| James Maxwell |
James
Clerk Maxwell.
Nasceu em Edimburgo, a 13 de Junho de 1831, e, faleceu em Cambridge,
a 5 de Novembro de 1879. James Maxwell foi um físico e matemático
britânico. É mais conhecido por ter dado forma final à teoria
moderna do eletromagnetismo,
que une a eletricidade, o magnetismo e a óptica. Esta é a teoria
que surge das equações
de Maxwell,
assim chamadas em sua honra e porque foi o primeiro a escrevê-las
juntando a lei
de Ampère,
modificada por Maxwell, a lei
de Gauss,
e a lei
da indução de Faraday.
Maxwell demonstrou que os campos eléctricos e magnéticos se
propagam com a velocidade
da luz.
Ele apresentou uma teoria detalhada da luz como um efeito
electromagnético, isto é, que a luz corresponde à propagação de
ondas eléctricas e magnéticas, hipótese que tinha sido posta por
Michael
Faraday.
Foi demonstrado em 1864 que as forças elétricas e magnéticas tem a
mesma natureza: uma força elétrica em determinado referencial pode
tornar-se magnética se analisada noutro, e vice-versa. Ele também
desenvolveu um trabalho importante em mecânica
estatística,
tendo estudado a teoria
cinética dos gases
e descoberto a chamada distribuição
de Maxwell-Boltzmann.
Maxwell é considerado por muitos o mais importante físico do século
XIX, o seu trabalho em electromagnetismo foi a base da relatividade
restrita de Einstein
e o seu trabalho em teoria cinética de gases fundamental ao
desenvolvimento posterior da mecânica
quântica.
| James e Katherine Maxwell. |
James
Clerk Maxwell nasceu em 13 de Junho de 1831 na Rua India, 14, em
Edimburgo, filho de John
Clerk Maxwell,
um advogado, e Frances
Maxwell.
O pai de Maxwell era um homem com confortáveis meios financeiros,
aparentado com a família Clerk de Penicuik, Midlothian, os titulares
do baronato de Clerk de Penicuik, sendo seu irmão o sexto barão.
Nascera John Clerk, adicionando o sobrenome Maxwell ao seu próprio
depois de ter herdado uma propriedade rural em Middlebie,
Kirkcudbrightshire, a partir das conexões com a família de Maxwell,
eles próprios membros do pariato. Os pais de Maxwell não se
conheceram e se casaram, até que tivessem passado dos trinta anos, o
que era incomum para a época, Frances Maxwell tinha quase 40 quando
James nasceu. Eles tinham tido anteriormente uma criança, uma filha,
Elizabeth,
que morreu na infância. Chamaram seu único filho sobrevivente de
James, um nome que tinha sido usado não só pelo seu avô, mas
também por muitos outros de seus ancestrais. Seus pais John Clerk
Maxwell e Frances Maxwell possuíam extensas terras no campo escocês,
onde Maxwell cresceu. Sua mãe adoeceu, provavelmente com cancro, e
morreu em 1839. Aos 10 anos de idade, Maxwell foi para escola em
Edimburgo. Ele fez a universidade em Edimburgo, pensando que aí
teria mais possibilidade de vir a ser cientista, do que em uma
universidade mais prestigiosa como por exemplo Cambridge onde também
tinha sido aceito. Na universidade de Edimburgo, graduou-se em
Filosofia Natural (como era nessa época denominada a Física),
Filosofia Moral e Filosofia Mental. Em 1850 foi estudar matemática
na Universidade de Cambridge, mais precisamente no Trinity College. É
nesta época que Maxwell inicia o seu estudo das equações de
eletromagnetismo, que continuaria praticamente toda a sua vida. Em
1854, graduou-se, entre os melhores estudantes do seu ano, e
imediatamente depois apresenta um brilhante artigo à Sociedade
Filosófica de Cambridge
com o título "On the Transformation of Surfaces by Bending",
um dos poucos artigos puramente matemáticos que escreveu.
