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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Biografia de Gaspard Monge

Gaspard Monge (fig: Magnus Manske).
Gaspard Monge. Nasceu em Beaune, a 10 de Maio de 1746, e, faleceu em Paris, a 28 de Julho de 1818. Gaspard Monge foi um matemático francês, criador da geometria descritiva (a base matemática de desenho técnico) e pai da geometria diferencial. Durante a Revolução Francesa, ele serviu como ministro da Marinha, e foi envolvido na reforma do sistema educacional francês, ajudando a fundar a École Polytechnique.

Biografia

Filho de Jacques Monge, mascate amolador de facas. Era o gênio da família, e no colégio (dirigido por uma ordem religiosa) ganhava todos os prêmios. É conhecido pela criação da geometria descritiva. Sem ela - originalmente usada na engenharia militar – a enorme expansão da maquinaria do século XIX teria, provavelmente, sido impossível. Aos quatorze anos construiu um carro de bombeiros. À pergunta de como conseguira tal feito sem qualquer orientação, respondeu: "eu uso dois trunfos infalíveis: uma tenacidade invencível e mãos que traduzem meu pensamento com fidelidade geométrica". Foi um geômetra e engenheiro nato com o dom insuperável de visualizar relações espaciais complicadas. Aos dezesseis anos fez um excelente mapa completo de Beaune, construindo seus próprios instrumentos de agrimensura. Este mapa proporcionou-lhe a primeira grande chance: os professores recomendaram-no para a cadeira de professor de física do colégio de Lyon, dirigido pela mesma ordem religiosa.

Carreira

A seguir, recebeu a oferta da escola militar de Mézières onde fazia o trabalho rotineiro de agrimensura e desenho, o que lhe deixava tempo livre para a matemática. Uma importante matéria do curso era a teoria das fortificações em que se buscava projetar métodos de defesa para que nada ficasse exposto ao fogo direto do inimigo. Para alcançar este resultado, eram necessários intermináveis cálculos aritméticos. Monge apresentou uma solução rápida para este tipo de problema, tendo que reafirmar, para os que desacreditavam, que a simplicidade do resultado baseava-se em que não fora usada aritmética para chegar à solução. Este foi o começo da geometria descritiva. Foi então colocado como instrutor do novo método para os futuros engenheiros militares. Durante quinze anos o método foi um segredo militar zelosamente guardado. Somente em 1794 Monge foi autorizado a apresentá-lo, publicamente, na Escola Normal Superior de Paris. Lagrange disse após a conferência: "eu não sabia que sabia geometria descritiva". Esta invenção revolucionou a engenharia militar e o desenho mecânico. Há muitas maneiras pelas quais a geometria descritiva pode ser desenvolvida ou modificada, mas todas se relacionam com Monge. Contribuiu para o avanço da matemática pela sistemática aplicação do cálculo para a investigação da curvatura das superfícies, preparando o caminho para Carl Friedrich Gauss que, por sua vez inspirou Bernhard Riemann, que mais uma vez desenvolveu a geometria conhecida por seu nome (geometria riemanniana) na teoria da relatividade. Em 1788, vinte e dois anos de idade, tornou-se professor de matemática em Mézières, e três anos mais tarde, com a morte do professor de física, ele foi promovido para a sua vaga. Casou em 1777. Em 1780 Jean le Rond d'Alembert e Condorcet (Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat) convenceram o governo a fundar um instituto no Louvre para o estudo de hidráulica e Monge foi chamado a Paris para se encarregar dos trabalhos. De 1777 a 1791 permaneceu no emprego de examinador de candidatos a comissões na marinha, provando ser um servidor incorruptível. Como resultado desta rigidez, a marinha estava pronta para ação em 1789, quando começou a Revolução. Em Agosto de 1792 foi posto no Conselho Executivo Provisional para propor alguma medida de apaziguamento do povo que já se descontrolara. Em Fevereiro de 1793 tornou-se suspeito de não ser bastante radical. No dia 13 pediu demissão. No dia 18 foi reconduzido. Em Abril de 1793, só havia um décimo da munição necessária para um exército de 900.000 homens. Importar seria impossível. Precisava-se de cobre e metal para a manufatura de canhões de bronze, salitre para a pólvora e aço para as armas de fogo. "Dê-nos salitre da terra e em três dias nós estaremos carregando nossos canhões", disse Monge para a Convenção. "Tudo bem", disseram eles, "mas onde nós vamos conseguir o salitre?" Monge e Berthollet mostraram. A nação inteira foi mobilizada sob a direção de Monge e Berthollet. A França inteira transformou-se numa grande fábrica de pólvora. Monge era a alma de tudo. Passou seus dias supervisionando as fundições e arsenais e suas noites escrevendo boletins com ordens para os trabalhadores. Seu boletim "A Arte da Fabricação do Canhão" tornou-se o manual das fábricas.

Últimos anos

Em 1796 Napoleão Bonaparte escreveu uma carta para Monge: "Permita-me agradecer pelas boas vindas que um jovem oficial de artilharia, sem qualquer importância, recebeu do Ministro da Marinha em 1792. Este ato ficou preciosamente preservado na minha memória. Aquele oficial hoje é o general do Exército (da invasão da Itália). Estou feliz por estender-lhe a mão em reconhecimento e amizade". Assim começou uma longa amizade entre os dois. Monge parece ter sido o único homem por quem Napoleão teve uma generosa e permanente amizade. Em 1808, Napoleão demonstrou seu apreço pelos méritos de Monge tornando-o Conde de Péluse (Pelusium). A honra foi aceita graciosamente e ele conviveu com o título com toda a pompa da nobreza esquecendo-se de que, certa vez, votara pela abolição dos títulos. Seu declínio iniciou-se ao sofrer um enfarte quando leu o "Boletim no 29" anunciando o desastre do exército francês na sua invasão da Rússia. Com a segunda queda de Napoleão, em 1815, os Bourbons de volta ao poder, exigiram que Monge fosse expulso da Academia. Os acadêmicos, subservientes, obedeceram. O toque final da mesquinhez dos Bourbons foi dado ao recusarem permissão aos jovens da Politécnica que tinham Monge como seu ídolo, para homenageá-lo em seus funerais. Disciplinados, os politécnicos acataram a proibição mas, sendo mais corajosos do que os acadêmicos, entendendo que a ordem do Rei cobria apenas o funeral, marcharam, no dia seguinte, para o cemitério e colocaram uma coroa na sepultura de seu mestre e amigo Gaspard Monge.

Geometria Descritiva

A Geometria Descritiva (também chamada de
Interseção de sólidos. (fig-1: Ag2gaeh).
geometria mongeana ou método de monge) é um ramo da geometria que tem como objetivo representar objetos de três dimensões em um plano bidimensional e, a partir das projeções, determinar distâncias, ângulos, áreas e volumes em suas verdadeiras grandezas. Esse método projetivo foi desenvolvido por Gaspard Monge (1746 — 1818) e teve grande impacto no desenvolvimento tecnológico desde a sua sistematização. Percebida sua importância, a geometria descritiva foi tratada com atenção e considerada, no início, como segredo de Estado.

Metodologia

Na geometria descritiva utiliza-se a épura para
Representação de sólido composto pela união entre uma esfera e um cone, que demonstra em épura o traçado da Geometria Descritiva. (fig-2. Cdang).
representar objetos, a partir de observadores que se encontram situados no infinito (pontos impróprios), os quais determinam direções de retas projetantes. A épura de Monge é a planificação do que foi projetado ortogonalmente nos planos de projeção, também ortogonais entre si. A linha de terra (LT) é a reta de interseção entre os planos de projeção propostos por Monge, chamados de Vertical (ou Frontal) e Horizontal, os quais dividem o espaço em quatro diedros ou quadrantes. Posteriormente Gino Loria implementou o terceiro plano de projeção (que deu origem à vista lateral esquerda, quando vista do 1º diedro). As vistas são alinhadas entre si, através de linhas de chamada, permitindo a percepção de sua posição relativa (Cf. fig-1). Na épura, que pode ser ilustrada como a prancheta de desenho, ocorre o desenvolvimento do projeto. A geometria descritiva serve de base teórica para o desenho técnico, permitindo a construção de vistas auxiliares, cortes, secções, rebatimentos, rotações, interseções de planos e sólidos, mudança de plano(s) de projeção, determinação de verdadeiras grandezas (V.G.) de
 
Desenho precursor de Albrecht Dürer que alinha as vistas de um sólido e apresenta, de forma aproximada, uma seção cônica (elipse). Publicado séculos antes da sistematização da geometria descritiva por Gaspard Monge.
distâncias, ângulos e superfícies, bem como o cálculo de volumes a partir dos dados extraídos das projeções ortogonais.

Ensino

O ensino de geometria descritiva é fundamental para a arquitetura, a engenharia, o design de interiores e o design de produtos; quanto maior for o seu conhecimento, mais poderá ser extraído dos programas de CAD e das modelagens em 3D, que exigem o domínio de medidas, curvaturas e ângulos exatos. Dentro dos cursos de artes visuais, ela tem o intuito de desenvolver a habilidade espacial dos alunos e, consequentemente, exercitar o hemisfério direito do cérebro. Muitos cursos superiores de design gráfico, ao reformarem suas grades (estruturas) curriculares, têm eliminado a geometria descritiva, substituindo-a por disciplinas mais condizentes com outras funções específicas, como ilustrações digitais e softwares artísticos de modelagem tridimensional, uma vez que estes podem não requerer precisão geométrica. A modelagem tridimensional comporta, em seu entendimento e construção, os conceitos da geometria descritiva. Para gerar maquetes virtuais de qualidade, é necessário o conhecimento de conteúdos específicos da geometria descritiva, como, por exemplo, a localização de pontos através de coordenadas (X, Y, Z) em suas formas absolutas ou relativas.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gaspard_Monge
https://pt.wikipedia.org/wiki/Geometria_descritiva

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Biografia de Euclides


Euclides
Euclides de Alexandria. (em grego antigo: Εὐκλείδης Eukleidēs). Euclides foi um matemático platônico e escritor possivelmente grego do século III a.C., muitas vezes referido como o “Pai da Geometria”. Além de sua principal obra, “Os Elementos”, Euclides também escreveu sobre perspectivas, secções cônicas, geometria esférica, teoria dos números e rigor. A Geometria Euclidiana é caracterizada pelo espaço euclidiano, imutável, simétrico e geométrico, metáfora do saber na antiguidade clássica e que se manteve incólume no pensamento matemático medieval e renascentista, pois somente nos tempos modernos puderam ser construídos modelos de geometrias não-euclidianas. Euclides é a versão aportuguesada da palavra grega Εὐκλείδης, que significa “Boa Glória”.

Vida

Pouco se sabe sobre a vida de Euclides pois há apenas poucas referências fundamentais a ele, tendo sido escritas séculos depois que ele viveu, por Proclo e Pappus de Alexandria. Proclo apresenta Euclides apenas brevemente no seu “Comentário sobre os Elementos”, escrito no século V, onde escreve que Euclides foi o autor de “Os Elementos”, que foi mencionado por Arquimedes e que, quando Ptolomeu I perguntou a Euclides se não havia caminho mais curto para a geometria que Os Elementos, ele respondeu: “não há estrada real para a geometria”. Embora a suposta citação de Euclides por Arquimedes foi considerada uma interpolação por editores posteriores de suas obras, ainda se acredita que Euclides escreveu suas obras antes das de Arquimedes. Além disso, a anedota sobre a “estrada real” é questionável, uma vez que é semelhante a uma história contada sobre Menecmo e Alexandre, o Grande. Na outra única referência fundamental sobre Euclides, Pappus mencionou brevemente no século IV que Apolônio “passou muito tempo com os alunos de Euclides em Alexandria, e foi assim que ele adquiriu um hábito de pensamento tão científico”. Também se acredita que Euclides pode ter estudado na Academia de Platão, na Grécia. As datas de nascimento (inclusive o local) e morte (inclusive suas circunstâncias) de Euclides são desconhecidas e estimadas pela comparação com as figuras contemporâneas mencionadas nas referências. Nenhuma imagem ou descrição da aparência física de Euclides foi feita durante sua vida portanto as representações de Euclides em obras de arte são o produtos da imaginação artística. Convidado por Ptolomeu I para compor o quadro de professores da recém fundada Academia, que tornaria Alexandria o centro do saber da época, tornou-se o mais importante autor de matemática da Antiguidade greco-romana e talvez de todos os tempos, com seu monumental Stoichia (Os elementos, c. 300 a.C.). Depois da queda do Império Romano, os seus livros foram recuperados para a sociedade européia pelos estudiosos muçulmanos da península Ibérica. Escreveu ainda “Optica” (295 a.C.), sobre a óptica da visão e sobre astrologia, astronomia, música e mecânica, além de outros livros sobre matemática. Entre eles citam-se Lugares de Superfície, Pseudaria, Porismas e mais algumas outras. Algumas das suas obras como Os Elementos, Os Dados (uma espécie de manual de tabelas de uso interno na Academia e complemento dos seis primeiros volumes de Os Elementos), Divisão de Figuras (sobre a divisão geométrica de figuras planas), Os Fenômenos (sobre astronomia), e Óptica (sobre a visão), sobreviveram parcialmente e hoje são, depois de “A Esfera” de Autólico, os mais antigos tratados científicos gregos existentes. Pela sua maneira de expor nos escritos deduz-se que tenha sido um habilíssimo professor.

Os Elementos

A obra “Os Elementos”, atribuída a Euclides, é uma das mais influentes na história da matemática, servindo como o principal livro para o ensino de matemática (especialmente geometria) desde a data da sua publicação até o fim do século XIX ou início do século XX. Nessa obra, os princípios do que é hoje chamado de geometria euclidiana foram deduzidos a partir de um pequeno conjunto de axiomas.
A obra composta por treze volumes, sendo:
  • cinco sobre geometria plana;
  • três sobre números;
  • um sobre a teoria das proporções;
  • um sobre incomensuráveis
  • três (os últimos) sobre geometria no espaço.
Euclides foi considerado um dos mais célebres gênios da matemática depois de escrito o seu mais revolucionário livro Os Elementos escrito em grego, a obra cobre toda a aritmética, a álgebra e a geometria conhecidas até então no mundo grego, reunindo o trabalho de predecessores de Euclides, como Hipócrates e Eudóxio. Sistematizou todo o conhecimento geométrico dos antigos, intercalando os teoremas já então conhecidos com a demonstração de muitos outros, que completavam lacunas e davam coerência e encadeamento lógico ao sistema por ele criado. Após sua primeira edição foi copiado e recopiado inúmeras vezes, tendo sido traduzido para o árabe em (774). A obra possui mais de mil edições desde o advento da imprensa, sendo a sua primeira versão impressa datada de 1482 (Veneza, Itália). Essa edição foi uma tradução do árabe para o latim. Tem sido − segundo George Simmons“considerado como responsável por uma influência sobre a mente humana maior que qualquer outro livro, com exceção da Bíblia". Embora muitos dos resultados descritos em Os Elementos originarem-se em matemáticos anteriores, uma das reconhecidas habilidades de Euclides foi apresentá-los em uma única estrutura logicamente coerente, tornando-a de fácil uso e referência, incluindo um sistema rigoroso de provas matemáticas que continua a ser a base da matemática 23 séculos mais tarde. Não há menção de Euclides nas primeiras cópias ainda remanescentes de Os Elementos, e a maioria das cópias dizem que são "a partir da edição de Teão de Alexandria" ou as "palestras de Teão", enquanto o texto considerado primário, guardado pelo Vaticano, não menciona qualquer autor. A única referência que os historiadores se baseiam para Euclides ter escrito Os Elementos veio de Proclos, que brevemente em seu Comentário sobre Os Elementos atribui Euclides como o seu autor. Euclides foi a peça chave em toda a história da Geometria.

Geometria Euclidiana

Elementos de Euclides, de 1570
Na matemática, geometria euclidiana é a geometria, em duas e três dimensões, baseada nos postulados de Euclides de Alexandria. O texto de "Os elementos" foi a primeira discussão sistemática sobre a geometria e o primeiro texto a falar sobre teoria dos números. Foi também um dos livros mais influentes na história, tanto pelo seu método quanto pelo seu conteúdo matemático. O método consiste em assumir um pequeno conjunto de axiomas intuitivos e, então, provar várias outras proposições (teoremas) a partir desses axiomas. Muitos dos resultados de Euclides já haviam sido afirmados por matemáticos gregos anteriores, porém ele foi o primeiro a demonstrar como essas proposições poderiam ser reunidas juntas em um abrangente sistema dedutivo. Embora se tenham perdido mais de metade dos seus livros, ainda restaram, para felicidade dos séculos vindouros, os treze famosos livros que constituem Os Elementos ou Stoicheia, que foram publicados por volta de 300 a. C., contemplando a aritmética, a geometria e a álgebra. Em matemática, linhas retas, ou planos que permanecem sempre a uma distância fixa uns dos outros independentemente do seu comprimento. Este é um princípio da geometria euclidiana. Algumas geometrias não euclidianas, como a geometria elíptica e hiperbólica, no entanto, rejeitam o axioma do paralelismo euclidiano. Os postulados de Euclides são:
  1. Dados dois pontos distintos, há um único segmento de reta que os une.
  2. Um segmento de reta pode ser prolongado indefinidamente para construir uma reta.
  3. Dados um ponto qualquer e uma distância qualquer, pode-se construir uma circunferência de centro naquele ponto e com raio igual à distância dada.
  4. Todos os ângulos retos são congruentes (semelhantes).
  5. O "Postulado de Euclides": "Se uma linha reta corta duas linhas retas de forma a que os dois ângulos internos de um mesmo lado sejam (em conjunto, ou soma) menores que dois ângulos retos, então as duas linhas retas, se forem prolongadas indefinidamente, encontram-se num ponto no mesmo lado em que os dois ângulos são menores que dois ângulos retos".
  6. Paralelismo de Euclides. "Há um ponto P e uma reta r não incidentes tais que no plano que definem não há mais do que uma reta incidente com P e paralela a r".

Citação

  • Um número é uma pluralidade composta de unidades.
- Os Elementos; Livro 7, definição 2 (Fundamentos da teoria dos números)

Referências


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Biografia de Heron de Alexandria


Heron de Alexandria
Heron de Alexandria. (também escrito como Hero e Herão,). Nasceu em 10 d.C., e, faleceu em 70 d.C.. Heron de Alexandria foi um sábio matemático e mecânico grego, do começo da era cristã (século I). John Hungerford Pollen, porém, considera que Heron viveu no século III a.C. Geômetra e engenheiro grego, Heron esteve ativo em torno do ano 62. É especialmente conhecido pela fórmula que leva seu nome e se aplica ao cálculo da área do triângulo. Seu trabalho mais importante no campo da geometria, Metrica, permaneceu desaparecido até 1896. Ficou conhecido por inventar um mecanismo para provar a pressão do ar sobre os corpos, que ficou para a história como o primeiro motor à vapor documentado, a eolípila.


Obras

É de sua autoria um tratado chamado Métrica, que versa sobre a medição de figuras simples de planos sólidos, com prova das fórmulas envolvidas no processo. Tratava da divisão das figuras planas e sólidas e contém a “Fórmula de Herão” (embora esta talvez tenha sido descoberta por Arquimedes) para o cálculo da área de um triângulo e um método (já antecipado pelos babilônios) de aproximação a uma raiz quadrada de números não quadrados. Sua Mecânica foi preservada pelos árabes e anuncia a regra do paralelogramo para a composição de velocidades. Determina os centros simples de gravidade e discute as engrenagens pelas quais uma pequena força pode ser usada para levantar grandes pesos. Ele escreveu um manual de poliorcética, que foi usado com uma das fontes por um autor bizantino anônimo, usualmente chamado de Heron de Bizâncio, para escrever o livro Parangelmata Poliorcetica (Instruções para a Guerra de Cerco).


Fórmula de Heron

Triângulo de Heron. (Imagem: JulioNather).
A fórmula tradicional de cálculo da área do triângulo, ensinada e muito utilizada no ensino fundamental é Entretanto, outras fórmulas foram desenvolvidas para realizar este cálculo. Uma delas é a fórmula de Herão (ou de Heron), que dá a área do triângulo em função da medida dos três lados do triângulo. O nome faz referência ao matemático grego Heron de Alexandria.

A fórmula

A fórmula é: A = \sqrt{s(s-a)(s-b)(s-c)}, em que s representa o semiperímetro do triângulo e a, b, c são os comprimentos dos 3 lados do triângulo.


Exemplo

Um triângulo cujos lados medem 3, 25 e 26, respectivamente, tem semiperímetro (3 + 25 + 26)/2 = 27. Assim, a sua área é A = \sqrt{27 \cdot 24 \cdot 2 \cdot 1}=36.

 

 

Demonstração

Seja b a base do triângulo e h a sua altura. A área do triângulo é A=\frac{bh}{2}.
Pelo teorema dos cossenos, c^2=a^2+b^2-2ab\cos C=a^2+b^2-2b\sqrt{a^2-h^2}, logo h^2=a^2-\left(\frac{a^2+b^2-c^2}{2b}\right)^2. Assim,
\begin{matrix}A^2&=&
\frac{b^2h^2}{4}=\frac{b^2\left(a^2-\left(\frac{a^2+b^2-c^2}{2b}\right)^2\right)}{4}=\frac{(2ab)^2-(a^2+b^2-c^2)^2}{16} =
\frac{(2ab-(a^2+b^2-c^2))(2ab+(a^2+b^2-c^2))}{16}=\\
\\
&=&\frac{(c^2-(a-b)^2)((a+b)^2-c^2)}{16}=\frac{(c-a+b)(c+a-b)(a+b-c)(a+b+c)}{16}=(s-a)(s-b)(s-c)s\\
\end{matrix}

 


Contexto histórico e Cultural


Após o período helenístico, a ciência helenística se destacou na cidade de Alexandria, perdurando por vários séculos (até a queda do Império romano), onde surgiam periodicamente raios de genialidade. Um destes gênios foi Heron, que demostrou uma atitude pré-moderna para a mecânica, descobrindo, ainda que de forma arcaica, a lei da ação e reação. Baseo-se, por várias vezes em Ctesíbio, inventor grego do século III antes da nossa Era, de quem se tem notícias pelo próprio Heron e por Vitrúvio (Marcos Vitrúvio Polião). Descreveu um grande número de máquinas simples e generalizou o princípio da “alavanca” de Arquimedes. Idealizou vários trabalhos inventivos e contribuiu em muitas inovações no campo dos autômatos, que facilitaram os estudos dos cientistas.


Inventos e descobrimentos

Um modelo da eolípila de Heron.
Sua maior conquista foi a invenção da segunda máquina à vapor após James Watt , conhecida como eolípila, e a Fonte de Heron, cuja a utilização prática nos templos lhe renderam o pseudônimo de “O Mago”. A eolípila era uma máquina que consistia de uma esfera oca na qual se adaptavam dois tubos curvos. O interior da esfera era preenchido com água, a qual se fazia ferver, provocando o arranque pelos tubos através do vapor, fazendo girar a esfera muito rápido. É autor de numerosos tratados de mecânica, como A Pneumática (πνευματικά) na qual estuda a hidráulica, e Os Autômatos: o primeiro livro de robótica da história. Em A Dioptria (δίοπτρα) descreve o funcionamento deste aparato, similar ao atual teodolito, usado nas observações terrestres e astronômicas durante séculos. Também neste livro descreve o odômetro, utilizado para medir distâncias percorridas por um viandante (ou um veículo). Descreveu, ainda que de forma arcaica, a “lei de ação e reação” de Isaac Newton, experimentando com o vapor da água. Generalizou o princípio da “alavanca” de Arquimedes. Ele também, realizou uma descrição detalhada da “Hidraulis” de Ctesíbio (um órgão que funcionava com água). Em óptica, propôs no seu “Catóptrico” (κατοπτρικά) que a luz viaja seguindo o caminho geometricamente mais curto.


A Fonte de Heron

Fonte de Heron.
(Imagem: Daniel Martinez).
A fonte de Heron é uma máquina hidráulica inventada pelo físico, matemático e engenheiro do século I, Heron de Alexandria. Heron estudou a pressão do ar e do vapor, definiu as bases do primeiro motor à vapor e construiu artefatos que impulsionavam jatos de aguá. Um deles é conhecido como a “Fonte de Heron”. Ainda hoje se empregam numerosas versões da fonte de Heron nas aulas de física, como demonstrações dos princípios de hidráulica e pneumática.




Trabalho como matemático

No entanto, é mais conhecido, sobretudo, como matemático, tanto no campo da geometria como na da geodésia (um ramo da matemática que se encarrega da determinação do tamanho e configuração da Terra, e da localização de áreas concretas da mesma espécie). Heron tratou os problemas das medições terrestres com muito mais acerto do que qualquer outro da sua época; por isso se diz que foi um grande cientista. Como matemático, escreveu A Métrica (μετρικά), obra na qual estuda as áreas das superfícies e os volumes dos corpos. Também desenvolveu técnicas de cálculo, extraídas dos babilônios e egípcios, como o cálculo das raízes quadradas mediante iterações.

