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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Fagocitose

O processo de fagocitose. (Imagem: Raffmarra).
Fagocitose é o englobamento e digestão de partículas sólidas e micro-organismos por fagócitos ou células ameboides. Consiste também em processo de alimentação de muitos protozoários unicelulares - onde a partícula englobada pela célula, através da expansão da membrana plasmática, é envolvida num vacúolo digestivo, a partir do qual a matéria digerida passa depois para o citoplasma. No seres humanos a fagocitose esta ligada diretamente ao processo imunológico. Na corrente sanguínea ocorre quando o sistema imunológico identifica um corpo estranho que será englobado e digerido pelos leucócitos. Um grande aumento de leucócitos no sangue indica processo infeccioso. A ingestão das partículas de alimento pode ser realizada por pseudópodes, como nos organismos amebóides, ou a própria célula pode ter um citostoma (o mesmo que "boca celular"), como os ciliados, por onde entram as partículas de alimento. A ultrafagocitose é um fagocitose de estruturas de dimensões submicroscópicas, como micelas coloidais.

Ilustração demonstrando uma fagocitose. (Imagem: pt:Usuário:RodrigoNishino).

É um dos meios de pinocitose que utilizam para sua defesa algumas células dos organismos pluricelulares. Em organismos multicelulares, este processo o levam a cabo células especializadas, quase sempre com a finalidade de defender o conjunto do organismo diante a potenciais invasores nocivos. Em muitos organismos superiores, a fagocitose é tanto um meio de defesa diante a micro-organismos invasores como da eliminação (e inclusive a reciclagem) de tecidos mortos. Pode tratar-se de um antígeno, célula apoptótica, restos celulares, micro-organismos e substâncias de um tamanho geralmente maior a 0,5nm.

Etapas da fagocitose no sistema imunológico

Quimiotaxia

Se inicia com a aderência de células ao endotélio vascular. As células vão ao local da ameaça. Estas são células especializadas, que podem ser macrófagos ou linfócitos. Os mesmos serão estimulados a produzirem citocinas (IL-1, TNF, IFN). É tudo o que se encontra aqui ativado pelas citocinas, através de uniões moleculares de baixa afinidade entre receptores no leucócito e selectinas sobre a superfície endotelial (selectina E e selectina P, por exemplo). O fluxo sanguíneo laminar empurra os leucócitos assim aderidos na direção da corrente sanguínea. O fagócito se desliga das interações corrente-acima e seus ligantes de membrana se unem a novas selectinas corrente-abaixo. O resultado é um movimento líquido ao longo da superfície endotelial. Outras moléculas que participam nesta movimentação são as moléculas de adesão vascular (VCAM-1) presentes no endotélio, cujos ligantes correspondentes mostram preferência pelos linfócitos T e eosinófilos. Num ponto específico, determinado pela presença e ativação de quimiocinas, os fagócitos mobilizados estabelecem interações intercelulares de grande afinidade com o endotélio por meio de integrinas e outros ligantes endoteliais. Em especial as moléculas endoteliais LFA-a, CR3 e VLA-4 se aderem a ligantes específicos sobre os fagócitos, entre eles VCAM-1 e ICAM-1. A expressão destes ligantes sobre a superfície do fagócito é regulada por proteínas inflamatórias, como o TNF (Factores de necrose tumoral [sigla em inglês: TNF] refere-se a um grupo de citocinas capaz de provocar a morte de células (apoptose) tumorais e que possuem uma vasta gama de ações pró-inflamatórias) e a IL-1 (interleucina cuja função principal é aumentar a produção de defensinas pelo epitélio). É neste ponto de mobilização lenta quando os fagócitos, atraídos por gradientes de concentração das quimiocinas, atravessam o epitélio vascular até o foco de infecção patógena.