| Estátua de Maxwell em Edinburgh. (imagem: Kim Traynor). |
| Túmulo de Maxwell. (imagem: Flying Stag). |
Equações de Maxwell
As
equações
de Maxwell
são um grupo de equações
diferenciais parciais
que, juntamente com a lei da força
de Lorentz,
compõe a base do eletromagnetismo
clássico
no qual está embebido toda a óptica clássica. O desenvolvimento
das equações de Maxwell, e o entendimento do eletromagnetismo,
contribuíram significativamente para toda uma revolução
tecnológica iniciada no final do século XIX e continuada durante as
décadas seguintes. As equações de Maxwell podem ser divididas em
duas grandes variações. O grupo "microscópico" das
equações de Maxwell utiliza os conceitos de carga total e corrente
total, que inclui as cargas e correntes a níveis atômicos, que
comumente são difíceis de se calcular. O grupo "macroscópico"
das equações de Maxwell definem os dois novos campos auxiliares que
podem evitar a necessidade de ter que se conhecer tais cargas e
correntes em dimensões atômicas. As equações de Maxwell são
assim chamadas em homenagem ao físico e matemático escocês James
Clerk Maxwell, já que podem ser encontradas, sob outras notações
matemáticas, em um artigo dividido em quatro partes, intitulado On
Physical Lines of Force
(Acerca
das linhas físicas de força),
que Maxwell publicou entre 1861 e 1862. A forma matemática da lei da
força de Lorentz também está presente neste artigo. Torna-se útil,
geralmente, escrever as equações de Maxwell em outras formas
matemáticas. Estas representações matemáticas, ainda que possam
ser completamente diferentes uma das outras, descrevem basicamente os
mesmos fenômenos físicos e ainda são chamadas de "equações
de Maxwell". Uma formulação em termos de tensores covariantes
de campo é usada na relatividade restrita, por exemplo. Dentro da
mecânica quântica, é preferida uma versão baseada em potenciais
elétrico e magnético.
As
formulações de Maxwell em 1865 estavam em torno de vinte equações
de vinte variáveis, que incluíam diversas equações hoje
consideradas auxiliares das equações de Maxwell: a Lei
de Ampère
corrigida, uma equação de três componentes; a Lei
de Gauss
para carga, descrita por uma equação; a relação entre densidade
de corrente total e de deslocamento, descrita por três equações, a
relação entre campo magnético e o vetor potencial, descrita por
uma equação de três componentes, que implica a ausência de
monopolo magnético; a relação entre campo elétrico e os
potenciais escalar e vetorial, descrita por equações de três
componentes, que implicam a Lei
de Faraday;
a relação entre campos elétrico e de deslocamento, descrita por
equações de três componentes, a Lei
de Ohm,
que relaciona intensidade de corrente e campo elétrico, descrita por
equações de três componentes; e a equação de continuidade, que
relaciona a intensidade de corrente e densidade de carga, descrita
por uma equação. A formulação matemática moderna das equações
de Maxwell deve-se a Oliver
Heaviside
e Willard
Gibbs,
que em 1884 reformularam o sistema original de equações em uma
representação mais simples, utilizando-se de cálculo vetorial.
Maxwell também havia publicado seu trabalho, em 1873, utilizando
notações com base em quaterniões, que acabou se tornando
impopular. A mudança para notação vetorial produziu uma
representação matemática simétrica que reforçava a percepção
das simetrias físicas entre os vários campos. Esta notação
altamente simétrica inspiraria diretamente o desenvolvimento
posterior da física fundamental. Como um dos resultados derivados
das equações de Maxwell, surge a velocidade das ondas
eletromagnéticas, dada por
.
Como consequência, interpretações de físicos logo em seguida
sugeriam que as equações de Maxwell expressariam o eletromagnetismo
apenas no referencial inercial do éter luminífero. Naquela época,
para os físicos, o éter luminífero seria o meio pelo qual a luz
oscilaria como onda, assim como uma onda mecânica tendo como meio
uma corda, e serviria como referencial absoluto para todo o Universo.
