| Aristóteles |
Aristóteles.
(em
grego antigo: Ἀριστοτέλης,
transliteração: Aristotélēs). Nasceu em
Estagira no ano de 384 a.C., e, faleceu em Atenas, no ano 322 a.C..
Aristóteles foi um filósofo grego, aluno de Platão
e professor de Alexandre,
o Grande.
Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a
metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a
retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente
com Platão e Sócrates
(professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores
da filosofia
ocidental.
Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre
da Macedônia,
na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre
conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e
Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu.
Vida
Aristóteles era natural de Estagira, na Trácia, sendo filho de
Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas
III,
pai de Filipe
II.
É provável que o interesse de Aristóteles por biologia e
fisiologia decorra da atividade médica exercida pelo pai e pelo tio,
e que remontava há dez gerações. Segundo a compilação bizantina
Suda,
Nicômaco era descendente de Nicômaco,
filho de Macaão,
filho de Esculápio.
Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, maior centro
intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens da
época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições
disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates de Atenas,
que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua
Academia, com preferência à ciência (episteme)
como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não
conhecesse Geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se
pela academia platônica
e nela permaneceu vinte anos, até a morte
de Platão, no primeiro ano da 108ª
Olimpíada (348 a.C.). Em 347 com a morte de Platão, a direção da
Academia passa a Espeusipo
que começou a dar ao estudo acadêmico da filosofia um viés
matemático que Aristóteles (segundo opinião geral, um
não-matemático) considerou inadequado, assim Aristóteles deixa
Atenas e se dirige, provavelmente, primeiro a Atarneu
convidado pelo tirano Hérmias
e em seguida a Assos,
cidade que fora doada pelo tirano aos platônicos Erasto
e Corisco,
pelas boas leis que lhe haviam preparado e que obtiveram grande
sucesso. Durante 347 a.C e 345 a.C, dirige uma escola em Assos, junto
com Xenócrates,
Erasto e Corisco e depois em 345/344 a.C. conhece Teofrasto
e com sua colaboração dirige uma escola em Mitilene,
na ilha de Lesbos
e lá se casa com Pítias, neta de Hérmias , com quem teve uma
filha, também chamada Pítias e Nicômaco. Em 343/342 a.C Filipe
II
escolhe Aristóteles como educador de seu filho Alexandre,
então com treze anos, por intercessão de Hérmias.
Pouco se sabe sobre o período da vida de Aristóteles entre 341 a.C
e 335 a.C, ainda que se questiona o período de tempo da tutela de
Alexandre, alguns estimam em
apenas dois ou três anos e outros em
sete ou oito anos. Em 335 a.C. Aristóteles funda sua própria escola
em Atenas, em uma área de exercício público dedicado ao deus Apolo
Lykeios,
daí o nome Liceu.
Os filiados da escola de Aristóteles mais tarde foram chamados de
peripatéticos.
Os membros do Liceu realizavam pesquisas em uma ampla gama de
assuntos, os quais eram de interesse do próprio Aristóteles:
botânica, biologia, lógica, música, matemática, astronomia,
medicina, cosmologia, física, história da filosofia, metafísica,
psicologia, ética, teologia, retórica, história política, do
governo e da teoria política, retórica e as artes. Em todas essas
áreas, o Liceu coletou manuscritos e assim, de acordo com alguns
relatos antigos, se criou a primeira grande biblioteca da
antiguidade. Em 323 a.C, morre Alexandre e em Atenas começa uma
forte reação antimacedônica, em 654 a.C. por causa de sua ligação
com Alexandre, Aristóteles foge de Atenas e se dirige a Cálcides,
onde sua mãe tinha uma casa, explicando, "Eu
não vou permitir que os atenienses pequem duas vezes contra a
filosofia",
uma referência ao julgamento de Sócrates
em Atenas. Ele morreu em Cálcis, na ilha Eubéia de causas naturais
naquele ano. Aristóteles nomeou como chefe executivo seu aluno
Antípatro
e deixou um testamento em que pediu para ser enterrado ao lado de sua
esposa.
| Busto de Aristóteles (pic: Jastrow). |
| Aristóteles ensinando Alexandre, o Grande gravura de Charles Laplante. |
A
filosofia de Aristóteles dominou verdadeiramente o pensamento
europeu a partir do século XII e a revolução cientifica iniciou-se
no século XVI, somente onde a filosofia aristotélica foi dominante
sobreveio uma revolução científica. As afirmações científicas
de Aristóteles são totalmente desmentidas nos dias de hoje e a
principal razão disso é que nos séculos XVI e XVII os cientistas
aplicaram métodos quantitativos ao estudo da natureza inanimada,
assim a Física e a Química de Aristóteles são irremediavelmente
inadequadas em comparação com o trabalhos dos novos cientistas.
