| Edmund Husserl (Imagem: Не требуется). |
Edmund
Gustav Albrecht Husserl.
Nasceu em Proßnitz, a 8 de Abril de 1859, e, faleceu em Friburgo em
Brisgóvia, a 26 de Abril de 1938. Husserl foi um matemático e
filósofo alemão, conhecido como o fundador da fenomenologia.
Veja neste blog: Fenomenologia
Biografia
Nascido
numa família judaica numa pequena localidade da Morávia (região da
atual República Checa). Aluno de Franz
Brentano
e Carl
Stumpf,
Husserl influenciou entre outros os alemães Edith
Stein,
Eugen
Fink
e Martin
Heidegger,
e os franceses Jean-Paul
Sartre,
Maurice
Merleau-Ponty,
Michel
Henry
e Jacques
Derrida.
O interesse do matemático Hermann
Weyl
pela lógica intuicionista e pela noção de impredicatividade teria
resultado de contatos com Husserl. Na verdade, a impulsão primeira
da lógica positivista, como seus desenvolvimentos mais recentes,
seriam estreitamente tributários da crítica de certos aspectos da
filosofia de Husserl pelas filosofias insularias e americanas. Ao
reverso, a obra do discípulo Heidegger foi considerada pelo mestre
como resultando de graves desinterpretações de seus ensinos e
métodos. Em 1887, Husserl converte-se ao cristianismo e junta-se à
Igreja Luterana. Começa ensinando filosofia em Halle como tutor
(Privatdozent) desde 1887, continua em Göttingen como professor em
1901 e mais tarde em Friburgo (Freiburg am Breisgau) a partir de
1916, até que se aposenta em 1928. Como aposentado, Husserl continua
suas pesquisas e atividades nas instituições de Friburgo, até que
seja definitivamente demitido por causa de sua ascendência judia,
sob o reitorado de seu antigo aluno e protege Heidegger.
Vida
e obra
Husserl
estudou inicialmente matemática nas universidades de Leipzig (1876)
e Berlin (1878), seguindo as lições de Karl Weierstrass e Leopold
Kronecker. Em 1881, vai a Viena para estudar sob a direção de Leo
Königsberger (antigo aluno de Weierstrass), obtendo seu doutorado em
1883, apresentando a tese Beiträge
zur Variationsrechnung
(Contribuições
ao Cálculo das Variações).
Em 1884, em filosofia na Universidade de Viena. Franz
Brentano
tanto impressionou Husserl que ele pretende então dedicar sua vida à
filosofia. Em 1886 Husserl vai à Universidade de Halle, recomendado
por Brentano para Carl
Stumpf para sua habilitação. Sob sua
direção, Husserl escreve Über
den Begriff der Zahl
(Sobre
o Conceito do Número,
1887) cujos arquivos fornecerão as bases de sua primeira obra
importante, Philosophie
der Arithmetik
(Filosofia
da Aritmética,
1891). Nessas primeiras pesquisas, Husserl tenta combinar matemática
com a filosofia empírica pela qual tinha sido iniciado em Viena. Seu
objetivo central será contribuir no fornecimento de fundações
sólidas para a ciência matemática. O tema de seu estudo será a
análise dos processos mentais necessários para a formação do
conceito de número; baseado em suas próprias análises, como nos
métodos atípicos de seus professores, tentará projetar a
possibilidade de uma teoria sistemática. Em relação ao ensino de
Karl
Weierstrass,
Husserl tenta derivar a idéia de que o conceito de número se obtém
por um "desconto" de certas coleções de objetos; em
respeito a Brentano-Stumpf, Husserl desenvolve a distinção entre as
noções de presentações
próprias e impróprias.