O experimento conduzido por Albert
Abraham Michelson
e Edward
Morley
produziu um resultado nulo para a hipótese da mudança da velocidade
da luz devido ao movimento hipotético da Terra através do éter.
Porém, explicações alternativas foram buscadas por Hendrik
Lorentz,
entre outros. Isto culminou na teoria de Albert
Einstein
da relatividade especial, que postulava a ausência de qualquer
referencial absoluto e a invariância das equações de Maxwell em
todos os referenciais. As equações do campo eletromagnético têm
uma íntima ligação com a relatividade especial: as equações do
campo magnético podem ser derivadas de interpretações das equações
do campo elétrico sob transformações relativísticas sob baixas
velocidades. Na relatividade restrita, as equações são escritas em
uma forma mais compacta, manifestamente covariante, em termos de um
quadritensor da intensidade do campo antissimétrico de segunda
ordem, que unifica os campos eléctrico e magnético em um único
objeto.
Conceitualmente,
as equações de Maxwell descrevem como cargas elétricas e correntes
elétricas agem como fontes dos campos elétrico e magnético. Além
do mais, as equações de Maxwell descrevem como um campo elétrico
que varia no tempo gera um campo magnético que também varia no
tempo, e vice-versa. Das quatro equações, duas delas, a lei
de Gauss
e a lei
de Gauss para o magnetismo,
descrevem como os campos são gerados a partir de cargas. Para o
campo magnético, como não há carga magnética, as linhas de campo
magnético não começam nem terminam, ou seja, as linhas são como
trajetórias fechadas. As outras duas equações descrevem como os
campos "circulam" em torno de suas respectivas fontes: o
campo magnético "circula" em torno de correntes elétricas
e de campos elétricos variantes com o decorrer do tempo, conforme a
lei
de Ampère
com a correção do próprio Maxwell; campos elétricos "circulam"
em torno da campos magnéticos que variam com o tempo, conforme a lei
de Faraday.
A
lei de Gauss, assim chamada em homenagem ao matemático e físico
alemão Carl
Friedrich Gauss,
descreve a relação entre um campo elétrico e as cargas elétricas
geradoras do campo. Na descrição em termos de linhas de campo, as
linhas de campo elétrico começam das cargas positivas e terminam
nas cargas negativas. "Contando" o número de linhas de
campo em uma superfície fechada, portanto, obtém-se o total de
cargas inclusas naquela superfície. Mais tecnicamente, a lei de
Gauss relaciona o fluxo elétrico através de qualquer superfície
gaussiana fechada para as cargas elétricas na superfície.
A
lei
de Gauss para o magnetismo
afirma que não há cargas ou monopolos magnéticos análogos às
cargas elétricas. Em vez disso, o campo magnético é gerado por uma
configuração chamada dipolo. Dipolos magnéticos são mais bem
representadas como correntes fechadas, mas que lembram cargas
magnéticas positivas e negativas inseparáveis, não tendo,
portanto, nenhuma rede de cargas magnéticas. Em termos de linhas de
campo, esta equação afirma que as linhas de campo magnético nunca
começam ou terminam que circulam. Em outras palavras qualquer linha
de campo magnético que entra em um determinado volume ou material
devem de alguma forma sair deste volume ou material. Em uma linguagem
mais técnica, o fluxo magnético através de qualquer superfície
gaussiana é zero, ou que o campo magnético é um campo vetorial
solenoidal.
A
lei
de Faraday,
assim chamada em homenagem ao físico inglês Michael
Faraday,
descreve como um campo magnético que varia com o tempo cria, ou
induz, um campo elétrico. Este aspecto da indução eletromagnética
é o princípio operante por trás de muitos geradores elétricos.
Por exemplo, um magneto em forma de barra, em rotação, cria um
campo magnético que varia com o tempo, que por sua vez gera um campo
elétrico que também varia com o tempo em um condutor próximo. Há
duas equações grandemente relacionadas que são chamadas de lei de
Faraday. A forma usada nas equações de Maxwell é sempre válida,
embora mais restrita do que a equação originalmente formulada por
Faraday.
