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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Biografia de Ptolomeu

Ptolomeu (pic: Stahlkocher).
Cláudio Ptolemeu ou apenas Ptolemeu ou Ptolomeu (em latim: Claudius Ptolemaeus; em grego: Κλαύδιος Πτολεμαῖος; transliteração: Klaúdios Ptolemaios; 90 – 168). Ptolomeu foi um cientista grego que viveu em Alexandria, uma cidade do Egito. Ele é reconhecido pelos seus trabalhos em matemática, astrologia, astronomia, geografia e cartografia. Realizou também trabalhos importantes em óptica e teoria musical. Na época de Ptolomeu, a diferença entre astronomia e astrologia não era muito clara e, portanto, os estudos tendiam a mesclar ciência e misticismo. Na concepção atual, por outro lado, a astronomia, uma ciência, é estudada de forma completamente distinta da astrologia, uma crença. O grande mérito de Ptolomeu foi, baseando-se no sistema de mundo de Aristóteles, fazer um sistema geométrico-numérico, de acordo com as tabelas de observações babilônicas, para descrever os movimentos do céu.

Biografia 

Ptolemeu nasceu em Ptolemaida Hérmia, no Egito, e tornou-se um ilustre discípulo da Escola de Alexandria. Existem dúvidas sobre o ano em que ele nasceu, com a data variando desde 10 até, segundo Luca Gáurico, o ano 747; mas as melhores estimativas são que ele nasceu por volta do ano 70, e floresceu durante os governos dos imperadores romanos Adriano e Antonino Pio.

Astronomia e astrologia

A sua obra mais conhecida é o Almagesto (que significa "O grande tratado"), um tratado de astronomia. Esta obra, a síntese dos trabalhos e observações de Aristóteles, Hiparco de Niceia, Posidônio e outros, é uma das mais importantes e influentes da Antiguidade Clássica, são treze volumes com tabelas de observações de estrelas e planetas e com um grande modelo geométrico do sistema solar, baseado na cosmologia aristotélica. Nela está descrito todo o conhecimento astronômico babilônico e grego e nela se basearam as astronomias árabes, indianas e europeias até o aparecimento da teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico. No Almagesto, Ptolomeu apresenta um sistema cosmológico geocêntrico, isto é, a Terra está no centro do Universo e os outros corpos celestes, planetas e estrelas, descrevem órbitas ao seu redor. Estas órbitas eram relativamente complicadas resultando de um sistema de epiciclos, ou seja círculos com centro em outros círculos. Ptolomeu foi considerado o "primeiro cientista celeste". No entanto, Ptolomeu foi duramente criticado por alguns cientistas, como Tycho Brahe e Isaac Newton, sendo acusado de não ter realizado nenhuma observação astronômica, mas apenas plagiado dados de Hiparco, entre outras acusações. Apesar da destruição da Biblioteca de Alexandria, o Almagesto foi preservado, assim como outros textos da Grécia antiga, por meio de manuscritos arábicos, e foi encontrado no Irã em 765 Segundo J. M. Ashman, que traduziu o Tetrabiblos em 1822, o Almagesto foi traduzido para o árabe em 827. Gerardo de Cremona (1114–1187) traduziu para o latim uma cópia do Almagesto deixada pelos árabes em Toledo, na Espanha. É no trabalho de Ptolomeu, citando o trabalho de Hiparco, que aparecem as 48 constelações que ficaram conhecidas como as Constelações Clássicas. Todas elas, menos uma, ainda são parte da lista atual de constelações oficiais da União Astronômica Internacional. A representação geométrica do sistema solar de Ptolomeu, com círculos, epiciclos e equantes permitia predizer o movimento dos planetas com considerável precisão e foi utilizada até o Renascimento no século XVI. Apesar disso, o geocentrismo foi uma ideia dominante na astronomia durante toda a Antiguidade e Idade Média. Ptolomeu explicou o movimento dos planetas através de uma combinação de círculos: o planeta se move ao longo de um pequeno círculo chamado epiciclo, cujo centro se move em um círculo maior chamado deferente. A Terra ficaria numa posição um pouco afastada do centro do deferente (portanto, o deferente é um círculo excêntrico em relação à Terra). Até aqui, o modelo de Ptolomeu não diferia do modelo usado por Hiparco aproximadamente 250 anos antes. A novidade introduzida por Ptolomeu foi o equante, que é um ponto ao lado do centro do deferente oposto em relação à Terra, em relação ao qual o centro do epiciclo se move a uma taxa uniforme, e que tinha o objetivo de dar conta do movimento não uniforme dos planetas. O objetivo de Ptolomeu era o de produzir um modelo que permitisse prever a posição dos planetas de forma correta e, nesse ponto, ele foi razoavelmente bem sucedido. Por essa razão, esse modelo continuou sendo usado sem mudança substancial por cerca de 1300 anos. No sistema ptolomaico, centrado na Terra, a pequena esfera chamada epiciclo que contem o planeta vai girando associada a uma esfera rotativa maior, produzindo um movimento retrógrado aparente sobre o plano de fundo das estrelas longínquas. O estudo dos céus levou Ptolomeu a afirmar: "Como mortal que sou, sei que nasci por um dia. Mas, quando sigo à minha vontade a densa multidão de estrelas no seu curso circular, os meus pés deixam de tocar a Terra" [...] - Ptolomeu. Na área da astrologia, Ptolomeu desenvolveu o Tetrabiblos, um dos mais importantes livros de astrologia que sobreviveram da Antiguidade. O texto foi baseado em escritos e documentos mais antigos babilônicos, egípcios e gregos. Ptolomeu acreditava não só que os padrões de comportamento eram influenciados pelos planetas e pelas estrelas, mas também que as questões de estatura, tez, nacionalidade e até as deformações físicas congênitas eram determinadas pelas estrelas.

Almagesto

Almagesto é um tratado matemático e astronômico
Uma edição em Latim do Almagesto (1515).
escrito no século II por Cláudio Ptolomeu. A obra, escrita em grego, adota o modelo geocêntrico para o sistema solar, além de conter um extenso catálogo estelar. É um dos textos científicos mais influentes de todos os tempos, tendo sido autoridade no assunto desde a antiguidade, no império bizantino, no mundo árabe e na Europa ocidental ao longo da idade Média e Renascença até o século XVI, quando o surgiu o heliocentrismo de Nicolau Copérnico.
Além de ser a principal fonte de informação sobre a astronomia da Grécia antiga, também é valiosa fonte de informação da obra do matemático grego Hiparco, a qual se perdeu. A obra tornou-se conhecida pelo título grego Ἡ Μεγάλη Σύνταξις (Hē Megálē Sýntaxis) , "A Grande Coleção". Os árabes passaram a designá-lo pelo superlativo daquele adjetivo: μεγίστη (megístē), "máxima", donde a corruptela al-majisṭī (المجسطي), que gerou a palavra Almagesto, pela qual o tratado passou a ser identificado.

Descrição da obra

Ptolomeu baseou o seu trabalho no catálogo estelar realizado anteriormente por Hiparco de Niceia. Dado que o catálogo estelar de Hiparco está perdido, é impossível saber até que ponto ambos catálogos eram semelhantes. No Almagesto, Ptolomeu apresentou a descrição das 48 constelações clássicas e criou um refinado sistema para explicar os movimentos aparentes dos planetas em um sistema geocêntrico em que o Sol, a Lua e os planetas giravam em torno da Terra em círculos epicíclicos. O Almagesto consiste de 13 volumes. 

1. O primeiro livro expõe o sistema geocêntrico. 
2. O segundo livro a periodicidade dos equinócios e a longitude do ano. 
3. O terceiro livro discute os solstícios e equinócios. 
4. O quarto livro expõe estudos da Lua e define o mês sinódico. 
5. O quinto livro trata da correção da paralaxe das posições do Sol e da Lua. 
6. O sexto livro expõe uma medida do diâmetro aparente do Sol e da Lua mostrando um método de predição de eclipses. 
7-8. No sétimo e oitavo livro mostra-se como as posições relativas entre as estrelas são fixas. O oitavo livro consiste de um catálogo das estrelas austrais conhecidas por ele. 
9-13. Finalmente, nos últimos cinco livros mostra-se o método de Ptolomeu para calcular as posições e trajetórias dos planetas, expondo em detalhes o sistema de epiciclos. 

Seu famoso epigrama 

- "Eu o sei, sou mortal e não duro senão um dia. Mas se minha mente observa os serpenteantes caminhos das estrelas, então meus pés já não pisam a Terra, vou à presença do próprio Zeus me fartar de ambrosia, o divino manjar". 

Relevância histórica 

O livro original de Ptolomeu foi escrito em grego e se intitulava Hè Megalè Syntaxis. Contudo, realmente é um tratado de astronomia, foi nomeado assim  porque, até então, a tal ciência era um ramo da matemática. A primeiras traduções desta obra para o árabe foram realizadas em torno do século IX, patrocinadas pelo califa Al-Ma'mun. Os árabes lhe deram o nome de Al-Majisti, O Maior, (que combina o artigo árabe com o adjetivo grego mégiston), e assim derivou o nome final pelo qual seria conhecido mais tarde. Nesta época, a obra estava praticamente esquecida na Europa, exceto por vagas referências em diversas obras astrológicas. O Ocidente redescobriu o Almagesto através das versões árabes. No século XII foi feita uma tradução para o espanhol. Uma tradução para o latim do original árabe foi realizada por Gerardo de Cremona em 1175, baseando-se em um texto encontrado em Toledo, Espanha. Esta tradução introduziu definitivamente o Almagesto na tradição científica europeia. Gerardo de Cremona não conseguiu traduzir alguns  dos termos técnicos, e, inclusive, manteve o nome árabe de Abrachir para Hiparco de Niceia. Dado que a Europa conheceu este trabalho através dos árabes, muitos dos nomes clássicos das estrelas provêm dos nomes árabes registrados nesta obra, embora com inúmeras alterações. Depois escreveu  também, uma outra versão em latim sob o patrocínio do imperador Frederico II. As teorias astronômicas contidas neste tratado, ainda que incorretas, estiveram vigentes durante quatorze séculos, influenciando o pensamento astronômico e científico até o início do século XVI com a chegada do sistema heliocêntrico e a revolução científica.



Geografia

A sua obra mais extensa é "Geographia" que, em oito volumes, contém todo o conhecimento geográfico greco-romano. Esta inclui coordenadas de latitude e longitude para os lugares mais importantes. Naturalmente, os dados da época tinham bastante erro e o mapa que esta apresentado está bastante deformado, sobretudo nas zonas exteriores ao Império Romano. Ptolomeu inventou a projeção cônica equidistante meridiana, na qual distâncias ao longo dos meridianos e ao longo de um paralelo central são representadas em uma escala constante, os paralelos são representados como círculos e os meridianos como retas. 

Óptica

Ptolomeu é também autor do tratado "Óptica", um conjunto de cinco volumes sobre este tema, em que estuda reflexão, refração, cor, e espelhos de diferentes formas. 

Música

Escreveu também "Harmônica", ou Teoria do Som, um tratado sobre teoria matemática da música, neste tratado escreveu sobre como notas musicais podem ser traduzidas em equações matemáticas e vice-versa.

Referências


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Biografia de Pierre Méchain

Pierre Méchain (1882).
Pierre François André Méchain. Nasceu em Laon, a 16 de Agosto 1744, e, faleceu em Castelló de la Plana, a 20 de Setembro de 1804. Pierre Méchain foi um astrônomo e geógrafo francês. Famoso por ter descobertos 8 cometas e 26 objetos celestes, assim como por ter feito parte em numerosas expedições. Sua maior contribuição foi a medida do metro, juntamente com Jean Baptiste Joseph Delambre. O asteroide 21785 Mechain foi assim nomeado em sua homenagem.

Biografia

Estudou matemática em Paris, mas devido a problemas econômicos teve que deixar seus estudos e trabalhar como tutor. Desde muito jovem dedicou-se a estudar astronomia e geografia. Dedicou-se a fazer observações astronômicas detalhadas, tendo falecido quando trabalhando na medida detalhada do Meridiano na Espanha, morte devida à febre amarela que contraiu em Castelló de la Plana.

Obras

Observações astronômicas

Em 1774 estava com Charles Messier e ambos trabalharam no Hotel de Cluny catalogando estrelas. Neste período de colaboração descobriram muitos objetos que Messier comprovou posteriormente sua posição. Alguns dos objetos catalogados por Messier foram descobertos por Méchain, tais como M104, M105, M106 e M107. Participou de inúmeras expedições pela costa francesa e em 1774 observou a ocultação de Aldebarã* pela lua; após isto apresentou uma memória a Academia de Ciências de Paris. Méchain descobriu cometas, seus primeiros foram em 1781 e por meio de seu conhecimento matemático trabalhou em calcular suas órbitas. Algumas de suas descobertas foram atribuídas a outros astrônomos, assim como o descobrimento de 2P/Encke (redescoberto anos mais tarde por Johann Franz Encke). (*Aldebarã é um
a estrela de primeira magnitude, e a estrela mais brilhante da constelação Taurus).

Observações geográficas

Em 1787 Méchain colaborou com Jean Dominique Cassini e Adrien-Marie Legendre na medida precisa da longitude entre Paris e Greenwich. Neste ano os três visitaram em numerosas ocasiões William Herschel em seu observatório astronômico em Slough (Inglaterra).

Publicações

"Base do Sistema Métrico Decimal" juntamente com Jean Baptiste Joseph Delambre (1806).


Veja também:

- Pequena Nebulosa do Haltere (descoberta por Méchain a 5 de Setembro de 1780).
- Cometa Encke  (descoberto por Méchain a 17 de Janeiro de 1786).
- Galáxia do Girassol (descoberta por Méchain a 14 de Junho de 1779).



 
Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Méchain
https://es.wikipedia.org/wiki/Pierre_Méchain

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Biografia de Girolamo Fracastoro


Fracastoro (1538).
Girolamo Fracastoro. (Fracastorius). Nasceu em Verona, em 1478, e, faleceu em Incaffi, a 8 de Agosto de 1553. Girolamo Fracastoro foi um médico, matemático, geógrafo e poeta italiano. Nascido de uma antiga família Veronesa, foi educado em Pádua onde aos 19 anos de idade foi nomeado professor da Universidade. Por conta de sua eminência na prática de medicina, foi eleito médico do Concílio de Trento. Uma estátua de bronze foi erigida em sua homenagem pelos cidadãos de Pádua, enquanto sua cidade natal comemora seu grandioso compatriota com uma estátua de mármore. Ele viveu e exerceu a medicina em sua cidade natal. Em 1546 ele propôs que as doenças infecciosas fossem causadas por minúsculas partículas transferíveis, ou "esporos", que poderiam transmitir as infecções por contato direto ou indireto, ou mesmo sem contatos, através de longas distâncias. Em sua obra, os "esporos" das doenças poderiam se referir a produtos químicos e não a entidades vivas. “Eu chamo de fomites [do latim, fomes – material usado para iniciar o fogo] tais coisas como roupas, lençóis, etc., que apesar de não serem corrompidos por si próprios, podem entretanto lançar as sementes essenciais do contágio e assim causar a infecção”. Suas teorias continuaram influentes por quase três séculos antes de serem substituídas pela teoria dos germes. A cratera lunar Fracastorius é nomeada em sua honra.


Sífilis
O nome da Sífilis foi tirado do poema épico de três livros escrito em 1530 por Fracastoro: Syphilis sive morbus gallicus ("Sífilis ou a Doença Francesa"), sobre um pastor chamado Syphilis. O poema sugere que o uso de mercúrio e guaiaco serviriam de cura para a doença. Seu livro de 1546 (De Contagione"Sobre o Contágio") também nos dá uma descrição da tifo. As obras completas de Fracastoro foram publicadas pela primeira vez em 1555.

Obras

  • Syphilidis, sive Morbi Gallici (1530)
  • Di Vini Temperatura (1534)
  • Homocentricorum sive de Stellis, de Causis Criticorum Dierum Libellus (1535)
  • Homocentrica (1538)
  • De Contagione et Contagiosis Morbis (1546)
  • Syphilis sive de morbo gallico (Poem 1539)

 

Referências



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Biografia de Heródoto

Heródoto
Heródoto. (em grego, Ἡρόδοτος - Hēródotos, na transliteração). Heródoto foi um geógrafo e historiador grego, continuador de Hecateu de Mileto, nascido no século V a.C. (485?–420 a.C.) em Halicarnasso (hoje Bodrum, na Turquia). Foi o autor da história da invasão persa da Grécia nos princípios do século V a.C., conhecida simplesmente como As histórias de Heródoto. Esta obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura pouco depois de ser publicada. Antes de Heródoto, tinham existido crônicas e épicos, e também estes haviam preservado o conhecimento do passado. Mas Heródoto foi o primeiro não só a gravar o passado mas também a considerá-lo um problema filosófico ou um projeto de pesquisa que podia revelar conhecimento do comportamento humano. A sua criação deu-lhe o título de "pai da história" e a palavra que utilizou para o conseguir, historie, que previamente tinha significado simplesmente "pesquisa", tomou a conotação atual de "história". A obra Histórias foi frequentemente acusada no velho mundo de influenciável, imprecisa e plagiária. Ataques semelhantes foram preconizados por alguns pensadores modernos, que defendem que Heródoto exagerou na extensão das suas viagens e nas fontes criadas. Contudo, o respeito pelo seu rigor tem aumentado na última metade do século, sendo actualmente reconhecido não apenas como pioneiro na história, mas também na etnografia e antropologia. Vale ressaltar sua contribuição aos estudos geográficos, por esse feito a revista de geografia geopolítica, de maior tiragem na França, fundada pelo famoso geógrafo Yves Lacoste leva seu nome. Provavelmente escritas entre 450 e 430 a.C., as Histórias foram posteriormente divididas em 9 livros, intituladas segundo os nomes das musas, pelos eruditos alexandrinos. Por volta de 445 a.C., segundo consta, Heródoto fez leituras públicas de sua obra em Atenas. Quanto ao conteúdo, os primeiros seis livros relatam o crescimento do Império Aquemênida. Começam com uma introdução do primeiro monarca asiático a conquistar as cidades-estado gregas e o verdadeiro tributo, Creso da Lídia. Creso perdeu o reinado para Ciro, o Grande, o fundador do Império Aquemênida. As primeiras seis obras acabam com a derrota dos persas em 490 a.C., na batalha de Maratona, que constituiu o primeiro retrocesso no progresso imperial. Os últimos três livros descrevem a tentativa do rei persa Xerxes I de vingar dez anos mais tarde a derrota persa em Maratona e absorver a Grécia no Império Aquemênida. Histórias acaba em 479 a.C. com a expulsão na batalha de Plateias e o recuo da fronteira do Império Aquemênida para a linha costeira da Anatólia. No que diz respeito à vida de Heródoto, sabe-se que foi exilado de Halicarnasso após um golpe de estado frustrado contra a dinastia no poder em que estava envolvido, retirando-se para a ilha de Samos. Parece nunca ter regressado a Halicarnasso, embora em Histórias pareça sentir orgulho de sua cidade natal e da respectiva sátrapa, Artemísia I de Cária. Deve ter sido durante o exílio que empreendeu as viagens que descreve em Histórias. Estas viagens conduziram-no ao Egipto, Primeira Catarata, Babilónia, Ucrânia, Itália e Sicília. Heródoto refere uma conversa com um informador em Esparta, e muito certamente terá vivido durante um determinado período em Atenas. Nesta, registou as tradições orais das famílias proeminentes, em especial, a Alcmeônidas, à qual Péricles pertencia do lado materno. Mas os Atenienses não aceitavam os estrangeiros como cidadãos, e quando Atenas apoiou a colónia de Túrio na aniquilação de Itália em 444 a.C., Heródoto tornou-se colono. Desconhece-se se lá morreu ou não. Numa determinada altura tornou-se um logios – isto é, um recitador de prosa logai ou histórias – cujos temas baseavam-se em contos de batalhas, maravilhas de países distantes e outros acontecimentos históricos. Fez roteiros das cidades gregas e dos maiores festivais atléticos e religiosos, onde dava espectáculos pelos quais esperava pagamento. Em 431 a.C., a guerra do Peloponeso rebentou entre Atenas e Esparta. Poderá ter sido esse conflito, que dividiu o mundo grego, que o inspirou a reunir logoi numa narrativa contínua – Histórias – centrada no progresso imperial da Pérsia interrompido pela aliança entre Atenas e Esparta.

Histórias (Heródoto)

Historiae
As Histórias (em grego antigo: Ἰστορἴαι, transl. Historiai), divididas em nove livros e escrita por Heródoto de Halicarnasso, é a obra básica da História, a primeira a ter este título - e constitui-se na primeira tentativa do homem em sistematizar o conhecimento de suas ações ao longo do tempo. Data de cerca de 440 a.C..

Contexto

Escrita em dialeto jônico - uma vez que Halicarnasso era uma das cidades gregas situadas na Dória (hoje pertencente à Turquia), bastante próximo daquela outra região (a Jônia). Heródoto viveu entre 485 a.C. e 430 a.C. e, até aquele momento, nenhuma obra procurara reunir os registros historiográficos da Grécia, quer interna, quer em seu relacionamento, muitas vezes belicoso, com países próximos - chamados de bárbaros, dentre os quais a Pérsia (e particularmente as Guerras Médicas). O título por ele escolhido, "Histórias", tinha o significado de pesquisas - mas ganhou em seguida a conotação de registro que até hoje conserva. Não se pode com certeza afirmar se nada similar foi escrito antes ou ao tempo de Heródoto: o fato é que esta obra é a mais antiga sobre a História grega a sobreviver até a atualidade.

Os nove livros das Histórias

Cada um dos livros é dedicado a uma das Musas, que eram em número de nove e, segundo a Mitologia, eram as responsáveis pelas artes. As Histórias constituem um perfeito exemplo de composição literária livre, dentro da prosa grega antiga. Não descreve os fatos de modo linear, a todo tempo a narrativa é interrompida por digressões e comentários sobre o argumento central. Neste particular, assemelha-se à Ilíada, de Homero. A obra tem início no Proêmio, que é onde o autor expõe sua intenção: evitar que os feitos das gerações que o precederam sejam relegados ao esquecimento, explicando-os.

Livro I (Clio)

Ao expor as causas do conflito conhecido por Guerras Médicas, Heródoto aborda as primeiras dissenções e enfrentamentos que se produziram entre gregos e bárbaros, na época mítica (os raptos de Europa, Medeia e Helena de Troia). Entretanto, mantém certa distância em relação a estas tradições e, em seguida, segundo o que ele sabe, indica quem cometeu os primeiros atos de provocação (Creso, rei da Lídia). Expõe, assim, claramente, que a agressão é proporcional à responsabilidade, moral e jurídica. Sua atenção passa, então, para a figura de Creso, o primeiro agressor. A história da Lídia permite que se conheça o grande eixo de sua história, a Pérsia (Império Aquemênida); ao mesmo tempo, firma as bases de sua concepção teleológica dos acontecimentos humanos (relato da entrevista entre Sólon e Creso; I 28-33). O restante do Livro I desvia sua atenção para a Pérsia, com a subida ao trono por Ciro II e as diversas campanhas deste rei (conquista da Jônia, Cária e Lícia).

Livro II (Euterpe)

É em sua totalidade dedicado ao Egito: antigüidade dos frígios; geografia egípcia, história do país, estudos sobre a geografia e o rio Nilo; faz um estudo comparado da religião egípcia, em relação à grega; animais sagrados (gatos, serpentes), sucessão de reis.

Livro III (Tália)

Trata das causas que levaram Cambises II a atacar o Egito. A campanha militar. Detalhes sobre o caráter soberbo e ímpio de Cambises. Sua morte e entronização de Dario I. Cambises, segundo Heródoto é etnocêntrico, quando ridiculariza as práticas religiosas egípcias.

Livro IV (Melpômene)

Segue a expansão persa: Cítia. Digressões acerca dos citas. Campanha contra os citas. Campanha contra a Líbia. É dedicado a uma musa . ɶleni).

Livro V (Terpsícore)

O avanço persa contra a Grécia. Operações contra a Macedônia e Trácia. Sublevação jônica. Aristágoras de Mileto pede ajuda a Esparta e Atenas, o que serve de mote para que o autor desenvolva a História das duas cidades.

Livro VI (Erato)

A Guerra Médica. Incursão persa na Macedônia. História contemporânea de Esparta e Atenas. Desembarque persa na Ática. Batalha de Maratona. Assuntos da política interna em Atenas. Alcmeônidas e Milcíades.Saga de Címon na maratona .

Livro VII (Polímnia)

Precipitação dos acontecimentos. As digressões possuem uma estreita relação estrutural com o núcleo do relato. Traz a morte de Dario, Xerxes I ocupa o controle do império persa e decide invadir a Grécia. Descrição da gigantesca expedição, a passagem do Helesponto e o desenrolar das operações bélicas. Preparativos para a resistência grega. Batalha das Termópilas.

Livro VIII (Urânia)

Batalha do cabo Artemísio. Ocupação e destruição de Atenas. A população e a frota atenienses se refugiam na ilha de Salamina. Batalha de Salamina. Retirada de Xerxes.

Livro IX (Calíope)

Batalhas de Plátea e Micala. Trágicos amores de Xerxes. Tomada de Sesto pelos atenienses. Opinião de Ciro sobre os riscos do expansionismo.

Encerramento

O final das Histórias é problemático. A questão fundamental é se a obra está inacabada ou se Heródoto chegou até o final cronológico que, em sua opinião, poria fim à guerra. Na obra, além disso, há promessas inconclusas (como onde diz que falará dos assírios), que se podem debitar à falta de uma última revisão. É provável que o autor tivesse trabalhado durante muito tempo na obra, com vários planos (umas línguas dispersas, uma História da Pérsia, as Guerras Médicas) e em várias etapas compositivas.

Metodologia

Um aspecto fundamental na hora de se estudar a metodologia em Heródoto é o tratamento das fontes:

1. Como elemento primário para a obtenção de dados, costuma basear-se em suas observações pessoais (ὄψις) articuladas de acordo com o procedimento dos logógrafos (os primeiros escritores gregos), com introdução de um elemento ternário: a descrição geográfica de um país, descrição dos costumes dos moradores e atenção aos aspectos mais surpreendentes (τὰ θωμάσια). Bom exemplo destas passagens que compõem a ὄψις (aspecto), são os λόγοι ("relatos"), que facilitam as informações que, em geral, a crítica moderna tende em comprovar. Em qualquer caso, deve destacar-se sua sinceridade, pois nunca pretende ter visto além do que realmente viu.

2. Um segundo meio, conhecido com o nome de ἱστορίη (investigação), se baseia na obtenção de dados a partir de fontes escritas, de importância capital na composição da obra. Podem destacar-se três grandes grupos: os Poetas (Homero, Hesíodo, Arquíloco, Esopo, Sólon, Safo, Simónides, Alceu, Píndaro, Esquilo, Anacreonte...), as fontes epigráficas (escritos em pedra, argila, etc. – e em certas ocasiões seu desconhecimento sobre as línguas não-gregas levam-no a interpretações singelas), os logógrafos (Hecateu de Mileto, principalmente).

3. A terceira fonte é a ἀκοή, os testemunhos orais. As Histórias de Heródoto são fundamentalmente baseadas na tradição oral (como ao falar de Tucídides, por exemplo). O comum é que faça alusão a estes testemunhos de modo indeterminado, usando expressões do tipo “segundo os persas...”, “uns dizem que...”, “outros sustentam...”, etc.

4. Finalmente, Heródoto completa sua metodologia com uma série de considerações que se agrupam sob o nome genérico de γνῶναι. São argumentações que servem para estabelecer relações de afinidade ou para aprofundar o exame crítico daquilo que está expondo.

É indubitável que se está nos começos do gênero histórico, o que explica o excesso de pontos pouco detalhados, argumentações inconsistentes e falha no rigor analítico. Por outra parte, o desconhecimento da estratégia e tática militares é evidente.

O pensamento de Heródoto

Heródoto representa sem dúvida o espírito antigo. Muito se tem insistido sobre seu paralelo (e amizade) com Sófocles, mas a dualidade teológica e humana que se encontra em sua obra possui maior semelhança com o trabalho de Ésquilo. A dupla motivação factual da tragédia neste autor (responsabilidade humana e causalidade divina), não é diferente da posição de Heródoto, para quem (I 32, 1) “a divindade é, em todos as ordens, invejosa e causa de perturbação”. Mas, ao mesmo tempo, aparece uma tendência que busca no homem mesmo a causa do seu destino. Tem-se um plano sobrenatural que põe em relevo a fragilidade do ser humano, que é “todo incerteza”. O destino, portanto, se converte numa força pré-moral que se impõe de maneira inexorável. Isto implica num pessimismo que é consubstanciado no pensamento grego. O ser humano se sente sujeito às instabilidades e é impotente (ἀμήχανος) ante os desígnios divinos. Sem dúvida, o aparente dogmatismo da φθόνος θεῶν (inveja dos deuses) não diminui a responsabilidade dos homens. Os castigos que este sofre são provocados diretamente na proporção da soberbia (ὕβρις) humana. Quando um homem se encontra numa posição de relevo que excede às suas possibilidades naturais, tente a incorrer em soberbia, e é culpado de crimes e sortilégios, que atentam contra a estabilidade ético-social. Para se precaver das hostilidades divinas o homem deve praticar a justiça, a piedade e a modéstia sem que, como ocorre em Sófocles, seja absolutamente seguro que isto baste para ter sucesso. É um posicionamento similar ao da tragédia, da lírica e da épica. Esta atitude de Heródoto, dirigida pela moderação, determina seu pensamento político: obrigado a exilar-se de sua pátria por um regime tirânico, abomina a tirania, cuja essência é a irresponsabilidade ante a lei e aos demais membros da comunidade; se mostra convencido dos benefícios que representa a liberdade, daí sua admiração por Atenas e justificação de seu apogeu. Liberdade face à subordinação – este é o diferencial entre gregos e bárbaros.

Citações

-"Esta é a mais dolorosa de todas as doenças humanas: dispor de todo o conhecimento e ainda não ter nenhum poder de ação."
-"Se um homem sempre insistisse em ser uma pessoa séria e nunca se permitisse um pouco de alegria e relaxamento, ele enlouqueceria ou se tornaria instável sem saber."
-"De todos os infortúnios que afligem a humanidade, o mais amargo é que temos de ter consciência de muito e controle de nada."
-"Onde é necessária a astúcia não há lugar para a força."
-"É sem dúvida mais fácil enganar uma multidão do que um só homem."
-"Os arqueiros curvam seus arcos quando querem atirar e os afrouxam quando o alvo é atingido. Se os arcos fossem mantidos sempre retesados, quebrariam e falhariam quando o arqueiro precisasse dele. Assim é com os homens. Se constantemente se dedicarem a um trabalho sério e jamais relaxarem um pouco com um passatempo ou uum esporte, perdem o bom senso e enlouquecem."
-"Na paz, os filhos enterram os pais; na guerra, os pais enterram os filhos."
-"É melhor ser invejado do que lastimado."
-"Ficou evidente para todos,e não menos para o próprio Xerxes, que havia muita gente com ele, mas poucos homens de verdade." [Sobre a batalha de Termópilas - Revista Superinteressante nº 238].

Traduções das Histórias

Há em português uma tradução brasileira feita por Mário da Gama Kury, pela Editora da UnB. Também há tradução portuguesa de alguns livros das Histórias pela editora Edições 70. Ambas são feitas a partir do original grego.

Referências:

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Biografia de Vasily Dokuchaev


Dokuchaev
(Vasily Vasili'evich Dokuchaev). (Василий Васильевич Докучаев). Nasceu em 1º de Março de 1846, e, faleceu a 08 de Novembro de 1903. Dukuchaev foi um geógrafo russo, creditado por estabelecer as bases das ciências do solo e da ciência da paisagem, que seria mais tarde chamada por Sochava de Estudo de Geossistemas.



Visão geral

 


Vasily Vasil'evich Dokuchaev é geralmente considerado o pai da pedologia, o estudo dos solos no seu ambiente natural. Ele desenvolveu a ciência do solo na Rússia, e foi, talvez, a primeira pessoa a fazer grandes investigações geográficas de diferentes tipos de solo. Ele introduziu a ideia de que as variações geográficas nos tipos de solo podem ser explicadas não só em relação a fatores geológicos (material de origem), mas também a fatores climáticos e topográficos, e o tempo disponível para a pedogênese (formação de solo) para operar. Utilizando estas ideias como base, ele criou a primeira classificação de solos. Suas ideias foram rapidamente tomadas por um bom número de cientistas do solo, incluindo Hans Jenny. Ele trabalhou em ciências do solo, e desenvolveu um sistema de classificação que descreve cinco fatores para a formação do solo. Ele chegou a sua teoria após extensivos estudos de campo em solos russos em 1883. Sua obra mais famosa é Russian Chernozem (1883). Uma cratera em Marte foi nomeada em sua homenagem. Um de seus trabalhos mais relevantes foi o “Princípio da Análise Integral do Território” que orientou em grande parte as investigações e serviu de diretriz para a solução de vários problemas teóricos, metodológicos e práticos do estudo da geografia na Rússia. Exaustiva relevância cobra sua introdução do conceito geográfico do solo, que se distancia do sentido que lhe outorgam geólogos e engenheiros por considerá-lo como um sistema natural complexo, totalmente distinto a um estrato geológico, produto síntese da geografia na qual se encontra intimamente ligado aos seus fatores, que passam a serem considerados por Dokuchaev como fatores de formação. Também desenvolveu um sistema de classificação que descreve cinco fatores para a formação do solo. Ele chegou à sua teoria depois de extensos estudos de campo nos solos russos em 1883. Seu trabalho mais conhecido é o Chernossolo Russo (1883). Ensinou em São Petersburgo. Foi enviado a estudar os solos russos, por demanda da "Sociedade Econômica Livre Imperial de São Petersburgo", que se preocupava com as desastrosas consequências, para a agricultura, das severas “secas” dos anos 1873 a 1875. Particularmente na Rússia, observou que os solos estavam ligados, na sua natureza e distribuição, aos seguintes fatores: clima, rocha subjacente, relevo, tempo, agentes biológicos (vegetação, animais do solo).


Chernossolo


Chernossolo é um tipo de solo mineral, caracterizado pela cor escura, argila de alta atividade e alta saturação de bases. Está entre as classes de solos mais férteis e agricultáveis. Esta denominação foi introduzida no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos em 1998 quando este foi alterado. No sistema de classificação usado até então, os Chernossolos enquadravam-se nas classes Brunizens, Solos Brunos e Rendzinas. Os Chernossolos correspondem em parte aos Mollisols do Sistema Norte-americano de Classificação de Solos e aos Chernozems do Sistema de Classificação de Solos da FAO. É um tipo de solo classificado em função do horizonte A, diferentemente da maioria dos solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos que são classificados em função dos horizontes sub-superficiais.


Possuem as seguintes características:


  • constituído por material mineral, com teor de matéria orgânica insuficiente para ser classificado como Organossolo;
  • argila com elevada atividade (Ta), na prática, este solo apresenta rachaduras;
  • alta saturação por bases (alto V%), geralmente > 70%;
  • ausência de Al+++;
  • pouco coloridos, escuros;
  • horizonte A chernozênico sobrejacente a B textural (Bt), B incipiente (Bi), B nítico, ou a um horizonte C cálcico ou C carbonático;
  • pH desde moderadamente ácido a fortemente alcalino.


Podem estar associados a material de origem calcário, embora possam estar associados a outras rochas que possam permitir a formação de solo com alto teor de cátions de reação alcalina (principalmente cálcio e magnésio).

Ocorrência


No Brasil são pouco frequentes, ocorrendo principalmente:


  • no interior do nordeste, favorecido pela baixa pluviosidade, entre outros fatores. Seu uso agrícola está limitado pela deficiência de água;
  • no sul do Brasil, em função do basalto e do clima moderado. O uso é limitado pela presença de pedras e pela topografia, em pequenas áreas entremeado geralmente por Cambissolos e Neossolos;
  • em regiões de rocha calcária.


São frequentes no pampa argentino, nas pradarias do meio oeste dos EUA, na Ucrânia, na Rússia, entre outros.



Referências


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Biografia de Al-Khwarizmi


Al-Khwarizmi
Al-Khwarizmi. (Abū ‘Abd Allāh Muhammad ibn Mūsā al-Khwārizmī) (árabe: أبو عبد الله محمد بن موسى الخوارزمي). Nasceum em Khwārizm, c. 780, e, faleceu em Bagdad, c. 850. Al-Khwarizmi foi um matemático, astrônomo, astrólogo, geógrafo e autor persa. Conhecem-se poucos detalhes de sua vida. Era um erudito na Casa da Sabedoria em Bagdade. Seu Kitab al-Jabr wa-l-Muqabala apresentou a primeira solução sistemática das equações lineares e quadráticas. É considerado o fundador da Álgebra, um crédito que compartilha com Diofante. No século XII, traduções para o latim de sua obra sobre numerais indianos apresentou a notação posicional decimal para o Mundo Ocidental. Revisou a geografia de Ptolomeu e escreveu sobre astronomia e astrologia. Suas contribuições tiveram um grande impacto sobre a linguagem. "Álgebra" é derivado de al-jabr, uma das duas operações que ele usou para resolver equações quadráticas. O radical de algarismo e algoritmo vem de algoritmi, a forma latina de seu nome. Além do português algarismo, seu nome também deu origem ao espanhol guarismo.


Vida

Al-Khwarizmi nasceu em Khawarizm (Khiva), no sul da cidade do rio Oxus no Uzbequistão atual, seus pais migraram para um lugar ao sul de Bagdá quando era criança, a data exata de seu nascimento não é conhecida. Viveu na época do califa abássida al Ma'mum, no século IX, sabe-se que ele morreu em 846, trabalhou na biblioteca formada por Harun al-Rashid pai de Al Ma'mun, denominada Casa da Sabedoria, na qual foram reunidas todas as obras científicas da antiguidade.


Obra

Estátua de al-Khwarizmi em frente à Faculdade de Matemática da Universidade de Tecnologia de Amirkabir em Teerã, no Irã.
Era a época das grandes traduções para o Árabe das ciências gregas, hindus, persas, etc. Seu livro que eternizou seu nome é o Al-Kitāb al-muḫtaṣar fī ḥisāb al-ğabr wa-l-muqābala ("livro do cálculo Algébrico e confrontação"), que não somente deu o nome de Álgebra a esta ciência, em seu significado moderno, mas abriu uma nova era da matemática. Al Khawarizmi estabeleceu seis tipos de equações algébricas que ele mesmo solucionou em seu livro, o nome de Al Khawarizmi, em espanhol guarismo, que ao passar para o francês se tornou logarithme, deu origem ao termo moderno Logaritmos. Al Khawarizmi foi o primeiro a escrever sobre a álgebra, depois dele veio Abu Kamil Shuja Ibn Aslam, muitos outros seguiram seus passos, seu livro sobre os seis problemas de álgebra é um dos melhores sobre este assunto, muitos autores da Andaluzia fizeram bons comentários sobre o seu livro, sendo um dos melhores exemplos o de Al Qurashi. Enfim, grandes matemáticos do oriente muçulmano aumentaram o número de equações de seis para vinte, para todas acharam soluções fundadas em sólidas demonstrações geométricas. A incógnita nas equações algébricas era denominada pelos matemáticos muçulmanos como xay (coisa), notadamente na álgebra de Ômar Khayyam, que ao ser transcrita xay pelos espanhóis, deu origem ao X da álgebra moderna. Outra obra de Al Khawarizmi que exerceu grande influência é a introdução do cálculo hindu no mundo islâmico, o que posteriormente foi ampliado e aprofundado por outros matemáticos muçulmanos que o seguiram. Devem-se também a Al Khawarizmi um tratado de geometria, tábuas astronômicas e outros trabalhos em geografia, como o seu livro Suratul Ardh (Imagem da Terra). Al Khawarizmi foi um dos astrônomos que participaram da operação Geodésica mais delicada de sua época; a medição do comprimento de um grau terrestre, isso já no século IX, o objetivo era determinar, na suposição de que a terra era redonda, o tamanho desta e sua circunferência. A operação realizada na planície ao norte do Eufrates e também perto de Palmira, indicou 91.176 metros como comprimento de um grau do meridiano, um resultado extremamente acurado, pois excede o comprimento real do grau nesse lugar de apenas 877 metros, ele foi e sempre será uma das maiores capacidades científicas do Islam.




Kitab al-Mukhtasar fi Hissab al Jabr wa-l-Muqabala


Primeira página de Kitāb al-mukhtaṣar fī ḥisāb al-jabr wa-l-muqābala.
O Livro da Restauração e do Balanceamento de nome completo Livro Compêndio sobre Cálculo por Restauração e Balanceamento (em árabe: الكتاب المختصر في حساب الجبر والمقابلة; transliteração: al-Kitāb al-mukhtaṣar fī ḥisāb al-jabr wa-l-muqābala) é um livro histórico de matemáticas escrito em árabe entre 813 e 833 d.C. pelo matemático e astrônomo muçulmano al-Khwarizmi, pertencente à Casa da Sabedoria de Bagdade, capital do califado abássida nesse tempo. Nesta obra, al-Khwarizmi expõe os alicerces da álgebra, sendo o primeiro a estudar sistematicamente a resolução de equações lineares e quadráticas. A palavra álgebra deriva de uma das operações básicas com equações (al-ğabr) descritas neste livro.


Relevância e análise


Al-Khorezm e Ata-Darwazi (portão ocidental) de Old-Khiva (Usbequistão).
Ao não citar nenhum autor anterior, não é claro que trabalhos prévios foram usados por al-Khwarizmi. Os historiadores das matemáticas pronunciam-se baseados na análise textual do livro assim como no corpo de conhecimentos geral do mundo muçulmano contemporâneo. Mais certeiras são as ligações com a matemática indiana, dado que al-Khwarizmi é autor de outro livro intitulado Kitāb al-Jamʿ wa-l-tafrīq bi-ḥisāb al-Hind, literalmente: "O livro da adição e sustração segundo o cálculo indiano", no que discute o sistema de numeração indo-arábigo. O livro é um compêndio e uma extensão das regras conhecidas de resolução de equações quadráticas e outros problemas. Foi introduzido no Mundo Ocidental graças à tradução para o latim de Roberto de Chester (mediados do s. XII) titulada Liber Algebrae Almucabola, e deu origem, em diversas línguas, às palavras álgebra (derivado de al-jabr) e algoritmo (derivado de al-Khwarizmi). O Compêndio teve grande influência durante muitos séculos. Esta influência é devida essencialmente à apresentação e à organização do livro, pois nele se expõem de modo claro e preciso um conjunto de métodos de resolução das equações quadráticas.


