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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quarenta Mártires do Brasil (História)


Pintura dos Quarenta Mártires do Brasil (do Museu Diocesano de Arte Sacra da Catedral de Las Palmas).
Quarenta Mártires do Brasil. Nome por que ficaram conhecidos na História do Brasil os quarenta missionários jesuítas que sob a direção do Padre Inácio de Azevedo embarcaram para o Brasil a bordo da nau Santiago; não chegaram a desembarcar, tendo sido mortos pelos corsários franceses do capitão huguenote Jacques Sourie (1570). Compõem um grupo de 40 jovens da Companhia de Jesus (entre 20 e 30 anos), 32 portugueses e 8 espanhóis, destinados às missões no Brasil em 1570. Eram no total 2 sacerdotes, 1 diácono, 14 irmãos e 23 estudantes, liderados por Inácio de Azevedo. Durante a viagem, sua nau foi interceptada nas Ilhas Canárias por navios de huguenotes, calvinistas franceses. Ao saberem que os tripulantes eram missionários católicos, atiraram-nos ao mar a 15 de Julho de 1570. Foram beatificados a 11 de Maio de 1854 pelo Papa Pio IX. A festa litúrgica destes mártires católicos é celebrada no dia 17 de Julho.



O momento do martírio



Inácio de Azevedo.
Antes da sua partida em missão para o Brasil, os sacerdotes, irmãos e estudantes reuniram-se na Quinta de Vale do Rosal, situada na Charneca de Caparica, Portugal, e foi aí que se preparam espiritualmente, durante cinco meses, para a missão de evangelização desse tão grande território que era o território brasileiro, todos quantos tinham aderido ao projeto do padre Dom Inácio de Azevedo. Nessa propriedade os jovens jesuítas subiam frequentemente para rezar junto a um cruzeiro de madeira onde cerca de 1659 é levantado por iniciativa do Padre Procurador-Geral do Brasil um cruzeiro de pedra numa brenha da Quinta de Vale de Rosal em memória dos "40 Mártires do Brasil". No dia da sua partida, seguiram na expedição um total de 86 pessoas: 70 eram religiosos jesuítas, os restantes assalariados. Depois de aportarem na Ilha da Madeira, a 12 de Junho de 1570, para consertar as embarcações, descansar e recolher mantimentos, prosseguiram viagem, na nau Santiago, apenas Inácio de Azevedo com 39 companheiros. A pouca distância de Tazacorte (em La Palma, Ilhas Canárias), a 15 de Julho de 1570, foram surpreendidos por um navio francês comandado pelo calvinista Jacques Sourie. Os calvinistas abordaram a nau com enorme alarido, praguejando e ameaçando de morte os missionários. O Padre Inácio de Azevedo apressou-se, então, a reunir todos os missionários no convés do navio e dirigiu-lhes as palavras de encorajamento: “Irmãos, preparemo-nos todos, porque hoje vamos povoar o Céu. Ponhamo-nos todos em oração e façamos de conta que esta é a última hora que temos de vida”. Dos lábios de cada um acabaram por irromper, em alta voz, entregas pessoais à vontade de Deus, enquanto os hereges os cobriam de injúrias. Inácio de Azevedo desaconselhou os seus companheiros a combaterem os inimigos com armas como o capitão português lhes pediu, mas apenas por meio de um quadro com um ícone da Santíssima Virgem Maria, o qual trouxe agarrado em exposição solene junto ao seu peito, e a todos gritou: “Irmãos, defendei a fé de Cristo! Pela fé católica e pela Igreja Romana!”. Mesmo depois de ferido na cabeça, o líder da expedição missionária exclamou: “Filhos, não temais, esforçai-vos! Ó meus filhos: que grande mercê é esta de Deus! Ninguém tenha medo, nem fraqueza”. Os missionários foram todos mortos e feridos, excepto o irmão João Sanches a quem os calvinistas guardaram para seu cozinheiro. No entanto, apareceu João Adaucto, sobrinho do capitão da nau, que decidiu vestir o hábito de religioso jesuíta para o tomarem por tal (uma vez que tanto desejava pertencer à Companhia de Jesus) e acabou por ser morto pela fé junto aos restantes mártires. Todos foram lançados ao mar, uns já mortos, outros em agonia e outros ainda vivos. Em simultâneo com o momento do martírio, Santa Teresa de Ávila, no seu convento carmelita na Espanha, teve uma visão do martírio de Inácio de Azevedo com os seus companheiros e da sua entrada triunfal no Céu recebidos por Nossa Senhora e pelo próprio Jesus.


