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sábado, 31 de agosto de 2019

Floresta Amazônica

Neil Palmer/CIAT

Amazônia (também chamada de Floresta Amazônica, Selva Amazônica, Floresta Equatorial da Amazônia, Floresta Pluvial ou Hileia Amazônica) é uma floresta latifoliada úmida que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. Esta bacia abrange 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 5 milhões e meio de quilômetros quadrados são cobertos pela floresta tropical. Esta região inclui territórios pertencentes a nove nações. A maioria das florestas está contida dentro do Brasil, com 60% da floresta, seguida pelo Peru com 13% e com partes menores na Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa). Estados ou departamentos de quatro nações vizinhas do Brasil têm o nome de Amazonas por isso. A Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. É um dos seis grandes biomas brasileiros. No Brasil, para efeitos de governo e economia, a Amazônia é delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal" definida a partir da criação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), em 1966. É chamado também de Amazônia o bioma que, no Brasil, ocupa 49,29% do território e abrange três das cinco divisões regionais do país (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), sendo o maior bioma terrestre do país. Uma área de seis milhões de hectares no centro de sua bacia hidrográfica, incluindo o Parque Nacional do Jaú, foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 2000 (com extensão em 2003), Patrimônio da Humanidade. A Floresta Amazônica foi pré-selecionada em 2008 como candidata a uma das Novas 7 Maravilhas da Natureza pela Fundação Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Em Fevereiro de 2009, a Amazônia foi classificada em primeiro lugar no Grupo. E, a categoria para as florestas, parques nacionais e reservas naturais.

Etimologia

Entre 1540 e 1542, Francisco de Orellana desceu o rio Amazonas em toda sua extensão, a partir dos Andes. O rio foi batizado de rio Orellana, mas era chamado pelos indígenas de Paraná-assú, dentre outros nomes. Alguns trabalham indicam também os nomes rio de la Canela, rio Grande de La Mar Dulce e rio Marañon. Orellana, através de Frei Gaspar de Carvajal, seu cronista, relata ter encontrado, na foz do rio Nhamundá no rio Amazonas, índias guerreiras, sem maridos, por ele denominadas Amazonas (e chamadas pelos índios de Icamiabas), em referência a uma lendária tribo de mulheres guerreiras da mitologia grega. A partir daí, o rio seria chamado rio das Amazonas. Em 1808, Alexander von Humboldt usaria o termo Hileia (Hylaea) para denominar a região. Inácio Accioli de Cerqueira e Silva (1833) a chamaria de país das Amazonas (termo popularizado pelo barão Frederico José de Santa Anna Néri, 1899), e Johann Moritz Rugendas (1835) de região do Amazonas. Carl von Martius (1858) a chamaria de Nayades. Johann Eduard Wappäus (1884) usaria os termos "zona equatorial", "mata tropical" ou "Hylaea do Amazonas".

Subdivisões

A conceito de Amazônia pode variar dependendo do ponto de vista (fisiográfico, geomorfológico, biogeográfico, político, de planejamento territorial, etc.), da mesma maneira, variam sua extensão, suas subdivisões e a terminologia utilizada.

Em biogeografia

Divisão fitogeográfica de Adolpho Ducke e O. A. Black (1954):
Setor Atlântico
Setor Nordeste
Setor Sudeste
Setor Norte
Setor Sul

Divisão fitogeográfica proposta por Carlos Toledo Rizzini (1963):
Província Amazônica (inclui Floresta amazônica e Campos do Alto Rio Branco)
Subprovíncia do Alto Rio Branco
Subprovíncia do Jari-Trombetas
Subprovíncia do Rio Negro
Subprovíncia da Planície Terciária

Esquema biogeográfico, por Juan J. Morrone (2001):
  • Região Neotropical
  • Sub-região Amazônica
  • Províncias: Napo, Imerí, Guiana, Guiana Úmida, Roraima, Amapá, Várzea, Ucayali, Madeira, Tapajós-Xingú, Pará, Pantanal, Yungas

Em ecologia da vegetação

Em termos de vegetação, Carl von Martius (1824) já citava a distinção, na região amazônica, entre "mato virgem" (florestas), "gabós" (igapós) e "campinas". Richard Spruce (1908) elencou os seguintes tipos de vegetação na Amazônia:
mato (ou floresta virgem, de terra firme, caa-guaçú, monte alto),
matinho (capoeiras, florestas recentes, rastrojos),
floresta de gapó (ou ripárias, igapós, rebalsas),
florestas baixas (ou brancas, caa-tingas, monte bajo),
savanas (ou campos),
caatinga-gapó.

Ducke e Black (1954) usaram as seguintes categorias:
Florestas
Mata da várzea
Mata da terra firme
Áreas abertas ou savanas
Campos da várzea
Campos firmes
Campinas
Campinaranas (transição entre campos e florestas)
Catingas do alto rio Negro

Braga (1979) adotou um esquema e nomenclatura ligeiramente diferentes:
Floresta de terra firme
Floresta de várzea
Floresta de igapó
Manguezais
Campos de várzea
Campos de terra firme
Campinas
Vegetação serrana
Vegetação de restinga

Tipos de vegetação por Rizzini (1997):
Florestas pluviais (= florestas húmidas)
Floresta amazônica (= Hileia)
Mata de várzea
Mata de terra firme
Igapó
Catingas do rio Negro

Tipos de vegetação presentes na região florística amazônica, segundo o IBGE (2012):
floresta ombrófila densa
floresta ombrófila aberta
floresta estacional sempre-verde
campinarana


História
Formação

A floresta provavelmente se formou durante o período Eoceno. Ela apareceu na sequência de uma redução global das temperaturas tropicais do Oceano Atlântico, quando ele tinha se alargado o suficiente para proporcionar um clima quente e úmido para a bacia amazônica. A floresta tropical tem existido por pelo menos 55 milhões de anos e a maior parte da região permaneceu livre por biomas do tipo savanas por, pelo menos, até a Era do Gelo Atual, quando o clima era mais seco e as savanas mais generalizadas. Após o evento da Extinção Cretáceo-Paleogeno, a subsequente extinção dos dinossauros e o clima mais úmido permitiram que a floresta tropical se espalhasse por todo o continente. Entre 65-34 milhões de anos atrás, a floresta se estendia até o sul do Paralelo 45 S. Flutuações climáticas durante os últimos 34 milhões anos têm permitido que as regiões de savana se expandam para os trópicos. Durante o período Oligoceno, por exemplo, a floresta tropical atravessou a faixa relativamente estreita que ficava em sua maioria acima da latitude 15°N. Expandiu-se novamente durante o Mioceno Médio e, em seguida recolheu-se a uma formação na maior parte do interior no último máximo glacial. No entanto, a floresta ainda conseguiu prosperar durante estes períodos glaciais, permitindo a sobrevivência e a evolução de uma ampla diversidade de espécies. Durante Mioceno Médio, acredita-se que a bacia de drenagem da Amazônia foi dividida ao longo do meio do continente pelo Arco de Purus. A água no lado oriental fluiu para o Atlântico, enquanto a água a oeste fluiu em direção ao Pacífico através da Bacia do Amazonas. Com o crescimento do Andes, no entanto, uma grande bacia foi criada em um lago fechado, agora conhecida como a Bacia do Solimões. Dentro dos últimos 5-10 milhões de anos, esta acumulação de água rompeu o Arco de Purus, juntando-se em um fluxo único em direção ao leste do Oceano Atlântico. Há evidências de que tenha havido mudanças significativas na vegetação da floresta tropical amazônica ao longo dos últimos 21 000 anos através do Último Máximo Glacial e a subsequente deglaciação. Análises de depósitos de sedimentos de paleolagos da Bacia do Amazonas indicam que a precipitação na bacia durante o UMG foi menor do que a atual e isso foi quase certamente associado com uma cobertura vegetal tropical úmida reduzida na bacia. Não há debate, no entanto, sobre quão extensa foi essa redução. Alguns cientistas argumentam que a floresta tropical foi reduzida para pequenos e isolados refugia, separados por floresta aberta e pastagens; outros cientistas argumentam que a floresta tropical permaneceu em grande parte intacta, mas muito se estendeu muito menos para o norte, sul e leste do que é visto hoje. Este debate tem-se revelado difícil de resolver porque as limitações práticas de trabalho na floresta tropical significam que a amostragem de dados é tendenciosa de acordo com a distância do centro da bacia amazônica e ambas as explicações são razoavelmente bem apoiadas pelos dados disponíveis.

Lendas

Diversas são as lendas relacionadas à Amazônia. O “Eldorado”, uma cidade cujas construções seriam todas feitas de ouro maciço e cujos tesouros existiriam em quantidades inimagináveis, e o “lago Parima” (supostamente a Fonte da juventude). Provavelmente estas duas lendas referem-se à existência real do Lago Amaçu, que tinha uma pequena ilha coberta de xisto micáceo, um material que produz forte brilho ao ser iluminado pela luz do sol e que produzia a ilusão de riquezas aos europeus.

