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sexta-feira, 21 de março de 2014

As Irmãs Fox

Da esquerda para a direita: Margaret, Kate e Leah.
As Irmãs Fox foram três mulheres que, nos Estados Unidos da América tiveram um importante papel na gênese do Moderno Espiritualismo Ocidental. As irmãs eram Katherine "Kate" Fox (1837–1892), Leah Fox (1814–1890) e Margaret "Maggie" Fox (1833–1893). As irmãs fizeram sucesso por muitos anos como médiuns que diziam possibilitar espíritos a se manifestarem por batidas (tiptologia). Em 1888 Margaret alegou que as batidas eram uma farsa e no ano seguinte se retratou de tal alegação, dizendo que na verdade eram manifestações mediúnicas mesmo. Este quadro de "confissão" seguido de retratação tem fornecido argumentos para os espiritualistas e materialistas defenderem suas posições sobre o caso, de modo que a controvérsia nunca termina.


Biografia

A família Fox

Em 11 de Dezembro de 1847, a família Fox, de origem canadense, instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, distante cerca de trinta quilômetros da cidade de Rochester. O nome da família Fox origina-se do sobrenome "Voss", depois "Foss" e finalmente "Fox". Eram de origem alemã, por parte paterna; e francesa, holandesa e inglesa, por parte materna. O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa Sra. Margareth Fox e de mais duas filhas: Kate, com 11 e Margareth, com 14 anos de idade. O casal possuía mais filhos e filhas. Entre estas, Leah, mais velha, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Sra. Fish, Sra. Brown e Sra. Underhill. Leah escreveria um livro, "The Missing Link" (New York, 1885), no qual faz referência às supostas faculdades paranormais de seus ancestrais. Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subsequentes ao de Hydesville.

Os acontecimentos de Hydesville

A fonte mais conhecida e divulgada sobre o ocorrido em Hydesville é o depoimento da Sra. Margareth Fox que consta no livro História do Espiritualismo de Sir Arthur Conan Doyle:

"Na noite da primeira perturbação, todos nos levantamos, acendemos uma vela e procuramos pela casa inteira, enquanto o barulho continuava e era ouvido quase que no mesmo lugar. Conquanto não muito alto, produzia um certo movimento nas camas e cadeiras a ponto de notarmos quando deitadas. Era um movimento em trêmulo, mais que um abalo súbito. Podíamos perceber o abalo quando de pé no solo. Nessa noite continuou até que dormimos. Eu não dormi até quase meia-noite. Os rumores eram ouvidos por quase toda a casa. Meu marido ficou à espera, fora da porta, enquanto eu me achava do lado de dentro, e as batidas vieram da porta que estava entre nós. Ouvimos passos na copa, e descendo a escada; não podíamos repousar, então conclui que a casa deveria estar assombrada por um Espírito infeliz e sem repouso. Muitas vezes tinha ouvido falar desses casos, mas nunca tinha testemunhado qualquer coisa no gênero, que não levasse para o mesmo terreno.

Na noite de sexta-feira, 31 de Março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos: íamos ter uma noite de repouso. Meu marido aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisa. Naquela noite fomos cedo para a cama – apenas escurecera. Achava-me tão quebrada e sem repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu o distinguia de quaisquer outros ruídos jamais ouvidos. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos.
Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Senhor Pé-Rachado, faça o que eu faço". Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: "Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: "Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanhã é primeiro de Abril e alguém quer nos pregar uma mentira".
Então pensei em fazer um teste de que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo uma pausa de um para o outro, a fim de os separar até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido.
Então perguntei: "É um ser humano que me responde tão corretamente?" Não houve resposta. Perguntei: "É um Espírito? Se for dê duas batidas." Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: "Se foi um Espírito assassinado dê duas batidas". Estas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Perguntei: "Foi assassinado nesta casa?" A resposta foi como a precedente. "A pessoa que o assassinou ainda vive?" Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinara nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a sua família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: "Continuará a bater se chamar os vizinhos para que também escutem?" A resposta afirmativa foi alta.
Meu marido foi chamar Mrs. Redfield, nossa vizinha mais próxima. É uma senhora muito delicada. As meninas estavam sentadas na cama, unidas uma à outra e tremendo de medo. Penso que estava tão calma como estou agora. Mrs. Redfield veio imediatamente, seriam cerca de sete e meia, pensando que faria rir às meninas. Mas quando as viu pálidas de terror e quase sem fala, admirou-se e pensou que havia algo mais sério do que esperava. Fiz algumas perguntas por ela e as respostas foram como antes. Deram-lhe a idade exata. Então ela chamou o marido e as mesmas perguntas foram feitas e respondidas.
Então, Mrs. Redfield chamou Mr. Duesler e a esposa e várias outras pessoas. Depois, Mr. Duesler chamou o casal Hyde e o casal Jewell. Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida, indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não tive resposta. Após isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas: Perguntou: "Foi assassinado?" Resposta afirmativa. "Seu assassino pode ser levado ao tribunal?" Nenhuma resposta. "Pode ser punido pela lei?" Nenhuma resposta. A seguir, disse: "Se seu assassino não pode ser punido pela lei dê sinais." As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto de leste, há cinco anos passados, e que o assassínio fora cometido à meia-noite de uma terça-feira, por Mr.; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo tinha sido levado para a adega; que só na noite seguinte é que havia sido enterrado; tinha passado pela despensa, descido a escada, e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o motivo fora o dinheiro.
"Qual a quantia: cem dólares?" Nenhuma resposta. "Duzentos? Trezentos?" etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram.
Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons; mas ao anoitecer recomeçaram.
Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo pela manhã os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa.
Na noite de sábado, 1º de Abril, começaram a cavar na adega; cavaram até dar n'água; então pararam. Os sons não foram ouvidos nem na tarde nem na noite de domingo. Stephen B. Smith e sua esposa, minha filha Marie, bem como meu filho David S. Fox e sua esposa dormiram no quarto aquela noite.
Nada mais ouvi desde então até ontem. Antes de meio-dia, ontem, várias perguntas foram respondidas da maneira usual. Hoje ouvi os sons várias vezes.
Não acredito em casas assombradas nem em aparições sobrenaturais. Lamento que tenha havido tanta curiosidade neste caso. Isto nos causou muitos aborrecimentos. Foi uma infelicidade morarmos aqui neste momento. Mas estou ansiosa para que a verdade seja conhecida e uma verificação correta seja procedida. Ouvi as batidas novamente esta manhã, terça-feira, 4 de abril. As meninas também ouviram.
Garanto que o depoimento acima me foi lido e que é a verdade; e que, se fosse necessário, prestaria juramento de que é verdadeiro."
Assinado Margaret Fox
11 de Abril de 1848."

