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| El Greco (auto-retrato). |
El Greco. (Doménikos
Theotokópoulos).
(em grego: Δομήνικος
Θεοτοκόπουλος),
mais conhecido como El
Greco,
("O
Grego").
Nasceu em Fodele, Heraclião, em 1541, e, faleceu em Toledo, a 7 de
Abril de 1614. El Greco foi um pintor, escultor e arquiteto grego que
desenvolveu a maior parte da sua carreira na Espanha. Assinava suas
obras com o nome original, ressaltando sua origem. Nasceu em Creta,
que naquela época pertencia à República de Veneza, e era um centro
artístico pós-bizantino. Treinou ali e tornou-se um mestre dentro
dessa tradição artística, antes de viajar, aos vinte e seis anos,
para Veneza, como já tinham feito outros artistas gregos. Em 1570
mudou-se para Roma, onde abriu um ateliê e executou algumas séries
de trabalhos. Durante sua permanência na Itália, enriqueceu seu
estilo com elementos do maneirismo e da renascença veneziana.
Mudou-se finalmente em 1577 para Toledo, na Espanha, onde viveu e
trabalhou até sua morte. Ali, El Greco recebeu diversas encomendas e
produziu suas melhores pinturas conhecidas. O estilo dramático e
expressivo de El Greco foi considerado estranho por seus
contemporâneos, mas encontrou grande apreciação no século XX,
sendo considerado um precursor do expressionismo e do cubismo, ao
mesmo tempo em que sua personalidade e trabalhos eram fonte de
inspiração a poetas e escritores como Rainer
Maria Rilke
e Nikos
Kazantzakis.
El Greco é considerado pelo modernos estudiosos como um artista tão
individual que não o consideram como pertencente a nenhuma das
escolas convencionais. É mais conhecido por suas figuras
tortuosamente alongadas e uso freqüente de pigmentação fantástica
ou mesmo fantasmagórica, unindo tradições bizantinas com a pintura
ocidental. Em sua época teve somente dois seguidores de seu estilo:
o seu filho Jorge
Manuel Theotokópoulos
e Luis
Tristán.
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| A Morte da Virgem |
Seu
nascimento em 1541 deu-se na vila de Fodele
ou de Candia
(nome veneziano para Chandax),
presentemente nomeada Heraclião, em Creta, era descendente de uma
próspera família urbana, que provavelmente teria se deslocado de
Chania para Candia depois de uma insurreição fracassada contra o
domínio veneziano, entre 1526 e 1528. Seu pai, Geórgios
Theotokópoulos
(morto em 1558), era comerciante e cobrador de impostos. Nada se
sabe, porém, sobre sua mãe ou sobre sua primeira esposa, uma grega.
Seu irmão mais velho, Manoússos
Theotokópoulos
(1531 - 13 de Dezembro de 1604), foi um comerciante, e passou seus
últimos anos de vida na casa de El Greco, em Toledo. El Greco
recebeu seus treinamentos iniciais como pintor de ícones na Escola
cretense, o principal centro de arte pós-bizantina. Além da
pintura, estudou provavelmente os clássicos da Grécia Antiga, e
talvez os clássicos latinos também; quando morreu deixou uma
"biblioteca de trabalho" com cerca de 130 volumes,
inclusive um exemplar da Bíblia em grego e um Vasari anotado. Candia
era então um centro das atividades artísticas onde as culturas
ocidental e oriental conviviam harmoniosamente, e cerca de duzentos
pintores eram ativos ali, durante o século XVI - inclusive tendo
organizado uma guilda de pintores, ao molde corporativo italiano. Em
1563, com a idade de 22 anos, El Greco foi descrito num documento
como um "mestre" ("maestro Domenigo"),
significando com isso, provavelmente, que já era um membro de guilda
e presumivelmente trabalhava em seu próprio estúdio. Três anos
depois, em Junho de 1566, como testemunha num contrato, ele assinou
seu nome como "Mestre
Menégos Theotokópoulos, pintor"
(μαΐστρος
Μένεγος Θεοτοκόπουλος σγουράφος).
Pertencendo
Creta à Sereníssima
República de Veneza
desde 1211, era natural que o jovem El Greco procurasse continuar sua
carreira naquela cidade italiana. Embora o ano exato dessa mudança
não seja claro, a maioria dos estudiosos é acorde que o pintor
trasladou-se por volta do ano de 1567. As informações sobre os anos
do mestre na Itália são limitados. Morou em Veneza até 1570 e, de
acordo com uma carta escrita por seu mais antigo amigo, e maior
miniaturista da época, o croata Giulio
Clovio,
ele seria um "discípulo" de Ticiano,
que já estava octogenário mas ainda vigoroso. Isso pode significar
que ele trabalhara no estúdio do grande Ticiano, ou não. Clovio
caracterizou El Greco como "um
grande talento para a pintura".
De
sua carreira artística, anterior à sua chegada a Veneza, pouco se
conhece. Contudo, recentemente foi identificado um dos seus
trabalhos, na Igreja de Koimesis
tis Theotokou,
em Siro. Em Veneza trabalhou no ateliê do famoso pintor Ticiano
(Tiziano
Vecellio)
e, sem dúvida, conheceu a pintores como Tintoretto
(Jacopo
Robusti),
Veronèse
(Paolo
Caliari Veronese)
e Bassano
(Jacopo
da Ponte),
bem como a obra dos pintores maneiristas do centro da Itália, entre
eles Domenichino
(Domenico
Zampieri),
Parmigianino
(Girolamo
Francesco Maria Mazzola),
etc. Entre suas mais conhecidas obras do período veneziano pode se
encontrar A
Cura do Cego,
onde se percebe a total e solene influência de Ticiano.
Quanto à composição de figuras e à utilização do espaço, a
influência de Tintoretto
é notável.
 |
| Retrato de Giorgio Giulio Clovio, o mais antigo retrato de El Greco que subsistiu (c. 1570, óleo sobre tela, 58 × 86 cm, Reggia di Capodimonte, Nápoles). |
Em 1570, El Greco
mudou-se para Roma, quando executou algumas séries de trabalhos
marcados por seu aprendizado veneziano. Não se sabe com precisão
quanto tempo durou sua estada ali, mas é certo que retornou a Veneza
(c. 1575-76) antes de sua mudança para a Espanha. Em Roma, El Greco
hospedou-se no Palazzo
Farnese,
tornado pelo Cardeal Alessandro
Farnese
um centro pulsante de vida intelectual e artística da cidade. Ali
ele travou contato com a elite pensante romana, incluindo-se o
humanista Fulvio
Orsini,
que mais tarde veio a ter em sua coleção sete pinturas do artista
(Visão
do Monte Sinai
e o Retrato
de Clovio,
entre elas). Diferente de outros artistas cretenses que foram para
Veneza, El Greco alterou substancialmente seu estilo e procurou se
distinguir pelas novas e incomuns interpretações dos temas
religiosos tradicionais. Sua pinturas italianas apresentam forte
influência do Renascimento veneziano do período, com figuras ágeis,
alongadas, lembrando a Tintoretto
e um vigor cromático que o liga a Ticiano.
Dos pintores venezianos aprendeu ainda a composição, organizada em
paisagens vibrantes e com luz atmosférica. Clovio informa que
visitara o artista quando este ainda se encontrava em Roma. El Greco
estava sentado, num quarto pouco iluminado, porque ele acreditava que
as sombras conduziam melhor suas ideias que a luz do dia, que
perturbavam-lhe a sua "luz
interior".
Como resultado de sua permanência em Roma seus trabalhos foram
enriquecidos de elementos como a perspectiva
violenta, onde pontos desaparecem ou as figuras surgem em atitudes
estranhas, com posturas repetidas e torcidas em gestos tempestuosos -
todos elementos do maneirismo.
No tempo em que El Greco passou em Roma, tanto Michelangelo
como Rafael
Sanzio
já haviam morrido, mas seus exemplos continuavam como influência
sobre os jovens pintores. O cretense, entretanto, estava determinado
a imprimir sua própria marca e em defender sua própria visão
artística, suas ideias e estilo pessoais. Ele poupou Correggio
(Antônio
Allegri)
e Parmigianino
(Girolamo
Francesco Maria Mazzola)
duma crítica particular, mas não hesitou em desfazer-se de
Michelangelo
(Michelangelo
di Lodovico Buonarroti Simoni)
em seu Juízo
Final,
na Capela Sistina. Chegou a oferecer-se ao Papa
Pio V
para pintar sobre o trabalho inteiro, consoante o novo e mais rígido
pensamento católico. Quando, mais tarde, lhe perguntaram o que
achava de Michelangelo, El Greco respondeu que "ele
foi um bom homem, mas um mau pintor"
- ficando-se assim diante de um paradoxo: El Greco reagira,
condenando, à obra de Michelangelo, mas achava que era impossível
resistir à sua influência. A influência de Michelangelo, de fato,
pode ser vista em seu trabalho posterior, "Alegoria
da Liga Sagrada".
Ao retratar as figuras de Michelangelo, Ticiano, Clovio e,
presumivelmente, Rafael, em um dos seus trabalhos ("A
Purificação do Templo"),
El Greco não apenas expressou sua gratidão mas avançou na
pretensão de rivalizar com estes grandes mestres. Como indicam seus
próprios comentários, o cretense via em Ticiano, Michelangelo e
Rafael exemplos a serem seguidos. Nas suas Crônicas,
no século XVII, Giulio
Mancini
incluiu El Greco dentre os pintores que, de várias formas, haviam
iniciado uma reavaliação das lições de Michelangelo. Por causa de
suas convicções artísticas pouco convencionais (como por exemplo a
reprovação da técnica de Michelangelo) e de sua personalidade, El
Greco logo adquiriu inimigos em Roma. O arquiteto e escritor Pirro
Ligorio
chamou-o de "estrangeiro
tolo",
e recentemente foi descoberto em arquivos um material que revela uma
dissenção com Farnese, que obrigara o jovem artista a deixar seu
palácio. Em 6 de Julho de 1572, El Greco se queixou oficialmente
deste fato. Alguns meses depois, em 18 de Setembro de 1572, pagou
suas dívidas para com a Guilda
de São Lucas
em Roma, com uma miniatura que pintara. No final daquele ano o pintor
abriu seu próprio estúdio, e admitiu como seus assistentes os
pintores Lattanzio
Bonastri de Lucignano
e Francisco
Preboste.
Entre as principais obras de seu período romano podem encontrar-se a
Purificação
no Templo
e o Retrato
de Giulio Clovio,
tal como A
Piedade.
Nesta última obra se percebe claramente a influência de
Michelangelo.
 |
| A Ascensão da Virgem |
Em 1577, El Greco
emigrou primeiro para Madri, e dali foi para Toledo, onde produziu
seus trabalhos da maturidade. Naquela época Toledo era a capital
religiosa da Espanha, e uma populosa cidade. Dela dizia-se ser um
lugar com "um
passado ilustre, um próspero presente e um futuro incerto".
Em Roma, El Greco havia conquistado o respeito de alguns
intelectuais, mas também enfrentara a hostilidade de certos críticos
de arte. Durante a década de 1570 o enorme monastério-palácio de
El
Escorial
ainda estava sendo construído e Filipe
II de Espanha
enfrentava dificuldades para encontrar bons artistas para executar as
muitas pinturas que a obra exigia. Ticiano morrera, e Tintoretto,
Veronese
e Antônio
Mouro
recusaram-se todos em ir para a Espanha. Filipe tivera que confiar
então no talento menor de Juan
Fernándes de Navarrete,
cuja gravedad
e decoro
(seriedade
e decoro)
foram aprovados pelo rei. Mas este pintor veio a morrer em 1579; o
momento parecia ideal para El Greco. Graças à interseção de
Clovio e de Orsini, El Greco conheceu Benito
Arias Montano,
um humanista espanhol e agente de Filipe;
Pedro
Chacón,
um clérigo; e Luís
de Castela,
filho de Diego
de Castela,
deão da Catedral
de Toledo.
Da amizade com este último El Greco obteve as primeiras encomendas
para Toledo. Ali chegou, em Julho de 1577, assinando contrato para um
grupo de pinturas que se destinavam à ornamentação da Igreja de
São Domingo o Velho e para o renomado El
Expolio.
Em Setembro de 1579 ele havia terminado nove pinturas para a São
Domingo, dentre as quais A
Trindade
e A
Ascensão da Virgem.
Estes trabalhos firmaram a reputação do artista em Toledo. O pintor
não tinha planos de se instalar definitivamente em Toledo, uma vez
que seu principal objetivo era atrair as graças de Filipe e
conquistar lugar em sua corte. De fato, ele obteve duas importantes
encomendas do monarca: a Alegoria
da Santa Liga
e o Martírio
de São Maurício.
Mas o rei não gostou destes trabalhos e colocou o retábulo de S.
Maurício na sala capitular ao invés de na capela para a qual fora
pintada. Ele não fez nenhuma encomenda adicional ao pintor. As
razões exatas para o descontentamento real permanecem obscuras.
Alguns estudiosos sugerem que Filipe não gostara da inclusão de
pessoas vivas nas cenas religiosas retratadas; alguns outros sugerem
que El Greco violara uma regra básica da Contra-Reforma,
que era a supremacia do conteúdo sobre o estilo. Filipe tinha um
interesse especial por sua encomendas, e um gosto muito decidido; uma
almejada escultura da Crucifixão
por Benvenuto
Cellini
também desagradara-o, quando chegou, e foi igualmente exilada em
local menos evidente. O que acontecera a Federico
Zuccari
foi ainda pior. Em todo caso, o descontentamento de Filipe terminou
com qualquer esperança do patronato real para El Greco.
Maturidade e
últimos anos
 |
| O Enterro do Conde de Orgaz |
Sem os favores do
rei, El Greco foi obrigado a permanecer em Toledo, onde fora recebido
em 1577 como um grande pintor. De acordo com Hortensio
Félix Paravicino,
um pregador e poeta espanhol do século XVII, "Creta
lhe dera a vida e o talento, Toledo foi a melhor pátria, onde a
morte lhe permitiu alcançar a vida eterna".
Em 1585 ele parece haver contratado um assistente, o pintor italiano
Francisco Preboste, e estabeleceu um estúdio próprio capaz de
produzir quadros para altares e estátuas, além das pinturas. Em 12
de Março de 1586 obteve a encomenda para O
Enterro do Conde de Orgaz,
que hoje vem a ser sua obra-prima mais conhecida. A década entre
1597 a 1607 foi o período de maior atividade para El Greco. Durante
estes anos recebeu suas maiores encomendas, e seu estúdio criava
conjuntos de figuras e esculturas para uma variegada clientela de
instituições religiosas. Entre as maiores encomendas desse período
estão três altares para a Capela
de São José,
em Toledo (1597-99); três pinturas (1596-1600) para o Colégio
de Doña María de Aragon,
no monastério agostiniano de Madri; e o altar-mor, quatro altares
laterais e a pintura Santo
Idelfonso
para a Capela Maior do Hospital
de la Caridad
de Illescas (1603-05). As minutas da comissão de A
Virgem da Imaculada Conceição
(1607-13), que era composta pelos membros da municipalidade,
descrevem El Greco como "um
dos maiores homens neste reino e fora dele".