Temos uma presentação própria quando o objeto está "atualmente"
presente (no campo de vista, contexto ou intuição). Imprópria (ou
simbólica,
como também é referida), se podemos indicá-lo somente através de
signos, símbolos etc. Nas Investigações
Lógicas,
de 1901, a IIIª Investigação foi interpretada como o início da
teoria simbólica dos todos e suas partes, também referida como
mereologia
(um ramo da Ontologia formal). Outro elemento importante herdado por
Franz Brentano foi a noção de intencionalidade,
que define a forma essencial dos processos mentais. Uma definição
simples dirá que a principal característica da consciência é de
ser sempre intencional. A
consciência sempre é consciência de alguma coisa:
a análise intencional e descritiva da consciência definirá as
relações essenciais entre atos mentais e mundo externo. Mas, para
Brentano, o objetivo fora gerar com métodos empíricos (apoiando-se
na introspecção pura) um critério-chave que possa caracterizar os
fenômenos psíquicos por oposto aos fenômenos físicos, distinção
cujo objetivo fora legitimar uma ciência psicológica nova, e livre
de preconceitos (Psychologie
vom Empirischen Standpunkt,
1874). Para Brentano, todo ato mental tem seus conteúdos,
caracterizados por sua direção a um objeto ("objeto
intencional"). Toda crença, desejo, tem necessariamente seus
objetos: o desejado, o acreditado, etc. Brentano usou da expressão
“inexistência intencional” para indicar o status, na mente, dos
objetos do pensamento. Com a noção de intencionalidade, o filósofo
austríaco propôs um conjunto de traços que distinguiriam de
maneira perfeitamente empírica os fenômenos psíquicos dos
fenômenos físicos: para Brentano, fenômenos físicos não tem
intencionalidade. O desenvolvimento e a crítica do conceito
brentaniano aparece como o motivo permanente, central, da obra de
Edmund Husserl. A principal diferença, em sua interpretação da
noção de intencionalidade, aparece na crítica de seu modo
in-existente ("inexistência" como existência "interna"):
a transcendência necessária da mente e do discurso, a objetividade
óbvia e no entanto contraditória do futuro científico e histórico,
a objetividade radical, constituidora, da subjetividade formarão a
marca do trabalho do primeiro fenomenologista, e seus elementos
próprios de fascinação. Alguns anos após a publicação de sua
principal obra, as Logische
Untersuchungen
(Investigações
Lógicas;
primeira edição, 1900-1901), Husserl elaborou alguns
conceitos-chave que o levaram a afirmar que para estudar a estrutura
da consciência seria necessário distinguir entre o ato de
consciência e o fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si,
transcendente à consciência). O conhecimento das essências seria
possível apenas se “colocamos entre parênteses” todos os
pressupostos relativos à existência de um mundo externo. Este
procedimento ele denominou epoché.
Estes novos conceito provocaram a publicação de Ideen
(Idéias)
em 1913, no qual eles foram pela primeira vez incorporados, e um
plano para uma segunda edição das Logische
Untersuchungen.
A partir de Ideen,
Husserl se concentrou nas estruturas ideais, essenciais da
consciência. O problema metafísico de estabelecer a realidade
material daquilo que percebemos era de pequeno interesse para Husserl
(diferentemente do que ocorria quando ele tinha que defender
repetidamente sua posição a respeito do idealismo transcendental,
que jamais propôs a inexistência de objetos materiais reais).
Husserl propôs que o mundo dos objetos e modos nos quais
dirigimo-nos a eles e percebemos aqueles objetos é normalmente
concebido dentro do que ele denominou “ponto de vista natural”,
caracterizado por uma crença de que os objetos existem materialmente
e exibem propriedades que vemos como suas emanações. Husserl propôs
um modo fenomenológico radicalmente novo de observar os objetos,
examinando de que forma nós, em nossos diversos modos de ser
intencionalmente dirigidos a eles, de fato os “constituímos”
(para distinguir da criação material de objetos ou objetos que são
mero fruto da imaginação); no ponto de vista Fenomenológico, o
objeto deixa de ser algo simplesmente “externo” e deixa de ser
visto como fonte de indicações sobre o que ele é (um olhar que é
mais explicitamente delineado pelas ciências naturais), e torna-se
um agrupamento de aspectos perceptivos e funcionais que implicam um
ao outro sob a idéia de um objeto particular ou “tipo”. A noção
de objetos como real não é removida pela fenomenologia, mas “posta
entre parênteses” como um modo pelo qual levamos em consideração
os objetos em vez de uma qualidade inerente à essência de um objeto
fundada na relação entre o objeto e aquele que o percebe. Para
melhor entender o mundo das aparências e objetos, a Fenomenologia
busca identificar os aspectos invariáveis da percepção dos objetos
e empurra os atributos da realidade para o papel de atributo do que é
percebido (ou um pressuposto que perpassa o modo como percebemos os
objetos). Em um período posterior, Husserl começou a se debater com
as complicadas questões da intersubjetividade (especificamente, como
a comunicação sobre um objeto pode ser suposta como referindo-se à
mesma entidade ideal) e experimenta novos métodos para fazer
entender aos seus leitores a importância da Fenomenologia para a
investigação científica (especificamente para a Psicologia) e o
que significa “pôr entre parênteses” a
atitude natural. A
Crise das Ciências Européias
é o trabalho inacabado de Husserl que lida mais diretamente com
estas questões. Nele, Husserl pela primeira vez busca um panorama
histórico do desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciência,
enfatizando os desafios apresentados pela sua crescente (unilateral)
orientação empírica e naturalista. Husserl declara que a realidade
mental e espiritual possui sua própria realidade independente de
qualquer base física e que a ciência do espírito
(Geisteswissenschaft) deve ser estabelecida sobre um fundamento tão
científico como aquele alcançado pelas ciências naturais. Como
resultado da legislação anti-semita aprovada pelos nazistas em
abril de 1933, foi negado ao Professor Husserl o acesso à biblioteca
de Freiburg. Seu antigo pupilo e membro do partido nazista, Martin
Heidegger, comunicou a Husserl sua demissão. Heidegger (cuja
filosofia Husserl considerava ser o resultado de uma compreensão
incorreta dos ensinamentos e dos métodos do próprio Husserl)
retirou a dedicatória a Husserl de seu mais conhecido trabalho Ser
e Tempo
(Sein
und Zeit),
quando este foi reeditado em 1941. Em 1939, os manuscritos de
Husserl, que somavam aproximadamente 40.000 páginas taquigrafadas de
Gabelsberger
e sua pesquisa bibliográfica completa foi clandestinamente
transportada para a Bélgica e depositada em Leuven onde foram
criados os Husserl-Archives.