 
Assim também, no mesmo livro, é relatado demais depoimentos de proprietários anteriores que alegam ocorrências de ordem sobrenatural na residência:

"Depoimento da Senhora Hannah Weekman"

Ouvi falar nos ruídos misteriosos que eram ouvidos na casa agora ocupada pelo Senhor Fox. Nós moramos na mesma casa cerca de um ano e meio, daí nos mudando para onde agora estamos. Há cerca de um ano, quando lá habitávamos, ouvimos alguém, conforme pensamos, batendo de leve na porta de entrada. Eu acabara de me deitar, mas meu marido ainda não. Assim, ele abriu a porta e disse que não havia ninguém. Voltou e já estava para se deitar quando novamente ouvimos bater à porta. Ele foi então abri-la e disse que não via ninguém; não obstante esperou um pouco. Então voltou e deitou-se. Veio muito zangado, pois supunha fosse algum garoto da vizinhança querendo aborrecer-nos. Assim, disse que "eles podiam bater, mas não o levariam na brincadeira", ou coisa semelhante.
As batidas foram ouvidas novamente; depois de algum tempo ele se levantou e saiu. Eu lhe disse que não saísse, pois temia que alguém quisesse pegá-lo fora e o agredisse. Ele voltou e disse que nada tinha visto. Ouvimos muito barulho durante a noite; dificilmente poderíamos dizer onde era produzido; por vezes parecia que alguém andava na adega. Mas a casa era velha e pensamos que fossem estalos da madeira ou coisa semelhante.
Algumas noites depois uma de nossas meninas, que dormia no quarto onde agora são ouvidas as batidas acordou-nos a todos soluçando. Meu marido, eu e a empregada nos levantamos imediatamente para ver o que se passava. Ela sentou-se na cama em pranto e nós custamos a verificar o que se passava. Disse ela que algo se movimentava acima de sua cabeça e que ela sentia um frio sem saber o que era. Disse havê-lo sentido sobre ela toda, mas que ficara mais alarmada ao senti-lo sobre o rosto. Estava muito assustada. Isto se passou entre meia-noite e uma hora. Ela se levantou e foi para a nossa cama, mas custou muito a adormecer. Só depois de muitos dias conseguimos que fosse dormir em sua cama. Tinha ela então oito anos.
Nada mais me aconteceu durante o tempo em que lá moramos. Mas meu marido me disse que uma noite o chamaram pelo nome, de algum lugar na casa – não sabia de onde –mas jamais pôde saber de onde e quem era. Naquela noite eu não estava em casa: estava assistindo uma pessoa doente.
Então não pensávamos que a casa fosse assombrada...
Assinado: Hannah Weekman
11 de abril, de 1848."

