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| Alexis Carrel |
Carrel
sempre mostrou interesse pela possibilidade de reconstruir artérias,
trabalho que começou a desenvolver em animais. Fascinado pelas
experiências do cirurgião norte-americano Rudolph
Matas sobre o tratamento de aneurismas, emigrou para os Estados
Unidos em 1904. Os seus trabalhos tiveram continuidade na
Universidade
de Chicago
e no Rockefeller
Institute de Nova Iorque,
onde permaneceu até 1938, data em que regressou à Europa. As
investigações de Carrel diziam respeito fundamentalmente à
cirurgia experimental e ao transplante de tecidos e órgãos
intactos. Até esse momento as estruturas vasculares suturavam-se e
utilizavam-se cânulas de osso ou de metais preciosos. Alexis Carrel
idealizou um novo sistema de sutura que evitava unir diretamente as
bordas vasculares. Para isso realizava cortes nos extremos dos vasos
e dava-lhes a volta. Depois utilizava material parafinado na sutura.
Com este método conseguia evitar as hemorragias pós-operatórias e
a formação de coágulos sanguíneos. Com a sutura dos extremos para
fora ou revertidos, conseguia que no interior não ficassem fios
soltos que favorecessem a formação posterior de coágulos. Em 1910
descreveu num artigo todos os seus avanços realizados com este novo
sistema de sutura vascular. Com a sua técnica, Carrel conseguiu unir
vasos sanguíneos de apenas um milímetro de diâmetro. Alentado por
seus achados, dedicou a investigação aos transplantes vasculares,
tomando uma porção de um vaso e conseguiu utilizá-lo em qualquer
outro lugar do próprio paciente. Entre as contribuições de Carrel
para a cirurgia encontram-se os auto-enxertos em animais, onde obteve
numerosos êxitos, embora se produzissem falhanços nos homo-enxertos
(órgãos de indivíduos distintos da mesma espécie). Destacam-se
ainda os transplantes de orelhas, tiróide, rim e baço, assim como a
conservação dos vasos sanguíneos para transplantar que evita a
espera de um possível doador (para tal utilizou a câmara fria ou
cold
storage).
Além disso, criou um anti-séptico para desinfectar feridas, a
solução Carrel-Dakin,
de grande utilidade durante a Primeira Guerra Mundial, e uma espécie
de coração artificial. Recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina
pelos seus trabalhos sobre sutura vascular e transplante de vasos
sanguíneos e órgãos.
- Inicialmente ateu, converteu-se ao Catolicismo após uma viagem a Lourdes em que testemunhou uma cura milagrosa. Foi membro da Pontifícia Academia das Ciências.
- Em 1935, publicou O Homem, Esse Desconhecido, que foi traduzido e reeditado transformando-se num grande êxito mundial até à década de 1950. Na obra, o leitor moderno encontra traços de eugenismo, incluindo a defesa da eutanásia de criminosos incuráveis e perigosos. Alguns trechos misóginos ou místicos podem igualmente chocar o leitor moderno desprevenido do contexto da época.
- Sob o regime da França de Vichy criou a Fondation Française pour l’Etude des Problèmes Humains.
- A cratera Carrel, no Mar da Tranquilidade da Lua, homenageia-o.
Obras
- L'Homme, cet Inconnu, Plon, 1935
- La Prière, 1944
- Réflexions sur la Conduite de la Vie (1950, póstumo)
- Voyage à Lourdes, Plon (1959, póstumo)

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