático de Economia Política da Faculdade de Direito do Recife) e de Francisca de Mello Freyre, Gilberto Freyre é de família brasileira antiga, descendente dos primeiros colonizadores portugueses do Brasil. Em suas palavras: "um brasileiro que descende de gente quase toda ibérica, com algum sangue ameríndio e fixada há longo tempo no país". Tem antepassados portugueses, espanhóis, indígenas e holandeses. Custou a aprender a escrever, fazendo-se notar pelos desenhos. Teve aulas particulares com o pintor Telles Júnior, que reclamava de sua insistência em deformar os modelos. Começou a aprender a ler e escrever em inglês com Mr. Williams, que elogiava seus desenhos. Em 1909, faleceu sua avó materna, que vivia a mimá-lo por supor que tinha problemas sérios de aprendizado, pela dificuldade em aprender a escrever. Ocorrem suas primeiras experiências rurais de menino de engenho, nessa época, quando passa temporada no Engenho São Severino do Ramo, pertencente a parentes seus. Mais tarde escreverá sobre essa primeira experiência numa de suas melhores páginas, incluída em Pessoas, Coisas & Animais. Quando jovem, tornou-se protestante batista, chegando a ser missionário e a frequentar igrejas batistas norte-americanas. Foi estudar nos Estados Unidos, quando desencantou-se com o protestantismo batista e tornou-se sem religião, embora esposando uma cosmovisão cristã e vendo com simpatia o catolicismo popular e o xangô do Recife. Foi casado com Magdalena de Guedes Pereira Freyre, mãe de seus dois filhos, Sônia e Fernando.

Educação

Gilberto Freyre inicia seus estudos frequentando, em 1908, o jardim da infância do Colégio Americano Batista Gilreath, que seu pai havia ajudado a fundar. Aos dezoito anos, com bolsa da igreja batista, vai estudar na Universidade Baylor no Texas, onde se formou bacharel em artes liberais. Freyre estudou na Universidade de Columbia nos Estados Unidos, onde conheceu Franz Boas, referência intelectual para ele. Em 1922 publica sua tese de mestrado Social Life in Brazil in the Middle of the 19th Century (Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX), dentro do periódico Hispanic American Historical Rewiew, volume 5. Com isto obteve o título Masters of Arts (Mestre de Artes).

Casa-Grande & Senzala
(Magnum opus) 

Seu primeiro e mais conhecido livro é Casa-Grande
Casa-Grande & Senzala*
& Senzala
, publicado no ano de 1933 e escrito em Portugal. Nele, Freyre rechaça as doutrinas racistas de branqueamento do Brasil. Baseado em Franz Boas, demonstrou que o determinismo racial ou climático não influencia no desenvolvimento de um país. Ainda, essa obra foi precursora da noção de democracia racial no Brasil, com relações harmônicas interétnicas que mitigariam a influência social do passado da escravidão no Brasil, que, segundo Freyre, fora menos segregadora que a norte-americana. Embora seja sua obra mais importante, também recebeu críticas por sua linguagem tida como vulgar e obscena. Em Recife chegou a ter seu livro queimado em praça pública, ato apoiado por um colégio religioso de Recife.
Ao contrário do que popularmente se imagina, Casa Grande & Senzala não é um estudo sociológico ou antropológico. Baseado em fontes históricas e suas reflexões, Gilberto Freyre se apresentou como um "escritor treinado em ciências sociais" e não como sociólogo ou antropólogo, como refletiu em seu Como e Porque Sou e Não Sou Sociólogo (1968) . Além disso, por influência de Franz Boas sabia da necessidade de pesquisas empíricas para validar um estudo como sendo sociológico ou antropológico.

Sobrados e Mucambos (obra)

Sobrados e Mucambos é um livro de Gilberto
Sobrados e Mucambos
Freyre publicado originalmente em 1936. O livro tem como tema a decadência do patriarquismo do Brasil rural, ocorrida no século XIX. O título é uma referência aos antigos aristocratas, que, com a declínio do regime escravocrata brasileiro, tiveram que se mudar da casa-grande para sobrados em áreas urbanas. Por conseguinte, os ex-escravos também deixaram as senzalas para morarem em casebres de palha e barro em bairros pobres de áreas urbanas.

Ordem e Progresso (obra)

Ordem e Progresso é um livro de Gilberto Freyre
Ordem e Progresso
publicado em 1957, em que o autor discorre sobre a transição do regime monarquista ao republicano no Brasil.
Sobre tal transição, Freyre aponta aqueles elementos que permanecem a despeito da mudança política operada a 1889. Diz que sociologicamente as mudanças não haviam sido tão significativas dada a permanência de um modo de organização social ainda predominantemente paternalista, agora apenas atenuado pelo fato de se ter uma urbanização e industrialização mais acentuada e a ascensão social de alguns setores da sociedade que antes permaneciam excluídos. Esta integração de outros setores da sociedade, no entanto, não se dava de maneira transformadora, mas conservadora, na medida em que a república conservava o modo de organização da monarquia, sendo a figura do presidente a expressão do monarquista de outrora. 

Brasis, Brasil e Brasília (obra)

Brasis, Brasil e Brasília: sugestões em tôrno de problemas brasileiros de unidade e diversidade e das relações de alguns deles com problemas gerais de pluralismo étnico e cultural) é um livro do escritor brasileiro Gilberto Freyre, publicado originalmente em 1960, em Lisboa. Nele, aborda-se temas sociológicos, sociais e antropológicos, voltados não para nacional ou cívico, mas com critérios da ciência. "(...) sendo uno, é também uma constelação de Brasis; possuindo um valioso passado "útil" ou "utilizável", defronta-se com um futuro cheio de desafios à sua capacidade de ação orientada pelo, que, nas suas elites e no seu povo, seja imaginação criadora. Imaginação científica associada à poética". - Gilberto Freire, no prefácio do livro.

Vida pública 

Em 1930, após a tomada do poder por Getúlio Vargas, Freyre viaja aos Estados Unidos e Portugal, onde trabalhou no manuscrito de Casa Grande & Senzala. Em Pernambuco, Gilberto Freyre ocupou vários cargos comissionados e chegou à presidência da UDN (União Democrática Nacional) pernambucana. Em 1942 foi preso e espancado, junto de seu pai, após escrever um artigo no Diário de Pernambuco acusando um monge beneditino de Olinda de ser racista e pró-nazista. Em 1946 é eleito pela própria UDN para a Assembleia Constituinte. Em 1964, defendeu a queda de João Goulart, em 1969 passou a integrar o Conselho Federal de Cultura a convite do presidente general Emílio Médici. Gilberto Freyre foi também reconhecido por seu estilo literário. Foi até poeta, sendo que o seu poema "Bahia de Todos os Santos e de Quase Todos os Pecados" entusiasmou Manuel Bandeira. Gilberto Freyre escreveu um longo poema inspirado por sua primeira visita à cidade de Salvador: Bahia de todos os santos e de quase todos os pecados. Impresso no mesmo ano em reduzidíssima edição da recifense Revista do Norte, o poema deixou Manuel Bandeira entusiasmado. Tanto que em carta de 4 de Junho de 1927 escreveu: “Teu poema, Gilberto, será a minha eterna dor de corno. Não posso me conformar com aquela galinhagem tão gozada, tão envergonhosamente lírica, trescalando a baunilha de mulata asseada. S!” (cf. Manuel Bandeira, Poesia e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, v. II: Prosa, p. 1398). O poema tem três versões: a primeira foi reproduzida por Manuel Bandeira em sua Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos (1946); a segunda, modificada pelo autor, foi publicada na revista carioca O Cruzeiro de 20 de Janeiro de 1942; e a terceira aparece nos livros Talvez Poesia (José Olympio, 1962) e Poesia Reunida (Edições Pirata, 1980). Portugal ocupa um lugar importante no pensamento de Freyre. Em vários de seus livros, como em "O Mundo que o Português Criou", e "O Luso e o Trópico" demonstra o importante papel que os portugueses tiveram na criação da "primeira civilização moderna nos trópicos". Freyre foi um dos pioneiros no estudo histórico e sociológico dos territórios de colonização portuguesa como um todo, chegando mesmo a desenvolver um ramo de pesquisa que denominou de "Lusotropicologia". Ocupou a cadeira 29 da Academia Pernambucana de Letras em 1986.

Morte
 
Gilberto Freyre morreu em decorrência de uma isquemia cerebral, infecção respiratória e insuficiência renal às 4h10 da manhã de 18 de Julho de 1987 em Recife.
 

Obras

  • Casa-Grande & Senzala, 1933.
  • Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, 1934.
  • Sobrados e Mucambos, 1936.
  • Nordeste: Aspectos da Influência da Cana Sobre a Vida e a Paisagem…, 1937.
  • Açúcar, 1939.
  • Olinda, 1939.
  • O Mundo que o Português Criou, 1940.
  • Um Engenheiro Francês no Brasil,1940. e 1960 (2ªedição).
  • Problemas Brasileiros de Antropologia, 1943.
  • Sociologia, 1945.
  • Interpretação do Brasil, 1947.
  • Ingleses no Brasil, 1948.
  • Ordem e Progresso, 1957.
  • O Recife Sim, Recife Não, 1960.
  • Os Escravos nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século XIX, 1963.
  • Vida Social no Brasil nos Meados do Século XIX, 1964.
  • Brasis, Brasil e Brasília, 1968.
  • O Brasileiro Entre os Outros Hispanos, 1975.
  • Oh de Casa, 1979.
  • Homens, Engenharias e Rumos Sociais, 1987.

 

 

Prêmios e títulos 

  • Prêmio da Sociedade Filipe d'Oliveira, Rio, 1934.
  • Prêmio Anisfield-Wolf, USA, 1957.
  • Prêmio de Excelência Literária, da Academia Paulistana de Letras, 1961.
  • Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (conjunto de obras), 1962.
  • Prêmio Moinho Santista de "Ciências Sociais em Geral", 1964.
  • Prêmio Aspen, do Instituto Aspen, USA, 1967
  • Prêmio Internacional La Madonnina, Itália, 1969
  • Sir - "Cavaleiro Comandante do Império Britânico", distinção conferida pela Rainha da Inglaterra, 1971.
  • Medalha Joaquim Nabuco, Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco, 1972.
  • Troféu Novo Mundo, por "obras notáveis em Sociologia e História", São Paulo - Troféu Diários Associados, por "maior distinção atual em Artes Plásticas" - Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1973.
  • Vencedor do Prêmio Esso em 2005.
  • Medalha de Ouro José Vasconcelos, Frente de Afirmación Hispanista de México, 1974.
  • Educador do Ano, Sindicato dos Professores do Ensino Primário e Secundário em Pernambuco e Associação dos Professores do Ensino Oficial, 1974.
  • Medalha Massangana, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1974.
  • Grã-cruz Andrés Bello da Venezuela, 1978.
  • Grã-cruz da Ordem do Mérito dos Guararapes do Estado de Pernambuco, 1978.
  • Prêmio Brasília de Literatura para Conjunto de Obras, Fundação Cultural do Distrito Federal, 1979.
  • Prêmio Moinho Recife, 1980.
  • Medalha da Ordem do Ipiranga do Estado de São Paulo, 1980.
  • Medalha Biblioteca Nacional, 1984.
  • Grã-cruz de D. Alfonso, El Sabio, Espanha, 1983.
  • Grã-cruz de Santiago da Espada, Portugal, 1983.
  • Grã-cruz da Ordem do Mérito Capibaribe da cidade do Recife, 1985.
  • Grande Oficial da Legião de Honra, França, 2008.


Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Freyre
https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa-Grande_&_Senzala 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sobrados_e_Mucambos 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_e_Progresso_(livro) 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasis,_Brasil_e_Brasília 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Biografia de Luís da Câmara Cascudo

Câmara Cascudo
Luís da Câmara Cascudo. Nasceu em Natal - Rio Grande do Norte, a 30 de Dezembro de 1898, e faleceu, também em Natal, a 30 de Julho de 1986. Câmara Cascudo foi um historiador, antropólogo, advogado e jornalista brasileiro. Câmara Cascudo passou toda a sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cujo Instituto de Antropologia leva seu nome. Pesquisador das manifestações culturais brasileiras, deixou uma extensa obra, inclusive sua magnum opus, o Dicionário do Folclore Brasileiro (1952). Entre seus muitos títulos destacam-se: Alma Patrícia (1921), obra de estreia, e Contos Tradicionais do Brasil (1946). Estudioso do período das invasões holandesas, publicou Geografia do Brasil Holandês (1956). Suas memórias, O tempo e Eu (1971), foram editadas postumamente. Cascudo quase chegou a ser demitido de sua posição como professor por estudar figuras folclóricas como o lobisomem. Começou o trabalhou como jornalista aos 19 anos em "A Imprensa", de propriedade de seu pai, e depois passou pelo "A República" e o "Diário de Natal" - nos anos 1960 já havia publicado quase 2.000 textos. Foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis em 1956.

Posições políticas

Câmara Cascudo foi monarquista nas primeiras décadas do século XX e durante a década de 1930 combateu a crescente influência marxista no Brasil. Também combateu, em parte, sob a impressão causada pela assim chamada Intentona Comunista de 1935, quando a cidade de Natal foi palco e sede da primeira tentativa de um governo fundado nas ideias marxistas da América Latina, Cascudo aderiu ao integralismo brasileiro e foi membro destacado e Chefe Regional da Ação Integralista Brasileira, o movimento nacionalista encabeçado por Plínio Salgado. Desencantou-se rapidamente com o Integralismo, tal como outro famoso ex-integralista, Dom Hélder Câmara, e já durante a Segunda Guerra Mundial favoreceu os Aliados, demonstrando sua antipatia aos fascistas italianos e aos nazistas alemães. Fiel ao seu pensamento anticomunista, não se opôs ao Golpe Militar de 1964, mas protegeu e ajudou diversos potiguares (norte-rio-grandenses) perseguidos pelos militares. Câmara Cascudo muito contribuiu para a cultura na gestão de Djalma Maranhão, prefeito de Natal.

Dicionário do Folclore Brasileiro (obra)

O Dicionário do Folclore Brasileiro é um livro de
Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo publicado originalmente em 1954, com sucessivas edições, desde então.
 

Histórico 

A primeira edição foi prefaciada pelo então ministro da educação Antônio Balbino, em nome do Governo Federal, que editava a obra. Em nota esta mesma edição, Cascudo relembra que a ideia do Dicionário surgira em 1941, como um plano para "dez anos de trabalho sereno, sem pressa e sem descanso". A ideia, entretanto, seria realizar uma extensa História do Brasil, que foi abortada; o então diretor do Instituto Nacional do Livro, Augusto Meyer, propôs, em 1943 a elaboração de um Dicionário de Folclore. Para sua redação o autor convidou diversos colaboradores, desde César Guerra-Peixe, Heitor Villa-Lôbos, Nelson Romero e outros.

Conteúdo 

O dicionário contém, além dos verbetes em si, umas poucas imagens dispostas ao longo da obra, todas em preto e branco. A farta bibliografia coligida está inserida em cada verbete, e não ao final do livro. Sobre este "defeito", que o autor revela ter sido reparado por um professor universitário estadunidense, Cascudo respondeu: "A explicação vem da própria mentalidade do autor, 'parva sed nihil', convencer-me da utilidade da informação bibliográfica no verbete consultado, orientando a curiosidade, e não dispersá-la na relação informe e terminal, de impossível fixação das origens temáticas. Preferi servir água no copo a mandar o consulente dessedentar-se no rio". - Luís da Câmara Cascudo - Nota à terceira edição, 1959.

Museu Câmara Cascudo

O Museu Câmara Cascudo (MCC) é um museu de
Museu Câmara Cascudo
ciências naturais e antropológicas, mantido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte localizado na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. Contém exposição de fósseis, sedimentologia, anatomia comparada, ambientes, ciclos de couro e da cana-de-açúcar, artes sacra e popular, arqueologia, indiologia e culto afro-brasileiro, além de peças relevantes da História de Natal e do Rio Grande do Norte.
 

Tatu gigante 

Como parte do seu acervo está o Pachyarmatherium brasiliense, descoberto em 2010 juntamente com um material arquivado desde a última década de 60. Foi encontrado no município de Baraúna em um caverna e possui cerca de 100 quilos. Presume-se que tenha entre 40 e 100 mil anos. O assunto foi destaque na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology.

Memorial Câmara Cascudo

O Memorial Câmara Cascudo é um ponto turístico
Memorial Câmara Cascudo (pic: Jorge Andrade).
da cidade de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Fica localizado próximo à antiga catedral. Visa homenagear o maior historiador e folclorista do Estado do Rio Grande do Norte e, é um dos maiores do país. Esse monumento foi a melhor forma encontrada para homenagear Câmara Cascudo e de fazer com que as pessoas conheçam mais sobre este grande artista do Rio Grande do Norte. Foi instalado a 10 de Fevereiro de 1987 em um edifício que data do século XVIII, construído  para servir de sede ao Real Erário e posteriormente a Tesouraria da Fazenda, localizado na Praça André de Albuquerque na cidade de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte.
De sua construção até 1955, o edifício foi sede da Delegacia Fiscal, órgão do Ministério da Fazenda. Entre 1955 e 1982, o edifício abrigou o Quartel General do Exército e, em seguida, o recente Memorial. A partir de 10 de Fevereiro de 1987 se transformou no Memorial Câmara Cascudo (por iniciativa do jornalista Paulo Macedo), que é, desde então, um dos locais mais visitados pelos turistas na cidade. O Memorial tem como objetivo preservar e divulgar a vida e a obra de Luís da Câmara Cascudo, abordando diversos aspectos, com destaque a biblioteca particular de Câmara Cascudo, com cerca de 10 mil volumes de diversos assuntos como folclore, religião, história, biografias e romances, conta ainda com quadros que retratam momentos marcantes da vida de Câmara Cascudo. A biblioteca é considerada "rara" por possuir obras do início do século passado e livros em diversos idiomas. Grande parte dos livros tem anotações de próprio punho de Cascudo e dedicatórias dos autores. O edifício chama a atenção por ter uma estátua de Câmara Cascudo sobre uma mão em frente a sua fachada. 

Citações

Citações de Obras Literárias

- "A refeição é elemento pacificante". (Em seu livro "Civilização e Cultura", Global).
- "Comer de pé é modalidade de pasto, indispensável, justo, mas não humano, não natural, não social". (Em seu livro "Civilização e Cultura", Global).

Atribuídas

- "O melhor produto do Brasil ainda é o brasileiro". (Fonte: LIMA, Diógenes da Cunha. "Câmara Cascudo: um brasileiro feliz" (p. 46). Ed. Lidador, 1998. 236 páginas. (ISBN 8570030029, ISBN 9788570030023).
- "Não tenho como resumir o que estudei durante 30 anos e que está contido em dois volumes de um livro". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, ao ser perguntado sobre a alimentação dos brasileiros e referindo-se ao livro "História da Alimentação no Brasil" (1967).
- "Eles nem imaginam, mas eu nunca assisti a uma partida de futebol". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, após ser convidado por torcedores que passavam na rua para comemorar a vitória da seleção brasileira de futebol contra o Uruguai, durante a Copa do Mundo do México, em junho de 1970).
- "Para muitos deles, tirar a bola do pé e passar para outro, renunciando a uma jogada individual, era como emprestar a mulher, mas terminaram cedendo, em benefício da alegria do gol, que é do time em campo e da arquibancada e se esparrama pelo país inteiro". (Fonte: DANTAS, Audálio. Câmara Cascudo e aquela do papagaio: Natal, 1970. Folha de São Paulo, Ilustríssima, 16 de março de 2014, p. 9). (Em entrevista à Audálio Dantas, em 1970, falando sobre o futebol, trazido pelos ingleses ao Brasil, de como nossos atletas conseguiram evitar o individualismo e se adaptaram às técnicas de conjunto).

Obras

Obra extensa


O conjunto da obra de Luís da Câmara Cascudo é considerável em quantidade e qualidade. O autor escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros mais prolíficos, ao lado de nomes como Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e Mário Ferreira dos Santos. A sua obra ganhou reconhecimento internacional. (*Editado por Eziel Vieira-Pvai).


Lista das obras


Abaixo, a relação de suas publicações, algumas das quais já reeditadas por outras editoras. Os títulos listados estão seguidos das publicações originais e suas respectivas editoras:

- Alma Patrícia, Critica Literária – Atelier Typ. M. Vitorino, 1921.
- Histórias que o Tempo Leva – Ed. Monteiro Lobato, S. Paulo, (outubro 1923), 1924.
- Joio – Crítica e Literatura – Of. Graph. d’A Imprensa, Natal (jun), 1924.
- Lopez do Paraguay – Typ. d’A República, 1927.
- Conde d’Eu  – Ed. Nacional, 1933.
- O Homem Hmericano e seus Temas – Imprensa Oficial, Natal, 1933.
- Viajando o Sertão – Imprensa Oficial, Natal, 1934.
- Em Memória de Stradelli – Livraria Clássica, Manaus, 1936.
- O Doutor Barata – Imprensa Oficial, Bahia, 1938.
- O Marquês de Olinda e seu Tempo – Ed. Nacional, S. Paulo, 1938.
- Governo do Rio Grande do Norte – Liv. Cosmopolita, Natal, 1939.
- Vaqueiros e Cantadores – (Globo, 1939) – Ed. Itatiaia, S. Paulo, 1984.
- Antologia do Folclore Brasileiro – Martins Editora, S. Paulo, 1944.
- Os Melhores Contos Populares de Portugal – Dois Mundos, 1944.
- Lendas Brasileiras – 1945.
- Contos Tradicionais do Brasil – (Col. Joaquim Nabuco), 1946 – Ediouro.
- Geografia dos Mitos Brasileiros – Ed. José Olímpio, 1947. 2ª edição, Rio, 1976.
- História da Cidade do Natal – Prefeitura Mun. do Natal, 1947.
- Os Holandeses no Rio Grande do Norte – Depto. Educação, Natal, 1949.
- Anubis e Outros Ensaios – (Ed. O Cruzeiro, 1951), 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983.
- Meleagro – Ed. Agir, 1951 – 2ª edição, Rio, 1978.
- Literatura Oral no Brasil – Ed. José Olímpio, 1952, 2ª edição, Rio, 1978.
- Cinco Livros do Povo – Ed. José Olímpio, 1953 – 2ª edição, ed. Univ. UFPb, 1979.
- Em Sergipe del Rey – Movimento Cultural de Sergipe, 1953.
- Dicionário do Folclore Brasileiro – INL, Rio, 1954, 3ª edição, 1972.
- História de um Homem – (João Câmara) – Depto. de Imprensa, Natal, 1954.
- Antologia de Pedro Velho – Depto. de Imprensa, Natal, 1954.
- História do Rio Grande do Norte – MEC, 1955.
- Notas e Documentos para a História de Mossoró – Coleção Mossoroense, 1955.
- Trinta "Estórias" Brasileiras – ed. Portucalense, 1955.
- Geografia do Brasil Holandês – Ed. José Olímpio, 1956.
- Tradições Populares da Pecuária Nordestina –MA-IAA n.9, Rio, 1956.
- Jangada – MEC, 1957.
- Jangadeiros – Serviço de Informação Agrícola, 1957.
- Superstições e Costumes – Ed. Antunes & Cia, Rio, 1958.
- Canto de Muro – Ed. José Olímpio, (dez. 1957), 1959.
- Rede de Dormir – MEC (1957), 1959 – 2ª edição, Funarte/UFRN, 1983.
- Ateneu Norte-Rio-Grandense – Imp. Oficial, Natal, 1961.
- Vida Breve de Auta de Souza – Imp. Oficial, Recife, 1961.
- Dante Alighieri e a Tradição Popular no Brasil – PUC, Porto Alegre, 1963 – 2ª edição Fundação José Augusto (FJA), Natal, 1979.
- Dois Ensaios de História – (Imp Oficial Natal, 1933 e 1934) Ed. Universitária, 1965.
- História da República do Rio Grande do Norte – Edições do Val, Rio, 1965.
- Made in África – Ed. Civilização Brasileira, 1965.
- Nosso Amigo Castriciano – Imp. Universitária, Recife, 1965.
- Flor dos Romances Trágicos – Ed. Cátedra, Rio, 1966 – 2ª ed. Cátedra/FJA, 1982.
- Voz de Nessus – Depto. Cultural, UFPb, 1966.
- Folclore no Brasil – Fundo de Cultura, Rio, 1967 – 2ª edição, FJA, Natal;, 1980.
- História da Alimentação no Brasil – Ed. Nacional (2 vol) fev. 1963), 1967, (col. Brasiliana 322 e 323) – 2ª ed. Itatitaia, 1983.
- Jerônimo Rosado (1861-1930) – ed. Pongetti, Rio, 1967.
- Seleta, Luís da Câmara Cascudo – Ed. José Olímpio, Rio, 1967 – org. por Américo de Oliveira Costa. – 2ª Ed. 1972.
- Coisas que o Povo Diz – Bloch, 1968.
- Nomes da Terra – Fundação José Augusto, Natal, 1968.
- O Tempo e Eu – Imp. Universitária – UFRN, 1968.
- Prelúdio da Cachaça – IAA, (Maio, 1967), 1968.
- Pequeno Manual do Doente Aprendiz – Ed. Universitária – UFRN, 1969.
- Gente Viva – Ed. Universitária UFPe, 1970.
- Locuções Tradicionais no Brasil – UFPE, 1970 – 2ª edição, MEC, Rio, 1977.
- Ensaios de Etnografia Brasileira – INL, 1971.
- Na Ronda do Tempo – Ed. Universitária, UFRN, 1971 (livro biográfico).
- Sociologia do Açúcar – MIC – IAA, 1971. Coleção Canavieira n. 5.
- Tradição, Ciência do Povo – Perspectiva, S. Paulo, 1971.
- Ontem – (maginações) – Ed. Universitária UFRN, 1972.
- Uma História da Assembleia Legislativa do RN – FJA, 1972.
- Civilização e Cultura (2 vol.) – MEC/Ed. José Olímpio, 1973.
- Movimento da Independência no RN – FJA, 1973.
- O Livro das Velhas Figuras – (6 vol.) – 1, 1974; 2, 1976; 3, 1977; 4, 1978; 5, 1981; 6, 1989 – Inst. Histórico e Geográfico do RN.
- Prelúdio e Fuga do Real – FJA, 1974.
- Religião no Povo – Imprensa Universitária, UFPb, 1974.
- História dos Nossos Gestos – Ed. Melhoramentos, 1976.
- O Príncipe Maximiliano no Brasil – Kosmos editora, 1977.
- Antologia da Alimentação no Brasil – Livros Técnicos e Científicos ed., 1977.
- Três Ensaios Franceses, FJA, 1977 (do Motivos da Literatura Oral da França no Brasil, Recife, 1964 – Roland, Mereio e Heptameron).
- Mouros e Judeus – Depto. de Cultura, Recife, 1978.
- Superstição no Brasil – Itatiaia, S. Paulo, 1985.


Referências