"Depoimento de Michael Weekman"

Sou marido de Hannah Weekman. Morávamos na casa agora ocupada pelo Senhor Fox, na qual dizem que ruídos estranhos são ouvidos. Aí moramos cerca de um ano e meio. Uma noite, à hora de dormir, ouvi batidas. Supunha que fosse alguém que quisesse entrar. Não disse o costumeiro "pode entrar"; fui até à porta. Não encontrei ninguém, voltei e exatamente quando ia para a cama ouvi novas batidas e rapidamente abri a porta, mas não vi ninguém. Então me deitei. Pensei que alguém estivesse querendo divertir-se. Depois de alguns minutos ouvi novas pancadas e, depois de esperar um pouco e, ainda as ouvindo, levantei-me e fui à porta. Desta vez saí e rodeei a casa mas não encontrei ninguém. Voltei, fechei a porta e segurei o ferrolho, pensando que se viesse alguém seria pilhado. Dentro de um ou dois minutos nova batida. Eu estava com a mão na porta e a batida parecia na porta. Podia sentir a vibração das batidas. Abri instantaneamente a porta e saí rápido, mas não havia ninguém à vista. Então dei nova volta à casa mas, como da outra vez, nada encontrei. Minha mulher tinha dito que era melhor não sair, pois talvez fosse alguém que me quisesse agredir. Não sei o que pensar, pois parece estranho e incrível.
Então relata o caso da menina assustada, como ficou dito acima.
Uma noite, após isto, despertei cerca de meia-noite e ouvi pronunciarem o meu nome. Parecia que a voz vinha do lado sul do quarto. Sentei-me na cama e escutei, mas não mais ouvi. Não me levantei, mas esperei que repetissem. Naquela noite minha mulher não estava em casa. Contei-lhe isto depois e ela me disse que eu estava sonhando. Freqüentemente minha mulher se assustava com estranhos ruídos dentro e fora da casa.
Tenho ouvido tais coisas de homens fidedignos acerca dos ruídos que agora se ouvem que, ligados ao que ouvi, não posso deixar de supor que sejam sobrenaturais. Desejo prestar uma declaração dos fatos acima, caso necessário.
Assinado: Michael Weekman
11 de abril, de 1848."

 
As escavações na adega

Através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, as irmãs Fox teriam obtido a identidade daquele que supostamente produzia os sons. Tratar-se-ia de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, quatro anos antes, teria sido assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino teria sido um antigo inquilino o que, pela data, levou a deduzir que o crime poderia ter sido cometido pelo Sr. Bell. Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado. As escavações não levaram a quaisquer resultados uma vez que não foram encontrados quaisquer indícios de restos mortais. Por essa razão foram suspensas. Nesta altura já havia surgido ao menos um depoimento de quem se lembrava da passagem pela região de um certo mascate na mesma data em que o suposto espírito indicou como sendo o do seu assassinato. Esse depoimento, com riqueza de detalhes, descrevia o comportamento muito suspeito dos antigos proprietários da residência em Hydesville, o Sr. Bell e a esposa que, sozinhos, teriam recebido o mascate, tendo até dispensado os empregados da casa naqueles dias. No Verão de 1848, David Fox, irmão mais velho da família, fez mais escavações. A uma profundidade de um metro e meio, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram restos de carvão, cal, cabelos e alguns fragmentos de ossos que, de acordo com Doyle, foram reconhecidos por um médico como pertencentes a um esqueleto humano; mais nada. Evidências comprovadas na época em que estes achados demonstram pelo aspecto e textura dos materiais analisados a sua autenticidade por alguns cientistas deste período como Willian Crooks, Lombroso, Alexander Aksakof e o inglês Wallace.

O movimento espiritualista espalha-se

As duas meninas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois se suspeitava que os fenômenos fossem ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com o seu irmão David Fox. Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde quer que elas se encontrassem, registravam-se os fenômenos. Agora se observava mesmo uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também fenômenos mediúnicos. Em pouco tempo, começaram a ser observados no seio de outras famílias. Como consta no livro História do Espiritismo:
"Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Reverendo A. H. Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois a Sra. Sarah A. Tamlin e a Sra. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (...)."
O movimento espalhar-se-ia, mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis teriam insistido para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. As irmãs viveram por cerca de 10 anos relacionadas com o fenômeno espiritualista, principalmente realizando apresentações dos seus poderes mediúnicos. Nas primeiras dessas apresentações, membros da platéia conhecidos na sociedade e incrédulos eram convidados a examinar as irmãs e verificar a ausência de quaisquer equipamentos ou montagens que pudessem ser usados. Por conveniência, porém, cada vez mais as irmãs aderiam à apresentações e caminhos individuais no uso de sua suposta mediunidade. Em 1858, por conta dos seus casamentos, Maggie e Leah retiraram-se da militância espiritualista, ficando apenas Kate como expoente médium da família. Além de batidas, outros supostos tipos de mediunidade que Kate possuía eram a capacidade de produzir luzes espirituais, escrita direta, aparecimento de formas materializadas e poltergeist. Nos anos 1870 o cientista Sir William Crookes fez vários experimentos com Kate e concluiu que ela realmente tinha tais capacidades mediúnicas.
Relatou Crookes: "Eu segurava ambas as mãos da médium numa das minhas enquanto seus pés estavam sobre os meus. Havia papel sobre a mesa em nossa frente e eu tinha um lápis na mão livre. Uma luminosa mão desceu do alto da sala e, depois de oscilar perto de mim durante alguns segundos, tomou o lápis de minha mão e escreveu rapidamente numa folha de papel, largou o lápis e ergueu-se sobre as nossas cabeças, dissolvendo-se gradativamente na escuridão."
Sobre a suposta capacidade de Kate mediar batidas, Crookes registrou:
 "Durante vários meses, tive o prazer de em inúmeras ocasiões verificar os fenômenos variados que se produziam em presença desta senhora, e foram esses ruídos (batidas) que especialmente estudei.
É geralmente necessário, com os outros médiuns, para uma sessão regular, que todos fiquem sentados e em silêncio, mas com a Sra. Fox parece-lhe simplesmente necessário colocar a mão sôbre qualquer parte, para que sons ruidosos aí se façam ouvir, como que triplo choque, e algumas vezes, com bastante fôrça para serem ouvidos através de vários aposentos.
Ouvi-os assim produzirem-se em uma árvore, num grande quadro de vidro, em um arame esticado, numa membrana distendida, em um tamboril, sobre a cobertura de uma carruagem, e no tablado de um teatro. Ainda mais, o contato imediato nem sempre é necessário; ouvi esses ruídos saírem do soalho, das paredes, etc., quando a médium tinha as mãos e os pés ligados, quando estava em pé sobre uma cadeira, quando se achava em uma balança suspensa no teto, quando estava encerrada em uma gaiola de ferro, e quando em letargia numa poltrona. Ouvi-os sobre os vidros de uma harmônica, senti-os sobre meus próprios ombros e sob as minhas mãos. Ouvi-os sobre uma folha de papel segura entre os meus dedos, por uma extremidade de fio passado num canto dessa folha.
Com pleno conhecimento das numerosas teorias que foram apresentadas antes, sobretudo na América, para explicar esses sons, experimentei-os de todas as maneiras que pude imaginar, até não mais ser possível furtar-me à convicção de que eram bem reais e que não se produziam pela fraude ou por meios mecânicos."
 