Apesar do alcance abrangente que as obras de Aristóteles gozaram
tradicionalmente, os acadêmicos modernos questionam a autenticidade
de uma parte considerável do Corpus
Aristotelicum.
A Lógica de
Aristóteles, que ocupa seis de suas primeiras obras, constitui o
exemplo mais sistemático de filosofia em dois mil anos de história.
Sua premissa principal envolve uma teoria de caráter semântico
desenvolvida por ele para servir de estrutura para a compreensão da
veracidade de proposições. Foi por meio de sua lógica que se
estabeleceu a primazia da lógica dedutiva. Aristóteles sistematizou
a lógica, definindo as formas de interferência que eram válidas e
as que não eram - em outras palavras, aquilo que realmente decorre
de algo e aquilo que só aparentemente decorre; e deu nomes a todas
essas diferentes formas de interferências. Por dois mil anos,
estudar lógica, significou estudar a lógica de Aristóteles. A
lógica, como disciplina intelectual, foi criada no século IV a. C
por Aristóteles. Sua teoria do silogismo constitui o cerne de sua
lógica e através dela tenta caracterizar as formas de silogismo e
determinar quais deles são válidas e quais não, o que conseguiu
com bastante sucesso. Como primeiro passo no desenvolvimento da
lógica, a teoria do silogismo foi extremamente importante.
Aristóteles não
reconhecia a idéia de inércia, ele imaginou que as leis que regiam
os movimentos celestes eram muito diferentes daquelas que regiam os
movimentos na superfície da Terra, além de ver o movimento vertical
como natural, enquanto o movimento horizontal requiriria uma força
de sustentação. Ainda sobre movimento e inércia, Aristóteles
afirmou que o movimento é uma mudança de lugar e exige sempre uma
causa, o repouso e o movimentos são dois fenômenos físicos
totalmente distintos, o primeiro sendo irredutível a um caso
particular do segundo. No livro II, Do
Céu,
ele afirma explicitamente que quando um objeto se desloca para seu
estado natural o movimento não é causado por uma força, assim ele
afirma que o movimento daquilo que está no processo de locomoção é
circular, retilíneo ou uma combinação dos dois tipos.
Na
época de Aristóteles, a óptica matemática era ainda uma disciplina
nova, contrariamente às outras matemáticas e especialmente à
geometria, ele faz recorrentes referências à cor, à sua "unidade"
e à sua constituição, nos mesmos contextos em que se fala de
outros setores do real que pertencem a outras ciências matemáticas,
e do que neles é unidade. Aristóteles fez objeções à teoria de
Empédocles
e ao modelo de Platão que considerava que a visão era produzida por
raios que se originavam no olho e que colidiam com os objetos então
sendo visualizados. Ao refutar as teorias então conhecidas, ele
formulou e fundamentou uma nova teoria, a teoria da transparência: a
luz era essencialmente a qualidade acidental dos corpos
transparentes, revelada pelo fogo. Aristóteles sugeria que a ótica
contempla uma teoria matemático-quantitativa da cor, que corresponde
a uma teoria da medição da luz, assim ele afirma que a luz não era
uma coisa material mas a qualidade que caracterizava a condição ou
o estado de transparência: "Uma coisa se diz invisível porque
não tem cor alguma, ou a tem somente em grau fraco".
| Os quatro elementos fundamentais segundo Aristóteles. (pic: Dianakc). |
Enquanto Platão,
seu mestre, acreditava na existência de átomos dotados de formas
geométricas diversas, Aristóteles negava a existência das
partículas e considerava que o espaço estava cheio de continuum,
um material divisível ao infinito. Sua obra Meteorologia,
sintetiza suas ideias sobre matéria e química, usando as quatro
qualidades da matéria e os quatro elementos, ele desenvolveu
explicações lógicas para explicar várias de suas observações da
natureza. Para Aristóteles a matéria seria formada, não a partir
de um único, mas por quatro elementos: terra, água, ar e fogo, mas
existiria sim um substrato único para toda a matéria, mas que seria
impossível de isolar - serviria apenas como um suporte que transmite
quatro
qualidades primárias:
quente, frio, seco e úmido. A fundação da Alquimia
se baseou nos ensinamentos de Aristóteles, curiosamente ele afirmou
que as rochas e minerais cresciam no interior da Terra, assim como os
humanos, os minerais tentavam alcançar um estado de perfeição
através do processo de crescimento, a perfeição do mineral seria
quando ele se torna-se ouro.
