| Oncotympana maculaticollis. |
Cicadoidea
é uma superfamília da ordem Hemiptera
que agrupa os insetos conhecidos pelos nomes comuns de cigarra
e cega-rega.
Existem mais de 1.500 espécies conhecidas deste insetos (sendo que a
Carineta
fasciculata
pode ser considerada como a espécie-tipo brasileira). São notáveis
devido à cantoria entoada pelos machos, diferente em cada espécie e
que é ouvida no período quente do ano. Os machos destes insetos
possuem aparelho estridulatório, situado nos lados do primeiro
segmento abdominal, emitindo, cada espécie,som característico. As
cigarras também são reconhecidas pela forma característica e pelo
tamanho grande, que varia cerca de 15 milímetros até pouco mais de
65 milímetros de comprimento e atingindo até 10cm de envergadura.
Possuem um “bico” comprido para se alimentar da seiva de árvores
e plantas onde normalmente vivem. A importância da cigarra no
ecossistema é positiva, por um lado, por servir de alimento para os
predadores e, negativa, por outro, porque constitui-se em pragas de
algumas culturas. As suas ninfas vivem alimentando-se da seiva das
raízes das plantas, causando sensíveis prejuízos pela quantidade
de líquidos vitais que retiram e pelos ferimentos causados às
raízes, facilitando a penetração de fungos e bactérias. Muitas
espécies de cigarra têm períodos diferentes de amadurecimento, com
ciclos vitais de duração variada, enquanto as larvas ficam sob a
terra. Mas sete espécies do gênero Magicicada
têm uma característica adicional: elas são sincronizadas, ou seja,
saem do chão todas ao mesmo tempo, para cerca de duas semanas de
canto ensurdecedor, acasalamento e postura de ovos.
Etimologia
“Cigarra”
originou-se do termo latino cicaro.
Características
Existem
mais de 1.500 tipos diferentes de cigarra. Já foram detectados
exemplares com desde 20 milímetros até 130 milímetros de
comprimento. Normalmente, são encontrados em regiões de florestas
tropicais, mas também podem ser encontrados em outros tipos de
vegetações. No compartimento interno da barriga do macho,
desenvolvem-se os músculos e os elementos que soltam o som do canto
da cigarra, que serve para atrair a fêmea. Além disso, ele também
canta quando é atacado ou capturado por inimigos naturais. De outro
lado, o compartimento da barriga da fêmea fica lotado de ovos e a
parte traseira desenvolve-se como ovulador.
Ciclo de vida
A
cigarra é um inseto de metamorfose incompleta (Hemimetabolismo).
Ovo→Ninfa→Inseto adulto
- Fêmeas põem seus ovos e morrem logo depois. Os ovos eclodem.
- Os insetos jovens (ou “ninfas”) caem no chão e entram na terra.
- As ninfas vivem na terra por 1 a 17 anos (depende da espécie) se alimentando da seiva de raízes.
- Depois desse período, elas cavam túneis, sobem nas árvores e sofrem uma metamorfose, a ecdise, se tornando adultas e prontas para o acasalamento.
- O acasalamento ocorre geralmente durante os meses quentes do ano, o que varia de acordo com a região geográfica.
| Magicicada septendecim (Imagem: Martin Hauser). |
As
cigarras masculinas começam a cantar com um ruído zumbindo agudo,
alto para atrair fêmeas. As fêmeas também fazem um pequeno som mas
bem baixo. As cigarras masculinas cantam vibrando as membranas no
lado de baixo do primeiro segmento abdominal. As cigarras masculinas
são também capazes de fazer um grito alto quando perturbadas.
Acredita-se que tal gritar pode ser eficaz em determinados
predadores. No caso do Japão, normalmente as cigarras adultas
aparecem no Verão, mas também existem tipos de cigarra que aparecem
na Primavera como o Haru
Zemi
- Terpnosia,
e os que aparecem no Outono como a cigarra coreana Suisha.
Com o aquecimento global avançando nestes anos, já está até comum
encontrar cigarras cantando nos meses de Outubro. O normal é a forma
adulta viver entre 1 a 2 semanas devido à dificuldade natural de
maturação mas, nos campos, diz-se que as cigarras sobrevivem por
quase 1 mês. Além disso, o período como ninfa vivendo dentro da
terra é entre 3 a 17 anos e, no caso do abura
zemi
(Graptopsaltria
nigrofuscata),
é de 6 anos. Ao contrário do que se pensa ser uma sobrevivência
curta, é, na realidade, uma das mais longas entre os insetos.
Hábitos
O “canto” da cigarra
Entre
os insetos, as cigarras são as únicas que produzem o som estridente
que todos conhecem. Algumas
das espécies maiores conseguem atingir os 120 decibéis com
facilidade, enquanto outras menores realizam a proeza de alcançar
uma sonoridade tão aguda que seu canto simplesmente não é
percebido pelo ouvido humano, embora cães e outros animais possam
chegar a uivar de dor por causa dele.
Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos em rachaduras nos
caules de plantas hospedeiras. Depois que os ovos eclodem, as ninfas,
fase jovem da cigarra, descem por fios de seda até o solo, onde elas
ficam a maior parte da vida. No Brasil, o ciclo de vida desses
insetos dura um ou dois anos, sendo apenas dois ou três meses fora
do solo. Em outros países, como os Estados Unidos, o ciclo de vida
das cigarras pode chegar até 17 anos. Até mesmo as cigarras se
protegem contra o volume intenso de seu próprio canto. Tanto o macho
como a fêmea dessa espécie de insetos possuem um par de grandes
membranas que funcionam como orelhas. Elas são os tímpanos,
conectados ao órgão auditivo por um pequeno tendão que reage
quando o macho canta, dobrando-os para que o som alto não lhes
provoque danos. A crença de que as cigarras “explodem” quando
cantam não é verdadeira. A “casca” da cigarra que encontramos
presas as árvores são o exoesqueleto do inseto que realizou a
última muda ou ecdise, concluindo sua forma adulta. A população
antiga acredita que o canto da cigarra é o sinal que ela está
chamando chuva, por isso seus cantos em dias quentes.
Alimentação
| Graptopsaltria nigrofuscata. Local: Osaka-fu JAPAN. (Imagem:KENPEI). |
A “urina da cigarra”
Quando
falhamos ao tentar pegar uma cigarra, na hora que ela foge, ela
costuma “urinar”. No ditado popular, diz-se que ela “dá o
troco pela tentativa”; entretanto, muitos dizem que na realidade,
na hora que ela levanta voo, ela elimina o excesso de líquidos para
deixar o corpo mais leve e facilitar a fuga. Outros dizem que seu
ventre é fraco e o impulso do voo faz com que elimine o que está
armazenado. Na realidade, ela está eliminando a seiva retirada da
árvore e não necessariamente pondo em alvo quem a ataca. Isso não
só acontece na hora do voo mas, mesmo durante a extração da seiva,
isso vem a ocorrer. Após análises, foi verificado que a substância
excretada (a popular “urina da cigarra”) praticamente só possui
água, não sendo constatada praticamente quase nenhum resíduo
tóxico.
Fases do ciclo de vida
| Cigarra realizando ecdise em Ohio, nos EUA. (Imagem: T. Nathan Mundhenk). |
Após
o acasalamento, a fêmea faz cortes na casca de um galho para
depositar os seus ovos. Ela pode fazer isso repetidamente, até que
ela colocou várias centenas de ovos. Quando os ovos eclodem, as
ninfas recém-nascidas caem no chão. A maioria das cigarras passa
por um ciclo de vida que dura de dois a cinco anos. Algumas espécies
têm ciclos de vida muito mais longo, como o gênero norte-americano,
Magicicada,
que tem um número distinto de “crias” que passam por qualquer um
de 17 anos ou, no Sul dos Estados Unidos, um ciclo de vida de 13
anos. Estes ciclos de vida longos, talvez, desenvolvidos como uma
resposta a predadores, como a vespa assassina de cigarras e
louva-deus. Um predador com um menor ciclo de vida de pelo menos dois
anos não pode de forma confiável depredar as cigarras. As cigarras
vivem no subsolo como ninfas a maior parte da sua vida, em
profundidades que variam de cerca de 30 centímetros até 2,5 metros.
A alimentação das ninfas é o suco da raiz e têm fortes patas
dianteiras para cavar. No final instar ninfal, elas constroem um
túnel de saída para a superfície e emergem. Elas, então, mudam
(trocam de pele), em uma planta por perto para a última hora e
emergem como adultos. As peles permanecem abandonadas, continuam
agarradas à casca das árvores.
Principais tipos
Japão
No
total, existem aproximadamente 30 tipos conhecidos, entretanto os 3
tipos Cicadetta
radiator,
Cicadetta
yezoensis,
Baeturia
kuroiwae
são Tibicininae
e todos os demais estão classificados como Cicadoidae.
Quanto ao canto da cigarra, por ser complexa a forma de expressar a
sua onomatopéia escrita, mesmo sendo da mesma espécie, pode ter
formas diferentes de expressão.
