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| Ptolomeu (pic: Stahlkocher). |
Cláudio Ptolemeu ou apenas Ptolemeu ou Ptolomeu (em latim: Claudius Ptolemaeus; em grego: Κλαύδιος Πτολεμαῖος; transliteração: Klaúdios Ptolemaios; 90 – 168). Ptolomeu foi um cientista grego que viveu em Alexandria, uma cidade do Egito. Ele é reconhecido pelos seus trabalhos em matemática, astrologia, astronomia, geografia e cartografia. Realizou também trabalhos importantes em óptica e teoria musical. Na época de Ptolomeu, a diferença entre astronomia e astrologia não
era muito clara e, portanto, os estudos tendiam a mesclar ciência e
misticismo. Na concepção atual, por outro lado, a astronomia, uma
ciência, é estudada de forma completamente distinta da astrologia, uma
crença. O grande mérito de Ptolomeu foi, baseando-se no sistema de mundo de Aristóteles,
fazer um sistema geométrico-numérico, de acordo com as tabelas de
observações babilônicas, para descrever os movimentos do céu.
Biografia
Ptolemeu nasceu em Ptolemaida Hérmia, no Egito, e tornou-se um ilustre discípulo da Escola de Alexandria. Existem dúvidas sobre o ano em que ele nasceu, com a data variando desde 10 até, segundo Luca Gáurico, o ano 747; mas as melhores estimativas são que ele nasceu por volta do ano 70, e floresceu durante os governos dos imperadores romanos Adriano e Antonino Pio.
Astronomia e astrologia
A sua obra mais conhecida é o Almagesto (que significa "O grande tratado"), um tratado de astronomia. Esta obra, a síntese dos trabalhos e observações de Aristóteles, Hiparco de Niceia, Posidônio e outros, é uma das mais importantes e influentes da Antiguidade Clássica, são treze volumes com tabelas de observações de estrelas e planetas e com um grande modelo geométrico do sistema solar, baseado na cosmologia aristotélica. Nela está descrito todo o conhecimento astronômico babilônico e grego e nela se basearam as astronomias árabes, indianas e europeias até o aparecimento da teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico. No Almagesto, Ptolomeu apresenta um sistema cosmológico geocêntrico, isto é, a Terra está no centro do Universo e os outros corpos celestes, planetas e estrelas, descrevem órbitas ao seu redor. Estas órbitas eram relativamente complicadas resultando de um sistema de epiciclos,
ou seja círculos com centro em outros círculos. Ptolomeu foi
considerado o "primeiro cientista celeste". No entanto, Ptolomeu foi
duramente criticado por alguns cientistas, como Tycho Brahe e Isaac Newton, sendo acusado de não ter realizado nenhuma observação astronômica, mas apenas plagiado dados de Hiparco, entre outras acusações. Apesar da destruição da Biblioteca de Alexandria, o Almagesto foi preservado, assim como outros textos da Grécia antiga, por meio de manuscritos arábicos, e foi encontrado no Irã em 765 Segundo J. M. Ashman, que traduziu o Tetrabiblos em 1822, o Almagesto foi traduzido para o árabe em 827. Gerardo de Cremona (1114–1187) traduziu para o latim uma cópia do Almagesto deixada pelos árabes em Toledo, na Espanha. É no trabalho de Ptolomeu, citando o trabalho de Hiparco, que aparecem as 48 constelações que ficaram conhecidas como as Constelações Clássicas. Todas elas, menos uma, ainda são parte da lista atual de constelações oficiais da União Astronômica Internacional. A representação geométrica do sistema solar de Ptolomeu, com círculos, epiciclos e equantes permitia predizer o movimento dos planetas com considerável precisão e foi utilizada até o Renascimento no século XVI. Apesar disso, o geocentrismo foi uma ideia dominante na astronomia durante toda a Antiguidade e Idade Média.
Ptolomeu explicou o movimento dos planetas através de uma combinação de
círculos: o planeta se move ao longo de um pequeno círculo chamado
epiciclo, cujo centro se move em um círculo maior chamado deferente.
A Terra ficaria numa posição um pouco afastada do centro do deferente
(portanto, o deferente é um círculo excêntrico em relação à Terra). Até
aqui, o modelo de Ptolomeu não diferia do modelo usado por Hiparco
aproximadamente 250 anos antes. A novidade introduzida por Ptolomeu foi o
equante, que é um ponto ao lado do centro do deferente oposto em
relação à Terra, em relação ao qual o centro do epiciclo se move a uma
taxa uniforme, e que tinha o objetivo de dar conta do movimento não
uniforme dos planetas. O objetivo de Ptolomeu era o de produzir um
modelo que permitisse prever a posição dos planetas de forma correta e,
nesse ponto, ele foi razoavelmente bem sucedido. Por essa razão, esse
modelo continuou sendo usado sem mudança substancial por cerca de 1300
anos. No sistema ptolomaico, centrado na Terra, a pequena esfera chamada
epiciclo que contem o planeta vai girando associada a uma esfera
rotativa maior, produzindo um movimento retrógrado aparente sobre o
plano de fundo das estrelas longínquas. O estudo dos céus levou Ptolomeu a afirmar: "Como mortal que sou, sei que nasci por um dia. Mas, quando sigo à
minha vontade a densa multidão de estrelas no seu curso circular, os
meus pés deixam de tocar a Terra" [...] - Ptolomeu. Na área da astrologia, Ptolomeu desenvolveu o Tetrabiblos, um dos mais importantes livros de astrologia que sobreviveram da Antiguidade. O texto foi baseado em escritos e documentos mais antigos babilônicos, egípcios e gregos. Ptolomeu acreditava não só que os padrões de comportamento eram
influenciados pelos planetas e pelas estrelas, mas também que as
questões de estatura, tez, nacionalidade e até as deformações físicas
congênitas eram determinadas pelas estrelas.
Almagesto
Almagesto é um tratado matemático e astronômico
escrito no século II por Cláudio Ptolomeu. A obra, escrita em grego, adota o modelo geocêntrico para o sistema solar, além de conter um extenso catálogo estelar. É um dos textos científicos mais influentes de todos os tempos, tendo
sido autoridade no assunto desde a antiguidade, no império bizantino,
no mundo árabe e na Europa ocidental ao longo da idade Média e
Renascença até o século XVI, quando o surgiu o heliocentrismo de Nicolau Copérnico. Além de ser a principal fonte de informação sobre a astronomia da
Grécia antiga, também é valiosa fonte de informação da obra do
matemático grego Hiparco, a qual se perdeu. A obra tornou-se conhecida pelo título grego Ἡ Μεγάλη Σύνταξις (Hē Megálē Sýntaxis) , "A Grande Coleção". Os árabes passaram a designá-lo pelo superlativo daquele adjetivo: μεγίστη (megístē), "máxima", donde a corruptela al-majisṭī (المجسطي), que gerou a palavra Almagesto, pela qual o tratado passou a ser identificado.
| Uma edição em Latim do Almagesto (1515). |
Descrição da obra
Ptolomeu baseou o seu trabalho no catálogo estelar realizado anteriormente por Hiparco de Niceia.
Dado que o catálogo estelar de Hiparco está perdido, é impossível
saber até que ponto ambos catálogos eram semelhantes. No Almagesto,
Ptolomeu apresentou a descrição das 48 constelações
clássicas e criou um refinado sistema para explicar os movimentos
aparentes dos planetas em um sistema geocêntrico em que o Sol, a
Lua e os planetas giravam em torno da Terra em círculos
epicíclicos. O Almagesto consiste de 13 volumes.
1. O primeiro livro expõe o sistema geocêntrico.
2. O segundo livro a periodicidade dos equinócios e a longitude do ano.
3. O terceiro livro discute os solstícios e equinócios.
4. O quarto livro expõe estudos da Lua e define o mês sinódico.
5. O quinto livro trata da correção da paralaxe das posições do Sol e da Lua.
6. O sexto livro expõe uma medida do diâmetro aparente do Sol e da Lua mostrando um método de predição de eclipses.
7-8. No sétimo e oitavo livro mostra-se como as posições
relativas entre as estrelas são fixas. O oitavo livro consiste de um
catálogo das estrelas austrais conhecidas por ele.
9-13. Finalmente, nos últimos cinco livros mostra-se o método
de Ptolomeu para calcular as posições e trajetórias dos planetas,
expondo em detalhes o sistema de epiciclos.
Seu famoso epigrama
- "Eu o sei, sou mortal e não duro senão um dia. Mas se minha mente
observa os serpenteantes caminhos das estrelas, então meus pés já
não pisam a Terra, vou à presença do próprio Zeus me fartar de
ambrosia, o divino manjar".
Relevância histórica
O livro original de Ptolomeu foi escrito em grego e se intitulava Hè Megalè Syntaxis. Contudo, realmente é um tratado de astronomia, foi nomeado assim porque, até então, a tal ciência era um ramo da
matemática. A primeiras traduções desta obra para o árabe foram
realizadas em torno do século IX, patrocinadas pelo califa Al-Ma'mun. Os árabes lhe deram o nome de Al-Majisti, O Maior, (que combina o artigo árabe com o adjetivo grego mégiston), e assim derivou o nome final pelo qual seria conhecido mais tarde. Nesta época, a obra estava praticamente esquecida na Europa, exceto por vagas referências em diversas obras astrológicas. O Ocidente redescobriu o Almagesto através das versões árabes. No século XII foi feita uma tradução para o espanhol. Uma tradução para o latim do original árabe foi realizada por Gerardo de Cremona em 1175, baseando-se em um texto encontrado em Toledo, Espanha. Esta tradução introduziu definitivamente o Almagesto na tradição científica europeia. Gerardo de Cremona não conseguiu traduzir alguns dos termos técnicos, e, inclusive, manteve o nome árabe de
Abrachir para Hiparco de Niceia.
Dado que a Europa conheceu este trabalho através dos árabes, muitos dos nomes clássicos das estrelas provêm dos nomes árabes
registrados nesta obra, embora com inúmeras alterações. Depois escreveu também, uma outra versão em latim sob o patrocínio do imperador Frederico II. As teorias astronômicas contidas neste tratado, ainda que
incorretas, estiveram vigentes durante quatorze séculos, influenciando o pensamento astronômico e científico até o início do século XVI com a chegada do sistema heliocêntrico e a revolução científica.
Geografia
A sua obra mais extensa é "Geographia"
que, em oito volumes, contém todo o conhecimento geográfico
greco-romano. Esta inclui coordenadas de latitude e longitude para os
lugares mais importantes. Naturalmente, os dados da época tinham
bastante erro e o mapa que esta apresentado está bastante deformado,
sobretudo nas zonas exteriores ao Império Romano. Ptolomeu inventou a projeção cônica equidistante meridiana, na qual distâncias ao longo dos meridianos e ao longo de um paralelo
central são representadas em uma escala constante, os paralelos são
representados como círculos e os meridianos como retas.
Óptica
Ptolomeu é também autor do tratado "Óptica", um conjunto de cinco volumes sobre este tema, em que estuda reflexão, refração, cor, e espelhos de diferentes formas.
Música
Escreveu também "Harmônica", ou Teoria do Som, um tratado sobre teoria matemática da música, neste tratado escreveu
sobre como notas musicais podem ser traduzidas em equações matemáticas e
vice-versa.
Referências