A
lei de Ampère, assim chamada em homenagem ao físico francês
André-Marie
Ampère,
afirma que campos magnéticos podem ser gerados em duas formas:
através de correntes elétricas, que é a lei de Ampère original, e
por campos elétricos que variam no tempo, que é a correção
proposta por Maxwell. A correção de Maxwell proposta à lei de
Ampère é particularmente importante: significa que um campo
magnético que varia no tempo cria um campo elétrico que varia no
tempo, e que um campo elétrico que varia no tempo gera um campo
magnético que varia no tempo. Portanto, estas equações permitem a
existência de "ondas eletromagnéticas" auto-sustentadas
através do espaço vazio. A velocidade calculada para as
ondas-eletromagnéticas, que podia ser prevista através de
experimentos em cargas e correntes, coincide exatamente com a
velocidade da luz. Portanto, a luz é uma forma de onda
eletromagnética. Maxwell entendeu esta relação entre a luz e o
eletromagnetismo em 1861, unificando, portanto, duas áreas da Física
até então distintas: o eletromagnetismo e a óptica.
As
equações de Maxwell variam conforme o sistema de unidades usado.
Embora a forma geral permaneça, várias definições são alteradas
e diferentes constantes aparecem em diferentes lugares. As equações
nesta seção são dadas no Sistema Internacional de Unidades (SI).
Outras unidades comumente usadas são as unidades gaussianas, baseado
no sistema CGS de unidades, as unidades de Lorentz-Heaviside, usado
principalmente em física de partículas e as unidades naturais,
conhecidas também como unidades de Planck, usada em física teórica.
Nas equações abaixo, símbolos em negrito
representam grandezas vetoriais, e símbolos em itálico
representam grandezas escalares. As definições dos termos usados
abaixo são dadas logo abaixo em tabelas a parte.
Tabela das equações "microscópicas"
Formulação
em termos de carga e corrente totais
Nome
|
Forma
diferencial
|
Forma
integral
|
|---|---|---|
Lei
de Gauss
|
||
Lei
de Gauss para o magnetismo
|
||
Lei
de Faraday da indução
|
||
Lei
de Ampère
(com a correção de Maxwell) |
Tabela das equações "macroscópicas"
Formulação
em termos de carga e corrente "livres"
Nome
|
Forma
diferencial
|
Forma
integral
|
|---|---|---|
Lei
de Gauss
|
||
Lei
de Gauss para o magnetismo
|
||
Lei
de Faraday da indução
|
||
Lei
de Ampère
(com a correção de Maxwell) |
Tabela dos termos usados
A
tabela a seguir fornece o significado de cada símbolo e da unidade
SI de medida:
Definições
e unidades
Símbolo
|
Significado
(o primeiro termo é o mais comum)
|
Unidade
SI de medida
|
|---|---|---|
Campo
elétrico
Também chamado de intensidade de campo elétrico |
volt
por metro
newton por coulomb |
|
Campo
magnético
Também chamado de indução magnética Densidade de campo magnético Densidade de fluxo magnético |
tesla
weber por metro quadrado, volt-segundo por metro quadrado |
|
Campo
de deslocamento elétrico
Também chamado de indução elétrica Densidade de fluxo elétrico |
coulombs
por metro quadrado
newton por volt-metro |
|
Campo
magnetizante
Também chamado de campo magnético auxiliar Intensidade de campo magnético Campo magnético |
ampère
por metro
|
|
Operador
divergência
|
"por
metro"
|
|
Operador
rotacional
|
||
Derivada
parcial com respeito ao tempo
|
"por
segundo"
hertz |
|
Elemento
vetoral diferencial da superfície "A", com magnitude
infinitesimalmente pequena e direção normal à superfície "S"
|
Metro
quadrado
|
|
Elemento
vetorial diferencial do comprimento tangencial à curva
|
metro
|
|
Permissividade
do vácuo, também chamada de constante elétrica, uma constante
universal
|
farads
por metro
|
|
Permeabilidade
do vácuo, também chamada de constante magnética, uma constante
universal
|
henries
por metro, ou newtons por ampère quadrado
|
|
Densidade
de carga livre (cargas ligadas)
|
coulombs
por metro cúbico
|
|
Densidade
de carga total (incluindo cargas livres e ligadas)
|
coulombs
por metro cúbico
|
|
Densidade
de corrente livre (não incluindo correntes ligadas)
|
ampères
por metro quadrado
|
|
Densidade
de corrente total (incluindo correntes livres e ligadas)
|
ampères
por metro quadrado
|
|
Rede
de cargas elétricas livres dentro de um volume tridimensionalV
(não incluindo cargas ligadas)
|
coulombs
|
|
Rede
de cargas elétricas ligadas a um volume tridimensionalV
(incluindo cargas livres e ligadas)
|
coulombs
|
|
Integral
de linha ao longo da fronteira ∂S de uma superfície S (∂S é
sempre uma curva fechada - sem início nem fim).