Entre 1607 e 1608 El Greco viu-se envolvido numa demorada disputa
judicial com as autoridades do Hospital da Caridade de Illescas a
respeito do pagamento pelo seu trabalho, que incluía pintura,
escultura e projeto arquitetônico. Esta e outras disputas legais
contribuíram para as dificuldades econômicas por ele experimentadas
no final da vida. Em 1608 recebeu sua última grande encomenda: para
o Hospital de São João Batista, em Toledo. El Greco fez de Toledo
seu lar. Contratos sobreviventes mencionam-no como inquilino em 1585
de um complexo de três apartamentos e vinte e quatro quartos que
pertenceram ao Marquês
de Vilhena.
Foi nestes apartamentos, que também lhe serviam como estúdio, que
passou o resto de sua vida, enquanto pintava e estudava. Vivia em
grande estilo, algumas vezes contratando músicos para tocarem
enquanto ceava. Não se pôde confirmar que vivia com a sua
companheira espanhola, Jerónima
de Las Cuevas,
com quem certamente nunca se casou. Ela foi a mãe de seu único
filho, Jorge
Manuel,
nascido em 1578, e que tornou-se também pintor, ajudando ao pai e
repetindo-lhe as composições por muitos anos, depois que herdou-lhe
o estúdio. Em 1604 Jorge
Manuel e Alfonsa de los Morales
tiveram o neto de El Greco, Gabriel,
que foi batizado por Gregorio
Ângulo,
governador de Toledo e amigo pessoal do artista. Durante a execução
de uma encomenda para o Hospital Tavera, El Greco caiu gravemente
doente, vindo a falecer um mês depois, a 3 de Abril de 1614. Poucos
dias antes, em 31 de Março, havia designado o filho como seu
herdeiro. Dois gregos, amigos do pintor, foram as testemunhas de seu
testamento (o mestre nunca perdeu o contato com suas origens gregas).
Foi sepultado na Igreja
de São Domingo o Velho.
 |
| (El Expolio) (1577–1579). |
O primado da
imaginação e da intuição sobre o caráter subjetivo de criação
foi um princípio fundamental do estilo de El Greco. Ele descartou
critérios clássicos como medidas e proporção, acreditando que a
graça é o supremo objetivo da arte, mas um pintor somente alcança
a graça quando consegue resolver os problemas mais complexos com a
obviedade do simples.
"Acredito
que a reprodução da cor é a maior dificuldade da arte."
|
El Greco
(notas do pintor, num dos seus comentários)
|
O mestre
considerava a cor como o elemento mais importante e incontrolável da
pintura, e declarou que a cor tinha primazia sobre a forma. Francisco
Pacheco,
um pintor e teórico que visitara El Greco em 1611, escreveu que o
pintor gostava das "cores cruas e sem misturas, em grandes
borrões, como uma exibição orgulhosa de sua destreza" e que
"ele acredita em constante repintura e retoques ordenados em
amplas massas como numa planície da natureza". O historiador de
arte Max
Dvořák
foi o primeiro estudioso a ligar a arte de El Greco com o
 |
| Vista de Toledo (c. 1596–1600). |
maneirismo
e o antinaturalismo. Pesquisadores modernos caracterizam teoricamente
El Greco como "tipicamente
maneirista"
e tendo definido suas fontes dentro do neo-platonismo da Renascença.
Jonathan
Brown
acredita que El Greco tentou criar uma forma sofisticada de arte; de
acordo com Nicholas
Penny
, "uma vez na Espanha, El Greco pôde criar seu estilo próprio
– começando por repudiar a maioria das ambições descritivas da
pintura. Em seus trabalhos da maturidade, o pintor demonstra a
característica tendência para dramatizar em vez de descrever. A
força da emoção espiritual se transfere da pintura diretamente ao
observador. De acordo com Pacheco, sua pintura perturbada, violenta e
por vezes aparentemente de execução descuidada era algo devido a
acurado estudo para adquirir uma liberdade de estilo. A preferência
de El Greco por figuras excepcionalmente altas e esbeltas e
composições alongadas, serviam antes aos seus propósitos
expressivos e a princípios estéticos, que o levaram a desconsiderar
as leis da natureza e alongar suas composições em grandes
extensões, particularmente quando eram destinadas aos retábulos de
altar. A anatomia do corpo humano torna-se mais transcendente até
mesmo nos seus trabalhos da maturidade. Em "A
Virgem da Imaculada Conceição"
El Greco pediu para que o retábulo fosse ainda mais alongado em 1,5
pé "porque assim a forma ficará perfeita e não reduzida, que
é a pior coisa que pode acontecer a uma figura". Uma inovação
significante nos trabalhos maduros do pintor é o entrelaçamento
entre forma e espaço; uma relação mútua é desenvolvida
completamente entre os dois, de modo a unificar a superfície da
pintura. Este entrelaçamento ressurgiria três séculos depois, nas
obras de Paul
Cézanne
e Pablo
Picasso.
Outra característica do estilo maduro de El Greco é o uso da luz.
Como Jonathan
Brown
observa, "cada
figura parece trazer sua própria iluminação, ou refletir a luz que
emana de uma fonte não vista".