Presença humana

Com base em evidências arqueológicas de uma escavação na Caverna da Pedra Pintada, habitantes humanos se estabeleceram na região amazônica pelo menos há 11.200 anos atrás. O desenvolvimento posterior levou a assentamentos pré-históricos tardios ao longo da periferia da floresta em 1.250 AD, o que induziu a alterações na cobertura florestal. Durante muito tempo, pensou-se que a floresta amazônica havia sido sempre pouco povoada, já que seria impossível sustentar uma grande população através da agricultura, devido à pobreza do solo da região. A arqueóloga Betty Meggers foi uma importante defensora desta ideia, tal como descrito em seu livro “Amazônia: Homem e Cultura em um Paraíso Falsificado”. Ela alegou que uma densidade populacional de 0,2 habitante por quilômetro quadrado era o máximo que poderia ser sustentado pela floresta tropical através da caça, sendo a agricultura necessária para acolher uma população maior. No entanto, recentes descobertas antropológicas têm sugerido que a região amazônica realmente chegou a ser densamente povoada. Cerca de 5 milhões de pessoas podem ter vivido na Amazônia no ano de 1500, divididos entre densos assentamentos costeiros, tais como em Marajó, e moradores do interior. Em 1900, a população tinha caído para 1 milhão e, no início dos anos 1980, era inferior a 200.000 pessoas. O primeiro europeu a percorrer o comprimento do rio Amazonas foi o espanhol Francisco de Orellana em 1542. O programa “Unnatural Histories”, da BBC, apresenta evidências de que Orellana, ao invés de exagerar em seus relatos, como se pensava anteriormente, estava correto em suas observações de que uma civilização complexa estava florescendo ao longo da Amazônia na década de 1540. Acredita-se que a civilização mais tarde foi devastada pela propagação de doenças provenientes da Europa, como a varíola. Desde os anos 1970, vários geoglifos foram descobertos em terras desmatadas datados entre o ano 0 e 1250, impulsionando alegações sobre civilizações pré-colombianas. Alceu Ranzi, geógrafo brasileiro, é creditado pela primeira descoberta de geoglifos enquanto sobrevoava o estado do Acre. A rede BBC apresentou provas de que a floresta amazônica, em vez de ser uma selva virgem, foi moldada pelos humanos há pelo menos 11.000 anos, através de práticas como a jardinagem florestal e a terra preta. A terra preta está distribuída por grandes áreas da floresta amazônica e é agora amplamente aceita como um produto resultante do manejo do solo pelos indígenas. O desenvolvimento deste solo fértil permitiu a agricultura e a silvicultura no antigo ambiente hostil, o que significa que grande parte da floresta amazônica é, provavelmente, o resultado de séculos de intervenção humana, mais do que um processo natural, como havia sido previamente suposto. Na região das tribos do Xingu, restos de alguns destes grandes assentamentos no meio da floresta amazônica foram encontrados em 2003 por Michael Heckenberger e seus colegas da Universidade da Flórida. Entre os achados, estavam evidências de estradas, pontes e praças de grande porte.

Estudos científicos

Os conhecimentos sobre a Amazônia tiveram seu início com um longo período de observações empíricas por parte dos povos indígenas, em especial tupis e aruaques. Nesta fase, foram identificados os principais padrões florísticos e ecológicos da região, além de selecionadas diversas plantas medicinais e madeiras úteis. Nos séculos XVI a XVIII, deu-se a conquista da Amazônia por portugueses e espanhóis, com o arrasamento de populações locais. Tal processo foi atenuado por missões religiosas, que recuperaram parcialmente os conhecimentos indígenas. Nesta época, foram feitas as explorações de Francisco Orellana (1540 a 1542) e do militar Pedro Teixeira (1638 a 1639), registradas pelos freis Gaspar de Carvajal e Cristóbal de Acuña, respectivamente. Também ocorreram as expedições de Charles Marie de La Condamine (1743) e a “Viagem Filosófica” de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783 a 1792). No século XIX, Alexander von Humboldt identificou a zonação altitudinal da vegetação. Entretanto, o alemão foi impedido de entrar no território brasileiro, podendo explorar apenas a Amazônia sob domínio espanhol. Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, os estudos do território, antes restritos, ganharam novo impulso. Ocorreram a Expedição Austríaca (1817 a 1835), com os naturalistas Martius e Spix, resultando na obra “Flora Brasiliensis”, feita com a colaboração de 65 botânicos, além da Expedição Langsdorff (1824 a 1829), com os artistas Aimé-Adrien Taunay e Hércules Florence. Ainda neste período, marcado por relatos de viajantes ou estudos isolados, foram feitas observações importantes por Henry Walter Bates, Alfred Russel Wallace, o casal Henri e Olga Coudreau, Vicente Chermont de Miranda, João Barbosa Rodrigues, João Alberto Masô, Ermanno Stradelli, Luigi Buscalioni e Richard Spruce. Na fase seguinte, a pesquisa é institucionalizada, com a fundação, no final do século XIX, do Museu Goeldi, um centro de pesquisas e formação de pessoal nas áreas de história natural e etnografia. Dentre os estudos de relevo associados ao museu, estão os de Jacques Huber, Adolpho Ducke, João Murça Pires e William Antônio Rodrigues. O museu também serviu de modelo para a criação de outras instituições, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em 1952. Entre 1907 e 1915, ocorreram as expedições da Comissão Rondon, percorrendo Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas, acompanhada por diversos pesquisadores: na zoologia, Alípio de Miranda Ribeiro; na geologia, Euzébio Paulo de Oliveira; na antropologia, Edgard Roquette-Pinto; e na botânica, Frederico Carlos Hoehne e João Geraldo Kuhlmann. Nos anos 1970 e 1980, o Projeto Radambrasil realizou um extenso levantamento do território com uso de imagens de radar.

Geografia

A Amazônia é uma das três grandes florestas tropicais do mundo e a maior floresta delas, enquanto perde em tamanho para a taiga siberiana que é uma floresta de coníferas, árvores em forma de cones, os pinheiros. A Floresta Amazônica possui a aparência, vista de cima, de uma camada contínua de copas largas, situadas a aproximadamente 30 metros acima do solo. A maior parte de seus cinco milhões de quilômetros quadrados, ou 42 por cento do território brasileiro, é composta por uma floresta que nunca se alaga, em uma planície de 130 a 200 metros de altitude, formada por sedimentos do lago Belterra, que ocupou a bacia Amazônica entre 1,8 milhão e 25 mil anos atrás. Ao tempo em que os Andes se erguiam, os rios cavaram seu leito.

Clima

No Pleistoceno o clima da Amazônia alternou-se entre frio-seco, quente-úmido e quente-seco. Na última fase frio-seca, há cerca de 18 ou 12 mil anos, o clima amazônico era semiárido, e o máximo de umidade ocorreu há sete mil anos. Na fase semiárida, predominaram as formações vegetais abertas, como cerrado e caatinga, com "refúgios" onde sobrevivia a floresta. Atualmente o cerrado subsiste em abrigos no interior da mata. Atualmente, o clima na floresta Amazônica é equatorial, quente e úmido, devido à proximidade à Linha do Equador (contínua à Mata Atlântica), com a temperatura variando pouco durante o ano. As chuvas são abundantes, com as médias de precipitação anuais variando de 1.500 mm a 1.700 mm, podendo ultrapassar 3.000 mm na foz do rio Amazonas e no litoral do Amapá. O principal período chuvoso dura seis meses. A Amazônia é considerada pela comunidade científica uma peça importante para o equilíbrio climático em quase toda a América do Sul. Parte da umidade do ar (que, posteriormente, se transforma em chuva) importante para as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil em vários meses do ano são justamente da Amazônia, levada pelos ventos para essas regiões. A Amazônia é importante para o equilíbrio do clima no Brasil, no Paraguai, no Uruguai e até na Argentina.

Solo

O solo amazônico é bastante pobre, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. Contudo, a flora e fauna mantêm-se em virtude do estado de equilíbrio (clímax) atingido pelo ecossistema. O aproveitamento de recursos é ótimo, havendo o mínimo de perdas. Um claro exemplo está na distribuição acentuada de micorrizas pelo solo, que garantem às raízes uma absorção rápida dos nutrientes que escorrem da floresta com as chuvas. Também forma-se no solo uma camada de decomposição de folhas, galhos e animais mortos, rapidamente convertidos em nutrientes e aproveitados antes da lixiviação. Tal conversão dá-se pelo fato de os fungos ali encontrados serem saprofíticos.

Rio Amazonas

O Rio Amazonas é um grande rio sul-americano que nasce na Cordilheira dos Andes, no lago Lauri ou Lauricocha, no Peru e deságua no Oceano Atlântico, junto à Ilha de Marajó, no Brasil. Ao longo de seu percurso, ele recebe os nomes Tunguragua, Apurímac, Marañón, Ucayali, Amazonas (a partir da junção do rios Marañon e Ucayali, no Peru), Solimões e novamente Amazonas (a partir da junção do rios Solimões e Negro, no Brasil). Por muito tempo, acreditou-se que o Rio Amazonas fosse o rio mais caudaloso do mundo e o segundo em comprimento, porém pesquisas recentes o apontam também como o rio mais longo do mundo. É o rio com a maior bacia hidrográfica do mundo, ultrapassando os 7 milhões de quilômetros quadrados, grande parte deles de selva tropical. A área coberta por água no Rio Amazonas e seus afluentes mais do que triplica durante as estações do ano. Em média, na estação seca, 110.000 km² estão submersas, enquanto que, na estação das chuvas, essa área chega a ser de 350.000 km². No seu ponto mais largo, atinge, na época seca, 11 km de largura, que se transformam em 45 km na estação das chuvas.

