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| Camilo Castelo Branco, gravura de Francisco Pastor. |
Camilo
Castelo Branco. (Camilo
Ferreira Botelho Castelo Branco).
Nasceu em Lisboa, Encarnação, a 16 de Março de 1825, e, faleceu em
Vila Nova de Famalicão, São Miguel de Seide, a 1 de Junho de 1890.
Camilo Castelo Branco foi um escritor português, romancista,
cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi
ainda o 1.º visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei
D.
Luís.
“Numa
viagem de São Miguel de Seide para o Porto sofreu um descarrilamento
de trem, de que resultou um traumatismo que terminou pela cegueira: a
morte de uma neta sua de três anos de idade feriu-o de um desalento
invencível; a loucura irremediável de seu filho Jorge, e os
desvarios perdulários de Nuno, seu primogênito, acabaram por
precipitá-lo num desespero que lhe sugeriu a libertação pelo
suicídio”. Órfão de mãe nos nos primeiros meses de vida, foi
amamentado por uma pobre mulher mercenária de Coimbra; e não tinha
ainda nove anos de idade quando perdeu o pai (1834). Nas Memórias
do Cárcere
o escritor alude à sua infância tormentosa, quando foi mandado para
Vila Real, “a
minha primeira paragem depois que a orfandade aos nove anos, com a
sua escolta de infortúnios começou a andar comigo de inferno em
inferno”.
Casou-se aos dezesseis anos de idade (1841). Acuado por dificuldades
financeiras (por esse tempo escrevia versos satíricos e burlescos,
com que ganhava algum dinheiro), em 1843 matriculou-se na Escola
Médica Portuense. Em 1850, escreveu seu primeiro romance, O
Anátema.
Diz um de seus biógrafos: “Profundos desfalecimentos
repentinamente o assaltavam, e em uma dessas crises freqüenta os
estudos teológicos no seminário episcopal, de 1850 a 1852,
requerendo em 17 de Março desse a no para tomar ordens menores. Uma
nova sobreexcitação atrai-o outra vez para o mundo; congraça-se
com a forma do drama escrevendo os Espinhos
e Flores,
e colaborando com artigos religiosos no jornal A
Cruz,
absorve-se na elaboração do romance. Esta feição literária
ultra-romântica acentua-se nos Mistérios
de Lisboa,
de 1853, no Livro
Negro do Padre Diniz,
e na Filha
do Arcediago,
de 1855. Passara-lhe pela mente uma aventura: ir para o Brasil;
porém, a aspiração literária dá-lhe já um apoio na vida, em que
se equilibra, entregando-se de alma e coração à concepção dos
seus romances de costumes portugueses; de 1856 a 1857 ausenta-se do
Porto, confina-se em Viana do Castelo, onde escreve os romances
Carlota
Ângela,
as Cenas
Contemporâneas,
e a obra-prima da sua fase, Onde
Está a Felicidade.
Em 1862, publicou as Memórias
do Cárcere;
o Coração,
Cabeça e Estômago,
as Coisas
Espantosas,
Estrelas
Funestas,
As
Três Irmãs,
brilhando acima de todas o Amor
de Perdição.
É o período mais intenso da sua atividade; somente em 1863 publicou
as Aventuras
de Basílio Fernandes Enxertado,
O
Bem e o Mal,
Estrelas
Propícias,
A
Bruxa do Monte Córdova,
Memórias
de Guilherme do Amaral,
Noites
de Lamego,
Cenas
Inocentes da Comédia Humana
e a Vingança.
Em 1864, publica o Amor
de Salvação,
Agulha
em Palheiro,
Coisas
Leves e Pesadas.
Em 1865, produz O
Esqueleto,
a Luta
de Gigantes
e A
Sereia.
Em 1866, A
Enjeitada,
O
Judeu,
A
Queda dum Anjo,
O
Santo da Montanha
e A
Doida do Candal,
não enumerando os livros arranjados dos seus artigos esparsos. À
medida qua a idade avançava, Camilo propendia para a erudição
histórica e genealógica, como o indicam os seus livros Cavar
em Ruínas,
Mosaico,
Sentimentalismo
e História,
Narcóticos
e Curso
de Literatura.
Retirando-se para a Quinta de São Miguel de Seide, ali permaneceu
até a morte”.