|
joules
por coulomb
|
|
Integral
de linha do campo magnético sobre a fronteira fechada ∂S da
superfície S
|
tesla-metro
|
|
O
fluxo elétrico (integral de superfície do campo elétrico) por
meio da superfície fechada
|
joule-metro
por coulomb
|
|
O
fluxo magnético (Integral de superfície do campo magnético) por
meio da superfície fechada
|
tesla-metro-quadrado
ou weber
|
|
Fluxo
magnético através de qualquer superfície S, não sendo
necessariamente uma superfície fechada
|
weber
ou volt-segundo
|
|
Fluxo
elétrico através de qualquer superfície S, não sendo
necessariamente fechada
|
joule-metro
por coulomb
|
|
Fluxo
de campo de deslocamento elétrico através de qualquer superfície
S, não sendo necessariamente fechada
|
coulomb
|
|
Rede
de corrente elétrica livre passando através da superfície S
(não incluindo correntes ligadas)
|
ampère
|
|
Rede
de corrente elétrica passando através da superfície S
(incluindo correntes livres e ligadas)
|
ampère
|
Unidades gaussianas
As
equações de Maxwell são dadas normalmente no Sistema Internacional
de Unidades (SI). No sistema gaussiano de unidades, as equações
tomam forma mais simétrica. Os termos em negrito representam
vetores:
Onde c
é a velocidade da luz no vácuo. A simetria é mais aparente quando
o campo eletromagnético é considerado no vácuo. As equações
tomam a seguinte forma altamente simétrica:
A força exercida
por um campo elétrico e um campo magnético sobre uma partícula
carregada é dada pela equação da força de Lorentz:
onde
é a carga da partícula e
é a velocidade da partícula. Note que esta é levemente diferente
da expressão do SI acima. Por exemplo, aqui o campo magnético
tem as mesmas unidades do campo elétrico
.
Em materiais lineares
Em
materiais lineares, os campos D e H são relacionados a
E e B por:
nos quais:
ε
é a constante dielétrica ou permissividade elétrica.
μ
é a permeabilidade magnética. Isto pode ser estendido para
materiais não-lineares, fazendo ε
e μ
dependentes da intensidade do campo. Por exemplo, o efeito Kerr, o
efeito Pockels e materiais não-isotrópicos, ε
e μ
passam a ser tensores que mudam a direção do campo ao qual são
aplicados. Em meios isotrópicos e não dispersivos, ε e μ são
escalares independentes do tempo, e as equações de Maxwell se
reduzem a
Em um meio
uniforme, homogêneo, ε e μ são constantes independentes da
posição, e podem portanto ser trocadas pelas derivadas espaciais.
De modo geral, ε e μ podem ser tensores de segunda ordem, descritos
por matrizes 3×3, e descrevem materiais birrefringentes ou
anisotrópicos. Embora para muitos propósitos a dependência
tempo/freqüência destas constantes possa ser desprezada, todo
material real exibe alguma dispersão material pela qual ε e/ou μ
dependem da freqüência, e a causalidade vincula esta dependência
às relações de Kramers-Kronig.