Aderência

Outros receptores sobre a membrana dos leucócitos e outros fagócitos atuam como mecanismos de aderência sobre os micro-organismos, seja a produtos microbianos específicos ou sobre opsoninas do sistema imune do hospedador.
  • Receptor de manose. Este receptor tem afinidade pelos componentes de manose presentes nas glicoproteínas e glicolípidos das paredes celulares microbianos.
  • Scavenger. Estes receptores se unem diretamente a micro-organismos e a moléculas de LDL (lipoproteína de baixa densidade) modificadas.
  • CD14 (Grupamento de diferenciação ou cluster de diferenciação 14 é um gene humano). É um ligante com preferência específica ao lipopolissacarídeo presente em certas bactérias e está associado a um receptor tipo Toll.
  • Transmembrana de 7 hélices alfa. É um receptor recentemente descoberto, cuja função está associada a senais de quimiocinas e certos péptidos microbianos.
  • Receptores para os fragmentos Fc dos anticorpos opsônicos IgG2 e IgG3.

 

Ingestão

A união a receptores de aderência promove sinais de comunicação intracelular que resultam na evaginação da membrana do fagócito rodeando ao receptor e seu ligante patogênico. Ao rodear por completo o complexo receptor: molécula, a membrana se une em seus extremos e libera ao interior da célula um fagossoma. Isto pode ocorrer em mais de um ponto da membrana celular.

Digestão

Uma vez que o fagossoma esta no citoplasma começa a desintegração do mesmo, processo que se realiza por mecanismos dependentes ou independentes de oxigênio. O primeiro se dá após ativar-se rotas metabólicas que consomem oxigênio, o qual produz a liberação de radicais livres de oxigênio, que são tóxicos para os micro-organismos. No segundo caso e onde intervém os lisossomas, os quais se unem ao fagossoma formando um fagolisossoma, e liberando enzimas hidrolíticas que destruirão ao antígeno.

Excreção

No processo de digestão está uma vesícula que contém resíduos (ou o mesmo antígeno, já que nem sempre pode ser desintegrado), pelo que deve estar fora da célula para não trazer futuros inconvenientes. A forma de desfazer-se destes resíduos é mediante a exocitose.
Um exemplo disto se dá quando esputamos ou tossimos, dado que o que estamos fazendo na verdade é nos livrando de células que contém um antígeno que não pode degradar. Tais células são os macrófagos alveolares, que ao entrar numa partícula exógena e não poder degradá-la se torna numa ameaça para o organismo, por isso é conveniente desfazer-se dela em alguns casos não muito estrictos. É a tradução de partículas como: bactérias, vírus, resíduos, etc...

Referências


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Biografia de Ilya Ilyich Mechnikov


Ilya Mechnikov
Ilya Ilyich Mechnikov. Nasceu em Carcóvia, a 16 de Maio de 1845, e, faleceu em Paris, a 16 de Julho de 1916. Ilya Mechnikov foi um biólogo microbiologista e anatomista russo. Recebeu o prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1908, juntamente com Paul Ehrlich, pelos seus trabalhos sobre imunidade. Distinguiu-se pelos seus estudos em imunologia e especialmente no papel representado pelos leucócitos na fagocitose de bactérias. Filho de um oficial da Guarda Imperial e de mãe judia, foi educado em escolas de Kharkoff. Entrou para a Universidade de Kharkoff para estudar ciências naturais. Após se graduar (1865), esteve na Universidade de Giessen, Universidade de Göttingen, Academia de Belas Artes de Munique e Nápoles, onde preparou sua tese de doutorado em desenvolvimento embrionário. Retornou à Rússia como docente da recém-fundada Universidade de Odessa e da Universidade de São Petersburgo. Casou-se com sua primeira esposa Ludmilla Feodorovitch, que morreu cinco anos depois, de tuberculose (1873). Foi apontado professor titular de zoologia e anatomia comparativa da Universidade de Odessa (1870). Casou-se com Olga (1875) que sofreu grave ataque de febre tifóide (1880), que o levou a se dedicar a pesquisas sobre imunidade, a fim de salvar sua segunda esposa. Com o assassinato de Alexandre II, foi para Messina para continuação de suas pesquisas em um laboratório privado. Publicou em Odessa (1883) seu primeiro artigo científico em fagocitose. Deixou Odessa (1888) e foi para Paris trabalhar no Instituto Pasteur onde permaneceu pelo resto da sua vida, trabalhando especialmente em embriologia de invertebrados. Além do Nobel recebeu muitas distinções, entre elas D. Sc. honorário da Universidade de Cambridge, a Copley Medal of the Royal Society. Morreu em Paris após sucessivos ataques cardíacos.

Vida Pessoal

Mechnikov casou-se pela primeira vez com Ludmila Feodorovitch em 1863. Ela faleceu de tuberculose em 20 Abril de 1873. Sua morte, combinada com outros problemas, levaram Mechnikov a tentar o suicídio sem sucesso, tomando uma dose elevada de ópio. Ele se casou novamente em 1875, com Olga Belokopytova que morreu em 1944 em Paris de febre tifóide. Mechnikov era ateu.

 

Obra

Em castelhano

Entre as obras que deixou escritas destacam-se Patologia Comparada da Inflamação (1893), A Natureza do Homem (1905), A Imunidade nas Enfermidades Infecciosas (1906) e A prolongação da Vida (1909).

 

Originais

  • Embryologische Studien an Insecten. Leipzig 1866
  • Untersuchungen über die intracelluläre Verdauung bei wirbellosen Thieren. In: Arbeiten aus dem Zoologischen Institut der Universität Wien und der Zoologischen Station in Triest 5: 141–168 1883
  • Leçons sur la pathologie comparée de l'inflammation. Paris 1892 (en inglés The Comparative Pathology of Inflammation. Londres 1893)
  • L'immunité dans les maladies infectieuses. Paris 1901 (alemán Immunität bei Infektionskrankheiten. Jena 1902; en inglés Immunity in infectious diseases. Cambridge 1905)
  • Études sur la nature humaine. Essai de philosophie optimiste. Paris 1903 u. ö. (inglés The Nature of Man. Studies in Optimistic Philosophy. Londres 1903 u. ö.; en ruso Этюды о природе человека. Moscú 1904 u. ö.; alemán Studien über die Natur des Menschen. Eine optimistische Philosophie. Leipzig 1904. 2ª ed. Leipzig 1910)
  • Essais optimistes. Paris 1907, 2ª ed. 1914. (inglés The Prolongation of Life. Londres, N. York 1907; alemán Beiträge zu einer optimistischen Weltauffassung. Múnich 1908; ruso Этюды оптимизма. Moscú 1988) (continuación de los Etudes sur la nature humaine, deonde Mechnikov responde a sus críticos)

 

Literatura

  • Olga Metschnikow. Vie d'Élie Metschnikow 1845–1916. Paris 1920
  • Paul de Kruif. Microbe Hunters. New York 1926 (u. ö.) (alemán Mikrobenjäger, 1927 u. ö.; historia de la ciencia popular de la microbiología médica con un capítulo de Mechnikov)
  • Heinz Zeiss. Elias Metschnikow. Leben und Werk. Jena 1932 (contiene la traducción al alemán de Olga Metschnikowas)
  • Semyon Zalkind. Ilya Mechnikov. His Life and Work. Moscú 1959
  • R. B. Vaughan. The Romantic Rationalist – A Study of Elie Metchnikoff. In: Medical History 9 ( 3): 201–215 1965
  • Edward E. Slosson. Major Prophets of Today. Freeport, N. Y. 1968
  • Wiktor Aleksejewitsch Frolow. Ilja Iljitsch Metschnikow. (título original Operedivšij vremja, übersetzt von Marlis Mälzer und Georg Mälzer), Hirzel / Teubner, Leipzig 1984 (Plantilla:DNB - Biografía)
  • Robert S. Desowitz. The Thorn in the Starfish. The Immune System and How it Works. New York 1987
  • Leon Chernyak, Alfred I. Tauber. The Birth of Immunology: Metchnikoff, the Embryologist. In: Cellular immunology 117 (1988): 218–233
  • Alfred I. Tauber, Leon Chernyak. Metchnikoff and the Origins of Immunology. New York, Oxford 1991
  • Stephen Lovell. Finitude at the Fin de Siècle: Il'ja Mechnikov and Lev Tolstoy on Death and Life. In: The Russian Review 63 (2004): 296–316 (fundamental para la historia del descubrimiento de la respuesta inmune celular)
  • Thomas Schmuck. Il'ja Il'ič Mečnikov – Denkwege zwischen Philosophie und Medizin. In: Heiner Kaden, Ortrun Riha (eds.) Studien zu Carl Julius Fritzsche (1808–1871) und Il'ja Il'ič Mečnikov (1845–1916). Shaker, Aachen 2008, pp. 91–170 (=Relaciones vol. 1), ISBN 978-3-8322-7560-0
  • А. Б. Шабров, И. В. Князькин, А. Т. Марьянович: Илья Ильич Мечников. Энциклопедия жизни и творчества (castellano: Ilya Ilyich Mechnikov: vida y obra, enciclopedia). Dean, San Peterburgo 2008, ISBN 978-5-936307-08-9.
 

