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| Vidas Sêcas, de Graciliano Ramos. |
Graciliano
Ramos. (Graciliano
Ramos de Oliveira).
Nasceu em Quebrangulo, Estado de Alagoas, a 27 de Outubro de 1892, e,
faleceu no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a 20 de Março
de 1953. Graciliano Ramos foi um romancista, cronista, contista,
jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais
conhecido por seu livro Vidas
Secas
(1938). *
“A
sua obra, pensada em particular ou em conjunto, nos dá a sensação
de coisa pesada, opressiva ainda que lúcida; em perfeita coerência
com a natureza introspectiva, analista, cética e desconfiada do
autor, moldado como foi pelo meio e uma educação cheios de
violência, ignorância, incompreensão e injustiças”.
(Nelly
Novais Coelho).
Biografia
Graciliano
Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de Outubro de 1892. Primeiro de
dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão
nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do
Nordeste brasileiro, como Buíque (PE), Viçosa e Maceió (AL).
Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro,
onde passou um tempo trabalhando como jornalista. Em Setembro de
1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília,
Leonor
e Clodoaldo
e do sobrinho Heleno,
vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste,
fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios,
Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria
Augusta de Barros,
que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos. Foi eleito prefeito
de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou
no cargo por dois anos, renunciando a 10 de Abril de 1930. Segundo
uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade
do interior, soltava os presos para construírem estradas". Os
relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a
atenção de Augusto
Frederico Schmidt,
editor carioca que o animou a publicar Caetés
(1933). Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor
da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do
estado. Em 1934 havia publicado São
Bernardo,
e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em
decorrência do pânico insuflado por Getúlio
Vargas
após a Intentona
Comunista de 1935.
Com ajuda de amigos, entre os quais José
Lins do Rego,
consegue publicar Angústia
(1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra. Em
1938 publicou Vidas
Secas.
Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de
ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido
Comunista do Brasil
- PCB
(que nos anos sessenta dividiu-se em Partido
Comunista Brasileiro
- PCB
- e Partido
Comunista do Brasil
- PCdoB),
de orientação soviética e sob o comando de Luís
Carlos Prestes;
nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com
a segunda esposa, Heloísa
Medeiros Ramos,
retratadas no livro Viagem
(1954). Ainda em 1945, publicou Infância,
relato autobiográfico. Adoeceu gravemente em 1952. No começo de
1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de Março de 1953, aos
60 anos, vítima de câncer do pulmão.
Vidas
Secas (livro)
Vidas
Secas
é o quarto romance de Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938,
publicado originalmente em 1938 pela Editora
José Olympio.
As ilustrações na primeira edição foram feitas pelo artista
plástico Aldemir
Martins.
A
obra é inspirada em muitas histórias que Graciliano acompanhou na
infância sobre a vida de retirantes,
na história, o pai de família Fabiano acompanhado pela cachorra
Baleia, estes são considerados os personagens mais famosos da
literatura brasileira. Escrito em terceira pessoa, Graciliano não
focaliza os efeitos do flagelo da seca através da crítica mas em
narrar a fuga da família, a desonestidade do patrão e
arbitrariedade da classe dominante, impossibilitada de adquirir o
mínimo de sobrevivência.
O
professor Leopoldo
M. Bernucci
considerou a obra naturalista mas não fatalista:
Embora a idéia
de determinismo em Graciliano, socialmente falando,
leve em si as marcas de uma visão trágica nos moldes do romance
naturalista, ela não se traduz aqui, pura e simplesmente, em
fatalista.
|
Alfredo
Bosi
considerou que "o roteiro do autor de Vidas
Secas
norteou-se por um coerente sentimento de rejeição que adviria do
contato do homem com a natureza ou com o próximo".
Angústia
(livro)
Angústia
é um romance publicado por Graciliano Ramos em 1936. À época
Graciliano estava preso pelo governo de Getúlio
Vargas
e contou com ajuda de amigos, entre os quais José
Lins do Rego,
para a publicação. A obra apresenta um narrador em primeira pessoa,
Luís
da Silva,
funcionário público de 35 anos, solitário, desgostoso da vida e
que acaba se envolvendo com sua vizinha, Marina.