Fernando
Marias
e Agustín
Bustamante García,
os estudiosos que transcreveram as notas manuscritas de El Greco,
estabelecem uma ligação entre o poder que o pintor expressa com a
luz às ideias do precedente neo-platonismo cristão. Estudiosos
modernos ressaltam a importância de Toledo para o completo
desenvolvimento do estilo maduro de El Greco, e a tensão da
habilidade do pintor por ajustar seu estilo conforme seu ambiente.
Harold
Wethey
assevera que "embora
grego de nascimento e italiano pela preparação artística, o
artista imergiu de tal forma no ambiente religioso de Espanha que
tornou-se o principal representante visual do misticismo espanhol".
Ele acredita que os trabalhos da maturidade do mestre têm o
"temperamento da intensidade devocional que reflete o espírito
religioso do catolicismo espanhol no período da Contra-Reforma".
El Greco também superou-se como retratista, capaz não apenas de
registrar as características dum modelo, mas de expressar também o
seu caráter. Seus retratos são menos numerosos que as pinturas
religiosas, mas são de qualidade igualmente elevada. Wethey diz que
"através
de meio tão simples, o artista criou uma caracterização tão
memorável que o coloca na mais alta lista como retratista, junto a
Ticiano
e Rembrandt".
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| Adoração dos Magos (1565–1567). |
Desde o começo do
século XX que os estudiosos debatem se o estilo de El Greco tinha
origens bizantinas. Certos historiadores de arte afirmaram que as
raízes do pintor estavam fixadas firmemente nas tradições
bizantinas, e que a maioria de suas características individuais
derivavam diretamente da arte de seus ancestrais, enquanto outros
afirmam que a arte bizantina não influiu no trabalho posterior de El
Greco. A descoberta de "Enterro
da Virgem"
em Siro, um autêntico e assinado trabalho do período cretense do
pintor, e a extensa pesquisa de arquivos feita no começo dos anos
1960, contribuíram para reacender e reavaliar estas teorias. Embora
siga muitas convenções dos ícones bizantinos, mostra entretanto
aspectos de estilo certamente de influência veneziana, e a
composição, mostrando a morte de Maria, combina as diferentes
doutrinas ortodoxa (Enterro
da Virgem)
e católica (Ascensão
da Virgem).
Estudos significativos da segunda metade do século XX dedicados a El
Greco reavaliam muitas das interpretações de seu trabalho, enquanto
incluem o seu suposto bizantinismo. Baseado nas anotações escritas
de próprio punho pelo pintor, em seu estilo único, e no fato de que
El Greco assinava sempre seu nome em caracteres gregos, vêem uma
continuidade orgânica entre a pintura bizantina e sua arte. De
acordo com Marina
Lambraki-Plaka
"longe
da influência italiana, num lugar neutro que era intelectualmente
semelhante à sua Candia natal, os elementos bizantinos de sua
educação emergiram e desempenharam um papel catalítico na nova
concepção da imagem que nos é apresentada em seus trabalhos da
maturidade".
Apreciando essa questão, Lambraki-Plaka discorda dos professores da
Universidade de Oxford, Cyril
Mango
e Elizabeth
Jeffreys,
quando afirma que "apesar
das afirmações em contrário, o único elemento bizantino nas
famosas pinturas dele foram suas assinaturas em alfabeto grego".
Nikos
Hadjinikolaou
dispõe, sobre a pintura de 1570 de El Greco, que era "nem
bizantina, nem pós-bizantina, mas Ocidental. Os trabalhos que ele
produziu na Itália pertencem à história da arte italiana, e
aqueles produzidos na Espanha à história da arte espanhola".
O historiador de arte inglês David Davies busca as raízes do estilo
do mestre nas fontes intelectuais de sua educação greco-cristãs e
no mundo de suas lembranças sobre os aspectos litúrgicos e
cerimoniais da Igreja Ortodoxa. Davies
acredita que o clima religioso da Contra-Reforma e a estética do
maneirismo agiram como catalisadores para ativar sua técnica
individual. Ele afirma que as filosofias do platonismo e do velho
neo-platonismo, os trabalhos de Plotino
e Pseudo-Dionísio,
o Areopagita,
os textos dos Pais da Igreja e a liturgia oferecem as chaves para a
compreensão do estilo de El Greco. Resumindo o debate acadêmico
sobre o assunto, José
Alvarez Lopera,
curador do Museu do Prado, em Madri, conclui que a presença de
"recordações bizantinas" é óbvia dentro do trabalho da
maturidade de El Greco, mas alguns aspectos obscuros de suas origens
bizantinas ainda precisam ser esclarecidos.
El Greco foi
grandemente admirado como arquiteto e escultor, durante sua vida. Ele
normalmente realizava a composição completa dos altares,
funcionando ao mesmo tempo como arquiteto, escultor e pintor –
como, por exemplo, no Hospital da Caridade. Ali ele fez a decoração
da capela do hospital, mas o altar de madeira e as esculturas que
realizou certamente se perderam. Para o ‘’El Expolio" o
mestre projetara um original altar com madeira banhada a ouro, que
foi destruído, mas o pequeno grupo de esculturas de "Milagre de
Santo Ildefonso" sobreviveu, na parte inferior do quadro.
"Eu
não ficaria feliz em ver uma mulher bem proporcional e bonita,
não importa sob qual ponto de vista, ainda que extravagante, não
apenas perderia sua beleza e ordem, eu diria, quando aumentada em
tamanho de acordo com as leis da visão, já não mais apareceria
bonita, e , em verdade, seria monstruosa"
|
El Greco
(marginalia inscrita pelo pintor na sua cópia do Vitruvius)
|
Sua realização
arquitetônica mais importante foi a igreja e Monastério de São
Domingo, o Velho, para o qual também executou pinturas e esculturas.
El Greco é considerado um artista que incorporou a arquitetura na
sua pintura. A ele também são creditadas a arquitetura de quadros
de suas próprias pinturas feitas em Toledo. Pacheco o caracterizou
como "escritor sobre pintura, escultura e arquitetura". Na
marginália que o pintor escreveu em sua cópia da tradução de
Daniele
Barbaro
do Vitruvius De
Architectura,
refutou o anexo sobre relíquias arqueológicas, proporções
canônicas, perspectiva e matemática. Ele também via a forma
indicada pelo Vitruvius para torcer proporções para compensar a
distância do observador como responsável pela criação de formas
monstruosas. El Greco era avesso também a muitas regras da
arquitetura; ele acreditava acima de tudo na liberdade de criação e
defendia a novidade, variedade e complexidade. Estas ideias foram,
porém, extremamente distantes daquelas existentes nos círculos
arquitetônicos do seu tempo, e não tiveram nenhuma ressonância
imediata.
Foi
um momento grandioso. Uma consciência pura e virtuosa ficou sobre
uma das bandejas da balança, um império sobre a outra, e foste
tu, consciência do homem, que depositaste as escalas. Esta
consciência será capaz de comparecer perante o Senhor no Juízo
Final e não ser julgada. Ela julgará, porque a dignidade humana,
a pureza e o valor encherão o próprio Deus com terror … Arte
não é submissão, nem regras, mas sim um demónio que esmaga os
moldes … O peito do arcanjo interior de Greco lançou-o sobre
uma singular esperança de liberdade selvagem, o excelentíssimo
sótão deste mundo. Nikos
Kazantzakis, in Report
to Greco.
|
 |
| A Santíssima Trindade (1577–1579). |
El Greco foi
desdenhado pela geração imediatamente posterior à sua morte,
devido ao fato da sua obra ser oposta, em muitos aspetos, aos
princípios do estilo barroco inicial, que surgiu fortemente nos
inícios do século XVII e depressa suplantou os últimos traços do
maneirismo do século XVI. El Greco foi considerado incompreensível
e não tinha seguidores de relevo. Apenas o seu filho e alguns
pintores desconhecidos reproduziram algumas fracas cópias de suas
obras. Nos fins do século XVIII, comendadores espanhóis elogiaram o
seu talento, mas criticaram o seu estilo antinatural e o seu
"complexo
de iconografia".
Alguns destes comendadores, tais como Acisclo
Antonio Palomino de Castro y Velasco
e Juan
Agustín Ceán Bermúdez
descreveram a sua obra como "desprezível", "ridícula"
e "digna de escárnio". As opiniões de Palomino e Bermúdez
eram frequentemente citadas na historiografia espanhola, adornadas
com expressões como "estranha", "esquisita",
"original", "extravagante" e "ímpar".
A expressão "cheio
de excentricidade",
usualmente encontrada em tais textos, com o tempo evoluiu para
"loucura". Com a ascensão do romantismo, nos finais do
século XVIII, a obra de El Greco foi examinada uma vez mais. Para o
escritor francês Theophile
Gautier,
El Greco foi o precursor do romantismo europeu, em todo o seu forte
desejo pelo diferente e pelo extremo. Gautier considerava El Greco
como o herói romântico ideal (o "dotado", o "mal
entendido", o "homem") e foi o primeiro a expressar
explicitamente a sua admiração por El Greco. Os críticos de arte
franceses, Zacharie
Astruc
e Paul
Lefort,
ajudaram a promover uma grande propagação e reavivamento do
interesse pela obra do mestre. Na década de 1890 os pintores
espanhóis residentes em Paris adotaram-no como seu guia e mentor. Em
1908, o historiador espanhol Manuel
Bartolomé Cossío
publicou o primeiro catálogo que abrangia toda a obra de El Greco;
no seu livro o cretense foi apresentado como fundador da Escola
Espanhola.
No mesmo ano, Julius
Meier-Graefe,
um estudioso do impressionismo francês, viajou à Espanha e grafou
as suas experiências no livro de nome The
Spanische Reise,
o primeiro que estabelece El Greco como um grande pintor do passado.
Na obra do cretense Graefe encontrou vislumbres da modernidade. Estas
são as palavras que usou para descrever o impacto do pintor nos
movimentos artísticos do seu tempo:
Ele [El Greco]
descobriu um reino de novas possibilidades. Nem mesmo ele estava
apto a esgotá-las. Todas as gerações que o seguiram viveram
nesse reino. Há grande diferença entre ele e o seu mestre,
Ticiano,
diferença essa maior do que a que existe entre Renoir
e Cézanne.