Biodiversidade

Florestas tropicais úmidas são biomas muito biodiversos e as florestas tropicais da América são consistentemente mais biodiversas do que as florestas úmidas da África e Ásia. Com a maior extensão de floresta tropical da América, as florestas tropicais da Amazônia têm inigualável biodiversidade. Uma em cada dez espécies conhecidas no mundo vive na Floresta Amazônica. Esta constitui a maior coleção de plantas vivas e espécies animais no mundo. A região é o lar de cerca de 2,5 milhões de espécies de insetos, dezenas de milhares de plantas e cerca de 2.000 aves e mamíferos. Até o momento, pelo menos 40.000 espécies de plantas, 3.000 de peixes, 1.294 aves, 427 mamíferos, 428 anfíbios e 378 répteis foram classificadas cientificamente na região. Um em cada cinco de todos os pássaros no mundo vivem nas florestas tropicais da Amazônia. Os cientistas descreveram entre 96.660 e 128.843 espécies de invertebrados só no Brasil. A diversidade de espécies de plantas é a mais alta da Terra, sendo que alguns especialistas estimam que um quilômetro quadrado amazônico pode conter mais de mil tipos de árvores e milhares de espécies de outras plantas superiores. De acordo com um estudo de 2001, um quarto de quilômetro quadrado de floresta equatoriana suporta mais de 1.100 espécies de árvores. Um quilômetro quadrado de floresta amazônica pode conter cerca de 90.790 toneladas métricas de plantas vivas. A biomassa da planta média é estimada em 356 ± 47 toneladas ha−1. Até o momento, cerca de 438 mil espécies de plantas de interesse econômico e social têm sido registradas na região, com muitas mais ainda a serem descobertas ou catalogadas. A área foliar verde das plantas e árvores na floresta varia em cerca de 25 por cento, como resultado de mudanças sazonais. Essa área expande-se durante a estação seca quando a luz solar é máxima, então sofre uma abscisão durante a estação úmida nublada. Estas mudanças fornecem um balanço de carbono entre fotossíntese e respiração. A floresta contém várias espécies que podem representar perigo. Entre as maiores criaturas predatórias estão o jacaré-açu, onça-pintada (ou jaguar), suçuarana (ou puma) e a sucuri. No rio Amazonas, enguias elétricas podem produzir um choque elétrico que pode atordoar ou matar, enquanto que as piranhas são conhecidas por morder e machucar seres humanos. Em suas águas, também é possível se observar um dos maiores peixes de água doce do mundo, o pirarucu. Várias espécies de sapos venenosos secretam toxinas lipofílicas alcalóides através de sua carne. Há também inúmeros parasitas e vetores de doenças. Morcegos-vampiros habitam na floresta e podem espalhar o vírus da raiva. Malária, febre amarela e dengue também podem ser contraídas na região amazônica. A fauna e flora amazônicas foram descritas no impressionante “Flora Brasiliensis” (15 volumes), de Carl von Martius, naturalista austríaco que dedicou boa parte de sua vida à pesquisa da Amazônia, no século XIX. Todavia, a diversidade de espécies e a dificuldade de acesso às copas elevadas tornam ainda desconhecida grande parte das riquezas faunísticas.

Vegetação

A Amazônia é uma das três grandes florestas tropicais do mundo. A hileia amazônica (como a definiu Alexander von Humboldt) possui a aparência, vista de cima, de uma camada contínua de copas, situadas a aproximadamente 50 metros do solo. Existem três tipos de floresta da Amazônia. As duas últimas formam a Amazônia brasileira: florestas montanhosas andinas, florestas de terra firme e florestas fluviais alagadas. A floresta de terra firme, que não difere muito da floresta andina, exceto pela menor densidade, está localizada em planaltos pouco elevados (30-200 metros) e apresenta um solo extremamente pobre em nutrientes. Isto forçou uma adaptação das raízes das plantas, que, através de uma associação simbiótica com alguns tipos de fungos, passaram a decompor rapidamente a matéria orgânica depositada no solo, a fim de absorver os nutrientes antes deles serem lixiviados. A floresta fluvial alagada também apresenta algumas adaptações às condições do ambiente, como raízes respiratórias, que possuem poros que permitem a absorção de oxigênio atmosférico. As áreas localizadas em terrenos baixos e sujeitos a inundações periódicas por águas brancas ou turvas, provenientes de rios de regiões ricas em matéria orgânica, são chamadas de florestas de várzea. E as áreas alagadas por águas escuras, que percorrem terras arenosas e pobres em minerais e que assumem uma coloração escura devido à matéria orgânica presente, são chamadas de florestas de igapó. A oscilação do nível das águas pode chegar a até dez metros de altura. A dificuldade para a entrada de luz pela abundância de copas faz com que a vegetação rasteira seja muito escassa na Amazônia, bem como os animais que habitam o solo e precisam desta vegetação. A maior parte da fauna amazônica é composta de animais que habitam as copas das árvores, entre 30 e 50 metros. A diversidade de espécies, porém, e a dificuldade de acesso às altas copas, faz com que grande parte da fauna ainda seja desconhecida. A fauna e flora amazônicas foram descritas no impressionante “Flora Brasiliensis” (15 volumes), de Carl von Martius, naturalista austríaco que dedicou boa parte de sua vida à pesquisa da Amazônia, no século XIX. A Amazônia não é homogênea, ao contrário, ela é formada por um mosaico de hábitats bastante distintos. A diversidade de hábitats inclui as florestas de transição, as matas secas e matas semidecíduas; matas de bambu (Guadua spp.), campinaranas, enclaves de cerrado, buritizais, florestas inundáveis (igapó e várzea), e a floresta de terra firme.

Controvérsias
Conservação e desmatamento

O desmatamento é a conversão de áreas florestais para áreas não florestadas. As principais fontes de desmatamento na Amazônia são assentamentos humanos e o desenvolvimento da terra. Antes do início dos anos 1960, o acesso ao interior da floresta era muito restrito e a floresta permaneceu basicamente intacta. Fazendas estabelecidas durante a década de 1960 eram baseadas no cultivo e corte e no método de queimar. No entanto, os colonos eram incapazes de gerir os seus campos e culturas por causa da perda de fertilidade do solo e a invasão de ervas daninhas. Os solos da Amazônia são produtivos por apenas um curto período de tempo, o que faz com que os agricultores estejam constantemente mudando-se para novas áreas e desmatando mais florestas. Estas práticas agrícolas levaram ao desmatamento e causaram extensos danos ambientais. O desmatamento é considerável e áreas desmatadas de floresta são visíveis a olho nu do espaço sideral. Entre 1991 e 2000, a área total de floresta perdida na Amazônia subiu de 415.000 para 587 000 quilômetros quadrados, com a maioria da floresta desmatada sendo transformada em pastagens para o gado. Setenta por cento das terras anteriormente florestadas da Amazônia e 91% das terras desmatadas desde 1970 são usadas para pastagem de gado. O Brasil também é um dos maiores produtores mundiais de soja depois dos Estados Unidos. As necessidades dos agricultores de soja têm sido usadas para validar muitos dos projetos de transporte controversos que estão atualmente em desenvolvimento na Amazônia. As duas primeiras rodovias com sucesso abriram a floresta tropical e levaram ao aumento do desmatamento. A taxa de desmatamento médio anual entre 2000 e 2005 (22.392 km² por ano) foi 18% maior do que nos últimos cinco anos (19.018 km² por ano). Na primeira década do século XXI, o desmatamento tinha diminuído significativamente na Amazônia brasileira. No entanto, de acordo com dados do Instituto Socioambiental (Isa), nos dois primeiros meses de 2019 a destruição da vegetação nativa na bacia do rio Xingu atingiu 8.500 hectares de floresta, o equivalente a 10 milhões de árvores e superou em 54% o desmatamento no mesmo período em 2018. Os dados foram obtidos por meio do Sirad X, o sistema de monitoramento de desmatamento da Rede Xingu +. Em 21 de Agosto de 2019, após o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectar mais 74 mil focos de incêndios florestais na Amazônia. Ambientalistas estão preocupados com a perda de biodiversidade resultante da destruição da floresta. Outro fator preocupante é a emissão de carbono, que pode acelerar o aquecimento global. A vegetação da Amazônia possui cerca de 10% das reservas de carbono do mundo em seu ecossistema. Estudos mostram que o desmatamento insustentável da floresta levará à redução das chuvas e ao aumento da temperatura.

