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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Richard Trevithick e a Locomotiva à Vapor


Richard Trevithick, por John Linnell, 1816.
Richard Trevithick. Nasceu em Cornualha, a 13 de Abril de 1771, e, faleceu em Dartford, a 22 de Abril de 1833. Trevithick foi um inventor e engenheiro britânico construtor de máquinas, que desenvolveu a primeira locomotiva a vapor capaz de funcionar. Seu pai também era engenheiro e trabalhava na mina de Dolcoath. Freqüêntou a escola em Camborne. Aos 19 anos, Trevithick trabalhou na mina East Stray Park, onde construiu e modificou máquinas à vapor.



Biografia

A Puffing Devil.
Era filho de um engenheiro e, em criança, costumava ver máquinas a vapor, bombearem água para fora das minas de estanho e cobre, muito comuns nessa época naquela região. Dedicou-se a melhorar o design dos motores a vapor, construindo máquinas mais leves e menores, mas com caldeiras mais fortes, onde era possível gerar pressões de vapor mais altas e por consequência, mais energia. Em 1801, aplicou rodas a uma das suas máquinas. Esta locomotiva rodoviária que ficou conhecida como The Puffing Devil, terá sido um dos primeiros veículos rodoviários a carregar passageiros movendo-se pela sua própria fonte de energia (antes de Trevithick, já Joseph Cugnot, tinha construído uma máquina similar). Este veículo, predecessor do automóvel, andava pelas ruas de
A Trevithick's steam circus.
Camborne passeando os amigos de Trevithick mas, como não conseguia manter a pressão do vapor durante muito tempo, não teve grandes efeitos práticos. Em 1803, Trevithick construiu outro veículo auto propulsionado, chamava-se “London Steam Carriage” (Carruagem a Vapor de Londres) e era basicamente, uma carruagem com um motor a vapor acoplado. Esta máquina atraiu bastante a atenção do público e da imprensa mas não teve sucesso, devido ao seu custo ser muito superior ao das tradicionais carruagens puxadas por cavalos. No ano seguinte, construiu a primeira locomotiva para caminho de ferro. Esta máquina que não tinha nome, foi usada nas minas de ferro em Pen-Y-Darren no País de Gales. Com 10 vagões atrelados, à
Estátua de Trevithick.
velocidade de 8 Km/hora, fez a sua primeira viagem no dia 21 de Fevereiro de 1804. Embora tivesse funcionado, o seu sucesso foi efémero: a máquina avariava constantemente e o seu peso, partia os carris, desenhados para serem utilizados pelas carruagens puxadas por cavalos. Trevithick viria a construir mais uma locomotiva em Coalbrookdale mas pouco ou nada se sabe acerca dessa máquina. Trevithick foi um pioneiro cujas invenções eram avançadas demais para a sua época; além das locomotivas, construiu barcos a vapor, máquinas de debulhar e de dragar, no entanto nunca conseguiu investidores que o ajudassem a desenvolver as suas invenções. Em 1816, Trevithick mudou-se para o Peru para trabalhar como engenheiro nas minas e construir locomotivas que as servissem. Apesar do sucesso inicial, o começo da guerra civil em 1826 forçou-o a voltar a Inglaterra sem um tostão. Apesar do seu gênio inventivo, Trevithick morreu na pobreza e na obscuridade e os seus inventos muito pouco reconhecidos.

Locomotiva a Vapor

A Locomotiva a vapor é uma locomotiva propulsionada por um motor a vapor que compõe-se de três partes principais: a caldeira, produzindo o vapor usando a energia do combustível, a máquina térmica, transformando a energia do vapor em trabalho mecânico e a carroçaria, carregando a construção. O vagão-reboque (também chamado "tender") de uma locomotiva a vapor transporta o combustível e a água necessários para a alimentação da máquina. As primeiras locomotivas apareceram no século XIX sendo o mais popular tipo de locomotiva até ao fim da Segunda Guerra Mundial. No Brasil as locomotivas a vapor receberam o apelido de "Maria-Fumaça" em virtude da densa nuvem de vapor e fuligem expelida por sua chaminé, sendo que no final do século XIX e início do século XX, os matutos e caipiras, davam-lhe o nome de "Balduína", uma corruptela de Matthias William Baldwin, a marca das locomotivas de origem norte-americana, usadas à altura.

História

Trevithick's 1802 Coalbrookdale locomotive.
A primeira locomotiva a vapor usando trilhos foi construída pelo engenheiro inglês Richard Trevithick e fez o seu primeiro percurso em 21 de Fevereiro de 1804. A locomotiva conseguiu puxar cinco vagões com dez toneladas de carga e setenta passageiros à velocidade vertiginosa de 8 km por hora usando para o efeito trilhos fabricados em ferro-fundido. Esta locomotiva, por ser demasiado pesada para a linha-férrea e avariar constantemente, não teve grande sucesso. Outro inglês, John Blenkinsop, construiu uma locomotiva em 1812 que usava dois cilindros verticais que movimentavam dois eixos, unidos a uma roda dentada que faziam accionar uma cremalheira. Esta máquina usava também trilhos de ferro-fundido, que vieram substituir definitivamente os trilhos em madeira usados até aí. Estes trilhos ou linhas de madeira tinham sido desenvolvidos na Alemanha por volta do ano de 1550, serviam carruagens que
Stephenson's Rocket 1829, the winner of the Rainhill Trials.
eram puxadas por animais, principalmente por cavalos mas também, por vezes, à força de braços. No entanto, o passo maior para o desenvolvimento da locomotiva e por consequência do comboio, seria dado por George Stephenson. Este inglês, mecânico nas minas de Killingworth, construiu a sua primeira locomotiva a quem chamou Blucher, corria o ano de 1814. A Blucher, que se destinava ao transporte dos materiais da mina, conseguiu puxar uma carga de trinta toneladas à velocidade de 6 quilômetros por hora. Stephenson viria a construir a primeira linha férrea Stockton and Darlington Railway, entre Stockton-on-Tees e a região mineira de Darlington, que foi inaugurada em 27 de Setembro de 1825 e tinha 61 km de comprimento; quatro anos mais tarde, foi chamado a construir a linha férrea entre Liverpool e Manchester. Nesta linha foi usada uma nova locomotiva, batizada Rocket, que tinha uma nova caldeira tubular inventada pelo engenheiro francês Marc Seguin e já atingia velocidades da ordem dos 30 km/h. No início do século XIX, as rodas motrizes passaram a ser colocadas atrás da caldeira, permitindo desta forma aumentar o diâmetro das rodas e, consequentemente, o aumento da velocidade de ponta. O escocês James Watt, com a introdução de várias alterações na concepção dos motores a vapor, designadamente na separação do condensador dos cilindros, muito contribuiu também para o desenvolvimento dos caminhos de ferro. Num ápice, as locomotivas passaram do vapor à eletricidade. No dia 31 de Maio de 1879, Werner von Siemens
A "Austria", a primeira locomotiva na Áustria.
apresentou na Exposição Mundial de Berlim a primeira locomotiva eléctrica. No entanto, o seu desenvolvimento só foi significativo a partir de 1890, mantendo-se a sua utilização até aos dias atuais. Antes do meio do século XX, as locomotivas elétricas e a diesel começaram a substituir as máquinas a vapor. No fim da década de 1960, a maioria dos países já tinha substituído a totalidade das locomotivas a vapor em serviço. Outros projetos foram desenvolvidos e experimentados, como as locomotivas com turbinas a gás, mas muito pouco utilizados. Já no fim do século XX na América do Norte e na Europa o uso regular das locomotivas a vapor estava restrito aos trens com fins turísticos ou para entusiastas do comboio. No México, o vapor manteve-se com uso comercial até fins da década de 1970. Da mesma forma ocorreu localizadamente no Brasil, onde no sul do país a Estrada de Ferro Tereza Cristina ainda operou essas máquinas até 1994. Locomotivas a vapor, continuam a ser usadas regularmente na China onde o carvão é muito mais abundante do que o petróleo. A Índia trocou o vapor pelo diesel e pela eletricidade na década de 1990. Em algumas zonas montanhosas o vapor continua a ser preferido ao diesel, por ser menos afetado pela reduzida pressão atmosférica.

Galeria de imagens

Locomotiva a vapor, usada como trem turístico na Áustria

Железничка локомотива из серије 85-005 са тендером налази се испред железничке станице у Чачку.


Железничка локомотива из серије 85-005 налази се испред железничке станице у Чачку.

Åminneforsin tehdasradan kakkosveturi (Orenstein&Koppel 1937/0-6-0wt) Minkiön höyryfestivaaleilla


Steam Locomotive named "La Posadeña" in front of Posadas Train Station, Misiones, Argentina

Denkmal einer Dampflok der "Estrada de Ferro Madeira-Marmoré" in Guajará-Mirim, Rondônia, Brasilien


Español: Locomotora en la Av. Ferroviaria de Uyuni, Potosí - Bolivia

Eine Dampflok vor der Stazione centrale in Pescara, Italy.



Em Portugal

A primeira viagem de comboio no país ocorreu a 28 de Outubro de 1856, em uma linha estabelecida entre Lisboa e o Carregado. Pouco a pouco as linhas foram se estendendo até que, ao final do século XIX, o país contava com uma malha ferroviária de 2070 km.

Galeria de imagens

Locomotive ELNA 158 du Chemin de fer à Vapeur des Trois Vallées en train de prendre de l'eau devant la grue hydrolique de Mariembourg

Locomotive in JEATH War Museum, Kanchanaburi, Thailand


This is a picture of the "Tren de la Sabana" of Bogotá city (Colombia).

Steam locomotive no 85 from Turistren with passenger coaches, on the line to Tunja, Colombia.


Lok 6 der VLTJ wurde 1910 von Henschel, Kassel mit der Nummer 9982 gebaut. An dieser Stelle befand sich einst die Werkstadt und das Gleis der Bergbahn führt über diesen Platz.

750 mm Orenstein & Koppel 0-6-0WT No.4623 of 1911, later regauged to 3' gauge, the FCCSA's first locomotive, preserved at Cuzco (San Pedro) station, 10/07.


Locomotora Nº120, propiedad de "Los Amigos del Riel" que llevó a los directivos, jugadores e invitados del Club Atlético Peñarol desde la Nueva Estación Central de AFE hasta el barrio Peñarol, Montevideo, Uruguay, en el festejo del club por sus 120 años.

Locomotora a vapor fabricada por Beyer Peacock tipo 2-6-0 Clase "N3" Nº120 de 1910, llevando un tren turístico de pasajeros. AUAR Uruguay 2013



Velocidade

O recorde absoluto de velocidade de uma locomotiva a vapor foi obtido na Inglaterra em 1938. A locomotiva atingiu a velocidade de 201,2 km/h num percurso ligeiramente inclinado. Velocidades semelhantes foram também atingidas na Alemanha e nos EUA. Em Portugal o recorde de velocidade com locomotiva a vapor foi de 145 km/h, com a locomotiva Pacific nº 501, durante os ensaios realizados em 1939 às carruagens Budd na Linha do Norte. Durante estes ensaios a mesma locomotiva realizou o percurso entre Lisboa (Campolide) e Porto (Gaia) em 3h09 minutos (343 km à média de 107.8 km/h). Em serviço comercial a velocidade máxima em Portugal com locomotivas a vapor estava fixada em 120 km/h. No Brasil o recorde de velocidade em uma máquina a vapor é da locomotiva de nº 353 que pertenceu a Central do Brasil com registro de velocidade de 147 km/h.

Referências

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