Aristóteles
concorda com seu mestre (Platão) em considerar a astronomia uma
ciência matemática em sentido pleno, não menos do que a geometria,
ele também concordava que os movimentos estudados pela astronomia,
como diz a A
República,
não se percebem "com a vista". O cosmos aristotélico é
apresentado como uma esfera gigantesca, porém finita, à qual se
prendiam as estrelas, e dentro da qual se verificava uma rigorosa
subordinação de outras esferas, que pertenciam aos planetas então
conhecidos e que giravam em torno da Terra, que se manteria imóvel
no centro do sistema (sistema geocêntrico).
Considerado o
fundador das ciências como uma disciplina, Aristóteles deixou obras
naturalistas como História
dos Animais,
As
partes dos animais,
A
geração dos animais
e opúsculos como Marcha
dos animais,
Movimentos
dos animais
e Pequeno
tratado de história natural
e muitas outras obras sobre anatomia e botânica que se perderam e
tratavam sobre o estudo de cerca de 400 animais que buscou
classificar, tendo dissecado e cerca de 50 deles. Também realizou
observações anatômicas, embriológicas e etológicas detalhadas de
animais terrestres e aquáticos (moluscos e peixes), fez observações
sobre cetáceos e morcegos. Embora suas conclusões sejam muitas
vezes equivocadas atualmente, sua obra não deixa de ser notável.
Seus escritos de biologia e zoologia correspondem a mais de uma
quinta parte de sua obra, nelas trabalha sobre a noção de animal, a
reprodução, a fisiologia e a classificação. Segundo alguns
cientistas da atualidade, Aristóteles teria "descoberto" o
DNA,
por ele identificar a forma, isto é, o eidos
preexistente no pai que é reproduzido na prole. Aristóteles foi
quem iniciou os estudos científicos documentados sobre peixes sendo
o precursor
da ictiologia
(a ciência que estuda os peixes), catalogou mais de cem espécies de
peixes marinhos e descreveu seu comportamento. É considerado como
elemento histórico da evolução da piscicultura e da aquariofilia,
separou mamíferos aquáticos de peixes e sabia que tubarões e raias
faziam parte de grupo que chamou de Selachē
(Chondrichthyes).
O
papel da mulher
A análise sobre a
procriação de Aristóteles descreve um elemento masculino ativo,
animante trazendo vida a um elemento do sexo feminino inerte e
passivo. Por este motivo, as feministas acusam Aristóteles de
misoginia e sexismo. No entanto, Aristóteles deu igual peso para a
felicidade das mulheres assim com dos homens e comentou em sua obra A
Retórica
que uma sociedade não pode ser feliz a menos que as mulheres também
estejam felizes. Sobre as mulheres, ainda disse que eram totalmente
incapazes de serem amigas, e ele com certeza não esperava que a
esposa se relacionasse com o marido em nível de igualdade.
A
homossexualidade
Visto não
contribuir para a fundação de famílias, Aristóteles tinha a
homossexualidade em conta de desperdício, não apenas inútil, mas
até perigoso. Porém, isso não significa que o a condenava sempre
em toda parte, ele tomou em consideração as circunstancia em que
era praticada, assim, em Creta, onde havia um problema de
superpopulação, a relação entre o mesmo sexo era difundida, ele
propôs que esse tipo de relação fosse regulamentada e tolerada
pelo Estado, a fim de contornar a superpopulação, pois a ilha
dispunha de poucos recursos. Em um fragmento sobre amor físico,
embora referindo-se ao tema com indulgência, parece ter feito
distinção entre a homossexualidade congênita anormal e o vício
homossexual adquirido.
| Platão e Aristóteles na Escola de Atenas (1509-1510), fresco de Rafael Sanzio, na Stanza della Segnatura, nos Museus Vaticanos. |
O
termo Metafísica
não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado
por Aristóteles de "filosofia primeira", sendo por isso
identificada com a teologia. Não é fácil discutir a metafísica de
Aristóteles, em parte porque está profusamente espalhada por toda a
obra, e em parte por uma certa ausência de uma exposição bem
detalhada. A Metafísica de Aristóteles, é em essência, uma
modificação da Teoria
das Idéias
de Platão.
