terça-feira, 2 de junho de 2020

Vírus - medicina

Photo Credit: C. S. Goldsmith and A. Balish, CDC
Vírus (do latim virus, "veneno" ou "toxina") são pequenos agentes infecciosos, a maioria com 20-300 nm de diâmetro, apesar de existirem vírus ɡiɡantes de (0.6–1.5 µm), que apresentam genoma constituído de uma ou várias moléculas de ácido nucleico (DNA ou RNA), as quais possuem a forma de fita simples ou dupla. Os ácidos nucleicos dos vírus geralmente apresentam-se revestidos por um envoltório proteico formado por uma ou várias proteínas, que pode ainda ser revestido por um complexo envelope formado por uma bicamada lipídica. As partículas virais são estruturas extremamente pequenas, submicroscópicas. A maioria dos vírus apresenta tamanhos diminutos, que estão além dos limites de resolução dos microscópios ópticos, sendo comum para a sua visualização o uso de microscópios eletrônicos. Vírus são estruturas simples, se comparados a células, e não são considerados organismos, pois não possuem organelas ou ribossomos, e não apresentam todo o potencial bioquímico (enzimas) necessário à produção de sua própria energia metabólica. Eles são considerados parasitas intracelulares obrigatórios (característica que os impede de serem considerados seres vivos), pois dependem de células para se multiplicarem. Além disso, diferentemente dos organismos vivos, os vírus são incapazes de crescer em tamanho e de se dividir. A partir das células hospedeiras, os vírus obtêm: aminoácidos e nucleotídeos; maquinaria de síntese de proteínas (ribossomos) e energia metabólica (ATP). Fora do ambiente intracelular, os vírus são inertes. Porém, uma vez dentro da célula, a capacidade de replicação dos vírus é surpreendente: um único vírus é capaz de multiplicar, em poucas horas, milhares de novos vírus. Os vírus são capazes de infectar seres vivos de todos os domínios (Eukarya, Archaea e Bactéria). Desta maneira, os vírus representam a maior diversidade biológica do planeta, sendo mais diversos que bactérias, plantas, fungos e animais juntos. Quase 200 mil tipos diferentes de vírus se espalham nos oceanos do mundo, de acordo com um estudo. A contagem de 2019 é 12 vezes maior do que o censo anterior de vírus marinhos registrado em 2016.

Histórico

Em meados do século XIX, Louis Pasteur propôs a teoria microbiana das doenças, na qual explicava que todas as doenças eram causadas e propagadas por algum “tipo de vida diminuta”, que multiplicava-se no organismo doente, transmitia-se para outro e o contaminava. Pasteur, no entanto, ao trabalhar com a raiva, constatou que, embora a doença fosse contagiosa e transmitida pela mordida de um animal raivoso, o micro-organismo não podia ser observado. Pasteur concluiu que o agente infeccioso estava presente mas era muito pequeno para ser observado através do microscópio. Em 1884, o microbiologista Charles Chamberland desenvolveu um filtro (conhecido como filtro Chamberland ou Chamberland-Pasteur), com poros mais pequenos do que uma bactéria. Fazendo passar uma solução que continha bactérias através desse filtro, as bactérias ficavam nele retidas e a solução filtrada obtida tornava-se estéril. Em 1886, Adolf Mayer demonstrou que a doença do tabaco podia ser transmitida a plantas saudáveis pela inoculação com extratos de plantas doentes. Em 1892, o biólogo Dmitry Ivanovsky fez uso do filtro Chamberland para demonstrar que folhas de tabaco infectadas trituradas continuavam infectadas mesmo após a filtragem. Ivanovsky sugeriu que a infecção poderia ser causada por uma toxina produzida pelas bactérias, mas ele não persistiu nesta hipótese. Em 1898, o microbiologista Martinus Beijerinck repetiu a experiência independentemente e ficou convencido que a solução filtrada continha um novo agente infeccioso, denominado de contagium vivum fluidum (fluido vivo contagioso). Ele também observou que este agente apenas se reproduzia em células que se dividiam, mas não conseguiu determinar se este seria constituído de partículas, assumindo que os vírus estariam presentes no estado líquido. Beijerinck introduziu o termo 'vírus' para indicar que o agente causal da doença do mosaico do tabaco não tinha uma natureza bacteriana, e sua descoberta é considerada como o marco inicial da virologia. A teoria do estado líquido do agente foi questionada nos 25 anos seguintes, sendo descartada com o desenvolvimento de teste da placa por d'Herelle em 1917, pela cristalização desenvolvida por Wendell Meredith Stanley em 1935 e pela primeira microfotografia eletrônica realizada em 1939 do vírus do mosaico do tabaco. Em 1898, Friedrich Loeffler e Paul Frosch identificaram o primeiro agente filtrável de animais, o vírus da febre aftosa (Aphtovirus). E em 1901, Walter Reed identificou o primeiro vírus humano, o vírus da febre amarela (Flavivirus). Em 1908, Vilhelm Ellerman e Olaf Bang demonstraram o potencial oncogênico de um agente filtrável, descobrindo o vírus da leucose aviária. E em 1911, Peyton Rous transmitiu um tumor maligno de uma galinha para outra, descobrindo o vírus do sarcoma de Rous, e demonstrando que o câncer poderia ser transmitido por um vírus. Em 1915, o bacteriologista Frederick William Twort ao tentar propagar o vírus da vaccínia num meio de cultura bacteriana observou que as colônias morriam e que o agente dessa transformação era infeccioso. Twort propôs várias explicações para o ocorrido, como uma ameba, um protoplasma, um vírus ultramicroscópico ou uma enzima que afetava o crescimento. Independentemente, em 1917, o microbiologista Félix Hubert d'Herelle descobriu que colônias bacterianas eram atacadas por um agente e imediatamente o reconheceu como sendo um vírus, cunhando o termo bacteriófago. Ele utilizou os fagos para o tratamento de doenças bacterianas e fundou diversos institutos de fagos em vários países. Inicialmente, o único meio para recuperar quantidades significativas de vírus era por meio de infecção em animais suscetíveis. Em 1913, Edna Steinhardt e colaboradores conseguiram fazer crescer o vírus da vaccínia em fragmentos de córneas de cobaias. Em 1928, H.B. Maitland e M.C. Maitland cultivaram o vírus de vaccínia em suspensão de rins de galinhas moídos. Em 1931, o patologista Ernest William Goodpasture cultivou o vírus da varíola aviária na membrana corialantoide de ovos de galinhas embrionados. Em 1937, Max Theiler cultivou o vírus da febre amarela em ovos de galinha e desenvolveu uma vacina a partir de uma estirpe do vírus atenuado. Em 1949, John Franklin Enders, Thomas Weller e Frederick Robbins cultivaram o vírus da poliomielite em culturas de células embrionárias humanas, o primeiro vírus a ser cultivado sem a utilização de tecido animal sólido ou ovos. Este método permitiu a Jonas Salk desenvolver uma vacina eficaz contra a poliomielite. As primeiras imagens de vírus foram obtidas após a invenção do microscópio eletrônico em 1931 pelos engenheiros Ernst Ruska e Max Knoll. Em 1935, o bioquímico e virologista Wendell Meredith Stanley examinou o vírus do mosaico do tabaco e descobriu que o mesmo era constituído principalmente por proteínas. Em 1937, Frederick Bawden e Norman Pirie separaram o vírus do mosaico em porções proteicas e de RNA. O vírus do mosaico do tabaco foi o primeiro a ser cristalizado e, por conseguinte, a sua estrutura pode ser analisada em detalhes. As primeiras imagens de raios-X de difração do vírus cristalizado foram obtidas por Bernal e Fankuchen em 1941. Com base nos seus quadros, Rosalind Franklin descobriu a estrutura completa do vírus em 1955. No mesmo ano, Heinz Fraenkel-Conrat e Robley Williams demonstraram que o RNA do vírus do mosaico do tabaco e o seu revestimento de proteína purificada (capsídeo) podiam montar-se por si só para formar vírus funcionais, sugerindo que este mecanismo simples foi, provavelmente, o meio pelo qual os vírus foram replicados dentro das células hospedeiras. A segunda metade do século XX foi a idade de ouro da descoberta do vírus e foram reconhecidas mais de 2000 novas espécies de vírus de animais, plantas e bactérias. Em 1957, descobriu-se o arterivírus equino e o vírus da diarreia bovina (um pestivírus). Em 1963, Baruch Blumberg descobriu o vírus da hepatite B, e em 1965, Howard Temin descreveu o primeiro retrovírus. A transcriptase reversa, que é a enzima fundamental dos retrovírus, que utilizam para copiar o seu ARN para ADN, foi descrita em 1970, por Howard Martin Temin e David Baltimore, de forma independente. Em 1983, a equipe de Luc Montagnier do Instituto Pasteur, na França, isolou pela primeira vez o retrovírus que hoje conhecemos por HIV.

