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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Biografia de André Breton

André Breton
André Breton nasceu em Tinchebray, a 19 de Fevereiro de 1896, e, faleceu em Paris, a 28 de Setembro de 1966. André Breton foi um escritor francês, poeta e teórico do surrealismo. De origem modesta, iniciou sem entusiasmo estudos em Medicina sob pressão da família. Mobilizado para o exército na qualidade de enfermeiro para a cidade de Nantes em 1916, travou ali conhecimento com Jacques Vaché, filho espiritual de Alfred Jarry, um jovem sarcástico e niilista que viveu a vida como se de uma obra de arte se tratasse e que morreu aos 24 anos em circunstâncias bastante suspeitas (a tese do suicídio é controversa). Jacques Vaché, que não mais deixou do que cartas de guerra, teve uma enorme influência no espírito criativo de Breton: enfraquecendo a influência de Paul Valéry e, deste modo, determinando tanto a sua concepção de “Poète” (Le Pohète segundo Vaché) como a de humor e de arte. Em 1919, Breton funda com Louis Aragon e Philippe Soupault a revista Littérature e entra também em contato com Tristan Tzara, fundador do Dadaismo.  Em “Les Champs Magnétiques” (escrito em colaboração com Soupault), coloca em prática o princípio da escrita automática. Breton publica o “Primeiro Manifesto Surrealista”, em 1924. Um grupo se constitui em torno de Breton: Philippe Soupault, Louis Aragon, Paul Éluard, René Crevel, Michel Leiris, Robert Desnos, Benjamin Péret. No afã de juntar a ideia de “mudar a vida” de Arthur Rimbaud e a de “transformar o mundo” de Karl Marx, Breton adere ao Partido Comunista em 1927, do qual fora excluído em 1933. Viveu sobretudo da venda de quadros em sua galeria de arte. Sob seu impulso, o surrealismo torna-se um movimento europeu que abrange todos os domínios da arte e coloca profundamente em questão o entendimento humano e o olhar dirigido às coisas ou acontecimentos. Inquieto por causa do governo de Vichy, Breton se refugia em 1941 nos Estados Unidos da América e retorna a Paris em 1946, onde permaneceu até sua morte a animar um segundo grupo surrealista, sob a forma de exposições ou de revistas (La Brèche, 1961-1965).

Biografia
A tentativa de um golpe de Estado poético no Primeiro manifesto (1924)

Filho único de uma família da pequena burguesia católica cuja mãe impôs uma educação rígida, André Breton passa sua infância em Pantin (Seine-St-Denis), no subúrbio no nordeste de Paris.

Primeiros encontros decisivos: Valéry, Apollinaire, Vaché
Breton em 1960

No liceu Chaptal, ele recebe uma educação "moderna" (sem latim nem grego), é necessário notar por seu professor de retórico que lhe faz descobrir Charles Baudelaire e Joris-Karl Huysmans, e por seu professor de filosofia que opõe o positivismo ("ordem e progresso") aos pensamentos hegelianos ("liberto da consciência de si") que afeta o jovem. Ele cria amizade com Théodore Fraenkel e René Hilsum que publica seus primeiros poemas na revista literária do colégio. Apesar de seus pais, que o querem engenheiro, Breton ingressa na classe preparatória no PC com Fraenkel. No início de 1914, ele envia alguns poemas ao estilo de Stéphane Mallarmé à revista La Phalange, dirigida pelo poeta simbolista Jean Royère. Esse último os publica e coloca Breton em relação com Paul Valéry. Na declaração de guerra, em 3 de Agosto, ele está com seus pais em Lorient. O único livro que ele tem é uma coletânea de poemas de Arthur Rimbaud, que ele mal conhece. Julgando sua poesia como "de acordo com as circunstâncias", ele critica seu amigo Théodore Fraenkel por sua tepidez diante de "uma obra muito considerável". Por seu lado, ele proclama "a inferioridade artística da obra realista em relação às outras". Declarado "bom para o serviço" em janeiro de 1915, Breton é enviado a Pontivy, na artilharia, para ter suas aulas naquilo que ele mais tarde descreveria como "uma cloaca de sangue, de estupidez e de lama". A leitura de artigos de intelectuais renomados como Maurice Barrès ou Henri Bergson, o conforta em seu desgosto em relação ao nacionalismo ambiente. Ele é em seguida alocado no hospital de Nantes como residente de medicina. Ele escreve sua primeira carta a Guillaume Apollinaire, à qual ele anexa o poema “Décembre”. Em Fevereiro ou Março de 1916, ele encontra um soldado que se recupera: Jacques Vaché. É "amor à primeira vista" intelectual. às tentações literárias de Breton, Vaché opõe Alfred Jarry, a "deserção ao interior de si mesmo" e não obedece a mais que uma lei, o "Umor (sem h). Descobrindo num manual a chamada "psicanálise" de Sigmund Freud, à sua disposição, Breton é alocado no Centro de Neurologia de Saint-Dizier, dirigido por um antigo assistente do médico Jean-Martin Charcot. Em contato direto com a loucura, ele recusa em ver somente um problema mental, mas, ao invés disso, enxerga uma capacidade de criação. Em 20 de Novembro de 1916, Breton é enviado ao fronte como enfermeiro.  De retorno a Paris em 1917, ele encontra Pierre Reverdy, com cuja revista, Nord-Sud, colabora, e Philippe Soupault, que lhe apresenta a Guillaume Apollinaire: "É preciso que vocês se tornem amigos". Soupault lhe faz descobrir “Les Chants de Maldoror” de Conde de Lautréamont (Isidore Lucien Ducasse), que provocam nele uma grande emoção. Com Louis Aragon, que conhece no hospital de Val-de-Grâce, passam suas noites de guarda recitando passagens de Maldoror em meio aos "gemidos e lamentos de terror provocados pelos alertas aéreos nos doentes" (Aragon). Em uma carta de Julho de 1918 para Fraenkel, Breton menciona o projeto comum com Aragon e Soupault, de um livro sobre alguns pintores como Giorgio De Chirico, André Derain, Juan Gris, Henri Matisse, Pablo Picasso, Henri Rousseau... o qual traria a vida do artista "contadas à maneira inglesa", por Soupault, a análise suas obras, por Aragon e algumas reflexões sobre a arte, pelo próprio Breton. Haveria igualmente poemas de cada um face a alguns quadros. Apesar da guerra, a censura e o espírito antigermânico, chegam de Zurique, Berlim ou Colônia os ecos das manifestações Dada (dadaísmo), assim como algumas de suas publicações, como o Manifesto Dada 3. Em Janeiro de 1919, profundamente afetado pela morte de Jacques Vaché, Breton crê ver em Tristan Tzara a re-encarnação do espírito de revolta de seu amigo? "Eu não sabia mais de quem esperar a coragem que mostras. É para ti que se viram hoje todos meus olhares".

Littérature - Les Champs Magnétiques - Dada em Paris


Projetada após o verão anterior, Luis Aragon, Breton e Philippe Soupault, os "três mosqueteiros" como gostava de lhes chamar Paul Valéry, fundaram a revista Littérature, cujo primeiro número sai em Fevereiro de 1919. Conhecido no mês seguinte, Paul Éluard é imediatamente integrado ao grupo. Depois da publicação de “Mont de Piété”, que coleta seus primeiros poemas escritos após 1913, Breton experimenta com Soupault a "escrita automática", textos escritos sem qualquer reflexão, em diferentes velocidades, sem alterações nem retoques. “Les Champs Magnétiques”, escrito em Maio de 1919, só é publicado um ano depois. O sucesso crítica a faz uma obra precursora do surrealismo. Em “Littérature”, aparecem seguidamente as “Poésies” de Lautréamont, fragmentos dos “Champs Magnétiques” e a enquete “Por que vocês escrevem?”, mas Breton continua insatisfeito com a revista. Depois de ter encontrado Francis Picabia, cuja inteligência, humor, charme e vivacidade o seduziram, Breton compreende que ele não tem nada a esperar dos "primogênitos", nem da herança de Guillaume Apollinaire: o “Espírito Novo” adornado pelo bom senso francês e seu horror ao caos, nem do retorno de Paul Valéry, mas mais que os "modernos" Jean Cocteau, Raymond Radiguet, Pierre Drieu La Rochelle, perpetuadores da tradição do romance que ele rejeita (e sempre rejeitará). Em 23 de Janeiro de 1920, Tristan Tzara enfim chega a Paris. Ele se via com Tzara "matando a arte", isso que lhe parecida mais urgente a fazer já que "a preparação do golpe de Estado pode levar anos". Juntamente com Francis Picabia e Tzara, organiza as manifestações Dada que suscitam muito frequentemente incompreensão, agitações e escândalos, objetivos traçados. Mas, a partir do mês de agosto, Breton distancia-se do Dada. Ele recusa escrever um prefácio à obra de Picabia “Jésus-Christ Rastaquouère”: "Não estou nem mesmo certo de que o dadaísmo tenha êxito, a cada instante me apercebo de que eu o reformei em mim". No final do ano, Breton se liga ao costureiro, bibliófilo e amador de arte moderna Jacques Doucet. Este último, "personalidade apaixonada pelo raro e pelo impossível, apenas o suficiente de desequilíbrio", lhe envia cartas sobre a literatura e a pintura assim como conselhos para compra de obras de arte. Entre outros, Breton lhe fará comprar a quadro “Les Demoiselles d'Avignon” de Pablo Picasso. Após o "caso Maurice Barrès" (em Maio de 1921), rejeitado por Picabia e durante o qual Tzara se comprazia em uma insolência escolha, Breton considera o pessimismo absoluto dos dadaístas como infantilismo. No verão seguinte, ele faz uma viagem ao Tyrol para visitar Sigmund Freud em Viena, mas este último mantém distância do líder daqueles que ele tentou considerar como "loucos por integral".

Ruptura com o Dada
Nascimento do surrealismo - Primeiro manifesto


Em Janeiro de 1922, Breton tenta organizar um "Congresso internacional para a determinação das diretas e a defesa do espírito moderno". A oposição de Tzara impede o encontro. Uma nova série de Littérature com Breton e Soupault como diretores, recruta novos colaboradores como René Crevel, Robert Desnos, Roger Vitrac mas, definitivamente hostil a Picabia, Soupault mantém distância dos surrealistas. Com Crevel, Breton experimenta as hipnoses que permitem libertar o fluxo do inconsciente. Essas estados de hipnose forçada vão revelar as grandes capacidades de "improvisação" de Benjamin Péret e de Robert Desnos. No final de Fevereiro de 1923, duvidando da sinceridade de uns e temendo pela sanidade mental de outros, Breton decide encerrar a experiência. Breton parece fatigado no geral: ele considera as atividades jornalísticas de Louis Aragon e Desnos, certamente remuneradoras, como uma perda de tempo, os escritos de Francis Picabia o desapontam, ele volta-se contra os projetos muito literários de seus amigos - "sempre romances!". Em uma conversa com Roger Vitrac, ele confia até sua intenção de não mais escrever. Contudo, no decorrer do verão seguinte, ele escreve a maior parte dos poemas de Clair de Terre. Em 15 de Outubro de 1924, aparecia, em volume separado, o “Manifesto Surrealista”, inicialmente previsto para ser o prefácio da coletânea de textos automáticos Peixe Solúvel. Mostrando o processo da atitude realista, Breton evoca o caminho percorrido até lá e define esse novo conceito, reivindica os direitos da imaginação, pede pelo maravilhoso, pela inspiração, pela infância e pelo perigo objetivo.

SURREALISMO, n. m. Automatismo psíquico puro, pelo qual propõe-se exprimir, tanto verbalmente, tanto pela escrita, tanto por qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditamento do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.

Alguns dias depois, o grupo publica o panfleto Um cadáver, escrito em resposta aos funerais nacionais feitos a Anatole France: "Pierre Loti, Maurice Barrès, Anatole France, marquemos todos com um belo sinal branco o ano que põe para dormir esses três sinistros homens:o idiota, o traidor e o policial. Com France, é um pouco da servilidade humana que se vai. Que bem se festeje o dia em que é enterrada a canalhice, o tradicionalismo, o patriotismo e a falta de coração!"

"Transformar o mundo" e "mudar a vida" (1925-1938)
A Revolução surrealista - Nadja - Adesão ao Partido Comunista - Primeiras rupturas

Em 1º de Dezembro de 1924, era lançado o primeiro número de a Revolução surrealista, o órgão do grupo que Benjamin Péret e Pierre Naville dirigem. Breton radicaliza sua ação e sua posição política. Sua leitura da obra de Léon Trotsky sobre Lênin (Vladimir Ilyich Ulyanov) e a guerra colonial feita pela França em Rife o aproxima dos intelectuais comunistas. Com os colaboradores das revistas Clarté e Philosophie, os surrealista formam um comitê e redigem um panfleto comum, "A Revolução no Começo e Sempre".

Temas

Os adversários de Breton chamaram-no, ironicamente, o "papa do surrealismo". Ora, se o autor dos manifestos teve uma influência decisiva sobre este movimento, jamais ele se achava isolado, jamais ele foi o "chefe": toda ideia de constrangimento, seja militar, clerical ou social, suscitava nele uma revolta profunda. Apresentando aqueles que foram seus objetivos André Breton escreveu: «A vida verdadeira está ausente, já dizia Rimbaud. Este será o instante a não deixar passar para a reconquistar. Em todos os domínios, eu penso que será necessário aportar a esta busca toda audácia de que o homem seja capaz”. E Breton acrescenta algumas palavras de ordem: “Fé persistente no automatismo como sonda, esperança persistente na dialética (aquela de Heráclito, de Mestre Eckhart (Eckhart de Hochheim), de Georg Wilhelm Friedrichn Hegel) para resolução das antinomias que desafiam o homem, reconhecimento do acaso objetivo como índice de reconciliação possível dos fins da natureza e dos fins do homem aos olhos deste último, vontade de incorporação permanente ao aparelho psíquico do humor negro que, a uma certa temperatura pode ter o papel de válvula, preparação da ordem prática a uma intervenção sobre a vida mítica, que, na maior escala, figura de limpeza. (A chave dos campos). Sem falso pudor, André Breton se entrega, em "Os Vasos Comunicantes", a uma análise de um de seus sonhos e mostrou como este sonho, emancipação de pulsões profundas, lhe indicou uma solução que ele não pode encontrar com ajuda da atividade consciente.  Para Breton, o amor é como um sonho, uma maravilha na qual o homem reencontra o contacto com as forças profundas. Amante do amor, ele denuncia a sociedade por haver feito frequentemente das relações entre homem e mulher uma maldição, da qual nascerá a ideia mística do amor único. Portanto, ele se ergue com todas as forças contra a ideia de que o amor, sob efeito do tempo, por exemplo, seja devotado a um desperdício fatal. O reencontro entre homem e mulher constitui «um só bloco de luz», logo, «a carne é sol».  O que Breton reabilita sob o nome de acaso objetivo é a velha crença na simpatia entre os homens, na telepatia, em certas formas de premonição. Mas esta noção é depurada a seus olhos de todo fundamento místico. Para sublinhar seu acordo com o materialismo dialético, ele cita Friedrich Engels: «Não se pode compreender a causalidade senão em ligação com a categoria de acaso objetivo, forma de manifestação da necessidade». Nas suas obras, o poeta analisa longamente os fenômenos do acaso, objetivo dos quais ele foi o beneficiário transtornado. Nada parece possuir um poder mediúnico que lhe permite predizer certos acontecimentos. Assim, ela anuncia que tal janela vai se iluminar de uma luz vermelha, o que se produz quase imediatamente aos olhos de um Breton maravilhado. Michel Zeraffa tentou resumir assim a teoria de Breton: «O cosmos é um criptograma que contém um decriptador: o homem.» (Le surréalisme, entretiens dirigés par F. Alquié). Assim avalia a evolução da arte poética do simbolismo ao surrealismo, de Gérard de Nerval e Charles Baudelaire a Breton (ver: «A Natureza é um templo onde vivos pilares / Deixam filtrar não raro insólitos enredos / O homem o cruza em meio a um bosque de segredos / Que ali o espreitam com seus olhos familiares». Correspondências, As flores do mal). O humor negro é um recurso essencial do surrealismo. A negação que ele comporta do princípio de realidade é o fundamento mesmo. O humor negro, como mostra as obras de Lautréamont e Alfred Jarry, «pode unicamente ter o papel da válvula». E não é por acaso, que a Antologia do Humor negro foi publicada no ano sombrio de 1939, quando a derrota da Espanha estava consumada, quando já uma grande parte da Europa foi invadida. Portanto, o amor da vida, o amor louco impede Breton de cair em desespero. Mais ainda que de humor negro, deve-se falar, a propósito de sua obra, como da de Benjamin Péret, de uma « síntese da imitação da natureza sob suas formas acidentais, de um lado, e do humor de outra parte, como triunfo paradoxal do princípio de prazer sobre as condições reais». (Michel Carrouges).

Bigrafia
Ensaios

  • Manifesto do surrealismo (1924)
  • O surrealismo e a pintura (1928-1965)
  • Segundo manifesto (1929)
  • Antologia de l'humour noir (1940)
  • Prolegômenos a um terceiro manifesto ou não (1942)
  • Flagrante delito (1949) (Breton denuncia como falso um suposto manuscrito de Rimbaud)
Do surrealismo em suas obras vivas (1953)

Poesia e textos poéticos

  • Mont de piété (1919)
  • Clair de terre (1923)
  • Nadja (1928-1963)
  • Os vasos comunicantes (1932)
  • Point du jour (1934)
  • Perfume no ar (1936)
  • O amor louco (1937)
  • Martinica, Encantadora de Serpentes (1941-1943)
  • Arcano 17 (1944)
  • A chave dos campos (1953)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Biografia de Coelho Neto


Coelho Neto (cerca de 1920).
Henrique Maximiano Coelho Neto. Nasceu em Caxias, Maranhão, a 21 de Fevereiro de 1864, e, faleceu no Rio de Janeiro (RJ), a 28 de Novembro de 1934. Coelho Neto foi um escritor (cronista, folclorista, romancista, crítico e teatrólogo), político e professor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras onde foi o fundador da Cadeira número 2. Foi considerado o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", numa votação realizada em 1928 pela revista O Malho. Apesar disto, foi consideravelmente combatido pelos modernistas, sendo pouco lido desde então, em verdadeiro ostracismo intelectual e literário. Nas palavras de Arnaldo Niskier: "A vitória do modernismo se fez como se houvesse necessidade de abater um grande inimigo, no caso, Coelho Neto".


Biografia


Filho do português Antônio da Fonseca Coelho com a índia Ana Silvestre Coelho, que mudaram-se do Maranhão para o Rio de Janeiro quando o filho contava apenas seis anos de idade. Estudou no Colégio Pedro II, onde realizou os cursos preparatórios e ingressou na Faculdade de Medicina, que abandonou em seguida, matriculando-se em 1883 na Faculdade de Direito de São Paulo. No curso jurídico Coelho Neto expande suas revoltas, logo se envolvendo no movimento de alunos contra um professor e, para evitar represálias, transfere-se para a faculdade do Recife, e ali conclui o primeiro ano tendo por principal mestre Tobias Barreto. Após este lapso, retorna para São Paulo, e logo participa de movimentos abolicionistas e republicanos, entrando em choque com os professores, não chegando a concluir o curso. Sem se formar, retorna em 1885 para o Rio onde, ao lado de escritores como Olavo Bilac, Luís Murat, Guimarães Passos e Paula Ney forma um grupo cujas experiências vem a retratar no romance “A Conquista”, de 1899. Ativo na campanha pela extinção da escravatura, alia-se a José do Patrocínio; labora como colaborador do jornal Gazeta da Tarde e, depois, para o A Cidade do Rio, onde foi secretário, ocasião em que inicia a publicação de seus textos literários. Casou-se em 1890 com Maria Gabriela Brandão, filha do professor Alberto Olympio Brandão, com quem teve catorze filhos. Neste mesmo ano é nomeado secretário de governo do Estado e em 1891 ocupa a direção de Negócios do Estado. Em 1892 é nomeado para o magistério de História da Arte na Escola Nacional de Belas Artes. Depois leciona literatura no Colégio Pedro II; nesta atividade é nomeado, em 1910, para as cátedras de História do Teatro e Literatura Dramática na Escola de Arte Dramática do Rio, da qual foi mais tarde seu diretor. Na política tornou-se deputado federal pelo estado natal, em 1909, reeleito em 1917. Ocupou ainda diversos cargos, e integrou diversas instituições culturais. Em 1923 converteu-se ao Espiritismo, proferindo um discurso no Salão da Guarda Velha no Rio de Janeiro sobre sua adesão. Sobre a matéria, o "Jornal do Brasil" publicou entrevista com o escritor (7 de junho de 1923), anteriormente intransigente adversário do Espiritismo, e que a ele se converteu após ter participado, na extensão do seu escritório, de uma conversa ao telefone entre a sua neta, falecida em tenra idade, e a mãe dela. Sua vida divide-se, assim, em três fases distintas: na primeira, aquela em que procura se firmar como escritor; a segunda, quando integra o movimento pela Academia, participa da política e obtém reconhecimento e consagração e, finalmente, a terceira, na qual experimenta os ataques modernistas e o consequente esquecimento.


Academia Brasileira de Letras

Coelho Neto esteve ao lado de Lúcio de Mendonça, idealizador da Academia Brasileira, nas primeiras reuniões que trataram da criação desta entidade literária, e realizadas nos dois últimos meses de 1896. Foi eleito seu presidente no ano de 1926, sucedendo à primeira gestão de Afonso Celso, e foi seguido por Rodrigo Otávio. Em 1928, Coelho Neto, que havia sempre recebido hostilidades de Oswald de Andrade, emitiu um parecer em que confere ao escritor menção honrosa no julgamento do concurso de romance da ABL; apesar de participar do movimento modernista, publicamente antiacademicista, Andrade por duas vezes concorreu a uma vaga naquele sodalício.


Literatura


O autor, o mais lido no país durante muitos anos, usou de diversos pseudônimos ao longo de sua vida, nas publicações tanto do Rio de Janeiro quanto de outras cidades, dentre os quais Amador Santelmo, Anselmo Ribas, Ariel, Blanco Canabarro, Caliban, Charles Rouget, Democ, Fur-Fur, Manés, N. Puck ou Tartarin. Sua extensa obra não se prendia a um só gênero, embora seja considerado integrante do parnasianismo. Sua fecunda produção valeu-lhe a crítica de ser um “fabricante de romances”. Mesmo nos tempos atuais, sua obra é vista como cheia de "pompa e formalismos", dotado de "artifícios retóricos" que foram rejeitados posteriormente pelos autores regionalistas e modernistas. Lima Barreto, por exemplo, chegou a publicar artigos em periódicos literários, como a Revista Contemporânea e A Lanterna em os quais direciona ataques a Coelho Neto, e sua visão tradicional da literatura; dizia que este preocupava-se somente com o estilo, vocabulário e passava ao largo das questões sociais, políticas e morais, deixando de usar a escrita como instrumento de transformação social. Num de seus artigos, Barreto escreveu: “Em um século deste, o Senhor Coelho Neto ficou sendo unicamente um plástico, um contemplativo, magnetizado pelo Flaubert da Mme Bovary, com as suas Chinesices de estilo, querendo como os Goncourts, pintar com a palavra escrita (...) mas que não fez de seu instrumento artístico um veículo de difusão das idéias de seu tempo...” Um outro fator é apontado por estudiosos como responsável pelo desconhecimento póstumo de sua obra, apesar da grande qualidade dos textos, e reside no fato de que as mesmas era editadas pela Lello, na cidade portuguesa do Porto; esse esquecimento, que perpassa mesmo no meio erudito e acadêmico, continuou mesmo após a publicação em 1958, pela editora Nova Aguilar, de uma coletânea em três volumes intitulada Obra Seleta. Em sua obra distingue-se claramente o romantismo, movimento vigente no final do século XIX e começo do XX, eivado de sentimentos de formação de uma identidade nacional; também se pode ver o registro do rural e o urbano, com os retratos da então capital federal. Teve colaboração no semanário Branco e Negro (1896-1898).


Opiniões


Foi dos primeiros autores a manifestar preocupações ecológicas; assim como Euclides da Cunha, escrevia contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia, deixando manifestos tais como o que diz: “Com a morte das árvores, desaparecem as fontes: rios que rolavam águas abundantes derivam agora de filetes rasos e tão escassos que uma quente semana de verão é bastante para secá-los; a caça rareia”. Coelho Neto foi um dos folcloristas que, com visão romântica, procuraram resgatar a imagem da capoeira no país, até então vista como uma prática de marginais, como sendo um esporte genuinamente brasileiro; defendia que fosse ensinada nas escolas e nas forças armadas, nestas últimas como técnica de defesa pessoal.

Obras

Romances e contos

  • Rapsódias, contos (1891);
  • A Capital Federal, romance (1893);
  • Baladilhas, contos (1894);
  • Praga (1894);
  • Fruto Proibido, contos (1895);
  • Miragem, romance (1895);
  • O Rei Fantasma, romance (1895);
  • Sertão (1896);
  • Inverno em Flor, romance (1897),
  • Álbum de Caliban, contos (1897);
  • A Descoberta da Índia (1898);
  • O Morto, romance (1898);
  • Romanceiro (1898);
  • Seara de Rute (1898);
  • A Descoberta da Índia, narrativa histórica (1898);
  • O Rajá do Pendjab, romance (1898);
  • A Conquista, romance (1899);
  • Saldunis (1900);
  • Tormenta, romance (1901);
  • Apólogos (1904);
  • O Bico de Pena (1904);
  • Água Juventa (1905);
  • Teatrinho (1905), coletânea de textos dramáticos para crianças, parceria com Olavo Bilac.
  • Treva (1906);
  • Turbilhão, romance (1906);
  • As Sete Dores de Nossa Senhora (1907);
  • Fabulário (1907);
  • Jardim das Oliveiras (1908);
  • Esfinge (1908);
  • Vida Mundana, contos (1909);
  • Cenas e Perfis (1910);
  • Mistério do Natal (1911);
  • Banzo, contos (1913);
  • Meluzina (1913);
  • Contos Escolhidos (1914);
  • Rei Negro, romance (1914);
  • O Mistério (1920);
  • Conversas (1922);
  • Vesperal (1922);
  • Pastoral (1923);
  • Amos (1924);
  • Mano, Livro da Saudade (1924);
  • O Povo, romance (1924);
  • Imortalidade, romance (1926);
  • O Sapato de Natal (1927);
  • Contos da Vida e da Morte, contos (1927);
  • Velhos e Novos (1928);
  • A Cidade Maravilhosa, contos (1928);
  • Vencidos (1928);
  • A Árvore da Vida (1929);
  • Fogo Fátuo, romance (1929).

Peças teatrais

  • Teatro, vol. I (1911):

    • O relicário
    • Ao raio X
    • O diabo no corpo;
  • vol. II (1907):

    • As estações,
    • Ao luar,
    • Ironia,
    • A mulher,
    • Fim de raça;
  • vol. III (1907):

    • Neve ao sol,
    • A muralha;
  • vol.IV (1908):

    • Quebranto e
    • Nuvem;
  • vol.V (1918):

    • O dinheiro,
    • Bonança,
    • O intruso;
  • vol.VI (1924):

    • O patinho torto,
    • A cigarra e a formiga,
    • O pedido,
    • A guerra,
    • O tango,
    • Os sapatos do defunto.
Crônicas

  • O meio (1899);
  • Bilhetes postais (1894);
  • Lanterna mágica (1898);
  • Por montes e vales (1899);
  • Versas (1918);
  • A política (1919);
  • Atlética (1920);
  • Frutos do tempo (1920);
  • O meu dia (1922);
  • Frechas (1923);
  • As quintas (1924);
  • Feira Livre (1926);
  • Bazar (1928).



Referências







sábado, 5 de janeiro de 2019

Biografia de Catão, o Velho

 
 
 
Marco Pórcio Catão (234 – 149 a.C.; em latim: Marcus Porcius Cato) foi um político e escritor da gente Pórcia da República Romana eleito cônsul em 195 a.C. com Lúcio Valério Flaco. Ficou conhecido como Catão, o Velho, Catão, o Censor, Catão Sapiente e Catão Prisco para distingui-lo de seu bisneto, Marco Pórcio Catão, o Jovem. Catão era de uma antiga família plebeia que havia se destacado no serviço militar, mas que ainda não havia conseguido desempenhar nenhuma função na magistratura política. Foi criado segundo as tradições de seus antepassados latinos e estudou a agricultura, atividade que desempenhava quando não estava em campanha. Apesar disso, Catão chamou a atenção de Lúcio Valério Flaco, que o levou até Roma e ajudou-o, com sua influência, a galgar os diversos degraus do cursus honorum: tribuno em 214 a.C., questor em 204 a.C., pretor em 198 a.C., cônsul em 195 a.C. (serviram juntos) e, finalmente, censor em 184 a.C.. Como censor, Catão se destacou por sua defesa conservadora das tradições romanas contra o luxo e a frivolidade da corrente helenística oriunda do contato cada vez maior de Roma com o oriente. Por conta disto, durante o seu mandato como censor, protagonizou um duro embate contra Cipião Africano, o herói da Segunda Guerra Púnica. Como político, Catão se destacou como o maior defensor e grande impulsionador da Terceira Guerra Púnica contra Cartago. Em suas campanhas militares, Catão lutou contra os cartagineses na Segunda Guerra Púnica, entre 217 e 207 a.C., e participou da Batalha de Metauro, na qual Asdrúbal Barca foi morto. Como resultado destas batalhas, Roma anexou todos os territórios cartagineses na Península Ibérica e foi nomeado procônsul. Durante seu mandato, serviu na Hispânia Citerior, onde dirigiu uma campanha vingativa, eliminando os celtiberos insurgentes e tratando a população em geral com extrema dureza. Em 191 a.C., interveio, como tribuno militar, na guerra na Grécia contra o Império Selêucida de Antíoco III, o Grande, participando da Batalha de Termópilas (191 a.C.), que deu a vitória aos romano. É considerado o primeiro escritor importante a escrever prosa em latim e foi o primeiro autor de uma história da Itália nesta língua. Alguns historiadores argumentaram que, se não fosse pelo impacto provocado por suas obras, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma. Seu manual "De Agri Cultura" (também chamado de "De Re Rustica"), que significa "Sobre a Agricultura" ou "Das Coisas Rústicas", é a única obra sua a ter sobrevivido completa. Nela, entre muitos outros temas, está descrito o ritual da "suovetaurília".
 
Origem
Gente Pórcia

Catão, o Velho, nasceu em Túsculo, uma cidade anexada no Lácio onde seus antepassados viveram por muitas gerações. Seu pai havia conquistado uma grande reputação como soldado e seu bisavô havia chegou a receber uma recompensa do estado ao matar cinco soldados montados em uma batalha. Apesar disto, os integrantes da gente Pórcia jamais conseguiram obter um posto na magistratura romana. Quando começou sua carreira na capital, Catão foi considerado pelos patrícios como um homem novo; o sentimento de estar em uma posição injusta aliada à sua crença em sua própria superioridade em relação aos seus rivais políticos contribuíram para estimular ainda mais sua ambição.

Cognome "Catão"

Os homens das três gerações imediatamente anteriores ao nascimento de Catão haviam recebido o nome de "Marco Pórcio" e, segundo Plutarco, Catão era conhecido originalmente como "Prisco" ("Priscus"); apesar disto, adotou posteriormente o cognome "Catão" ("Cato"). Mas é provável que seu epíteto mais comum fosse "Prisco" — utilizado para distingui-lo de seus sucessores, como o célebre Catão, o Uticense — já que não existem registros sobre qual teria sido a primeira ocasião na qual se utilizou o sobrenome Catão. Também é possível que ele tenha ganho o apelido durante a sua infância, como símbolo de distinção, pois as qualidades implícitas no significado deste cognome estavam resumidos no obsoleto título de "Sapiente" ("Sapiens"), como ele era conhecido em sua velhice e que foi transformado por Cícero em seu cognome "formal". Dotado de grande eloquência em suas dissertações e dotado de um grande estilo oratório, atualmente ele é mais conhecido como "Catão, o Velho" ou "Catão, o Censor".
 
Ano de nascimento

Para determinar a data de nascimento de Catão, o Velho, é preciso considerar os registros que fazem referência à sua idade na data de sua morte, um acontecimento que se sabe com certeza ter ocorrido em 149 a.C.. Segundo a obra de Cícero, Catão teria nascido em 234 a.C., o ano anterior ao consulado de Fábio Máximo, e morreu com 85 anos de idade, durante o consulado de Lúcio Márcio Censorino (o cônsul que iniciou o cerco de Cartago) e Mânio Manílio. Plínio (o Velho) concorda com Cícero, apesar da da marcante tendência dos escritores clássicos de exagerarem a idade de Catão. Segundo Valério Máximo, Catão passou dois oitenta e seis anos, enquanto que Lívio e Plutarco defendem que ele teria mais de noventa anos quando morreu. Plutarco rebate estas afirmações ao mencionar em sua obra uma frase atribuída a Catão; nela, o censor afirma que teria servido em sua primeira campanha com apenas dezessete anos, quando o comandante cartaginês Aníbal invadiu a Itália à frente de um enorme exército. Apesar disto, Plutarco não observou que esta afirmação de sua principal fonte, Lívio, estava incorreta ao tomar o décimo-sétimo ano de vida de Catão como sendo 222 a.C., vários anos antes da invasão de Aníbal. A frase reforça o cômputo de Cícero ao estabelecer o décimo-sétimo ano de Catão na data geralmente estabelecida para o início da Segunda Guerra Púnica (218 a.C.).

Juventude
Segunda Guerra Púnica

Quando Catão era ainda muito jovem, seu pai morreu e deixou como herança algumas propriedades no território dos sabinos, a pouca distância de sua terra natal. Ali Catão passou a maior parte da infância, treinando seu corpo através de rigorosos exercícios físicos, dirigindo as operações agrícolas de suas propriedades, aprendendo a cuidar dos negócios da família e estudando as regras da agricultura rural. Perto de suas terras existia uma modesta cabana onde morava, antes de seus três triunfos, Mânio Cúrio Dentato, cujas proezas no exército romano e cujo caráter reto e moralista ficaram na memória de todos os romanos. Dentato era muito admirado na região e suas realizações inspiraram Catão, que decidiu tentar imitá-lo em sua tentativa de alcançar a glória alistando-se para combater os cartagineses durante a Segunda Guerra Púnica em 217 a.C.. Existem muitas discrepâncias tanto nas fontes antigas como nas modernas sobre o ano no qual Catão iniciou seus serviço militar. Em 214 a.C., Catão serviu em Cápua e o historiador Wilhelm Drumann teoriza que Catão teria, nesta época, vinte anos de idade, um mero tribuno militar. Fábio Máximo, que era o comandante em Cápua durante seu consulado, não tardou a perceber o valor de Catão e travou com ele uma amizade que duraria muitos anos. Ainda que Fábio continuamente afirmasse a Catão o quanto valorizava sua experiência militar, ele preferiu não revelar suas reais afinidades políticas com o objetivo de manter a seu lado o jovem Catão. No cerco de Taranto, em 209 a.C., Catão lutou novamente com Fábio e, dois anos depois, fez parte do seleto grupo que acompanhou o cônsul Caio Cláudio Nero da Lucânia até o norte da península Itálica, com o objetivo de reter o avanço de Asdrúbal Barca. Os escritores antigos contam que Catão contribuiu de forma decisiva para a vitória romana na Batalha de Metauro, na qual Asdrúbal foi morto. A notícia da morte do grande general, que era irmão de Aníbal, deixou-o numa situação desesperadora, especialmente depois que os romanos atiraram a cabeça decepada de Asdrúbal por cima da muralha do acampamento cartaginês.

Período de paz

No período entre as duas campanhas, Catão voltou às suas terras na Sabínia, onde revelava frequentemente sua austeridade, vestindo-se e comportando-se da mesma forma que seus escravos. Os seus vizinhos o admiravam quando jovem, pelo seu modo de vida e por sua oratória concisa e articulada, escolhendo-o frequentemente para servir de árbitro em suas disputas ou para representá-los perante o estado, tarefas para as quais Catão estava sempre disposto a ajudar. Por conta disto, a oratória de Catão foi melhorando: o jovem camponês ganhou confiança em si mesmo, aprendeu os modos utilizados pelos patrícios em suas disputas, aprendeu as leis romanas e empregou os princípios da justiça que havia aprendido mediando as disputas entre vizinhos para analisar a diversidade de comportamentos de seus concidadãos.

Moral romana

Perto das terras de Catão estava as de Lúcio Valério Flaco, um jovem patrício membro da poderosa gente Valéria. Na sociedade romana da época estava ocorrendo uma transição entre os valores tradicionais da vida rústica, baseada havia muito tempo no Lácio (e, de forma geral, em toda a Itália), para valores mais ostensivos, procedentes da civilização helênica e oriental. A magistratura mais alta da política romana, o consulado, estava nas mãos de uma poucas famílias aristocráticas imensamente ricas. Estes patrícios, apesar de famosos por sua corruptibilidade, também eram populares entres os romanos por sua generosidade, modos elegantes, oratória refinada, conhecimentos artísticos e literários e, sobretudo, pela fama de seus antepassados. Os nobres menos favorecidos reagiram criando uma facção no Senado que defendia o retorno aos valores tradicionais herdados dos sabinos, um sinal da resistência e da robustez. Flaco, um membro desta facção conservadora, não pôde ignorar a energia e a moral de Catão, sua austeridade e padrão de vida, características às quais se somavam ainda a sua eloquência e talento militar. Os líderes da facção senatorial que promovia a transição para um modelo orientalizado eram da família dos Cipiões, com Cipião Africano à frente, Marco Cláudio Marcelo e Tito Quíncio Flaminino; a facção conservadora era liderada por Flaco, Fábio Máximo, Catão e seus aliados.

Trajetória política

Flaco era um político muito perspicaz e esperava que emergissem jovens de valor para apoiarem sua facção, o que fez de Catão, com sua eloquência e espírito marcial, um possível candidato. Ele sabia que as virtudes da coragem e da capacidade de persuasão que Catão possuía eram muito valorizadas em Roma e que a única forma de ele conseguir alcançar as magistraturas mais elevadas era se destacando no Fórum Romano. Por isto, ele sugeriu ao jovem camponês que dirigisse suas ambições para o campo político, assessorando-o sempre que possível. Flaco convidou Catão até sua casa em Roma e ratificou seu apoio político, fazendo com que o jovem começasse a se destacar por suas próprias habilidades na audiência do Fórum, o que fez de Catão um candidato mais do que viável para uma magistratura.

Princípio da carreira militar e política
Questor

Em 205 a.C., Catão foi nomeado questor e, no ano seguinte, começou a desempenhar suas funções, marchando com Cipião Africano até a Sicília. Quando Cipião conseguiu, apesar da forte oposição do Senado, obter a autorização para cruzar para o norte da África, Catão e Caio Lélio foram nomeados para escoltar a frota de transporte. A relação entre Catão e Cipião não revelava simpatia alguma e não existia cooperação entre o procônsul e o questor, já que, quando Cipião pediu ao Senado a permissão para levar suas tropas para África para atacar os cartagineses em seu próprio território, Fábio Máximo — o antigo general de Catão — se opôs e Catão, cuja nomeação tinha por objetivo vigiar as ações de Cipião, aprovou os pontos de vista de seu antigo comandante. Segundo Plutarco, o relaxamento da disciplina entre as tropas de Cipião e os pesados custos provocados pelo general irritaram o austero Catão, o que provocou uma famosa resposta de Cipião: "Eu conto as vitórias e não o dinheiro!". Depois desta discussão, Catão renunciou ao seu posto e voltou ao Senado, queixando-se formalmente dos gastos exorbitantes do general. Perante esta petição, secundada por Fábio Máximo, uma delegação foi enviada para investigar os gastos de Cipião na Sicília. Os integrantes não encontraram provas de abuso pelo general. A versão de Lívio difere da de Plutarco e assegura que as queixas de Catão eram motivadas por incompatibilidades ideológicas com seu comandante. Se a versão de Lívio for a correta, a delegação foi enviada para tratar das queixas dos habitantes de Locri, que haviam sofrido muito sob o comando de um legado de Cipião, Quinto Plemínio. Lívio nada diz sobre uma possível ingerência de Catão sobre o tema, apesar de mencionar a amargura revelada pelo jovem questor em sua queixa ao seu aliado, Fábio Máximo, de como Cipião havia corrompido a disciplina militar e sua marcha ilegal a partir da Sicília para tomar Locri. O autor de uma breve versão sobre a vida de Catão, cuja identidade é geralmente atribuída a Cornélio Nepos, afirma que Catão, depois do regresso da África, fez uma parada na Sardenha e embarcou em seu navio o poeta Quinto Ênio. Porém, é muito mais provável que o primeiro contato entre o poeta latino e o senador tenha ocorrido quanto este foi pretor da Sardenha.

Edilato (199 a.C.) e pretorado (198 a.C.)

Em 199 a.C. Catão foi eleito edil curul. Com seu colega Hélvio restaurou os jogos plebeus e autorizou que fosse celebrado um banquete em homenagem a Júpiter. Foi eleito pretor em 198 a.C. e recebeu a Sardenha como província, para onde partiu à frente de uma força de 3.000 soldados de infantaria e 200 cavaleiros. Ali, Catão teve sua primeira oportunidade de demonstrar ao mundo suas crenças sobre a obrigação de uma estrita moral pública. Ele reduziu os custos das operações navais, viajou por toda a província na companhia de um único assistente e revelou o forte contraste entre seu modo de vida austero e a suntuosidade com a qual viviam os magistrados provinciais de status ordinário. Os ritos religiosos se celebraram com uma razoável economia, a justiça foi administrada com razoável imparcialidade, a usura foi perseguida com grande severidade e os culpados foram desterrados. A Sardenha havia permanecido em paz por um longo período, mas se acreditarmos a improvável e carente de fontes versão de Aurélio Vítor, Catão teria subjugado uma revolta na ilha durante seu mandato.

Consulado (195 a.C.) e proconsulado (194–193 a.C.)
Lex Oppia


Em 195 a.C., Catão foi eleito cônsul com seu amigo de longa data e patrono, Lúcio Valério Flaco, que apresentou Catão à sua futura esposa, Licínia, com que ele se casou aos trinta e nove anos de idade. Durante seu consulado dos dois irrompeu uma grande disputa legal que revelou os arraigados ideais conservadores do cônsul. Em 215 a.C., no auge da Segunda Guerra Púnica, um tribuno da plebe chamado Caio Ópio havia aprovado uma lei chamada Lex Oppia. O objetivo dela era restringir o luxo desmesurado das mulheres romanas instaurando uma série de proibições, entre elas a de vestir joias de valor superior a uma onça de ouro, a utilização de vestidos multicoloridos e a utilização de veículos para deslocamentos curtos, de menos de uma milha, exceto para comparecer a atos religiosos. Com Aníbal derrotado e a economia da República novamente próspera, principalmente graças à incorporação dos tesouros cartagineses, não havia necessidade de se continuar seguindo a Lex Oppia. Por isso, os tribunos Marco Fundânio e Lúcio Valério tentaram derrogar a lei, mas foram combatidos por seus colegas Marco Júnio Bruto e Tito Júnio Bruto. Curiosamente, esta disputa legislativa gerou mais interesse que os assuntos administrativos e estatais, que ficaram em segundo plano. As mulheres de meia idade se postaram no Fórum e interpelavam seus maridos, suplicando-lhes que ajudassem a restaurar os direitos das mulheres romanas. Cada vez mais decididas, as matronas imploraram aos pretores, cônsules e consulares que derrogassem a lei, pressionando de tal modo o Senado que Flaco começou a ter dúvidas, mas Catão se mostrou inflexível e proferiu um grosseiro discurso cujo teor foi preservado por Lívio. Mas, no fim, as mulheres conseguiram o que queriam. Cansados da persistência das matronas, os tribunos que se opunham retiraram seus vetos e a odiada lei foi derrogada por todas as tribos. As mulheres, para celebrar a vitória, desfilaram em procissão pelas ruas da capital ostentando as mais voluptuosas jóias e vestidos que possuíam, finalmente liberados. Este espinhoso assunto não provocou grandes danos à imagem de Catão, apesar de sua ferrenha oposição. Assim que terminou o seu mandato, Catão foi nomeado procônsul da Hispânia Citerior.

Hispânia Citerior

Durante a sua campanha na Hispânia, Catão se comportou de acordo com sua reputação de trabalhador incansável e constantemente alerta. Viveu em função de seus ideais estoicos, da forma mais sóbria possível e compartilhando tanto as tarefas como os suprimentos de seus soldados rasos e, sempre que possível, supervisionava pessoalmente as tarefas de seus subordinados. Catão dirigia suas tropas de forma dinâmica e hábil, sem revelar negligência na direção ou em suas táticas. Os movimentos do exército de Catão eram cuidadosamente controlados para ajustarem-se às estratégias dos demais generais romanos na região. Apesar de ser um general jovem e talentoso, Catão mostrou uma rara humildade ao elaborar suas estratégias seguindo os conselhos de suas principais lideranças. Catão semeou a discórdia entre as tribos hispânicas e, aproveitando-se de suas fragilidades, chegou inclusive a empregar algumas delas contra outras na forma de mercenários. Os detalhes desta campanha foram compilados pelo historiador Lívio e são ilustrados pelos episódios anedóticos de Plutarco. Ambos contam sobre o horror que caracterizou as operações militares realizadas durante o conflito e a rapidez e falta de clemência com que Catão subjugou os insurgentes hispânicos. Segundo os autores clássicos, muitas delas, depois de rendidas, foram ou executadas pela traição ou massacradas em saques.

Triunfo

Depois de sufocar os revoltosos no território localizado entre o Ebro e os Pirenéus, Catão voltou a sua atenção para a administração da província. Durante seu governo, as rendas aumentaram, especialmente por causa da exploração das minas situadas na porção norte da Península Ibérica. Graças aos seus sucessos, o Senado Romano decretou três dias de "ação de graças" ao glorioso general. No final de 194 a.C., Catão voltou para Roma e o Senado votou a favor da celebração de um triunfo, no qual Catão exibiu uma quantidade extraordinária de ouro, prata e latão. Durante a distribuição do butim, Catão se mostrou muito mais liberal do que suas próprias forças esperavam dele.

Fim de seu consulado

Aparentemente o regresso de Catão ocorreu antes do previsto por que seu inimigo, Cipião Africano, que era o cônsul, desejava retirar-lhe o comando da província. Há uma certa divergência entre os relatos de Cornélio Nepos e Plutarco neste ponto: o primeiro afirma que Cipião não conseguiu tomar posse da província e que, irritado, resolveu permanecer em Roma até o final de seu consulado. Plutarco, por outro lado, afirma que Cipião conseguiu obter a província do rival, mas não conseguiu aprovar uma moção de censura contra ele e que, por isto, permaneceu durante seu proconsulado em Roma. As obras consultadas por Lívio afirmam que Sexto Digítio foi nomeado governador da Hispânia Citerior. É provável que Plutarco tenha se equivocado neste ponto, pois, neste mesmo ano, Cipião Násica foi nomeado governador da Hispânia Ulterior. Catão tentou, aparentemente, demonstrar, usando sua eloquência, a veracidade das contas financeiras de sua província com o objetivo de contestar os ataques proferidos contra sua pessoa durante seu consulado, mas sem sucesso. Existem fragmentos de alguns de seus discursos que dão testemunho da força de seus argumentos. Plutarco afirma que, depois de seu consulado, Catão acompanhou Tibério Semprônio Longo até a Trácia como legado, mas é possível que seja um erro, já que, em 193 a.C., este mesmo Tibério Semprônio Longo foi nomeado governador da Gália Cisalpina. Neste ano, Catão financiou a construção de um pequeno templo em homenagem a "Victoria Virgo", que ele próprio havia jurado dois anos antes, outro motivo pelo qual parece ser muito improvável que ele tenha servido como legado na Macedônia.

Fim da carreira militar
Batalha de Termópilas

Apesar de não ser mais tão jovem, a carreira militar de Catão ainda não havia terminado. Em 191 a.C., ele foi nomeado tribuno militar pelo cônsul Mânio Acílio Glabrião, com o qual seguiu para a Grécia para enfrentar Antíoco III, o imperador selêucida. Na decisiva Batalha de Termópilas, que não deve ser confundida com a famosa batalha do mesmo nome travada durante as Guerras Médicas, que marcou o começo do fim de Antíoco, Catão provou seu grande valor. Em uma ousada invasão ao território inimigo, o exército romano eliminou seus inimigos da Liga Etólia que estavam no ponto mais alto do monte Eta, e, rapidamente desceu em direção ao acampamento inimigo, provocando grande terror e forçando a retirada dos selêucidas da Grécia. Depois desta perigosa estratégia, Catão tornou-se muito popular entre as tropas, que atribuíram-lhe todo o mérito pela vitória. Em seguida, no período entre a perseguição de Antíoco e a pacificação do território grego, Catão foi enviado até Roma por Glabrião para comunicar a notícia da vitória. Ele fez a viagem muito rapidamente e chegou à capital antes de Cipião Asiático, que havia partido antes que ele.

Visita a Atenas

Segundo Plutarco, durante a campanha na Grécia sob o comando de Glabrião, depois de Termópilas, Catão foi enviado para proteger os territórios de Corinto, Patras e Égio, com o objetivo de impedir que elas se bandeassem para o lado de Antíoco. Foi então que Catão visitou Atenas para impedir que os atenienses escutassem as propostas do imperador selêucida e proferiu um discurso para a população local em latim. É bastante provável que Catão tivesse conhecimentos básicos de grego, já que, segundo Plutarco, Catão estudou este idioma durante a juventude em Tarento, onde ficou amigo do filósofo grego Nearco. Segundo Aurélio Vítor, durante o pretorado de Catão na Sardenha, Quinto Ênio lhe deu aulas de grego. Independente disto, já se conhecia na época o desdém de Catão pelo mundo helênico. É provável ainda que ele tenha feito seu discurso em latim por que era um dever dos magistrados romanos fazê-lo, pois reforçava a dignidade da República.

Censorado

Catão foi eleito censor em 184 a.C. junto com seu antigo patrocinador, Lúcio Valério Flaco. Com uma já bem estabelecida reputação como soldado, Catão preferiu servir à República, esmiuçando a conduta dos candidatos aos cargos públicos e dos generais em campo de batalha. Ainda que não tenha se envolvido pessoalmente na perseguição contra os Cipiões (os irmãos Cipião Africano e Cipião Asiático) por corrupção, foi por sua iniciativa que se inflamou os ataques políticos contra eles. Cipião Africano foi absolvido por aclamação depois de recusar-se a se defender das acusações. Apesar disso, o escândalo das acusações acabou com a vida pública de Africano, que se retirou para sua villa em Literno. Apesar de tudo, Catão tinha em suas mãos uma tarefa ainda mais séria, já que ele era contra à expansão da nova cultura helênica que ameaçava destruir a rude simplicidade do modo de vida romano. Ele considerava esta resistência à invasão cultural como sua missão de vida e exibiu esta determinação com mais firmeza durante seu censorado, razão pela qual receberia depois o epíteto de "o Censor". Catão revisou com severidade inusitada as listas de senadores e cavaleiros, expulsando da sociedade romana todos os que ele não considerava merecedores, seja por motivos morais ou pela ambição desmedida dos punidos. A expulsão de Lúcio Quíncio Flaminino por crueldade foi um exemplo de sua rígida interpretação da justiça. Suas imposições com relação ao luxo ostensivo foram muito severas. Ele impôs um pesado imposto sobre vestidos e adornos pessoais, especialmente os femininos, e sobre os escravos jovens comprados para serem "favoritos". Em 181 a.C. Catão apoiou a Lex Orchia (segundo algumas fontes, ele primeiro se opôs à sua introdução e, depois, à sua abolição), que prescrevia um limite ao número de hóspedes em uma hospedagem e, em 169 a.C., promoveu a Lex Voconia, que, entre outras questões, continha uma norma que pretendia revisar a acumulação desproporcionada de riquezas nas mãos de uma mulher. Além disso, Catão reparou os aquedutos de Roma, limpou os esgotos, coibiu o uso privado das águas públicas, ordenou a demolição de casas que estreitavam as vias públicas e construiu a primeira basílica no Fórum Romano, perto da Cúria Hostília, chamada Basílica Pórcia. Catão aumentou também o valor a ser pago pelos publicanos pelo direito de arrecadação de impostos e, ao mesmo tempo, diminuiu o preço dos contratos para a construção de obras públicas.

Anos finais

De seu período como censor (184 a.C.) até a sua morte (149 a.C.), Catão não ocupou nenhum cargo público, mas continuou se destacando como um dos mais proeminentes Senadores como um persistente adversário das novidades orientais. Assim como muitos outros romanos da época, tinha horror da licenciosidade dos mistérios bacanais e exigiu a expulsão dos filósofos gregos (Carnéades, Diógenes da Babilônia e Critolao), que haviam chegado à cidade como embaixadores de Atenas, por causa da natureza perigosa de seus pontos de vista. Além disso, Catão detestava médicos, que eram na sua maioria gregos. Articulou também a libertação do historiador Políbio e seus companheiros prisioneiros, perguntando jocosamente aos senadores se não tinham nada melhor para fazer além de discutir se uns poucos gregos deveriam morrer em Roma ou na Grécia. Não conheceu a literatura grega antes dos oitenta anos, apesar de alguns estudiosos de suas obras defenderem que ele deve ter conhecido as obras durante a sua vida.

Delenda est Carthago

A sua última atividade pública foi inflamar seus compatriotas sobre a necessidade de iniciar o quanto antes a Terceira Guerra Púnica e a destruição total de Cartago. Em 157 a.C. foi um dos emissários enviados até Cartago para arbitrar entre os cartagineses e Massinissa, rei da Numídia. A missão não teve sucesso e os emissários voltara para casa, mas Catão ficou tão impressionado com a prosperidade cartaginesa que se convenceu de que a segurança da República dependia da aniquilação de Cartago. Naquela época, durante as sessões do Senado e fora delas, repetia quase que como um mantra: "Ceterum censeo Carthaginem esse delendam" (que significa "Além disso, acredito que Cartago deve ser destruída"). Esta frase o imortalizou para a história.

Vida doméstica

Para Catão, a vida privada foi uma contínua disciplina, e a pública, a disciplina da maioria. Ele considerava o pater familias como o germen da família e esta como o gérmen do Estado. Apesar do pouco tempo que dispunha, realizava uma quantidade imensa de trabalho, exigindo a mesma atitude de seus familiares, o que deu-lhe a imagem de esposo duro, pai rígido e um amo severo e cruel de seus escravos. Aparentemente, tratava de maneira praticamente idêntica seus parentes e seus escravos e só o orgulho o levou a dispender mais tempo com seus filhos, Marco Pórcio Catão Liciniano e Marco Pórcio Catão Saloniano. Nada havia no comportamento de Catão que pudesse lhe valer uma censura de seus compatriotas, que o viam como exemplo da forma de vida romana tradicional. Numa passagem na qual Lívio descreve o caráter de Catão, não há uma só palavra de crítica, nem mesmo para sua rígida disciplina doméstica. Durante toda a sua vida, Catão manteve o espírito rural que recebeu de seus pais na mais tenra idade. Ele se casou com uma patrícia romana da gente Licínia. Com sua primeira esposa, teve apenas um filho, que ficou conhecido como Marco Pórcio Catão Liciniano para diferenciá-lo de seu irmão. Em seu primogênito, Catão inculcou os mesmos valores tradicionais. Liciniano foi um homem de grande valor, muito inteligente, brilhante jurista, político sagaz e um grande soldado. Apesar disto, a morte de sua primeira esposa, a inegável moralidade de Catão foi arranhada quando ele, apesar de já estar em idade avançada, tomou uma nova esposa entre suas escravas em idade fértil. A eleita por Catão foi uma jovem muito bela chamada Salônia que lhe deu um filho chamado Marco Pórcio Catão Saloniano. Catão Liciniano desprezou o pai por isso e se separou dele. A inimizade entre os dois ramos da família de Catão se acentuou depois da morte do patriarca. Apesar de, em tese, o ramo que tinha maior facilidade para fazer história, graças principalmente ao maior poder econômico e influência política, era o dos Licinianos, o mais conhecido foi o dos Salonianos, graças a um ilustre descendente, Catão, o Jovem.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Catão,_o_Velho