Com traços existencialistas, Luís mistura fatos do passado e do
presente, narra num ritmo frenético como um grande monólogo
interior. O leitor de Angústia
certamente lembrará de Crime
e Castigo,
de Fiódor
Dostoiévski,
pois em ambos há as angústias de um crime, o medo de ser pego, a
febre; em Angústia
o crime é o clímax, enquanto em Crime e Castigo é o ponto de
partida para a história, e a personagem consegue a redenção. Outra
influência marcante é a dos naturalistas brasileiros, especialmente
à Aluízio
Azevedo,
o determinismo e a animalização do homem. O narrador não quer ser
um rato, luta contra isso; compara-se o tempo todo os homens aos
bichos, porcos, formigas, ratos, e usa-se verbos de animais para as
reações humanas.
Alfredo
Bosi
afirma que Angústia
foi a experiência mais moderna e até certo ponto marginal de
Graciliano Ramos e que "tudo nesse romance sufocante lembra o
adjetivo 'degradado' que se apõe ao universo do herói problemático;
estamos no limite entre o romance de tensão crítica e o romance
intimista. Foi a experiência mais moderna, e até certo ponto
marginal, de Graciliano. Mas a sua descendência na prosa brasileira
está viva até hoje". Apesar de ter lido Crime
e Castigo
de Fiódor
Dostoiévski,
Ramos inicialmente recusou qualquer semelhança da obra com Angústia,
em 12 de Novembro de 1945, ele escreveu a Antonio
Candido
avaliando as considerações do crítico a respeito de Angústia:
- Onde as nossas opiniões coincidem é no julgamento de Angústia. Sempre achei absurdos os elogios a este livro, e alguns, verdadeiros disparates, me exasperam, pois nunca tive semelhança com Dostoiévski nem com outros gigantes. O que sou é uma espécie de Fabiano, e seria Fabiano completo se a seca houvesse destruído a minha gente, como v. bem conhece.—Graciliano Ramos
Inicialmente
Graciliano declara ter lido Dostoiévski,
mas negou qualquer influência até as vésperas da morte, segundo
seu filho Ricardo
Ramos.
Por fim, o autor reconhece ter sofrido influência de Dostoiévski,
Tolstoi,
Balzac
e Zola
e também seu permanente interesse pela literatura russa. O próprio
autor diz sobre a obra para Antonio
Candido:
- Acho em Angústia numerosos defeitos, repetições excessivas, minúcias talvez desnecessárias. E tudo mal escrito. Mas se, apesar disso, der ao leitor uma impressão razoável, devo concordar com v. É possível até que as falhas tenham concorrido para levar na história aparência de realidade. E alguns capítulos não me parecem ruins.—Graciliano Ramos
Caetés (livro)
Caetés
é o primeiro romance do escritor brasileiro Graciliano Ramos
publicado em 1933 pela Livraria Schmidt Editora. A história
desenvolve-se em Palmeira dos índios, cidade em que viveu Graciliano
Ramos.
João
Valério, o
personagem principal, introvertido e fantasioso, apaixona-se por
Luisa,
mulher de Adrião,
dono da firma comercial em que trabalha. O caso amoroso é denunciado
por uma carta anônima, levando o marido traído ao suicídio.
Arrependido, João Valério, afasta-se de Luisa, continuando, porém,
como sócio da firma. Neste romance em primeira pessoa, aparecem duas
instâncias de narração, diferentes entre si: o livro que o
narrador-personagem João
Valério escreve
(cujo título é também Caetés)
não se assemelha ao romance Caetés
que Graciliano está escrevendo, entretanto, o narrador personagem
acaba por se inscrever entre essas duas linhas, colocando-se ele
próprio e toda a sociedade de Palmeira dos índios analogicamente
como índios caetés. No romance homônimo escrito pelo personagem, o
tema principal é a deglutição do bispo Sardinha pelos índios,
episódio presente no Manifesto
Antropófago de
Oswald de Andrade
enquanto no romance de Gracialiano, o índio deixa de ser um ícone
do processo constitutivo da nação, para se transformar em um
personagem. Benjamin
Abdala Júnior
diz que "na
interação dos caracteres, como ocorrem em relação ao João
Valério, de Caetés, afirmam-se as marcas do autor implícito".
Os críticos
não acolheram bem Caetés
e os detratores chegam a dizer que, em Caetés,
temos mais de Eça
de Queirós do
que Graciliano Ramos. Antonio
Candido foi um
desses críticos ao afirmar que o romance é um "exercício de
técnica literária mediante o qual [o autor] pode aparelhar-se para
os grandes livros posteriores". Já Osman
Lins exprimiu seu
apreço por Caetés
indicando o excesso de rigor com que a crítica o teria apreciado:
"críticos
exigentes fazem certas restrições à obra, entretanto límpida,
arguta e equilibrada”.