Embora Renoir e Cézanne fossem mestres de grande originalidade,
não é possível dispor-se da linguagem de El Greco e, em caso de
a usar, inventá-la de novo, outra e outra vez. Julius
Meier-Graefe.
|
Para o artista e
crítico inglês Roger
Fry,
em 1920, El Greco era o arquetípico gênio, que faz o que acha ser
certo e que "age
com completa indiferença para com o efeito que essa expressão
poderá ter no público".
Fry descreveu o pintor como um "velho
mestre, que não é meramente moderno, mas que atualmente aparece uns
bons passos à nossa frente e se vira para trás, para nos indicar o
caminho".
Nesse mesmo período outros pesquisadores desenvolveram teorias
alternadas, mais radicais. August
Goldschmidt
e Germán
Beritens
argumentaram que El Greco pintara figuras humanas alongadas porque
tinha problemas visuais (possivelmente astigmatismo progressivo e
estrabismo), que o faziam ver os corpos mais alongados do que eram na
realidade e de um ângulo perpendicular. O escritor inglês William
Somerset Maugham
atribuiu o estilo pessoal de El Greco ao fato do mesmo ser
homossexual, e Arturo
Perera
atribuiu-o ao uso de marijuana.
"Ao
escalar o abismo, travessa escorregadia pela chuva
—Quase
trezentos anos já passados— Senti-me apreendido pela mão de
Poderoso Amigo e vi-me, realmente, erguido pelas duas enormes
asas de Doménicos, aos altos céus
que
desta vez estavam repletos de laranjeiras e água, falando da
pátria."
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–Odysséas
Elýtis,
Diário
de um Abril irreconhecível
|
Michael
Kimmelman,
um revisor do jornal The
New York Times,
declarou que "El
Greco tornou-se a essência da pintura grega, para os Gregos; para os
espanhóis tornou-se a própria essência da espanhola".
Como provado pela campanha encetada pela Galeria Nacional de Arte, em
Atenas para aumentar os fundos a fim de realizar a compra de "São
Pedro",
em 1995, El Greco é apreciado não só pelos entendidos, mas também
pelo público comum; graças às doações maioritariamente
individuais e fundações de beneficência públicas, a Galeria
Nacional de Arte conseguiu 1,2 milhão de dólares e comprou o
quadro. Referindo-se ao consenso geral sobre o impacto de El Greco,
Jimmy
Carter
disse, em abril de 1980, que El Greco foi o mais extraordinário
pintor desde a sua época, como nunca mais de viu, e que esteve
talvez cerca de três a quatro séculos à frente do seu tempo.
Influência em
outros artistas
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| A Abertura do Quinto Selo (1608–1614). |
A reavaliação de
El Greco não se limitou aos estudiosos. De acordo com Efi
Foundoulaki
"os
pintores e os teóricos do século XX descobriram um novo El Greco,
mas durante o processo também descobriram e reavaliaram a si
próprios".
A sua expressividade e cores influenciaram Eugène
Delacroix
e Édouard
Manet.
Para o grupo Der
Blaue Reiter,
em Munique, 1912, El Greco tipificou a construção
mística interior,
que era o que a sua geração tinha de descobrir, como tarefa. O
primeiro pintor que parece ter notado o código estrutural na
morfologia estrutural de El Greco foi Paul
Cézanne,
um dos precursores do cubismo. Análises morfológicas comparativas
dos dois pintores revelaram os seus elementos comuns, como a
distorção do corpo humano, os avermelhados (em aparência, apenas),
fundos inacabados e similaridades na renderização do espaço. De
acordo com Brown,
"Cézanne
e El Greco são irmãos espirituais, apesar dos séculos que os
separam".
Fry
observou que Cézanne desenhou "através
de sua grande descoberta da permeação de cada de cada parte do
desenho com um tema plástico uniforme e contínuo".
Os simbolistas e Pablo
Picasso,
durante o período
azul,
desenharam na tonalidade fria de El Greco, usando a anatomia das suas
figuras ascéticas. Enquanto Picasso trabalhava em Les
Demoiselles d'Avignon,
visitou um seu amigo, Ignacio
Zuloaga,
no seu estúdio em Paris, e estudou o Abertura
do Quinto Selo
(em posse de Zuloaga desde 1897). A relação entre o quadro de
Picasso e o de El Greco foi notada nos primeiros anos da década de
1980, quando as similaridades estilísticas e o relacionamento entre
os motivos das suas obras foram analisados.
"Em
todos os casos, apenas a execução conta. Deste ponto de vista, é
correto dizer que o cubismo tem origem espanhola e que eu inventei
o Cubismo. Precisamos procurar a influência espanhola em Cézanne.
As coisas, por si só, precisam disso, a influência de El Greco
nelas. Mas a sua estrutura é cubista."
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Picasso
falando sobre "Les
Demoiselles d'Avignon"
a Dor de la Souchère, em Antibes.
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Retrato de Jorge Manuel Theotocopoulos (1600–1605). |
As primeiras
explorações cubistas de Picasso tinham o objectivo de descobrir
outros aspectos da obra de El Greco: análise estrutural das suas
composições, refração multifacetada das formas, interligação
entre formas e espaço e efeitos especiais nos realces. Muitos
aspectos do cubismo, tais como as distorções e a renderização
materialista do tempo, têm suas analogias na obra de El Greco.