Lista dos mártires


  1. Dom Inácio de Azevedo, padre português e líder da missão (n. Porto, Portugal)
  2. Diogo de Andrade, padre (n. Pedrógão Grande, Portugal)
  3. Bento de Castro, irmão, estudante (n. Chacim, Macedo de Cavaleiros, Portugal)
  4. António Soares, irmão, estudante (n. Trancoso da Beira, Portugal)
  5. Manuel Álvares, irmão, coadjutor (n. Estremoz, Portugal)
  6. Francisco Álvares, irmão, coadjutor (n. Covilhã, Portugal)
  7. Domingos Fernandes, irmão, estudante (n. Borba, Portugal)
  8. João Fernandes, irmão, estudante (n. Braga, Portugal)
  9. João Fernandes, irmão, estudante (n. Lisboa, Portugal)
  10. António Correia, irmão, estudante (n. Porto, Portugal)
  11. Francisco de Magalhães, irmão, estudante (n. Alcácer do Sal, Portugal)
  12. Marcos Caldeira, irmão (n. Vila da Feira, Portugal)
  13. Amaro Vaz, irmão, coadjutor (n. Benviver, Marco de Canavezes, Portugal)
  14. Juan de Mayorga, irmão, coadjutor (n. Saint-Jean-Pied-de-Port, Navarra, hoje França)
  15. Alonso de Baena, irmão, coadjutor (n. Villatobas, Toledo, Espanha)
  16. Esteban de Zuraire, irmão, coadjutor (n. Amescoa, Biscaia, Espanha)
  17. Juan de San Martín, irmão, estudante (n. Yuncos, Toledo, Espanha)
  18. Juan de Zafra, irmão, coadjutor (n. Jerez de Badajoz, Espanha)
  19. Francisco Pérez Godói, irmão, estudante (n. Torrijos, Toledo, Espanha)
  20. Gregório Escribano, irmão, coadjutor (n. Viguera, Logroño, Espanha)
  21. Fernán Sanchez, irmão, estudante (n. Castela-a-Velha, Espanha)
  22. Gonçalo Henriques, irmão, estudante (n. Porto, Portugal)
  23. Álvaro Mendes Borralho, irmão, estudante (N. Elvas, Portugal)
  24. Pero Nunes, irmão, estudante (n. Fronteira, Portugal)
  25. Manuel Rodrigues, irmão, estudante (n. Alcochete, Portugal)
  26. Nicolau Diniz, irmão, estudante (n. Bragança, Portugal)
  27. Luís Correia, irmão, estudante (n. Évora, Portugal)
  28. Diogo Pires Mimoso, irmão, estudante (n. Nisa, Portugal)
  29. Aleixo Delgado, irmão, estudante (n. Elvas, Portugal)
  30. Brás Ribeiro, irmão, coadjutor (n. Braga, Portugal)
  31. Luís Rodrigues, irmão, estudante (n. Évora, Portugal)
  32. André Gonçalves, irmão, estudante (n. Viana do Alentejo, Portugal)
  33. Gaspar Álvares, irmão, estudante (n. Porto, Portugal)
  34. Manuel Fernandes, irmão, estudante (n. Celorico da Beira, Portugal)
  35. Manuel Pacheco, irmão, estudante (n. Ceuta, Portugal, hoje Espanha)
  36. Pedro Fontoura, irmão, coadjutor (n. Chaves, Portugal)
  37. António Fernandes, irmão, coadjutor (n. Montemor-o-Novo, Portugal)
  38. Simão da Costa, irmão, coadjutor (n. Porto, Portugal)
  39. Simão Lopes, irmão, estudante (n. Ourém, Portugal)
  40. João Adaucto, acompanhante (n. Entre Douro e Minho, Portugal)

 

Referências


domingo, 12 de abril de 2015

Sítio Arqueológico de São João Batista (Brasil)


Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, Rio Grande do Sul, Brasil. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).
O Sítio Arqueológico de São João Batista é um conjunto de ruínas remanescentes darquea redução jesuítica homônima, que fazia parte dos Sete Povos das Missões. Está localizado no município gaúcho de Entre-Ijuís, e seu acesso se dá pela BR-285.