São
Bernardo (livro)
São
Bernardo
é um romance escrito por Graciliano Ramos publicado em 1934 e
situado na segunda etapa do modernismo
brasileiro.
São
Bernardo foi adaptado para o cinema por Leon
Hirszman
em 1972 e ganhou 9 prêmios em festivais nacionais e internacionais,
com Othon
Bastos
e Isabel
Ribeiro
nos papéis centrais.
A
Terra dos Meninos Pelados (livro)
A
Terra dos Meninos Pelados
é um livro de contos infanto-juvenis de Graciliano Ramos publicado
em 1937.
Conta
a história um menino chamado Raimundo,
que
era careca e tinha um olho azul e outro preto.
Por ser considerado estranho, seus vizinhos não falam com ele e o
apelidam de Raimundo
Pelado.
Por não ter amigos, começa a falar sozinho, cria um país
imaginário chamado Tatipirun,
onde as pessoas têm um olho preto e outro azul, onde não existem
cabelos em suas cabeças, e onde as plantas e animais falam. Quando
Raimundo "chega" na cidade de Tatipirun
se depara com um carro vindo em sua direção,e acha que vai ser
atropelado,só que ai o carro "explica" (os carros,
animais, plantas e outros falam) que em Tatipirun
ninguém é machucado nem ofendido. Andando um pouquinho mais,
Raimundose se depara com a Laranjeira,
ele pensa que a laranjeira tem espinhos e ela se sente ofendida, mas,
com um pedido de desculpa, tudo se resolve.
Escrito
por Graciliano logo após ser solto da prisão da Ilha Grande, num
quarto de pensão no Rio de Janeiro, onde morava com a esposa e as
filhas, a obra lhe rendeu um prêmio do então chamado Ministério de
Educação e Cultura, ainda em 1937. No ano seguinte iria elaborar o
romance Vidas
Secas
e apenas em 1946 é que cuidaria de iniciar Memórias
do Cárcere,
publicado apenas em 1953.
Brandão
Entre o Mar e o Amor (livro)
Brandão
Entre o Mar e o Amor é um romance único
escrito pelos cinco mais renomeados autores brasileiros Jorge
Amado, Graciliano
Ramos, José
Lins do Rego, Aníbal
Machado e Rachel
de Queiroz. A obra literária foi
publicada em 1981.
Sinopse
Atendendo a uma
"vocação irremediável", Brandão abandona a casa
paterna e, após breve itinerância circense, lança-se a uma vida de
aventuras no mar, um sonho de infância, onde vem a conhecer aquela
que viria ser a grande paixão de sua vida. Lúcia é um
mistério oriental, que Brandão recebe como um presente e com ela
retorna à sua terra para assumir uma fazenda, que lhe coubera como
herança de família. A beleza exótica de Lúcia atrairia também
Mário, amigo de Brandão dos tempos de faculdade, que se
deixa consumir na luta por um amor impossível, quase uma
autoflagelação imposta por uma vida de fracassos. A teia amorosa se
completa - ou se complica - quando Glória, mulher
autoritária, frívola e irrealizada aparece na história usando de
todos os meios ao seu alcance para conquistar o homem por quem se
apaixonara... O livro conta a história de Brandão, que se lança a
uma vida de aventuras no mar, onde vem conhecer Lúcia, sua grande
paixão.
Histórias
de Alexandre (livro)
Histórias
de Alexandre é
um livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1944.
Compendiando histórias coletadas do folclore alagoano, Graciliano
reúne neste livro contos e fanfarronices de um típico mentiroso do
sertão. A obra foi reeditada em 1962 com o título de Alexandre
e Outros Heróis,
reunindo, além dos contos de Alexandre, a história de A
Terra dos Meninos Pelados
e Pequena História
da República.
Infância
(livro)
Infância
é um livro de Graciliano Ramos. Foi publicado em 1945. O livro
percorre um período que vai dos dois anos do narrador até a
puberdade. Sua construção acompanha os passos do autor,
redescobridor de seu mundo de menino nordestino, repleto de
lembranças dolorosas: "Medo.
Foi o medo que me orientou nos meus primeiros anos, pavor". Num
misto de imaginação e memória, o retrato de sua meninice revela o
desprezo pela criança como sujeito social, na passagem do século
XIX para o XX, onde o autor deixa perceber claramente a severidade
como instrumento mais eficaz para o modelo de educação aí vigente:
"Aquele que ama o
seu filho, castiga-o com freqüência (...)".