Privatizações

Em Agosto de 2017, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) a decisão do presidente Michel Temer de extinguir a Reserva Nacional do Cobre e seus associados (Renca), liberando uma área com 47 mil metros quadrados para mineração privada. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que “O decreto é o maior ataque à Amazônia dos últimos 50 anos. Nem a ditadura militar ousou tanto. Nem a Transamazônica foi tão ofensiva. Nunca imaginei que o governo tivesse tamanha ousadia”. Gisele Bundchen também criticou a decisão dizendo: “VERGONHA! Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados”. O diretor-executivo da WWF no Brasil, Maurício Voivodic disse que “É uma tragédia realmente anunciada. Vai resultar em desmatamento, contaminação dos rios e o perigo da atividade mineira é associado a outras atividades ilegais, como garimpo. É uma visão antiga de desenvolvimento, da Amazônia como provedora de recursos naturais”. Voivodic citou como exemplo o desastre de Mariana e do Rio Doce envolvendo a mineradora Samarco.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Apoastro - astronomia

Apoastro é o ponto da órbita de um corpo celeste ou de uma nave espacial em que ele se encontra mais distante do astro em torno do qual gravita. Comumente as naves espaciais giram em torno dos corpos celestes em órbitas elípticas e elas sempre apresentam um ponto de maior distância relativa, que é denominado de apoastro. Se estiver se referindo a um planeta do Sistema Solar que orbita em torno do Sol, neste caso este ponto recebe o nome específico de afélio. No caso de se referir a satélites (naturais ou artificiais) que orbitem em torno da Terra, este ponto recebe o nome específico de apogeu.

Satélites artificiais

Certas sondas recém-lançadas são inicialmente colocadas em uma órbita bastante excêntrica, com um elevado apoastro e um baixo periastro. Costumam acionar seus foguetes de manobra quando atingem seu apoastro, a fim de se manterem naquela altitude, saindo de uma órbita muito excêntrica para uma órbita mais circular e mais elevada. Este procedimento é utilizado por alguns satélites recém-lançados e que precisam ficar em uma órbita geoestacionária, assim poupa-se propelente.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Apoastro

Biografia de Aristófanes

Aristófanes
(Em grego antigo: Ἀριστοφάνης, c. 447 a.C. — c. 385 a.C.). Aristófanes foi um dramaturgo grego. É considerado o maior representante da comédia antiga.  Nasceu em Atenas e, embora sua vida seja pouco conhecida, sua obra permite deduzir que teve uma formação requintada. Aristófanes viveu toda a sua juventude sob o esplendor do Século de Péricles. Aristófanes foi testemunha também do início do fim de Atenas. Ele viu o início da Guerra do Peloponeso, que arruinou a Hélade. Ele, da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos na destruição econômica, militar e cultural de sua cidade-estado. À sua volta, à volta da acrópole de Atenas, florescia a sofísti-ca – a arte da persuasão –, que subvertia os conceitos religiosos, políticos, sociais e culturais da sua civilização. Conta-se que teve dois filhos, que também seguiram a carreira do pai.

Obras

Escreveu mais de quarenta peças, das quais apenas onze são conhecidas. Conservador, revela hostilidade às inovações sociais e políticas e aos deuses e homens responsáveis por elas. Seus heróis defendem o passado de Atenas, os valores democráticos tradicionais, as virtudes cívicas e a solidariedade social. Violentamente satírico, critica a pomposidade, a impostura, os desmandos e a corrupção na sociedade em que viveu. Seu alvo são as personalidades influentes: políticos, poetas, filósofos e cientistas, velhos ou jovens, ricos ou pobres. Comenta em diálogos mordazes e inteligentes todos os temas importantes da época – a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, os métodos de educação, as discussões filosóficas, o papel da mulher na sociedade, o surgimento da classe média. Em “Lisístrata” ou “A Greve do Sexo” (411 a.C.), as mulheres fazem greve de sexo para forçar atenienses e espartanos a estabelecerem a paz. Em “As Vespas” (422 a.C.), discute a importância da verdade e seus benefícios, revelando sua preocupação com a ética. Na peça “As Nuvens” (423 a.C.), compara Sócrates aos sofistas, mestres da retórica, e acusa o filósofo grego de exercer uma influência nefasta sobre a sociedade. Na comédia “Os Acarnianos” ou "Acarnenses", representada no ano 425 a.C., ele ridiculariza os partidários da guerra com Esparta. Suas outras obras são “Os Cavaleiros” (424 a.C.), “A Paz” (421 a.C.), “As Aves” (414 a.C.), “As Tesmoforiantes” ou As Mulheres que Celebram as Tesmofórias (411 a.C.), “As Rãs” (405 a.C.), “As Mulheres na Assembleia” ou Assembleia de Mulheres (392 a.C.) e “Pluto” ou "Um Deus Chamado Dinheiro" (388 a.C.).

Os Acarnânios (obra)

Os Acarnânios (também conhecida como Os Acarnianos ou Os Acarnanes) é uma peça de teatro, em forma de sátira, do dramaturgo grego Aristófanes. O texto ridiculariza os partidários da Guerra do Peloponeso, por meio da personagem principal, Diceópolis. Camponês, ele vai à pólis exigir providências da Assembleia, mas a encontra vazia, só usada por hipócritas ou demagogos. A partir daí, começa a criticar a política adotada por Atenas durante a guerra, que só traz sofrimento para o povo, enquanto os bens nascidos ou aqueles sabem se aproveitar da retórica e iludem o povo levam a melhor. Nesta peça, Aristófanes pronuncia sua opinião por meio da parábase — uma entrada do coro, que se volta para a plateia e discorre sobre as atitudes do autor.

Os Cavaleiros (obra)

Os Cavaleiros (em grego antigo: Ἱππεῖς, transliteração: Hippeîs; grego ático: Ἱππῆς) foi a quarta peça escrita por Aristófanes, mestre da antiga forma de drama conhecida como Comédia Antiga. A peça é uma sátira da vida social e política da Atenas clássica durante a Guerra do Peloponeso, e neste ponto tem o perfil típico de todas as primeiras peças do autor. É única, no entanto, por ter um número relativamente pequeno de personagens, concentrando sua ação principalmente num só homem, o populista pró-guerra Cléon. Cléon havia processado Aristófanes por caluniar a pólis numa peça anterior, “Os Babilônios” (de 426 a.C.), o que fez o jovem dramaturgo jurar vingança em “Os Acarnianos” (425 a.C.). A vingança veio no ano seguinte, com Os Cavaleiros; a peça, muito fundamentada pela alegoria, e considerada por pelo menos um estudioso moderno como ‘um fracasso constrangedor’ era uma crítica desenfreada a Cléon, um dos homens mais poderosos da Atenas antiga. Conquistou o primeiro prêmio no festival das Leneias.

As Nuvens (obra)

As Nuvens é uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 423 AEC. A comédia é dirigida contra os sofistas, que o comediógrafo confunde com Sócrates (por ser o filósofo de maior destaque naquela época). O autor revolta-se contra as propostas pedagógicas e éticas dos sofistas, pretendendo evidenciar as fatais consequências desta educação nova. Aristófanes critica esses pensadores principalmente por seus princípios éticos e pedagógicos, além de acusá-los de ateísmo. O comediógrafo aponta os sofistas como imorais e sem ética, já que a sua retórica tinha dois argumentos, o Justo e o Injusto, sendo que o argumento Injusto é vencedor no confronto dos dois. Além disso, ele critica o fato destes educadores serem remunerados, o que para ele não passa de um estelionato, e a predileção dos sofistas pela retórica. Outra crítica encontrada em "As Nuvens", é a feita a uma nova elite ateniense, personificada por Fidípides, perdulária e avessa a valores tradicionais, como o trabalho, que se faz presente na figura de Estrepsíades.

As Vespas (obra)

As Vespas (em grego: Σφῆκες, transliteração: Sphēkes) foi uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 422 a.C. Na peça o autor tem como alvo principal os juízes atenienses, os quais o comediógrafo já havia satirizado em pequenas passagens de outras peças, como, por exemplo, em “As Nuvens” (423 a.C.). A peça retrata o filho de um dicasta (um juiz comparando com os nossos tempos) mostrando para seu pai que está sendo enganado por Cléon (mais importante dos líderes), rouba se dinheiro e de todos os outros conseguindo levá-los pelas suas belas palavras. O nome da peça foi dado por “As Vespas”, se comparando a picada e uma vespa, que de imediato não se sente nada, porém apos um tempo há uma dor do nada, sendo o começo da peça um um juiz burro que é enganado, e no final da peça demonstra que os burros enganados é a plateia (os próprios juízes).

A Paz (obra)

A Paz (Eirēnē em grego clássico) é uma das comédias de Aristófanes, apresentada na Grande Dionísia de 421 a.C.. O enredo diz respeito ao voo ao céu sobre um besouro de esterco monstruoso de um fazendeiro cansado de guerra, chamado Trigeu, que procura a deusa perdida Paz apenas para descobrir que o Deus da Guerra a enterrou num buraco. Com a ajuda de um coro de fazendeiros, Trigeu resgata-a, e a peça termina com uma celebração alegre do casamento e da fertilidade.