Segundo Picasso, a estrutura de El Greco é cubista. Em 22 de
Fevereiro de 1950, Picasso iniciou a sua série de "paráfrases"
de obras de outros pintores com The
Portrait of a Painter after El Greco.
Foundoulaki
afirma que Picasso completou o processo de ativação dos valores da
pintura de El Greco, que tinham começado com Manet
e continuado com Cézanne.
Os expressionistas focalizaram-se nas distorções expressivas de El
Greco. Franz
Marc,
um dos principais pintores do movimento
expressionista alemão,
declarou: "Referimo-nos
com prazer e perseverança ao caso de El Greco, porque a glória
deste pintor está intimamente ligada à evolução das nossas
perspectivas de arte".
Jackson
Pollock,
grande referência no movimento
expressionista abstrato,
também foi influenciado por El Greco. Por volta de 1943, Pollock
tinha concluído 60 composições desenhadas com base em El Greco e
possuía três livros sobre o mestre cretense. Os pintores
contemporâneos são também inspirados pela obra de El Greco. Kysa
Johnson
usou obras de El Greco como quadro compositivo para alguns de seus
trabalhos, e a distorção anatômica do mestre é, de certo modo,
refletida nos retratos de Fritz
Chesnut.
A personalidade e obra de El Greco serviram de fonte de inspiração
ao poeta Rainer
Maria Rilke.
Uma parte de seus poemas (Himmelfahrt
Mariae I.II.,
1913) foi diretamente baseada em Immaculate
Conception,
de El Greco. O escritor grego Nikos
Kazantzakis,
que sentia uma forte afinidade espiritual por El Greco, chamou a sua
autobiografia de Relatório
de Greco
e escreveu um tributo ao mestre. Em 1998, o compositor eletrônico e
artista grego Vangelis
lançou El
Greco,
uma sinfonia inspirada no artista. Este álbum é uma extensão do
anterior, de Vangelis, Foros
Timis Ston Greco
("Um
Tributo a El Greco").
A vida do mestre é também tema de um filme, dirigido por Yannis
Smaragdis,
que se iniciou em outubro de 2006, na ilha de Creta, e estreou-se no
cinema um ano depois; o ator britânico Nick
Ashdon
foi escolhido para representar o papel de El Greco.
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| O tríptico de Módena (1568). |
O número exato das
obras de El Greco é uma questão controversa. Em 1937, um estudo
fortemente influente, pelo historiador de arte Rodolfo
Pallucchini,
fez com que houvesse um número muito maior de obras aceites como
sendo de El Greco. Pallucchini atribuiu a El Greco um tríptico na
Galeria Estense, em Módena, com base numa assinatura, na parte de
trás do painel central do tríptico ("Χείρ
Δομήνιχου",
criado pela mão de Doménikos).
Houve consenso quanto a que o tríptico era de fato uma das primeiras
obras de El Greco e, portanto, a publicação de Palluchini tornou-se
a bitola para as atribuições das obras ao artista. No entanto,
Wethey negou que o tríptico de Módena tinha alguma relação ao
artista e, em 1962, publicou um catálogo raisonné,
em reação, com uma reduzidíssima lista de obras. Considerando que
José
Camón Aznar,
historiador de arte, atribuiu entre 787 e 829 quadros ao mestre
cretense, Wethey
reduziu esse número para apenas 285 obras autênticas e Halldor
Sœhner,
pesquisador de arte espanhola, reconheceu apenas 137. Wethey e outros
estudiosos rejeitaram a noção de que Creta tivesse algum crédito
na sua formação e sustentou a eliminação de várias séries da
obra de El Greco. Desde 1962 a descoberta de Dormition
e a extensa pesquisa arquivada gradualmente convenceram os estudiosos
de que as afirmações de Wethey não eram totalmente corretas, e que
o seu catálogo pode ter distorcido a percepção da inteira natureza
das origens, desenvolvimento e obra de El Greco. A descoberta de
Dormition
conduziu à atribuição de três outras obras assinadas "Doménicos"
para El Greco (Tríptico
de Modena,
St.
Luke Painting the Virgin and Child,
e A
Adoração dos Magos)
e daí à aceitação de mais obras, como autênticas – algumas
assinadas, outras não (tais como Paixão
de Cristo (Pietà com Anjos)
pintada em 1566), – que foram trazidas para o grupo das primeiras
obras de El Greco. El Greco é agora encarado como um artista com
treino e formação cretenses; uma série de obras iluminaram o
estilo inicial de El Greco, algumas pintadas enquanto ele ainda se
encontrava em Creta, algumas da sua época de Veneza, e algumas de
quando ele estava em Roma. Até Wethey afirmou que "ele [El
Greco] provavelmente pintou o disputado tríptico da Galeria Estense
antes de deixar Creta". No entanto, controvérsias sobre o
número exato de obras autênticas de El Greco continuam por
encontrar um desfecho, e o status do catálogo de Wethey está no
centro desses desentendimentos.
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| Laocoonte, 1608/14). |
Referências