Graciliano esboça um quadro de nossa história dos costumes, em que
uma ética pedagógica grosseira surge identificada com práticas
punitivas contra crianças: cascudos, bolos de palmatória, puxões
de orelhas e castigos de toda sorte.
Histórias
Incompletas (livro)
Histórias
Incompletas é um
livro de contos de Graciliano Ramos, publicado em 1946. É composto
pelos contos:
- Um ladrão
- Luciana
- Minsk
- Cadeia
- Festa
- Baleia
- Um incêndio
- Chico Brabo
- Um intervalo
- Venta-romba
Insônia
(livro)
Insônia
é um livro de contos de Graciliano Ramos que foi publicado em 1947,
pela Editora
José Olympio,
reunindo 13 contos:
- Insônia
- Um ladrão
- O relógio do hospital
- Paulo; Luciana
- Minsk
- A prisão de J. Carmo Gomes
- Dois dedos
- A testemunha
- Ciúmes
- Um pobre-diabo
- Uma visita
- Silveira Pereira
Com exceção
de Uma visita,
Luciana
e A testemunha,
todos os textos já haviam sido publicados na coletânea Dois
dedos, de 1945.
Memórias
do Cárcere (livro)
Memórias
do Cárcere
é um livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado postumamente
(1953) em dois volumes. O autor não chegou a concluir a obra,
faltando o capítulo final. Graciliano havia sido preso em 1936 por
conta de seu envolvimento político, exagerado por parte das
autoridades após o pânico insuflado com a chamada Intentona
Comunista,
de 1935. A acusação formal nunca chegou a ser feita.
No
livro, Graciliano descreve a companhia dos mais variados tipos
encontrados entre os presos políticos: descreve, entre outros
acontecimentos, a entrega de Olga
Benário
para a Gestapo, insinua as sessões de tortura aplicadas a Rodolfo
Ghioldi
e relata um encontro com Epifrânio Guilhermino, único sujeito a
assassinar um legalista no levante comunista do Rio Grande do Norte.
Durante a prisão, diversas vezes Graciliano destrói ou afirma
destruir as anotações que poderiam lhe ajudar a compor uma obra
mais ampla. Também dá importância ao sentimento de náusea causado
pela imundície das cadeias, chegando a ficar sem alimentação por
vários dias, em virtude do asco. Da cadeia, Graciliano faz
comentários sobre a feitura e a publicação de Angústia,
uma de suas melhores obras.
Diz
o crítico Wilson
Martins,
a respeito da censura que o livro sofreu, adulterando o original do
autor para sempre:
- Houve também na história dessas relações, a grande crise provocada por Memórias do Cárcere. Sabia-se que o PCB exerceu forte pressão sobre a família de Graciliano Ramos para impedir-lhe a publicação, acabando por aceitá-la à custa de cortes textuais e correções cuja verdadeira extensão jamais saberemos. Nas idas e vindas entre a família e os censores do Partido, resultaram, pelo menos, três “originais”, datilografados e redatilografados ao sabor das exigências impostas. Supõe-se que o último deles recebeu o imprimatur canônico, acontecendo, apenas, que, na confusão inevitável de tantos “originais”, as páginas escolhidas para ilustrar os volumes diferiam sensivelmente das impressas, suscitando dúvidas quanto à respectiva autenticidade.—Wilson Martins, in: Gazeta do Povo
Ainda
segundo o crítico, fez publicar a denúncia no jornal O
Estado de S. Paulo,
recebendo então acerbas críticas do PCB, o que para ele era a
comprovação da veracidade das alterações feitas na obra que, após
reveladas, haviam incomodado o editor, José
Olympio.
Os filhos de Graciliano, Ricardo
e Clara,
teriam mais tarde confirmado a intervenção política no texto.
Memórias
do Cárcere
também foi filmado por Nelson
Pereira dos Santos
em 1984. Graciliano é interpretado por Carlos
Vereza,
e sua mulher Heloísa (que lhe faz algumas visitas na prisão) é
interpretada por Glória
Pires.
Viagem
(livro)
Viagem
é o um livro de crônicas de Graciliano Ramos. Publicado
postumamente em 1954 narra a viagem que Graciliano fez em 1952 à
Tchecoslováquia e à URSS. Apesar
de ser filiado ao Partido Comunista, a convite de Luís
Carlos Prestes,
sua narrativa se pretende neutra. Apesar do tom neutro, o livro não
é isento de críticas ao pensamento político brasileiro; ao falar
do culto soviético à imagem de Josef
Stalin,
Graciliano provoca: "Realmente
não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao
dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um
presidente da república na América do Sul"
(RAMOS:2007,54).