As Rãs (obra)

As Rãs (em grego: Βάτραχοι) é uma comédia escrita pelo autor grego Aristófanes. Foi apresentada a público num dos festivais dedicado a Dionísio, no ano de 405 a.C. Na peça, a sua meta é atingir a hierarquia de valores estéticos e afetivos numa Grécia que lhe parecia decadente. O drama narra a ida do deus Dioniso ao Inferno com a intenção de levar de volta à vida um grande tragediógrafo, Eurípedes, que morrera pouco tempo atrás, deixando Atenas carente de um bom conselho e um bom conselheiro. Sua vontade, entretanto, será modificada no decorrer do ágon entre os dois poetas trágicos que estão no tártaro: Ésquilo e Eurípedes. Comédia antiga, a peça nos mostra um pouco do interessante mundo que animou esses três grandes gregos, seus posicionamentos e suas paixões.

As Mulheres na Assembleia (obra)

As Mulheres na Assembleia (em grego: Ἐκκλησιάζουσαι, transliteração: Ekklēsiázousai), também chamada “A Assembleia das Mulheres” ou até “A Revolução das Mulheres”, é uma peça teatral de Aristófanes. Foi encenada pela primeira vez em 392 a.C., em Atenas. É curiosamente similar à “Lisístrata”, na qual uma grande parte da comédia vem da situação de mulheres se envolvendo na política.

Enredo

A peça gira em torno de um grupo de mulheres, cuja líder é Praxagora. Ela decidiu que as mulheres deveriam convencer os homens a lhes dar o controle de Atenas, pois elas poderiam governar melhor do que os homens vinha governando. As mulheres, disfarçadas como homens, esgueiram-se pela assembleia e votam a medida, convencendo alguns homens a também votarem, pois é a única coisa que eles nunca tentaram. As mulheres, então, instituem um governo no qual o estado alimenta, provê moradia e toma conta de cada ateniense. Elas reforçam a ideia de equidade permitindo que cada homem se deite com qualquer mulher, desde que ele se deite primeiro com toda mulher em Atenas que seja mais feia do que a escolhida. A propriedade privada é abolida e todo dinheiro e propriedade vão para um fundo comum. Todos os gastos e compras de cada indivíduo são pagas com o dinheiro do fundo comum. Qualquer indivíduo que possua propriedades é considerado ladrão da comunidade.

Pluto (obra)

Pluto (Πλοῦτος) é uma comédia escrita por volta de 380 a.C. pelo autor grego Aristófanes. A peça é protagonizada por Plutão, o deus grego da riqueza, e como a maioria de suas obras, é uma sátira política da Atenas da época que inclui um mestre estúpido, um escravo insubordinado e muitos ataques à moralidade na época. A peça é estrelada por Cremilo, um idoso cidadão ateniense e seu escravo Cario. Cremilo vê a si mesmo e sua família como virtuosos, mas pobres. Ele está preocupado com isso e pede conselhos a um oráculo. A obra começa logo após receber o conselho para seguir o primeiro homem que ele conhece e convencê-lo a acompanhá-lo até sua casa. Este homem acaba por ser o deus Plutão. A primeira parte da obra examina como a riqueza não é distribuída entre os virtuosos, nem necessariamente entre os não-virtuosos, mas distribuída aleatoriamente. Cremilo está convencido de que, se os olhos de Plutão fossem restaurados, esses erros poderiam ser corrigidos e o mundo seria um lugar melhor. A segunda parte apresenta a deusa Pobreza, que refuta o raciocínio de Cremilo de que é melhor ser rico, argumentando que sem pobreza não haveria escravos (pois todos eles poderiam comprar sua liberdade) nem teriam refeições ou bens de luxo (pois ninguém trabalharia se todos fossem ricos). Finalmente, Plutão tem a vista curada. Plutão da riquezas para alguns e se afasta daqueles que vê que não são virtuosos. Isso leva a comentários rancorosos e clamores de injustiça por parte dos que perderam suas riquezas. A obra teria sido representada perante os dirigentes atenienses da época. Quase todos eles teriam sido ricos, e muitos não teriam sido virtuosos. Aristófanes guarda deliberadamente para eles os seus ataques mais mordazes.

Outras obras de Aristófanes neste blog

  • Lisístrata
  • As Tesmoforiantes
  • As Aves

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aristófanes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Acarnânios
https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Cavaleiros
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Nuvens
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Vespas
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Paz_(peça)
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Rãs
https://pt.wikipedia.org/wiki/As_Mulheres_na_Assembleia
https://es.wikipedia.org/wiki/Pluto_(comedia)

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Biografia de Ellen G. White

Ellen White em 1864.
Ellen Gould White nasceu em Gorham, Maine, Estados Unidos da América, a 26 de Novembro de 1827, e, faleceu em Santa Helena, Califórnia, a 16 de Julho de 1915. Ellen G. White foi uma escritora cristã norte-americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial e é considerada profetisa pelos adventistas do sétimo dia.
A posição da Igreja Adventista sobre o dom de Ellen White

Manifestações proféticas foram descritas diversas vezes na Bíblia. Com base nos ensinamentos bíblicos de Joel 2 e Efésios 4, os adventistas do sétimo dia entendem que nos "últimos dias" (período que antecede a segunda vinda de Jesus) o "dom de profecia" seria novamente manifestado entre os cristãos para orientar a Igreja. Os adventistas se identificam como sendo o povo remanescente descrito em Apocalipse 12:17, o qual "guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus". Para os adventistas, o "testemunho de Jesus" (que é o dom da profecia segundo Apocalipse 19:10) também consiste nas mensagens de Ellen White. Baseados nos exemplos e ensinamentos bíblicos, os adventistas entendem que existem quatro características que distinguem um verdadeiro profeta de um falso profeta:
  • Sua mensagem deve estar em plena concordância com a Bíblia.
  • Sua mensagem deve reconhecer a divindade e encarnação de Jesus Cristo.
  • Deve produzir bons frutos em sua vida particular e sua mensagem deve impactar positivamente a vida daqueles que a aceitam.
  • Suas predições devem cumprir-se.

Para os adventistas, Ellen White possui todas estas quatro características e, portanto, eles a consideram uma profetisa contemporânea. Os adventistas, entretanto, não colocam Ellen White na mesma categoria dos grandes profetas como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, cujos escritos formam parte das Escrituras Sagradas. Eles entendem que Ellen White entra na linha de profetas que foram chamados por Deus para dar ânimo, conselho e admoestação ao povo de Deus, mas cujos escritos não entram no cânon sagrado. Temos os seguintes exemplos de profetas desta linha: Natã, Gade, Enã, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Ido e Obede no Antigo Testamento, e Simeão, João Batista, Ágabo e Silas no Novo. A linha também inclui mulheres como Miriã, Débora e Hulda, que foram denominadas profetisas, em tempos antigos, bem como Ana ao tempo de Cristo, e as quatro filhas de Filipe, "que profetizavam" segundo Atos 21:9.

A posição de Ellen White sobre o seu dom

Ellen White jamais assumiu o título de profetisa, mas não se opunha a que os outros assim a identificassem. Ela explicou: “Cedo em minha juventude foi-me perguntado muitas vezes: É você uma profetisa? Sempre tenho respondido: Sou a mensageira do Senhor. Sei que muitos me têm chamado de profetisa, mas jamais reivindiquei esse título. ... Por que não reivindico ser chamada de profetisa? Porque nestes dias muitos que audaciosamente pretendem ser profetas, representam um opróbrio à causa de Cristo; e porque minha obra inclui muito mais do que o termo ‘profeta’ significa. ... Reivindicar ser profetisa é algo que jamais fiz. Se outros me chamam por esse nome, não discuto com eles. Mas a minha obra abrange tantos aspectos, que não posso chamar-me a mim mesma senão uma mensageira”. — Ellen G. White

Obra literária de Ellen White

Durante sua vida, Ellen White escreveu a mão mais de 5 mil artigos e 40 livros. À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130. Hoje em dia, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 150 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 90 em português.

Temática

As obras de Ellen White tratam de teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (ela foi uma defensora do vegetarianismo). Seus escritos são restauracionistas e se esforçam para mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Nos seus livros, ela evidencia a existência de um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como “o grande conflito” e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia adventista.

Popularidade

Na década de 1980, Roger W. Coon (autor do livro “A Gift of Light”) fez uma pesquisa na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e concluiu que, naquela época, Ellen White era a quarta autora mais traduzida na história da literatura, possuindo livros traduzidos para 117 línguas diferentes. Como os três primeiros colocados eram homens não americanos, isto conferiu a Ellen White, naquela época, o título de escritora mulher mais traduzida de todos os tempos bem como o título de autor americano mais traduzido de todos os tempos. Atualmente, quase três décadas depois da pesquisa de Roger W. Coon, Ellen White possui livros traduzidos em mais de 160 línguas diferentes. O seu livro mais popular é “Caminho a Cristo”, que apresenta a essência do viver cristão. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1892 e, de acordo com o “The Ellen G. White Estate” (organização proprietária dos escritos originais de Ellen White e responsável pela publicação de suas obras), desde então já foi publicado em mais de 165 línguas. Assim, embora não se tenha um ranking atual exato, este número certamente faz do livro "Caminho a Cristo" uma das obras literárias mais traduzidas de todos os tempos e, consequentemente, de Ellen White uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial. Outras obras bastante populares de Ellen White são “O Desejado de Todas as Nações”, que apresenta uma biografia de Jesus Cristo, e “O Grande Conflito”, que narra o conflito entre o bem e o mal começando pelo início do cristianismo e chegando até o final dos tempos.