Referências


domingo, 9 de março de 2014

Biografia de Christopher Wren


Sir Christopher Wren, por Godfrey Kneller, 1711.
Christopher Wren. Nasceu em East Knoyle, Wiltshire, a 20 de Outubro de 1632, e, faleceu em Londres, a 25 de Fevereiro de 1723. Christopher Wren foi projetista, astrônomo, geômetra, e o maior arquiteto da Inglaterra, de seu tempo. Wren projetou 51 igrejas em Londres, incluindo a Catedral de São Paulo, considerada uma das obras primas da arquitetura européia, e muitos prédios seculares, também dignos de nota. Foi fundador da Royal Society e seu presidente (1680 -1682), e seus trabalhos científicos eram conhecidos, sendo citados por Isaac Newton e Blaise Pascal. Wren também é conhecido pelos trabalhos no Observatório de Greenwich e no palácio real Hampton Court.

 

Biografia

 

Juventude

Wren nasceu em East Knoyle, Wiltshire, e foi o único filho sobrevivente de seu pai, do mesmo nome, naquele tempo reitor de escola e depois deão de Windsor. Doentio quando criança, estudou na própria casa com um tutor e seu próprio pai até se mudarem para Windsor, onde foi companheiro de infância do filho do rei Carlos I. Sua vida escolar é desconhecida até ir para o Wadham College, Oxford em 1650, onde recebeu uma educação convencional para a época, baseado em Aristóteles e latim. Entrou em contato também com John Wilkins e um seleto grupo de destacados estudantes, que iriam, mais tarde, formar a Royal Society. Essa ligação provavelmente influenciou Wren a estudar ciências e matemática. Recebeu o bacharelado em 1651 e o mestrado três anos depois.

Maturidade

Quarto da Rainha Maria no Hampton Court, um dos quartos na secção desenhada por Sir Christopher Wren.
Foi eleito membro do AllSouls College em 1653 e começou um ativo período de pesquisa e experiências em Oxford, até ser escolhido, em 1657, professor de astronomia do Gresham College, em Londres, onde dava cursos livres em latim e inglês. Retomando os contatos com seu grupo de colegas, que freqüentavam seus cursos, propuseram em 1662 a formação de uma sociedade para a promoção do conhecimento. Carlos II deu a autorização real para a Royal Society of London for the Promotion of Natural Knowledge ser formada. Um ano antes Wren havia sido eleito Savilian Professor of Astronomy em Oxford. Os esforços científicos principais de Wren estão documentados na Royal Society, indo de trabalhos em astronomia, óptica, o problema de medir longitude no mar, cosmologia, mecânica, microscopia, medicina e meteorologia. Ele observou, mediu, dissecou, construiu modelos, inventou e desenvolveu uma variedade de instrumentos. No entanto, nessa época, com cerca de trinta anos, ainda não havia descoberto uma matéria que lhe desse satisfação pessoal. Nessa época sua atenção começou a se voltar para a arquitetura. Um dos primeiros projetos arquitetônicos de Wren foi o Teatro Sheldonian, em Oxford, que foi terminado em 1662. Presente do Bispo Sheldon a sua antiga escola, foi influenciado pelo Teatro de Marcellus, em Roma, mas misturava desenho clássico com conceitos empíricos modernos. Viajou a Paris em 1665, onde estudou a arquitetura da cidade-luz, então num
Fachada Sul do Hampton Court, por Christopher Wren.
clímax de criatividade, e pesquisou desenhos de Bernini (Gian Lorenzo Bernini)o grande escultor e arquiteto italiano. Voltando da França, fez seu primeiro desenho para a catedral de São Paulo. Uma semana mais tarde, um grande incêndio destruiu dois terços de Londres. Wren elaborou um plano de reurbanização da cidade para Carlos II da Inglaterra, nunca adotado por problemas legais. Foi nomeado supervisor geral das obras de reconstrução e foi o responsável direto pela reforma de 51 igrejas. A catedral de São Paulo sempre foi a pedra de toque da reputação de Wren. Sua associação com ela aparece em toda sua carreira, incluindo os trinta e seis anos entre o início e o termino da obra, em 1711. Ele esteve envolvido em reparos na
Monumento em memória do grande incêndio de Londres.
antiga catedral e seu projeto de uma nova igreja tinha acabado de ser aceito quando o fogo reduziu dois terços da cidade a um deserto fumegante e a igreja a ruínas. Após vários atos administrativos, a demolição das ruínas começou em 1673 e as obras em 1675 e permaneceu em construção pelos próximos 36 anos. A única alteração ao plano de Wren foi um balaústre acrescentado ao domo, diluindo a solidez visual pretendida para a obra. Foi nomeado cavaleiro em 1673. Tinha renunciado à posição Savillian em Oxford, para se dedicar à reconstrução e À arquitetura de um modo geral. Foi também membro do Parlamento por três vezes. Casou com Faith Coghill em 1669, restando ainda algumas cartas de amor escritas por ele. Ela morreu alguns meses após dar à luz seu segundo filho, em 1675. Wren se casou novamente alguns anos depois com Jane Fitzwilliams, que também morreu após o segundo parto. De seus quatro filhos, apenas o também chamado Christopher sobreviveu ao pai e seguiu a carreira de arquiteto, sem muito destaque. Após a morte do rei Carlos II, a atenção de Wren se voltou para o palácio de Whitehall, a pedido do novo rei, Jaime II da Inglaterra, onde ergueu uma nova capela, uma nova galeria, acomodações para o conselho e para a rainha. Mais tarde trabalhou em projetos para o palácio de Kensington, Hampton Court e Greenwich Hospital, que foi seu último grande trabalho e o único ainda incompleto ao termino da catedral de São Paulo, em 1771.

Últimos anos

O grande arquiteto não teve uma velhice tranqüila, com seu trabalho reconhecido. Em vez disso, foi alvo de criticas e ataques a sua competência e gosto. Particularmente agressivas foram as criticas de Ashley Cooper, que pediam um novo estilo para a arquitetura britânica. Wren morreu em 1723, com 91 anos, na casa de seu filho, após se expor ao frio de uma visita à catedral de São Paulo no inverno. Foi enterrado na cripta da catedral, onde uma lápide diz: Leitor, se procuras seu monumento, olhe em volta.

A Catedral de São Paulo

Projeto final de Christopher Wren para a Catedral de São Paulo.
Após as sucessivas reformas, a Catedral de São Paulo permaneceu abandonada até que o arquiteto inglês Inigo Jones iniciou uma restauração definitiva da catedral em 1633, acrescentando a atual fachada neoclássica e outra cúpula de madeira. No entanto, a antiga catedral foi incendiada novamente e a cúpula acabou por ruir novamente e a igreja teve de ser reformada, porém desta vez foi contratado o renomado arquiteto Christopher Wren que aplicou o estilo barroco na catedral. O projeto de Christopher Wren possuía cinco estágios de construções. Wren inicialmente examinou os projetos anteriores para entender as falhas nas estruturas anteriores. Wren constatou que todos os desenhos incluíam uma cúpula demasiadamente grande para a estrutura de tijolos e resolveu demolir
Vista aérea da Catedral
todas as ruínas restantes em 1670 para começar absolutamente "do zero". Wren elaborou uma catedral em formato de cruz grega, mas seu projeto foi renegado por outros arquitetos por ser considerado muito complexo. A terceira proposta de Wren para a nova igreja foi baseada nas suas últimas concepções, mantendo a cruz grega. Para facilitar os estudos da construção, Wren elaborou uma maquete de gesso e madeira que custou cerca de 500 libras esterlinas e possuía cerca de treze metros de altura. Wren batizou sua maquete de Great Model. Apesar dos esforços de Wren, os clérigos ingleses consideraram o desenho muito diferente dos modelos de igreja existentes na Inglaterra, preferindo a planta da igreja em formato de cruz latina. As exigências dos críticos da época despertou a fúria de Wren que decidiu não expor mais suas ideias ou projetos. O quarto desenho de Wren incluía uma igreja em estilo gótico, considerada a arquitetura mais refinada da época. Wren tentou alinhar elementos renascentistas com o estilo gótico de seus planos. O quinto e último projeto foi autorizado pelo próprio rei com inclusão de alguns ornamentos ao projeto apresentado. Alguns destes ornamentos foram adicionados enquanto da construção da igreja, inclusive a grande cúpula. O projeto final de Wren foi baseado na Cúpula de São Pedro.

Referências