Alexandre e
Outros Heróis (livro)
Alexandre
e Outros Heróis
é o nome de um livro que foi dado à reunião de três obras do
escritor brasileiro Graciliano Ramos: Histórias
de Alexandre
(contos do folclore infanto-juvenil), Pequena
História da República
(sátira à história do Brasil, inédita até então) e A
Terra dos Meninos Pelados
(infantil). O livro Alexandre e Outros Heróis foi reeditada
postumamente, em 1962.
Citações
Obras
Caetés
1933
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 890/3580
- "Luisa queria mostrar-me uma passagem no livro que lia.Curvou-se. Não me contive e dei-lhe dois beijos no cachaço. Ela ergueu-se, indignada:
-O
senhor é doido?Que ousadia é essa?Eu...
Não
pôde continuar. Dos olhos, que deitavam faíscas, saltaram lágrimas.
Desesperadamente perturbado, gaguejei tremendo:
-Perdoe,
minha senhora. Foi uma doidice.
- - Cap. 1,página 13
- "Ateu! Não é verdade. Tenho passado a vida a criar deuses que morrem logo, idolos que depois derrubo. Uma estrela no ceu, algumas mulheres na terra.."
- - Últimas três linhas de Caétes
São Bernardo
1934
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 836/3277
- - Cap. 3,página 14
- ”Começo declarando que me chamo Paulo Honório, peso oitenta e nove quilos e completei cinquenta anos pelo S.Pedro. A idade, o peso, as sobrancelhas cerradas e grisalhas, este rosto vermelho e cabeludo, têm-me rendido muita consideração. Quando me faltavam estas qualidades, a consideração era menor.”
- - Cap. 4,página 16
- ”Resolvi estabelecer-me aqui na minha terra, município de Viçosa, Alagoas, e logo planeei adquirir a propriedade São Bernardo, onde trabalhei, no eito, com salário de cinco tostões.”
- - Cap. 6,página 23
- ”Naquele segundo ano houve dificuldades medonhas. Plantei mamona e algodão, mas a safra foi ruim, os preços baixos,vivi meses aperreado, vendendo macacos e fazendo das fraquezas forças para não ir ao fundo”.
Angústia
1936
- "Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição."
- - Cap. 1
- "Os defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo."
- - Cap. 14
- "Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição."
- - Cap. 17
- "É uma tristeza. A senhora lavando, engomando, cozinhando, e seu Ramalho na quentura da usina elétrica, matando-se para sustentar os luxos daquela tonta. Sua filha não tem coração."
- - Cap. 18
- "Nunca presto atenção as coisas, não sei para que diabo quero olhos. Trancado num quarto, sapecando as pestanas em cima de um livro, como sou vaidoso, como sou besta! Idiota. Podia estar ali a distrair-me com a fita. Depois, finda a projeção, instruir-me vedos as caras. Sou uma besta. Quando a realidade me entra pelos olhos, o meu pequeno mundo desaba."
Vidas Secas
1938
- “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda da pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.” Cap. 1
- “Se não fosse aquilo... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou – e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos... Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.” Cap. 3
Infância
1945
- “A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta”. Pág.13
- ”Disseram-me depois que a escola nos servira de pouso numa viagem. Tinhamos deixado a cidadezinha onde vivíamos, em Alagoas, entrávamos no sertão de Pernambuco, eu, meu pai, minha mãe,duas irmãs”. Pág.14
Publicações
Europa-América, Editor: Francisco Lyon de Castro, Gráfica Europam,
Lda., Mira-Sintra, Edição n°40 914/3768
Memórias do Cárcere
1953
- "Quem dormiu no chão deve lembra-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, controná-las, envovê-las em gaze".
Em Liberdade
- "Se a única coisa que de o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano."
- "Se a igualdade entre os homens- que busco e desejo- for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela."