Vácuo
O
vácuo é um meio linear, homogêneo e isotrópico, e suas constantes
elétricas são designadas por ε0
e μ0,
desprezando-se pequenas não-linearidades devido a efeitos quânticos.
Caso não haja presença de correntes ou cargas elétricas, obtêm-se
as equações de Maxwell no vácuo:
Estas equações
têm uma solução simples em termos de ondas progressivas planas
senoidais, com as direções dos campos elétricos e magnéticos
ortogonais um ao outro e à direção do deslocamento, e com os dois
campos em fase:
Mas:
O que permite obter
a equação da onda eletromagnética:
De onde se obtem a
velocidade da onda eletromagnética (c):
Maxwell percebeu
que essa quantidade "v" poderia estar relacionada à
velocidade da luz no vácuo, e concluiu que a própria luz poderia
ser uma forma de radiação eletromagnética, confirmada por Heinrich
Hertz em 1888.
Detalhamento
Densidade de carga e campo elétrico
A
forma integral equivalente (dada pelo teorema da Divergência),
também conhecida como Lei de Gauss, é:
pelo teorema da
Divergência:

e
pela Lei de Gauss:
logo
onde
é a área de um quadrado diferencial numa superfície fechada A com
uma normal dirigida para fora definindo sua direção, e
é a carga livre abrangida pela superfície. portanto:
logo
,
onde
é a densidade volumétrica de carga elétrica livre (SI: C/m3),
não incluindo dipolos de cargas ligadas no material, e
é a densidade superficial de carga elétrica (SI: C/m2).
Esta equação corresponde à lei de Coulomb para cargas
estacionárias no vácuo.
Em
um material linear,
está diretamente relacionado ao campo elétrico
por meio de uma constante dependente do material chamada
permissividade
:
.
Qualquer material
pode ser tratado como linear, desde que o campo elétrico não seja
extremamente intenso. A permissividade do espaço livre é referida
como
,
e aparece em:
onde, novamente,
é o campo elétrico (SI: V/m),
é densidade de carga total, incluindo as cargas ligadas, e
(aproximadamente 8,854 pF/m) é a permissividade do vácuo.
também pode ser escrito como
,
onde
é a permissividade relativa do material ou sua constante dielétrica.
Estrutura do campo magnético
A
sua forma integral equivalente é:
Campos magnéticos e elétricos variáveis
Usando a forma
integral equivalente e usando o teorema de Stokes, temos:
e como pela lei de
Faraday :
onde
logo
onde
ΦB
é o fluxo magnético através da área A descrita pela segunda
equação
E
é o campo elétrico gerado pelo fluxo magnético
c
é um contorno fechado na qual a corrente é induzida, tal como um
fio.
S
é a superfície enlaçada pela curva c.
A
força eletromotriz, algumas vezes denotada como
e não deve ser confundida com a permissividade acima, é igual ao
valor desta integral. Esta lei corresponde à lei de Faraday de
indução eletromagnética. Esta equação relaciona os campos
elétrico e magnético, mas isso também tem várias aplicações
práticas. Esta equação descreve como motores elétricos e
geradores elétricos trabalham. Especificamente, isto demonstra que a
voltagem pode ser gerada pela variação do fluxo magnético passando
através de uma dada área no tempo, tal como acontece com uma espira
girando uniformemente através de um campo magnético fixado. Em um
motor ou gerador, a excitação fixa é fornecida pelo circuito de
campo e a voltagem variável é medida pelo circuito da armadura. Em
alguns tipos de motores/geradores, o circuito de campo é montado
sobre o rotor e o circuito da armadura é montado sobre o estator,
mas outros tipos de motores/geradores empregam a configuração
contrária.
Fonte do campo magnético
onde H
é a intensidade de campo magnético (SI: A/m), relacionado ao campo
magnético B
por uma constante chamada permeabilidade magnética μ (B
= μH),
e J
é a densidade de corrente elétrica, definida por:
,
onde v
é o campo vetorial chamado de velocidade de arraste que descreve as
velocidades de um portador de carga que tem uma densidade descrita
pela função escalar
.