Taxonomia
Classificação taxonômica


Os vírus também são classificados dentro de grupos taxonômicos, assim como os seres vivos, porém, seguindo uma regra particular de classificação. Vírus não são agrupados em domínio, reino, filos ou classes. Desta maneira, a estrutura geral da taxonomia dos vírus é a seguinte:

Ordem (-virales)
Família (-viridae)
Subfamília (-virinae)
Gênero (-virus)
Espécie


A nomenclatura para ordens, famílias, subfamílias e gêneros é sempre precedida pelos sufixos apresentados acima. Já a nomenclatura de espécies não possui um padrão universal. Cada ramo da virologia (vegetal, animal, bacteriana e humana) adota um padrão de nomenclatura específico. Espécies de vírus de plantas normalmente apresentam nomes que fazem referência a planta hospedeira e a característica do sintoma causado pela infecção (e.g. Vírus do mosaico do tabaco). Espécies de vírus de bactérias (bacteriófagos) podem ser denominados como "fago" seguido de uma letra grega (e.g. Fago λ) ou código alfanumérico (e.g. Fago T7). Vírus que infectam vertebrados podem receber nomes em alusão à espécie hospedeira de origem (e.g. Papillomavírus Bovino), ao local de origem do vírus (e.g. Vírus Ebola, do rio Ébola, no Congo), à doença causada pelo vírus (e.g. Vírus da imunodeficiência humana - HIV). O Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, do inglês "International Committee on Taxonomy of Virus") estabelece regras de classificação e nomenclatura de vírus. O ICTV é uma entidade composta por grupos especializados de virologistas de todas as partes do mundo.

Classificação de Baltimore

O Sistema de Classificação de Baltimore, criado por David Baltimore, é um modo de classificação que ordena os vírus em sete grupos, com base na característica do genoma viral e na forma como este é transcrito a mRNA. Neste sistema, os vírus são agrupados como apresentado a seguir:

    • Grupo I: Vírus DNA dupla fita (dsDNA)
    • Grupo II: Vírus DNA fita simples (ssDNA)
    • Grupo III: Vírus RNA dupla fita (dsRNA)
    • Grupo IV: Vírus RNA fita simples senso positivo ((+)ssRNA)
    • Grupo V: Vírus RNA fita simples senso negativo ((-)ssRNA)
    • Grupo VI: Vírus RNA com transcrição reversa (ssRNA-RT)
    • Grupo VII: Vírus DNA com transcrição reversa (dsDNA-RT)



Referências

Medicina - ciência

https://en.wikipedia.org/wiki/nl:User:Ellywa
A Medicina é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças humanas e animais num contexto médico. Ações de saúde pública e ambiental, incluindo a saúde animal, promoção, prevenção, controle, erradicação e tratamento das doenças, traumatismos ou qualquer outro agravo à integridade e bem-estar animais, além do controlo de sanidade dos produtos e subprodutos de origem animal para o consumo humano e animal compreendem a área da medicina da responsabilidade do profissional de saúde médico veterinário. Em Portugal, a saúde oral, higiene, integridade dentária, a sua limpeza e profilaxia compreendem a área da medicina da responsabilidade do Médico Dentista, que é um profissional da saúde capacitado na área de odontologia, e apesar de ter um âmbito de ação semelhante, não deve ser confundido com o Médico estomatologista. Porém no Brasil, odontologia e medicina são profissões distintas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não é apenas a ausência de doença. Consiste no bem-estar físico, mental, psicológico e social do indivíduo. É um estado cumulativo, que deve ser promovido durante toda a vida, de maneira a assegurar-se de que seus benefícios sejam integralmente desfrutados em dias posteriores. Nesse contexto, diretrizes de organizações supra-nacionais compostas por eminentes intelectuais do globo relacionados à área de saúde estabeleceram um novo paradigma de abordagem em medicina. O santo patrono da medicina é São Lucas.

Índice

    • 1 Conceito de medicina
    • 2 História da medicina
        ◦ 2.1 História da medicina no Brasil
    • 3 Medicina em diferentes países
        ◦ 3.1 Brasil
        ◦ 3.2 Portugal
        ◦ 3.3 Estados Unidos e Canadá
    • 4 Ciências médicas e profissões médicas no Brasil
    • 5 Faculdades de medicina no Brasil
    • 6 Distribuição de médicos no Brasil
    • 7 Distribuição de médicos em Portugal
    • 8 Especialidades médicas
        ◦ 8.1 Especialização
        ◦ 8.2 Especialidades diagnósticas e de imagem
     
Conceito de Medicina

Medicina, derivada do latim “ars medicina”, significa a arte da cura. O conceito de Medicina tradicional refere-se a práticas, abordagens e conhecimentos, incorporando conceitos materiais e mentais, técnicas manuais e exercícios, aplicados individualmente ou combinados, a indivíduos ou a colectividades, de maneira a tratar, diagnosticar e prevenir doenças, ou visando a manter o bem-estar.

História da Medicina

Existem duas versões da origem da medicina. Segundo os países xiitas, a medicina surgiu no “Império Aquemênida” e segundo a tradição ocidental, Hipócrates é considerado o “Pai da Medicina”. Considera-se que viveu entre 460 a 377 a.C. e deixou um legado ético e moral válido até hoje. Precursor do pensamento científico, procurava detalhes nas doenças de seus pacientes para chegar a um diagnóstico, utilizando explicações sobrenaturais, devido à limitação do conhecimento da época. Ainda antes da era cristã, Asclepíades de Bitínia tentou conciliar o atomismo de Leucipo e Demócrito com a prática médica. No primeiro século de era cristã, Cláudio Galeno, outro médico grego, deu contribuições substanciais (baseado em dissecções de animais) para o desenvolvimento da medicina. Na Idade Média os religiosos assumiram o controle da arte de curar através de medicamentos e deixaram para os barbeiros, que já lidavam com a navalha, a arte de drenar abscessos e retirar pequenas imperfeições do pênis. A formação de secreções purulentas era considerada normal e saudável. Em 1865, Louis Pasteur teorizou que as infecções eram causadas por seres vivos. Foi ele o inventor do processo de “pasteurização”, muito utilizado no leite. Joseph Lister, em 1865, aplicou pela primeira vez uma solução antisséptica em um paciente com fraturas complexas, com efeito profilático na infecção. Iniciou-se uma nova era. Em 1928 Alexander Fleming descobriu a "penicilina" ao observar que as colônias de bactérias não cresciam próximo ao mofo de algumas placas de cultura. Surge uma nova era: a dos antibióticos, que permitiu aos médicos curar infecções consideradas mortais. A evolução desde então não parou. A eterna luta do homem contra a morte entrou em uma nova etapa, cada vez mais moderna.

História da Medicina no Brasil

Até o século XIX floresciam curandeiros, alguns charlatães, feiticeiros. O primeiro médico prático do Rio de Janeiro foi Aleixo Manuel, “o Velho”, em meados do século XVII. Os caboclos empregavam a medicina dos pajés e os negros, seus amuletos e ervas. Os “cirurgiões-barbeiros” eram os responsáveis pela prática de prescrição de drogas, sangrias e atendimento aos partos difíceis. Não havia faculdade de medicina e os cariocas que desejavam fazer o curso eram obrigados a ir estudar em Coimbra. A medicina do tempo do Primeiro Reinado, embora D. João VI tivesse trazido alguns bons médicos para o Rio de Janeiro, era do "tipo caseiro": rodelinhas de limão nas frontes para enxaquecas, suadouros de sabugueiro e quina, para as febres: cataplasmas contra as asmas: antipirina para as dores de cabeça; banhos de malva para as dores nas cadeiras; um "cordial" contra a insônia e, para os loucos, o Hospício, na Praia Vermelha. O Rio de Janeiro foi sempre no tempo colonial um verdadeiro "campo experimental" para remédios, tal sua quantidade. Além de serem imitados os de Portugal, havia especialidades indígenas ou africanas. Na “Farmacopeia de Vigier”, de 1766, são anotados: para a sífilis, carne de víbora em pó; para a tuberculose pulmonar ou "chaga de bofe", açúcar rosado com leite de jumenta ou cabra; para a verminose, raspas de chifre de veado; para a calvície, pomada de gordura humana retirada dos enforcados; nas anginas, pescoço de galo torrado e pulverizado; para panarícios, pasta de minhocas; havia chás feitos com excrementos de gatos e cães, percevejos, urina, carne e pele de sapos e lagartixas. Uma emulsão conhecida como “emulsão da castidade” era dada a padres e freiras como antiafrodisíaco: levava água de alface, rosas e sementes de papoulas. Após abrir os portos do Brasil às nações amigas de Portugal, D. João VI assinou em 18 de fevereiro de 1808, por influência do Cirurgião–mor do Reino José Correia Picanço, o documento que mandou criar a Escola de Cirurgia da Bahia e deu início ao ensino da medicina no país. A Faculdade de Medicina da UFRJ foi criada meses depois, por Carta Régia assinada em 5 de novembro de 1808, com o nome de Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia e instalada no Hospital Militar do Morro do Castelo. Em 30 de junho de 1929 é fundada no Rio de Janeiro a Academia Nacional de Medicina por Joaquim Cândido Soares de Meireles, seu primeiro presidente. Antes da instituição ser chamada de Academia Nacional de Medicina, havia tido dois outros nomes. Há cem membros titulares que ingressam na instituição mediante apresentação de teses científicas. Numa de suas dependências, um pequeno museu mostra, por exemplo, o primeiro estetoscópio chegado ao Brasil. A interiorização do ensino da medicina começou somente em 1950 quando foi fundada a primeira faculdade de medicina do interior do Brasil, a Faculdade de Medicina de Sorocaba da PUC-SP. Em 13 de junho de 1954 o diretor do Instituto Brasileiro de História da Medicina plantou no Jardim Botânico do Rio uma muda vinda da árvore de Hipócrates, multimilenar, que ainda existe na ilha de Cós, na Grécia.