Assistentes literários

Ao escrever, Ellen White nem sempre usava de maneira perfeita a gramática, ortografia, pontuação, construção de sentenças ou parágrafos. Ela reconhecia francamente sua falta de tais habilidades técnicas. Em 1873 ela lamentou: “Não sou um erudito. Não posso preparar meus próprios escritos para o prelo.... Não sou um gramático” (“Mensagens Escolhidas”, vol. 3, p. 90). Ela sentiu necessidade da ajuda de outros no preparo de seus manuscritos para publicação. Seu filho William Clarence White descreve os limites que ela estabeleceu para os assistentes: “Aos copistas de mamãe é confiada a obra de corrigir os erros gramaticais, de eliminar repetições desnecessárias, e de agrupar os parágrafos e seções na melhor ordem.… As experientes colaboradoras de minha mãe, tais como as irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, que estão muito familiarizadas com seus escritos, são autorizadas a pegar uma sentença, parágrafo, ou seção de um manuscrito e incorporá-los em outro manuscrito onde o mesmo pensamento foi expresso mas não tão claramente. Mas nenhuma das funcionárias de mamãe está autorizada a fazer acréscimos aos manuscritos introduzindo ideias próprias” (W. C. White para G. A. Irwin, 7 de Maio de 1900). Apesar do trabalho dos assistentes, nada ficava sem a supervisão de Ellen White: “Leio tudo que é copiado, para ver se tudo está como deveria. Leio todo o manuscrito do livro antes de mandá-lo para o impressor. Desta maneira, você pode ver que meu tempo é completamente ocupado” (Carta 133, 1902).

Omissão de trechos

Em 1883, respondendo à acusação de que havia suprimido parte de sua mensagem, Ellen White escreveu: “Ao contrário de desejar reter qualquer coisa que eu tenha publicado, sentiria grande satisfação em dar ao público cada linha de meus escritos já publicados”. (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 60). Uma análise das alegadas "supressões" de Ellen White pode ser encontrada em Ellen G. White and Her Critics, de F. D. Nichol, pp. 267–285 e 619-643.

Disponibilidade

Quase a totalidade dos escritos publicados de Ellen White podem ser acessados online gratuitamente, em dezenas de diferentes idiomas incluindo o português. Tais obras também podem ser acessadas através de aplicativo de celular e baixadas em formato de ebook. Algumas delas também podem ser baixadas em formato de audiolivro. As obras não publicadas (cartas e manuscritos) podem ser pesquisados para estudo em um dos diversos "Centros de Pesquisa Ellen G. White" da IASD estabelecidos ao redor do mundo, dois dos quais no Brasil (um no UNASP de Engenheiro Coelho-SP e outro na FADBA em Cachoeira-BA).

Títulos principais

A seguir, uma lista dos escritos mais populares e influentes de Ellen White.

Série Conflito (série de livros)
  • Patriarcas e Profetas (Patriarchs and Prophets - 1890) - Reflexões sobre a primeira metade do Antigo Testamento.
  • Profetas e Reis (Prophets and Kings - 1917) - Reflexões sobre a segunda metade do Antigo Testamento.
  • O Desejado de Todas as Nações (The Desire of Ages - 1898) - Reflexões sobre a vida de Jesus Cristo.
  • Atos dos Apóstolos (The Acts of the Apostles - 1911) - Reflexões sobre a igreja primitiva do Novo Testamento.
  • O Grande Conflito (The Great Controversy - 1888) - Reflexões sobre a história cristã e profecias sobre o fim dos tempos.

Outros:
  • Caminho a Cristo (Steps to Christ - 1892) - Um livro evangelístico explicando como ter uma conexão viva com Jesus Cristo.
  • Parábolas de Jesus (Christ's Object Lessons - 1900) - Uma exposição do significado das parábolas de Jesus.
  • O Maior Discurso de Cristo (Thoughts from the Mount of Blessing - 1896) - Uma exposição das lições de Jesus no Sermão da Montanha.
  • Primeiros Escritos (Early Writings – 1882).
  • Educação (Education – 1903).
  • A Ciência do Bom Viver (The Ministry of Healing – 1905).

Biografia
Nascimento na fazenda


Ellen e sua irmã gêmea Elisabete nasceram no dia 26 de Novembro de 1827. O nascimento ocorreu numa pequena fazenda no nordeste dos Estados Unidos, na cidade de Gorham. Os pais de Ellen, o fazendeiro Roberto Harmon e sua esposa Eunice, tinham mais seis filhos além das gêmeas.

Acidente na cidade

Poucos anos depois do nascimento das gêmeas, Roberto Harmon abandonou o trabalho da fazenda e se mudou para a cidade de Portland, onde se dedicou aos negócios exercendo a profissão de chapeleiro. Quando Ellen tinha nove anos de idade, sofreu um grave acidente que quase lhe causou a morte. Ela atravessava a praça da cidade na companhia de sua irmã gêmea e de uma colega quando uma pedra, arremessada por uma garota de aproximadamente treze anos, lhe atingiu o nariz fazendo-a desmaiar. Após acordar tentou ir caminhando para casa, mas sentiu-se atordoada e teve que ser carregada por sua irmã e pela colega. Por conta do acidente, Ellen acabou ficando inconsciente durante três semanas e ninguém além de sua mãe acreditava que ela seria capaz de se reestabelecer. Entretanto, Ellen conseguiu recobrar a consciência e foi recuperando as forças vagarosamente. Nos anos seguintes, Ellen sofreu grandemente como resultado deste sério ferimento no nariz, especialmente no que se refere à educação.

Educação

Durante dois anos, Ellen não podia respirar pelo nariz e pouco frequentou a escola. Ela não conseguia reter na memória o que aprendia. A mesma menina que lhe arremessou a pedra foi nomeada monitora pela professora para ajudar Ellen com os estudos. A menina era meiga e paciente com Ellen e se mostrava triste ao ver Ellen lutando com as dificuldades para aprender. Ellen sofria com o sistema nervoso abalado, mãos trêmulas, tontura e tosse. A mais forte luta da juventude de Ellen foi decidir seguir o conselho dado por suas professoras de abandonar a escola e não retomar os estudos antes de sua saúde melhorar.

Conversão ao metodismo

No ano de 1840, Ellen e seus pais participaram de uma reunião campal da Igreja Metodista em Buxton, Maine, e Ellen, na ocasião com 12 anos de idade, entregou seu coração a Deus. Em 26 de Junho de 1842, a seu pedido, ela foi batizada por imersão em Casco Bay, Portland. No mesmo dia, Ellen foi aceita como membro da Igreja Metodista.

O Início de seu ministério

Ellen White relatou sobre sua primeira experiência visionária em Dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de Outubro de 1844. “Nesta época visitei a irmã Haines, uma irmã em Cristo cujo coração estava cingido ao meu. Éramos cinco pessoas, todas mulheres, reverentemente curvadas ante o altar da família. Enquanto orávamos, o poder de Deus desceu sobre mim como antes não o experimentara ainda. Pareceu-me estar rodeada de luz, e ir-me elevando acima da Terra”. (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 270). A primeira visão da Irmã. White tinha por objetivo erguer os adventistas desencorajados e fragmentados a fim de uni-los novamente. Ela viu o "povo do advento" viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém. “Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Alguns dos viajantes ficaram cansados e foram encorajados por Jesus; outros negavam a existência da luz que os guiava e "caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio”. A visão continuou com cenas da segunda vinda de Cristo, seguida da entrada do povo do advento na Nova Jerusalém; e termina com o retorno de Ellen White à Terra, sentindo-se solitária, desolada e almejando um "mundo melhor". Como Godfrey T. Anderson salienta, “Com efeito, a visão garantiu ao povo adventista um eventual triunfo, a despeito do imediato desespero no qual eles haviam mergulhado”. A segunda visão de White relacionava-se às visões de Crozier sobre o desapontamento de 22 de Outubro. Ela tornou-se conhecida como a visão do "Noivo"; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em Fevereiro de 1845. Juntamente com a terceira visão, onde White viu a nova terra, essas visões “Deram um contínuo significado à experiência de outubro de 1844 e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário. Além disso, as visões desempenharam um importante papel no combate às visões espirituais de muitos adventistas fanáticos, retratando Deus e Jesus como seres literais e o Céu como um lugar físico”. Temendo uma recepção negativa, Ellen não compartilhou suas visões com toda a comunidade Milerita, até que, durante uma reunião na casa de seus pais, ela recebeu o que ela considerou como sendo uma confirmação sobrenatural de seu ministério: “Enquanto orávamos, a densa escuridão que me envolvia foi dispersa, uma luz brilhante, como uma bola de fogo, veio em minha direção. Senti como se ela estivesse sobre mim e então minhas forças foram tomadas. Eu parecia estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente foi dito, ‘Torne conhecido a outros o que lhe revelei’”. Logo em seguida, Ellen começou a dar seu testemunho publicamente, em reuniões que muitas vezes ela mesma organizou; como também nos encontros regulares da Igreja Metodista realizados em casas particulares. “Combinei reuniões com minhas jovens amigas, algumas das quais eram bem mais velhas do que eu, e algumas eram pessoas casadas. Várias delas eram vãs e irrefletidas; minha experiência assemelhava-se-lhes um conto ocioso, e não davam ouvidos às minhas súplicas. Decidi, porém, que meus esforços não cessariam enquanto essas queridas almas, por quem sentia tão grande interesse, não se entregassem a Deus. Várias noites inteiras foram passadas por mim em fervorosa oração por aquelas a quem eu havia buscado e reunido no intuito de trabalhar e orar por elas”. As notícias de suas visões propagaram-se, e em seguida White fez viagens a fim de pregar aos grupos de seguidores Mileritas no Maine e nas regiões ao redor. Suas visões não foram divulgadas mais amplamente até 24 de Janeiro de 1846, quando o relato da primeira visão de White, “Letter From Sister Harmon” foi publicado em Day Star, um folheto Milerita publicado em Cincinnati, Ohio, por Enoch Jacobs. Ela escreveu a Jacobs para encorajá-lo, e embora ela tenha dito que a carta não foi escrita para ser publicada, Jacobs publicou-a da mesma forma. Ao longo dos poucos anos que se seguiram, ela foi republicada de diversas maneiras, fazendo também parte do primeiro livro de White, “Christian Experience and Views”, publicado em 1851. Dois Mileritas afirmaram ter tido visões antes de Ellen White – William Ellis Foy (1818-1893), e Hazen Foss (1818-1893). Os Adventistas creem que o dom oferecido anteriormente a estes dois homens foi transferido para Ellen White, por eles o haverem rejeitado tendo em vista a responsabilidade, o trabalho e as dificuldades que enfrentariam ao se tornarem mensageiros da Palavra do Senhor.

Casamento e família

James e Ellen White, c.1868.
Em 1845 Ellen encontrou com aquele que viria a ser seu esposo, James Springer White (em língua portuguesa ele é conhecido como Tiago White), um milerita que se convenceu de que as visões de Ellen eram genuínas. Um ano mais tarde, James a pediu em casamento, e em 30 de Agosto de 1846 eles se casaram perante um juiz de paz em Portland, Maine. Mais tarde James escreveu: “Casamo-nos em 30 de Agosto de 1846, e daquele momento em diante ela tem sido minha coroa de júbilo… Têm sido na boa providência de Deus que nós temos nos regozijado com a profunda experiência do movimento adventista. Tal experiência é agora necessária para que unamos nossas forças e unidos, possamos trabalhar extensivamente do oceano Atlântico ao Pacífico”… Tiago e Ellen tiveram quatro filhos, todos homens: Henry Nichols, nascido em 26 de Agosto de 1847; James Edson, nascido em 28 de Julho de 1849; William Clarence, nascido em 29 de Agosto de 1854; e John Hebert, nascido em 20 de Setembro de 1860. Somente Edson e William viveram até a vida adulta. John Hebert morreu de erisipela aos três meses de idade, e Henry morreu de pneumonia aos 16 anos em 1863.

O decorrer de sua vida

Ao descrever suas experiências com visões, Ellen White dizia ser envolvida por uma brilhante luz. Nestas visões ela estaria na presença de Jesus ou de anjos que lhe mostrariam eventos (históricos e futuros) e lugares (na terra, no céu, ou outros planetas), ou lhe davam informações. Ela descrevia o fim dessas visões como sendo envolvida e trazida de volta à escuridão da Terra. Segundo testemunhado publicamente por congregações e até por descrentes de seu dom, entre eles um médico, quando estava em visão não respirava, ficava de olhos abertos e olhar sereno, como se olhasse ao longe. Neste estado podia ficar por minutos ou horas. Ao sair da visão, lhe era determinado imediatamente escrevê-la. As transcrições das visões de White geralmente continham teologia, orientações de saúde, de profecia, ou conselhos pessoais a indivíduos ou a líderes adventistas. Um dos melhores exemplos de seus conselhos pessoais é encontrado em um livro intitulado Testemunhos para a Igreja, uma série de 9 volumes, que contém testemunhos publicados para a edificação geral da igreja. As versões faladas e escritas de suas visões desempenham um papel significativo em moldar a estrutura organizacional da emergente Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além disso, elas continuam a ser usados por líderes da igreja no desenvolvimento das políticas da Igreja e para a leitura devocional. Em 14 de Março de 1858, em Lovett Grove, Ohio, White recebeu uma visão enquanto participava de um funeral. Naquele dia, Tiago White escreveu que “Deus manifestou Seu poder de forma maravilhosa” acrescentando que “muitos se decidiram a guardar o Sábado do Senhor e se unir ao povo de Deus”. Ellen, no seu escrito sobre esta visão, declarou ter recebido instruções práticas para membros da igreja, e algo ainda mais significativo: um vislumbre cósmico do conflito “entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos”. Ellen White exporia este tema do grande conflito que finalmente se transformaria na série Conflito dos Séculos. Segundo seus defensores, foi-lhe mostrado a guerra da secessão americana, o surgimento do moderno espiritismo, a supremacia dos EUA no mundo entre outras profecias com pleno cumprimento.

O ministério após a morte de seu marido

Após 1882 Ellen White foi assistida de perto por amigos e associados. Ela contratou assistentes literárias que a ajudariam no preparo de seus escritos para a publicação. Também mantinha uma intensiva correspondência com líderes da igreja. Ellen, então, viajou para a Europa em sua primeira viagem internacional. Após seu regresso, ela apoiou E. J. Waggooner e A. T. Jones, jovens pastores, no desenvolvimento da doutrina da Justificação pela Fé. Alguns líderes da igreja resistiram ao seu conselho e, para evitar conflitos, ela foi enviada a Austrália como missionária.

Morte

Ellen G. White morreu em Santa Helena em 16 de Julho de 1915 aos 87 anos. Encontra-se sepultada em Oak Hill Cemetery, Battle Creek, Michigan nos Estados Unidos. Suas últimas palavras foram: “Eu sei em quem tenho crido”.

A mensagem de Ellen White

A vontade de Ellen White era que o mundo fosse "contagiado" pela mensagem da segunda volta de Cristo à Terra para buscar aqueles que servem ao único Deus. Ela diz em seus escritos: “Eu sinto meu espírito agitado dentro de mim. Eu sinto até o fundo de minha alma que a verdade deve ser levada a outros países e nações, e a todas as classes. Que os missionários da cruz proclamem que há um só Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo, o Filho do Infinito Deus. Isto precisa ser proclamado em cada igreja em nossa terra. Os cristãos precisam saber disso, e não colocar os homens onde Deus deveria estar, para que eles não sejam mais adoradores de ídolos, mas sim do Deus vivo. Existe idolatria nas nossas igrejas”. Muitas vezes, sua mensagem era reflexo dos pensamentos dos Adventistas pioneiros de sua época. Esses pensamentos ela chamou de "Fundamentos da Nossa Fé" e escreveu: “Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixe os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência”. Sobre a sublime missão da mulher (ser mãe), escreveu Ellen G. White: “Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem como o escritor, de expressar um nobre sentimento em eloquentes palavras, nem como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Ela tem, sim, com o auxílio divino, de gravar na alma humana a imagem de Deus”.

Controvérsias

A irmã White foi uma figura controversa em seu tempo, gerando ainda hoje muitas discussões, especialmente entre outros grupos cristãos, assim como de pessoas de outras religiões. Ellen afirmou ter recebido uma visão logo após o Grande Desapontamento Milerita. Num contexto onde muitas outras pessoas alegavam também ter recebidos visões, ela era conhecida por sua convicção e fervorosa fé. Randall Balmer, a descreveu como “uma das figuras mais vibrantes e fascinantes da história da religião americana”. Já Walter Martin afirmou que ela era “uma das personagens mais fascinantes e controversas do seu tempo a aparecer no horizonte da história religiosa”. Alguns ensinamentos de Ellen G. White causaram controvérsia, tanto na academia quanto entre religiosos. Passagens da obra de Ellen G. White também já foram acusadas de racismo e de plágio. Entre as polêmicas, encontram-se alertas contra a masturbação, que ela considerava uma fonte de debilidades físicas, e o consumo de carnes consideradas pela Bíblia como imundas, principalmente de porco, que, segundo revelado a Ellen G. White, causaria males a saúde.


Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_G._White

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Periastro - astronomia

Ponto da órbita de um astro em que ele se encontra o mais próximo de outro astro em torno do qual gravita.


Periastro é o ponto da órbita de um corpo celeste ou de uma nave espacial, em que ele se encontra mais próximo do astro em torno do qual gravita. Comumente as naves espaciais giram em torno dos corpos celestes em órbitas elípticas e elas sempre apresentam um ponto de maior aproximação que é denominado de periastro. Se estiver se referindo a um planeta do Sistema Solar que orbita em torno do Sol, neste caso este ponto recebe o nome específico de periélio. Quando o corpo celeste apresenta atmosfera é importante que o periastro seja grande o suficiente, para que a nave espacial não se friccione na atmosfera, pois pode sofrer danos ou mesmo ser destruída. Em alguns casos esta mesma fricção é utilizada para diminuir a velocidade de uma sonda. Planetas como Vênus e Marte já receberam sondas da Terra, onde foi necessário fazer o uso de aerofrenagem, quando a sonda passava pela região de seu periastro, a fim de diminuir sua velocidade de inserção no planeta e ajustar a sua órbita, para uma orbitação mais compatível para as pesquisas científicas. Certas sondas que apresentam órbitas muito elípticas fazem no seu periastro, pesquisas da alta atmosfera e do campo magnético, quando eles existem, do astro que orbitam. Mesmo quando uma nave espacial orbita um planeta em uma trajetória quase circular, o planeta costuma ter seu diâmetro maior no equador do que nos polos. Se a nave espacial não apresenta uma órbita equatorial ou geocêntrica, o seu periastro fica na região do equador do astro e pode ter um valor significativamente diferente que a sua altura de orbitação média, principalmente se for uma sonda que órbita em baixa-altitude.

Nomenclatura

Abaixo uma tabela onde o termo periastro sofre variação de acordo com o corpo celeste referencial.
Corpo celeste Máxima aproximação Máximo afastamento
Qualquer Periastro Apoastro
Sol Periélio Afélio
Terra Perigeu Apogeu
Lua Periselene/Perilúnio Aposelene/Apolúnio
Júpiter Perizene Apozene
Saturno Perikrone Apokrone

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Biografia de Jâmblico

Jâmblico
(Em latim, Iamblichus Chalcidensis; em grego Ἰάμβλιχος, provavelmente originário do siríaco ou aramaico ya-mlku, “ele é rei”). Nasceu em Cálcia, Síria, em 245, e, faleceu em Apamea, em 325. Jâmblico foi um filósofo neoplatônico assírio que determinou a direção da filosofia neoplatônica tardia e talvez do próprio paganismo ocidental. É mais conhecido por seu compêndio sobre filosofia pitagórica.

Biografia

Nascido em meados do século III, Jâmblico estudou a magia dos caldeus e a filosofia de Pitágoras, Platão, Aristóteles e Plotino. Ao tomar contato com o neoplatonismo, foi para Roma a fim de estudar com Porfírio. Escreveu “Vida de Pitágoras” (não confundir com o livro homônimo de Porfírio). Foi um teólogo patrístico helenístico do período pré-nissênico nascido em Cálcis, Celessíria, considerado o fundador da chamada escola neoplatônica síria. Seus dados biográficos são imprecisos e, aparentemente, tomou conhecimento com as doutrinas neopitagórica por influência principal de Nicômano de Gérasa (60-120), talvez em Alexandria, e do peripatetismo com Anatólio de Laodiceia (~ 240-325). Foi discípulo de Porfírio (233-304) o Fenício, e considerado o maior pupilo de Plotino (204-270), o filósofo neoplatônico helenístico, que com sua procura mística de união com o bem, através da inteligência, constituiu-se como ponto de ligação entre a filosofia grega e a sapiência alexandrina. Com sua procura mística de união com o bem, através da inteligência, conseguiu expressar este ponto de ligação entre a filosofia grega e a sapiência alexandrina. Mudando-se para a Síria, deu início à propagação de suas teses e transformou a filosofia mítica de Plotino numa Teurgia (espécie de magia baseada em relações com os espíritos celestes) ou conjugação mágica de deuses. Fundou e orientou a escola neoplatônica siríaca, com interesse na teologia politeísta e hoje é especialmente famoso por ter praticado especificamente a Teurgia, ou trabalho divino, ou a Magia Sagrada. Sua obra, segundo consta, seria composta principalmente de dez livros intitulados "Resumo das Doutrinas Pitagóricas". Destes, somente cinco se encontram preservados atualmente. Seus escritos metafísicos estão perdidos, mas suas ideias ficaram conhecidas, preservadas sob forma de citação ou comentário, doxografia, em escritos de diversos autores. Seu livro mais conhecido, “Sobre os Mistérios do Egito”, escrito em grego, foi uma resposta à carta de Porfírio (233-304) a Amélio (220-290) refutando qualquer teurgia e as práticas de adivinhação da época. Seu livro foi uma defesa da Teurgia, isto é, da possibilidade da manipulação mágica dos deuses em prol da satisfação de desejos humanos. Além disso, atribui-se a ele as seguintes obras: “De Mysteriis Liber”, “De Chaldaica Perfectissima Theologia”, “De Descensu Animae” e “De Diis”. Destas, somente alguns fragmentos sobreviveram até nossos dias. Os eruditos creem que ele foi um espírita, um médium no sentido popular, porém parece mais fácil justificar que ele opunha-se definidamente a tal prática. Além deste filósofo, os principais representantes de sua escola foram Déxipo (350), Sopatro de Apaméia e Teodoro de Asine (~ 300), este o mais proeminente e seu discípulo mais conhecido, todos seus discípulos diretos. As principais influências exercidas pelo seu pensamento incidem sobre as teses de Proclo Diádoco (412-485) e de Juliano, o Apóstata (331-363), em sua tentativa de reviver o paganismo. Em resumo, lecionou em Apaméia e diz-se que sucedeu à Porfírio na escola neoplatônica, e a transportou para Pérgamo e depois para Alexandria, sendo o local de sua morte incerto.

Diferenciação filosófica

Embora, mestre e discípulo, pertenciam à mesma corrente filosófica, o neoplatonismo, Jâmblico se caracterizou por uma série de diferenças com respeito à Porfírio. Além de uma tendência à teurgia por parte de Jâmblico, em contraste com a simples religiosidade de seu mestre, nós encontramos que a identificação de partida com os preceitos neoplatônicos, pitagóricos e órficos, insistirá Jâmblico sobretudo na importância de certas faculdades para relacionar-se com o divino superior do intelecto (o kybernetes da alma, a alma teúrgica, o Uno-da-alma, a "flor do Intelecto"), na rejeição do materialismo e na existência de uma alma eterna e imaterial. Atribui-se a Jâmblico a autoria ou recompilação chamada em latim “De Mysteriis Aegyptiorum” (Sobre os Mistérios dos Egípcios) (título dado por Marsilio Ficino à obra em sua paráfrase, cujo verdadeiro título é “Resposta do Mestre Abamón para a Carta de Porfírio a Amélio e Soluções para as Dificuldades que ela Esboça”, onde Abamón é um sacerdote egípcio bajo cujo nome Jâmblico responde ao seu mestre Porfírio as objeções que apresentara contra a religião e os rituais teúrgicos em uma carta a seu discípulo Amélio).

De Mysteriis Aegyptiorum

É um livro atribuído a Jâmblico cuja tradução em português é “Sobre os Mistérios do Egito”, embora justamente este texto apresenta distintos problemas de carácter filológico, em especial, aos relacionados ao seu autor e ao nome da obra. O título autêntico é “Resposta do Mestre Abamón para a Carta de Porfírio a Amélio e Soluções para as Dificuldades que ela Esboça”, (1460). A mudança de título procede de um comentário que Marsilio Ficino fez ao texto que o colocou de acordo com as tendências da filosofia de sua época, pois se vivia um fervor pela egiptologia. A respeito do autor, ninguém duvidou durante séculos da autoria de Jâmblico, mas Christian Meiners em (171?) e posteriormente Adolph Von Harless em 1858 questionaram de que Jâmblico fosse seu autor. Foi Karl Rasche quem deu fim a estas dúvidas em 1911. Não obstante, alguns filólogos ainda discordam. O texto é considerado, pelo seu conteúdo, plenamente pertencente à doutrina do neoplatonismo. Sua orientação é claramente religiosa, por ele encontramos uma longa lista de nomes de deuses e de divindades e no final uma oração. Pertence ao gênero epistolar, literariamente falando, mas filosoficamente aos zetemata (Ζητήματα), por assim dizer, ao gênero de paradoxos, aforias e soluções, muito popular na filosofia grega. Como é a resposta a outra carta escrita pelo neoplatônico Porfírio, podemos encontrar um contínuo diálogo com esse texto, embora atualmente não contamos com nenhum manuscrito, apenas há evidência da existência desse texto pelas citações que resgatou o autor deste livro e algumas referências em outros autores entre eles, Eusebio, Teodoreto e Santo Agostinho de Hipona. A obra está dividida em 10 capítulos, cada um deles aborda diferentes problemas a respeito das genealogias e tipos de deuses, assim como a santidade, os sacrifícios, a mântica (relativo à adivinhação, à profecia) e inclusive a mistagogia (iniciação nos mistérios duma religião). O método expositivo do texto se constitui em dois subgêneros: a diairesis, que é distinguir gêneros e a synagoge abordar de diferentes modos um problema até encontrar a melhor solução, isto, segundo Enrique Ángel Ramos Jurado, editor do livro para Gredos em 1997.

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jâmblico
https://es.wikipedia.org/wiki/Jámblico
https://es.wikipedia.org/wiki/De_Mysteriis_Aegyptiorum