Utilizando
o Teorema de Stokes temos:
logo:
Lei de Ampere:

Contribuição
de Maxwell:

Icirculada
é a corrente circulada pela curva c (a corrente através de
qualquer superfície é definida pela equação:
No
vácuo, a permeabilidade μ é a permeabilidade do espaço vazio, μ0,
que é definida como sendo exatamente 4π×10−7 W/A m.
Também, a permissividade torna-se a permissividade ε0.
Portanto, no vácuo, a equação torna-se:
Usando a forma
integral equivalente:
s
é a aresta de uma superfície A,
onde qualquer superfície com a curva s
como sendo sua aresta deverá servir, e Icirculada
é a corrente circulada pela curva s.
A corrente através de qualquer superfície é definida pela equação:
Iatravés
de A
=∫AJ
dA.
Se a densidade de fluxo elétrico não variar muito rapidamente, o
segundo termo do membro direito, o fluxo de deslocamento, é
desprezível, e a equação se reduz à lei de Ampère.
Equações de Maxwell na relatividade especial
Na
relatividade especial, para expressar mais claramente o fato de que
as equações de Maxwell no vácuo tomam a mesma forma em todos os
sistemas de coordenadas inerciais, as equações de Maxwell são
escritas em termos de quadrivetores e quadritensores na forma
manifestamente covariante:
,
e
onde J
é a quadricorrente, F
é o tensor intensidade de campo ou tensor de Faraday, escrito como
uma matriz 4 × 4 , e
é o quadrigradiente, tal que
é o operador d'Alembertiano. O α
na primeira equação é implicitamente somado de acordo com a
convenção da notação de Einstein. A primeira equação tensorial
expressa as duas equações inomogêneas de Maxwell: lei de Gauss e a
lei de Ampère com a correção de Maxwell. A segunda equação
expressa as outras duas equações homogêneas: a lei de indução de
Faraday e a ausência de monopolos magnéticos.
Mais
explicitamente, J
= (cρ, J),
um vetor contravariante, em termos da densidade de carga ρ
e a densidade de corrente J.
Em termos de quadripotencial, como um vetor contravariante,
,
onde φ
é o potencial elétrico e A
é o potencial vetor magnético pelo calibre de Lorenz
,
F
pode ser expresso como:
o que conduz a uma
matriz 4 × 4 (tensor de segunda ordem):
O fato de que ambos
os campos elétrico e magnético são combinados em um único tensor,
que expressa que, de acordo com a relatividade, ambos os campos são
diferentes aspectos da mesma coisa. E assim pela troca dos
referenciais, o que parecia ser um campo elétrico em um referencial
se afigura como um campo magnético em outro referencial, e
vice-versa.
Note
que diferentes autores algumas vezes empregam diferentes convenções
de sinal para os tensores e quadrivetores, o que não afeta a
interpretação física. Note também que Fαβ
e Fαβ
não são os mesmos: eles são as formas do tensor contravariante e
covariante , relacionados pelo tensor métrico g.
Na relatividade especial o tensor métrico introduz as mudanças de
sinal em algumas componentes de F;
dualidades métricas mais complexas são encontradas na relatividade
geral.
Equações de Maxwell no vácuo
No
vazio, onde não existem cargas nem correntes, podem ainda existir
campos elétrico e magnético. Nesse caso, as quatro equações de
Maxwell são:
O único parâmetro nessas equações é a constante
que é exatamente igual ao inverso do quadrado da velocidade da luz
Na época de Maxwell, meados do século XIX, a velocidade da luz já tinha sido medida com precisão dando exatamente o mesmo valor que acabamos de calcular a partir da constante de Coulomb e da constante magnética. Assim, Maxwell concluiu que a luz deveria ser uma onda eletromagnética, composta por campos elétrico e magnético que se propagam no espaço.
Formas diferenciais
No
vácuo, onde ε
e μ
são constantes em toda parte, as equações de Maxwell
simplificam-se consideravelmente uma vez que se use a linguagem da
geometria diferencial e formas diferenciais. Com isso, os campos
elétrico e magnético são conjuntamente descritos por uma 2-forma
em um espaçotempo quadridimensional, a qual é usualmente chamada F.