Medicina em Diferentes Países
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Brasil


No Brasil o curso de medicina é oferecido em forma de graduação (6 anos) sendo o ensino médio o único pré-requisito para o ingresso no curso.

Portugal

Em Portugal o curso de medicina é oferecido a nível de pós-graduação “Strictu Sensu”, sendo necessário como pré-requisito, antes o indivíduo ter se graduado em alguma licenciatura (3 a 4 anos) em áreas que envolvem a saúde como biologia, enfermagem, farmácia, entre outras e após se ingressar no mestrado em medicina (3 anos) ou fazer o mestrado integrado em medicina que permite o ingresso em uma licenciatura (3 anos) que vai envolver matérias básicas de biologia geral e saúde e após isso, o mestrado (3 anos) em si que é o curso capacitador.
*"Strictu Sensu" é uma expressão latina que significa, literalmente, "em sentido específico", por oposição ao "sentido amplo" (lato sensu) de um termo. No âmbito do ensino, se refere ao nível de pós-graduação que titula o estudante como mestre ou doutor em determinado campo do conhecimento. Denota, neste caso, um grau mais elevado do que a pesquisa lato sensu.

Estados Unidos e Canadá

Nos Estados Unidos e Canadá, assim como em Portugal o curso de medicina também é uma pós-graduação strictu sensu, sendo que que antes do indivíduo se ingressar na pós-graduação em medicina (MD) ou medicina osteopática (DO), deve ter feito graduações que envolvam conteúdos das áreas de ciências que na maioria das vezes são graduados em biologia, química, física, entre outros desde que contenham o mínimo de matérias biológicas equivalentes exigidas.

Ciências Médicas e Profissões Médicas no Brasil

O tempo médio de formação em medicina no Brasil é de 6 anos. Após formar-se médico, pode-se fazer especialização ou uma residência médica que irá depender da especialidade e sub-especialidade que optar. Para entrar em um programa de residência médica, o médico deve ser aprovado e classificado em concurso de âmbito internacional e, devido ao grande número de médicos que se formam a cada ano, vem aumentando o número de profissionais que conseguem ser aprovados neste concurso. Estes médicos acabam optando por fazer especialização em curso normal de pós-graduação, que muitas vezes não apresentam o mesmo nível de qualidade exigido para um programa de Residência. A Medicina tem dois aspectos: é uma área de conhecimento (isto é, uma ciência) e é uma área de aplicação desse conhecimento (as profissões médicas). Na medicina, podemos destacar a Odontologia, que tanto no Brasil como em Portugal já constitui um curso independente. A “Medicina Baseada em Evidências” é uma tentativa de ligar esses dois aspectos (ciência e prática) através do uso do método científico, buscando através de técnicas e pesquisas científicas o melhor tratamento para um determinado paciente. Às vezes, pode ser difícil distinguir entre ciência médica e profissão em medicina. Os vários ramos especializados da medicina são estudados por ciências básicas especializadas e por correspondentes profissões médicas, igualmente especializadas, que lidam com órgãos, sistemas orgânicos e suas doenças. As “ciências básicas da medicina” frequentemente são as mesmas de outras áreas como a biologia, a física e a química. Existem várias áreas ligadas à ciência da saúde ou ciência médica: odontologia, serviço social, psicologia, enfermagem (o cuidado com o paciente doente), farmácia, biologia, biomedicina, fonoaudiologia, educação física, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, protética e bioengenharia. Podem-se incluir também diversas profissões auxiliares (de nível médio) no Brasil entre estas se destacam os Agentes Comunitários de Saúde, função equivalente aos ‘Médicos de Pés Descalços’ na China, os Agentes de Controle de Endemias ou Zoonoses; os Auxiliares de Saneamento e Inspetores Sanitários; os Auxiliares de Laboratório (bioquímica), Auxiliares de Enfermagem, Auxiliares de Nutrição e Odontologia ou Técnicos de Higiene Dental. Em algumas regiões ainda se encontram parteiras capacitadas e supervisionadas por centros de obstetrícia. Especialistas de Saúde Pública têm enfatizado a importância dessas profissões especialmente por sua capacidade de resolver os agravos mais frequentes da população e principalmente por realizar serviços de prevenção (medicina preventiva) e promoção da saúde no modelo de atenção à saúde da família. O médico, quando nos últimos anos da faculdade de medicina, realiza internato hospitalar em diversas áreas como clínica médica, cirurgia geral, pediatria e ginecologia e obstetrícia. Em algumas faculdades brasileiras já foi introduzido também o internato obrigatório em saúde coletiva, com estágios em medicina preventiva e social e medicina de família e comunidade.

Faculdades de Medicina no Brasil

No Brasil há 180 escolas médicas (102 particulares, 7 municipais, 24 estaduais e 48 federais. Somente de 1996 a 2009, 98 escolas médicas foram autorizadas (entre as quais apenas 30 públicas), situação sem paralelo em qualquer outro país do mundo. A China, com mais de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, possui 150 cursos médicos; os Estados Unidos, com população de mais de 300 milhões, contam com 131 faculdades de medicina. O Estado de São Paulo é o que mais possui faculdades (30 no total), seguido de Minas Gerais com 28 escolas. Há uma oferta desproporcional das vagas no país: o Tocantins oferece uma vaga para 4.145 habitantes. No Maranhão, o Estado com menos vagas, a proporção é de 1 para 33.807 habitantes. O maior hospital universitário do país é o Hospital das Clínicas da FMUSP com 1.326 leitos. O menor é o Hospital Universitário de Maringá com 97 leitos. A Universidade Federal de Minas Gerais é a que mais forma médicos, com 320 vagas anuais. A faculdade com o menor número de vagas é a faculdade de medicina da Universidade Estadual de Montes Claros em Minas Gerais, com 28 vagas/ano. Segundo “dados de Março de 2016”, a mensalidade mais cara é da Faculdade São Leopoldo, em Campinas, Estado de São Paulo: R$ 11.870,00. A mais barata é da Faculdade UnirG, em Gurupi, Estado do Tocantins: R$ 3.309,48.

Distribuição de Médicos no Brasil

A desigualdade na distribuição de médicos no Brasil acompanha outros abismos sociais existentes no país. Apesar de haver um médico para cada 549 brasileiros — índice superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de um para cada mil pessoas —, sete em cada 10 profissionais habilitados para atuar no país trabalham nas regiões Sul e Sudeste. Com isso, enquanto no Rio de Janeiro há um profissional para cada 289 habitantes, no outro extremo, os maranhenses dispõem de um médico para cada 1.848 pessoas. Os dados são de um novo balanço do Conselho Federal de Medicina (CFM). Há cerca de 347 mil médicos espalhados por todo o Brasil. Não fosse a disparidade na repartição desses profissionais, poderia ser dito que a situação brasileira é melhor que a de países como o Japão (com um médico para cada 952 habitantes), Reino Unido (um para 869 pessoas) e Argentina (um para 740). A média recomendada pela OMS visa garantir que a população tenha assistência médica, assim como os profissionais tenham um número satisfatório de pacientes. No ranking brasileiro, o Paraná ocupa o 7.° lugar, com um profissional para cada grupo de 586 habitantes. Em Estados do Norte e do Nordeste, as Capitais reúnem quase 90% dos profissionais. Segundo o Sistema Integrado de Entidades Médicas, em março do ano passado havia 575 médicos habilitados no Acre. Destes, 427 (74%) trabalhavam na Capital, contabilizando um médico para cada 716 habitantes. Os outros 21 municípios dividiam 119 profissionais, cada um deles responsável por 3.236 habitantes. No interior de Roraima, a proporção passa de um médico para 10 mil pessoas.

Distribuição de Médicos em Portugal

Em 2016, Portugal tem 49 152 médicos inscritos na Ordem e 29 642 a trabalhar para os serviços públicos. Portugal já teve 191 médicos por 100 mil habitantes, em 1980. Em 2014 tem 442. Em 2017, o concelho de Leiria possui 3,5 médicos por mil habitantes, o pior rácio entre as 18 capitais de distrito, que está abaixo da média nacional (4,3). No pólo oposto, surge o município de Coimbra que regista um rácio de 31,6 médicos por cada mil moradores. Em 2019 estão inscritos na Ordem dos Médicos 54.500 profissionais (incluí os reformados e os que estão a exercer fora do país).

Especialidades Médicas

No Brasil, para ser um especialista, o médico deve realizar uma “residência médica” e prestar um concurso junto a associação médica da especialidade, que é reconhecido pela Associação Médica Brasileira e homologado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), sem o qual ele é apenas médico, sem especialidade. Até para ser considerado Clínico, o médico deve fazer Residência em Clínica Médica, com duração mínima de 2 anos. A medicina tem muitas especializações possíveis, algumas sub-especializações e as denominadas "áreas de atuação". No Brasil elas são regulamentadas em Resolução expedida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Algumas disciplinas ministradas durante o curso de medicina:

    • Anatomia é o estudo da estrutura macroscópica física dos organismos. Estuda as grandes estruturas, o esqueleto, a musculatura, os vasos sanguíneos arteriais e venosos, bem como os vasos linfáticos e nervos, órgãos e estruturas anexas.
    • Bioética é o estudo do relacionamento entre biologia, medicina e filosofia, especialmente da disciplina ética e metafísica.
    • Cirurgia cardiovascular atua na cirurgia do coração.
    • Citologia é estudo das células individuais e de suas estruturas internas.
    • Embriologia é o estudo do desenvolvimento dos organismos a partir da união dos gametas, as células sexuais parentais, que dão origem ao ovo ou zigoto que, por sua vez, se desenvolve no embrião.
    • Epidemiologia é o estudo quantitativo dos processos de doenças nas populações humanas. Inclui o estudo das epidemias, das endemias, da bioestatística, dos fatores de risco relacionados às doenças entre outros tópicos.
    • Farmacologia é o estudo das drogas, desde sua obtenção até suas ações benéficas e prejudiciais ao organismo.
    • Fisiatria é a área da Medicina que estuda e trata das consequências das doenças que geram a incapacidade física.
    • Fisiologia é o estudo do funcionamento normal do organismo.
    • Neurociência é um termo que reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, especialmente a anatomia e a fisiologia do cérebro humano.
    • Oftalmologia é o estudo das patologias oculares, com sua aplicação no diagnóstico e tratamento clinico-cirúrgico.
    • Saúde Pública é a aplicação dos conhecimentos médicos, processados pelos epidemiólogos, com o objetivo de impedir a incidência de doença nas populações.
    • Angiologia é a especialidade médica que se ocupa do tratamento clínico das doenças que acometem vasos sanguíneos (artérias e veias) e vasos linfáticos. Atua em conjunto com a cirurgia vascular que se ocupa do tratamento cirúrgico das ditas doenças.

Especialização

    • Pediatria é a especialidade médica dedicada à assistência à criança e ao adolescente, nos seus diversos aspectos, sejam eles preventivos ou curativos.
    • Urologia é uma especialidade cirúrgica da medicina que trata do trato urinário de homens e mulheres e do sistema reprodutor dos homens.

Especialidades Diagnósticas e de Imagem

    • Anatomia Patológica: É uma especialidade médica responsável pela realização de diagnósticos de várias doenças, inclusive do câncer, por meio de estudo ao microscópio de amostras de células ou tecidos. Os médicos patologistas são os profissionais responsáveis pelos diagnósticos, gerando laudos que orientam tratamentos, estabelecem prognósticos, garantem a qualidade do atendimento médico e são indispensáveis às campanhas e ações preventivas. No Laboratório de Patologia ou de Anatomia Patológica todos os procedimentos são realizados por médicos patologistas e seus auxiliares. Estes profissionais detêm conhecimento altamente especializado para o diagnóstico de doenças, incluindo o câncer, a partir de estudo de materiais obtidos por aspirações, esfregaços, biópsias e cirurgias. Em cada exame o médico patologista seleciona, de forma individual, as amostras para estudo microscópico, não havendo a possibilidade de automatização por máquinas. Exames anatomopatológicos (biópsias, peças cirúrgicas), Exames imuno-histoquímicos e Exames citopatológicos (preventivos, punções, líquidos orgânicos) são procedimentos médicos e devem ser rigorosamente analisados por médicos patologistas ou por médicos citopatologistas, para que sejam executados de forma confiável.
    • Bioestatística é a aplicação de estatística ao campo biológico e médico. Ela é essencial ao planejamento, avaliação e interpretação de todos os dados obtidos em pesquisa na área biológica e médica. É fundamental à epidemiologia e à Medicina baseada em evidências.
    • Bioquímica é o estudo das reações químicas que acontecem dentro dos organismos vivos e, levando em conta a estrutura e a função dos componentes celulares e da célula como um todo.
    • Física médica - utiliza de conhecimentos da Física para chegar a diagnósticos, bem como auxilia no desenvolvimento de novos equipamentos.
    • Histologia é estudo de como as células e o material intercelular se unem para formar os tecidos, como o ósseo, o muscular, o conjuntivo etc.
    • Imunologia é o estudo das células e moléculas que compõem o sistema imunitário e de seu funcionamento na defesa do organismo contra agentes infecciosos e células cancerígenas.
    • Informática médica é o campo de estudo relacionado à vasta gama de recursos que podem ser aplicados na gestão e utilização da informação biomédica, incluindo a computação médica e o próprio estudo da natureza da informação médica.
    • Microbiologia é o estudo dos micro-organismos (protozoários, bactérias, fungos e vírus).
    • Toxicologia é o estudo dos efeitos das toxinas e venenos vegetais, animais e minerais.
    • Ultrassonografia - Estudo do corpo humano através do ultrassom, que forma sombras e ecos nas estruturas do corpo humano.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Medicina

terça-feira, 26 de maio de 2020

Biografia das Irmãs Galvão

As Galvão
, anteriormente denominada Irmãs Galvão, é uma dupla sertaneja do interior do estado de São Paulo, Brasil. Formada pelas irmãs Meire e Marilene em 1947, elas são a dupla sertaneja com mais tempo de atividade no país. Segundo as próprias, a mudança de nome ocorreu em 2002, inspirada na numerologia.


Biografias
Mary

Mary Zuil Galvão nasceu em Ourinhos, São Paulo, a 4 de maio de 1940, é a mais velha das irmãs. É ela quem toca sanfona. Em 2016, se casou com o maestro e produtor musical da dupla Mario Campanha. Os dois estavam namorando por 35 anos.

Marilene

Marilene Galvão nasceu em Palmital, São Paulo, a 27 de abril de 1942) é a mais nova das irmãs. É ela quem toca viola.

Carreira

Foi no ano de 1947 que a dupla nasceu artisticamente como Irmãs Galvão. A estreia foi em um programa da Rádio Club Marconi, de Paraguaçu Paulista (SP), comandado pelo radialista Sidney Caldini. Em 1985, o Maestro Mário Campanha começa a produzir os discos da dupla e com ela inaugurar uma fase mais moderna. Abertas às novas tendências da música regional, foram a primeira dupla a gravar lambada, recebendo um disco de ouro com a música “No Calor dos Teus Braços”, de Nicério Drumond e Cecílio Nenna, em 1986. Este LP as projeta nacional e internacionalmente, com músicas tocadas em Portugal, no Canadá e na Suíça. Em 1997, comemoraram seus 50 anos de carreira com um show no parque da Água Branca, em São Paulo, com a presença de 6 mil pessoas, sendo homenageadas por Sula Miranda, Cezar & Paulinho, Tinoco e Tinoquinho, entre outros. Em 2002, uma numeróloga sugere a dupla que mude o nome para “As Galvão”. Em 2013, no distrito de Sapezal, bairro rural da cidade de Paraguaçu Paulista, foi inaugurado o “Museu das Irmãs Galvão”, em homenagem a dupla. Foi nesta localidade que a dupla deu os primeiros passos na carreira, no final da década de 1940. Em janeiro de 2016 gravaram o primeiro DVD da carreira.

Discografia

    • 1955 - Rincão guarani/Carinho de anjo • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1955 - Não interessa/Vai dizer • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1956 - Se ele voltasse/Coração sabe o que faz • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1956 - Não me abandones/Quando a saudade se for • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1956 - Velha História/Falso amor • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1956 - A rosa e o jasmim/Alecrim da beira d'agua • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1957 - Cabocla do Paraná/Apaixonada • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1957 - Roseiral do amor/Sou de casamento • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1958 - Pobre carreteiro/Moleque insolente • Chantecler • vinil 78 rpm
    • 1958 - A revoltada/Promessa ao negrinho • RCA Victor • vinil 78 rpm
    • 1959 - Nossa casinha/Boquinha de mel • Sertanejo • vinil 78 rpm
    • 1959 - Quero beijar-te as mãos/Rola mensageira • Chantecler • vinil 78 rpm
    • 1959 - Vai saudade/Te amo • Chantecler • vinil 78 rpm
    • 1959 - Povo/Filhinho teu • Chantecler • vinil 78 rpm
    • 1960 - Pressentimento/Triste abandono • Philips • vinil 78 rpm
    • 1960 - Siga quem lhe queira amar/Junto de ti • Sertanejo • vinil 78 rpm
    • 1961 - Sonho predileto/Mensageiro • Philips • vinil 78 rpm
    • 1962 - Esquece-me/Sorriso amargo • RCA Candem • vinil 78 rpm
    • 1962 - Rostinho colado/Triste fim • Caboclo • vinil 78 rpm
    • 1962 - Fim de baile/Grande verdade • RCA Candem • vinil 78 rpm
    • 1962 - Zé da Estrada/Maria da Glória • RCA Candem • vinil 78 rpm
    • 1963 - Desprezada/Desilusão • RCA Candem • vinil 78 rpm
    • 1963 - Ferreirinha/Vou dar um jeitinha • Sertanejo • vinil 78 rpm
    • 1963 - Fronteiriça/Pecado loiro • RCA Candem • vinil 78 rpm
    • 1979 - Riozinho • Continental • LP
    • 1992 - Lembranças • Warner • CD
    • 1996 - Olhos de Deus • Continental • CD
    • 2002 - As Galvão • Chantecler • CD

Honrarias

    • 2002 - Título de Cidadãs Paraguaçuenses
    • 2003 - Título de Cidadãs de Assis
    • 2005 - Título de Cidadã Palmitalense para Mary
    • 2005 - Título de Cidadã Benemérita para Marilene
    • 2006 - Título de Madrinhas da Assoc. Paranapanemense do Deficiente Físico - Paranapanema - SP
    • 2007 - Homenagem de José Caixeta no 13° Festival de Música Sertaneja da cidade de Machado - MG
    • 2011 - Diploma de Honra ao Mérito pela Ordem dos Músicos do Brasil - SP


Referências

domingo, 24 de maio de 2020

Biografia de Bezerra de Menezes

Nasceu em Riacho do Sangue, a 29 de agosto de 1831, e, faleceu no Rio de Janeiro, a 11 de abril de 1900. Bezerra de Menezes, foi um médico, militar, escritor, jornalista, político, filantropo e expoente da Doutrina Espírita. Foi alcunhado como “O Médico dos Pobres”.