Grande parte dessa obra parece uma tentativa de moderar as muitas
extravagâncias de Platão. Seus dois principais aspectos são a
distinção entre o "universal" e a mera "substância"
ou "forma particular" e a distinção entre as três
substâncias diferentes que formar a realidade cada uma com sua
essência fundamental.
Na medida em que se
ocupa das mais elaboradas entidades naturais, a psicologia foi
considerada também o ápice da filosofia natural de Aristóteles. A
palavra psychê
(de que deriva nosso termo psicologia)
costumar ser traduzida como "alma", e sobr a rubrica psyche
Aristóteles de fato inclui as características dos animais
superiores que pensadores posteriores tendem a a associar com a alma.
Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto é,
vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente
do mundo inorgânico, pois, o ser vivo diversamente do ser inorgânico
possui internamente o princípio da sua atividade, que é
precisamente a alma, forma do corpo. Muitas da hipóteses de
Aristóteles sobre a natureza da lembrança e do esquecimentos deram
origem a grande número de experimentos na área da aprendizagem. Sua
doutrina da associação afirmava que a memória é facilitada quer
pela semelhança e dessemelhança de um fato atual e um passado, quer
por sua estreita relação no tempo e espaço. Sua obra De
Anima
(Sobre
a Alma)
trata-se do primeiro objetivo em larga escala para estudar a
psicologia. Muitas das questões que levanta continuam por responder
até hoje, e ainda são objeto de exame. Aristóteles formulou
teorias sobre desejos, apetites, dor e prazer, reações e
sentimentos. Sua doutrina da catarse ensinava, por exemplo que os
temores podem ser transferidos ao herói da tragédia - ideia que
muita mais tarde veio formar uma das teses da psicanalise e da
terapia do jogo.
| Aristóteles, Museu do Louvre. |
Alguns
vêm Aristóteles como o fundador da Ética,
o que se justifica desde que consideremos a Ética como uma
disciplina específica e distinta no corpo das ciências. Em suas
aulas, Aristóteles fez uma análise do agir humano que marcou
decisivamente o modo de pensar ocidental. O filósofo ensinava que
todo o conhecimento e todo o trabalho visa a algum bem. O bem é a
finalidade de toda a ação. A busca do bem é o que difere a ação
humana da de todos os outros animais. Para Aristóteles, estudamos a
ética, a fim de melhorar nossas vidas e, portanto, sua preocupação
principal é a natureza do bem-estar humano. Aristóteles segue
Sócrates e Platão ao dispor as virtudes no centro de uma vida bem
vivida. Como Platão, ele considera as virtudes éticas (justiça,
coragem, temperança etc), como habilidades complexas racionais,
emocionais e sociais, mas rejeita a ideia de Platão de que a
formação em ciências e metafísica é um pré-requisito necessário
para um entendimento completo de bem. Segundo ele, o que precisamos,
a fim de viver bem, é uma apreciação adequada da maneira em que os
bens tais como a amizade, o prazer, a virtude, a honra e a riqueza se
encaixam como um todo. Para aplicar esse entendimento geral para
casos particulares, devemos adquirir, através de educação adequada
e hábitos, a capacidade de ver, em cada ocasião, qual curso de ação
é mais bem fundamentada. Portanto, a sabedoria prática, como ele a
concebe, não pode ser adquirida apenas ao aprender regras gerais,
também deve ser adquirida através da prática. E essas habilidades
deliberativas, emocionais e sociais é que nos permitem colocar nossa
compreensão geral de bem-estar em prática em formas que são
adequados para cada ocasião.
| Aristóteles de Francesco Hayez,1811. |
A
retórica de Aristóteles teve uma enorme influência sobre o
desenvolvimento da arte da retórica. Não apenas sobre os autores
que escrevem na tradição peripatética, mas também os famosos
professores romanas de retórica, como Cícero
e Quintiliano,
frequentemente usaram elementos decorrentes da doutrina aristotélica.
É na obra Retórica
de Aristóteles que se assentam os primeiros dados cuja articulação
passa a definir a Retórica
como a "faculdade de descobrir especulativamente sobre todo dado
o persuasivo". No proêmio do Livro I de sua
Arte
Retórica,
ele se refere à possibilidade se ter uma técnica da retórica, de
um método rigoroso não diferente do que seguem as ciências
lógicas, políticas e naturais. É evidente a diferença entre as
concepções de Aristóteles sobre a arte da oratória entre o Livro
I e o Livro II, enquanto neste último destaca o estudo das paixões,
desfazendo a caracterização da retórica como puramente dialética,
no Livro I Aristóteles valoriza a função da sedução da alma. A
retórica deve ser portanto, demonstrativa
e emocional.