As equações de Maxwell então se reduzem à identidade de Bianchi
onde d é a
derivada exterior, e a equação fonte
onde o asterisco *
é a estrela de Hodge. Aqui, os campos são representados em unidades
naturais onde ε0
é 1. Aqui, J
é a 1-forma, chamada de corrente elétrica, que satisfaz a equação
da continuidade
Espaço fibrado
A
formulação mais concisa e abrangente das equações de Maxwell e da
eletrodinâmica clássica em geral é como um espaço fibrado com
fibra U(1).
A conexão no espaço fibrado é d+A
com A
sendo o quadrivetor compreendendo o potencial elétrico e o potencial
vetor magnético. A curvatura da conexão F=dA
é a intensidade de campo. Há um resultado criticamente importante
dentro do conceito de espaço fibrado que mostra que esta é a
abordagem correta: a holonomia em um espaço fibrado descreve o
efeito Aharonov-Bohm. Embora o efeito Aharonov-Bohm seja algumas
vezes admitido como um efeito quântico, sua explicação não requer
qualquer quantização do campo eletromagnético. O efeito pode ser
entendido em termos puramente clássicos como a holonomia de uma
curva em um espaço fibrado. Sem a formulação do espaço fibrado, o
efeito Aharonov-Bohm parece ser uma fantasmagórica ação a
distância, inexplicável pelas tradicionais equações de Maxwell.
Distribuição de Maxwell-Boltzmann
| Devido a colisões, uma determinada partícula vai variando a sua velocidade. |
A
distribuição de
Maxwell-Boltzmann é
uma distribuição de probabilidade com aplicações em física e
química. A aplicação mais comum dá-se no campo da mecânica
estatística. A temperatura de qualquer sistema físico é o
resultado do movimento das moléculas e átomos que compõem o
sistema. Estas partículas possuem um intervalo de diferentes
velocidades, e a velocidade de uma determinada partícula varia
constantemente devido a colisões com outras partículas. No entanto,
para uma fracção de um número grande de partículas, dentro de um
determinado intervalo de velocidades, as velocidades são quase
constantes. A distribuição Maxwell relativa às velocidades
especifica esta fracção, para cada intervalo de velocidades, como
função da temperatura do sistema. Esta distribuição leva o nome
de James Clerk
Maxwell e de
Ludwig Boltzmann.
A distribuição pode ser vista como a magnitude de um vector
tridimensional, se os seus componentes estiverem distribuídos como
uma distribuição normal com desvio padrão
.
Se
estiverem distribuídos como
,
então
está distribuído como uma
distribuição de Maxwell–Boltzmann com parâmetro
.
Demônio de Maxwell
Uma
das mais famosas respostas a esta pergunta foi sugerida em 1929 por
Leó
Szilárd,
e mais tarde por Léon
Brillouin.
Szilárd observou que o demônio de Maxwell, na vida real, precisaria
ter algum meio de medir a velocidade molecular, e que o ato de
aquisição de informações exigiria um gasto de energia. Uma vez
que o demônio e o gás estão interagindo, devemos considerar a
entropia total do gás e do demônio combinados. O dispêndio de
energia pelo demônio irá causar um aumento na entropia do demônio,
que será maior do que a redução da entropia do gás. A queda de
entropia do gás seria compensada por um aumento de entropia na
cabeça do demônio. Esmiuçando esta idéia, na década de 1950,
Brillouin e Dennis
Gabor
argumentaram que a medição que o demônio faz da posição de uma
molécula levaria a um aumento compensatório de entropia (a absorção
de um fóton dissipa energia). Quando tudo parecia resolvido, Charles
H. Bennett
– que ficara famoso por ter mostrado que é possível fazer
qualquer computação de maneira reversível – mostrou que é o
apagamento de informação que dissipa energia no demônio, e não a
mera realização de uma medição. Esta explicação é hoje
hegemônica.
Referências