"Confissões" e "desconfissões"

Ao fim da década de 1880, Kate e Maggie haviam se desentendido com Leah que, denunciando o alcoolismo das primeiras, conseguiu retirar a guarda dos filhos de Kate. As irmãs mais novas então, decididas a macular a imagem da mais velha, optaram por fazer alegações salientando uma suposta manipulação que teriam sofrido de Leah quando crianças. Inicialmente no The New York Herald de 24 de Setembro de 1888, Margaret publicou longa crítica ao Espiritualismo e culpou Leah por uma suposta manipulação de tudo o que se passava. Ansiosas para prejudicarem Leah o tanto quanto possível, no mês seguinte Margaret e Kate viajaram para Nova York, onde um repórter ofereceu 1.500 dólares para elas afirmarem publicamente que fraudavam os fenômenos de alegadas comunicações com espíritos. Então Margaret, diante de uma platéia da Academia de Música de Nova Iorque (a qual Kate estava presente) disse:
"Eu estou aqui hoje como uma das fundadoras do Espiritualismo, para denunciá-lo como uma falsidade absoluta do começo ao fim, como a mais frívola das superstições, a blasfêmia mais perversa conhecida no mundo."
A seguir a essa declaração, tirou o seu sapato direito e demonstrou uma técnica de bater com o dedo maior do pé, visando reproduzir o som que era observado em suas apresentações.
No mesmo periódico, em 10 de Outubro de 1888, Kate disse:
"O espiritualismo é fraude do princípio ao fim. É a major impostura do século. Não sei se ela já lhe disse isso, mas Maggie e eu começamos quando éramos crianças muito pequeninas, pequenas e inocentes demais para compreendermos o que fazíamos. Nossa irmã Leah contava vinte e três anos mais que nós, Iniciadas no caminho do engano e encorajadas a isso, continuamos, é claro. Outros, com bastante idade para se envergonharem de tal infâmia, apresentaram-nos ao mundo. Minha irmã Leah publicou um livro intitulado O Elo que faltava ao Espiritualismo. Pretende contar a verdadeira história do movimento, tanto quanto se originou conosco. Ora, só há no livro falsidade do início ao fim. Salvo o fato de que foi Horace Greeley que me educou. O restante é uma cadeia de mentiras."
Quando perguntada sobre às manifestações de Hydesville em 1848 e aos ossos encontrados na adega, respondeu: "Tudo fraude, sem exceção, contudo, Maggíe e eu somos as fundadoras do espiritualismo!"
(Sendo posteriormente na edição de 23 de Novembro de 1904 do Boston Journal foi publicada a descoberta do esqueleto de um homem cujo espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848)
E continuou:
"Debaixo do nome dessa terrível, horrorosa hipocrisia — o espiritualismo — tudo que há de impróprio, mau e imoral é praticado. Vão tão longes a ponto de terem o que chamam 'filhos espirituais'! Pretendem algo como a Imaculada Conceição! Coisa alguma poderia ser mais blasfematória, mais nojenta, mais altamente fraudulenta! Em Londres, fui disfarçada, a uma sessão privada em casa de um homem rico. Vi uma chamada 'materialização'. O efeito foi obtido por meio de papel luminoso cujo brilho se refletia sobre o refletor. A figura assim exibida era a de uma mulher – virtualmente um nu; envolvia-a uma gaze transparente. O rosto apenas se achava oculto. Era essa uma das sessões a que são admitidos alguns amigos privilegiados, não 'crentes', de espíritas 'crentes há, porém, outras sessões a que só são admitidos os mais provados e fiéis; aí ocorrem as coisas mais vergonhosas, que rivalizam com as saturnálias secretas dos antigos romanos. Não posso descrever-lhe essas coisas, porque não ousaria."
Maggie afirmou no New York World de 21 de Outubro de 1888:
"Minha irmã Katie foi a primeira a descobrir que por esfregar os dedos podia produzir certo ruído com as juntas e que o mesmo efeito podia ser produzido com os artelhos. Descobrindo que podíamos criar ruídos com nossos pés - primeiro com um pé, depois com ambos - praticamos até poder fazer isso com facilidade quando a sala estava às escuras. Ninguém suspeitava de que fosse um truque nosso pois éramos crianças ainda tão novas... todos os vizinhos julgavam que havia algo, e desejaram descobrir do que se tratava. Estavam convencidos de que alguém havia sido assassinado na casa. Perguntaram-nos a respeito, e praticávamos as pancadas, sendo uma para "sim", três para "não", como passamos fazer daí por diante. Nada sabíamos sobre espiritualismo então. O assassinato, concluíram, devia ter sido cometido na casa. Finalmente, encontraram um homem chamado Bell e disseram que o pobre inocente havia cometido um assassinato na casa, e que aqueles sons procediam dos espíritos das pessoas assassinadas. O pobre Bell passou a ser evitado e visto como assassino por toda a comunidade. No que tange a espíritos, nem eu nem minha irmã pensávamos a respeito disso... Tenho visto tanto engano danoso que estou disposta a prestar assistência o quanto puder e positivamente declarar que o espiritualismo é uma fraude da pior descrição. Faço isso perante Deus, e minha ideia é denunciá-lo... Estou convicta de que esta declaração, partindo solenemente de mim, a primeira e mais bem sucedida nesse engano, romperá a força do rápido crescimento do espiritualismo e comprovará ser tudo uma fraude, hipocrisia e engano."