Biografia

Descendente de uma antiga família de ciganos fazendeiros de criação, ligada à política e ao militarismo na Província do Ceará, era filho de Antônio Bezerra de Menezes, tenente-coronel da Guarda Nacional, e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra. Em 1838, aos sete anos de idade, ingressou na escola pública da Vila do Frade, adjacente ao Riacho do Sangue, atual Jaguaretama, onde aprendeu os princípios da educação elementar, em apenas dez meses. Em 1842, como consequência de perseguições políticas e dificuldades financeiras, sua família mudou-se para a antiga Vila de Maioridade, na Serra do Martins, no Rio Grande do Norte, onde o jovem, então com onze anos de idade, foi matriculado na aula pública de latim. Após dois anos atuava como professor substituto. Em 1846, a família retornou à Província do Ceará, fixando residência na Capital, Fortaleza. Bezerra foi matriculado no Liceu do Ceará, onde concluiu os estudos preparatórios.

A carreira na Medicina

Em 1851, ano de falecimento de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro e iniciou os estudos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em novembro do ano seguinte, ingressou como residente no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Para prover os seus estudos, dava aulas particulares de filosofia e matemática. Graduou-se em 1856, com a defesa da tese: “Diagnóstico do Cancro”. Nesse ano, o Governo Imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro e nomeou para chefiá-lo como Cirurgião-mor o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, seu antigo professor, que o convidou para trabalhar como seu assistente. Em 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória “Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento”. O acadêmico José Pereira Rego leu o parecer na sessão de 11 de maio, tendo a eleição transcorrido na de 18 de maio e a posse na de 1º de junho do mesmo ano. Em 1858, candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Cirurgião-Tenente e, a 6 de novembro, desposou Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer de mal súbito em 24 de março de 1863, deixando-lhe dois filhos, um de três e outro de um ano de idade. No período de 1859 a 1861, exerceu a função de redator dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina. Em 1865, desposou, em segundas núpcias, Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã por parte de mãe de sua primeira esposa, e que cuidava de seus filhos até então, com quem teve mais sete filhos. Por sua postura de médico caridoso, atendendo pessoas que necessitavam mas não podiam pagar, ficou conhecido como O Médico dos Pobres. É relatado em suas biografias o episódio em que Bezerra doou o seu anel de grau em medicina à uma mãe, para que comprasse os remédios de que seu filho precisava. “O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro — esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura”.

Trajetória política

No final dos anos 1850, a Câmara Municipal do Município Neutro tinha como presidente Roberto Jorge Haddock Lobo, do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, Bezerra de Menezes já se notabilizara pela atuação profissional e pelo trabalho voltado à população carente. Desse modo, em 1860, em uma reunião política, alguns amigos levantaram a candidatura de Bezerra de Menezes, pelo Partido Liberal, como representante da paróquia de São Cristóvão, onde então residia, à Câmara. Ciente da indicação, Bezerra recusou-a inicialmente, mas, por insistência, acabou se comprometendo apenas em não fazer uma declaração pública de recusa dos votos que lhe fossem outorgados. Abertas as urnas e apurados os votos, Bezerra fora eleito. Os seus adversários, liderados por Haddock Lobo, impugnaram a posse sob o argumento de que militares de Segunda Classe não podiam exercer o cargo de vereador. Desse modo, para apoiar o Partido, que necessitava dele para obter a maioria na Câmara, decidiu requerer exoneração do Corpo de Saúde em 26 de março de 1861. Desfeito o impedimento, foi empossado no mesmo ano. Foi reeleito para o período de 1864 a 1868. Foi eleito deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1866, apesar da oposição do então primeiro-ministro Zacarias de Góis e dos chefes liberais — senador Bernardo de Sousa Franco (visconde de Sousa Franco) e deputado Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Empossado em 1867, a Câmara dos Deputados foi dissolvida no ano seguinte (1868), devido à ascensão do Partido Conservador. Retornou à política como vereador no período de 1873 a 1885, ocupando várias vezes as funções de presidente interino da Câmara Municipal, efetivando-se em julho de 1878, cargo que corresponderia atualmente ao de Prefeito. Foi eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro, no período de 1877 a 1885, ano em que encerrou a sua carreira política. Neste período acumulou o exercício da presidência da Câmara e do Poder Executivo Municipal. Em sua atuação como deputado, destacam-se algumas iniciativas pioneiras: buscou por meio de projeto de lei regulamentar o trabalho doméstico, visando conceder à essa categoria o aviso prévio de 30 dias; denunciou os perigos da poluição, que já naquela época afetava a população do Rio de Janeiro, promovendo providências para combatê-la. Foi membro, a partir de 1882, das Comissões de Obras Públicas, Redação e Orçamento.

Vida empresarial

Foi sócio fundador da Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos (1870). Empenhou-se na construção da Estrada de Ferro Santo Antônio de Pádua, pretendendo estendê-la até ao rio Doce, projeto que não conseguiu concretizar (c. 1872). Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica de Vila Isabel, fundada em Outubro de 1873, por João Batista Viana Drummond (depois barão de Drummond) para empreender a urbanização do bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão, período em que os trilhos da empresa alcançavam os bairros do Caju e da Tijuca.

Atividade Intelectual


Durante a campanha abolicionista publicou o ensaio “A Escravidão no Brasil e as Medidas que Convém Tomar para Extingui-la sem Dano para a Nação” (1869), onde não só defende a liberdade aos escravos, mas também a inserção e adaptação dos mesmos na sociedade por meio da educação. Nesta obra, Bezerra se autointitula um liberal e propõe que se imitasse os ingleses, que na época já haviam abolido a escravidão de seus domínios. Expôs os problemas de sua região natal em outro ensaio publicado, “Breves Considerações Sobre as Secas do Norte” (1877). Alguns indicam que foi autor de biografias sobre o visconde do Uruguai (Paulino José Soares de Sousa) e o visconde de Caravelas (Manuel Alves Branco), personalidades ilustres do Império do Brasil. Foi redator de A Reforma, órgão liberal no Município Neutro, e, de 1869 a 1870, redator do jornal Sentinela da Liberdade. Escreveu também outras obras, como “A Casa Assombrada”, “A Loucura sob Novo Prisma”, “A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica”, “Casamento e Mortalha”, “Pérola Negra”, “Lázaro, o Leproso”, “Os Carneiros de Panúrgio”, “História de um Sonho” e “Evangelho do Futuro”. Sabe-se que Bezerra de Menezes era fluente em pelo menos três línguas, além do português: latim, espanhol e francês.

Espiritismo e Federação Espírita Brasileira

Conheceu a Doutrina Espírita quando do lançamento da tradução em língua portuguesa de “O Livro dos Espíritos” (sem data, em 1875), através de um exemplar que lhe foi oferecido com dedicatória pelo seu tradutor, o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos. Sobre o contato com a obra, o próprio Bezerra registrou posteriormente: “Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no 'O Livro dos Espíritos'. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença”. Contribuiu para a sua adesão o contato com as "curas extraordinárias" obtidas pelo médium João Gonçalves do Nascimento (1844-1916), em 1882. Com o lançamento do periódico Reformador, por Augusto Elias da Silva em 1883, passou a colaborar com a redação de artigos doutrinários. Após estudar por alguns anos as obras de Allan Kardec, em 16 de agosto de 1886, aos cinquenta e cinco anos de idade, perante grande público, estimado, conforme os seus biógrafos, entre mil e quinhentas e duas mil pessoas, no salão de conferências da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, em longa alocução, justificou a sua opção em abraçar o Espiritismo. O evento chegou a ser referido em nota publicada pelo O Paiz, periódico de maior circulação da época. No ano seguinte, a pedido da Comissão de Propaganda do Centro da União Espírita do Brasil, inicia a publicação de uma série de artigos sobre a Doutrina em O Paiz. Na seção intitulada "Spiritismo - Estudos Philosophicos", os artigos saíram regularmente aos domingos, no período de 23 de outubro de 1887 a dezembro de 1893, assinados sob o pseudônimo "Max". Na década de 1880, o incipiente movimento espírita na capital e no país, estava marcado pela dispersão de seus adeptos e das entidades em que se reuniam. Já havia também uma clara divisão entre dois "grupos" de espíritas: os que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso (maior grupo, o qual se incluía Bezerra) e os que não aceitavam o Espiritismo nesse aspecto. Em 1889, Bezerra foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da Federação Espírita Brasileira. Nesse período, iniciou o estudo sistemático de "O Livro dos Espíritos" nas reuniões públicas das sextas-feiras, passando a redigir o Reformador; exerceu ainda a tarefa de doutrinador de espíritos obsessores. Organizou e presidiu um Congresso Espírita Nacional (Rio de Janeiro, 14 de abril), com a presença de 34 delegações de instituições de diversos estados. Assumiu a presidência do Centro da União Espírita do Brasil a 21 de abril e, a 22 de dezembro de 1890, oficiou ao então presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas contra certos artigos do Código Penal Brasileiro de 1890. De 1890 a 1891, foi vice-presidente da FEB na gestão de Francisco de Menezes Dias da Cruz, época em que traduziu o livro “Obras Póstumas” de Allan Kardec, publicado em 1892. Em fins de 1891, registravam-se importantes divergências internas entre os espíritas e fortes ataques exteriores ao movimento. Bezerra de Menezes afastou-se por algum tempo, continuando a frequentar as reuniões do Grupo Ismael e a redação dos artigos semanais em "O Paiz", que encerrou ao final de 1893. Aprofundando-se as discórdias na instituição, foi convidado em 1895, a reassumir a presidência da FEB (eleito em 3 de agosto desse ano), função que exerceu até à data de seu falecimento. Nesta gestão iniciou o estudo semanal de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, fundou a primeira livraria espírita no país e ocorreu a vinculação da instituição ao Grupo Ismael e à Assistência aos Necessitados. Foi em meio a grandes dificuldades financeiras que um acidente vascular cerebral o acometeu, vindo ele a falecer na manhã de 11 de abril de 1900, depois de meses acamado. Não faltaram aqueles, pobres e ricos, que socorreram a família, liderados pelo Senador Quintino Bocaiúva. No dia seguinte, na primeira página de O Paiz, foi lhe dedicado um longo necrológio, chamando-o de “eminente brasileiro”. Recebeu ainda homenagem da Câmara Municipal do então Distrito Federal, pela conduta e pelos serviços dignos.

Homenagens

Bezerra de Menezes deu o nome a uma das embarcações a vapor da Estrada de Ferro Macaé e Campos que, fretado à Companhia Terrestre e Marítima do Rio de Janeiro, naufragou em Angra dos Reis a 29 de janeiro de 1891. Não houve vítimas fatais. Com relação ao aspecto missionário da vida de Bezerra de Menezes, a obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de Chico Xavier, atribuído ao espírito de Humberto de Campos, afirma: “Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração”. Bezerra foi também homenageado em Anápolis, Goiás, em 1982, com o nome de uma escola de ensino fundamental — Escola de 1º Grau Bezerra de Menezes -, que atende a 200 alunos conveniados com a rede estadual de Goiás. Em Fortaleza, Capital do Estado do Ceará, sua terra natal, há uma avenida com o seu nome, situada no então distrito que levava o nome de seu pai, Antônio Bezerra, atualmente desmembrado em vários bairros, sendo a mencionada avenida situada entre os bairros Parquelândia, São Gerardo e Otávio Bonfim. No Estado do RJ temos Rua Bezerra de Menezes na cidade do RJ e na cidade de Paracambi, bem como há Rua Bezerra de Menezes em Rio Verde — Goiás, Guarulhos e Santo André — SP, Belo Horizonte — MG e Porto Alegre — RS. Em São Bernardo do Campo, SP, o maior Hospital Psiquiátrico, que atende a toda a região, também leva o nome de Bezerra de Menezes. Em Porto Velho, Rondônia, existe o Centro Espírita Bezerra de Menezes, localizado na rua Gonçalves Dias, no centro da cidade. Na cidade de Manaus, no Estado do Amazonas, encontra-se localizado na Rua Amâncio de Miranda, bairro Educandos, o Centro Espírita que também leva o seu nome, reconhecido pela FEA (Federação Espírita Amazonense), surgiu na década de 50, fundado por um casal, que após sua morte, deixou o legado nas mãos de suas filhas, cujas até os dias atuais, cuidam e zelam daquela humilde casa que abriga a todos que a procuram com imenso carinho.

O “Kardec Brasileiro”

Pela atuação destacada no movimento espírita da capital brasileira no último quartel do século XIX, Bezerra de Menezes foi considerado um modelo para muitos adeptos da Doutrina. Destacam-lhe a índole caridosa, a perseverança, e a disposição amorosa para superar os desafios. Essas características, somadas à sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, fizeram com que fosse considerado o "Kardec Brasileiro", numa homenagem devida ao papel de relevância que desempenhou. Muitos seguidores acreditam, ainda, que Bezerra de Menezes continua, em espírito, a orientar e influenciar o movimento espírita. É considerado patrono de centenas de instituições espíritas em todo o mundo.

Filme

A vida de Bezerra de Menezes foi transposta para o cinema, na película “Bezerra de Menezes - O Diário de Um Espírito”, com direção de Glauber Santos Paiva Filho e Joel Pimentel. O elenco é integrado por Carlos Vereza no papel título, Caio Blat e Paulo Goulart Filho, Ana Rosa, Nanda Costa com a participação especial de Lúcio Mauro. A produção foi orçada em aproximadamente R$ 2,7 milhões, a cargo da Trio Filmes e Estação da Luz, com locações no Ceará, Pernambuco, Distrito Federal e Rio de Janeiro, tendo envolvido a mão-de-obra de uma equipe de cento e cinquenta pessoas. O lançamento do filme deu-se em 29 de agosto de 2008.

Instituições de que foi membro

    • Academia Nacional de Medicina (Honorário na Secção Cirúrgica)
    • Instituto Farmacêutico
    • Sociedade de Geografia de Lisboa
    • Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional
    • Sociedade Físico-Química
    • Sociedade Propagadora das Belas Artes
    • Sociedade Beneficência Cearense (Presidente)
    • Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (Conselheiro)
    • Federação Espírita Brasileira (Presidente)
    • Companhia Ferro-Carril de São Cristóvão (Presidente)
    • Companhia Estrada de Ferro Macaé e Campos (Fundador)
    • Companhia Arquitetônica de Vila Isabel (Diretor)

Artigos e obras publicadas

    • 1856 — "Diagnóstico do Cancro"
    • 1857 — "Algumas considerações sobre o cancro, encarado pelo lado do seu tratamento"
    • 1859 — "Curare"
    • 1869 — "A Escravidão no Brasil, e medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação"
    • 1877 — "Breves considerações sobre as secas do Norte"
      "Das operações reclamadas pelo estreitamento da uretra"
      Biografia de Manuel Alves Branco, visconde de Caravelas
      Biografia de Paulino José Soares de Sousa, visconde do Uruguai
    • 1892 — Publicação da sua tradução de Obras Póstumas, de Allan Kardec
    • 1902 — "A Casa Assombrada" (Romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEB)
    • 1907 — "Espiritismo (Estudos Filosóficos)" (coletânea dos artigos publicados em O Paiz no período de 1877 a 1894, publicada pela FEB em três volumes)
    • 1983 — "Os Carneiros de Panúrgio" (Romance originalmente publicado no Reformador e, postumamente, em livro, pela FEESP)
    • 1946 — "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica" (Réplica a seu irmão que lhe exprobrava a conversão ao Espiritismo, publicada postumamente, em livro, pela FEB)
    • 1920 — "A Loucura sob Novo Prisma" (Estudo etiológico sobre as perturbações mentais, publicado pela FEB
    • "Casamento e Mortalha"
    • "Evangelho do Futuro"
    • "História de um Sonho"
    • "Lázaro, o Leproso"
    • "O Bandido"
    • "Os Mortos que Vivem"
    • "Pérola Negra"
    • "Segredos da Natura"
    • "Viagem através dos Séculos"

Principais obras e mensagens mediúnicas atribuídas a Bezerra de Menezes

Através de Divaldo Pereira Franco, comunicações nas seguintes obras
    • 1991 — "Compromissos Iluminativos" (coletânea de mensagens, ed. LEAL)
Através de Francisco Cândido Xavier, comunicações nas seguintes obras
    • 1973 — "Bezerra, Chico e Você" (coletânea de mensagens, ed. GEEM)
    • 1986 — "Apelos Cristãos" (coletânea de mensagens, ed. UEM)
    • "Nosso Livro"
    • "Cartas do Coração"
    • "Instruções Psicofônicas"
    • "O Espírito da Verdade"
    • "Relicário de Luz"
    • "Dicionário d'Alma"
    • "Antologia Mediúnica do Natal"
    • "Caminho Espírita"
    • "Luz no Lar"
Através de Francisco de Assis Periotto, comunicações nas seguintes obras
    • 2001 — "Fluidos de Luz: ensinamentos de Bezerra de Menezes" (Ed. Elevação)
    • 2002 — "Fluidos de Paz: ensinamentos de Bezerra de Menezes" (Ed. Elevação)
    • 2006 — "Conversando com seu Anjo da Guarda — ensinamentos de Bezerra de Menezes sobre a Agenda Espiritual " (Ed. Elevação)
    • 2018 — “Páginas de Esperança — ensinamentos de Bezerra de Menezes sobre Espiritualidade, Família e Evangelho-Apocalipse de JESUS” (Ed.Elevação)
Através de Maria Cecília Paiva, comunicações nas seguintes obras
    • "Garimpos do Além" (coletânea de mensagens, ed. Instituto Maria).
Através de Gilberto Pontes de Andrade, duas comunicações na seguinte obra
    • "Luz em Gotas" (coletânea de mensagens, ed. AMCGuedes).
Através de Waldo Vieira, comunicações nas seguintes obras
    • "Entre Irmãos de Outras Terras"
    • "Seareiros de Volta"
Através de Yvonne do Amaral Pereira, comunicações nas seguintes obras
    • 1955 — "Nas Telas do Infinito" (1ª. Parte, romance, ed. FEB)
    • 1957 — "A Tragédia de Santa Maria" (romance, ed. FEB)
    • 1964 — "Dramas da Obsessão" (romance, ed. FEB)
    • 1968 — "Recordações da Mediunidade" (relatos e orientações, ed. FEB)
Através de Marcelo Passos, médium de Belo Horizonte/MG, livro:
    • 2015 — Encontre-se (mensagens Editora Solon de Lagoa Santa/MG).



Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bezerra_de_Menezes

sábado, 23 de maio de 2020

Biography of Cherisse Osei

Cherisse Osei (born December 23, 1986) is an English drummer. Best known for her work with the band Simple Minds, Osei has also played with a number of acts, including The Faders, Paloma Faith, Bryan Ferry, Kelly Jones, and Mika. In 2018, Osei won first place in the ‘Live Session Drummer’ category for Rhythm magazine’s Music Radar polls. As a member of The Faders, Osei appeared on the series Veronica Mars, credited as Cherrise Amma Loren Ofosu-Osei. She cites John Bonham, Sheila E., Steve Gadd, Levon Helm, Tony Williams, and James Gadson as influences.

Early life

Osei grew up interested in becoming an actress or dancer but her parents' interest in music exposed her to "funk, jazz, hip hop and soul" and cultivated an interest in music. At the age of five she received a "pink Mickey Mouse drum kit" from her uncle: although it was her first exposure to drumming, it would only resonate later, at the age of 11, when a drum club was organized in her school and she felt compelled to permanently take the instrument up. By the age of 12, Osei had started playing in bands. When Osei was 15, she worked at a local music store in Wembley, which she credits with giving her exposure to drummers she "looked up to".




Musical career

Osei was the drummer for The Faders from 2004 through 2006. The band was signed to Polydor and released the singles "No Sleep Tonight" and "Jump," each reaching numbers 13 and 21 in the UK Singles Chart, respectively.The Faders appeared on Veronica Mars and their music was featured on the show's soundtrack. From 2006 through 2012 Osei played drums on Mika's studio work and tours. Her work with Mika led to appearances on Good Morning America, The Tonight Show with Jay Leno, Jimmy Kimmel Live, South by South West, Coachella Valley Music and Arts Festival, Fuji Rock Festival, Glastonbury Festival, and V Festival. During this period, she played drums in the 2008 Beijing Paralympics closing ceremony, performing a commissioned piece by composer Philip Sheppard in the Beijing National Stadium, an event that reached 1.5 billion TV viewers. In 2012, Osei began working with Bryan Ferry and Paloma. She was featured with these artists on Late Night with David Letterman and The Tonight Show with Jay Leno. In 2016, Osei joined the band Simple Minds for their "acoustic phase" and recorded the album Acoustic with the band. In early 2017 Simple Minds embarked on a full production tour in Australia and New Zealand, drummer Mel Gaynor's last tour with the band before Osei rejoined and replaced him for a stripped down, acoustic tour the remainder of the year. Osei appeared on three tracks of the 2018 album Walk Between Worlds (the album was recorded before, during, and after the acoustic tours and the Acoustic album release) and joined the band as their full-time drummer for the promotional tour. The tour, which launched in Glasgow, Scotland and included the first North American shows for the band in five years, was met with praise: The Guardian credited the band with sounding "less blokey," "modern and impressively energised”. As of 2019, Simple Minds has been recording material for a new album with Osei, aiming for a 2021 release. In 2019, Osei joined Kelly Jones on his third solo tour. Her first performances with Jones took place on June 1st at Usher Hall, in Edinburgh, Scotland.

References

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Hipocrisia

Hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ⎯ ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou mais tarde a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos. Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza ou realizava a mesma ação. O linguista e analista social Noam Chomsky define hipocrisia como “...a recusa de aplicar a nós mesmos os mesmos valores que se aplicam a outros”. A hipocrisia é um dos maiores males do comportamento social humano, que promove a injustiça como guerra e as desigualdades sociais, num quadro de auto-engano, que inclui a noção de que a hipocrisia em si é um comportamento necessário ou benéfico humano e da sociedade. François duc de la Rochefoucauld revelou de maneira mordaz a essência do comportamento hipócrita: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos. O termo “hipocrisia” é também comumente usado (alguns diriam abusado) num sentido que poderia ser designado de maneira mais específica como um “padrão duplo”. Um exemplo disso, é quando alguém acredita honestamente que deveria ser imposto um conjunto de morais para um grupo de indivíduos diferente do de outro grupo. Hipocrisia é pretensão ou fingimento de ser o que não é. Hipócrita é uma transcrição do vocábulo grego “ypokritís” (υποκριτής). Os atores gregos usavam máscaras de acordo com o papel que representavam numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência.

Hipocrisia na religião

O Novo Testamento da Bíblia refere-se especificamente aos hipócritas em vários lugares, em especial quando representando de maneira especial a seita dos fariseus, como por exemplo, o Evangelho de Mateus capítulo 23, versículos 13 a 15: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós”.

Etimologia

A palavra vem do latim tardio hypocrisis e do grego ὑπόκρισις (hypokrisis), que significa "agir", "fingir" ou "uma resposta". Também pode ser entendido como proveniente do hipo grego, que significa "máscara", e “crytes”, que significa "resposta" e, portanto, a palavra significaria "responder com máscaras". A palavra "hipócrita" vem do grego ὑποκρίτης (hypokrites), cujo verbo associado é υποκρίνομαι (hypokrinomai), ou seja, "tomo parte". Ambos derivam do verbo κρίνω, "julgar" (κρίση, "julgamento" κριτική [kritiki], "críticos"), presumivelmente porque a elaboração de um texto dramático envolvia um certo grau de interpretação do texto.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hipocrisia
https://es.wikipedia.org/wiki/Hipocresía

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Biografia de Édouard-Henri Avril

Édouard-Henri Avril.
Édouard-Henri Avril nasceu em Argel, Argélia, a 21 de Maio de 1849, e, faleceu em Le Raincy, França, a 28 de Julho de 1928. Avril foi um pintor francês e artista comercial. Sob o pseudônimo de Paul Avril, foi ilustrador de literatura erótica. Avril estudou arte em vários salões de Paris. De 1874 a 1878, esteve na École des Beaux Arts, em Paris. Quando foi contratado para ilustrar o romance “Fortúnio”, de Théophile Gautier, adotou o pseudônimo de “Paul Avril”. Logo teve certa reputação e recebeu vários contratos para ilustrar autores importantes e a chamada "literatura galante" da época, de uma forma erótica. Esses livros eram vendidos em pequenas edições com base em assinaturas, encomendadas por colecionadores. É considerado o "pai da pintura erótica". Sua carreira contou com a colaboração de pessoas influentes como Octave Uzanne, Henry Spencer Ashbee e Friedrich Karl Forberg. Avril era soldado militar antes de iniciar sua carreira na arte. Ele foi premiado com a “Legião de Honra” por suas ações na Guerra Franco-Prussiana.

Vida

Avril nasceu em Argel. Seu pai era coronel da "gendarmerie". O próprio Avril lutou e foi ferido na Guerra Franco-Prussiana antes de iniciar seus estudos em arte. Avril foi agraciado com a Legião de Honra em 31 de maio de 1871 pelos ferimentos sofridos durante a guerra. Os ferimentos resultaram em aposentadoria de sua carreira militar em 23 de janeiro de 1872. O material biográfico de sua vida é escasso devido à natureza obscena de sua obra e porque ele trabalhou sob o pseudônimo de "Paul Avril". Seu pseudônimo pode causar confusão com o seu irmão, chamado Paul-Victor Avril, que também era artista e trabalhou como gravador. Avril estudou arte em vários salões sexuais de Paris. De 1874 a 1878, ele esteve na École des Beaux-Arts, em Paris. Trabalhou para a revista de notícias “Le Monde Illustré” em 1882. Tendo sido contratado para ilustrar o romance “Fortunio” de Théophile Gautier, ele adotou o pseudônimo de "Paul Avril". Sua reputação logo se estabeleceu e ele recebeu muitos contratos para ilustrar os principais autores e a chamada "literatura galante" da época, uma forma de erótica. No entanto, sua reputação como ilustrador comercial de romances foi estabelecida antes de começar a ilustrar a mais secreta literatura erótica. Esses livros geralmente eram vendidos em pequenas edições com base em assinaturas, organizadas por colecionadores. A literatura erótica da época recebeu impressões muito limitadas e, às vezes, limitadas a apenas 100 cópias, ou eram vendidas apenas dentro de círculos exclusivos de colecionadores. Por causa da obscenidade percebida de Avril e suas obras, é difícil avaliar o impacto que sua arte poderia ter tido na cultura da época. Avril morreu em Le Raincy, perto de Paris, em 1928.

Trabalhos

As principais obras de Avril foram as ilustrações em 1906 de “De Figuris Veneris: Um Manual de Erótica Clássica”. Outro trabalho importante ilustrado por Avril foi “Fanny Hill”, de John Cleland (também conhecido como “Memórias de uma Mulher de Prazer”), que foi uma publicação significativa e controversa de sua época, pois foi o primeiro romance a trazer erotismo à literatura inglesa. A edição dos livros ilustrados por Avril inclui “Les Charmes de Fanny Exposés” que é uma das suas melhores e mais conhecida pintura. Avril ilustrou obras como “Salammbô” de Gustave Flaubert, “Le Roi Caundale” de Gautier, “Adventures of the Chevalier de Faublas” de Jean Baptiste Louvet de Couvray, “Mon Oncle Barbassou” de Mario Uchard (cenas em um harém), “The Madam” de Jules Michelet, “Musk, Hashish and Blood” de Hector France, os escritos de "Pietro Aretino", e o romance lésbico anônimo “Gamiani”. Os trabalhos ilustrados por Avril incluem “Oeuvres d’Horace” (1887), “Une Nuit de Cléopâtre”  (1894), “Daphnis et Chloé” (1898), e “Les Sonnets Luxurieux de l’Aretin” (1904). Avril pode ser mais conhecido por suas suas sáficas, ou lésbicas, ilustrações. O prolífico colecionador de erótica Henry Spencer Ashbee contratou Avril para desenhar um “ex-libris” para ele. Avril trabalhou com Octave Uzanne, que mais tarde abandonou a "Société des Amis des Livres", a qual ele achava conservadora e também preocupada demais com a reedição de obras antigas, fundou duas novas sociedades bibliográficas. A "Sociedade de Bibliófilos Contemporâneos" (1889-1894) consistia em 160 pessoas de círculos literários, incluindo Avril.