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| Busto de Camilo em Seide, Famalicão, Portugal. |
Camilo
Castelo Branco foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da
literatura portuguesa. Há quem diga que, em 1846, foi iniciado na
Maçonaria do Norte, o que é muito estranho ou algo contraditório,
pois há indicações de que, pela mesma altura, na Revolta da Maria
da Fonte, lutava a favor dos Miguelistas, que criaram a Ordem de São
Miguel da Ala precisamente para combater a Maçonaria. Do mesmo modo,
muita da sua literatura demonstra defender os ideais legitimistas e
conservadores ou tradicionais, desaprovando os que lhe são
contrários. Teve uma vida atribulada, que lhe serviu muitas vezes de
inspiração para as suas novelas. Foi o primeiro escritor de língua
portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários.
Apesar de ter de escrever para o público, sujeitando-se assim aos
ditames da moda, conseguiu manter uma escrita muito original.
Camilo
Castelo Branco
nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, a 16 de Março de 1825. Oriundo
de uma família da aristocracia de província com distante
ascendência cristã-nova, era filho de Manuel Joaquim Botelho
Castelo Branco,
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| Camilo C. Branco |
nascido na casa dos Correia
Botelho
em São Dinis, Vila Real, a 17 de Agosto de 1778 e que teve uma vida
errante entre Vila Real, Viseu e Lisboa, onde faleceu a 22 de
Dezembro de 1890, tomado de amores por Jacinta
Rosa do Espírito Santo Ferreira
(Sesimbra, Santiago, 27 de Janeiro de 1799 - 6 de Fevereiro de 1827),
com quem não se casou mas de quem teve os seus dois filhos. Camilo
foi assim perfilhado por seu pai em 1829, como “filho
de mãe incógnita”.
Ficou órfão de mãe quando tinha um ano de idade e de pai aos dez
anos, o que lhe criou um caráter de eterna insatisfação com a
vida. Foi recolhido por uma tia de Vila Real e, depois, por uma irmã
mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, nascida em Lisboa,
Socorro, a 24 de Março de 1821, em Vilarinho de Samardã, em 1839,
recebendo uma educação irregular através de dois Padres de
província. Na adolescência, formou-se lendo os clássicos
portugueses e latinos e literatura eclesiástica e contactando a vida
ao ar livre transmontana. Com apenas 16 anos (18 de Agosto de 1841),
casa-se em Ribeira de Pena, Salvador, com Joaquina
Pereira de França
(Gondomar, São Cosme, 23 de Novembro de 1826 - Ribeira de Pena,
Friúme, 25 de Setembro de 1847), filha de lavradores, Sebastião
Martins dos Santos,
de Gondomar, São Cosme, e Maria
Pereira de França,
e instala-se em Friúme. O casamento precoce parece ter resultado de
uma mera paixão juvenil e não resistiu muito tempo. No ano
seguinte, prepara-se para ingressar na Universidade, indo estudar com
o Padre
Manuel da Lixa,
em Granja Velha. O seu caráter instável, irrequieto e irreverente
leva-o a amores tumultuosos (Patrícia
Emília do Carmo de Barros
(Vila Real, 1826 - 15 de Fevereiro de 1885), filha de Luís
Moreira da Fonseca
e de sua mulher Maria
José Rodrigues,
e a Freira Isabel
Cândida).
Ainda
a viver com Patrícia Emília do Carmo de Barros, Camilo publicou n'O
Nacional
correspondências contra José
Cabral Teixeira de Morais,
Governador Civil de Vila Real, com quem colaborava como amanuense.
Esse
posto, segundo alguns biógrafos, surge a convite após a sua
participação na Revolta da Maria da Fonte, em 1846, em que terá
combatido ao lado da guerrilha
Miguelista.
Devido a esta desavença, é espancado pelo “Olhos-de-Boi”,
capanga do Governador Civil. As suas irreverentes correspondências
jornalísticas valeram-lhe, em 1848, nova agressão a cargo de
Caçadores. Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para
casa da irmã, residente agora em Covas do Douro. Tenta então, no
Porto, o curso de Medicina, que não conclui, optando
 |
| Ana Plácido |
depois por
Direito. A partir de 1848, faz uma vida de boêmia repleta de
paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés
e os salões
burgueses
e dedicando-se entretanto ao jornalismo. Em 1850, toma parte na
polêmica entre Alexandre
Herculano
e o clero, publicando o opúsculo O
Clero e o Sr. Alexandre Herculano,
defesa que desagradou a Herculano. Apaixona-se por Ana
Augusta Vieira Plácido
e, quando esta se casa, em 1850, tem uma crise de misticismo,
chegando a frequentar o seminário, que abandona em 1852. Ana Plácido
tornara-se mulher do negociante Manuel
Pinheiro Alves,
um brasileiro
que o inspira como personagem em algumas das suas novelas, muitas
vezes com caráter depreciativo. Camilo seduz e rapta Ana Plácido.
Depois de algum tempo a monte, são capturados e julgados pelas
autoridades. Naquela época, o caso emocionou a opinião pública,
pelo seu conteúdo tipicamente romântico de amor contrariado, à
revelia das convenções e imposições sociais. Foram ambos enviados
para a Cadeia da Relação, no Porto,
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| Manuel Plácido Alves |
onde Camilo conheceu e fez
amizade com o famoso salteador Zé
do Telhado.
Com base nesta experiência, escreveu Memórias
do Cárcere.
Depois de absolvidos do crime de adultério pelo Juiz José
Maria de Almeida Teixeira de Queirós
(pai de José
Maria de Eça de Queirós),
Camilo e Ana Plácido passaram a viver juntos, contando ele 38 anos
de idade. Entretanto, Ana Plácido tem um filho, supostamente gerado
pelo seu antigo marido, que foi seguido por mais dois de Camilo. Com
uma família tão numerosa para sustentar, Camilo começa a escrever
a um ritmo alucinante. Quando o ex-marido de Ana Plácido falece, a
15 de Julho de 1863, o casal vai viver para uma casa, em São Miguel
de Seide, que o filho do comerciante recebera por herança do pai. Em
Fevereiro de 1869, recebeu do governo da Espanha a comenda
de Carlos III.
Em 1870, devido a problemas de saúde, Camilo vai viver para Vila do
Conde, onde se mantém até 1871. Foi aí que escreveu a peça de
teatro O
Condenado
(representada no Porto em 1871), bem como inúmeros poemas, crônicas,
artigos de opinião e traduções. Outras obras de Camilo estão
associadas a Vila do Conde. Na obra A
Filha do Arcediago,
relata a passagem de uma noite do arcediago, com um exército, numa
estalagem conhecida por Estalagem das Pulgas, outrora pertencente ao
Mosteiro de São Simão da Junqueira e situada no lugar de Casal de
Pedro, freguesia da Junqueira. Camilo dedicou ainda o romance A
Enjeitada
a um ilustre vilacondense seu conhecido,
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| Nuno Plácido |
o Dr.
Manuel Costa.
Entre 1873 e 1890, Camilo deslocou-se regularmente à vizinha Póvoa
de Varzim, perdendo-se no jogo e escrevendo parte da sua obra no
antigo Hotel
Luso-Brazileiro,
junto do Largo do Café Chinês. Reunia-se com personalidades de
notoriedade intelectual e social, como o pai de Eça de Queirós,
José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, magistrado e Par do
Reino, o poeta e dramaturgo poveiro Francisco
Gomes de Amorim,
Almeida
Garrett,
Alexandre
Herculano,
António
Feliciano de Castilho,
entre outros. Sempre que vinha à Póvoa, convivia regularmente com o
Visconde
de Azevedo
(Francisco
Lopes de Azevedo Velho da Fonseca)
no Solar dos Carneiros. Francisco
Peixoto de Bourbon
conta que Camilo, na Póvoa, “tendo andado metido com uma bailarina
espanhola, cheia de salero,
e tendo gasto, com a manutenção da diva, mais do que permitiam as
suas posses, acabou por recorrer ao jogo na esperança de multiplicar
o anêmico pecúlio e acabou, como é de regra, por tudo perder e
haver contraído uma dívida de jogo, que então se chamava uma
dívida de honra”. A 17 de Setembro de 1877, Camilo viu morrer na
Póvoa de Varzim, aos 19 anos, o seu filho predileto, Manuel
Plácido Pinheiro Alves,
do segundo
 |
| Jorge Camilo |
casamento com Ana Plácido, que foi sepultado no cemitério
do Largo das Dores. Camilo era conhecido pelo mau feitio. Na Póvoa
mostrou outro lado. Conta António
Cabral,
nas páginas d' “O Primeiro de Janeiro” de 3 de Junho de 1890:
“No mesmo hotel em que estava Camilo, achava-se um medíocre pintor
espanhol, que perdera no jogo da roleta o dinheiro que levava. Havia
três semanas que o pintor não pagava a conta do hotel, e a dona,
uma tal Ernestina,
ex-atriz, pouco satisfeita com o procedimento do hóspede, escolheu
um dia a hora do jantar para o despedir, explicando ali, sem nenhum
gênero de reservas, o motivo que a obrigava a proceder assim. Camilo
ouviu o mandado de despejo, brutalmente dirigido ao pintor. Quando a
inflexível hospedeira acabou de falar, levantou-se, no meio dos
outros hóspedes, e disse: -
A D. Ernestina é injusta. Eu trouxe do Porto cem mil reis que me
mandaram entregar a esse senhor e ainda não o tinha feito por
esquecimento. Desempenho-me agora da minha missão.
E, puxando por cem mil reis em notas entregou-as ao pintor. O
Espanhol, surpreendido com aquela intervenção que estava longe de
esperar, não achou uma palavra para responder. Duas lágrimas,
porém, lhe deslizaram silenciosas pelas faces, como única
demonstração de reconhecimento”. Em 1885 é-lhe concedido o
título de 1.º Visconde de Correia Botelho. A 9 de Março de 1888,
casa-se finalmente com Ana Plácido. Camilo passa os últimos anos da
vida ao lado dela, não encontrando a estabilidade emocional por que
ansiava. As dificuldades financeiras, a doença e os filhos incapazes
(considera Nuno
um desatinado e Jorge
um louco) dão-lhe enormes preocupações.
Sífilis,
cegueira e suicídio
Desde
1865 que Camilo começara a sofrer de graves problemas visuais
(diplopia e cegueira noturna). Era um dos sintomas da temida
neurosífilis, o estado terciário da sífilis ("venéreo
inveterado", como escreveu em 1866 a José
Barbosa e Silva),
que além de outros problemas neurológicos lhe provocava uma
cegueira, aflitivamente progressiva e crescente, que lhe ia
atrofiando o nervo óptico, impedindo-o de ler e de trabalhar
capazmente, mergulhando-o cada vez mais nas trevas e num desespero
suicidário. Ao longo dos anos, Camilo consultou os melhores
especialistas em busca de uma cura, mas em vão. A 21 de Maio de
1890, dita esta carta ao então famoso oftalmologista aveirense, Dr.
Edmundo de Magalhães Machado:
Illmo.
e Exmo. Sr.,
Sou
o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação
gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me
Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias
podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula
escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as
córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no
Comércio do Porto o nome de V. Exa. Senti na alma uma
extraordinária vibração de esperança. Poderá V. Exa.
salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não
tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procurá-lo. Não posso.
Mas poderá V. Exa. dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção
sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota
de sangue? Digne-se V. Exa. perdoar à infelicidade estas
perguntas feitas tão sem cerimônia por um homem que não
conhece.
Camilo
Castelo Branco
|
A
1 de Junho desse ano, o Dr.
Magalhães Machado
visita o escritor em Seide. Depois de lhe examinar os olhos
condenados, o médico com alguma diplomacia, recomenda-lhe o descanso
numas termas e depois, mais tarde, talvez se poderia falar num
eventual tratamento. Quando Ana Plácido acompanhava o médico até à
porta, eram três horas e um quarto da tarde, sentado na sua cadeira
de balanço, desenganado e completamente desalentado, Camilo Castelo
Branco disparou um tiro de revólver na têmpora direita. Mesmo
assim, sobreviveu em coma agonizante até às cinco da tarde. A 3 de
Junho, às seis da tarde, o seu cadáver chegava de comboio ao Porto
e no dia seguinte, conforme o seu pedido, foi sepultado perpetuamente
no jazigo de um amigo, João
António de Freitas Fortuna,
no cemitério da Venerável
Irmandade de Nossa Senhora da Lapa.
Casa de Camilo Castelo Branco
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| Casa de Camilo |
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| Cama de Camilo |
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| Relógio |
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| Canapé |
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| Sala |
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| Cântaro |
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| Sala de jantar |
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| Escritório |
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| Armadilha para moscas |
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| Escritório |
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| Cozinha |
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| Retrato de Maria Isabel da Costa Macedo |
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Filhos
do primeiro casamento:
Filhos
do segundo casamento:
Manuel
Plácido Pinheiro Alves
(Porto, 11 de Agosto de 1858 - Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim,
17 de Setembro de 1877).
Jorge
Camilo Plácido Castelo Branco
(Lisboa, 26 de Junho de 1863 - 10 de Setembro de 1900).
Nuno
Plácido Castelo Branco
(Vila Nova de Famalicão, São Miguel de Seide, 15 de Setembro de
1864), 1.º Visconde de São Miguel de Seide.
Filha
natural de Camilo Castelo Branco e de Patrícia Emília do Carmo de
Barros:
Bernardina
Amélia Castelo Branco
(Vila Real, São Pedro, 25 de Junho de 1848), casada em Valbom a 28
de Dezembro de 1865 com António
Francisco de Carvalho,
do Porto, filho de António
Francisco de Carvalho Guimarães
e de sua mulher Ana
de Sousa Loureiro e Oliveira,
de quem houve descendência.
Pseudônimos
Durante
quase 40 anos, entre 1851 e 1890, escreveu mais de duzentas e
sessenta obras, com a média superior a 6 por ano. Prolífico e
fecundo escritor, deixou obras de referência na literatura
portuguesa. Apesar de toda essa fecundidade, Camilo Castelo Branco
não permitiu que a intensa produção prejudicasse a sua beleza
idiomática ou mesmo a dimensão do seu vernáculo, transformando-o
numa das maiores expressões artísticas e a sua figura num mestre da
língua portuguesa. Além dos vários romances, deixou um legado
enorme de textos inéditos, comédias, folhetins, poesias, ensaios,
prefácios, traduções e cartas – tudo com assinatura própria ou
os menos conhecidos pseudônimos, tais como:
Manoel
Coco
Saragoçano
A.E.I.O.U.Y
Árqui-Zero
Anastácio
das Lombrigas
Camilo: Realismo ou
Romantismo?
Terá
sido Camilo
Castelo Branco
predominantemente romântica.
Parece incontestável. No entanto, não o é totalmente. Camilo
gostaria de se situar acima das escolas literárias. Mas os modelos
clássicos vão ter sempre peso na sua produção literária, embora
também se deixe impressionar pela literatura misteriosa e macabra de
Ann
Radcliffe.
Foi imensamente influenciado por Almeida
Garrett.
Contudo, a fidelidade à linguagem e aos costumes populares, ao
cheiro do torrão (como aponta Jacinto
do Prado Coelho),
vai permanecer como uma das suas maiores qualidades. A crítica tem
apontado que, se por um lado Camilo, nos enredos das suas novelas,
com as suas peripécias mais ou menos rocambolescas, está claramente
numa filiação romântica, por outro lado, nas explicações
psicológicas, na maneira como analisa os sentimentos e ações das
personagens, pelas justificações e explicações dos
acontecimentos, pela crítica a determinado tipo de educação, não
pode ser considerado simplesmente como romântico. Jacinto
do Prado Coelho
considera-o “ideologicamente
flutuante […] Camilo mantém-se um narrador de histórias
românticas ou romanescas com lances empolgantes e situações
humanas comoventes”
e também diz que “o
romantismo de Camilo é um romantismo em boa parte dominado, contido,
classicizado”
e que há ao “lado do seu alto idealismo romântico a viril
contenção da prosa, um bom-senso ligado às tradições e a certo
cânones clássicos, um realismo sui
generis,
de vocação pessoal que parece na razão direta da autenticidade do
seu romantismo”. Eça
de Queiroz
publica a primeira versão de O
Crime do Padre Amaro,
já depois da sua exposição nas Conferências do Casino acerca do
realismo como nova expressão da arte. Isso faz com que Camilo, de
certa maneira sentindo-se a perder terreno para o único prosador que
podia ser seu rival, enverede em duas novelas, Eusébio
Macário
e A
Brasileira de Prazins,
para tentar ser mais realista. E o que é mais extremado do que o
realismo? O naturalismo. O resultado é de um certo efeito cômico,
porque Camilo, com a sua particular maneira de escrever, não se
contém e acaba por fazer uma paródia do naturalismo. No prefácio
de Eusébio
Macário,
Camilo afirma que não tentou ridicularizar a escola realista e
alega: “[…] tenho sido realista sem o saber. Nada me impede de
continuar”. E ainda: “Eu não conhecia Zola;
foi uma pessoa da minha família que me fez compreender a escola com
duas palavras: "É a tua velha escola com uma adjetivação de
casta estrangeira, e uma profusão de ciência (…) Além disso tens
de pôr a fisiologia onde os românticos punham a sentimentalidade:
derivar a moral das bossas, e subordinar à fatalidade o que, pelos
velhos processos, se imputava à educação e à responsabilidade"
compreendi e achei eu, há vinte e cinco anos, já assim pensava,
quando Balzac
tinha em mim o mais inábil dos discípulos”. Portanto: Camilo
tenta apanhar o comboio da nova escola realista e fá-lo de uma
maneira que não é isenta de chacota.