Um ano após falsas denúncias de fraude contra si mesma e suas irmãs, e percebendo não ter atingido a irmã Leah, Maggie decidiu desmentir as suas "confissões", alegando tê-las feito em troca de dinheiro de religiosos que se aproveitaram de sua situação de pobreza. Disse Maggie ao The New York Herald de 24 de Setembro de 1889:
"Preza a Deus que eu possa desfazer a injustiça que fiz à causa do Espiritualismo quando, sob intensa influência psicológica de pessoas inimigas dele, fiz declarações que não se baseiam nos fatos. Esta retratação e negação não parte apenas do meu próprio senso daquilo que é direito, como também do silencioso impulso dos Espíritos que usam o meu organismo, a despeito da hostilidade da horda traidora que prometeu riqueza e felicidade em troca de um ataque ao Espiritualismo, e cujas esperançosas promessas foram tão falazes[...] Muito antes que falasse a quem quer que fosse sobre este assunto, estava sendo incessantemente advertida por meu Espírito-guia daquilo que devia fazer; por fim cheguei à conclusão de que era inútil contrariar as suas recomendações."
Na mesma ocasião, um redator do The New York Herald perguntou-lhe o seguinte: “Havia alguma coisa de verdadeiro nas acusações que você fez ao Espiritualismo?”, e Maggie respondeu:
"Aquelas acusações eram falsas em todas as minúcias. Não hesito em dizê-lo... Não. Minha crença no Espiritualismo não sofreu mudanças. Quando fiz aquelas terríveis declarações não era responsável por minhas palavras. Sua autenticidade é um fato incontroverso. Nem todos os Hermans vivos serão capazes de reproduzir as maravilhas que se produzem através de alguns médiuns. Pela habilidade manual e por meio de espertezas podem escrever em papéis e lousas, mas mesmo assim não resistem a uma investigação acurada. A produção da materialização está acima de seu calibre mental e desafio a quem quer que seja a produzir batidas nas condições em que as produzo. Não há ser humano na Terra que possa produzir as batidas do mesmo modo que elas o são por meu intermédio"
O mesmo redator também a perguntou: "Que diz sua irmã Kate de sua presente atitude?” , e Maggie disse:
"Está de pleno acôrdo. Ela não concordou com a minha atitude no passado".
Kate Fox não se retratou publicamente de suas declarações, temendo retaliações. Contudo, no livro História do Espiritismo de Sir Conan Doyle consta uma carta escrita por Kate em 1888 para uma amiga em que ela se retrata1 :
"[...]O empresário da exibição arranjou a Academia de Música, o maior auditório da cidade de New York; ficou superlotado. Fizeram uma renda de mil e quinhentos dólares. Muitas vezes desejei ter ficado com você e se tivesse meios agora voltaria para me livrar de tudo isso. Agora penso que podia fazer dinheiro, provando que as batidas não são produzidas pelos dedos dos pés. Tanta gente me procura por causa da declaração de Maggie que me recuso a recebê-los. Insistem em desmascarar a coisa, se puderem; mas certamente não o conseguirão[...]"
São estudados os fatos ocorridos em Hidesville por cientistas e estudiosos das ciências psíquicas e comprovados sua autenticidade ( Espiritismo e Animismo; Aksakof, Alexander) , faleceram poucos anos depois como médiuns respeitadas por vários estudiosos da moderna parapsicologia.
A descoberta do esqueleto
Na edição de 23 de Novembro de 1904 do Boston Journal foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem cujo espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Alguns meninos de uma escola achavam-se brincando na adega da casa onde residiram os Fox, casa que tinha a fama de ser mal-assombrada. Em meio aos escombros de uma parede que existira na adega, os garotos encontraram as peças de um esqueleto humano. Junto ao esqueleto foi achada uma lata de um produto costumeiro usado por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lily Dale, na sede central regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada da velha casa de Hydesville.