História



A redução de São João Batista foi fundada em 1697, a partir da divisão do povoado de São Miguel Arcanjo, em função do crescimento populacional e das dificuldades de abastecimento. Seu fundador foi o padre Antonio Sepp, um polímata que dominava a música, arquitetura, urbanismo, relojoaria, pintura e escultura. Foi seguido por 2.832 pessoas oriundas da redução de São Miguel. Os trabalhos na igreja iniciaram em 1708, quando já havia 3.400 pessoas habitando o aldeamento. Sob orientação de Antonio Sepp esta redução mostrou alto nível de atividade cultural. Sepp também foi um geólogo e minerador, sendo o pioneiro nos trabalhos de metalurgia nas Missões. Extraia o ferro, utilizado na fabricação dos sinos, aquecendo a pedra itacurú que era abundante na região. Sua obra-prima foi o relógio instalado no campanário da igreja que, ao dar as horas, fazia desfilar pelo mostrador os 12 Apóstolos.


Galeria de Imagens
Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).


 

Atualidade



Atualmente o sítio abriga restos da estrutura do cemitério, da igreja e do colégio, além de estruturas complementares como olarias, barragem e estradas. Em todo o sítio podem ser observadas peças esculpidas em pedras grês. Placas interpretativas contam a história a partir dos relatos feitos, na época, em cartas escritas pelos padres. O local oferece visita guiada aos turistas.

Sítio Arqueológico de São João Batista em Entre-Ijuís, RS. (Imagem: Halley Pacheco de Oliveira).



Antonio Sepp



Anton Sepp von Rechegg (Antônio Sepp von Rechegg) nasceu na região de Kaltern an der Weinstraße (em italiano: Caldaro sulla Strada del Vino), no Tirol, em 22 de Novembro de 1655 e faleceu em San Jose, Misiones, Argentina, em 13 de Janeiro de 1733. Recebeu sua educação em Viena, como menino do coro da corte imperial. Com 19 anos desligou-se da corte para abraçar a vida religiosa, ingressando na Companhia de Jesus. Em 1691 já é registrada sua presença no Paraguai, dedicando-se à catequese dos índios guaranis e fixando-se de início na redução de Yapeyú (município da província de Corrientes, Argentina, situado às margens do rio Uruguai e capital do departamento de San Martin). No ano de 1697 transferiu-se para a redução de São Miguel, onde recebeu o encargo de organizar a redução de São João Batista, um dos Sete Povos das Missões, fundada por ele neste mesmo ano, sendo o autor do traçado do aldeamento e dos edifícios, incluindo a igreja, decorada com requintes de luxo inspirados em modelos europeus. Era um intelectual multitalentoso, revelando-se hábil arquiteto, escultor, urbanista e pintor, e conduzindo com maestria a fabricação, pelos indígenas reunidos nas reduções, de inúmeros instrumentos musicais, arte muito apreciada pelos guarani. Sepp também foi um geólogo e minerador, extraindo o primeiro ferro das Missões, fundindo com ele instrumentos variados e até os sinos da igreja do seu Povo. Sua obra-prima foi o relógio instalado no campanário da igreja que, ao dar as horas, fazia desfilar pelo mostrador os 12 Apóstolos. Deixou um livro de relatos de suas experiências em terras sul-americanas intitulado “Viagens às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos”, uma fonte preciosa de informações sobre a vida nas reduções. Foi provavelmente o responsável pelo erguimento da grande cruz de madeira em 1698, que deu origem ao nome da cidade de Cruz Alta (Rio Grande do Sul). Athos Damasceno Ferreira dá como local de sua morte a redução de São João Batista, no Rio Grande do Sul.