Muito do material encontrado em suas pesquisas manuscritas foi
publicado na série de edições críticas Husserliana.
| O Instituto Kiepenheuer de Física Solar em Freiburg, casa de Husserl de 1916 a 1937. (Imagem: user:Joergens.mi). |
| Túmulo de Husserl, cemitério de Günterstal. (Imagem: Dr. med. Mabuse) |
A
crise das ciências
“A
crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental”
foi a última obra de Husserl, a qual se divide em três partes:
- Primeira Parte: “A crise das ciências como expressão da crise radical da vida da humanidade européia”, correspondendo aos parágrafos 1 a 7;
- Segunda Parte: “A origem do contraste moderno entre objetivismo fisicalista e subjetivismo transcendental”, correspondendo aos parágrafos 8 a 27;
- Terceira Parte: “Esclarecimento do problema transcendental e a inerente função da psicologia”, a qual inclui as subpartes “A” (A via de acesso à filosofia transcendental fenomenológica por meio da reconsideração do mundo-da-vida já dado) e “B” (A via de acesso à filosofia transcendental fenomenológica a partir da psicologia), correspondendo, respectivamente, aos parágrafos 28 a 55 e 56 a 73.
Quanto
aos textos agregados, incluem-se três conferências históricas de
Husserl:
- “Ciência da realidade e idealização. A matematização da natureza.”
- “A atitude das ciências naturais e a atitude das ciências do espírito. Naturalismo, dualismo e psicologia psicofísica.”
- “A crise da humanidade européia e a filosofia.”
A
obra também contém os Apêndices I a XXIX, nos quais Husserl
aprofunda os diversos argumentos tratados.
Lista de obras
Obras
completas:
- Husserliana
Obras
publicadas em vida:
- Über den Begriff der Zahl. Psychologische Analysen (1887).
- Philosophie der Arithmetik. Psychologische und logische Untersuchungen (1891).
- Logische Untersuchungen. Zweite Teil: Untersuchungen zur Phänomenologie und Theorie der Erkenntnis (1901).
- Philosophie als strenge Wissenschaft (1911).
- Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Erstes Buch: Allgemeine - - Einführung in die reine Phänomenologie (1913).
- Vorlesungen zur Phänomenologie des inneren Zeitbewusstseins (1928).
- Formale und transzendentale Logik. Versuch einer Kritik der logischen Vernunft (1929).
- Méditations cartèsiennes (1931) (tradução francesa da obra póstuma Cartesianische Meditationen - 1950).
- Die Krisis der europäischen Wissenschaften und die transzentale Phänomenologie: Eine Einleitung in die phänomenologische Philosophie (1936).
Citações de Husserl (em espanhol)
- "El juicio, la valoración, la pretensión, no son experiencias vacías que la conciencia tiene, sino experiencias compuestas de una corriente intencional”.
- "El mundo nace en nosotros, como Descartes hizo reconocer, y dentro de nosotros adquiere su influencia habitual”.
- "El reino de la verdad se divide, objetivamente, en distintas esferas. No está en nuestro albedrío el modo y el punto de deslinde entre las esferas de la verdad”.
- "La ciencia genuina, hasta donde alcanza su verdadera doctrina, carece de profundidad. La profundidad es cosa de la sabiduría”.
- "La meta ideal de la filosofía sigue siendo puramente la concepción del mundo, que precisamente, en virtud de su esencia, no es ciencia. La ciencia no es nada más que un valor entre otros”.
- "Las conexiones de las verdades son distintas de las conexiones de las cosas, que son verdaderas en aquellas”.
- "Lo experimentado como externo no pertenece a lo interno intencional, aunque nuestra experiencia de ello resida allí, como experiencia de lo externo”.