Aristóteles
concedia às artes uma importância valiosa, na medida em que
poderiam reparar as deficiências da natureza humana, contribuindo na
formação moral dos indivíduos.
Em Política,
Aristóteles questiona a participação da música na educação,
pois sua associação imediata com o prazer faz com que o autor
oponha a música a qualquer atividade, pois esta parece se adequar
melhor ao desfrute no tempo livre. No decorre do texto, ele enfatiza
que o ensino da música deve ter ênfase na escuta e não à prática
instrumental, já que a execução de instrumentos se relaciona aos
trabalhos manuais, atividade imprópria para a educação de um homem
livre. A obra Problemas
constitui uma das mais antigas discussões sobre música, se no livro
VII da Política
Aristóteles procurou mostrar a importância da música na educação,
no livro XIX de Problemas
ele levanta questões de várias ordens: referentes à acústica, às
escalas, aos intervalos, à voz, aos encordoamentos, aos harmônicos,
aos tipos de composição etc, o autor levanta cinquenta problemas e
a esses ele mesmo procura responder.
Aristóteles
foi o primeiro filósofo a consagrar todo um tratado, ainda que
incompleto, ao exame do fenômeno poético, a Arte
Poética.
Ele propunha-se a refletir acerca do objeto
estético,
ou antes, acerca da criação do objeto estético. Em Arte
Poética,
o filósofo trata da arte poética a partir de duas perspectivas, a
definição da poética como imitação e a apresentação da
estrutura da poesia de acordo com suas diferentes espécies. No
primeiro caso, reduz a essência da poética à imitação - que crê
ser congênita no homem. A sua importância contudo, deriva do fato
de que a mimese é capaz de fornecer, ao ser humano , dois elementos
essenciais: prazer e conhecimento. Aristóteles era um apurado
colecionador sistemático de enigmas, folclores e provérbios, ele e
sua escola tinham um interesse especial nos enigmas da Pítia
e estudaram também as fábulas de Esopo.
A
política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o
fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos
cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é
um organismo moral, condição e complemento da atividade moral
individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa.
A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como
objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina
moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta
ciência trata Aristóteles precisamente na Política, de que acima
se falou. Em Ética
a Nicômaco
Aristóteles descreve o assunto como ciência política, que ele
caracteriza como a ciência mais confiável. Ela prescreve quais as
ciências são estudadas na cidade-estado, e os outros - como a
ciência militar, gestão doméstica e retórica - caem sob a sua
autoridade. Desde que rege as outras ciências práticas, suas
extremidades servem como meios para o seu fim, que é nada mais nada
menos do que o bem humano.
A
escravidão
Aristóteles
não nega a natureza humana ao escravo, para ele a escravidão faz
parte da própria natureza, de modo que o escravo nasce para ser
escravo e é na sua função de escravo que ele realiza finalidade
para a qual existe. Ele não sacrifica nada, pois sua natureza não
exige mais do que compete na sociedade. Ele discorda da opinião
daqueles que pretendem que o poder do patrão é contra a natureza,
para ele, a natureza em vista da conservação, criou alguns seres
para mandar e outros para obedecer, é ela que dispõe que o ser
dotado de previdência mande como patrão, e que o ser, capaz por
faculdades corporais execute ordens.
| Começo do livro 7 da Metafísica de Aristóteles, traduzido para o latim por Guilherme de Moerbeke. Manuscrito do século 14. (Peter Damian). |
De acordo com a
distinção que se origina com o próprio Aristóteles, seus escritos
são divididos em dois grupos: os "exotéricos" e os
"esotéricos". É difícil para muitos leitores modernos
aceitar que alguém pudesse tão seriamente admirar o estilo daquelas
obras atualmente disponíveis para nós. No entanto, alguns
estudiosos modernos têm advertido que não podemos saber ao certo se
o elogio de Cícero foi dirigido especificamente para as obras
exotéricas. Alguns estudiosos modernos têm realmente admirado o
estilo de escrita concisa encontrado nas obras existentes de
Aristóteles. As obras de Aristóteles que sobreviveram desde a
antiguidade através da transmissão de manuscrito medieval são
coletados no Corpus
Aristotelicum.
Esses textos, ao contrário de obras perdidas de Aristóteles, são
tratados filosóficos técnicos de dentro da escola de Aristóteles.
A referência a eles é feita de acordo com a organização da edição
da obra de August
Immanuel Bekker
(Aristotelis
Opera edidit Academia Regia Borussica,
Berlim, 1831–1870) pela Academia Real da Prússia , que por sua vez
é baseado em classificações antigas dessas obras. Acredita-se que
a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de
seus trabalhos tenham sobrevivido.
| Computação gráfica de Aristóteles. |
Mais de 2.300 anos
depois de sua morte, Aristóteles continua sendo uma das pessoas mais
influentes que já viveu. Ele contribuiu para quase todos os campos
do conhecimento humano e foi o fundador de muitas áreas novas. De
acordo com o filósofo Bryan Magee, "é duvidoso que qualquer
ser humano saiba o tanto quanto ele sabia". Entre inúmeras
outras conquistas, Aristóteles foi o fundador
da lógica formal
e pioneiro
no estudo da Zoologia,
deixando cada futuro cientista e filósofo antecipadamente em débito
consigo por suas contribuições para o método científico. Apesar
dessas conquistas, a influência dos erros de Aristóteles é
considerada por alguns como tendo sido de grande empecilho para o
desenvolvimento da ciência. Bertrand
Russell
observa que "quase
todo o avanço intelectual sério teve de começar com um ataque a
alguma doutrina aristotélica".
Russell também se refere à ética de Aristóteles como "repulsiva",
e sobre sua lógica disse ser "definitivamente
antiquada como a astronomia ptolomaica".
Citações
- Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso.
- Livro I, 645.a16
- Devemos aventurar-se no estudo de cada tipo de animal, sem desgosto, por todos e cada um vai nos revelar algo natural e algo bonito.
- Livro I, 645.a21
Da geração dos animais
- A Natureza voa do infinito, porque o infinito não tem fim e é imperfeito, e a Natureza sempre procura se corrigir.
- Livro I, 715.b15
- No que diz respeito a geração de animais parecidos entre si, como zangões e vespas, os fatos em todos os casos é que são semelhantes a um certo ponto, mas os zangões são desprovidos dos recursos extraordinários que caracterizam as abelhas, o que devemos esperar; por que eles não têm nada de divino como as abelhas têm.
- Livro III, 761.a2
Metafísica
- Todos os homens, por natureza, anseiam o conhecimento. Uma indicação disso é o prazer que tomamos em nossos sentidos, pois, mesmo sendo além de sua utilidade, eles são amados por si mesmos, e acima de todos os outros, o sentido da visão. Pois não só a visão para a ação, porque mesmo quando não vamos agir em nada, preferimos a visão sobre quase todo o resto. A razão disso é que acima de todos os sentidos que nos faz saber, [a visão] traz à tona muitas diferenças entre as coisas.
- Livro I, 980a.21: parágrafo de abertura da obra
- Variação: Todos os homens, por natureza, desejam o conhecimento...
- A primeira frase está no Oxford Dictionary of Scientific Quotations (2005), 21:10.
- Aqueles que afirmam que as ciências matemáticas não dizem nada do belo e do bem estão em erro. Para estas as ciências dizem e provam muita coisa sobre elas, se eles não a mencionam expressamente, mas provam seus atributos que são seus resultados ou definições, não é verdade que não nos diz nada sobre elas. As principais formas de beleza são a ordem, a simetria e a definição, que as ciências matemáticas demonstram em um grau especial.
- Livro XIII, 1078.a33
Política
- O homem é por natureza um animal político.
- Livro I, 1253.a2
- A natureza não faz nada em vão.
- Vatiações: ...não faz nada sem propósito./não desperdiça nada.
- Livro I, 1253.a8
- Aquele que é incapaz de viver em sociedade, ou que não sente essa necessidade porque é [auto]suficiente, deve ser ou uma fera ou um deus.
- Livro I, 1253.a27
- O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas quando separado da lei e da justiça, se torna o pior de todos eles.
- Livro I, 1253.a31
- O dinheiro foi destinado a ser utilizado para a troca, mas não para ser aumentado por interesse. E este termo de interesse que significa a geração de dinheiro por dinheiro, é aplicada à reprodução do dinheiro, porque a prole se assemelha ao pai. Por isso, de todos os modos de obtenção de riqueza, este é o mais não-natural.
- Livro I, 1258.b4
- Os homens... são facilmente induzidos a acreditar em um modo maravilhoso em que todos podem ser amigos uns dos outros, especialmente quando alguém é ouvido denunciando os males agora existentes nos estados, fatos sobre contratos, condenações por perjúrio, lisonjas de homens ricos e similares, que dizem surgir fora da posse da propriedade privada. Estes males, no entanto, são devidos a uma causa muito diferente - a maldade da natureza humana.
- Livro II, 1263.b15
- Alguém poderia pensar que seria ainda mais necessário limitar a população em vez da propriedade, e que o limite deve ser fixado por meio do cálculo das chances de mortalidade das crianças, e da esterilidade em pessoas casadas. A negligência deste assunto, que em estados existentes é tão comum, é uma causa que nunca falha da pobreza entre os cidadãos, e a pobreza é o pai da revolução e do crime.
- Livro II, seção VI
- É da natureza do desejo não ser satisfeito, e a maioria dos homens vivem apenas para a satisfação do mesmo.
- Livro II, 1267.b4
- Novamente, os homens em geral desejam o bem, não apenas o que seus pais tiveram.
- Livro II, 1269.a4
- Mesmo quando as leis estiverem escritas, nem sempre deve permanecer inalteradas.
- Livro II, 1269.a9
- Sobre se os juízes de causas importantes devem ocupar cargos pela vida toda é uma coisa discutível, porque a mente envelhece, assim como o corpo.
- Livro II, 1270.b39
- Deve governar quem é capaz de governar melhor.
- Livro II, 1273.b5
- O bom cidadão não precisa necessariamente possuir a virtude que faz um homem bom.
- Livro III, 1276.b34
- Um estado não é uma mera sociedade, ter um lugar comum, estabelecido para a prevenção mútua de crime ou pelo bem das trocas(...)A sociedade política existe para ações nobres e não de mero companheirismo.
- Livro III, 1280.b30, 1281a3
- A lei é a razão não afetada pelo desejo.
- Livro III, 1287.a32,
- Varição: ...não afetada pelas paixões.
- O tirano deixa o povo e a massa contra as celebridades, de forma que o povo não sofra nenhuma injustiça por parte desses. Está claro para os fatos: quase a maioria dos tiranos, por assim dizer, eles surgiram de demagogos que foram ganhando a confiança caluniando as celebridades.
- - Aristóteles, Política, V, 10, 3-5
- As tiranias, efetivamente, umas se estabeleceram deste modo, quando já as cidades tinham crescido; outras, antes isto, surgiram de reis que se apartaram dos costumes de seus antepassados e aspiravam a um comando mais despótico. Outras, dos cidadãos eleitos para as magistraturas supremas, pois antigamente as democracias estabeleciam para muito tempo os cargos civis e religiosos; outras surgiam das oligarquias quando elegiam a um só com poder soberano para as mais importantes magistraturas.
- - Aristóteles, Política, V, 10, 5-6
- Se a liberdade e a igualdade, como consideradas por alguns, devem ser encontradas principalmente na democracia, serão melhor alcançadas quando todas as pessoas iguais compartilharem do governo ao máximo.
- Livro IV, 1291.b34
- Os inferiores se revoltam, a fim de que eles possam ser iguais, iguais aos que lhe são superiores. Esse é o estado de espírito que gera as revoluções.
- Livro V, 1302.a29
- A base de um estado democrático é a liberdade.
- Livro VI, 1317.a40
- Ambos oligarca e tirano desconfiam das pessoas e, portanto, privam-nas de seus braços.
- Livro V, 1311.a11
- A Felicidade, seja consistindo em prazer ou virtude, ou ambos, é mais frequentemente encontrado com aqueles que são altamente cultivados em suas mentes e em seu caráter, e têm apenas uma participação moderada de bens externos, do que entre aqueles que possuem bens externos de uma forma inútil, mas são deficientes em qualidades superiores.
- Livro VII, 1323.b1
- Direito é ordem e boa lei é boa ordem.
- Livro VII, 1326.a29
- Vamos, então, enunciar as funções de um estado e vamos facilmente obter o que queremos: Em primeiro lugar, deve haver comida, em segundo lugar, arte, porque a vida requer muitos instrumentos, em terceiro lugar, deve haver braços, para os membros de uma comunidade têm necessidade deles, e em sua própria mãos, também, a fim de manter autoridade, tanto contra indivíduos desobedientes e contra agressores externos...
- Livro VII, 1328b4
- A idade apropriada para casamento é de cerca de dezoito anos para as meninas e trinta e sete para os homens.
- Livro VII, 1335.a27
- Não é fácil de determinar a natureza da música, ou porque alguém deveria ter conhecimento sobre isso.
- A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade.