Referências



Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo (Brasil)


Visão frontal da Igreja de São Miguel Arcanjo. (Imagem: Fernando H. Kreutz).
O Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo é um conjunto de ruínas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, integrante dos chamados Sete Povos das Missões. É um dos principais vestígios do período das Missões Jesuíticas dos Guarani em todo o mundo, localizado no pequeno município de São Miguel das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil. A partir do dia 11 de Agosto de 2014 o sítio começou a receber visitantes de terças-feiras a domingos, fechando nas segundas-feiras para manutenção. O sítio, comumente chamado de “Ruínas de São Miguel das Missões”, foi declarado Patrimônio Mundial pelo UNESCO, juntamente com as ruínas no lado argentino de San Ignacio Miní, Santa Ana, Nossa Senhora de Loreto e Santa María Mayor, desde 1983. A construção foi edificada no século XVIII, entre 1735 e 1745. A Igreja foi projetada pelo padre italiano João Batista Primolli e construída inteiramente em pedre grês. Não foi finalizada, pois faltou ser construída a segunda torre, que seria o observatório astronômico. O lugar é visitado por turistas de todo mundo, especialmente da Argentina, Paraguai, Uruguai e país É um dos principais vestígios do período das Missões Jesuíticas dos Guarani es da Europa. O sítio faz parte do roteiro internacional Iguassu-Missiones. “A Missão”, um filme de 1986 estrelado por Robert De Niro e Jeremy Irons, tem como locação principal uma recriação da redução de São Miguel de Arcanjo. No sítio está também o Museu das Missões, que guarda uma importante coleção de esculturas sacras dos Sete Povos, em sua maioria de madeira policromada.


Galeria de Imagens
Ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul - Brasil.

Torre dos Sinos. (Imagem:
Fernando H. Kreutz).

O sitio arqueológico de São Miguel Arcanjo, na cidade de São Miguel das Missões, RS, Brasil. Author: Leandro Kibisz

Detalhe arquitetônico da Igreja (próximo a torre dos sinos). (Imagem:
Fernando H. Kreutz).

Vista do interior da Igreja das ruínas de São Miguel Arcanjo. (Imagem: Fernando H. Kreutz).

Vista do local da missão. (Imagem: Renato A. Costa).







João Batista Primolli



João Batista Primoli (Gian Battista Primoli) foi um sacerdote jesuíta e arquiteto italiano. Nasceu em Milão em 10 de Outubro de 1673 e faleceu na redução de Candelária, Rio Grande do Sul, em 11 de Setembro de 1747. Segundo Athos Damasceno Ferreira (1902-1975) ele foi o mais importante arquiteto das missões hispano-americanas, sendo tido como autor da igreja de São Miguel, hoje a maior relíquia missioneira em terras do Brasil, e declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Também consta ter sido o autor do edifício do colégio anexo àquela igreja, e sua presença é assinalada em diversas outras reduções da região e mesmo em Buenos Aires e Córdoba, na Argentina. Foi ainda autor da igreja da redução de Trinidad e de Concepción, e de outras mais. Sua atuação foi louvada por seu confrade o Padre Carlos Gervasioni, em carta de 9 de Julho de 1729, nos seguintes termos: “Este é um irmão incomparável, infatigável. Ele é o arquiteto, o mestre, o pedreiro da obra. (...) Este irmão construiu a Catedral de Córdoba, no Tucumán, a nossa igreja daquele colégio, a dos Padres Reformados de São Francisco aqui em Buenos Aires, a dos Padres da Mercê, que é maior e mais majestosa que a nossa; e anda sempre ocupado aqui e acolá, a ver, a examinar, a levantar planos...”.





Museu das Missões



Museu das Missões (Endereço: Rua São Nicolau, S/Nº – São Miguel das Missões – RS. Tel: (55) 3381-1291 Email: museu.missoes@museus.gov.br Horários: Todos os dias, das 9h às 12h e das 14h às 18h * Durante o horário de verão, o museu fica aberto até as 20h).
O Museu das Missões é um museu brasileiro, localizado na cidade de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul. A criação do museu foi uma das primeiras iniciativas do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, hoje IPHAN. Em 1937 foi criado o SPHAN e, no mesmo ano, o arquiteto Lucio Costa foi enviado ao Rio Grande do Sul para analisar os remanescentes dos Sete Povos das Missões e propor providências. Uma de suas propostas foi criar um museu para abrigar a estatuária missioneira dispersa pela região. Em 1938, os remanescentes do povoado de São Miguel e o prédio do museu foram tombados como Patrimônio Nacional e, em 1940, o Museu das Missões foi oficialmente criado. Entre 1938 e 1940, o arquiteto Lucas Mayerhofer dirigiu as obras de estabilização na Igreja de São Miguel, a construção do prédio do museu e o ficou encarregado do recolhimento das obras de estatuária. Atualmente constam do acervo do museu imagens sacras da época da instalação das missões jesuíticas na região.