Referências

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Biografia de Allan Kardec


Allan Kardec. (Imagem: Fran6fran6).
Allan Kardec. (León Hippolyte Denizard Rivail). Fundador do espiritismo na França. Nasceu em Lyon a 03 de Outubro de 1804, faleceu em Paris a 31 de Março de 1869. Primeiros estudos em sua terra natal, depois na Suíça. Formou-se em Ciências e Letras e em Medicina, mas não exerceu a profissão. Foi professor de psicologia, astronomia, física e química. Tendo-se interessado pelos fenômenos do espírito, dedicou-se a estudá-los, influenciado por alguns amigos. Em 1857 publicou O Livro dos Espíritos, já assinando Allan Kardec, nome com que, segundo um médium, era ele designado ao tempo dos druidas. Em 1858, 1º de Janeiro, saiu o primeiro número da Revue Spirite, que ainda hoje se publica, sob sua inspiração. Deixou também: O Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno, etc.


Resumo


O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druídas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec". No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês (invertida) declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV. Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares".


Biografia

A juventude e a atividade pedagógica


Allan Kardec e sua esposa Amélie Boudet.
Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia. Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras. Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol. Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?". A 6 de Fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais. Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país. As matérias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.

Das mesas girantes à Codificação


Praça Allan Kardec, Sorocaba, Brasil. 
(Imagem: Fran6fran6).
Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam. Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita. Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem. Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de Abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de Janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Os últimos anos
 
Túmulo de Allan Kardec em Paris.
(Imagem
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Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores através da Revista Espírita Ou Jornal de Estudos Psicológicos. Faleceu em Paris, a 31 de Março de 1869, aos 64 anos de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês. Em seu sepultamento, seu amigo, o astrônomo francês Camille Flammarion proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:
"Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!" 
(Camille Flammarion).

Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:



"Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade".


Obras:

Obras didáticas



O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:
Página de seu livro "Plano Proposto para a Melhoria da Instrução Pública" (1828). 
(Imagem: Fran6fran6)
  • 1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
  • 1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
  • 1831 - Gramática Francesa Clássica
  • 1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
  • 1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
  • 1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
  • 1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
  • 1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
  • 1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas.

Diplomas obtidos


Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:
  • Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
  • Diploma da Sociedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
  • Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
  • Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
  • Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
  • Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
  • Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
  • Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
  • Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
  • Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino.
Obras espíritas
 
As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:
Contracapa da versão de 1860 de O Livro dos Espíritos, a principal obra publicada por Kardec.
  • O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de Abril de 1857;
  • O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em Janeiro de 1861;
  • O Evangelho segundo o Espiritismo, em Abril de 1864;
  • O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em Agosto de 1865;
  • A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em Janeiro de 1868.
Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:
  • Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de Janeiro de 1858 a 1869;
  • O que é o Espiritismo? (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
  • Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
  • O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
  • Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).
Após o seu falecimento, viria à luz:
  • Obras Póstumas, em 1890.
Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:
  • O Principiante Espírita (pela editora O Pensamento)
  • A Obsessão (pela editora O Clarim).
Para fazer o download de livros de Allan Kardec em PDF, click nos links abaixo:

O Livro dos Espíritos (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Livro dos Médiuns (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Evangelho Segundo o Espiritismo (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
O Céu e o Inferno (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.
A Gênese (PDF) - em português. Dominiopublico.gov.br.



Leia Kardec para compreender Jesus


- JESUS E O CONSOLADOR - "E eu rogarei ao Pai e ele lhes dará outro CONSOLADOR, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vocês o conhecem, porque ele habita em vocês e com vocês estará. Não os deixarei órfãos, voltarei para vocês outros. Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele os guiará a toda verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e lhes anunciará as coisas que hão de vir!" (João, 14, 15, 16).
 
allan kardec - Esta predição, não há contestar, é uma das mais importantes,
Busto de Allan Kardec em Lyon.
(Imagem:
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do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse tudo o que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que à eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções. Ora, desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo. Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos. Quando terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na época em que Jesus falava, os homens não se achavam em estado de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias e entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos morais, faziam-se mister conhecimentos que só o progresso das ciências facultaria e que tinham de ser obra do tempo e de muitas gerações. Se, portanto, o novo Messias tivesse vindo pouco tempo depois do Cristo, houvera encontrado o terreno ainda nas mesmas condições e não teria feito mais do que o próprio Cristo. Ora, desde aquela época até os nossos dias, nenhuma grande revelação se produziu que haja completado o Evangelho e elucidado suas partes obscuras, indício seguro de que o Enviado ainda não aparecera. Qual deverá ser esse enviado? Dizendo: "Pedirei a meu Pai e ele lhes enviará outro Consolador", Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, teria dito: "Voltarei para completar o que lhes tenho ensinado". Não só tal não disse, como acrescentou: "A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós." Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade. O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado, todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu Criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime dos Evangelhos: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz-se compreenda o que era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra. A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo Judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converte a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade . Dizendo a seus apóstolos: "Outro virá mais tarde, que lhes ensinará o que agora não posso ensinar", proclamava Jesus a necessidade da reencarnação. Como poderiam aqueles homens aproveitar do ensino mais completo que ulteriormente seria ministrado, como estariam aptos a compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente? Jesus houvera proferido uma coisa inconseqüente se, de acordo com a doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de ser homens novos, almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham vivido depois; que ainda hoje revivem , e plenamente justificada estará a promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contato do progresso
Selo dos Correios em homenagem ao centenário de seu falecimento (1969).
social, a inteligência deles pode presentemente comportar o que então não podia. Sem a reencarnação a promessa de Jesus fora ilusória. Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á responder que o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a inteligência, desenvolveu neles as aptidões mediúnicas destinadas a facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes ensinou além daquilo que Jesus já ensinara, porquanto no que deixaram, nenhum vestígio se encontra de um ensinamento especial. O Espírito Santo, pois, não realizou o que Jesus anunciara relativamente ao Consolador; a não ser assim, os apóstolos teriam elucidado o que, no Evangelho, permaneceu obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação contraditória deu origem às inúmeras seitas que dividiram o Cristianismo desde os primeiros séculos. (A GÊNESE, Cap. XVII, ítens 37 à 42). Pode o Espiritismo ser considerado uma revelação? Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu - e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. Em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer idéia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos. A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um fato; se é falso, já não é um fato e, por conseqüência, não existe revelação. Toda revelação desmentida por fatos deixa de o ser, se for atribuída a Deus. Não podendo Deus mentir, nem se enganar, ela não pode emanar dele; deve ser considerada produto de uma concepção humana. No sentido especial da fé religiosa, a revelação se diz mais particularmente das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxílio dos sentidos e cujo conhecimento lhe dão Deus ou seus mensageiros, quer por meio da palavra direta, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens predispostos, designados sob o nome de profetas ou messias, isto é, enviados ou missionários, incumbidos de transmiti-la aos homens. Considerada debaixo deste ponto de vista, a revelação implica a passividade absoluta e é aceita sem verificação, sem exame, nem discussão. O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual vivíamos sem o suspeitarmos, assim como as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação, na acepção científica da palavra. Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único, Soberano Senhor e Orientador de todas coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra. O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino e rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem, depois da morte . O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. À idéia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consciência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas tem o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa-vontade. A primeira revelação teve a sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo, a terceira não a tem em indivíduo algum. As duas primeiras foram individuais, a terceira coletiva; aí está um caráter essencial de grande importância. Ela é coletiva no sentido de não ser feita ou dada como privilégio de pessoa alguma, ninguém, por conseqüência, pode inculcar-se como seu profeta exclusivo; foi espalhada simultaneamente por sobre a Terra, a milhões de pessoas, de todas as idades e condições, desde a mais baixa até a mais alta da escala, conforme esta predição registrada pelo autor dos Atos dos Apóstolos: "Nos últimos tempos, disse o Senhor, derramarei o meu espírito sobre toda a carne; os vossos filhos e filhas profetizarão, os jovens terão visões e os velhos, sonhos." (Atos, cap. II, vs. 17-18) Ela não proveio de nenhum culto especial, a fim de servir um dia, a todos, de ponto de ligação. Demais, se se considerar o poder moralizador do Espiritismo, pela finalidade que assina a todas as ações da vida, por tornar quase tangíveis as conseqüências do bem e do mal, pela força moral, a coragem e as consolações que dá nas aflições, mediante inalterável confiança no futuro, pela idéia de ter cada um perto de si os seres a quem amou, a certeza de os rever, a possibilidade de confabular com eles; enfim, pela certeza de que tudo quanto se fez, quanto se adquiriu em inteligência, sabedoria, moralidade, até a última hora da vida, não fica perdido, que tudo aproveita ao adiantamento do Espírito, reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador." (A GÊNESE, Cap. I, ítens 1,3,7,12,21,22,30,45 e 42).