Pela primeira vez, ficam reunidos numa mesma obra um conjunto de elementos (definições, operações, algoritmos, demonstrações) que estavam até então quer dispersados e sem relação entre eles, quer não formulados explicitamente, e independentes das questões tratadas.


Conteúdo


Seguindo a tradição da época, a Introdução começa com louvores a Deus, ao Profeta e ao Califa al-Mamun. De seguida, al-Khwarizmi apresenta o conjunto da obra, indicando que lhe foi comandado pelo Califa: trata-se de um compêndio ou manual, destinado a "fazer mais claro o que era obscuro e (...) facilitar o que era difícil" com o objeto de resolver problemas concretos de cômputo de heranças, medida da terra ou comércio. Num primeiro tempo, o autor expõe o sistema de numeração decimal de números, e a seguir define os objetos da álgebra. Considera três tipos de objetos: os números (escritos com palavras, designados com o nome da unidade monetária dirham), as raízes (o qual atualmente se escreveria como x) e os quadrados (o qual atualmente se escreveria x2). Al-Khwarizmi classifica as equações quadráticas em seis tipos básicos e proporciona métodos algébricos e geométricos para resolver as mais simples, sem usar notações abstratas: "a álgebra de al-Khwarizmi é apenas retórica, sem qualquer dos recursos que se encontram na Arithmetica grega de Diofanto ou nos trabalhos de Brahmagupta. Até mesmo os números estão escritos com palavras em lugar de símbolos!" Os seis tipos, em notação moderna, são:

  1. quadrados igual a raízes (ax2=bx)
  2. quadrados igual a números (ax2=c)
  3. raízes igual a números (bx =c)
  4. quadrados e raízes igual a números (ax2 + bx =c)
  5. quadrados e números igual a raízes (ax2 + c =bx)
  6. raízes e números igual a quadrados (bx + c =ax2)

Os matemáticos muçulmanos, ao contrário dos hindus, não consideravam números negativos, daqui que as equações do tipo bx + c =0 não apareçam na classificação, pois não possuem soluções positivas se todos os coeficientes for positivos. Analogamente, os tipos 4, 5 e 6, que numa perspectiva moderna parecem equivalentes, eram diferentes dado que os coeficientes deviam ser todos positivos. A operação al-jabr (em escrita árabe: 'الجبر'), que significa "restauração", consiste em passar uma quantidade deficitária de um lado da equação para o outro. Num dos exemplos de al-Khwarizmi (em notação moderna), "x2=40x − 4x2" é transformado por al-jabr em "5x2=40x". A aplicação repetida desta regra elimina as quantidades negativas dos cálculos. Al-Muqabala (em escrita árabe: 'المقابله'), entende-se como "balanceio" ou "comparação"; consiste na subtração da mesma quantidade positiva de ambos os lados: "x2 + 5=40x + 4x2" torna-se "5=40x + 3x2". Aplicações sucessivas desta regra logra que as quantidades de cada tipo ("quadrado"/"raiz"/"número") apareçam na equação no máximo uma vez, o que demonstra que, ao serem restritas a coeficientes e soluções positivas, só existem seis tipos diferentes solúveis do problema. A última parte do livro discute exemplos práticos de aplicação destas regras, problemas aplicados à medida de áreas e volumes e problemas que envolvem cômputos de direito muçulmano de sucessão. Nenhum destes capítulos requer de conhecimentos sobre resolução de equações quadráticas.


Tradução e legado

Os sucessores de al-Khwarizmi perpetuaram e amplificaram o tratado em outras obras por vezes com o mesmo título, traduzido por Gerardo de Cremona no século XII. Apenas fica uma cópia em árabe. Encontra-se na Universidade de Oxford e está datada de 1361. Em 1831, Frederic Rosen publica uma tradução para o inglês baseado neste manuscrito. No prefácio, adverte que a escrita é "simples e legível", mas que os signos diacríticos árabes foram omitidos, pelo qual a compreensão de certas passagens se torna difícil. O título oferece dificuldade na tradução. Algumas enciclopédias recolhem al-jabr como sinônimo de redução. Dahan-Dalmédico e Pfeiffer, pela sua vez, escrevem "manual de cálculo de al-jabr e al-muqabala".


Notas de R. Rashed e Angela Armstrong:

"O texto de al-Khwarizmi pode ser visto não somente como diferente das tabelas babilônicas, mas também da Arithmetica de Diofanto. Não é apenas uma série de "problemas" por resolver, mas uma "exposição" que começa com termos primitivos nos quais as combinações dão todos os possíveis protótipos de equações, que em diante constituem explicitamente o verdadeiro objeto de estudo. Por outro lado, a ideia de uma equação em si mesma, aparece desde o princípio e, poderia dizer-se, de modo genérico, que não emergem simplesmente durante a solução de um problema, mas é solicitada explicitamente para definir uma classe infinita de problemas."


Notas de J. J. O'Connor e E. F. Robertson:


"Talvez um dos avanços mais significativos conseguidos pelos matemáticos árabes começou neste tempo com o trabalho de al-Khwarizmi, netamente os começos da álgebra. É importante entender o significativo que foi esta ideia. Foi revolucionária, longe do conceito grego das matemáticas, que era essencialmente geométrico. A álgebra foi uma teoria unificadora que permitiu que os números racionais, os números irracionais e as magnitudes geométricas fossem todas tratadas como "objetos algebraicos". Deu-lhe às matemáticas uma via de desenvolvimento completamente nova, conceitualmente muito mais ampla que a que existia então, e proporcionou um veículo para futuros desenvolvimentos. Outro aspecto importante da introdução das ideias algébricas é que permitiu aplicar as matemáticas por si mesmas de um jeito que não fora possível anteriormente."

Referências