Temas
recorrentes em Camilo
Principais
obras
Maria
Moisés
Anátema
(1851)
Mistérios
de Lisboa
(1854)
A
Filha do Arcediago
(1854)
Livro
negro do Padre Dinis
(1855)
A
Neta do Arcediago
(1856)
Onde
Está a Felicidade?
(1856)
Um
Homem de Brios (1856)
O
Sarcófago de Inês (1856)
Lágrimas
Abençoadas
(1857)
Cenas
da Foz
(1857)
Carlota
Ângela
(1858)
Vingança
(1858)
O
Que Fazem Mulheres
(1858)
O
Morgado de Fafe em Lisboa
(Teatro, 1861)
Doze
Casamentos Felizes
(1861)
O
Romance de um Homem Rico (1861)
As
Três Irmãs (1862)
Amor
de Perdição
(1862)
Memórias
do Carcere (1862)
Coisas
Espantosas (1862)
Coração,
Cabeça e Estômago
(1862)
Estrelas
Funestas
(1862)
Cenas
Contemporâneas
(1862)
Anos
de Prosa
(1863)
Aventuras
de Basílio Fernandes Enxertado (1863)
O
Bem e o Mal (1863)
Estrelas
Propícias
(1863)
Memórias
de Guilherme do Amaral (1863)
Agulha
em Palheiro
(1863)
Amor
de Salvação
(1864)
A
Filha do Doutor Negro (1864)
Vinte
Horas de Liteira (1864)
O
Esqueleto (1865)
A
Sereia (1865)
A
Enjeitada (1866)
O
Judeu (1866)
O
Olho de Vidro
(1866)
A
Queda dum Anjo
(1866)
O
Santo da Montanha (1866)
A
Bruxa do Monte Córdova (1867)
A
doida do Candal
(1867)
Os
Mistérios de Fafe (1868)
O
Retrato de Ricardina
(1868)
Os
Brilhantes do Brasileiro (1869)
A
Mulher Fatal (1870)
Livro
de Consolação
(1872)
A
Infanta Capelista
(1872) (conhecem-se apenas 3 exemplares deste romance porque D.
Pedro II, imperador do Brasil, pediu a Camilo para não o publicar,
uma vez que versava sobre um familiar da Família Real Portuguesa e
da Família Imperial Brasileira)
O
Carrasco de Victor Hugo José Alves
(1872)
O
Regicida
(1874)
A
Filha do Regicida (1875)
A
Caveira da Mártir (1876)
Novelas
do Minho
(1875-1877)
A
viúva do enforcado
(1877)
Eusébio
Macário
(1879)
A
Corja
(1880)
A
senhora Rattazzi
(1880)
A
Brasileira de Prazins
(1882)
O
Assassino de Macario
D.
Antonio Alves Martins: bispo de Vizeu
Folhas
Caídas
O
General Carlos Ribeiro
Luiz
de Camões
Sá
de Miranda
Salve,
Rei!
Suicida
O
vinho do Porto
(1884)
Vulcões
de Lama (1886)
Voltareis
ó Cristo?
Theatro
comico: A Morgadinha de Val d'Amores; Entre a flauta e a Viola
A
espada de Alexandre
O
Condemnado: drama
/ Como
os anjos se vingam: drama
Nas
Trevas: Sonetos sentimentais e humorísticos
O
clero e o sr. Alexandre Herculano
(1850)
Citações
de Camilo Castelo Branco
- - "Lágrimas
Abençoadas", Livro I, Capítulo XXIV (veja wikisource)
- - O bem e o mal: romance -
Página 19, de Camilo Castelo Branco - Publicado por A.M. Pereira,
1926 - 245 páginas
- - "Coração, cabeça e
estômago: romance" - Página 49, de Camilo Castelo Branco,
Adolfo Casais Monteiro - Publicado por Editora Civilização
Brasileira, 1961 - 172 páginas
- - Obras de Camilo Castelo
Branco: A sereia. 6. ed., página 157, Volume 73 de Obras de Camilo
Castelo Branco, Camilo Castelo Branco, Camilo Castelo Branco,
Editora Parceria A. M. Pereira, 1965
- - Obras
- Volume 31 - Página 89, Camilo
Castelo Branco
- Parceria A.M. Pereira., 1965
Referências
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