- - Aristóteles citado em "Série saúde mental e trabalho, Volume 2" - Página 279, de Liliana Andolpho Magalhães Guimarães e Sonia Grubits - Editora Casa do Psicólogo, 2004, ISBN 8573963522, 9788573963526
- O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.
- - Aristóteles citado em "Série saúde mental e trabalho, Volume 2" - Página 279, de Liliana Andolpho Magalhães Guimarães e Sonia Grubits - Editora Casa do Psicólogo, 2004, ISBN 8573963522, 9788573963526
- Aristóteles enxerga o processo educacional a partir do real, e esse sistema educacional, certamente, está fundamentado na organização política da cidade. Para que essa organização ocorra, é necessária a participação ativa e efetiva do cidadão, assim como nas sociedades de hoje. Alessandro Barreta Garcia. Aristóteles nos manuais de história da educação. Clube de Autores, 2011.
Economia
- Para o bem-estar e saúde, mais uma vez, o domicílio deve ser arejado no verão e ter sol no inverno. O domicílio que possui essas qualidades, deve ser mais comprido do que largo e sua entrada principal deve ser voltada para para o sul.
- 1345a.20, Economia (Oeconomica), Textos e traduções gregos
Retórica
- É um absurdo afirmar que um homem deve ter vergonha de ser incapaz de defender-se com seus membros, mas não de ser incapaz de defender-se com o discurso e razão, quando o uso da razão é mais característico de um ser humano do que o uso de seus membros.
- Livro I, 1355.b1
- O mal aproxima os homens.
- Livro I, 1362.b39: (citando um provérbio)
- Assim, cada ação deve ser devida a uma ou outra das sete causas: acaso, natureza, compulsão, hábito, raciocínio, raiva ou apetite.
- Livro I, 1369.a5
- Variante: Todas as ações humanas têm uma ou mais destas sete causas: acaso, natureza, compulsões, hábito, razão, paixão e desejo.
- Os jovens têm noções exaltadas, porque ainda não foram humilhados pela vida ou aprenderam suas limitações necessárias, além disso, sua disposição esperançosa faz pensar-se igual a grandes coisas, e isso significa ter noções exaltadas. Eles sempre preferem fazer ações nobres do que os úteis: Suas vidas são reguladas mais pelo sentimento moral do que pelo raciocínio... Todos os seus erros são no sentido de fazer as coisas em excesso e com veemência. Eles exageram em tudo, eles amam muito, odeio muito, e assim com todo o resto.
- Livro II, 1389.a31
- Sagacidade é insolência bem-educada.
- Livro II, 1389.b11
- É a simplicidade que faz com que o ignorante seja mais eficaz do que o culto ao abordar nas audiências populares.
- Livro II, 1395.b27
Poética
- A tragédia, então, é a imitação de uma ação... com incidentes despertando pena e medo, com o qual se realiza uma catarse de tais emoções.
- 1449.b24
- Um todo é o que tem início, meio e final.
- 1450.b26
- A Poesia é mais fina e mais filosófica do que a História. Pela poesia se expressa o universal, a história expressa somente o detalhe.
- 1451.b6
- A Poesia exige um homem com um dom especial para isso, ou então um com um toque de loucura.
- 1455.a33
- Homero ensinou todos os outros poetas a arte de dizer mentiras habilmente.
- 1460.a19
- Variante: É Homero que principalmente ensinou outros poetas a arte de contar mentiras com habilidade.
Atribuídas
- "O objetivo principal da política é criar a amizade entre membros da cidade".
- - Aristóteles;
- - vide: Genealogia da Amizade - página 44, Política da imanência, Francisco Ortega, Editora Iluminuras Ltda., 2002, ISBN 8573211598, 9788573211597, 173 páginas
Vidas dos Filósofos Eminentes
- Afirmações atribuídas a Aristóteles na obra Vidas dos Filósofos Eminentes de Diógenes Laércio.
- A educação é a melhor provisão para a velhice.
- A esperança é um sonho acordado.
- Os mentirosos quando falam a verdade não se acredita.
- Para a pergunta: "O que é um amigo?" sua resposta foi: "Uma única alma habitando dois corpos."
- Variantes: A amizade é uma única alma habitando em dois corpos.
Um verdadeiro amigo é uma alma em dois corpos.
O amor é composto de uma única alma habitando dois corpos.
O que é um amigo? Uma única alma habitando em dois corpos.
- Para a pergunta, no mesmo texto, "o que é o amor?" ele respondeu: "O que é a vida sem amor O amor é como o sol, sem luz, não há vida".
Interessante e dotto
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