Obras
As
obras de Graciliano Ramos:
- Caetés - romance - Editora Schmidt, 1933; (ganhador do Prêmio Brasil de Literatura);
- São Bernardo - romance - Editora Arial, 1934;
- Angústia - romance - Editora José Olympio, 1936;
- Vidas Secas - romance, - Editora José Olympio, 1938;
- A Terra dos Meninos Pelados - contos infanto-juvenis - Editora Globo, 1939;
- Brandão Entre o Mar e o Amor - romance - Editora Martins, 1942 - Escrito com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz;
- Histórias de Alexandre - contos infanto-juvenis - Editora Leitura, 1944;
- Dois Dedos - coletânea de contos - R.A. Editora, 1945;
- Infância - memórias - Editora José Olympio, 1945;
- Histórias Incompletas - coletânea de contos - Editora Globo, 1946;
- Insônia - contos - Editora José Olympio, 1947;
- Memórias do Cárcere - memórias - Editora José Olympio, 1953; (obra póstuma)
- Viagem - crônicas - Editora José Olympio, 1954; (obra póstuma)
- Linhas Tortas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
- Viventes das Alagoas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
- Alexandre e Outros Heróis - contos infanto-juvenis - Editora Martins, 1962); (obra póstuma)
- Cartas - correspondência - Editora Record, 1980; (obra póstuma)
- O Estribo de Prata - literatura infantil - Editora Record, 1984; (obra póstuma)
- Cartas de Amor à Heloísa - correspondência - Editora Record, 1992; (obra póstuma)
- Vidas Secas - edição especial 70 anos - romance - Editora Record, 2008; (obra póstuma)
- Angústia - edição especial 75 anos - romance - Editora Record, 2011; (obra póstuma)
- Garranchos - textos inéditos - Editora Record, 2012. (obra póstuma)
Traduções
Graciliano
Ramos também dominava o inglês e o francês. Realizou algumas
traduções:
- Memórias de um Negro, de Booker T. Washington, Companhia Editora Nacional, 1940;
- A Peste, de Albert Camus, Editora José Olympio, 1950.
Publicações sobre Graciliano Ramos
- Graciliano Ramos: Cidadão e Artista - Carlos Alberto dos Santos Abel, UNB, 1999.
- Graciliano Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as Memórias do Cárcere, Ângelo Caio Mendes Corrêa Junior, 2000. (Dissertação de Mestrado em Letras, Universidade de São Paulo | orientador: Alcides Celso de Oliveira Vilaça.
- Graciliano Ramos: Infância pelas Mãos do Escritor - Taisa Viliese de Lemos, Musa Editora, 2002.
- Graciliano Ramos - Wander Melo Miranda, Coleção Folha Explica, Publifolha, 2004.
- A Infância de Graciliano Ramos - Audálio Dantas, Callis, 2005. (Menção Altamente Recomendável, em 2006, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Informativo.)
- Graciliano Ramos - Myriam Fraga, Moderna, 2007.
- Cartas Inéditas de Graciliano Ramos a seus Tradutores Argentinos Benjamin de Garay e Raúl Navarro - Pedro Moacyr Maia, EDUFBA, 2008.
- Graciliano Ramos: um Escritor Personagem - Maria Izabel Brunacci, Autêntica, 2008.
- Graciliano Ramos e o Mundo Interior: o Desvão Imenso do Espírito - Leonardo Almeida Filho, UNB, 2008.
- Graciliano Ramos e o Desgosto de ser Criatura - Jorge de Souza Araujo, EDUFAL, 2008.
- A Imagem da Linguagem na Obra de Graciliano Ramos - Maria Celina Novaes Marinho, Humanitas FFLCH, 2.ed., 2010.
- Graciliano Ramos e a Novidade: o Astrônomo do Inferno e os Meninos Impossíveis - Ieda Lebensztayn, Hedra, 2010.
- Graciliano: Retrato Fragmentado - Ricardo Ramos, Globo, 2011.
- O Velho Graça - Denis de Moraes, Boitempo, 2012.
Prêmios
Os
prêmios concedidos a Graciliano Ramos:
- 1936 - Prêmio Lima Barreto (Revista Acadêmica) - Angústia
- 1939 - Prêmio Literatura infantojuvenil (Ministério da Educação) - A Terra dos Meninos Pelados
- 1942 - Prêmio Felipe de Oliveira - Conjunto da Obra
- 1962 - Prêmio da Fundação William Faulkner (Estados Unidos) - Vidas Secas, como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea.
- 1964 - Prêmios Catholique International du Cinema e Ciudad de Valladolid (Espanha), concedidos a Nelson Pereira dos Santos, pela adaptação para o cinema do livro Vidas Secas.
- 2013 - Escolhido pelo Governo Federal para o PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola - Memórias do Cárcere.