Referências


Biografia de William Osler


William Osler
William Osler. Nasceu em Bond Head, Ontário, a 12 de Julho, 1849, e, faleceu em Oxford, a 29 de Dezembro, 1919. William Osler foi um médico canadense, sendo um dos ícones da medicina moderna, chamado por vezes de "pai" dela, mas que no entanto Avicena era tido como tal por ele. A “fagocitose” foi revelada primeiramente por William Osler e posteriormente por Élie Metchnikoff. Como conhecedor e defensor da Reflexologia, certa vez disse: “Quando os nervos dos olhos e dos pés forem corretamente entendidos, haverá menos necessidade de intervenções cirúrgicas”. Estudou na Universidade McGill em Montreal, Quebec, onde obteve a licenciatura em Medicina. Posteriormente foi professor na Universidade de Pennsylvania e chefe de Medicina Clínica nesta universidade. Em 1889 foi o primeiro professor de Medicina da Universidade Johns Hopkins. Em 1905 se muda para a Inglaterra, permanecendo em Oxford até a sua morte. Foi nomeado Sir em 1911 pelas suas grandes contribuições no campo da medicina . Osler foi um grande colecionador de livros da História da medicina. Depois da sua morte, sua coleção formou a parte principal da Biblioteca de História da Medicina da Universidade McGill, que foi fundada em 1929.


Síndrome de Rendu-Osler-Weber
Telangiectasias características no lábio inferior.
(imagem: Herbert L. Fred, MD and Hendrik A. van Dijk).
A telangiectasia hemorrágica hereditária (ou Síndrome de Rendu-Osler-Weber) é uma doença autossômica dominante. Pensa-se serem dois os genes envolvidos: ENG ou ALK-1. Esta síndrome caracteriza-se clinicamente pela tríade: telangiectasias, epistaxe recorrente e história familiar. A principal causa de morbilidade e mortalidade relaciona-se com malformações arteriovenosas (MAV) presentes em vários órgãos e a consequente hemorragia que lhes pode estar associada. A doença tem um grande espectro clínico e os pacientes podem ser assintomáticos ou ter vários órgãos envolvidos, os quais podem dar sintomas ou sinais em qualquer idade. O tratamento passa por limitar as hemorragias, quer através de terapêuticas farmacológicas quer cirúrgicas, nomeadamente eventual intervenção cirúrgica nas MAV, e tratar/minimizar as sequelas. O prognóstico depende da severidade dos sintomas.


Distintas enfermidades e sintomas levam o nome de Osler.
  • Sinal de Osler é uma falsa leitura de hipertensão arterial devida à artério-esclerose.
  • Nódulos de Osler subcutâneos, dolorosos secundários a endocardite.
  • Enfermidade de Rendu-Osler-Weber (também conhecida como telangiectasia hemorrágica hereditária), é uma síndrome com múltiplas malformações vasculares na pele, na mucosa nasal e oral, e também com formação de fístulas pulmonares.
  • Filária de Osler: um parasito nematoide.
  • Síndrome de Osler: dores cólicas recorrentes com típica irradiação a espalda. Devido à litíase da ampola de Vater (ampola hepatopancreática).
  • Oslerus osleri (Filaroides osleri) Nematoide que parasita a carina traqueal dos canídeos, produzindo bronquite verminosa.

Referências