Obras de Avril no Wikimedia Commons (click no link abaixo):

Lista de obras e edições ilustradas

    • L'Éventail (1882);
    • L'Ombrelle – Le Gant – Le Manchon (1883);
    • Fortunio (1883);
    • Adventures of the Chevalier de Faublas (1884);
    • Mon Oncle Barbassou (Scenes in a Harem) (1884);
    • Fanny Hill (fr. 1887, eng. 1906);
    • Oeuvres d’Horace (1887);
    • The Mirror of the World (1888);
    • Le Roi Caundale (1893);
    • Une nuit de Cléopâtre (1894);
    • The Life and Adventures of Father Silas (1896);
    • Daphnis et Chloé (1898);
    • Musk, Hashish and Blood (1899);
    • Les Sonnets Luxurieux de l’Aretin (1904);
    • Gamiani (1905);
    • De Figuris Veneris: A Manual of Classical Erotica (1906);
    • Salammbô (1906);
    • Histoire de Saturnin (1908);
    • The Madam.

Referências
https://es.wikipedia.org/wiki/Édouard-Henri_Avril
https://en.wikipedia.org/wiki/Édouard-Henri_Avril

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Biografia de Louis Pasteur



Louis Pasteur
Dados Pessoais
Nome
Louis Pasteur
Nascimento
27 de dezembro de 1822, Dole, Franche-Comté, Reino da França
Falecimento
28 de setembro de 1895 (72 anos), Marnes-la-Coquette, Ilha de França, Terceira República Francesa
Alma mater
Escola Normal Superior de Paris
Prêmios
 - Medalha Rumford (1856),
 - Medalha Copley (1874),
 - Medalha Leeuwenhoek (1895)
Religião
Cristianismo Católico
Instituições
Universidade de Estrasburgo, Université Lille Nord de France, Escola Normal Superior de Paris.
Campos
Medicina, química
Comhecido por
Criador da pasteurização.


Nasceu em Dole, a 27 de dezembro de 1822, e, faleceu em Marnes-la-Coquette, a 28 de setembro de 1895. Louis Pasteur foi um cientista francês, cujas descobertas tiveram enorme importância na história da química e da medicina. É reconhecido pelas suas notáveis descobertas das causas e prevenções de doenças. Entre seus feitos mais notáveis podem-se citar a redução da mortalidade e a criação da primeira vacina contra a raiva (vacina antirrábica). As suas experiências deram fundamento para a teoria microbiológica da doença. Foi mais conhecido do público em geral por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização, em homenagem ao seu sobrenome. Pasteur é considerado um dos três principais fundadores da microbiologia, juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch. Também fez muitas descobertas no campo da química, principalmente a base molecular para a assimetria de certos cristais. O seu corpo está enterrado sob o Instituto Pasteur em Paris, numa tumba decorada por mosaicos em estilo bizantino que lembram os seus feitos.

Primeiros anos

Seu pai foi sargento na Armada Napoleônica. Pasteur não foi um aluno especialmente aplicado ou brilhante na escola e nem mesmo na universidade em que estudou. Quando era jovem, tinha um gosto especial pela pintura e fez diversos retratos de sua família. Aos dezenove anos, abandonou a pintura para se dedicar à carreira científica, que perdurou por toda a sua vida. Em 1847 ele completou os seus estudos de doutorado na escola de física e química em Paris.

Estudos e a influência na evolução da ciência

Louis Pasteur iniciou os seus estudos no Colégio Royal em Besançon, transferindo-se para a Escola Normal Superior em 1843 de Paris, estudando química, física e cristalografia. Foi na cristalogia que Louis fez suas primeiras descobertas. Descobriu em 1848 o dimorfismo do ácido tartárico, ao observar no microscópio que o ácido racêmico apresentava dois tipos de cristais, com simetria especular. Foi portanto o descobridor das formas dextrógiras e levógiras, comprovando que desviavam o plano de polarização da luz no mesmo ângulo porém em sentido contrário. Esta descoberta valeu ao jovem químico, com apenas 26 anos de idade, a concessão da "Légion d'Honneur" Francesa. Após licenciar-se e assistir às aulas do grande químico francês Jean-Baptiste Dumas, começou a se interessar pela Química. Exerceu o cargo de professor de química em Dijon e depois em Estrasburgo. Casou-se com Marienne Laurente, filha do reitor da Academia. Em 1854 foi nomeado decano da Faculdade de Ciências na Universidade de Lille. A pedido dos vinicultores e cervejeiros da região, começou a investigar a razão pela qual azedavam os vinhos e a cerveja. De novo, utilizando o microscópio, conseguiu identificar a bactéria responsável pelo processo. Propôs eliminar o problema aquecendo a bebida lentamente até alcançar 48°C, matando, deste modo, as bactérias, e encerrando o líquido posteriormente em cubas hermeticamente seladas para evitar uma nova contaminação. Este processo originou a atual técnica de pasteurização dos alimentos. Demonstrou, desta forma, que todo processo de fermentação e decomposição orgânica ocorre devido à ação de organismos vivos. Na Inglaterra, em 1865, o cirurgião Joseph Lister aplicou os conhecimentos de Pasteur para eliminar os micro-organismos vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Em 1871, o próprio Pasteur obrigou os médicos dos hospitais militares a ferver o instrumental e as bandagens que seriam utilizados nos procedimentos médicos. Expôs a “teoria germinal das enfermidades infecciosas”, segundo a qual toda enfermidade infecciosa tem sua causa (etiologia) num micróbio com capacidade de propagar-se entre as pessoas. Deve-se buscar o micróbio responsável por cada enfermidade para se determinar um modo de combatê-lo. Pasteur passou a investigar os microscópicos agentes patogênicos, terminando por descobrir vacinas, em especial a antirrábica, que utilizou com sucesso em 1885 para tratar Joseph Meister, um garoto de 9 anos que fora mordido por um cão infectado pela raiva, utilizando-se de injeções diárias por 13 dias seguidos, com vírus cada vez menos atenuados. Meister nunca contraiu a raiva, felizmente, pois Pasteur, por não ser médico, arriscou-se a ser processado, caso o tratamento não tivesse sucesso. Fundou em 1888 o Instituto Pasteur, um dos mais famosos centros de pesquisa da atualidade. Pasteur foi quem derrubou definitivamente a ideia da “geração espontânea aristotélica”, com a utilização de uma vidraria chamada "Pescoço de Cisne". Pasteur colocou um caldo nutritivo em um balão de vidro, de pescoço curvo. Ferveu o caldo existente no balão, o suficiente para matar todos os possíveis microrganismos que poderiam existir nele. Cessado o aquecimento, vapores da água proveniente do caldo condensaram-se no pescoço do balão e se depositaram, sob forma líquida, na sua curvatura inferior. Como os frascos ficavam abertos, não se podia falar da impossibilidade da entrada do “princípio ativo” do ar. Com a curvatura do gargalo, os micro-organismos do ar ficavam retidos na superfície interna úmida e não alcançavam o caldo nutritivo. Quando Pasteur quebrou o pescoço do balão, permitindo o contato do caldo existente dentro dele com o ar, constatou que o caldo contaminou-se com os microrganismos provenientes do ar. Morreu em Villeneuve-L'Etang no dia 28 de Setembro de 1895. Encontra-se sepultado no Instituto Pasteur, Ilha de França, Paris, na França.

Fé e espiritualidade

Citado muitas vezes como um fervoroso católico, mas, de acordo com o seu neto Pasteur Vallery-Radot, no entanto, Pasteur só tinha guardado da sua formação católica uma espiritualidade sem prática religiosa. Maurice Vallery-Radot, neto do irmão do genro de Pasteur e católico declarado, assegura que Pasteur fundamentalmente permaneceu católico. O genro de Pasteur, provavelmente na mais completa biografia de Louis Pasteur, escreveu o seguinte: “Uma fé absoluta em Deus e na eternidade, e a convicção de que o poder para o bem dado a nós neste mundo será continuado para além dele, foram sentimentos que permearam toda a sua vida; as virtudes do Evangelho estiveram sempre presentes nele. Com o máximo de respeito para com a forma de religião que tinha sido a dos seus antepassados, ele recorreu simplesmente á religião naturalmente para ajuda espiritual nestas últimas semanas da sua vida”. Tanto Pasteur Vallery-Radot quanto Maurice Vallery-Radot afirmam que a bem conhecida citação atribuída a Pasteur: “Quanto mais sei, mais a minha fé se aproxima da do camponês bretão. Gostaria de saber tudo, mas eu teria a fé da esposa de um camponês bretão”, é apócrifa.


Link das imagens
Louis Pasteur (fotografado por Paul Nadar).
Assinatura de Pasteur (vetorizada por Pro bug catcher).

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur