| Retrato de Geber (Codici Ashburnhamiani, 1166). |
Geber.
Abu
Musa Jabir ibn Hayyan
(جابر
بن حیان;
c.721–c.815). Geber foi um alquimista islâmico proeminente, além
de farmacêutico, filósofo, astrônomo, e físico. Ele também foi
chamado de “o
pai de química árabe”
pelos europeus. A origem étnica dele não é clara, embora a maioria
das fontes o atribuem a origem árabe ou persa. Geber é responsável
pela introdução da experimentação na alquimia, assim como a
invenção de vários processos importantes usados na Química
moderna, como as sínteses dos ácidos nítrico e clorídrico, a
destilação e a cristalização.
Biografia
Geber
nasceu em Tus, no Grande Coração, então sob o jugo do Califado
Omíada. A data do nascimento não é consenso, mas acredita-se que
foi em 721 ou 722. Ele era o filho de Hayyan
al-Azdi,
farmacêutico árabe da tribo
de Azd
que emigrou do Iêmen para Kufa (no Iraque atual) durante o período
omíada. Hayyan apoiava os abássidas, inimigos dos governantes, e
foi enviado por eles à província de Coração para conseguir apoio
para causa. Ele foi capturado pelos omíadas e executado. A sua
família fugiu de volta para o Iêmen, onde Geber cresceu e estudou o
Alcorão, matemática e outros assuntos com um mestre chamado Harbi
al-Himyari.
Assim que os abássidas tomaram o poder, Geber voltou para Kufa onde
passou a maior parte de sua carreira. A profissão do pai teve grande
influência no interesse de Geber pela química. Em Kufa, ele se
tornou um discípulo do imam Ja’far
al-Sadiq,
célebre professor islâmico. Acredita-se que ele também estudou com
o príncipe omíada Khalid
Ibn Yazid.
Começou a praticar medicina com o apoio do vizir barmecida califa
Harun
al-Rashid.
Em 776, ele passou a se dedicar à alquimia em Kufa. Seu contato com
os barmecidas antecipou a queda destes. Quando eles caíram, Geber
foi posto em prisão domiciliar, onde permaneceu até a morte.
Especula-se que teria morrido em 808 ou 815.
Influência
Geber
é reconhecido por suas importantes contribuições para a química.
Enfatizando a experimentação sistemática, fez muito para separar a
alquimia da superstição e transformá-la numa ciência. A ele é
creditada a invenção vários equipamentos tidos como básicos nos
laboratórios de química modernos, assim como a descoberta e
descrição de muitas substâncias químicas agora comuns. Geber
abriu caminho para a maioria dos alquimistas islâmicos posteriores
como Al-Razi,
Tughrai
e Al-Iraqi,
que viveram nos séculos IX, XI e XIII, respectivamente. Os seus
livros também influenciaram os alquimistas europeus medievais, que
os usaram como base para a busca da “pedra
filosofal”.
Apesar de suas tendências ao misticismo – ele era sufi – e à
superstição, ele reconheceu a importância da experimentação. “O
Primordial na Química”, declarou:
“é
a experimentação. Aquele que não pratica a experimentação nunca
dominará a química”.
Entre os vários instrumentos dos laboratórios de química modernos
atribuídos a Geber, podemos citar o alambique,
que executa uma destilação fácil, segura e eficiente. Ele também
descobriu o ácido
clorídrico
e o ácido
nítrico.
Combinando estes dois ácidos Geber inventou
a água régia,
uma das poucas substâncias que podem dissolver os metais nobres,
como o ouro. Além de sua óbvia aplicação para a extração do
ouro e sua purificação, esta descoberta também abasteceria os
sonhos e o desespero do alquimistas por mais de um milênio. Foi
creditada a ele a descoberta do ácido
cítrico
(o componente ácido de limões e outras frutas cítricas), o ácido
acético
(do vinagre) e o ácido
tartárico
(das uvas e do mosto da preparação de vinhos). Geber aplicou seu
conhecimento químico à melhoria de vários processos industriais
como a fundição de aço e outros metais, a prevenção da ferrugem,
a gravação em ouro, o tingimento e impermeabilização de tecidos,
o curtimento do couro, e a análise química de outras substâncias,
como os pigmentos. Ele notou que vinho em ebulição libera um vapor
inflamável e desenvolveu um método para que Al-Razi
descobrisse o etanol
posteriormente.
Obras
Durante
a Idade Média foram traduzidos os tratados de Geber sobre química
para o latim e eles se tornaram textos de referência para os
alquimistas europeus. Entre as obras estão “Kitab
al-Kimya”
("Livro da Composição de Alquimia" na Europa), traduzido
por Robert
de Chester
(1144); e o “Kitab
al-Sab’een”
por Gerard
de Cremona
(antes das 1187). Marcelin
Berthelot
traduziu os seguintes livros: “Livro
do Reino”,
“Livro
dos Equilíbrios”
e o “Livro
do Mercúrio Oriental”.
Vários termos técnicos introduzidos por Geber, como “alcali”,
foram adotados pelos idiomas europeus e se tornaram parte de
vocabulário científico.