Citações de Kardec


  • "A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática"
- (O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2)
  • "(...)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor.
- (Revista Espírita, 1861, pág. 297)
  • "As revoluções morais, como as sociais, se infiltram pouco a pouco nas idéias, germinam durante séculos, explodem de repente e fazem desabar o edifício apodrecido do passado, que não está mais em harmonia com as novas necessidades e aspirações"
- (O Livro dos Espíritos, Perg. 331)
  • "Há um elemento que não se ponderou o bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos"
- (O Livro dos Espíritos, item 685-a)
  • "O progresso não foi, pois, uniforme em toda a espécie humana; as raças mais inteligentes naturalmente progrediram mais que as outras, sem contar que os Espíritos, recentemente nascidos na vida espiritual, vindo a se encarnar sobre a Terra desde que chegaram em primeiro lugar, tornam mais sensíveis a diferença do progresso. Com efeito, seria impossível atribuir a mesma antiguidade de criação aos selvagens que mal se distinguem dos macacos, que aos chineses, e ainda menos aos europeus civilizados."
-A Gênese, p. 187
  • "Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO."
-O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap.: XV
  • "Nesse grande movimento regenerador, o Espiritismo tem um papel considerável, não o Espiritismo ridículo, inventado por uma crítica trocista, mas o Espiritismo filosófico, tal qual o compreende quem quer que se dê a pena de procurar a amêndoa dentro da casca. (...) Não diz Fora do Espiritismo não há salvação, mas, como Cristo, Fora da caridade não há salvação, princípio de união, de tolerância, que ligará os homens num sentimento comum de fraternidade, em vez de os dividir em seitas inimigas. Por este outro princípio, Não há fé inabalável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as idades da humanidade, destrói o império da fé cega, que aniquila a razão e da obediência passiva que embrutece; emancipa a inteligência do homem e levanta a sua moral."
- 1866
  • "Estais, pois, muito instados a ver os Espíritas colocados sobre a fogueira e lançados às feras! O que deve fazer supor que a boa vontade não vos faltaria se isso ocorresse ainda. Quereis, pois, a toda força elevar o Espiritismo à situação de uma religião! Notai bem que jamais ele teve essa pretensão; jamais se colocou como rival do Cristianismo, do qual declara ser o filho; que ele combate os seus mais cruéis inimigos: o ateísmo e o materialismo. Ainda uma vez, é uma filosofia repousando sobre as bases fundamentais de toda religião, e sobre a moral do Cristo; se renegasse o Cristianismo, se desmentiria, se suicidaria. São esses inimigos que o mostram como uma nova seita, que lhe dá sacerdotes e grandes sacerdotes. Gritarão tanto, e tão freqüentemente, que é uma religião, que se poderia acabar por nisto crer. É necessário ser uma religião para ter seus mártires?"
- Revista Espírita - 1862 - mês de Abril
  • "Para responder, desde agora e sumariamente, à questão formulada no título deste opúsculo, nós diremos que: O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações."
- O que é o Espiritismo
  • "Se a religião recusa caminhar com a ciência, a ciência avança sozinha."
- A Gênese
  • "Podem queimar livros, mas não se queimam idéias; as chamas das fogueiras as superexcitam, em vez de extingui-las. Ademais, as idéias estão no ar, e não há Pirineus bastante elevados para detê-las; e quando é grande e generosa uma idéia, encontra milhares de corações dispostos a almejá-la."
-Revista Espírita, novembro de 1861 - Paris (França)
-Comentário de Allan Kardec acerca do Auto de fé de Barcelona.
  • "Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as más inclinações"
- O evangelho segundo o espiritismo - Página 188, Allan Kardec, Júlio Abreu Filho, Allan Kardec - Editora Pensamento, 1963, ISBN 8531502497, 9788531502491 - 304 páginas
  • "Com o Espiritismo, a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral, que é sua consequência inevitável.".
- O Livro dos Espíritos - Página 358, Allan Kardec, Petit Editora e Distribuidor, 1999, ISBN 8572530371, 9788572530378 - 368 páginas
  • "A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana."
- O Evangelho Segundo o Espiritismo - Página 38, Allan Kardec - Petit Editora e Distribuidor, 1997, ISBN 8572530363, 9788572530361 - 317 páginas
  • "Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade."
- O Evangelho Segundo o Espiritismo - Página 3, Allan Kardec - Petit Editora e Distribuidor, 1997, ISBN 8572530363, 9788572530361 - 317 páginas

Atribuídas

  • "Uma religião que não estivesse, em nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria a temer do progresso e seria uma religião invulnerável."
  • "Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe."
  • "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará."
  • "Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência de uma causa está na razão da grandeza do efeito."
  • "Os espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo - mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam."
  • "Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal elementos aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições."
  • "Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a Lei."
  • "Os bons espíritos simpatizam com os homens de bem, ou suscetíveis de se melhorar. Os espíritos inferiores, com os homens viciosos ou que podem viciar-se. Daí seu apego, resultante da semelhança de sensações."
  • "Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito."
- Allan Kardec citado em "Doutrina Espirita para Principiantes" - Página 136, Luis Raynaud Hu Rivas - EDICEI of America, 2009, ISBN 8598161993, 9788598161990 160 páginas
  • "Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea."
  • "Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado."
  • "Onde quer que as minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral"
  • "A educação, se bem compreendida, é a chave do progresso moral."
  • "A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se encontra."

Allan Kardec

Referências: