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| Frank Lloyd Wright |
Frank
Lloyd Wright. Nasceu em Richland Center, a 8 de Junho de 1867 ,
e, faleceu em Phoenix, a 9 de Abril de 1959. Frank Lloyd Wright foi um arquiteto,
escritor e educador estadunidense de ascendência galesa. Um dos
conceitos centrais em sua obra é o de que o projeto deve ser
individual, de acordo com sua localização e finalidade. No início
de sua carreira, trabalhou com Louis Sullivan, um dos
pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Responsável por
mais de mil projetos, dos quais mais de quinhentos construídos,
Wright influenciou os rumos da arquitetura moderna com suas ideias e
obras e é considerado um dos arquitetos mais importantes do século
XX. “Um
dos fundadores da arquitetura moderna, sobretudo no setor
habitacional. Tornou-se célebre com a construção de um solar
suspenso acima de uma cascata, na Pensilvânia (EUA). Entre seus
trabalhos destaca-se o museu Guggenheim em Nova York”. Antes
de se tornar um dos maiores arquitetos de todos os tempos, ele
estudou engenharia e, faltando poucas semanas para sua graduação,
abandonou o curso e foi trabalhar em Chicago como desenhista no
escritório de Silsbee, um arquiteto de renome. Tornou-se a
figura chave da arquitetura orgânica, exemplificada pela "Casa
da Cascata", um desdobramento da arquitetura moderna que se
contrapunha ao International style europeu. Foi o líder da
Prairie School, movimento da arquitetura ao qual pertencem os
projetos da Robie House e a Westcott House, e também
desenvolveu o conceito de Usonian home, do qual a Rosenbaum
House é um exemplo. Sua obra inclui exemplos originais e
inovativos de edifícios dos mais diferentes tipos, incluindo
escritórios, templos, escolas, hotéis e museus. Frequentemente
detalhava também os elementos a serem empregados no interior de suas
construções, tais como mobília e vitrais.
Origens
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| Museu Guggenheim |
No
período de 1895 a 1905, a arquitetura dos Estados Unidos da América
era uma junção de estilos ecléticos, sem que de nenhuma maneira
tivessem relação com as ideias e os ideais da nação. Na mesma
época, considerava-se como arquitetura o levar à prática modas e
estilos sem relação com as técnicas de construção, fenômeno
chamado ecletismo. Por outro lado, era também uma época em
que toda a indústria da construção estava experimentando
transformações revolucionárias. Apareciam novos materiais de
construção, ao mesmo tempo que se desenrolavam novos métodos de
transformação para os materiais antigos. Mesmo assim, a arquitetura
que realmente se levava à prática naquele tempo, pouco ou nada
refletia estes novos métodos e materiais.
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| Casa de Wright em Oak Park, Illinois. |
Frank
Lloyd Wright nasceu na pequena cidade agrícola de Richland Center,
Wisconsin, nos Estados Unidos, em 1867. Frank, originalmente batizado
Frank Lincoln Wright, mudou seu nome após o divórcio de seus
pais em homenagem à família de sua mãe, Lloyd Jones. Seu
pai, William Carey Wright (1825 - 1904), era um orador
localmente admirado, professor de música, advogado ocasional e
ministro itinerante. William Wright conheceu e casou-se com Anna
Lloyd Jones (1838/39 - 1923), uma professora da escola de seu
condado, no ano anterior em que foi empregado como superintendente
das escolas do Condado de Richland. Originário de Massachusetts,
William Wright fora um ministro batista mas juntou-se mais tarde a fé
da família de sua esposa no unitarismo. Anna era membro da grande,
próspera e conhecida família unitariana Lloyd Jones, que havia
emigrado do País de Gales para o sudoeste do Wisconsin. Ambos os
pais de Wright eram indivíduos obstinados com interesses
idiossincrásicos que passaram a Frank. O arquiteto relata em sua
biografia que sua mãe declarou, quando esperava seu primeiro filho,
que este tornar-se-ia adulto para construir belos edifícios. Decorou
seu quarto com gravuras de
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| Gordon House, Silverton, Oregon. 1963. |
catedrais inglesas, destacadas de um
periódico, para incentivar a ambição da criança. A família
mudou-se para Weymouth, Massachusetts, em 1870 para que William
ministrasse seus ensinamentos a uma pequena congregação religiosa.
Em 1876, Anna visitou a Exposição Universal na Filadelfia e viu uma
exibição dos blocos educacionais criados por Friedrich Wilhelm
August Fröbel, os quais eram a base do inovativo currículo de
seu jardim de infância. Professora experiente, Anna interessou-se
pelo programa e comprou um jogo de blocos para sua família. O jovem
Frank passou muito tempo brincando com os blocos. Estes apresentavam
formas geométricas e podiam ser montados em várias combinações em
composições tridimensionais. A autobiografia de Wright menciona a
influência destes exercícios em sua maneira de encarar os projetos.
Muitos de seus edifícios são notáveis pela aparência geométrica
que exibem. A família de Wright experimentou apertos financeiros em
Weymouth e retornou a Spring Green, Wisconsin, onde o unido clã
Lloyd Jones poderia apoiar William e ajudá-lo a encontrar emprego.
Estabeleceram-se em Madison, Wisconsin, onde William ministrava
lições de música e atuava como secretário da sociedade unitariana
ali recentemente fundada. Embora William fosse um pai distante,
compartilhou com seus filhos seu amor pela música, especialmente as
obras de Johann Sebastian Bach. Em 1881, logo depois de Frank
completar catorze anos, seus pais separaram-se. Anna estava infeliz
há algum tempo com a inabilidade de William para sustentar a família
e pediu-lhe que os deixasse. O divórcio foi homologado em 1885,
depois que William processou Anna por falta de afeição física.
William deixou Wisconsin após o divórcio. Wright declarava nunca
ter encontrado o pai novamente. Foi nesta época que Wright mudou seu
nome do meio de Lincoln para Lloyd. Sendo o único homem da família,
Frank então assumiu a responsabilidade financeira por sua mãe e
duas irmãs.
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Robie House no campus da University of Chicago em Chicago, Illinois. 1909. |
Wright
frequentava aulas de segundo grau em Madison mas não há evidências
que tenha terminado o curso. Foi admitido à Universidade do
Wisconsin-Madison como estudante especial em 1886. Lá juntou-se à
fraternidade Phi Delta Theta, frequentou as aulas de meio período
durante dois semestres e trabalhou como estagiário em engenharia
civil. Em 1887, Wright deixou a escola sem que se tivesse graduado, a
despeito de ter recebido da universidade um Doutorado honorário em
Artes em 1955. Mudou-se então para Chicago, que ainda estava sendo
reconstruída do Grande incêndio de Chicago, em 1871, e juntou-se ao
escritório de arquitetura de Joseph
Lyman Silsbee.
Dentro de um ano, deixaria
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Imperial Hotel em Meiji Mura, Inuyama, Aichi prefeitura, Japão. |
Silsbee para trabalhar na empresa de Adler
& Sullivan como aprendiz de Louis
Sullivan.
Em 1889, casou-se com sua primeira esposa, Catherine
Lee Tobin
(1871-1959), conhecida como Kitty, comprou uma área em Oak Park,
Illinois, e lá construiu sua primeira casa e seu estúdio. Sua mãe,
Anna,
logo seguiu Wright à cidade, onde comprou uma pequena casa junto à
residência recém construída. Sua união com Kitty Tobin, filha de
um rico homem de negócios, aumentou seu status social, e tornou-o
mais conhecido. A partir de 1890, tornou-se responsável por todo
trabalho residencial da empresa. Em 1893, Louis Sullivan descobriu
que Wright vinha aceitando encomendas privadamente. Sullivan
sentiu-se traído ao saber que seu empregado favorito havia projetado
casas por
baixo dos panos
e pediu que Wright deixasse a empresa. Em necessidade constante de
fundos para
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| Yamamura House (Yodokou Guest House), Japão. 1924. |
sustentar sua crescente família, Wright projetara essas
casas de modo a suplementar sua renda insuficiente. Wright referia-se
a estas casas, localizadas nas redondezas da sua própria residência
e escritório na Chicago Avenue em Oak Park, como seus projetos
"falsificados". Após deixar Sullivan, Wright estabeleceu
seu próprio escritório em casa. O escritório era formado por um
grupo notável de criativos projetistas arquitetônicos. Em 1894,
terminou o projeto da Casa
Winslow,
o primeiro projeto de seu escritório e a primeira casa no estilo que
o consagraria. Em 1901, Wright havia terminado aproximadamente
cinquenta projetos, incluindo muitas casas em Oak Park. John Lloyd
Wright escreveu:
William Eugene
Drummond, Francis Barry Byrne, Walter Burley Griffin, Albert Chase
McArthur, Marion Mahony, Isabel Roberts e George Willis eram os
desenhistas. Cinco homens, duas mulheres. Vestiam gravatas
esquisitas, e blusas apropriadas à tribo. Os homens penteavam seu
cabelo como papai, todos exceto Albert, ele não tinha cabelo
suficiente. Adoravam papai! E papai gostava deles! Eu sei que, na
época, cada um deles fazia contribuições valiosas para o
pioneirismo da arquitetura moderna americana pelos quais meu pai
colhia toda a glória, as dores de cabeça e o reconhecimento de
hoje!
Prairie
House
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| Darwin D. Martin House, Buffalo, Nova Iorque. |
Os
projetos residenciais realizados por Wright entre 1900 e 1917 são
conhecidos como Prairie Houses, em português casas-pradaria,
assim denominadas porque sua conformação é considerada
complementar à paisagem ao redor de Chicago. Estas casas eram
estruturas horizontalizadas, baixas, com telhados inclinados,
silhueta simples e limpa, com chaminés disfarçadas, saliências e
terraços, utilizando-se materiais rústicos. Aparentemente estas
casas são as primeiras a apresentarem o sistema de planta aberta,
ou seja a estrutura é livre das paredes, permitindo múltiplas
opções de divisões internas. A maneira como Wright organizava o
espaço interior nos edifícios residenciais e públicos é uma das
características únicas de seu estilo, visível e reconhecível na
escolha dos materiais estruturais e de acabamento, bem como na
disposição das aberturas. Um bom exemplo é o Unity Temple,
sede da congregação Universalista Unitária em Oak Park. Unitariano
durante toda sua vida, e membro do Unity Temple, Wright
ofereceu seus serviços à assembleia depois que sua igreja se
incendiara em 1904. A comunidade concordou em contratá-lo e ele
trabalhou no edifício entre 1905 e 1908. Wright acreditava que a
escala humana deveria ser considerada a parte
 |
Hillside Home School, 1902, Taliesin, Spring Green,
Wisconsin. (imagem: Jeff dean) |
mais importante na
concepção de todo projeto. Em consequência da amizade entre Wright
e Darwin D. Martin, um executivo da Larkin Soap Company,
muitos exemplos do trabalho de Wright nesta fase localizam-se em
Buffalo, no estado de Nova Iorque. Em 1902, a Larkin Company
decidiu construir um novo edifício administrativo. Wright foi a
Buffalo e desenhou não somente os primeiros esboços para o Larkin
Administration Building, terminado em 1904 e demolido em 1950,
mas também as casas de três dos executivos da companhia: George
Barton House, em 1903; Darwin D. Martin House, em 1904;
William Heath House, em 1905; e mais tarde, em 1926, a
propriedade Graycliff, em Derby, NY. A Westcott House,
construída em Springfield, Ohio, entre 1907 e 1908, personifica não
somente o projeto inovativo do Prairie Style de Wright, mas
igualmente reflete sua paixão pela cultura e arte japonesas nos
característicos traços de tradição oriental do projeto. É a
única Prairie house construída em Ohio e representa uma
evolução importante do conceito Prairie de Wright. A casa
possui uma longa pérgula, que mede mais de trinta metros,
 |
| Edward R. Hills House |
coberta
por intrincada treliça de madeira, ligando um depósito e a garagem
isolados ao corpo principal da casa, uma característica presente
somente em alguns dos projetos mais tardios do período Prairie
Style de Wright. Não se sabe exatamente quando Wright projetou a
Westcott House; pode ter sido diversos meses antes ou mais de um ano
após retornar de sua primeira visita ao Japão em 1905. Wright criou
dois projetos separados para a casa; ambos estão incluídos em
Studies and Executed Buildings of Frank Lloyd Wright,
publicados por Ernst Wasmuth na Alemanha, em 1910 e 1911. Este
trabalho de dois volumes contém mais de cem litografias de projetos
de Wright e é geralmente referido como Wasmuth Portfolio.
Outras casas de Wright consideradas obras-primas do período Prairie
tardio, de 1907 a 1909, são a Frederick Robie House em
Chicago e a Avery Coonley House em Riverside, Illinois. A
Robie House, com suas elevadas linhas de cantaria do telhado,
suportadas por uma longa canaleta de aço com quase 40 metros, é a
mais dramática. Suas salas de estar e de jantar formam um espaço
virtualmente ininterrupto. Este edifício exerceu profunda influência
nos jovens arquitetos europeus após a Primeira Guerra Mundial e é
chamado às vezes de pedra angular do modernismo. Entretanto,
o trabalho de Wright era desconhecido pelos arquitetos europeus até
a publicação do Wasmuth Portfolio. Seus principais trabalhos
foram a Casa da Cascata (também conhecida por Casa Kaufman e
considerada a residência moderna mais famosa do mundo) e a sede do
Museu Solomon R. Guggenheim em Nova Iorque, um estrutura sem
precedentes, que criou um novo paradigma na arquitetura de museus.
Wright
escreveu vinte livros, muitos artigos, era um palestrante popular nos
Estados Unidos e Europa e grandemente reconhecido ainda em vida.
Cheia de acontecimentos dramáticos, frequentemente fatos de sua vida
pessoal apareciam nas manchetes dos jornais, dentre os quais os mais
notáveis foram o incêndio e assassinatos de 1914 em sua residência
de verão, Taliesin East. O Instituto Americano de Arquitetos
postumamente conferiu a Wright em 1991 o título de "maior
arquiteto americano de todos os tempos".
A
Casa da Cascata
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| Casa da Cascata |
Considerada
uma das mais famosas casas do mundo, a Casa da Cascata (em
inglês: Fallingwater house) ou Casa
Kaufmann (nome da família de seu primeiro proprietário) é uma
residência localizada 50 milhas a sudeste de Pittsburgh, em Bear
Run, na Estrada Rural 1, secção Mill Run de Stewart Township,
Condado de Fayette, nas Laurel Highlands dos Montes Allegheny, Estado
da Pensilvânia, Estados Unidos. O edifício foi projetado em 1934
pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, considerado o introdutor da
arquitectura moderna no seu país, e construída em 1936 no sudoeste
rural da Pensilvânia. No entanto, a sua principal característica é
o facto de ter sido erguida parcialmente sobre uma pequena queda de
água, servindo-se dos elementos naturais ali presentes (como pedras,
vegetação e a própria água) como constituintes da composição
arquitectónica. Assim como várias outras obras de Wright, foi
construída com materiais experimentais para a época. O proprietário
era o homem de negócios Edgar Kaufmann Sr., cujo filho Edgar
Jr. fora aluno de arquitetura de Wright. Foi construída no meio
dum bosque, no interior duma propriedade da família. Originalmente
utilizada como residência de veraneio da família, a casa hoje é um
museu.
História
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| Vista exterior |
Edgar
Kaufmann Sénior foi um bem sucedido homem de negócios de Pittsburgh
e fundador da loja de departamentos Kaufmann's. O seu filho,
Edgar Kaufmann, Jr., estudou arquitectura com Wright brevemente.
Edgar Sr. tinha sido levado pelo seu filho e por Wright a
pormenorizar os custos da sua utópica cidade modelo. Quando o estudo
ficou completo, foi exposto na loja de departamentos Kaufmann’s e
Wright foi um convidado na casa de Kaufmann, “La Tourelle”, uma
obra-prima franco-normanda que o célebre arquitecto local Benno
Janssen (1874-1964) tinha criado para Edgar J. Kaufmann, no elegante
subúrbio de Fox Chapel, em 1923. Os Kaufmanns e Wright apreciavam
bebidas refrescantes em La Tourelle quando Wright, que nunca perdia
uma oportunidade para encantar um potencial cliente, disse a Edgar
Jr,. num tom de voz que o seu pai pudesse ouvir, "Edgar, esta
casa não é digna dos seus pais…" A observação
despertou o interesse de Kaufmanns para algo mais digno. A Casa da
Cascata seria o resultado final. Os Kaufmanns possuíam algumas
propriedades fora de Pittsburgh com uma queda de água e algumas
cabanas. Quando as cabanas nos seus campos se tinham deteriorado ao
ponto de algo precisar de ser reconstruído, o Sr. Kaufmann contactou
Wright. Em Novembro de 1934, Wright visitou Bear Run. Pediu um mapa
mapa topográfico da área em volta da queda de água, o qual recebeu
em Março de 1935. Este mapa foi preparado pela Fayette
Engineering Company de Uniontown e incluiu todos os rochedos,
árvores e topografia. Demorou nove meses para que as suas ideias
para o sítio se cristalizassem num projeto que rapidamente foi
esboçado por Wright a tempo para uma visita de Kaufmann a Taliesin
East em Setembro de 1935. Foi então que Kaufmann tomou consciência
que o projeto de Wright previa que a casa fosse construída por cima
da cascata, em vez de abaixo da mesma como tinha esperado.
 |
| Vista da casa sobre a cascata. |
O
projeto estrutural da Casa da Cascata foi empreendido por Wright em
associação com Mendel Glickman e William Wesley Peters, que tinha
sido responsável pelo projeto das revolucionárias colunas que foram
um elemento do projeto de Wright para o Johnson
Wax Building.
Planos preliminares foram emitidos a Kaufmann para aprovação no dia
15 de Outubro de 1935, após o que Wright fez mais uma visita ao
local e previu um custo estimado para o seu cliente. Em Dezembro de
1935 foi aberta uma velha pedreira a oeste da água para fornecer as
pedras necessárias para as paredes da casa. Wright apenas fez
visitas periódicas ao sítio durante a construção, designando
Robert
Mosher,
que era um dos seus aprendizes, como seu representante permanente no
local. Os projetos finais do trabalho foram emitidos por Wright em
Março de 1936, com as obras a começar na ponte e na casa principal
em Abril desse ano. A construção foi atormentada por conflitos
entre Wright, Kaufmann e o empreiteiro da construção. O edifício
está feito de tal forma que as quedas de água podem ser ouvidas do
seu interior, mas as quedas só podem ser vistas quando se está de
pé na varanda do piso mais alto. Este tipo de mistério de
arquitetura geométrica intrigou mesmo o próprio arquitecto Wright.
Kaufmann mandou rever o projeto de Wright a uma firma de engenheiros
consultores pondo em dúvida se Wright tinha experiência suficiente
no uso de betão armado. Depois de receber o relatório, Wright ficou
ofendido e pediu imediatamente a
Kaufmann a devolução dos seus
desenhos e indicou que se retirava do projeto. Kaufmann pediu
desculpas e o relatório de engenharia foi posteriormente enterrado
dentro duma parede de pedra da casa. Depois duma visita ao local,
Wright rejeitou, em Junho de 1936, o trabalho de betão para a ponte,
a qual teve que ser reconstruída. Para os pavimentos em consola,
Wright e a sua equipa usou vigas integrais invertidas com a placa
plana na face inferior formando o tecto do espaço abaixo. O
empreiteiro, Walter Hall, que também era engenheiro, produziu
cálculos independentes e defendeu que se devia aumentar o reforço
da placa do primeiro andar. Wright rejeitou o empreiteiro. Enquanto
algumas fontes afirmam que foi o empreiteiro que, silenciosamente,
dobrou a quantidade de reforço, de acordo com outras, foi a pedido de Kaufmann que os seus
engenheiros consultores redesenharam o reforço de Wright e dobraram
a quantidade de aço especificado por Wright. Este aço adicional não
só acrescentou peso à placa como foi instalado tão próximo que o
concreto muitas vezes não conseguia preencher adequadamente o espaço
entre o aço, o que enfraqueceu a placa. Além disso, o empreiteiro
não construiu uma ligeira inclinação ascendente na cofragem para a
consola compensar a adaptação e a sua deflecção depois do betão
ter secado e da cofragem ter sido removida. Como resultado, a consola
desenvolveu um abatimento perceptível. Ao tomar conhecimento disto,
Wright substituiu temporariamente Mosher por Edgar
Tafel.
Os engenheiros consultores, com a aprovação de Kaufmann, fizeram
que o empreiteiro instalasse uma parede de apoio sobre a principal
viga de suporte para o terraço oeste. Quando Wright discobriu isso
durante uma visita ao local, fez com que Mosher, discretamente,
removesse a linha superior de pedras. Quando Kaufmann, mais tarde,
confessou o que tinha sido feito, Wright mostrou-lhe o que Mosher
tinha feito e salientou que a consola se tinha mantido em teste, sob
carga, durante o mês anterior sem o apoio da parede. Em Outubro de
1937 a casa principal estava concluída.
Na
época da sua construção, a Casa da Cascata custou um total de
155.000 dólares, repartidos da seguinte forma: 75.000 para a casa, 22.000 para os acabamentos e mobiliário,
50.000 para casa de hóspedes, garagem e alojamentos dos criados e
8.000 para os honorários do arquitecto. Contando com a inflação,
estes custos traduzem-se em cerca de 2,4 milhões de dólares em
2010.
A
Casa da Cascata foi a casa de fim-de-semana da família entre 1937 e
1963. Nesse ano, Kaufmann, Jr. doou a propriedade ao Western
Pennsylvania Conservancy.
Em 1964, o edifício foi aberto ao público como museu e, desde
então, mais de seis milhões de pessoas já visitaram a casa.
Actualmente, recebe mais de cento e vinte mil visitantes por ano.
Estilo
 |
| Interior |
A
Casa da Cascata ergue-se como uma das maiores obras-primas de Wright
tanto pelo seu dinamismo como pela sua integração com a
impressionante envolvência natural. A paixão de Wright pela
arquitetura japonesa foi fortemente reflectida no projeto da Casa da
Cascata, particularmente na importância da interpenetração dos
espaços interiores e exteriores e na forte ênfase colocada na
harmonia entre o homem e a natureza. Tadao
Ando disse uma
vez: "Eu
penso que Wright aprendeu o mais importante aspecto da arquitetura, o
tratamento de espaço, da arquitetura japonesa. Quando visitei a Casa
da Cascata na Pensilvânia, encontrei essa mesma sensibilidade de
espaço. Mas havia ali os sons adicionais da natureza que me
atraíram".
A extensão
do gênio de Wright em integrar cada detalhe deste projeto apenas
pode ser sugerido nas fotografias. Esta residência privada
organicamente projetada foi pensada para ser um refúgio natural para
os seus proprietários. A casa é bem conhecida pela sua ligação
com o lugar: está construída no topo duma queda de água ativa que
corre por baixo da casa. A lareira com fogão a lenha na sala de
estar é composta por rochedos encontrados no sítio e sobre os quais
a casa foi construída — um conjunto de pedras que foi deixado no
local sobressai ligeiramente através do pavimento da sala de estar.
Wright tinha pensado inicialmente que estas rochas seriam cortadas
rente ao chão, mas este tinha sido um dos pontos favoritos da
família para apanhar sol, pelo que o Sr. Kaufmann insistiu que
fossem deixadas como estavam. Os pavimentos de pedra foram encerados,
enquanto o fogão de lenha foi deixado ao natural, dando a
 |
| Interior |
impressão
de rochas secas sobressaindo dum riacho A
integração com o cenário estende-se até aos pequenos detalhes.
Por exemplo, onde o vidro encontra as paredes de pedra não existe
friso de metal; em vez disso, o vidro é calafetado diretamente na
pedra. Existem escadas que descem diretamente para a água. Na
"ponte" que liga a casa principal ao edifício dos hóspedes
e dos criados, uma rocha natural pinga água para dentro, a qual é
então diretamente devolvida. Os quartos são pequenos, alguns mesmo
com tectos baixos, talvez para encorajar as pessoas a saírem para as
áreas sociais abertas, molhes e espaços exteriores. O
riacho ativo (que pode ser ouvido constantemente por toda a casa),
redondezas imediatas e paredes e terraços em consola de pedra
extraída localmente (lembrando as formações rochosas vizinhas)
destinam-se a estar em harmonia, em linha com o interesse de Wright
em fazer edifícios que eram mais orgânicos e os quais, desse modo,
pareciam estar mais envolvidos com as redondezas. Apesar da queda de
água poder ser ouvida por toda a casa, não pode ser vista sem se
sair ao exterior. O projeto incorpora amplas extensões de janelas e
as varandas estão
 |
| As consolas na Casa da Cascata. |
fora da salas principais dando uma sensação de
proximidade das redondezas. O clímax experiencial ao visitar a casa
é uma escadaria interior que desce da sala de estar permitindo um
acesso direto à correnteza abaixo da casa.
As opiniões de Wright sobre o que devia ser a entrada têm sido
questionadas; ainda, a porta que Wright considerava ser a porta
principal está escondida num canto e é bastante pequena. A ideia de
Wright para a grande fachada desta casa é a da perspectiva de todas
as famosas fotografias do edifício, olhando para cima a partir do
riacho, vendo o canto oposto à entrada principal. Na
encosta acima da casa principal existe uma coberta para quatro carros
(apesar dos Kaufmanns terem pedido uma garagem), alojamentos para os
criados e um quarto de hóspedes. Este edifício exterior anexo foi
construído um ano depois usando a mesma qualidade de materiais e a
mesma atenção aos detalhes da casa principal. Logo acima fica uma
pequena piscina de seis pés de profundidade, continuamente
alimentada por água natural, a qual depois flui para o riacho
abaixo. Através dum truque visual comparando as paredes da piscina
com a paisagem mais além, a piscina parece não ter nível, embora,
de facto, o tenha. A coberta foi, sob direção de Kaufmann, Jr.,
fechada posteriormente para ser usada pelos visitantes da Casa da
Cascata, que geralmente se reúnem ali no final das visitas guiadas.
Kaufmann, Jr. projetou ele próprio os interiores, mas com as
especificações encontradas noutros interiores da casa projetados
por Wright.
Problemas
estruturais
 |
| Exterior |
 |
| Exterior |
O
sistema estrutural da Casa da Cascata inclui uma série de varandas
muito arrojadas em contilever
em concreto (betão) armado; no entanto, a casa teve problemas desde
o início. Inclinações pronunciadas das consolas de betão foram
noticiadas logo que a cofragem (formas) foi removida na fase de
construção. O
Western Pennsylvania
Conservancy conduziu
um intenso programa para preservar e restaurar a Casa da Cascata.
Entre 1988 e 2004 a firma de arquitetura e engenharia sediada em Nova
York WASA/Studio A
foi responsável pela conservação dos materiais do edifício.
Durante este período, a firma reviu os documentos originais de
construção e posteriores documentos e relatórios de reparação;
avaliou condições e sondagens; analisou materiais selecionados;
projetou uma nova cobertura e prova de água de telhados e terraços;
especificou o restauro para a armação em aço de portas e janelas;
reconstruiu construções com falhas em concreto; restaurou a
alvenaria; analisou acabamentos de pintura interior; especificou a
metodologia de remoção de tintas interiores e voltou a pintar;
projetou métodos de reparação para concreto e estuque e
desenvolveu um novo sistema de revestimento para o mesmo. A
WASA/Studio A
produziu uma condição de acesso gráfico constituído por 178
desenhos CAD medidos e um plano mestre para restauro. Quando a equipe
tinha preparado os documentos da primeira de quatro fases de
construção, estes foram distribuídos e comentados por um grupo de
sete pares revisores, culminando numa apresentação pública de
cinco horas no Carnegie
Museum, em
Pittsburgh. Com o objetivo de desenvolver o novo sistema de
revestimento de concreto, a WASA/Studio
A avaliou três
diferentes métodos de extração de
 |
| Interior |
pinturas ambientalmente contidas
e aproximadamente 120 amostras aplicadas por diferentes fabricantes
de tintas num período de testes que durou mais de um ano. A nova
cobertura de telhados e o novo sistema à prova de água obrigou a
trabalhar de perto com três fabricantes de membranas de coberturas
diferentes, tendo todos eles concordado em fornecer garantias. Na
verdade, com a conclusão da cobertura e a impermeabilização, o
edifício está praticamente livre de infiltrações pela primeira
vez em sua história. Questões de condensação sob as membranas de
cobertura resultaram da falta duma adequação térmica.
O trabalho estrutural, feito sob a supervisão de Louis
D. Astorino,
de Pittsburgh, foi concluído em 2002. Isto envolveu um estudo
detalhado dos desenhos originais, observando e modelando o
comportamento da estrutura e só depois desenvolvendo e implementando
um plano de reparação. O
estudo indicou que o projeto estrutural original e elaboração do
plano tinha sido apressado e as consolas tinham sido reforçadas duma
forma significativamente inadequada. De acordo com o originalmente
projetado por Wright, as consolas não teriam suportado o seu próprio
peso. O esquema de reparação de 2002 obrigou a suportar
temporariamente a estrutura; uma cuidadosa e seletiva remoção do
pavimento; pré-esforçar as consolas por baixo do pavimento e depois
restaurar o chão acabado. Devido ao ambiente úmido diretamente
sobre águas correntes, a casa também tinha problemas de mofo. O
Kaufmann mais velho chamou à Casa da Cascata "um edifício dos
sete baldes" pelas suas fugas e alcunhou-a de "Rising
Mildew (algo como
"Nascente de Mildiu").
Referências
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