-
- Terpnosia vacua
-
- Euterpnosia chibensis
-
- Mogannia minuta
-
- Platypleura kaempferi
-
- Tanna japonensis
-
- Meimuna opalifera
-
- Oncotympana maculaticollis
-
- Tibicen japonicus
-
- Graptopsaltria nigrofuscata
-
- Cryptotympana fucialis
Outros países
Brasil
- Carineta fasciculata Cigarra-do-cafeeiro
Cigarinha-do-milho
(Dalbulus maidis) Cigarra-carineta (Carineta fasciculata)
Cigarra-do-cafeeiro (Fidicina spp) Cigarra-do-cafeeiro
(Quesada gigas) Cigarra-fidicina (Ficidina pullata, F.
drewseni e F. mannifera) Cigarra-quesada (Quesada gigas
e Quesada sodalis) Cigarrinha (Oncometopia facialis)
Cigarrinha (Mahanarva fimbriolata) Cigarrinha (Agallia
albidula) Cigarrinha (Deois flavopicta) Cigarrinha (Deois
incompleta) Cigarrinha (Zulia entreriana) Cigarrinha
(Acrogonia terminalis) Cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri)
Cigarrinha-da-folha (M. rubicunda identata)
Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)
Cigarrinha-das-crucíferas (Aethalion reticulatum)
Cigarrinha-das-folhas (Mahanarva posticata) Cigarrinha-do-CVC
(Dilobopterus costalimai) Cigarrinhas-das-pastagens (Decis
flavopicta) Cigarrinhas-das-pastagens (Deois schach)
Cigarrinhas-das-pastagens (Tomaspia sp.).
Sudeste
Asiático
- Pomponia imperatoria
- Comprimento de 80 milímetros, com as asas de 130 milímetros e abertura de 200 milímetros, é considerada a maior cigarra do mundo. A cor do corpo é avermelhada e as asas transparentes. Comummente encontrada no Sudeste Asiático. À noite, canta com um som parecido com o do sapo-boi. É uma espécie próxima da Tanna japonensis.
- Voam para dentro do fogo.
América do
Norte
- Magicicada sp.
- Não é uma espécie em específico, M. decim, M. cassini, M. decula mas o resumo de 3 espécies. Mede de 30 a 40 milímetros e é considerada pequena. Comum na região central e Leste da América do Norte, e na região norte aparece uma vez a cada 17 anos: na região Sul, em 13 anos.
- Existem pessoas que comem esta cigarra quando adulta e quando dão como praga, são fáceis de apanhar, tanto que os seus predadores naturais ficam empanturrados de tanto comer. Conhecida como Periodical cicada.
Benefícios e perdas
Perdas
As
cigarras normalmente botam seus ovos nos vãos das árvores, mas já
foram detectados casos no Japão em que elas ovularam por engano em
fios eléctricos e em cabos de fibra óptica, causando interferências
nas telecomunicações. Em específico na região Oeste do Japão,
uma fêmea do Cryptotympana
facialis
ovulou numa fibra óptica e o cabo acabou sendo danificado. No Norte
dos Estados Unidos, houve uma grande infestação de cigarras e elas
sugaram toda a seiva da árvore, acabando com a vida do vegetal.
Cultura
Com
um canto especial, a cigarra que sai para o mundo morre bem
rapidamente, sendo motivo de emoção e símbolo do belo desde os
remotos tempos no Japão e representando a sensibilidade pelas coisas
óbvias da natureza.
Uso culinário
As
cigarras têm sido comidas por humanos na China, Malásia, Birmânia,
América Latina, no Congo e nos Estados Unidos. No Norte da China, as
cigarras são assadas ou fritas como guloseima.
Cigarras como alimento dos nativos das Américas
As
cigarras, bem como outros invertebrados serviam de alimento para os
ameríndios. Os Cahuilla do sul da Califórnia, USA, grelhavam as
cigarras
para comê-las. O que sobrava era seco e guardado para ser depois
consumido puro ou acompanhando papas. Os Shoshoni de Idaho, Nevada,
Califórnia e Utah coletavam os insetos pela manhã, quando estava
frio, grelhava-os para queimar as pernas e asas e depois os
triturava. Os Paiute de Nevada, Califórnia, Oregon e Idaho coletavam
os insetos pela manhã e pelo fim da tarde e os assavam em um pequeno
buraco no solo. No processo as pernas e asas eram queimadas e depois
os insetos eram armazenados para consumo nos meses de inverno.
Obras de arte
Literatura
- "Genshi Monogatari", capítulo "Cigarra Vazia"
- "Haiku e Universo"
- "Tranquilidade, entrando profundo na rocha pela voz da cigarra" (Matsuo Basho)
- "O canto da cigarra não envergonha o calor do casal" (Ihara Seisaku)
- "A cigarra já foi dormir, enquanto dobrava o quimono" (Yosa Buson)
- "O canto da cigarra no pinheiro visto pelas pessoas lá de casa" (Mukai Kyorai)
- Haicais:
- "No pôr do sol, a cigarra voa reto" (Masaoka Shiki)
- "A cigarra canta na curva do pinheiro: atrás, o Rio Chikuma" (Terada Torahiko)