Veja mais imagens nos links abaixo:



Referências




sexta-feira, 11 de julho de 2014

Inconfidência Baiana


Praça da Piedade, no século XIX, Salvador, Bahia, Brasil.
Inconfidência Baiana ou Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício) e recentemente também chamada de Revolta dos Búzios, foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789), se reveste de caráter popular. *Movimento sedicioso ocorrido na Bahia em 1798, com o objetivo de abolir a escravatura e proclamar a República. Ainda que levada a efeito por gente humilde, alfaiates e soldados, todos mulatos (ao contrário da Conjuração Mineira, organizada por intelectuais, sacerdotes e ricos proprietários), inspirava-se na Revolução Francesa e iniciou-se a 12 de Agosto de 1798. no inquérito procuraram os culpados inocentar-se ou diminuir sua responsabilidade, ao passo que os quatro principais conspiradores se mostraram firmes até o fim: em 8 de Novembro de 1799, subiram à forca, na Praça da Piedade, os soldados Luís Gonzaga das Virgens (1761 - 1799) e Lucas Dantas do Amorim Torres, bem como os alfaiates João de Deus Nascimento (Salvador, 1761 —1799) e Manuel Faustino dos Santos Lira (Santo Amaro da Purificação, 1775 – Salvador, 1799). Os corpos dos “justiçados” foram esquartejados, colocando-se os pedaços em postes erguidos nos lugares mais movimentado da cidade; e no patíbulo ficaram em exposição, para escarmento de quantos pensassem em liberdade da pátria.




Antecedentes



Bandeira da Conjuração Baiana. As cores
da bandeira do movimento (Azul, branca e
vermelha) são até hoje as cores da Bahia.
Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, ante a ausência de carne. O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as idéias nativistas que já haviam animado o Estado de Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes. A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas (EUA), e idéias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz.



Os 6 pontos da conjuração baiana eram:

  1. Abolição da Escravatura
  2. Proclamação da República;
  3. Diminuição dos Impostos;
  4. Abertura dos Portos;
  5. Fim do Preconceito;
  6. Aumento Salarial.

 

Idéias



Seu principal líder foi Cipriano José Barata de Almeida, conhecido como médico dos pobres e revolucionário de todas as revoluções. Há grande influência da sociedade maçônica (Cavaleiros da Luz) e do processo de independência do Haiti ou Haitianismo. Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma república na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais idéias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e pelos panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo.

Galeria de fotos

Estátua de Luiz Gonzaga no Largo da Piedade, em Salvador, Bahia, Brasil. (imagem: Andrevruas).

Estátua de Lucas Dantas do Amorim Torres no Largo da Piedade, em Salvador, Bahia, Brasil. (imagem: Andrevruas).

Estátua de Manoel Faustino no Largo da Piedade, em Salvador, Bahia, Brasil. (imagem: Andrevruas).

Estátua de João de Deus do Nascimento no Largo da Piedade, em Salvador, Bahia, Brasil. (imagem: Andrevruas).




A revolta



Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos.

Um desses panfletos declarava:

Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais”. (in: RUY, Afonso. A Primeira Revolução Social do Brasil. p. 68.).


 

A repressão



Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência. Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem:

  1. soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;
  2. aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira;
  3. soldado Luís Gonzaga das Virgens;
  4. mestre alfaiate João de Deus Nascimento.


O quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias "malditos" até à 3ª geração. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma:

  • a cabeça de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro;
  • a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco;
  • a de João de Deus, na Rua Direita do Palácio (atual Rua Chile);
  • a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praça da Piedade, então a principal da cidade.

Esses despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericórdia (instituição responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colônia), que os fez sepultar em local desconhecido. Os demais envolvidos foram condenados à pena de degredo, agravada com a determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de Portugal, o que equivalia à morte. Foram eles:

  • José de Freitas Sacota e Romão Pinheiro, deixados em Acará, sob domínio holandês;
  • Manuel de Santana em Aquito, então domínio dinamarquês;
  • Inácio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domínio holandês;
  • Luís de França Pires em Cabo Corso;
  • José Félix da Costa em Fortaleza do Moura;
  • José do Sacramento em Comenda, sob domínio inglês.


Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro de Jesus (o Terreiro de Jesus é uma praça de grande importância histórico-cultural localizada no Centro Histórico da cidade de Salvador, na Bahia, no Brasil), e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de:

  • Pedro Leão de Aguilar Pantoja degredado no Presídio de Benguela por 10 anos;
  • o escravo Cosme Damião Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola;
  • os escravos Inácio Pires e Manuel José de Vera Cruz, condenados a 500 chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vendê-los para fora da Capitania da Bahia;
  • José Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha;
  • os tenentes Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja e José Gomes de Oliveira Borges, permaneceram detidos por seis meses na cidade de Salvador;
  • Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.

 

Conclusão



O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que tornava as suas reivindicações particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barbaramente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independência da Bahia, concretizada em 2 de Julho de 1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de Setembro do ano anterior, sob império de D. Pedro I.


Bibliografia




Referências

terça-feira, 25 de março de 2014

Igreja de Nossa Senhora da Graça (Olinda, Brasil)


Fachada
A Igreja de Nossa Senhora da Graça é um templo católico da cidade de Olinda, em Pernambuco, localizada no alto do Morro do Seminário.
 

Origens

 

A Igreja de Nossa Senhora da Graça foi uma das primeiras a serem construídas no Brasil. Originalmente erguida como um oratório de taipa no ano de 1551, por ordem de Duarte Coelho, fazia parte de uma propriedade doada aos Jesuítas para que iniciassem a catequização dos indígenas do local, e deveria incluir um colégio e um jardim botânico, instalados mais tarde.

Aspecto do interior
Já em 1567 o edifício primitivo foi substituído por outro maior, de alvenaria, obra do padre Antônio Pires concluída depois de quatro anos, mas que era apenas uma capela. Entre 1584 e 1592 a igrejinha foi ampliada pelo padre Luiz Grã, com acréscimo da nave, fachada e telhado. Com o incêndio de Olinda em 1631 o complexo foi seriamente danificado, mas os objetos de culto e outras riquezas foram removidos a tempo e enterrados a salvo dos saques. Contudo, estes bens foram definitivamente perdidos quando, depois de desenterrados após a partida dos holandeses, foram levados a Portugal pelo padre Francisco de Vilhena em uma nau que foi atacada por piratas. A igreja e o colégio foram reerguidos entre 1661 e 1662, e no colégio o Padre Antônio Vieira ensinou Retórica. Com a expulsão dos Jesuítas do reino de Portugal e seus domínios em 1759, o complexo foi desativado temporariamente. No século XVIII a igreja sofreu reformas, alterando-se a posição do campanário e abrindo-se janelas no nível superior.


Características

 

Altar esquerdo do cruzeiro.
A fachada é de desenho renascentista, bastante singelo e despojado, constituído por apenas uma porta de entrada num frontispício mínimo, sob um óculo redondo, e um frontão triangular sem adornos salvo a cruz no topo e pequenos pináculos nas extremidades. O interior é igualmente sóbrio, formado por uma nave única, com um coro simples de madeira sustentado por duas colunas toscanas, capelas laterais junto ao fundo da igreja, duas capelas pegadas ao arco de cruzeiro, e a capela-mor. O teto em duas águas com forro de caibros aparentes de madeira ainda é do século XVII, e ao longo das paredes, junto ao forro, corre um friso de pedra em desenho geométrico. A decoração se concentra principalmente nas capelas do cruzeiro, inclusas em grandes arcos redondos, e cujos altares são os mais antigos do Brasil. Seu desenho renascentista se resume a uma bancada elementar na base, um segundo nível com dois pares de colunas coríntias de fuste canelado, ladeando um nicho central absidal com meia-cúpula em feição de concha, e um frontão com voluta simples e moldura para um monograma central. A capela-mor, também delimitada por um arco redondo de pedra, conta atualmente apenas com o altar de celebração e, às suas costas, um sacrário e um crucifixo discreto.
 

Referências